Magia de Natal

Obs 1: Saint Seiya não me pertence, como todos devem saber. Por ser um fic de Universo Alternativo os personagens deverão sofrer algumas (poucas) alterações em suas personalidades.

Obs 2: O nome Carlo foi dado ao personagem Máscara da Morte pela escritora Pipe. Todos os créditos à ela!

Obs 3: Este é um fanfic de presente de Natal/aniversário para a Kku. Por ser um fic U.A. (Universo Alternativo) os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades. Casal: Aiolos x Shura.

Sinopse: Aiolos não podia acreditar: seu chefe, estava intimando-o a passar o feriado de natal com um cliente, Shura Capricorn, para tratar de negócios! Só havia uma saída: aceitar a proposta. Afinal, o cliente era muito importante, e ele não podia perdê-lo de maneira nenhuma. Para sua surpresa, Shura tinha uma noção mais do que romântica de como passar a noite de Natal em sua companhia...

3

O jantar foi tranqüilo, e até divertido. Gaças a Aldebaran, que, ao perceber quanto Aiolos estava se sentindo deslocado, manteve um assunto saudável sobre política e corrupção, mas com comentários divertidos.

Quando o caseiro deixou a mesa para lavar a louça, proibiu que Aiolos o seguisse. Houve um momento de pânico na mente do loiro. Por sorte, Shura pareceu compreender a situação, e começou a falar sobre o clima da região.

Aiolos participou com empolgação do assunto, até que os dois esgotaram nos mínimos detalhes. Assim que teve uma oportunidade, Aiolos se recolheu para o quarto de hóspedes.

O aposento era enorme, aconchegante e bem aquecido. A roupa de cama combinava com o papel de parede, o que o surpreendeu. Aldebaran parecia um homem rude, mas era muito sensível e competente. Os livros das prateleiras estavam bem espanados, parecendo convidativos. O fogo da lareira estava bem controlado, e a lenha arrumada em um cesto apropriado.

Um conjunto de flanela branca estava colocada sobre a cama. Sem se preocupar com a origem daquela peça de roupa, Aiolos compreendeu o motivo pelo qual ela estava ali. Sem hesitar, vestiu-se.

Tirar o traje social lhe conferiu um alívio imediato. Mesmo sabendo que ainda não eram oito horas da noite, ele se deitou, pegando um livro para ler. Não pretendia mais sair do conforto daquela cama, pelo menos não naquela noite. Porém, antes mesmo de terminar a primeira página, caiu em um sono profundo.

O preço de ter dormido tão cedo, foi o de acordar às três horas da manhã, já descansado e disposto. Ao abrir os olhos, sentiu uma enorme confusão, não compreendendo direito onde estava, nem o motivo de sentir tanto frio.

Segundo depois, lembrou-se das respostas às suas dúvidas e que não lhe serviu de conforto. O meio da madrugada era o momento mais silencioso e solitário da noite, envolto por uma escuridão assustadora. A lua estava oculta pela tempestade de neve, que continuava a cair de forma incessante.

Observando o clima, teve a certeza de que ainda não conseguiria ir embora naquele dia. Parecia pouco provável que as condições climáticas mudassem. Todavia, mais triste do que ver a neve cair, era imaginar a tristeza do irmão por não estarem juntos na véspera de natal.

Ele mesmo estava com vontade de cair em prantos, mas não o faria. Considerava que seria um sinal de fraqueza e, desde que seus pais haviam falecido, recusava-se a desabafar. Já naquela época, descobrira que felicidade era um troféu, e não uma dádiva. Pessoas que viviam chorando nunca poderiam conquistar tal premio.

Saindo da cama, vestiu um robe que estava pendurado no cabideiro, ao lado da porta. Tinha uma sensação de estar preso, e sabia que precisava andar um pouco. Em silencio, saiu do quarto e desceu a escada, sem saber ao certo onde iria.

Ao encontrar a cozinha, serviu-se de uma caneca de leite. Como havia ajudado Aldebaran, não teve problemas em encontrar o que queria, nem em esquentar a bebida. Envolvendo a peça de porcelana entre as mãos, foi até a sala de estar.

A varanda estava iluminada, e a luz entrava pelas janelas. O ruído das árvores balançado ao vendo preenchia o ambiente. Depois de olhar o local, começou a caminhar na direção da grande lareira. Mesmo apagada, ela parecia ser o coração da casa.

Aiolos parou de repente, sentindo a presença de Shura, mesmo antes de vê-lo.

Assim que seus olhos se adaptaram à penumbra, ele conseguiu definir onde o outro estava.

Sentado na poltrona central, com o olhar fixo na lareira apagada, movia um pequeno objeto entre os dedos.

Uma sensação desagradável se apoderou do loiro. Era como se fosse um intruso na vida de outra pessoa. Tenso, começou a se afastar, desejando sair sem ser notado.

- Aiolos – chamou o outro, em voz baixa. – Sente-se.

Com a sensação de aperto dentro do peito, o loiro não conseguiu reagir de imediato. Aquele tom de voz lhe era bem familiar. Seu pai assumira aquela postura, noite após noite, depois da morte da esposa.

Sem perder mais tempo, Aiolos caminhou até uma outra poltrona e se sentou. Não teria coragem de deixá-lo ali, sozinho. A atitude de se isolar em meio a tanta tristeza não era saudável e isso ele sabia muito bem.

Tudo o que desejava era que ele não estivesse bêbado. Seu pai encontrava conforto em uma garrafa de uísque, o que sempre dificultava a aproximação.

- Perdeu o sono, Aiolos? – indagou o moreno, com tranqüilidade, porém com certa indiferença. – A casa está muito fria? Se quiser, posso ajustar o termostato.

- não, está tudo bem. Acho que fui dormir cedo demais.

- Sim. Pode ser isso.

Com os olhos mais acostumados à escuridão, o loiro viu, com alívio, que ele não tinha um copo nas mãos, mas sim algo menor. Parecia uma peça de xadrez, mas não saberia dizer ao certo.

- E você? – perguntou ele. – Também não conseguiu dormir?

- Eu estava prestes a me recolher. Fiquei trabalhando até tarde.

Aiolos sabia que não era verdade. Depois de passar muitas noites observando o pai se torturando, aprendera a identificar tais reações. Com certeza, fazia horas que Shura estava ali, parado, e permaneceria no mesmo local até o raiar do dia.

A diferença relevante era que, além de não estar bêbado, ele não chorava. Aqueles olhos verdes pareciam tristes, mas era evidente que não derramavam lágrimas havia muito tempo.

- Parece que a tempestade não pretende ceder, não é mesmo? – indagou o loiro, ciente de que aquele não era o assunto ideal, mas seria melhor do que o silencio. – Dohko deve conhecer tempestades de inverno melhor que eu. Ele me falou, ao telefone, que não haveria muita chance de eu poder voltar hoje.

Com o pai era mais fácil conversar, pois ele sabia o que poderia ou não falar, evitando tocar nas feridas, enquanto tentava mantê-lo distraído, longa das frustrações.

Shura, por outro lado, era outra pessoa. Além de misterioso, estava se mantendo em silencio. Sentindo que era necessário manter contato, Aiolos insistiu, voltando a falar:

- Quanto será que já nevou? Deve haver mais de um palmo de neve acumulada lá fora.

- Não sei – respondeu o moreno, com secura. – E também não me importo. Acho que já esgotamos esse assunto durante o jantar, não?

- Sim, é verdade – concordou o loiro, sorrindo com suavidade, mesmo diante do tom agressivo na voz do outro. – Do que quer falar então?

Abrindo a mão, Shura pareceu se surpreender ao ver a peça de xadrez que segurava. Era a rainha branca. Aiolos compreendeu o que aquilo representava, e se lembrou do que acontecera a ele, três anos antes.

- Eu não quero conversar – disse, com lentidão.

A rejeição no tom de voz de Shura magoou Aiolos mais do que ele poderia imaginar. O loiro não compreendeu o motivo de se sentir mal, pois o mesmo acontecia junto a seu pai, que sempre tentava evitar que alguém se aproximasse nos momentos difíceis.

- Prefere ficar sozinho?

- Sim, acho que será melhor.

- Ora... Eu... – Não quis ser intrometido. Foi você quem me convidou para me sentar.

- Sim, eu sei. Pensei que... Bem... Sinto muito. Acho que me enganei.

* * *

Na manhã seguinte, Aiolos saiu do quarto o mais tarde possível. Era mais de onze horas, mas o dia ainda estava escuro. O céu carregado de nuvens não deixava o sol surgir.

Sua vontade era permanecer fechado no quarto o fia todo, principalmente depois de haver sido rejeitado na madrugada anterior. Tudo o que pretendia era ajudar, e fora dispensado com veemência. Shura parecia não gostar de tê-lo por perto.

Tendo nutrido a esperança de que o moreno tivesse tomado café e se ocupado com alguma tarefa, foi até a cozinha. Surpreendeu-se ao encontrá-lo sentado, ao lado de Aldebaran, assistindo o noticiário sobre a tempestade, na pequena televisão que ficava no canto de um gabinete.

Duas jaquetas de esqui estavam penduradas à porta, ainda pingando água, indicando que eles haviam acabado de chegar. Ao olhar para si mesmo e ver a mesma roupa que usara no dia anterior, sentiu-se bastante inútil. Com aqueles trajes refinados, não poderia nem oferecer ajuda em serviços braçais.

Sentindo o aroma do café, viu-se compelido a entrar de uma vez por todas na cozinha. Aldebaran foi o primeiro a notar sua presença.

- Sr. Sagitálius. – falou, com alegria. – Entre, entre! Venha saborear algumas frutas frescas. Aproveite bem pois, se os meteorologistas estiverem certos, seremos obrigados a passar algum tempo comendo alimentos enlatados.

O grandão puxou a cadeira ao lado da do patrão, e começou a arrumar a mesa para o desjejum. Sem opção, o loiro aceitou o convite com um sorriso.

- Bom dia, Aiolos – falou Shura. – Conseguiu dormir de novo, hoje de madrugada?

- Sim, claro... Dormi como um anjo – improvisou ele, aceitando a tigela de cereais que Aldebaran lhe oferecera. – E você?

- Eu também.

Ambos estavam mentindo. Parecia mais civilizado fingir que estava tudo bem, mas aquilo o incomodava. Para mudar de assunto, ele se virou para Aldebaran:

- Então temos más notícias esta manhã?

- Não para os serviços de guincho, nem para os vendedores de lanternas – falou o caseiro, com ironia. – Mas parece que vamos ficar aqui na geladeira, no mínimo, por uma semana.

- O que? Eles disseram que a tempestade vai durar uma semana?

- Sim, mas o que eles sabem de verdade? Meteorologistas... Um bando de almofadinhas que usam maquiagem demais na hora de aparecer na televisão. Eles não reconheceriam uma frente fria se estivessem diante de uma.

Olhando para a tela, Aiolos viu imagens de carros cobertos pela neve, mapas de linhas de força que seriam desativadas e estatísticas de prejuízos. Ao perceber que era sério, pensou em Aiolia e no Natal, que se aproximava.

- Essa não... Não posso ficar aqui durante as festas...

- Verdade? – indagou Shura, com os braços cruzados, em uma postura irônica. – Não pode? Posso saber por quê?

- Tenho de estar com Aiolia. Meu irmão vai ficar muito triste se não estivermos juntos.

- Ora, pare com isso. Natal é apenas uma palavra. Basta adiarem a celebração até que você chegue em casa, e pronto. Não fará diferença nenhuma para um garoto, desde que ele ganhe os presentes que deseja.

- De jeito nenhum – respondeu Aiolos, parando de comer. – Você não conhece Aiolos. Meu irmão é muito sensível e genioso, e Natal significa muito para ele. Céus, o que vou dizer?

- por que não tenta aconselhar o garoto para que agradeça as bênçãos recebidas? Diga a ele para se sentir grato por saber que você está a salvo e protegido, em um lugar bastante seguro.

- Grato? Como eu deveria estar? É isso o que está tentando dizer?

- Ora, Sr. Sagitálius... – Aldebaran tentou interceder, mas foi interrompido.

- Não era isso que eu estava dizendo – falou Shura, desligando a televisão para encarar Aiolos. – E você sabe muito bem. Estou apenas tentando deixar claro que há milhões de pessoas lá fora, sem aquecimento nem água corrente. Cento e cinqüenta e sete casas já foram destruídas. Onze pessoas morreram.

- Ah... – murmurou o loiro, arregalando os olhos, assustado.

- Morreram, Aiolos. Gente que nunca mais comemorará o Natal. Por que não diz isso ao seu irmão?

Ao tomar conhecimento dos fatos, toda a fúria de Aiolos se esvaiu. Olhando na direção da janela, percebeu que a tempestade havia aumentado ainda mais. A casa era tão forte e resistente que ele nem sequer percebera o desastre climático que os cercava.

Shura estava certo, e ele se sentiu profundamente envergonhado.

- Desculpe-me. Eu não sabia.

- Ora, os deuses sabem que não há razão para pedir desculpas, Sr. Sagitálius. – disse Aldebaran. – É claro que você não sabia. Como deve ter percebido, Shura é um garoto nervoso, e tão sutil durante uma conversa matinal quanto uma luta de boxe. Mas tenho certeza de que ele pretende se retratar.

- Pode parar, Deba – mandou Shura, virando-se para Aiolos. – Eu mesmo faço isso. Ele está certo. Sinto muito por haver perdido a compostura e ter sido tão rude. Tudo o que tenho a dizer em minha defesa é que estou vendo noticiários desde cedo, e a situação está terrível. Não sei quais são os problemas de seu irmão, e não tinha o direito de emitir julgamento.

- Bem... O problema é que Aiolia...

- Não... Não precisa se justificar. Isso não me diz respeito. – Shura suspirou, como se buscasse inspiração. – Ouça, Aiolos, sei que está sendo difícil para nós dois. Vamos estabelecer uma trégua, está bem? Podemos fingir que nunca nos vimos antes, e que o negócio da Librian não está pendente. Façamos de conta que estamos apenas hospedados no mesmo hotel, durante a nevasca.

- Grande idéia, Shura – festejou Aldebaran.- Melhor ainda, vamos fingir que eu sou o anfitrião, e vocês são meus hóspedes. Assim posso mantê-los na linha.

Shura lançou um olhar sardônico para o caseiro, antes de falar.

- Ora, pode tentar – respondeu, voltando a encarar Aiolos. – E então? Temos um acordo?

- Isso tudo não é necessário... – o loiro começou a falar, mas ficou embaraçado quando Shura lhe estendeu AM ao. – Hum... Está bem. De acordo, Shura.

* * *

Na parte da tarde, Aldebaran instalou um telefone no quarto de Aiolos, explicando que seria melhor que ele tivesse um ponto de privacidade para poder falar com Dohko ou Aiolia.

Em meio à conversa, o caseiro começou a especular, sem conseguir ser muito discreto.

- Este senhor que está no hospital é alguém especial para você?

- Dohko?

- Sim, o homem com o apêndice explosivo...

Aiolos riu do comentário de Aldebaran. Era impossível não se deixar envolver pelo carisma daquele homem simpático.

- Eu diria que ele não é tão especial quanto gostaria de ser. Já defini que somos apenas amigos...

- Muito bom...

- Por quê? – perguntou o loiro. – Você não conhece Dohko, não é?

- Não, não conheço. Mas sei que não é o homem certo para você. Só um moleirão deixaria o apêndice supurar às vésperas do Natal.

Ambos estavam rindo do comentário maldoso de Aldebaran, quando uma terceira voz soou no aposento.

- Deixe-me adivinhar – falou Shura, aproximando-se da porta. – O incansável Sr. Librian, super-herói dos donzelos ilhados, está mais uma vez brindando os mortais com sua nobre presença. Acertei?

- Essa é boa! – exclamou o caseiro e depois suspirou, meio irritadiço. – Ora, o que quer aqui afinal? Eu e este lindo moço estávamos tendo uma conversa em particular, se não se importa.

- Creio que ele deve estar se sentindo importunado por você, e não por mim – argüiu Shura, pegando uma grande caixa de papelão que estava no chão, ao lado da entrada. – Mas, caso esteja lembrando, foi você quem me instruiu a trazer esta caixa do sótão, e entregá-lo aqui o mais depressa possível. O que há dentro dela? Pesa uma tonelada!

- Eu não lhe falei?

- O que há na caixa, Aldebaran? – indagou Aiolos, vendo que Shura estava prestes a perder a paciência.

- Roupas. Tenho aqui o resultado de uma partida inesperada... Um guarda-roupa completo para nosso adorável visitante.

- Como disse? Roupas para mim? – perguntou o loiro.

- Que roupas são essas, Aldebaran? – perguntou Shura, parecendo tão surpreso quanto Aiolos.

- Use a cabeça, garoto! Não me diga que esqueceu o nosso adorável Ayacos.

O caseiro estava abrindo a caixa e começando a colocar peças e mais peças de roupa sobre a cama, quando Shura soltou uma risada sonora, como se estivesse se recordado de algo.

- Ah, não, Deba... não me diga que são roupas de Ayacos?

- Claro que são! Pense bem, ele era mais ou menos do tamanho do Sr. Sagitálius.

- Ora... – disse o moreno, olhando seu hóspede de cima a baixo, como se o estivesse avaliando. – Eles têm a mesma altura...

- E aproximadamente o mesmo peso também! – salientou Aldebaran.

- Você acha? Só se a distribuição for muito diferente.

- Shura, meu garoto, pare com isso! O fato de o Sr. Sagitálius usar roupas mais discretas, não significa que não possua os mesmos... atributos...

- Esperem um minutinho, senhores – interrompeu Aiolos, enrubescido. – Quem é Ayacos?

- Sinto muito – disse Shura, assumindo uma postura polida. – Ayacos foi um rapaz que ficou hospedado aqui por alguns dias. Ele foi requisitado em outro local com certa urgência, e deixou todos seus pertences para trás. Na época, disse que mandaria o endereço depois, mas nunca mais entrou em contato.

A resposta fazia sentido, mas não justificava todas aquelas risadas.

Aldebaran, que estava encostado à porta, começou a cantar uma música sobre Ayacos, na qual afirmava que ele era um rei de uma tribo no Nepal chamada Magar, muito feroz e sensual...

- Ayacos é um índio Magar? E o que estava fazendo aqui tão longe de casa?

Shura balançou a cabeça em negativa, mas Aldebaran riu alto, fazendo que sim, com um gesto exagerado, ao falar:

- Claro que era. E veio até aqui para conseguir um escapo! O alvo era a bela cabeleira negra do meu grande garoto, mas Shina não estava disposta a permitir que uma beldade índia se apoderasse do marido dela. Lembra-se Shura? – Espalhando as peças de roupa sobre a cama, o grandão nem percebeu que seu patrão havia ficado sério. – Mas como não teve sucesso, nosso caçador saiu à busca de um ricaço... Qual era mesmo o nome dele?

- Radamanthys – respondeu Shura, com a expressão indecifrável. – o nome daquele maluco era Radamanthys. Pelo que me lembro dos jornais da época, eles se casaram e desapareceram.

Aiolos sentiu um aperto no peito. O mero fato de ouvir o nome de Shina fizera com que toda a alegria se esvaísse do rosto de Shura.

Aldebaran, por sua vez, estava entretido, olhando as ultimas peças de roupa no fundo da caixa. Em seguida, começou a retirar os frascos de perfume.

- Shura, meu garoto, é isso mesmo! Se me perguntassem, eu diria que Ayacos deve ter fechado os olhos para aceitar aquele traste inútil como marido. Mas o dinheiro fazia milagres com ele...

Porém, quando o sorridente caseiro ergueu a cabeça para falar com seu patrão, ele já havia desaparecido.

Continua...