A Imperatriz do trono do Dragão
Cap. III
No primeiro dia do quinto mês lunar, Sakura acordou no Palácio de Inverno da Cidade Imperial. Seu primeiro pensamento foi o mesmo que o sono interrompera na noite anterior:
- Estou entre as paredes da Cidade do Imperador, o Filho do Céu!
E, novamente, se lembrou dos acontecimentos do final do dia de ontem, quando finalmente foram buscadas para o palácio. Carregadores imperiais pararam em frente a sua casa, e ela e Mai Ling foram colocadas em cabines individuais, com cortinas em cada lado e carregadas, cada uma, por quatro homens fortes. Quando chegaram aos portões do palácio, mesmo sabendo que não deveria, Sakura abriu quase imperceptivelmente as cortinas e procurou, entre os muitos membros da guarda, Shaoran. Já tinha perdido a esperança e seu "carro" já voltava a se mexer, quando finalmente o avistou. Estava um pouco a frente dos outros, e era por isso que Sakura não o havia visto antes, e ela arregalou os olhos as notar o seu uniforme: ele era o chefe da guarda! Aparentemente subira de posto desde seu último encontro. Ele olhava firmemente para frente, mas quando ela o achou, subitamente olhou para o lado e seus olhos novamente se encontraram. Sakura nunca iria entender como, no meio de tantas outras meninas e seus carregadores chegando também, ele olhara diretamente para o seu carro e a encontrara, mas foi o que aconteceu, e naqueles poucos segundos, seus olhares foram tão intensos como jamais haviam sido, e ela se decidiu que, se estivesse ao seu alcance, de uma forma ou de outra, no final, ainda ficaria com ele.
Mas, agora, á luz da manhã, essa promessa parecia cada vez mais sem sentido. Ela percebeu que ele provavelmente nem pensava nela, e que ela poderia estar abrindo mão de um grande futuro por uma incerteza. E foi assim que passou o dia fatídico: agindo da maneira como se não quisesse ser escolhida, mas com alguma coisa dentro de si pulsando pela a oportunidade de ser a futura Imperatriz.
Mal sabia ela que, naquele momento no dia anterior, Shaoran tivera pensamentos muito similares. Ele também não entendia como sentira que havia alguém o observando, e que deveria olhar para o lado, por que sabia que era Ela que estava ali. E quando a olhava, também não compreendia o motivo de seu sangue parecer esquentar, quer dizer, entendia, mas ainda queria negar..., pois sabia que a cada passo que os carregadores davam, mais distante e intocável ela ficava, e ele sabia que não fazia sentido nutrir qualquer tipo de sentimento impossível assim. Então simplesmente o reprimia, e assim continuaria fazendo, se necessário.
Na noite anterior, Sakura e Mai Ling foram colocadas em classes separadas. Assim que chegaram, as virgens foram colocadas perante a viúva Mãe do filho do Céu, e ela escolheu vinte e oito entre ás sessenta. Mai Ling, por ser irmã de uma antiga concubina que já havia sido escolhida e se tornado princesa, mas morrido antes de deixar herdeiros, foi colocada na primeira classe, e Sakura na terceira.
- É impetuosa, disse a velha e arguta Viúva, fitando Sakura. - Se não fosse, eu a colocaria na segunda classe, pois não é adequado coloca-la na primeira com sua prima e irmã de minha nora, que passou para as Fontes Amarelas. Que fique na terceira classe, pois será melhor que meu filho, o Imperados, não a note. Sakura ouvira com aparente modéstia e obediência. Agora, era apenas um viagen de terceira classe, e dificilmente seria notada ou escolhida pelo Imperador.
Uma voz chamou através do dormitório, interrompendo seus pensamentos. Era a voz da Serva-chefe , cuja tarefa era preparar as virgens..
- Jovens, é tempo de se levantarem! É tempo de se fazerem belas! Este é seu dia de boa sorte.
As outras levantaram-se imediatamente ao ouvi-la, mas Sakura não. Tudo quando as outras fizessem, ela não faria. Manter-se-ia separada, permanecera isolada. Conservou-se imóvel, quase oculta sob a colcha de seda, como que dormindo.
- Todas devem banhar-se, ordenou a serva-chefe. Estava sentada numa ampla cadeira de bambu, gorda e severa, habituada a ser obedecida.
As jovens, agora nuas, entraram nas banheiras e as servas puseram-se a esfrega-las com sabonetes perfumadas, enxugando-as depois com toalhas macias, enquanto a serva chefe as examinava uma a uma. Súbito, falou:
- Vinte e oito foram escolhidas entre as sessenta. Conto apenas vinte e sete.
Ela consultou a lista que tinha na mão e chamou os nomes das virgens. Cada uma respondeu do lugar em que encontrava. Mas a última não respondeu.
-Kinomoto! Tornou a chamar a velha.
Sakura fingiu um bocejo.
- Como dormi! O colchão é muito mais macio do que o de minha casa.
A velha já estava impaciente.
- Vamos, vamos, apresse-se, Kinomoto! As outras já estão quase vestidas.
-Sim, venerável, respondeu ela.
Mas não se apressou. Deixou que uma serva a despisse, sem esforçar-se por auxilia-la, e quando se viu nua, entrou numa banheira de água quente, sem erguer a mão para lavar-se.
- Você! Resmungou a mulher enfurecida. - Não vai me ajudar a prepara-la?
Sakura abriu seus grandes olhos verdes e brilhantes.
- Que devo fazer? Indagou desamparada.
Ninguém suspeitaria que em sua casa não havia outra criada além da velha Lu Ma na cozinha. Não apenas se banhava sempre sozinha, como também dava banho em sua irmã e seus irmãos. Lavava as roupas deles junto com as suas e, andava de um lado para o outro ajudando sua tia nos serviços caseiros, correndo freqüentemente à loja de óleo e ao mercado de vegetais. Seu único prazer, na verdade, consistia em parar na rua e olhar os grupos de atores ambulantes chineses.
A serva não respondera à pergunta de Sakura. Não havia tempo. A serva chefe insistia em que se apressassem.
- É melhor que comam primeiro, estava ela dizendo. - Depois, o tempo que sobrar será aproveitado para arrumar os cabelos. Só o penteado exige uma hora inteira.
Mas Sakura comeu bem e com tempo, aparentemente, com muita calma.
Ao meio dia, os eunucos foram busca-las, conduzidos pelo Eunuco-chefe. Sakura observava-o sob os longos cílios. Mantinha-se afastadas das outras virgens, meio escondida atrás de uma cortina de cetim escarlate. O Eunuco- chefe marcava com um sinal o nome de cada virgem que passava.
- Está faltando uma, anunciou ele.
- Aqui estou, exclamou Sakura, aproximando-se timidamente, a cabeça curvada, o rosto voltado para o lado.
- Essa atrasou-se o dia todo, disse a serva chefe em voz alta.
- Sakura Kibnomoto, leu o Eunuco chefe em voz alta e áspera, filha mais velha do falecido Porta Bandeira Kinomoto. Tutor, o Porta Bandeira irmão deste. Foi registrada no palácio do Norte, há dois anos, com quinze de idade. Agora tem dezessete.
- É você? Inquiriu ele.
- Sou eu.
- Passe! Ordenou, mas seus olhos seguiram-na. Depois levantou-se e comandou aos eunucos inferiores: - Conduzam as virgens as Salão de Espera. Quando o Filho do Céu estiver pronto para recebe-las, eu próprio as anunciarei, uma a uma, perante o Trono do Dragão.
Ao meio dia, foram alertadas por uma agitação nos pátios distantes. Soaram cornetas, rufaram tambores e um gongo acompanhava o ritmo de passos que se aproximavam. Disse então o Eunuco-chefe:
- Jovens, esperarão aqui até qua a sua classe seja chamada. A primeira classe será apresentada ao Imperador pela viúva Mãe, e logo depois eu apresentarei a segunda. Somente depois que o Imperador tiver visto e feito a sua escolha, a terceira classe e depois a quarta serão chamadas e se aproximarão do trono. Não devem olhar a face imperial. Ele é quem olhará para vocês.
As classes foram sendo chamadas, e antes que uma hora decorresse, o Eunuco-chefe voltou.
- Agora é a vez das terceiras, anunciou ele. - Preparem-se jovens. O Imperados está ficando cansado.
As virgens dispuseram-se em fila e as sevas deram-lhes os últimos toques nos cabelos, lábios e sobrancelhas. No interior do Salão de audiência, o Eunuco-chefe anunciara a chamada dos nomes e idades - cada uma deveria entrar ao ouvir proferir o seu nome e a sua idade. Uma a uma iam passando diante do Imperador e da Viúva Mãe.
- Sakura Kinomoto! Chamou ele.
As servas já haviam se afastado e ela havia sido deixada sozinha. Ela tinha se encostado em uma parede e, novamente, fingia estar dormindo.
- Sakura!
A voz do Eunuco trovejou em seus ouvidos e ela levantou-se rapidamente. Ele avançou e agarrou-a pelo braço.
- Esqueceu-se? Está louca? O Imperador espera! Ele está esperando, digo eu....Você merecia morrer por isso...
Sakura livrou-se das mão do Eunuco, que correu para a porta e tornou a anuncia-la.
- Sakura, filha do Porta Bandeira Kinomoto, agora morto! Idade, dezessete anos, três meses e dois dias...
Ela entrou sem ruído nem afetação, caminhou vagarosamente ao longo do imenso salão, seu longo casaco manchu de cetim vermelho-rosa tocando-lhe a ponta dos sapatos bordados, apoiados em altas solas brancas e saltos centrais. Tinha suas belas e pequenas mãos cruzadas sobre a cintura e não voltou a cabeça para o Trono ao passar lentamente por ele.
- Que torne a passar, disse o Imperador.
A Viúva Mãe contemplava Sakura com involuntária admiração.
- Advirto-o de que essa moça tem um temperamento violento, disse ela. - Vejo-o em seu rosto. É forte demais para uma mulher.
- É bela, observou o Imperador.
Ainda dessa vez Sakura não voltou a cabeça. As vozes atingiam-lhe, incorpóreas, os ouvidos.
- Que importa ser ela impetuosa? Inquiriu o Imperador. -Não poderá encolerizar-se comigo.
Ele tinha uma voz jovem e petulante, fina e infantil. A voz de sua mãe era cheia e lenta, impregnada da prudência de idade.
- É melhor não escolher uma mulher forte que também seja bela, disse. - Há aquela outra, P'ou Yu, que você viu na segunda classe. Fisionomia sensível, boa aparência, mas...
- Pele áspera, retrucou o Imperador com rebeldia. - Sem dúvida teve varíola quando menina. A despeito do pó que lhe puseram no rosto, vi as marcas.
Sakura estava agora diretamente diante dele.
- Páre! Ordenou-lhe.
Ela parou, rosto e corpo de perfil, a cabeça erguida, o olhar perdido na distância, como se seu coração estivesse em outra parte.
- Vire o rosto para mim, ordenou ele.
Lentamente, como que com indiferença, ela obedeceu. Por decência, por modéstia, por tudo quanto lhe fora ensinado, uma virgem não pode erguer seu olhar acima do peito de um homem. Ao Imperador, não devia erguê-lo acima do joelho. Mas Sakura fitou-o diretamente nos olhos e com tamanha concentração que viu os olhos do Imperador, rasamente encaixados sob sua sobrancelhas pouco espessas. Ele permaneceu imóvel durante um longo instante. Em seguida falou:
- Escolho essa.
Continua...
Poxa, como eu disse q ia acontecer, eu acabei enrolando nesse cap, e os outros personagens nem apareceram, né?? Sorry!!! È que eu gostei muito de descrever como ela foi escolhida... querendo ela ou não, parece que era o destino mesmo(ou seja, euzinha nunca ia facilitar a vida dela, hauhaha)
Muito obrigada (Mesmo!!) novamente pelos comentários, eles tem me ajudado bastante e fezendo com que eu atualize mais rápido do que eu mesma esperava!
Julia, eu realmente gosto de deixar a Sakura mais inteligente... e nem eu escrevendo mal assim consigo deixar o Shaoran feio, hehe. Serenite, que bom q vc gostou! Nem apareceu tanto romance neste, sinto muito, mas espero q vc goste ^^ Anna, valeui mesmo pelo elogio, espera q vc goste desse cap tb. Brigada pra galera q mandou comentários direto pro meu e-mail tb ^^,
Ps- Só para informação, quando uma pessoa morria na china antiga, diziam que ela passara para as Fontes Amarelas... foi isso q a Viúva mãe quis dizer..(se bem que eu acho q ficou meio obvio...).
Cap. III
No primeiro dia do quinto mês lunar, Sakura acordou no Palácio de Inverno da Cidade Imperial. Seu primeiro pensamento foi o mesmo que o sono interrompera na noite anterior:
- Estou entre as paredes da Cidade do Imperador, o Filho do Céu!
E, novamente, se lembrou dos acontecimentos do final do dia de ontem, quando finalmente foram buscadas para o palácio. Carregadores imperiais pararam em frente a sua casa, e ela e Mai Ling foram colocadas em cabines individuais, com cortinas em cada lado e carregadas, cada uma, por quatro homens fortes. Quando chegaram aos portões do palácio, mesmo sabendo que não deveria, Sakura abriu quase imperceptivelmente as cortinas e procurou, entre os muitos membros da guarda, Shaoran. Já tinha perdido a esperança e seu "carro" já voltava a se mexer, quando finalmente o avistou. Estava um pouco a frente dos outros, e era por isso que Sakura não o havia visto antes, e ela arregalou os olhos as notar o seu uniforme: ele era o chefe da guarda! Aparentemente subira de posto desde seu último encontro. Ele olhava firmemente para frente, mas quando ela o achou, subitamente olhou para o lado e seus olhos novamente se encontraram. Sakura nunca iria entender como, no meio de tantas outras meninas e seus carregadores chegando também, ele olhara diretamente para o seu carro e a encontrara, mas foi o que aconteceu, e naqueles poucos segundos, seus olhares foram tão intensos como jamais haviam sido, e ela se decidiu que, se estivesse ao seu alcance, de uma forma ou de outra, no final, ainda ficaria com ele.
Mas, agora, á luz da manhã, essa promessa parecia cada vez mais sem sentido. Ela percebeu que ele provavelmente nem pensava nela, e que ela poderia estar abrindo mão de um grande futuro por uma incerteza. E foi assim que passou o dia fatídico: agindo da maneira como se não quisesse ser escolhida, mas com alguma coisa dentro de si pulsando pela a oportunidade de ser a futura Imperatriz.
Mal sabia ela que, naquele momento no dia anterior, Shaoran tivera pensamentos muito similares. Ele também não entendia como sentira que havia alguém o observando, e que deveria olhar para o lado, por que sabia que era Ela que estava ali. E quando a olhava, também não compreendia o motivo de seu sangue parecer esquentar, quer dizer, entendia, mas ainda queria negar..., pois sabia que a cada passo que os carregadores davam, mais distante e intocável ela ficava, e ele sabia que não fazia sentido nutrir qualquer tipo de sentimento impossível assim. Então simplesmente o reprimia, e assim continuaria fazendo, se necessário.
Na noite anterior, Sakura e Mai Ling foram colocadas em classes separadas. Assim que chegaram, as virgens foram colocadas perante a viúva Mãe do filho do Céu, e ela escolheu vinte e oito entre ás sessenta. Mai Ling, por ser irmã de uma antiga concubina que já havia sido escolhida e se tornado princesa, mas morrido antes de deixar herdeiros, foi colocada na primeira classe, e Sakura na terceira.
- É impetuosa, disse a velha e arguta Viúva, fitando Sakura. - Se não fosse, eu a colocaria na segunda classe, pois não é adequado coloca-la na primeira com sua prima e irmã de minha nora, que passou para as Fontes Amarelas. Que fique na terceira classe, pois será melhor que meu filho, o Imperados, não a note. Sakura ouvira com aparente modéstia e obediência. Agora, era apenas um viagen de terceira classe, e dificilmente seria notada ou escolhida pelo Imperador.
Uma voz chamou através do dormitório, interrompendo seus pensamentos. Era a voz da Serva-chefe , cuja tarefa era preparar as virgens..
- Jovens, é tempo de se levantarem! É tempo de se fazerem belas! Este é seu dia de boa sorte.
As outras levantaram-se imediatamente ao ouvi-la, mas Sakura não. Tudo quando as outras fizessem, ela não faria. Manter-se-ia separada, permanecera isolada. Conservou-se imóvel, quase oculta sob a colcha de seda, como que dormindo.
- Todas devem banhar-se, ordenou a serva-chefe. Estava sentada numa ampla cadeira de bambu, gorda e severa, habituada a ser obedecida.
As jovens, agora nuas, entraram nas banheiras e as servas puseram-se a esfrega-las com sabonetes perfumadas, enxugando-as depois com toalhas macias, enquanto a serva chefe as examinava uma a uma. Súbito, falou:
- Vinte e oito foram escolhidas entre as sessenta. Conto apenas vinte e sete.
Ela consultou a lista que tinha na mão e chamou os nomes das virgens. Cada uma respondeu do lugar em que encontrava. Mas a última não respondeu.
-Kinomoto! Tornou a chamar a velha.
Sakura fingiu um bocejo.
- Como dormi! O colchão é muito mais macio do que o de minha casa.
A velha já estava impaciente.
- Vamos, vamos, apresse-se, Kinomoto! As outras já estão quase vestidas.
-Sim, venerável, respondeu ela.
Mas não se apressou. Deixou que uma serva a despisse, sem esforçar-se por auxilia-la, e quando se viu nua, entrou numa banheira de água quente, sem erguer a mão para lavar-se.
- Você! Resmungou a mulher enfurecida. - Não vai me ajudar a prepara-la?
Sakura abriu seus grandes olhos verdes e brilhantes.
- Que devo fazer? Indagou desamparada.
Ninguém suspeitaria que em sua casa não havia outra criada além da velha Lu Ma na cozinha. Não apenas se banhava sempre sozinha, como também dava banho em sua irmã e seus irmãos. Lavava as roupas deles junto com as suas e, andava de um lado para o outro ajudando sua tia nos serviços caseiros, correndo freqüentemente à loja de óleo e ao mercado de vegetais. Seu único prazer, na verdade, consistia em parar na rua e olhar os grupos de atores ambulantes chineses.
A serva não respondera à pergunta de Sakura. Não havia tempo. A serva chefe insistia em que se apressassem.
- É melhor que comam primeiro, estava ela dizendo. - Depois, o tempo que sobrar será aproveitado para arrumar os cabelos. Só o penteado exige uma hora inteira.
Mas Sakura comeu bem e com tempo, aparentemente, com muita calma.
Ao meio dia, os eunucos foram busca-las, conduzidos pelo Eunuco-chefe. Sakura observava-o sob os longos cílios. Mantinha-se afastadas das outras virgens, meio escondida atrás de uma cortina de cetim escarlate. O Eunuco- chefe marcava com um sinal o nome de cada virgem que passava.
- Está faltando uma, anunciou ele.
- Aqui estou, exclamou Sakura, aproximando-se timidamente, a cabeça curvada, o rosto voltado para o lado.
- Essa atrasou-se o dia todo, disse a serva chefe em voz alta.
- Sakura Kibnomoto, leu o Eunuco chefe em voz alta e áspera, filha mais velha do falecido Porta Bandeira Kinomoto. Tutor, o Porta Bandeira irmão deste. Foi registrada no palácio do Norte, há dois anos, com quinze de idade. Agora tem dezessete.
- É você? Inquiriu ele.
- Sou eu.
- Passe! Ordenou, mas seus olhos seguiram-na. Depois levantou-se e comandou aos eunucos inferiores: - Conduzam as virgens as Salão de Espera. Quando o Filho do Céu estiver pronto para recebe-las, eu próprio as anunciarei, uma a uma, perante o Trono do Dragão.
Ao meio dia, foram alertadas por uma agitação nos pátios distantes. Soaram cornetas, rufaram tambores e um gongo acompanhava o ritmo de passos que se aproximavam. Disse então o Eunuco-chefe:
- Jovens, esperarão aqui até qua a sua classe seja chamada. A primeira classe será apresentada ao Imperador pela viúva Mãe, e logo depois eu apresentarei a segunda. Somente depois que o Imperador tiver visto e feito a sua escolha, a terceira classe e depois a quarta serão chamadas e se aproximarão do trono. Não devem olhar a face imperial. Ele é quem olhará para vocês.
As classes foram sendo chamadas, e antes que uma hora decorresse, o Eunuco-chefe voltou.
- Agora é a vez das terceiras, anunciou ele. - Preparem-se jovens. O Imperados está ficando cansado.
As virgens dispuseram-se em fila e as sevas deram-lhes os últimos toques nos cabelos, lábios e sobrancelhas. No interior do Salão de audiência, o Eunuco-chefe anunciara a chamada dos nomes e idades - cada uma deveria entrar ao ouvir proferir o seu nome e a sua idade. Uma a uma iam passando diante do Imperador e da Viúva Mãe.
- Sakura Kinomoto! Chamou ele.
As servas já haviam se afastado e ela havia sido deixada sozinha. Ela tinha se encostado em uma parede e, novamente, fingia estar dormindo.
- Sakura!
A voz do Eunuco trovejou em seus ouvidos e ela levantou-se rapidamente. Ele avançou e agarrou-a pelo braço.
- Esqueceu-se? Está louca? O Imperador espera! Ele está esperando, digo eu....Você merecia morrer por isso...
Sakura livrou-se das mão do Eunuco, que correu para a porta e tornou a anuncia-la.
- Sakura, filha do Porta Bandeira Kinomoto, agora morto! Idade, dezessete anos, três meses e dois dias...
Ela entrou sem ruído nem afetação, caminhou vagarosamente ao longo do imenso salão, seu longo casaco manchu de cetim vermelho-rosa tocando-lhe a ponta dos sapatos bordados, apoiados em altas solas brancas e saltos centrais. Tinha suas belas e pequenas mãos cruzadas sobre a cintura e não voltou a cabeça para o Trono ao passar lentamente por ele.
- Que torne a passar, disse o Imperador.
A Viúva Mãe contemplava Sakura com involuntária admiração.
- Advirto-o de que essa moça tem um temperamento violento, disse ela. - Vejo-o em seu rosto. É forte demais para uma mulher.
- É bela, observou o Imperador.
Ainda dessa vez Sakura não voltou a cabeça. As vozes atingiam-lhe, incorpóreas, os ouvidos.
- Que importa ser ela impetuosa? Inquiriu o Imperador. -Não poderá encolerizar-se comigo.
Ele tinha uma voz jovem e petulante, fina e infantil. A voz de sua mãe era cheia e lenta, impregnada da prudência de idade.
- É melhor não escolher uma mulher forte que também seja bela, disse. - Há aquela outra, P'ou Yu, que você viu na segunda classe. Fisionomia sensível, boa aparência, mas...
- Pele áspera, retrucou o Imperador com rebeldia. - Sem dúvida teve varíola quando menina. A despeito do pó que lhe puseram no rosto, vi as marcas.
Sakura estava agora diretamente diante dele.
- Páre! Ordenou-lhe.
Ela parou, rosto e corpo de perfil, a cabeça erguida, o olhar perdido na distância, como se seu coração estivesse em outra parte.
- Vire o rosto para mim, ordenou ele.
Lentamente, como que com indiferença, ela obedeceu. Por decência, por modéstia, por tudo quanto lhe fora ensinado, uma virgem não pode erguer seu olhar acima do peito de um homem. Ao Imperador, não devia erguê-lo acima do joelho. Mas Sakura fitou-o diretamente nos olhos e com tamanha concentração que viu os olhos do Imperador, rasamente encaixados sob sua sobrancelhas pouco espessas. Ele permaneceu imóvel durante um longo instante. Em seguida falou:
- Escolho essa.
Continua...
Poxa, como eu disse q ia acontecer, eu acabei enrolando nesse cap, e os outros personagens nem apareceram, né?? Sorry!!! È que eu gostei muito de descrever como ela foi escolhida... querendo ela ou não, parece que era o destino mesmo(ou seja, euzinha nunca ia facilitar a vida dela, hauhaha)
Muito obrigada (Mesmo!!) novamente pelos comentários, eles tem me ajudado bastante e fezendo com que eu atualize mais rápido do que eu mesma esperava!
Julia, eu realmente gosto de deixar a Sakura mais inteligente... e nem eu escrevendo mal assim consigo deixar o Shaoran feio, hehe. Serenite, que bom q vc gostou! Nem apareceu tanto romance neste, sinto muito, mas espero q vc goste ^^ Anna, valeui mesmo pelo elogio, espera q vc goste desse cap tb. Brigada pra galera q mandou comentários direto pro meu e-mail tb ^^,
Ps- Só para informação, quando uma pessoa morria na china antiga, diziam que ela passara para as Fontes Amarelas... foi isso q a Viúva mãe quis dizer..(se bem que eu acho q ficou meio obvio...).
