Step Up!

Capítulo 2 - Junto e Misturado

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Tamo junto!
O bonde tá formado, eu sou um elo da corrente que é ruim de quebrar
Tamo junto!
Se quer subtrair, fique por aí se não tiver a fim de somar
Tamo junto e misturado, é lado a lado!

Junto e Misturado - MV Bill e K-mila

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Como um Ninja, eu deveira estar na pizzaria com a galera comemorando a nossa vitória no Campeonato Regional. O nosso troféu é incrível! Mas prefiro ficar na casa nova do teme. Ah, qual é, estou longe do meu melhor amigo há um ano. Eles até convidaram o Sasuke, mas ele não quis ir, então resolvi ficar com ele hoje. A galera entendeu.

- Por quê não quis ir, Sasuke? - perguntei esparramado na cama dele - A galera não te convidou por educação, mas sim porque gostaram de você, tô certo!

- Essa comemoração não é minha, Naruto. - respondeu prontamente, também esparramado na cadeira de sua escrivaninha - Você deveria ter ido com eles. A vitória também foi sua.

- Ah, não. - comecei, meu sorriso fraco - Eles estão aproveitando por mim. Além do mais, eu prefiro ficar aqui com você, tô certo!

Ouvimos batidas na porta e me sentei como um raio sobre a cama quando Sasuke a abriu e sua mãe lhe estendeu uma bandeja:

- Trouxe um lanchinho, meninos. - disse sorrindo para nós, enquanto Sasuke pegava a bandeja e depositava sobre sua escrivaninha.

- Obrigado, senhora Uchiha!

- Valeu, mãe. - ele agradeceu também.

E quando a senhora Uchiha já ia se retirar, a porta foi escancarada e dela surgiu Itachi:

- Naruto! - exclamou - Quanto tempo, nem parece mais o pirralho que vivia aos tapas com o meu irmão.

- Você não mudou nada, Itachi. - e realmente não mudou. Pelo jeito, continuava a atormentar o Sasuke como sempre fez desde que o pobre teme nasceu.

- Vamos, Itachi. - chamou-o senhora Uchiha - Eles devem ter muitas coisas para conversar. - é por isso que eu sempre gostei da mãe do Sasuke. Ela sempre sabe quando queremos alguma coisa.

E assim, meio que arrastado, Itachi e sua mãe saíram.

- Por quê você chama a minha mãe de 'senhora'? - perguntou Sasuke sentando-se no chão e levando a bandeja consigo.

- Ué, é pra chamar de que? Senhorita? Jovem dama? - me levantei da cama - O que você prefere? É só dizer. - disse sorrindo me sentando no chão de frente para ele, com a bandeja entre nós.

- O seu senso de humor um dia irá me matar de tanto tédio. - respondeu carrancudo pegando uma das batatas fritas de dentro da tigela - Só digo porque minha mãe não é nenhuma velha.

- Claro que não é. - concordei - Para uma mãe, a sua é mesmo bonita.

Ele me encarou com aquela cara de feições indecifráveis para as pessoas, mas como eu não sou qualquer um, reconheci sendo a expressão que me ameçava e me mandava mudar de assunto.

- Tá, entendi. - eu disse e peguei um dos copos da bandeja e tomei um gole do refrigerante.

Ficamos em silêncio por um tempo enquanto comíamos um pouco. Novamente reconheci uma de suas manias. Quando o silêncio começava a incomodar, era sinal de que Sasuke tinha algo à dizer ou perguntar, mas o orgulho não permitia.

- Eu sei que quer saber alguma coisa. - o encarei, e ele arqueou uma sombracelha - Adivinhei?

Ele assentiu, derrotado. Sorri, vencedor.

- E por quê não me pergunta?

Como se eu não conhecesse meu melhor amigo.

- Como... - ele começou, e logo bufou - Como os conheceu?

- Como conheci quem?

Sasuke fechou os olhos fortemente, como se estivesse contando mentalmente ou algo assim. Não entendi bem o porquê.

- Sua nova gangue.

- Ahh! A galera! - entendi - Gangue?

- Esquece, Naruto. - ele disse, impaciente - Como os conheceu?

Eu desliguei por uns instantes. Um filme parecia estar sendo rebobinado em minha cabeça, e eu queria juntar todos os pedaços para contar à Sasuke.

- Ah, cara, foi engraçado. Eu lembro que no primeiro dia de aula, eu tava super perdido...

- Novidade. - me interrompeu, e seu comentário me fez rosnar.

- Como eu ia dizendo... Eu estava perdido no corredor e não sabia em qual sala deveria entrar...

''Flashback''

Ah, cara! Aonde fui me meter?! Era tanta cabeça que eu nem sabia qual era a minha. O sinal tocou e eu ainda não havia conseguido encontrar minha sala de aula. Tudo por culpa da vovó peituda. Aquela preguiçosa! Quem foi o desvairado que a pôz na direção dessa budega?! Não adiantava pirar. Eu precisava de ajuda, e urgente, senão perderia minha primeira aula e levaria para casa uma advertência e o tarado do meu avô ia me encher o saco dizendo o quanto sou cabeça oca.

- Ei, cara. - ouvi uma voz atrás de mim - Tá perdido? - o garoto era sombrancelhudo e tinha o cabelo tipo uma tigela preta.

- Você é novo aqui? - perguntou-me uma garota. Nossa, como ela era gata.

- Aham. - respondi meio abobado - Sou sim.

- Deve estar tendo problemas para achar sua sala. - o garoto adivinhou - Me chamo Rock Lee. E esta é Haruno Sakura.

- Uzumaki Naruto. - me apresentei.

- Muito prazer, Naruto. - a garota de lindos cabelos róseos me sorriu, e nessa hora já tinha me esquecido completamente do meu atual problema - Posso? - perguntou-me indicando com o dedo o papel em minha mão.

- Ah, claro! - lhe entreguei.

- Hum, deixe-me ver... - ela leu rapidamente e sorriu - Ei, você está na minha turma!

- Sério? - perguntei, meus lábios não controlando o sorriso que ia se formando.

- Cara, que maravilha. - comemorou o sombrancelhudo - Então, o deixo sob sua proteção, Sakura. Até mais, Naruto! - despediu-se já caminhando.

- Até!

A segui até a sala de aula e lá me apresentou ao professor Kakashi, que já de cara me provou ser um belo de um carrasco. Matemática. Só de pronunciar essa palavra, meus pêlos se arrepiam. Sem brincadeira, essa matéria não vai com a minha cara, tô certo! Ela não deve gostar de caras como eu, definitivamente.

Sentei-me perto de Sakura, que me apresentou à sua amiga Ino. E assim, as aulas passaram até a hora do intervalo. Lee me convidou para sentar junto dele e de seus amigos. Sakura estava lá e Ino também. Lee me apresentou a cada um ali na mesa e eles me receberam muito bem.

Com o passar dos dias, me aproximei de cada um deles, e eles eram muito receptivos. Realmente senti que gostavam de mim do jeito que eu também gostava de cada um.

''Fim do Flashbak''

- As coisas estavam realmente boas aqui em Tóquio e eu estava feliz. - eu dizia e Sasuke ouvia, me encarando - Cada um ali me completa de um jeito que não sei definir. O Lee, por exemplo, ele é o super simpático. A Ino é a loirinha doidinha. O Shino, o esquisitão sensível. O Kiba é o barulhento! Neji é tipo você, carracudo e caladão, mas é gente boa. Bem lá no fundo, mas é. - Sasuke tacou uma batata em mim - A Tenten é uma moleca. A Hinata é um amor. Shikamaru é o ser mais preguiçoso que existe na face da Terra, que se pudesse vivar de ar para evitar qualquer tipo de esforço, ficaria feliz. Mas é um ótimo amigo, sem dúvidas. O Chouji é um amigão, em todos os sentidos! - ri fazendo Sasuke revirar os olhos com um sorriso que provalmente ele não percebeu - E... a Sakura...

Não sei mesmo por quanto tempo fiquei pensando nos olhos verdes de Sakura e em seu rosto. Essa garota é diferente de todas que já conheci e tenho certeza de que nenhuma outra é como ela. Ela era absolutamente inteligente e extremamente linda! Como uma garota pode ser linda e inteligente daquele jeito? Não que eu realmente pense que uma garota bonita não possa ser inteligente, longe disso, mas a Sakura não era uma garota. Era a garota!

- Sakura, hein? - a voz do teme me fez acordar.

- Hum?

- Fala sério, Naruto. - ele começou, com um sorriso esquisito - Tá afim dela, não tá?

- O quê?!

- Admite logo, dobe! - Sasuke depositou seu copo sobre a bandeja novamente - Não dá pra esconder isso de mim. - contou vantagem, cruzando os braços na frente do peito.

- Sem essa, Sasuke! Eu não tô, não. - juro que tentei parecer firme e seguro nessa afirmação, ou melhor negação, mas não tenho certeza se funcionou - Sakura é apenas minha amiga, nada mais. Tô certo!

Ele arqueou uma sombrancelha:

- Té legal, então não se importa se eu trocar uma idéia com a sua... ''amiga'', não é?

- Não se atreva, teme!

Não que eu sinta inveja dele, mas eu já conheço a manha desse Uchiha. Ele faz um sucesso absurdo com as garotas, e até hoje não entendo o porquê, e queria mesmo que alguém me explicasse. Mas, enfim, o fato é que eu não queria que ele ficasse jogando o charme barato de Uchiha pra cima da Sakura! Meu melhor amigo não é do tipo que se apega fácil, é do tipo que se desapega mais fácil ainda quando o assunto é garotas. Em Tóquio, ahh, em Tóquio! Quantas se descabelaram por causa dele. Quantas já vieram me fazer perguntas sobre Sasuke e pedir para arranjar encontros com ele. Cara, se eu tivesse um tanque com capacidade para uma tonelada, acho que a quantidade de lágrimas já derramdas por Uchiha Sasuke ultrapassaria essa medida. Sem sacanagem! E o foda é que ele não tá nem aí. Como uma pessoa com um coração pode fazer isso com uma menina? Tenho muito orgulho em ser homem, e também tenho minhas necessisdades masculinas como Sasuke e todos os outros caras têm, mas convenhamos: garotas merecem respeito. Até mesmo aquelas mais safadinhas que sempre me olham de um jeito convidativo que, na maioria das vezes, não desperdiço. Sempre o aconselhava a ser mais cuidadoso com esse tipo de situação, mas minha voz, por mais alto o volume que posso conseguir atingir, parece entrar num de seus ouvidos e sair rapidamente e sem desvios pelo o outro. Cara, será que ninguém me escuta?

- O que disse? - tá vendo?!

- Eu disse: Não se atreva, teme! - repeti entrando na dele, sabia que era só pra me irritar, mas não me controlei a tempo de ignorá-lo.

- É brincadeira. - ele só sabe dizer essas coisas comigo, porque perto dos outros ele não diz, então eu passo por palhaço, sempre.

Não respondi e ele entendeu que adentrara em um campo minado chamado 'Sakura'. Agora ele não me aporrinha mais! Espero.

O assunto morreu por um tempo por conta da minha cara emburrada e meu bicão. Não consigo me livrar desse bico, mas já que ele tá sempre ali comigo nas horas em que estou possesso, deixa ele aí. Mas meu mau humor nunca dura mais que cincos minutos, o que, claro, é um dos meus pontos mais fortes. Cara, imagina se além do Sasuke, eu também fosse carrancudo?! Como o mundo sobreviveria sem um Uzumaki Naruto para neutralizar a tensão?

Enfim! Eu tava mesmo afim de saber como andava as coisas em Tóquio e nem precisei começar a falar, já que o teme adiantou-se:

- Tóquio está do mesmo jeito como deixou.

- Ou seja, contagiante? - meu sorriso estava largo.

- Eu ia dizer monótona e incrivelmente irritante. - seus olhos transmitiam um desdém que eu passei a me acostumar com o passar dos anos. Por mais que pareça que Sasuke nunca está satisfeito com nada, é apenas fachada, culpa daquela cara entediada de teme que ele tem.

- Fala sério! - comecei pegando umas batatas da tigela - E o pessoal? - as comi com vontade.

- Tá falando de exatamente quem, Naruto?

- Ora, de quem mais? - perguntei de boca cheia - Do Mike!

- Mike? - Sasuke repetiu o nome com um sorriso, daqueles que surgem em sua boca sem um comando seu, quando a emoção realmente o controla por poucos segundos possíveis - O cara tá legal. Sempre diz que você faz falta nas rodas.

Mike era o cara.

''Flashback''

Corríamos como loucos. Tentamos brigar bravamente como homens deveriam fazer, mas ao percebermos que chegavam mais e mais garotos, uma simples troca de olhar foi o suficiente para que Sasuke e eu concordássemos que correr era a melhor opção para sobrevivermos, ou pelo menos evitar uns hematomas e sermões quando chegássemos em casa.

Erámos dois moleques em corpos de meninos de 12 anos. Na saída da escola naquele dia, um grupo de bandidinhos mexeu comigo e com Sasuke. Queriam nossa mesada, mas não daríamos nem a pau! Eu e meu melhor amigos estávamos economizando há semanas para torrarmos tudo no novo fliperama do shopping. Não mesmo que semanas de esforço, trabalho, horas de estudo e tarefas domésticas idiotas iriam por água à baixo só porque um bando de pivetes resolveram mexer com, segundo eles, dois playboyzinhos vindos da escola.

Corríamos e nossos pulmões já reclamavam o bastante para minha garganta exigir qualquer líquido. Sasuke me puxou pela camisa enquanto fazia uma curva que, infelizmente, terminava em um beco sem saída.

- Merda! - dissemos em uníssono.

Risadas e o som de correntes nos fizeram mirar um ao outro, para depois mirármos ao mesmo tempo o grupo que bloqueava a saída.

- Agora se quiserem sair vivos dessa, passem a grana. - um deles deu uns passos á frente empunhando um canivete, que brilhou com a pouca luz daquele beco.

Engoli em seco e dei uns passos incertos para trás, e Sasuke fez o mesmo. Meu avô sempre disse para nunca revidar com violência e também para nunca reagir à um assalto. Mas aos meus 12, eu não classificava aquilo como um assalto e sim como uma puta de uma injustiça! Estávamos em menor número e protegendo algo que nos esforçamos para conseguir. Era por esse tipo de coisa que eu me sentia infeliz por viver num mundo como este. Mas nunca pensei em desisitir de absolutamente nada, pois uma coisa que meu pai me ensinou e eu gravei em minha memória, foi que a esperança é definitivamente a última que morre, e que ela só morre depois que nós morremos, ou não. Não sei dizer. Só sei que naquela hora eu não queria mesmo desisitir, mas revidar e reiniciar uma briga seria suicídio para mim e para Sasuke. E eu não seria irresponsável ao ponto de colocar a vida do meu melhor amigo em risco por causa de dinheiro, coisa que poderíamos conseguir novamente com nossa união e esforço.

Temi que aquela fosse a hora em que nós experimentaríamos algo realmente ruim que poderia resultar em uma tragédia ou apenas em traumas pré-adolescentes, coisa que seria bem melhor do que uma tragédia, pode apostar. Sobreviveriámos à traumas, mas não à uma tragédia. Tentei despertar de meus devaneios antes que despertasse todo enfaixado em um hospital e fiz a única coisa que poderia ter feito: orei!

Sim! Clamei a todos os nomes que conhecia, mas clamei à Deus que nos tirasse dessa. Que culpa tínhamos se Tóquio era perigosa? Erámos apenas dois meninos de 12 anos em pleno término da fase de crescimento e recém chegados à puberdade! Não queríamos pedir penico, mas a coisa estava realmente feia pro nosso lado. Se Deus pudesse enviar um anjo para nos ajudar, a hora era definitivamente a mais propícia!

- Ei, vocês! - a voz vinha da entrada do beco - Acham legal se aproveitar de gente que está em menor núrmero?

- Ah, não, cara! - disse um dos pivetes - É ele!

- Não vou fugir dele! - disse o pivete com o canivete, parecendo o líder, visivelmente alterado - Ele também está sozinho!

Sasuke e eu não conseguimos ver nada além de uma sombra na entrada do beco, já que o cara estava à favor da luz, seu rosto e seu corpo estavam completamente obscuros.

- O fraco de caras da sua laia é que subestimam todo mundo. - disse a sombra, ou melhor, nosso anjo enviado - Caras como eu... nunca estão sozinhos. - e ao término da sutil comparação, mais sombras bloquearam a entrada do beco.

- Ih, ele tá com a galera dele! - exclamou um dos pivetes.

- Larguem as armas no chão e evaporem! - a voz ordenou.

Com uma visível relutância, os bandidinhos largaram as armas e puseram-se a caminhar cautelosamente até a entrada do beco, onde o grupo mais velho abriu brechas por entre os membros.

- Vaza! - o líder do grupo mais velho exclamou quando o moleque, que antes tinha o canivete na mão, parou diante dele.

Finalmente eles foram embora. Ao mesmo tempo, Sasuke e eu deixamos o ar sair e nossos corpos ficaram moles demais de tanto alívio.

- Ei, vocês dois! - miramos a entrada e nosso salvador se dirigia à nós - Vão embora!

Nos entreolhamos e nos pusemos a caminhar em direção à entrada. Conforme nos aproximávamos, o cara e seu grupo se afastavam devagar, e pude ver ter uma visão melhor deles.

- Podem ir. - o líder disse ao seu grupo - Eu alcanço vocês.

Assentiram e caminharam para longe dali. Nosso salvador também começou a caminhar, só que mais devagar que os outros. Quando nós chegamos à entrada, e nossos olhos reclamaram pela súbita apararição ao sol, ele estava parado um pouco afastado dali e miramos suas costas vestidas por um casaco verde. Me aproximei devagar, mas mantive uma distância. Sei lá quem era aquele cara. E se ele quisesse nossa grana como recompensa?

- Er... - minha voz estava rouca, ainda presa em minha garganta seca - Valeu.

- Deviam ser mais cuidadosos. - sua voz estava firme, mas pude sentir o tom irônico. Aprendi a reconhecer esse tom com Sasuke - Dois pirralhos como vocês podem se machucar feio. - virou-se revelando seu rosto.

Ele era alto, mas não parecia adulto. Sua pele era bem mais que bronzeada. O cara era negro, com o tom de pele parecendo chocolate. Seu cabelo estava raspado e seus olhos negros eram levamente puxados, mas não puxados como os de um japonês. Os lábios eram carnudos. Seu casaco verde estava aberto e por baixo ele trajava uma camiseta branca, calças jeans largas. Seu olhar emanava uma experiência que Sasuke e eu ainda não tinhámos e que iriámos adquirir a partir dali.

- O que tá olhando, branquelo?

- Nada. - respondi - É só que... - não sabia o que dizer.

- Não tá acostumado a ver pessoas como eu na sua cidade? - ele arqueou uma das sombracelhas escuras e cruzou os braços frente ao peito.

Cara, ele tem músculos! Os meus ainda parecem calombinhos! Quando vou ter músculos iguais aos dele?!

- Não é isso! - tentei - Não me interprete mal, por favor. Não sou desse tipo de pessoa que está pensando, tô certo! - sorri largamente.

- Obrigado pela força. - Sasuke se pronunciou vindo para o meu lado - Se não fosse por você acho que agora teríamos mais alguns buracos pelo corpo.

O cara sorriu, divertido.

- Eles não iam machucar vocês. - explicou - Só queriam a grana.

- O que não iríamos dar nem a pau! - exclamei, revoltado - Depois de tanta provação, nós conseguimos juntá-la para nós gastarmos, e não para eles!

- O que você chama de provação? - ele perguntou.

- Estudar e fazer as tarefas que o avô dele não gosta de fazer. - quem respondeu foi Sasuke com o olhar mais entediado, como se eu fosse um idiota.

- Claro que é! - disse em minha própria defesa, porque se dependesse do Sasuke, eu pareceria um completo imbecíl - Eu poderia estar curtindo enquanto posso ao invés de fazer essa coisas estúpidas!

Não que eu realmente pensasse que estudar seja uma estupidez. Não mesmo! Tenho plena consciência de que se quero mesmo me tornar advogado, como o meu pai era e meu avô é, terei de dar tudo de mim para conseguir. Mas eu tinha 12! Queria fazer coisas legais como sair com os amigos, jogar video game até meus olhos lacrimenjarem e comer ramen até sair pelos meus ouvidos.

- E o que vocês chamam de diversão? - ele peguntou.

Sasuke piscou em dúvida e eu cocei minha cabeça, ainda mais confuso que ele.

- Ora, o que mais? - comecei como se essa fosse a pergunta mais absurdamente fácil do mundo. E era, não era ?

- Sair com os amigos, jogar video game até os olhos lacrimejarem? - eu me assutei com a resposta do Uchiha ao meu lado. Às vezes eu penso que Sasuke lê mentes.

- E comer ramen até sair pelos ouvidos! - completei.

Nosso salvador riu de modo discreto com seu sorriso de dentes extremamente brancos e nos olhou com um humor diferente nos olhos.

- Estão afim de descobrir o que é diversão de verdade?

- Isso é um convite? - Sasuke arqueou uma das sombrancelhas e o cara assentiu.

- Demorou! - exclamei.

Ele começou a caminhar e nós o seguimos com Sasuke me encarando como se me desse uma terrível bronca. 'Não sabemos quem ele é!' - dizia seu olhar. 'Relaxa, ele salvou a gente' - dizia com o meu. Sorri para ele, que revirou os olhos e passou a encarar as costas do cara que ia à nossa frente.

Caminhamos por poucos minutos, em silêncio. Atravessamos uma rua e dobramos a esquerda em mais um beco, que diferentemente do anterior, era bem iliminado pela luz do sol daquela tarde. Haviam outras pessoas ali, tanto negros quanto japoneses como nós. Garotos e garotas. Ao avistarem o cara que estávamos seguindo, eles vieram saudá-lo:

- E aí, cara?

- Beleza? - ele os cumprimentava também.

- Ficou de babá? - quis saber um deles que apontou para mim e para Sasuke com o queixo.

- Eles estão comigo.

E bastou dizer aquilo para que as piadinhas acabassem.

- Você tem moral com essa galera, hein? - comentei.

- Digamos que eu me dou bem com todo mundo. - sorriu.

- Vê se aprende com ele, Sasuke. - dei-lhe uma cotovelada no braço e em resposta, ganhei um rosnado.

- Afinal de contas, - começou Sasuke, com a voz séria - como se chama?

E somente naquela hora me lembrei de que nomes existiam e não sabíamos qual era o dele. Ele também pareceu acordar para isso e com um sorriso apresentou-se:

- Meu nome é Mike.

''Fim do Flashback''

- Senti muito a falta dele. - admiti - Foi naquele dia que ele nos ensinou os passos mais básicos, lembra?

- Não esqueci. - Sasuke tinha o olhar meio perdido - Você dançava como um macaco, de tão desengonçado.

- Hah! - fiz - Olha quem tá falando! Como se no começo você fosse tão bom quanto o Mike!

- No começo, eu achava que ele era é o melhor.

- Mike é o melhor.

''Flashback''

Me sentia um bobo da corte perante todos aqueles caras habilidosos. Eu tentava, juro que tentava! Mas não tinha jeito para aquilo. Sasuke também estava determinado, mas assim como eu, não tinha a experiência que Mike e seus amigos tinham.

- Não parem! - ele nos encorajava - Estão indo bem.

- Mike, pareço um idiota. - eu disse realmente chateado enquanto treinava o tal do Scuba Hop, um passo muito enjoado de se fazer em ritmo acelerado.

- Vai parecer um idota se desistir.

Meus olhos arregalados encontraram os olhos negros e sérios de Mike. Senti o poder das palavras fluir por mim e quando olhei para o lado, Sasuke havia parado, mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele sugou o ar com força e ao som da música que ouviámos, repassou os passos pra valer. A ação de Sasuke só me fez ficar ainda mais inspirado. Respirei fundo e o esperei terminar para fazer o mesmo. Dancei com energia e pela primeira vez, senti o prazer que os movimentos agéis e firmes do hip hop exigiam.

Não me reconheci depois que terminei. Os caras estavam me elogiando, dizendo que eu levava jeito e tudo o mais. O mesmo faziam com Sasuke, que me surpreendeu ao sorrir para mim. Nos viramos para um Mike de braços cruzados, que nos sorriu de lado e nos chamou com um movimento de cabeça e nos aproximamos:

- Naruto... Sasuke... - começou - O talento de vocês pode melhorar com muita facilidade, - disse com um olhar amistoso, porém sério - mas só depende de vocês.

Refleti por um momento e parecia que Sasuke fazia a mesma coisa. Nossos olhares se encontraram e com o sorriso riscado de Sasuke, tive minha certeza mais que confirmada.

- A gente topa. - confirmei com a certeza de que nossa decisão simbolizava o começo de algo realmente grandioso em nossas vidas.

A partir daquele dia, Sasuke e eu passávamos as tardes com Mike. Saíamos da escola e corríamos para aquele mesmo beco, que às vezes não ficava lotado como no primeiro dia em que estivemos, e então erámos só eu, Sasuke e Mike. Ele nos ensinou tudo o que sabemos hoje sobre hip hop e derivados. Lembro-me que em um dos primeiros dias, ele ligou o som e uma música bem legal e movimentada o fez dançar de um jeito individual, um jeito só dele, que logo percebi que nem eu e nem Sasuke poderíamos copiar.

- Hoje vocês vão descobrir o 'feeling'. - ele dizia enquanto ainda dançava.

- E o que temos que fazer? - perguntou Sasuke, que como eu, o observava.

- Isso não é algo que eu possa ensinar à vocês. - ele dizia enquanto dançava - Terão de aprender sozinhos.

- Como assim? - perguntei.

- Precisam conhecer o ritmo da sua dança. Precisam conhecer seu próprio corpo e deixar a música fluir.

Confesso que viajei com suas palavras no primeiro momento e parecendo entender minhas feicções confusas, Mike parou de dançar e nos chamou com seu movimento de cabeça:

- Fechem os olhos. - ordenou e eu obedeci, mas tive a ligeira impressão de que Sasuke foi meio relutante antes de obedecer - Agora, ouçam a música. Esqueçam de tudo ao redor de vocês, inclusive a minha voz, mas só quando eu disser. Agora, movimentem-se.

A sensação era boa, meu corpo movimentava-se de acordo com o ritmo da música e me senti conectado á ela. Desejei não mais parar.

- Vamos, Sasuke! - ouvi a voz de Mike e fiquei tentado a abrir os olhos e incentivar meu melhor amigo a fazer direito, já que eu sabia que a timidez camuflada de Sasuke o bloqueava completamente - Deve se entregar à isso se ralmente quer melhorar. Derrube a barreira que te impede de sentir-se bem, cara.

Tive de fazer o dobro da força para não abrir os olhos. A única coisa que pude fazer foi torcer por ele. Torcer para que Sasuke descobrisse os segredos que a dança esconde, aqueles que passei a descobrir sozinho e que ninguém poderia ensiná-lo. Não abri os olhos, pois seria como se eu não tivesse confiança nele, como se eu não acreditasse em sua capacidade. Apenas continuei a dançar do meu jeito, até que novamente ouvi a voz de Mike:

- Agora abram os olhos, mas não parem.

E ao finalmente abrir os olhos, me vi diante de Mike, que me analisava com um olhar sério. Olhei para o lado e Sasuke também dançava, mas percebi que ele queria parar.

- Não parem! - a voz de Mike estava firme - Têm de aprender à conviver com a platéia. - pôz-se a caminhar ao nosso redor - Acostumem-se com os olhares sobre vocês, e não fujam deles. - ele dizia. Me sentia desconfortável diante do olhar anlítico e severo dele, mas não parei e Sasuke, ainda que extremamente incomodado, também não - Alegrem-se com os olhares reconfortantes e aceitem os críticos. Não se intimidem por olhares desaprovadores. Não sintam superiodade aos olhos invejosos, mas saibam ser superiores àqueles que querem sua derrota, desejando sua vitória.

As palavras de nosso mentor eram absorvidas por minha mente de um jeito que não soube explicar. Somente as palavras de uma pessoa foram capazes de ir tão fundo como as de Mike em minha vida: as de meu pai. Coisas que sei que não esquecerei e que com toda certeza ensinarei aos meus filhos.

Naquela tarde, Sasuke e eu aprendemos a individulidade no hip hop. Nossos estilos próprios nasceriam depois da prática e do esforço. O céu estava alaranjado anunciado o pôr-do-sol. Estávamos sentados em um dos bancos da pracinha perto do beco e Mike voltou com duas garrafas d'água. As estendu para nós e as pegamos. Enquanto saciávamos nossa sede, ele sentou-se entre mim e Sasuke.

- Hoje foi incrível! - eu exclamei, ainda entusiasmado - Eu poderia ficar a noite inteira fazendo isso, tô certo!

Mike riu e logo me perguntou com seu sorriso extremamente branco:

- De onde você tira tanta energia, hein Naruto?

Pisquei em dúvida, mas logo abri o mais largo dos sorrisos e lhe respondi:

- Eu não faço idéia.

E após umas risadas, minhas e de Mike, é claro, o silêncio pairou no ar. Não um silêncio angustiante daqueles que me desesperam e eu acabo berrando algo para quebrar a tensão, mas daqueles que simbolizam uma reflexão de todos os presentes. Por uns instantes, a boca da garrafa de água me pareceu algo bem interesante de se observar enquanto minha mente viajava para um lugar muito longe.

- Onde aprendeu à dançar? - aquela pergunta vinda de Sasuke, além de me despertar, não era para mim.

Minha curiosidade já estava aguçada, e mirei o cara entre mim e meu melhor amigo. Seu olhar, antes perdido no chão, agora mirava as nunvens arroxeadas do pôr-do-sol. Um sorriso miúdo surgiu em seus lábios carnudos e sua pele negra brilhava com a luz daquele céu, coisa que, ao parar para notar, não acontecia com a minha pele e nem com a de Sasuke. Em todos os seus quinze anos, nosso mentor vira coisas que nós ainda não vimos e viveu experiências inéditas para nós dois.

- Na minha antiga escola, com meus amigos.

- É? - eu estava interessado - E em qual escola daqui você estudava?

- Não nasci no Japão.

Sasuke me encarou, e por sua expressão levemente surpresa, logo me dei conta que em meu rosto havia uma imensa interrogação.

- Então... de onde você veio? - o Uchiha forçou.

- Estados Unidos.

Se antes meu rosto tinha como enfeite uma interrogação, agora tinha uma expressão ridiculamente embasbacada.

- Mas se você é americano...

- O que faço aqui no Japão? - ele completou minha pergunta - Boa pergunta. - Mike levantou-se do banco e ficou parado, de costas para nós - Depois que completei doze, minha mãe faleceu vítima de uma doença cardíaca. Meu pai se tornou um maníaco pelo trabalho e quase não nos viámos mais. Eu não reclamava, pois sabia que o trabalho era uma desculpa para amenizar seu sofrimento. Ele tinha seu trabalho e eu tinha o hip hop, então apesar da dor, estávamos bem. Ele trabalhou tão duro, que seus supreriores lhe deram uma oportunidade única: uma promoção. Mas esse posto tinha seu preço.

- Tiveram de se mudar para Tóquio. - Sasuke concluiu enquanto a pausa de Mike me sufocava.

- Não é permanente. Na verdade, para ocupar o tal posto na empresa, meu pai tem de ''treinar'' aqui no Japão.

- Mas... - eu comecei, medindo minhas palavras para que nenhuma baboseira saísse e eu o magoasse - Então por quê você está tão... - comprimi meus lábios por um segundo - infeliz?

Uma nova pausa sufocante pairou. O vento soprou e o casaco aberto de Mike voava na mesma direção em que as pétalas de sakura iam. O sofrimento dele era palpável e aquilo fez-me sentir um aperto fortíssimo no peito. Começava a me questionar se minha pergunta fora um enorme erro quando sua voz, mais baixa que o normal, invadiu meus ouvidos:

- Ele gosta daqui. - após essa frase, ele riu de um modo triste, que fez o aperto em meu peito intensificar-se - Tóquio contagiou meu pai, e ele está feliz aqui. Não que a felicidade dele me faça infeliz, isso nunca! Mas... quanto mais ele gosta, mas nos afastamos do nosso verdadeiro lar. Nasci e cresci nos Estados Unidos. Minha mãe está enterrada lá. Meus amigos estão lá. - mirou o céu - Minha vida está lá.

O silêncio agora estava me incomodando muito, porque a tristeza ainda era intensa. Não gosto de ver pessoas assim. Me senti um inútil por não dizer algo reconfortante à Mike, que permaneceu de costas. E quando pensei que realmente não poderia fazer nada, as palavras já estavam saindo pela minha boca, vindas do coração:

- Por quê você não tenta? - mesmo com minha cabeça baixa, pude sentir os olhares de Sasuke e de Mike sobre mim - Por quê não tenta fazer de Tóquio o seu novo lar? Por mais que tenha saudades do seu país, não pode viver em função disso. Se der uma chance às mudanças, você será feliz em qualquer lugar.

Não sei muitas coisas sobre sentimento e tudo o mais, mas é nessas horas que sempre desejo ter o poder de ver além de uma pessoa, para descobrir suas dores e depois ameninzá-las com minhas palavras. Mas não sei se faço direito, só sei que posso me orgulhar em deixar meu coração me guiar nesses momentos.

- Vai parecer um idota se desisitir. - quando ouviu sua pórpria lição sair dos lábios de Sasuke, Mike virou-se e nos encarou.

Ele mirou de Sasuke à mim como se sua mente processasse o que nós dois falamos à pouco. E sua resposta foi a última coisa que eu esperava que viesse logo após isso:

- Não sou eu quem deveria ensinar as lições? - finalizou com um sorriso - Ainda sou o mais velho. - cruzou os braços, e a partir daí descobri que essa era uma de suas poucas manias quando o papo era interessante ou quando esperava uma resposta.

- Sem essa! - protestei - Amigos trocam lições, tô certo!

- Não vale essa de ficar lembrando que é o mais velho. - começou Sasuke - Sou tão centrado quanto você.

- E eu? - quis saber já que o Uchiha não incluiu meu nome na frase.

- Você é um dobe.

- Ora, seu... ! - me levantei do banco me posicionando em frente à Sasuke e de costas para Mike - Repete isso!

- Dobe.

- Eu vou te mostrar o dobe! - e quando meu punho se fechou na altura de meu queixo mirando o teme, Mike entrou em minha frente.

- Ei, ei! - começou ele com os braços para o ar fomando um ângulo de noventa graus nos cotovelos - Não acredito que ainda tenha energia para brigar com o Sasuke depois de treinar.

- Ele só não tem energia para estudar. - disse Sasuke cruzando os braços e recostando-se no banco.

- Como é? - rosnei e Mike teve de me segurar pelo casaco enquanto meus punhos estavam apenas à poucos centímetros do sorriso vitorioso daquele teme!

Com um simples puxão, Mike me afastou de Sasuke e novamente se pôs entre nós. Fiquei a fuzilar Sasuke com o olhar e ele fazia o mesmo, e uma faísca saia de meus olhos indo diretamente para os dele.

- Ei, vocês dois. - nossos olhos miraram Mike que pôs-se a caminhar - Vamos, já é noite. Suas famílias podem se preocupar.

- Hah, - eu fiz, pegando minha mochila de cima do banco - se o teme sumir é bem capaz do Itachi comprar um cachorro e por no lugar dele. - e quando Sasuke se levantou, senti sua mochila ir dolorasamente contra minhas costas - Ai! - rosnei, mas ele já estava caminhando ao lado de Mike, e precisei apertar o passo para alcançá-los.

Ao final dos treinos de hip hop, Mike nos acompanhava até a metade do caminho e sempre nos separávamos num cruzamento. Sasuke ia pela esquerda, Mike pela direita, e eu seguia reto. Paramos nesse cruzamento, e antes da despedida, Mike nos agradeceu:

- Obrigado por hoje, galera.

Pisquei em confusão e Sasuke simplesmente emitiu um som.

- Eu não estou muito acostumado a receber conselhos e esse tipo de coisa, mas... - ele fez uma pausa e umideceu os lábios - acho que nem sempre posso ser aquele que ensina, né?

- A vida tem disso, tô certo. - eu disse com os braços atrás de minha cabeça.

- Às vezes você ensina, e outras você aprende. - ele refletiu em voz alta - Saquei. - sorriu, e fez um sinal positivo com o dedo polegar - Valeu, gente.

- A gente... - começou Sasuke, visivelmente desconfortável pelo o que ia dizer, mas como ele nunca deixava nada pela metade, finalizou sua fala - tá aqui pra isso. - mirou um ponto qualquer, menos Mike e eu.

Ao mesmo tempo em que meu sorriso se alargou, o de Mike surgiu. Até mesmo ele já percebera que apesar da pose, aquele nosso amigo Uchiha tinha uma coração enorme, mas era daquele tipo de pessoa que demosntra seu afeto através de ações extremamente sutís, como por exemeplo me xingar de tudo que era maneira.

- Então... estamos juntos. - Mike estendeu sua mão para o centro de nossa roda.

Mirei de sua mão para seu rosto. Riscou um sorriso de lado e esperou. Com um sorriso largo, pousei minha mão sobre as costas das de Mike, e nós encaramos Sasuke, que arqueou uma sombracelha e virou o rosto para o outro lado, pousando sua mão sobre a minha depois de um tempo.

''Fim do Falshback''

Depois daquilo, fomos cada um para sua casa. Lembro-me que ao chegar em casa, meu avô tacou o livro que estava lendo em mim quando entrei pela porta, me perguntando, aos berrros é claro, onde estava até aquela hora. Depois do susto, me aproximei com cautela e lhe contei tudo. No começo, ele não levava fé que esse negócio de street fosse algo que me traria lucros, não só financeiros, futuramente. Mas com o tempo, ele percebia minhas mudanças. Minhas raras crises de tristeza e mau humor, tornaram-se ainda mais raras, quase inexistentes, desde que comecei a dançar. Com o passar do tempo, meus músculos cresciam e eu me sentia realmente bem por já ser bom o suficiente para entrar nas rodas de hip hop que Mike sempre participava. No começo, nem Sasuke nem eu participávamos delas, com medo de pagar um mega King Kong na frente dos amigos do Mike. Eles eram incríveis! E admito que me sentia intimidado, mas prometia a mim mesmo que treinaria e aprimoraria meu feeling, e finalmente Sasuke e eu começamos a participar das rodas.

Não aprendemos hip hop numa academia, nem com um professor diplomado, mas sem dúvidas, aprendemos com o melhor.


Ah, esse capítulo nem demorou a sair :)

Então, pessoal, esse capítulo é de extrema importância pois narra como Naruto e Sasuke aprenderam a dançar.

Logo que comecei a pensar em postar a fic, imaginei um jeito bem legal de explicar as raízas deles dois, e então nasceu o Mike.

Eu o imaginei tipo aquele modelo que está na capa do CD 'Luv Classic 2009', mas não é exatamente como ele. Na verdade, era exatamente como o modelo da capa do 'Luv 2', nas fotos dentro daquela revistinha com as letras das músicas, mas eu fiz o favor de perder a capa do CD e não sei o nome do cara. E como são exatamente três e oito da manhã, levar a casa à abaixo para procurar vai ser tenso! COMOFAS/

AH! Outra coisa! Vou fazer um momento propaganda aqui, então não reparem, ou melhor, reparem sim!

Postei uma oneshot chamada 'Baba' inspirada na música da Maria Gadú, e o casal é Neji/Hanabi, que honestamente não sou fã, mas achei que a música tinha tudo a ver com que eu pensei.

Então, se puderem ler e deixar uma review, vão fazer essa ficwritter muito feliz! :D

Enfim, gente, espero que tenham gostado do capítulo!
REVIEWS! *-*

MUITO OBRIGADA PELO CARINHO!

Grandes beijos!