Capítulo 3 – Eventualidades
O vôo Seattle-Pensilvânia demorou um pouco e chegou bem tarde, por volta das 3 da manhã. Eu bem que poderia ter esperado e pegar o vôo do dia seguinte, mas a ansiedade me apressava. As aulas só começariam no outro dia então fui para um hotel perto do aeroporto mesmo. Assim que encontrei meu quarto fui para o banheiro tomar um banho e colocar algo confortável, fazia frio, muito frio, tanto quanto em Forks no inverno, por isso não senti tanta diferença. Por incrível que parecesse eu não me sentia cansada, apesar da viagem ter sido longa, eu consegui dormir a maior parte do tempo e preferi dar uma volta. Decidi ver gente nova, novos rostos, novos ares. Coloquei uma roupa que minha mãe me deu um pulôver de lã preto, uma calça social preta, boa cano alto caramelo e um, sobretudo cáqui, um anel de pedrinha azul e um par de argolinhas douradas. Fui para elevador e não vi ninguém no corredor, apertei o botão e fiquei esperando, o que me lembrou que detesto esperar... Enquanto eu cantarolava uma música distraidamente, uma mão me tocou. Dei um salto e me virei pra ver quem era. Era um rapaz alto, devia ter uns 1,90, cabelos loiros, olhos azuis e estava vestindo uma camisa azul clara, um suéter azul marinho com motivos náuticos, uma calça marrom clara e um mocassim preto. Ele me olhou, deu um sorriso e me perguntou:
-Oi! Você tá aqui há muito tempo? Sabe se o elevador vai demorar?
-E isso importa? – respondi
A resposta parecia que o assustou tanto quanto ele me assustou. Então atingi o meu objetivo.
Fiquei ali até que finalmente o elevador desceu e entrei logo e fui pra o canto esquerdo, já que tinha uma senhora com um cachorro no colo, um pinscher que me olhava estranhamente, a senhora estava vestida com um conjunto de lã cor de ameixa e um laçarote cor de rosa na cintura. O 'simpático' rapaz entrou logo em seguida e ficou na minha frente, só que de perfil. Ele também observou o cachorro, mas assim como eu não falou nada. Descemos até o saguão do hotel. Esperei a senhora sair primeiro e logo em seguida deixei a chave na recepção. Quando já estava com a mão na porta de saída levei outra cutucada no ombro, mas dessa vez eu me virei disposta a socar a cara do coleguinha.
-Sem querer ser inconveniente, mas você tá indo pra onde? Eu estou meio sem grana, a gente poderia rachar o taxi...
-Não. Muito obrigada, mas pra onde eu vou tem como ir a pé! –respondi realmente irritada
-Me desculpe. Tudo bem. É... Tchau então.
Ele ficou parado do lado de fora do hotel e eu simplesmente virei as costas e atravessei a rua, desci para a outra esquina. Fiquei meio sem graça de tratá-lo assim. Mas eu não estou nem um pouco a fim de encontrar um cara agora.
Não, não mesmo! Agora eu quero me focar em meus estudos e se der arrumar um trabalho que não prejudique meus estudos. Dei uma volta no quarteirão e fui observando as lojas, as pessoas andando nas ruas até que cheguei a um bar que me pareceu agradável. Entrei e dei uma olhada crítica no local e fui até ao balcão. O garçom chegou e de ofereceu de cara uma água. Recusei e pedi algo leve. Um sex on the beach. Ele me serviu rapidamente. Estava tocando uma música dos Rolling Stones. Ele me olhou e perguntou se eu era nova na cidade. Eu respondi que sim e fui sentar em outro lugar. Estava quase no final do drink quando eu ouvi um barulho estranho. Deixei o dinheiro em cima da mesa e saí apressada. O bar dava fundos para um beco escuro. Quando fui me aproximando devagar pude ouvir uma voz rouca sussurrando:
-Se você gritar, já era!
Outra voz, agora feminina, aprecia responder, mas estava meio abafada. Deduzi que o homem estava tampando sua boca. Não pensei duas vezes. Arranquei minha roupa e me deixei levar pela situação – me transformei –surpreendi o casal. E era justamente o que eu estava imaginado, um sujeito com roupar sujas. Estava passando a mão livre por debaixo da saia que a moça vestia e a outra segurava a boca e uma faca. Fui devagar até estar numa posição favorável e visível e dei um grunhido alto o suficiente para que o homem virar surpreso. Ele apertou a arma e disse:
- Vem cachorrinho!
Dei um salto e parti pra cima dele com todas as forças. Dei uma patada na faca e derrubei – a no chão. Dei uma mordida em seu braço. A mulher nos olhava apavorada. O homem saiu correndo e enquanto corria gritava apavorado. Parei, dei uma olhada pra garota e ela respondeu a olhada. Fez um sinal com a cabeça e disse aos prantos:
- Obrigada.
Virei-me, fui até o começo do beco peguei minhas roupas jogadas no chão com a boca. Escondi-me atrás de uma caçamba de lixo, e rapidamente me destransformei, coloquei a roupa novamente. A roupa estava meio molhada, mas não me importei porque estava feliz. Pude ajudar alguém com o dom que eu já chamara de maldição. A felicidade era tanta que quis voltar para o mesmo bar. Assim que entrei coloquei meu, sobretudo no cabideiro que ficava na entrada. Dirigi-me novamente ao balcão. Pedi outro drink. O garçom me olhou estranho, mas preferiu ficar quieto, peguei meu copo e dessa vez fiquei no final do balcão, as mesas estavam todas ocupadas pelo o que pude notar. E para a minha surpresa quem estava sentado na mesa que ocupei anteriormente era uma pessoa loura que por um acaso me assustou no elevador do hotel. Com tantos lugares nessa cidade, ele tinha que aparecer justamente aqui! Tentei disfarçar, mas ele me encarava de um jeito desconcertante. E eu estava sentindo que não só eu estava notando seu interesse em mim. Estava me deixando sem graça. Olha eu! Desconcertada com o olhar do cara. Isso há uns tempos atrás nem me abalaria, já que eu não estava nem aí para quem quer que seja, a não ser o Sam. Ficava 24horas pensando nele e agora por milésimos de segundos estou aqui, preocupada com as que as pessoas estão pensando. Isso é bom! Sentindo-me viva novamente. Enquanto me auto-ajudava o rapaz desaparecera! Procurei pelo espelho do fundo do bar e notei que ele se fora realmente. Discretamente levantei e na hora em que eu chamei o bar tender pra pagar acertar a conta, senti uma mão ao meu lado. Virei-me rapidamente para ver quem me tocava, percebi pelo cheiro que era o próprio.
- Deixa que essa eu pago. – falou com um sorriso no rosto
- M... Mas não precisa- gaguejei- Eu já estava indo fazer isso... Seu copo ainda está cheio! Não se incomode, não quero te atrapalhar.
- Você não me atrapalha em absolutamente em nada – e depois ele me deu outro olhar que me deixou realmente sem graça.
Quase corei. Balancei a cabeça positivamente e fui em direção a porta. Peguei meu sobretudo. E apesar de estar um tempo abaixo de zero, eu não sentia frio, mas deveria passar pela normalidade. Saí dali com certa pressa, afinal amanhã seria o dia que eu esperava com muita ansiedade. Quando ouvi a sineta do batente da porta atrás de mim, me ajeitei e fui caminhando despreocupadamente. Estava quase na metade do caminho do hotel, quando novamente o rapaz loiro veio ao meu encontro, aquilo já estava meio rotineiro. Assim que ele parou ao meu lado falou:
-Hoje nós estamos nos encontrando praticamente o tempo todo!
-É-respondi monossilabicamente
-No hotel não tive tempo de me apresentar e n bar acho que você quem estava sem tempo... Então creio que agora podemos nos conhecer. – fez uma pausa e estendendo a mão- Prazer eu me chamo Alexander Backer, mas pode me chamar de Alex. E você?
Na hora, juro, pensei em deixá-lo falando sozinho, mas olhei aqueles olhos azuis profundos como o céu numa noite clara de verão e a mão estendida assim como numa súplica. Não tive como í com um pouco de insegurança.
- Meu nome é Leah. Leah Clearwater- disse já apertando a mão dele nervosamente.
-Você veio pra Filadélfia para fazer o quê? – Sendo direto ao ponto
- Vou para a faculdade...
- É mesmo! Que legal! Qual curso?
- Direito.
- Você parece ser bem decidida, acho que vai se dar bem...
- Nossa. Somente com um aperto de mão já pôde definir a minha personalidade? – Questionei com um sorriso nos lábios
- Não é isso – falou com calma – Você me entendeu mal. É que eu estou tentando falar com você desde o hotel e você só se esquivando... Parece que não está a fim de papo... Por isso tive esse pensamento sobre você... Desculpe-me se te ofendi... Não foi essa a minha intenção.
-Não. Tá... Tá tudo bem. Não tem problema. Estou passando uma fase... Digamos... Diferente na minha vida e um namorado não está muito em meus planos. - fui incisiva.
- E a novos amigos? Tem algo contra?
-Claro que não – respondi rindo
Continuamos andando até a porta do hotel. O trajeto foi curto, mas deu pra saber que ele está na cidade a trabalho e que por um acaso ele também é advogado. Chegamos ao hotel e eu entrei peguei a chave do quarto e fui direto para o elevador com Alex sempre ao meu lado. Depois que parei de me esquivar percebi que Alex é um cara bem divertido. Que não tinha o porquê de ficar me afastando dele. Entramos no elevador e logo estávamos em nosso andar, me despedi dele e fui pro meu quarto. Eu não tinha muito tempo. Já que eram quase quatro e meia da manhã e que eu deveria estar no campus no dia seguinte o quanto antes. Aproveitei o banheiro do quarto, entrando naquela enorme banheira. Relaxei com aquele maravilhoso banho e fiquei pensando na noite agitada que houvera tido. Nas coincidências dos encontros com Alex e nesse meu momento fora da La Push. Ainda bem que foram apenas instantes para ver que logo tudo realmente tudo, estaria mudando a minha vida.
