Lágrimas na oitava casa

"Quando as portas do passado se abrem..."

Camus fala:

No caminho da casa de Escorpião, ela me contou várias coisas. Dentre as quais se chama Adrastea "Aquela de quem não se pode fugir' e é aspirante a pitonisa no Oráculo de Delfos (De fato o templo ainda existe, apenas não pode ser visto por pessoas comuns, o acesso às previsões é permitido apenas por pessoas de grande importânciaou que possam pagar bem e oferecer bons sacrifícios). Ela é a irmã mais nova de Miro.

Foi com isso que mais me surpreendi. Nunca soube ou passou pela minha cabeça que Miro tivesse uma irmã!Segundo ela, sempre se comunicaram, por cartas. Ela estava no Oráculo de Delfos e ele no Santuário, nunca se conheceram pessoalmente, essa foi a únicachance que surgiu.Achei isso incrível, deve ser maravilho ter uma irmã, não tenho, sou filho único e meus pais morreram quando ainda era uma pequena criança, mas considero Miro um irmão, afinal, foi o meu primeiro amigo quando cheguei aqui no Santuário.

Mas será esse o motivo da tal mudança de personalidade de Miro? Será que foi por causa da vinda de sua irmã que ele estava tão pensativo? Que passava quase todos os dias e noites arrumando sua casa? Talvez. Mas por que todo drama, de comprar inúmeros faqueiros e outros? Saberei isso mais tarde...

Quando cheguei à casa de Escorpião, logo tratei de apresenta-los, afinal, tanto tempo sem se verem, claro que não iriam se reconheceriam. Só o que não entendi a princípio foi à expressão em seus rostos ao se encontrarem...

Na casa de Escorpião...

Camus chega com Adrastea à presença de Miro.

-Miro, es aqui sua irmã, Adrastea, ela veio lhe visitar, mas imagino que já sabia. - e se vira a moça - Adrastea, esse aqui é o Miro, seu irmão.

Ao invés de sorrirem de alegria e se abraçarem como pensava Camus, apenas olham-se, com uma mistura de surpresa, terror e vergonha estampados em seus rostos, Miro gagueja quase sem poder falar:

- Ca... Camus... Você tem... Você tem certeza do que fala...? Ela é minha irmã?

- Absoluta, Miro, ela mesma disse-me.

- Meu... Meu... Meu irmão! - gagueja Adrastea antes de desmaiar.

- Adrastea! - Camus tenta acorda-la.

- Camus... Cuida dela para mim... - Miro se senta no sofá ainda com o terror em seu rosto e as mãos trêmulas.

- Miro, o que há?

- Por favor,...

- Certo, vou leva-la ao quarto de hóspedes.

- Não! Não... Leve-a a sua casa... cuide dela para mim... É só o que tenho a te pedir.

Camus acente com a cabeça e leva a garota ainda desmaiada em seus braços até a casa de Aquário. No caminho ele encontra Afrodite, que pergunta o que houve e quem é a menina em seus braços.

- Afrodite, por favor, cuide dela. - fala Camus após pôr a garota em sua cama. - Ela é a irmã de Miro.

- Mas... O que houve? Por que ela não está com o Miro?

-Não sei, mas vou descobrir agora! - e sai.

- Camus! Ah, tudo bem... - suspira.

Na casa de Escorpião... Camus não encontra Miro, o procura por toda parte, desiste e o procura fora da casa de Escorpião, consegue informações com um guarda do Santuário.

No alto de uma barreira natural, Miro está sentado perto da ponta dela, Camus vai falar com ele.

- Miro... Qual o motivo daquela reação de ambos vocês?

- Sai daqui, Camus...!

- Miro, não tente nada, me conte o que aconteceu, prometo que tentarei compreender.

- A... Acabei com a vida de minha irmã... Da minha própria irmã... Eu não mereço sua preocupação... Sou um monstro... Eu não mereço ser um cavaleiro de Athena...

O que você fez de tão horrível com a Adrastea?

Miro tenta exaustivamente conter a vergonha, cerra os dentes, mas, vencido, deixa lágrimas rolarem por seu rosto e diz:

- Tive relações sexuais com minha irmã, Camus! Cometi um incesto!

- O quê!

Camus fala:

Aquilo foi um choque, realmente nunca imaginei que Miro fosse capaz de algo assim, cometer um incesto com sua irmã. Senti que a cada dia eu me tornava mais ingênuo. Entretanto, disse que não foi por querer.
Disse-me que a conheceu em uma festa que houve após a Panatéia, e desde que se separou dela, há anos, sempre se comunicaram por cartas e iriam encontrar-se pessoalmente hoje, não se conheciam fisicamente. E que todo o drama que tinha feito ao longo dos dias era porque queria proteger a irmã dos cavaleiros do Santuário. Não saía de sua casa porque estava arrumando a eterna bagunça que chama de casa, e o quarto em que sua irmã ficaria, e se comprava muitas facas, e cuidava exaustivamente também daquela unha vermelha era na intenção de matar a aquele que dela se aproximasse. Nada que todos pensávamos.
Depois do incidente, me preocupei com Miro e sua irmã, mas principalmente com que, o que Miro fez não chegasse aos ouvidos de Afrodite...

Continua...


Bem, o que posso dizer é que viajei um pouco na maionese, como se diz popularmente. Não existe mais Oráculos na Grécia, nem as Panatéias (procissões que aconteciam de 4 em 4 anos em Atenas, em honra a Athena, só para lembrar) são mais realizadas. Os Oráculos eram sacerdotisas, mais conhecidas como Pitonisas. Havia claros os Oráculos populares antigamente, mas as Pitonisas trabalhavam em Oráculos grandes, que atendiam a necessidades de pessoas importantes em geral e a toda a população. Trabalhavam entrando em transe e incorporando literalmente os Deuses, para que estes passassem sua mensagem aos mortais. No Oráculo de Delfos, a Pitonisa se sentava em uma fenda vulcânica e entrava em transe, incorporava então Apolo, e como em todos os outros Oráculos, dizia coisas que eram traduzidas por ajudantes. Só para lembrar. E obrigado pelos