Dedicado à klapaucius e NAYFA
- Então tinha razão - Harry estava pasmado, os seus olhos brilhavam de ódio. - Cullen vai apoderar-se de tudo, do escritório de Hong-Kong, da rede internacional, de tudo.
Bella telefonou-lhe assim que chegou a casa, e ele foi à casa dela como um turbilhão. Harry tinha imenso carisma, a sua personalidade era magnética. A jovem viu que tinha envelhecido, embora o seu cabelo continuasse negro. Era alto e vestia uma camisa ás listras azuis e brancas e uma calça preta.
- Não vou casar com ele - sussurrou Bella.
Harry observou-a com alguma suspeita.
- É sério! - repetiu ela examinando-o; estavam no salão da casa. - Não me importa o que ele diz ou faz, prefiro morrer a casar com Edward Cullen!
- Graças a Deus - suspirou Harry e abraçou-a. – Me perdoa por não acreditar em você! Desde que você partiu conspiraram contra mim, armaram-me armadilhas e...
- Harry, porque você armou aquele escândalo? - estudou-o com as lágrimas nos olhos. – Você bateu no meu pai! No seu próprio irmão, Harry! Se pudesse vê-lo no hospital... com os fios, as ligaduras e...
- Estava louco naquela noite - confessou Harry. - Estava com tanto ciúme do Cullen, tão cheio de ódio pelo Charlie... Bebi demas. Nem sequer me lembro de ter batido nele. Só sei que acordei numa cela, com uma dor de cabeça.
Bella lutou por compreender as duas versões, mas era muito difícil. Sentia compaixão por Harry, mas também fúria, ele tinha estado a ponto de matar o seu pai. Harry leu bem o seu pensamento e suplicou-lhe com as mãos nos ombros.
- Bella, juro que não sabia o que estava fazendo.
Muito pálida, Bella inspirou profundamente.
- Tentou... ir vê-lo?
- Não me deixam nem me aproximar do edifício - explicou com amargura. - Cullen, claro! Telefonou de Londres para o hospital e deu instruções estritas para me impedirem de ver Charlie.
Bella entendia, mas sentia aversão por Edward. Tinha feito o mais correto e além disso tinha o controle completo de uma situação que ela nunca conseguira dominar.
- Quando começa a trabalhar com ele? - perguntou-lhe Harry de repente.
- Na segunda-feira de manhã - respondeu.
- Nunca fique sozinha com aquele canalha - sugeriu-lhe o seu tio com os olhos semicerrados.
- Está pensando que ele tentará...? - interrompeu-se pálida.
- Te seduzir? - terminou Harry por ela. - É uma jogada astuta, Bella. Você é a chave do futuro dele.
Quando Harry se foi embora, Bella sentou-se no terraço. Nada tinha mudado. Charlie tentava mantê-la ao seu lado e Harry fazia a mesma coisa. Emocionalmente, a jovem sentia-se como uma marionete. A única coisa diferente em Hong-Kong era Edward, e a ameaça que representava. Bella não sabia como o controlaria.
Passou perto dela uma vespa a voar e a brincar com as assas. Bella observou-a e recordou as palavras de Harry: "Te seduzir? É uma jogada astuta..." Os seus olhos brilharam com determinação. Ele que experimentasse!
Na segunda-feira apresentou-se para trabalhar no edifício Swan. O Distrito Central era o centro do dinheiro; as ruas estavam cheias de bancos, gigantes financeiros e hotéis internacionais. Circulavam os metrôs, ouviam-se buzinas dos táxis e os arranha-céus elevavam-se até o céu azul.
Bella usava um vestido de algodão branco com decote em bico, de mangas curtas, e umas sandálias prateadas. Levava o cabelo apanhado num rabo de cavalo.
Quando saiu do elevador no último andar tropeçou com Edward que avançava pelo corredor.
- Oh! - Bella corou e fez uma careta. - Porque não olha por onde anda?
- Você atravessou no meu caminho - explicou Edward semicerrando os olhos. - Que isto não se transforme num hábito... - os seus olhos desceram até aos seus seios agitados. - Um vestido bem escolhido, eficiente, mas muito sensual. Tem um gosto admirável. Vou gostar de te ver andar assim pelo escritório.
- Me visto para o trabalho, não para você! - replicou ela corada.
- Sou o seu chefe. As duas coisas são indivisíveis.
- Eu não contaria com isso.
- Ora! - anunciou com calma. - Isso é um desafio. A terceira vez que põe as suas cartas todas na mesa! Nunca será uma boa jogadora de póquer - os seus olhos troçaram nos dela. - Tente apresentar uma aparência bonita e deixe a intriga para os grandes. Não gostaria de lhe ver derrotada.
Bella olhou-o apenas com ira e decidiu não falar.
- Anda. Vou te mostrar o seu escritório - conduziu-a pelo corredor. Bella examinou o escritório, a decoração, a tapeçaria em tom creme e os móveis de mogno.
- Bem-vinda ao seu novo lar - murmurou Edward em picardia.
- Muito bonito - admitiu.
- Suponho que sabe usar essas máquinas, não é? - apontou para o computador, a impressora e o fax.
- Claro! - admitiu com indignação.
- Bem - voltou-se metendo as mãos nos bolsos das do seu fato preto. - Então podemos começar. Domine a sua estenografia e venha comigo. Vou te ditar umas cartas.
Bella deixou a sua bolsa na mesa e o seguiu até ao seu escritório. A tapeçaria era creme, a condizer com as paredes; havia uma grande palmeira num vaso de terracota, uma mesa enorme de mogno com seis telefones, quadros coloridos de Picasso e Kandinsky e uma vista panorâmica de Hong-Kong nas grandes janelas.
Edward sentou-se na sua cadeira por trás da secretária.
- Sente-se - anunciou e entrelaçou as mãos atrás da cabeça, reclinando-se e observando Bella com expressão misteriosa.
Ela cruzou as pernas e os olhos de Edward seguiram o movimento. Ele não sorria. A atração sexual vibrava entre eles como eletricidade.
- As cartas? - recordou ela.
Ele olhou-a. Depois ditou quatro cartas enquanto ela tentava seguir o ritmo.
- Novo parágrafo. Sugiro a quantia de dez milhões de dólares de Hong-Kong para começar os... - continuava a ditar sem parar.
Bella escrevia os símbolos que esperava conseguir decifrar depois.
- Atenciosamente, etc., etc. Agora a carta para o senhor Jasper Halle... - continuou.
Quando terminaram Bella tinha a mão a doer.
- Vou escrevê-las.
- Imprima logo - ordenou ele. - Quero-as no correio antes do almoço. Leve também essas pastas e estude-as. Vou lhe fazer perguntas daqui a uma hora.
Bella regressou ao seu escritório, decidida a demonstrar-lhe que era uma secretária eficiente. O processador de texto era fácil de manusear e escreveu as cartas em quinze minutos. Depois estudou as pastas com cuidado, atendeu chamadas e perguntou a Edward se estava disponível.
- Sim? - sussurrou uma voz feminina muito sensual quando Bella levantou o telefone. - Quem fala?
- Isabella Swan, a nova secretária do senhor Cullen. O que deseja, senhora...?
- Senhorita - corrigiu a voz. – Senhorita Tanya Denalli.
Bella ficou tensa e conteve a respiração ao recordar a chamada que Edward fez da limusine e o tom sedutor e sensual com que falou.
- Tanya...? Vou ver se o senhor Cullen está disponível - anunciou Bella e carregou no botão do intercomunicador. – Tanya Denalli na linha um.
- Podes passar.
Bella obedeceu.
- Tanya! - exclamou Edward. - Obrigada pela noite de ontem...
Bella desligou o telefone como se este a queimasse; depois perguntou-se porque teria experimentado aquelas reações.
Dez minutos mais tarde ouviu o inter-comunicador.
- Reservei uma mesa para dois no Mandarim Grill para a uma hora, para hoje. A senhorita Tanya deverá estar aqui à uma e meia. Avise-me assim que chegar.
- De acordo - replicou com tensão. Pensou que a levaria ao palácio do hotel Mandarim, onde a elite se encontrava.
Mais tarde ligou para falar das pastas que ela tinha estudado. Cullen descreveu-lhe os acordos atuais, reclinado na sua cadeira com as mãos na cabeça.
- No que respeita ao Shangai... Precisamos de mais informação antes de começar a escrever... - concluiu Edward.
- Não deveria ser o Harry a encarregar-se disso? – perguntou Bella de repente. - Andou na escola com o MD e fez muitos trabalhos para eles.
- Está suspenso do trabalho - recordou-lhe Edward semicerrando os olhos.
- Mas este é um negócio importante - disse ela. - Ele é o homem indicado para lhes arrancar a verdade.
- Sou sempre eu que decido. É minha secretária, não minha conselheira.
- Também sou a filha do presidente da administração - replicou ela.
- É - murmurou ele. – Me perguntava quando chegaríamos a esta situação - levantou-se e caminhou com uma expressão fria em direção a ela.
Bella observou-o e a sua pulsação acelerou-se com o medo.
- Gostas de pôr as cartas na mesa - troçou e estava muito perto dela. - E acho que está na hora de eu te mostrar uma... - arqueou as sobrancelhas. - Apenas um dos meus ases. Eu controlo esta empresa, não você, nem Harry, nem sequer o seu pai.
- Só por algum tempo - replicou ela. - Vou herdar a empresa e quando isso acontecer...
- Vai me expulsar - anunciou. - Mas ninguém sabe o que pode acontecer até lá. Ora, talvez você se case...
- O que não é muito provável - replicou-lhe com ira.
- Talvez você mude de opinião - troçou ele.
- Não mudarei. Mesmo que assim fosse...
- Vai me expulsar. Sim, a vingança vai ser doce, não duvido. Enquanto isso eu controlo a empresa, e sou muito duro com secretárias insolentes.
Bella ficou calada e apertou os lábios com fúria.
- Assim está melhor - murmurou ele, desfrutando o seu poder.
- Está quase na hora do almoço - lembrou-lhe Bella com tensão. - Há mais alguma coisa ou posso ir embora?
- Só mais uma coisa - deslizou a mão pela nuca dela fazendo-a gemer. - Não gosto deste penteado - puxou a fita de seda branca enquanto a olhava nos olhos, e deslizou um dedo pela nuca nua. Baixou o olhar para contemplar os mamilos que se erguiam violentamente como resposta. - Daqui para a frente, use o cabelo solto - murmurou sorrindo. Depois olhou-a nos olhos com autoridade. - E é uma ordem!
- É tudo? - balbuciou com ira.
- De momento sim - ergueu-se com um olhar brilhante.
Bella levantou-se pesarosa e caminhou até à porta. Desejava desatar a correr porque tinha as pernas a tremer e sentia o olhar dele nas suas costas. Fechou a porta atrás de si e ficou ali, muito quieta, a tremer e respirando com dificuldade.
A porta do escritório abriu-se de repente. Bella levantou a cabeça e viu uma jovem muito bonita, de cabelo longo, óculos escuros e vestido preto justo.
- Sou Tanya Denalli - anunciou a mulher. Os óculos escuros davam-lhe um ar de mistério. - O Cullen está à minha espera.
- Claro – concordou Bella controlando-se. – Vou dizer-lhe que está aqui - e bateu com força na porta de Edward. Abriu-a um pouco e disse: - A senhorita Tanya está aqui.
- Mande-a entrar.
Bella afastou-se para um lado para deixar passar a bonita e enigmática mulher, que fechou a porta atrás de si. Não pôde evitar perguntar-se se seria sua amante. Bella não gostava da tensão que se criava no seu estômago perante aquela idéia. Fazia-a recordar a maneira como entrou no seu apartamento de Londres e viu ali Edward e pensou que era o amante secreto de Sue. Pareciam ciúmes. Mas como podiam ser? Antes nunca se tinha sentido tão ciumenta...
Recuperou-se e apertou os lábios. Pensou que o melhor era afastar-se uma hora para comer e esquecer Edward.
Ao sair à rua Des Voeux, inspirou o ar quente e úmido. Havia barulho por todo o lado e gente que corria de um lado para o outro.
- Espera! - gritou uma voz do edifício Swan. - Bella, espera!
Voltou-se e gemeu de alegria quando viu Jacob correr para ela. Foi ao seu encontro de imediato e ele levantou-a no ar. Bella sentiu-se muito contente quando viu o seu melhor e mais querido amigo.
- Jake!
- Querida Bella!
Abraçaram e riram com os olhos brilhantes.
Naquele momento Edward saiu do edifício em direção à sua limusine, com a bonita Tanya pelo braço. Olhou para Jacob e Bella com desconfiança, que continuavam abraçados.
- Acabo de saber que você voltou para a Swan. É verdade que esta trabalhando como secretária na empresa?
Bella viu Edward a pouca distância quando ele abria a porta da limusine a Tanya.
- Jake, vamos comer ou fazer qualquer coisa
Comeram no Califórnia, um local noturno com luzes de néon. Os locais noturnos em Hong-Kong estão abertos todo o dia. Aquele era muito bom, limpo e servia uma comida excelente.
Bella contou-lhe depressa como se dera o ataque cardíaco do seu pai.
- Harry sempre foi muito auto-destrutivo. Agora também quer destruir o Charlie - comentou Jacob. - E a você? Ainda querem partir aos bocados?
- Sim, mas isso não é minha principal preocupação - admitiu. - Edward é quem mais me inquieta... - alguma coisa a preveniu para não mencionar o seu temor do casamento. Isso também a incomodou. Tinha sempre confiado em Jacob, mas não lhe podia contar isso.
- Não se preocupe - repôs ele. - Eu sei que consegue controlá-lo. Simplesmente conserve a calma e não poderá te confundir.
- Esse é o problema. Não consigo manter a calma e ele me confunde - baixou o olhar.
- Precisas de te divertir - declarou Jacob. - Sugiro irmos dançar ao 1997!
- É precisamente isso do que preciso! - exclamou Bella.
- Perfeito! Dane-se o cansaço da viagem. Vou te levar esta noite e ficarei acordado até os olhos se fecharem.
Quando regressou ao escritório, Edward chamou-a com voz dura. Bella ficou tensa e obedeceu. Ele estava junto às janelas com as mãos nos bolsos.
- Pensei que Jacob Black estivesse em Londres – falou
- Estava lá em negócios - explicou. - Regressou hoje.
- Soube que você estava trabalhando comigo, e...
- Soube – interrompeu.
- Precisamente - caminhou em direção a ela com os olhos semicerrados. - Olha, Bella, JAcob não é uma boa companhia para você nesta crise familiar, está claro?
- O quê...? - os seus olhos deitaram faíscas de ira. - Não quer que esteja com ele? Você tá louco! Não vou renunciar a...
- Se quiser, pode fazer o quiser - interrompeu-a ele. - Mas lembre-se que é um membro muito importante da comunidade financeira. Também que ele fala com as pessoas, lhe garanto, de qualquer tema que tenhas naquela mente vazia.
- Como você se atreve? - perguntou ela furiosa.
- Não lhe diga nada que ele possa contar à comunidade - declarou Edward. - Já nos basta ter o Charlie no hospital, Harry acusado de agressão e você a trabalhar comigo. Não quero que os rumores destabilizem as ações. Entendeu?
Lutou para manter o controle.
- Sim, senhor!
- Volte para o trabalho - olhou-a; - Vamos ter uma tarde muito ocupada.
Bella bateu com a porta quando saiu. Manter a calma! Era uma piada. Edward fazia todo o possível para inflamá-la em cada instante.
Naquela noite foi visitar o seu pai no hospital. Encontrou-o muito melhor, a ouvir música clássica.
- Como foi o seu primeiro dia como secretária do Edward? - perguntou-lhe debilmente, mas com os olhos brilhantes. Escutou entusiasmado quando Bella lhe contou algumas meias verdades sobre o seu trabalho.
Não havia oportunidade de convencer o seu pai que Edward era uma víbora, pensou quando apanhou um táxi- para casa. De momento devia aceitar as coisas tal como estavam.
O resto da semana passou quase da mesma maneira que o princípio. Os dias no escritório eram tensos, mas o trabalho tornou-se mais interessante do que tinha imaginado. Enfrascou-se numa rotina frenética com Edward, e via o seu pai todos os dias e achava-o melhor. Também se mantinha em contato com Harry. Estava muito contente por Charlie estar melhor, e isso deu esperanças a Bella de uma possível reconciliação. Embora continuasse acusado de agressão, o julgamento estava programado para daí a dois meses. Isso dava-lhe tempo para esperar e comentá-lo com Charlie quando estivesse melhor. O seu único alívio era Jacob, que a levava a passear todas as noites. Iam aos seus lugares favoritos: 1997, Rick's Café, Go-Down e às vezes iam à Casa da Fatalidade, em Wan Cham.
No sábado de manhã Bella estava no terraço, com um vestido vermelho de Verão, quando tocou a campainha. Nightingale abriu a porta.
- O senhor Cullen - anunciou um momento depois.
Bella olhou-o com irritação quando ele entrou na sala.
Estava perigoso e sensual com a sua calça azul e a sua camisa branca com o colarinho aberto. O seu peito bronzeado, e uns óculos pretos escondiam os seus olhos. A pulsação de Bella acelerou-se perante aquela consciência irritante que sentia junto dele. Naquele dia era mais forte, mais profunda porque ele vestia roupa informal.
- A que devo a honra? - troçou ela.
- O seu pai vai sair do hospital na hora do almoço - anunciou Edward. - Pensei que talvez quisesses ir comigo buscá-lo.
- O meu pai sai hoje e sou a última a saber! - os seus olhos brilharam. - Que...!
- Não seja infantil - repreendeu-a. - Eu sou o contato com o hospital. Telefonam a mim, não a você.
Bella sentia-se dorida por o seu pai não lhe ter telefonado a ela. Depois de uma vida em que a tinha devorado emocionalmente, de repente sentia-se relegada pelo odioso Edward.
- Não fique aí olhando para mim - murmurou ele. – Você vem ou não?
- Sim - respondeu com fúria.
- Bem - voltou-se, meteu as mãos no bolso das calças e deu algumas ordens à amah. - Nightingale, prepare o quarto do senhor Charlie.
- Sim, senhor Edward.
- Leve para lá uma televisão para que possa ver as informações de Hong-Kong, e todos os seus programas favoritos. Além disso, prepare por favor um jantar para três para esta noite.
Furiosa, Bella avançou para ele.
- Espera um minuto! Ninguém me disse nada sobre isto
- São ordens do teu pai - anunciou Edward com dureza - Suponho que não terá objeção em jantar com o seu pai esta noite, não?
- Claro que não! - replicou com ira. - Simplesmente gostaria que me levassem em consideração!
Ele olhou-a com um desprezo que a irritou.
- Vamos - apressou-a. - Devemos ir buscá-lo ao meio-dia.
Dirigiram-se ao hospital no carro de Edward. Iam no banco de trás, com uma janela aberta. A brisa quente alvoroçava o cabelo de Edward. Bella estava consciente do seu corpo poderoso e musculoso. Cada pormenor da sua aparência ficou gravado na sua memória.
- Malditos comprimidos! - exclamou Charlie enquanto Edward o ajudava a entrar no carro.
- Vai correr tudo bem - acalmou-o Edward. - Deve se descontrair.
- Encarregue-se de tudo, posso descontrair-me finalmente - anunciou Charlie.
O carro dirigiu-se a casa e o seu pai tagarelou alegremente. Quando se detiveram na estrada, Nightingale saiu a correr.
- Bem-vindo a casa, senhor Charlie - cumprimentou-o com alegria. - Coloquei uma televisão no seu quarto, e flores frescas, e fruta... Manga, papaia.
- Não quero ir para a cama! – disse Charlie apoiando-se no forte braço de Edward. - Acabo de sair de uma! Leva-me para o terraço e prepara-me um ponche Singapura.
- Nada de álcool - replicou Edward com firmeza e levou-o para o terraço.
- Ah, assim está melhor - Charlie sentou-se numa cadeira de balanço. - Nunca me cansarei desta paisagem. Não é tão bonita?
O telefone quebrou o silêncio da casa.
- Eu atendo - anunciou Edward e entrou como se fosse o dono da casa. Era outra exibição de poder que fez ferver o sangue de Bella. Depois de um momento, Edward levantou a cabeça e olhou-a friamente. - É para você - explicou e passou-lhe o auscultador. - Black!
- Olá, Jake - respondeu Bella.
- Olá, linda - cumprimentou-a com alegria. – Você vem ao meu barco amanhã à tarde?
- Não o perderia por nada deste mundo! - respondeu ela a sorrir.
- Perfeito! Passo pra te buscar à uma e meia. Leve o seu biquini mais sensual. Os rapazes estão apaixonados por você como de costume.
- Galanteador! - riu ela. - Levarei o biquíni mais sexy que encontrar! Nos vemos amanhã. Adeus - Voltou-se e quase chocou contra o forte peito de Edward.
- Oh! - corou. - Estava escutando escondido, Edward?
- Você saiu com o Jacob todas as noites desta semana.
- Também é espião? - replicou ela com os olhos brilhantes.
- Onde você vai amanhã com ele? - os seus olhos amarelos brilharam de ira.
- Vou passar a tarde no barco dele - respondeu entre dentes. - Alguma objeção?
- Desde que não fale com ele, não - replicou. Voltou-se e saiu para o terraço.
Quando Bella se recuperou, saiu para o terraço e sorriu ao seu pai. Charlie olhou-a com fadiga.
- Bella, anda saindo com esse Dom Juan do Jacob outra vez?
- Pensava que você gostava do Jacob! - protestou surpreendida pela reação do seu pai. – Você o conhece há anos... Até passávamos o Natal com a família dele!
- Bem... - o seu pai mexeu-se com descontentamento. - Isso era quando você ainda era uma criança e sabia que não havia nada sério entre vocês.
- Mas, papa...
- Você tem quase vinte e cinco anos - interrompeu-a Charlie. - Devia pensar em casar, escolher um companheiro adequado, ter filhos. Não devias sair com jovens aloucados como Jacob!
Corando, Bella olhou para Edward à espera da sua troça, mas ele contemplava a baía com uma expressão ilegível.
- Vou com ele e os seus amigos no barco - explicou Bella. - É só por diversão
- Diversão! - exclamou o seu pai com fúria. - Nunca tive tempo para a diversão quando tinha a idade dele! Estava muito ocupado a tentar gerir esta empresa e fundar uma dinastia! E fiz um belo trabalho! A minha mulher morreu antes do tempo, o meu único filho nasceu morto e a minha única herdeira é uma egoísta que só quer divertir-se - exclamou e elevou uma mão ao peito. - Vá tudo para o diabo!
Bella empalideceu e aproximou-se dele a tremer.
- Está bem - acalmou-se alarmada pela ânsia de Charlie. - Vou telefonar ao Jacob e cancelo o encontro. Ficarei em casa com você.
- Não seja tola! - suspirou o seu pai. - Querida, não quero exigir nada de você.
- Schh! - Bella estava aterrorizada e acariciou-lhe a mão para acalmá-lo.
- Preocupo-me com você, preocupo-me com a tua companhia, o futuro...
- Não devia se preocupar - disse-lhe Bella. - Lhe prometo que farei tudo o que quiser para não se aborrecer.
- Mas você tem que casar bem! - sussurrou apertando-lhe a mão. - Tem que fazer isso... ou ficará tudo destruído.
- Dou a minha palavra de honra de que vou encontrar um homem que possa salvar a Swan e depois caso-me com ele - prometeu-lhe Bella com sentimento.
