-Monstro, Amy, monstro! –gritava Natalie, no pesadelo de Amy Cahill.

-Não sou! Eu não sou um monstro, Natalie! – rebateu Amy, tampando o rosto com as mãos.

Então a imagem de Natalie Kabra se desfez e ela estava diante de Ian, com seus olhos cor de âmbar encarando-a, frios e sem vida:

-Está feliz, Amy? Do jeito que me deixou? Você deve estar ótima, com o Evan, seu irmão e seu tio, equanto eu fico aqui sozinho, os vespers me torturando…

-Não, Ian! Não! Eu vou te salvar… -gritou ela, com a voz estridente.

-Ah, vai? Seu namorado vai deixar você arriscar a vida pra me salvar? –perguntou o Kabra, sua expressão era vaga, mas era como se Amy estivesse vendo por dentro do adolescente.

Ciúmes. Assim como Sinead disse. Ela… Ela tinha razão.

-Ian, por favor, eu vou te salvar!

-Mentirosa. –afirmou ele.

-Não sou! É verdade! –rebateu ela, levantando-se.

-Não chegue perto de mim, traidora.

-Ian… -murmurou Amy, sentindo as lágrimas quentes e salgadas lavando seu rosto.

-Não vou falar para você se esquecer de mim, por que você já o fez. –disse Ian, e em seguida desapareceu em uma explosão de pó.

-Nãããão! –gritou Amy, caindo da cama com um baque surdo.

-Amy! O que houve? –perguntou Dan, tentando levantar a irmã.

-E-ele me odeia… -sussurrou a garota, as lágrimas caiam sem dó.

Dan olhou para ela e em seguida pegou o telefone. Em poucos segundos, os médicos, Fiske e, por incrível que pareça, Natalie Kabra, estavam ali.

-Está feliz, Natalie? –perguntou Dan, em tom acusatório.

No mesmo instante Amy lembrou-se do pesadelo e recomeçou a gritar:

-Não estou, não! Eu vou te salvar!

Natalie encarou a Cahill, sua pele escura parecia empalidecer a cada segundo.

-Eu não fiz isso, fiz? –murmurou ela, agora olhando para Fiske, que negou com a cabeça:

-Ela parece ter entrado em estado de choque.

-Mas eu não fiquei assim quando o Lester… -Dan não terminou a frase.

-Eu sei, mas ela não entrou em estado de choque físicamente. –explicou um dos médicos.

Amy parecia estar desacordada e ao mesmo tempo acordada, sabia o que estava falando e fazendo, porém não tinha controle sobre nada.

Sentiu uma agulha lhe furar a pele, e em pouco tempo adormeceu.