Capítulo 3: Paris

Na manhã seguinte, ao acordar, Lilian imediatamente registrou duas coisas: primeiro, Tiago não estava ao seu lado na cama, ou em qualquer parte do quarto, que, segundo fato observado, não era o mesmo em que ela fora dormir na véspera.

- Tiago? – chamou ela, franzindo a testa, desconfiada, quando não obteve resposta.

Enrolando-se no lençol para esconder sua nudez, sentou na beira da cama de dossel, apanhando a varinha sobre o criado-mudo, e depois correndo o olhar pelo quarto. Era um cômodo bastante amplo e bonito, as paredes tinham um tom pêssego, bem clarinho, com poucos móveis, em estilo antigo, e, assim como o seu quarto, em casa, havia arranjos de rosas brancas adornando e perfumando todo o lugar.

Ela levantou da cama e aproximou-se da porta-janela, por onde a luz do sol se infiltrava, e que dava passagem a uma sacada, e ao lado da qual havia uma poltrona, com sua camisola dobrada sobre o assento. Apanhou a camisola, e, sem conseguir conter a curiosidade, afastou as delicadas cortinas que esvoaçavam levemente, olhando para fora.

- Ah, meu Merlin...

Lilian ficou parada diante da porta-janela, escondida de quem estava do lado de fora pela cortina, mas vendo tudo o que se passava do outro lado. A surpresa a impedia de sequer se mover. O Rio Sena estendia-se diante dela, ladeado por uma fileira regular de árvores, e além dele, a Torre Eiffel se erguia, a grande estrela da Cidade Luz. Lilian ofegou ao realmente dar-se conta de onde estava, a cidade de seus sonhos, Paris.

- Uau! Acho que vou desistir do café...

Lilian virou-se para a porta do quarto. Tiago vinha entrando, com uma bandeja de café da manhã nas mãos e um enorme sorriso no rosto. Lilian sorriu-lhe de volta, com os olhos cheios de lágrimas.

- Tiago...

Tiago deixou a bandeja sobre um aparador, perto da porta, e se aproximou da ruiva, sempre sorrindo. Ele limpou uma lágrima emocionada que escapou dos olhos dela.

- Bom dia, ruivinha. – disse, beijando-a – Eu trouxe café pra nós.

- Tiago... – repetiu a ruiva, ainda aturdida – Nós estamos em Paris!

- Sim, nós estamos. – respondeu Tiago – Você gostou da surpresa?

- Amor... eu adorei! – respondeu Lilian, olhando para a janela, e de volta para ele – É... incrível!

- Vamos passear muito por aqui. – disse Tiago, abraçando-a pelas costas, de modo que os dois ficaram de frente para a janela – Tem tanta coisa pra se ver, e eu quero que essa viagem seja inesquecível, Lily.

- Ela vai ser, Tiago. Ela vai ser.

- Bom, mas os passeios e tudo o mais podem esperar até depois do café. – disse Tiago, beijando-a no pescoço e fazendo Lilian se arrepiar inteira – Com fome?

- Morrendo! – confessou a ruiva.

- Eu também estou.

- Mas antes de tomar café, eu preciso me vestir...

- Pra mim tá ótimo assim.

- Tiago! – repreendeu Lilian, sorrindo.

- Tô só sendo honesto, ruivinha. – disse Tiago, com um sorriso – Bom, sua camisola está nas suas mãos.

- É, eu sei, mas...

- Que foi? – perguntou Tiago, e Lilian não respondeu de imediato. Ela mordeu o lábio, envergonhada.

- É que eu... eu tô com vergonha... – confessou Lilian, rubra.

- Vergonha de mim, Lily? – perguntou Tiago, achando um pouco de graça – Eu conheço cada centímetro do seu corpo agora.

- Eu sei... mas é que eu também ainda tenho que lavar o rosto... – ela deu a desculpa – daí posso fazer tudo no banheiro.

- Tá bom, amor. – concordou Tiago, com um sorriso resignado – Do jeito que você quiser.

Ele então a levou até a porta do banheiro – o quarto era uma suíte – e Lilian entrou, fechando a porta atrás de si. Lá dentro, finalmente deixou o lençol cair e vestiu a camisola. Lavou o rosto, e ficou por um instante, fitando o espelho. Ela, Lilian Evans, havia se casado com Tiago Potter. Eles estavam em lua-de-mel, e haviam tido sua primeira noite juntos. Ela agora era uma mulher, a mulher dele. Sorriu com esse pensamento.

- Lily! – chamou Tiago, do lado de fora, e ela então saiu do banheiro.

- Oi, amor, agora sim, estou pronta pro café.

- Eu preferia o lençol. Muito mais... sugestivo. – disse Tiago, e a ruiva voltou a corar – Eu tô só brincando, você fica linda e extremamente desejável de qualquer jeito.

Ele havia apanhado a bandeja, e a colocado em cima da cama, e Lilian então se dirigiu até lá, sentando-se de frente para o marido.

- Você dormiu bem? – perguntou Tiago, servindo suco para si e para a esposa.

- Como um bebê. – respondeu Lilian, rindo.

- Hmm... não acho que um bebê seja uma boa comparação depois de ontem à noite... – comentou Tiago, e Lilian corou.

- Como... como viemos até aqui? – perguntou ela, para desviar o assunto.

- Aparatando. – contou Tiago, e Lilian franziu a testa.

- E como eu não acordei?

- Você estava cansada. – respondeu Tiago – Isa disse que você vem dormindo pouco há dias.

- Eu tava muito nervosa... com o casamento, e tudo mais... – contou a ruiva.

- Eu sei.

- E você, dormiu bem? – perguntou Lilian.

- Nunca dormi melhor em toda a minha vida. – respondeu Tiago – Quase não acordei a tempo. – Lilian riu, e ele fez um carinho em seu rosto – Foi tão bom acordar e ver você do meu lado na cama.

O sorriso de Lilian se ampliou, os olhos brilhando intensamente.

- Vai ser assim todos os dias, agora. – disse ela – Pra sempre.

- É tudo o que eu mais quero.

Eles continuaram tomando café, e conversando sobre o que fariam durante a semana que passariam na cidade. Por causa dos cursos de ambos, a lua-de-mel não poderia ser mais longa do que isso. Tiago contou a Lilian a quem pertencia aquela casa, e como Isabelle o ajudara a preparar tudo.

- Aquela danadinha! – disse Lilian, fingindo indignação – Sabia de tudo e não me contou!

- Era uma surpresa, ela tinha que guardar segredo. – Tiago defendeu a amiga – Eu não sabia o que fazer, e a Isa me ajudou muito. – contou ele – Foi ela quem sugeriu Paris, e fez questão que ficássemos aqui.

- Eu sempre quis conhecer Paris, ela sabia disso. – disse Lilian – Sempre que ela vinha à França, eu não podia vir com ela.

- Agora você vai conhecer a cidade comigo. – disse Tiago – Eu tava tão ansioso pra ver sua reação à surpresa... queria que tudo fosse perfeito pra você.

- Se você está comigo, tudo é perfeito, Tiago. – disse Lilian, e Tiago a beijou de leve.

- Eu amo você, Lily. – disse ele – Amo mais do que tudo.

- Eu também amo você, Tiago. – respondeu a ruiva – Mais do que tudo nesse mundo.

Em Londres, Isabelle espreguiçava-se em sua cama, sem a menor vontade de sair dela. Após mais alguns instantes de preguiça, deitada na cama, fitando a janela, ela levantou e foi em direção ao banheiro. Tomou um banho morno, que a fez acordar um pouco mais, vestiu-se e desceu para a cozinha.

Com alguns acenos da varinha, colocou água para aquecer e preparou a mesa do café da manhã. Sentou-se por um instante à mesa, fitando a cadeira em que Lilian costumava sentar, e sorriu para si mesma. Será que a ruiva já havia acordado? Se sim, como teria reagido à surpresa preparada por Tiago? Estaria feliz? Bem, para essa pergunta, ela não tinha a menor dúvida quanto à resposta. Ainda sorrindo, deixou a cozinha, e tornou a subir as escadas, rumando para o quarto ao lado do seu. Parou à porta, encostando-se ao batente, para fitá-lo por um instante. Sirius, como sempre, dormia esparramado na cama, de bruços, o rosto voltado para a porta. Isabelle foi até a beira da cama e sentou-se.

- Pssiu... dorminhoco... – chamou ela, acariciando os cabelos do namorado – Hora de acordar...

Sirius resmungou algo incompreensível, e se virou para o outro lado. Isabelle afastou as mechas de cabelo que caíram sobre o rosto dele, e beijou-o, logo atrás da orelha.

- Sirius... – sussurrou ela – Acorda, seu dorminhoco.

Sirius sacudiu a cabeça em negação, devagar, e sem abrir os olhos. Isabelle riu.

- Acorda sim... – disse ela, e ele voltou a negar – Vai continuar aí, é? – perguntou ela, e desta vez Sirius assentiu – Preguiçoso!

- Não é preguiça... – disse ele, rouco.

- É o que, então?

- É que tá bom ficar assim... com você pertinho e me dando beijos pra acordar... – disse Sirius, e então se virou para ela, abrindo os olhos devagar.

- Bom dia. – disse Isabelle, sorrindo.

- Bom dia. – respondeu ele, sonolento.

- Que tal levantar pra tomar café? – perguntou Isabelle.

- Que tal deitar aqui comigo um pouquinho? – sugeriu Sirius, em resposta. Ele se afastou um pouco, e Isabelle deitou na cama. Sirius a abraçou pela cintura, e os dois se beijaram longamente.

- A mesa já tá posta, só falta você. – disse Isabelle, depois do beijo.

- Hmm... sabe qual é o problema? – perguntou Sirius, e ela apenas o fitou – A cama já tava ótima antes. Com você aqui, então... agora é que eu não quero mesmo sair...

- Seu bobo! – disse Isabelle, rindo e corando levemente – Vamos, vamos levantar.

Ela levantou-se da cama, e, na falta de outra opção, Sirius levantou também, seguindo direto para o banheiro. Com um aceno da varinha dele, que estava sobre o criado-mudo, Isabelle estendeu a cama, e então avisou, enquanto se dirigia à porta do quarto.

- Estou te esperando lá em baixo!

Ela então desceu novamente, e depois de apanhar o Profeta Diário na janela da sala, dirigiu-se à cozinha para esperar por Sirius para tomarem café. Cerca de dez minutos depois, Sirius chegou à cozinha, vestido com uma calça de moletom, camiseta, e com os pés descalços e os cabelos molhados. Isabelle deteve-se por um instante, fitando-o.

"Merlin do céu... vai ser assim todos os dias? Será que eu agüento isso?" – pensou ela, e então sentiu o próprio rosto queimar ao ver que Sirius a fitava, intrigado.

- Que foi, Bell? – perguntou ele, enquanto se sentava à mesa, ao lado dela.

- Ahn... nada. – mentiu Isabelle, sem olhar para ele – Tava pensando na Lily e no Tiago...

- Hmm... – fez Sirius, sem acreditar nela nem por um instante – Eles também devem estar acordando a essa hora.

- É. – concordou Isabelle, visivelmente aliviada pela mudança de assunto – Bom, mais tarde nós vamos até a Mansão Potter, então? Pra trazer suas coisas?

- Tudo isso é vontade de me ter morando aqui?

- Seu convencido! – disse Isabelle, voltando a corar – Só quero facilitar as coisas, ou amanhã você mal vai ter o que vestir!

- Eu sei, eu sei, tô só brincando com você. – disse Sirius, conciliador, afagando o rosto dela, e então a beijando – Vamos, vamos sim até lá mais tarde. Eu também não vejo a hora de vir morar com você

No Chateau St. Jacques, Tiago e Lilian haviam terminado de tomar seu café na cama, e tomado banho – juntos, o que tornou o banho muito mais longo. Era uma experiência nova para ambos, e os dois fizeram questão de aproveitar cada segundo dela – e agora já estavam prontos para sair. Lilian havia sido apresentada a Rèmy – que a fez rir ao tocar o nariz no chão em uma mesura para a jovem –, e, de braços dados, saíram para seu primeiro passeio por Paris.

- Não se preocupe conosco, Rèmy, passaremos o dia todo fora. – disse Tiago – Como tomamos café tão tarde, provavelmente só faremos um lanche, mais tarde.

- Oui, Monsieur Potter. – respondeu o elfo, com uma nova mesura – Bonne balade!

- Obrigada, Rèmy. – agradeceu Lilian – Até mais tarde.

- À plus tard, Madame Potter.

O casal deixou a casa e seguiu caminhando pela Voie Georges Pompidou, de mãos dadas, apreciando a bela vista do Sena, e mais além, da Torre Eiffel, enquanto conversavam sobre a programação do dia.

- Eu li que aqui existe um sistema de aluguel de bicicletas, para que você possa circular pela cidade. – contou Lilian – O que você acha de vistarmos Paris assim, de bicicleta?

- Bicicleta? – ecoou Tiago, com uma expressão estranha no rosto – Tem certeza de que não vai ser cansativo? Não prefere andar de táxi, ou naquele negócio, o... metrô?

- No metrô não poderemos ver a cidade passar, Tiago. – argumentou a ruiva – E passar o dia entrando e saindo de um táxi... – ela fez uma careta – Mas por quê? Você não gosta de andar de bicicleta?

- Ah, é que... bom... – começou Tiago, hesitando um pouco – É que eu... eu... nunca andei de bicicleta...

Lilian parou de andar e o encarou, meio espantada, meio achando graça.

- Não acredito que não sabe andar de bicicleta! – disse ela, cobrindo a boca com a mão.

- Bom... desde pequeno eu me acostumei a voar em uma vassoura, ou usar Pó de Flu pra ir aonde eu queria ir. – disse o rapaz, parecendo meio envergonhado.

- Bom... então eu vou ensinar você a andar de bicicleta. – disse Lilian, dando um beijo leve no marido – Vamos fazer assim, alugamos duas bicicletas, e agora no restinho da manhã, você vai aprender a andar de bicicleta. É tudo uma questão de equilíbrio – continuou ela –, e como você já está acostumado com isso por causa do Quadribol, vai ser bem fácil. E então, mais tarde, começamos o nosso passeio.

- E tem algum jeito de eu negar alguma coisa a você, ruivinha? – perguntou Tiago, sorrindo – Eu faço tudo o que você quiser, professora.

- Ah, Tiago... – disse Lilian, sorrindo também, e beijando-o logo em seguida.

Eles seguiram caminhando, para encontrar um dos postos de aluguel de bicicletas. Havia, Lilian contou a Tiago, dezenas de postos espalhados por toda a cidade, e, coincidentemente, um deles ficava não muito distante da casa de Isabelle, ao lado de uma espécie de parque.

- Ah, isso é perfeito! – disse Lilian, ao avistar as bicicletas – Podemos aproveitar o espaço do parque pra você poder aprender a andar na bicicleta.

Minutos depois, munidos de duas bicicletas, os dois seguiram até um ponto do parque onde o terreno era bem plano, e não havia muita gente circulando ao redor. Lilian mostrou a Tiago como montar corretamente na bicicleta, e também o funcionamento dos pedais. Na primeira tentativa, Tiago foi bem, até a hora de parar, quando apertou o freio rápido demais e quase virou a bicicleta. Na segunda, pedalou muito rápido, e esqueceu de como se freava, e por pouco não bateu em uma árvore. No fim, como Lilian havia previsto, ele aprendeu logo a pilotar a bicicleta – mas não antes de ambos terem dado muitas risadas com as tentativas frustradas – e os dois puderam sair a explorar a cidade sobre duas rodas. Como haviam tomado café tarde, decidiram pular o almoço e fazer apenas um lanche, mais no meio da tarde. A primeira parada dos dois foi, como não poderia deixar de ser, na Torre Eiffel. Lilian ficou encantada com a enorme e famosa construção de metal, o principal símbolo da cidade, e eles tiraram inúmeras fotografias. Tiago, que já conhecia a cidade, prestava mais atenção em Lilian e nas reações da ruiva do que em qualquer outra coisa ao seu redor.

- Que foi? – perguntou a jovem, em um momento em que o flagrou, fitando-a, encantado.

- Nada. – respondeu Tiago – Tava só... olhando você.

- Bobo! – disse a ruiva, sorrindo envergonhada – Vem, quero tirar uma foto sua aqui.

De lá, os dois seguiram para a Avenida Champs Élisées, que, como sempre, estava repleta de turistas, de diversos lugares do mundo. Eles pararam em um dos famosos cafés da avenida, para tomar um café com croissants – que Lilian achou deliciosos –, e, depois de namorar um pouquinho, foram visitar o último ponto turístico daquela tarde – conhecer a cidade de bicicleta era divertido, mas também cansativo –, o Arco do Triunfo. Tiraram muitas fotografias – Tiago fez poses engraçadas e ambos fizeram caretas em muitas das fotos que enviariam aos amigos – ao lado da imponente construção, e, depois de muitas risadas e muitos beijos, os dois voltaram para casa.

Em Londres, no meio da tarde, Sirius e Isabelle aparataram até a Mansão Potter, para buscar as roupas e outros pertences de Sirius. Tendo acordado já tarde, eles haviam passado todo o restinho da manhã fazendo algumas mudanças no quarto de Sirius, na casa de Isabelle, para acomodar as coisas dele, e no início da tarde, Remo, com tanta cara de sono quanto eles próprios estavam, aparecera para se despedir dos dois, e também apanhar com Isabelle a dose de poção Mata-Cão, que ela preparara, antes de voltar para a Irlanda, pois no dia seguinte, o trabalho e o curso o esperavam. O casal foi recebido na mansão por Dorea, que, como eles, também tinha uma aparência cansada, por ter ido dormir tão tarde na véspera. Nos jardins e na casa já não havia mais quase nenhum sinal da bagunça da festa, os elfos já haviam organizado tudo durante a noite, e os únicos vestígios que restaram do casamento foram alguns dois arranjos de flores, os doces e um pedaço que sobrara do bolo – do qual Sirius e Isabelle roubaram, cada um, uma fatia – na cozinha. Eles conversaram com Dorea por algum tempo, sobretudo sobre a festa da noite anterior e sobre como imaginavam estar sendo a lua-de-mel de Lilian e Tiago, e depois subiram para o quarto de Sirius, para reunir as coisas dele que estavam espalhadas por todos os lados. Dorea deixou que o jovem casal fizesse aquilo sozinhos, e os dois fizeram uma grande bagunça, era possível ouvir suas risadas de longe, enquanto arrumavam tudo, em meio a beijos, abraços e brincadeiras carinhosas. Ela apareceu à porta, quando os dois brincavam – fingindo uma disputa acirrada – com uma camiseta – a mesma que Isabelle vestira na noite da formatura, quando dormira na cama do moreno, em Hogwarts – e não pôde evitar sorrir ao ver o modo como os dois pareciam tão felizes juntos.

- Isa, querida, eu posso falar com você um instante? – pediu ela, quando os dois pararam de brincar e guardaram a camiseta no malão.

- Ah, claro, Dorea. – concordou Isabelle, o cenho franzido – Sirius, tem um tênis seu ali. – disse ela, apontando um pé do calçado, ao lado da cômoda, e depois deixando o quarto do namorado junto com a Sra. Potter. As duas dirigiram-se ao quarto de Dorea, onde se acomodaram à beira da cama, sentadas frente a frente. Isabelle encarava Dorea, intrigada com o motivo de ter sido chamada até ali.

- O que foi, Dorea? – perguntou ela, meio nervosa – Algum problema?

- Ah, não, não, minha querida, não há problema algum. – respondeu a bruxa, e Isabelle tranqüilizou-se um pouco – Eu só queria conversar com você um instante. Você e Sirius agora vão morar juntos, e... bem, eu sei que você não tem a sua mãe aqui para orientá-la quanto a certos assuntos...

Isabelle ficou completamente rubra no mesmo instante.

- Ah! Dorea, eu...

- Você conhece as poções... para evitar uma gravidez? – perguntou Dorea – Sei que é uma excelente preparadora de poções, mas elas são bem complicadas se você nunca as preparou. Se você não conhece, eu posso ensinar a você como preparar, ou até mesmo preparar para você, eu fiz o mesmo com Lilian, e...

- Não, Dorea, eu... – começou Isabelle, baixinho, absolutamente envergonhada.

- ... eu não sei como vocês têm se precavido até agora, mas... – continuou a bruxa.

- Não, eu... nós não... – gaguejou Isabelle, ainda mais vermelha – nós nunca...

- Não? – perguntou Dorea, genuinamente surpresa.

- Não. – respondeu Isabelle, tímida – Eu... não me sinto pronta ainda, e o Sirius respeita isso.

- Bem... confesso que isso me surpreende um pouco. – disse Dorea, sorrindo levemente – Sirius sempre foi... apressadinho quanto a isso.

- É, eu sei. – concordou Isabelle – Mas... ele tem sido... – ela não conseguiu encontrar palavras para terminar a frase. Dorea segurou sua mão, em um gesto carinhoso.

- Desde o início eu percebi que com você era tudo diferente. – disse ela, que parecia satisfeita até mesmo orgulhosa da atitude de Sirius – Jamais vi Sirius agir da forma que age quando está com você, e ele me disse... – ela se interrompeu, como se estivesse falando algo que não devia.

- O quê? – perguntou Isabelle – O que ele disse?

- Bem... – começou Dorea, hesitante, mas então abriu um sorriso – Ele me disse que jamais sentiu nada nem mesmo parecido com o que sente por você. Ele ama você, como jamais amou nada, nem ninguém neste mundo.

Isabelle olhou para baixo, voltando a corar, mas incapaz de evitar que um sorriso se espalhasse em seu rosto.

- Nem eu senti nada assim. – disse ela à bruxa – Nunca.

- Que bom. – disse Dorea, sorrindo – Que bom que amam um ao outro desta forma, minha querida. Tenho certeza de que serão muito felizes.

- Eu também tenho. – disse Isabelle, voltando a encarar a mulher, os olhos brilhando. Ela suspirou – Me sinto tão... aliviada... pensei que fosse nos censurar, me censurar, por estarmos indo morar juntos sem estarmos casados...

- Confesso que iria adorar ver outra festa de casamento nos jardins da mansão, vocês dois fazendo os votos, Sirius de smoking e você vestida de noiva... – disse Dorea, parecendo imaginar aquilo que dizia – Mas não, não os censuro, é claro que não. Vocês dois são adultos, já sabem o que querem, e o que é melhor para vocês.

Isabelle sorriu, visivelmente aliviada.

- Obrigada, Dorea. – agradeceu ela – Por tudo.

- Imagine, minha querida. – disse a bruxa, fazendo um carinho no rosto da jovem – Agora, vamos voltar para lá? Sirius deve estar arrumando tudo da mesma forma que arruma o quarto, e você viu o caos que é.

Depois de organizar as coisas de Sirius, e despachar tudo para a casa de Isabelle, o casal ainda ficou mais algum tempo conversando com Dorea na Mansão Potter, partindo somente ao anoitecer.

- Cuidem-se, vocês dois, e juízo. – recomendou a bruxa, ao despedir-se deles.

- Pode deixar, mãe. – disse Sirius – E a senhora também, cuide-se, e qualquer coisa, mande a Dina me chamar.

- Já sou bem crescidinha, Sirius, vou ficar bem. – respondeu Dorea, sorrindo – E Isa? Sobre o que conversamos, sabe que se precisar de algo, pode vir falar comigo.

Isabelle corou intensamente quando Sirius a fitou, visivelmente curioso sobre o assunto do qual fora excluído.

- Sim, Dorea, obrigada.

- Adeus, meus queridos, e não sumam, está bem?

- Pode deixar. – disse Isabelle.

- Até logo! – disse Sirius, e então os dois aparataram de volta para a casa de Isabelle.

- Agora sim, é oficial. – disse a morena, quando os dois chegaram à sala de casa – Bem vindo ao lar. À nossa casa.

- A nossa casa... gostei disso. Aliás eu gosto de tudo que tenha eu e você juntos. – disse Sirius, beijando-a – Mas... eu tô curioso sobre uma coisa...

- O quê?

- O que você e a mamãe conversaram, quando ela chamou você? – perguntou Sirius, e Isabelle gelou.

- Ah, eu... nós... – gaguejou ela – É só... um assunto de mulher. Ela... ela achou que eu ficaria envergonhada de falar na sua frente, só isso.

- E ela acertou, não foi? – disse Sirius, meio rindo – Você tá vermelha feito um tomate, só porque eu mencionei a conversa!

Isabelle baixou o olhar, ainda mais envergonhada.

- Minha timidazinha linda. – disse Sirius, beijando-a – Eu não vou perguntar mais nada sobre isso, está bem?

Isabelle assentiu, aliviada.

- Obrigada. – ela agradeceu, e Sirius fez um carinho em seu rosto – Mas, agora, nós temos uma pequena grande bagunça pra arrumar lá em cima. – disse a morena, para mudar de assunto, e Sirius fez uma careta – Não adianta fazer cara feia, vamos, vamos arrumar aquilo logo, e depois podemos assistir alguma coisa na tevê.

- Com brigadeiro? – perguntou Sirius, uma carinha esperançosa.

- Com brigadeiro. – concordou Isabelle, com um sorriso.

Os dois então subiram para o quarto de Sirius, onde estavam as coisas dele, enviadas da Mansão Potter, ainda por arrumar. Ao passar pela porta aberta de seu quarto, porém, Isabelle viu um pedaço de pergaminho dobrado, em cima da cama.

- Vai separando as coisas lá no quarto, amor. – disse ela a Sirius – Eu vou lá num minuto.

- Tá.

Sirius seguiu para o quarto ao lado, enquanto Isabelle ia até sua cama e apanhava o pergaminho. Abriu um enorme sorriso ao desdobrar o papel e reconhecer a caligrafia.

- Lily.

"Isa!

Sua danadinha, você sabia de tudo e não me contou!

Eu amei a surpresa, você sabe que eu sempre quis conhecer

Paris. Está sendo tudo tão perfeito, amiga! Passear por essa

cidade linda, com o Tiago... Acredita que ele não sabia andar

de bicicleta? Eu tive que ensinar a ele, foi muito engraçado,

mas sabe como é, equilíbrio de jogador de Quadribol, ele

aprendeu mais rápido que você!

Eu sei sobre o que você deve estar curiosa agora... ah, eu

não sei explicar, é muito estranho, mas ao mesmo tempo

maravilhoso, a sensação é indescritível. É como a Lice tinha

nos dito, lembra? Dói um pouco, no início, mas não é nada in-

suportável, e, bem, por favor, não pense que eu estou me tor-

nando uma pervertida ou algo do tipo, mas o que vem depois

compensa a dor. Mesmo. Deixa eu ir, Tiago tá vindo pra cá. Não

deixa o Sirius ver isso!!! Amo você.

Lil."

Ainda sorrindo, Isabelle foi até a escrivaninha, apanhou um pedaço de pergaminho e uma pena na gaveta, e começou a escrever uma resposta para a amiga.

"Lil!

Quem é você e o que fez com a minha amiga???

Merlinzinho do céu, eu achei que nunca ia ver você dizendo

alguma coisa sequer parecida com o que escreveu naquele

pergaminho! Não sou ovo de dragão, mas estou chocada!

Brincadeirinha. Fiquei tão feliz de saber que você gostou da

surpresa, e que está curtindo a viagem. Depois eu vou

querer saber de tudo, viu, em detalhes, até os meio sórdidos.

Dos muito sórdidos você pode poupar minha pobre mente

inocente.

Também amo você.

Isa."

Ela foi até a janela e deu um assovio. Amy surgiu rapidamente no parapeito, e depois que Isabelle prendeu o pergaminho em sua pata, saiu voando pela noite estrelada, sob o olhar de sua dona, que ainda sorria. Ela então foi até a cama e sentou novamente, abrindo a gaveta do criado-mudo para guardar a carta de Lilian.

- Amor?

- Hã? – Isabelle assustou-se, olhando rapidamente na direção da porta, e ao ver Sirius, dobrando rapidamente o pergaminho e enfiando-o na gaveta.

- Você disse que já ia pra lá, e se ficou aqui... – reclamou o moreno – O que é isso? – perguntou ele, indicando o pergaminho.

- Ah, é da Lily. – respondeu Isabelle, implorando a Merlin em pensamento para que ele não pedisse para ler. Aparentemente, deu resultado.

- Hmm... o que ela disse?

- Primeiro me deu uma bronca por não ter contado nada pra ela. – respondeu Isabelle e Sirius riu – Depois contou que eles estão bem, se divertindo muito, e que está adorando Paris.

- Que bom! – disse Sirius, sorrindo – Agora, que tal uma mãozinha aqui?

- Tá bom, tá bom... – disse Isabelle, levantando da cama e indo até ele – Vamos lá arrumar aquela bagunça.


N/A: Ain, Manu, tuas rewiews são sempre tão fofas... *-* Obrigada, flor, de verdade!

Bom, só como informaçãozinha básica, o Sistema Vélib de aluguel de bicicletas não existia de verdade na época em que se passa a fic, foi instituído em 2007, mas é que eu achei bem mais legal do que eles só aparatarem ou andarem de táxi. =p

Tradução do diálogo Lily/Tiago/Remy:

- Sim, Senhor Potter. – respondeu o elfo, com uma nova mesura – Bom passeio!

- Obrigada, Rèmy. – agradeceu Lilian – Até mais tarde.

- Até mais tarde, Madame Potter.