-

-

Ensina-me a Amar

By Palas Lis

-

-


Música – "Fukai Mori", Do As infinity.


-

-

Parte III

-

Rin permanecia deitada no sofá da sala, assistindo filme na televisão. Como Kikyou sugeriu, ela não foi à escola e ficou descansado em casa. Aproveitando que sua irmã foi trabalhar e estava sozinha, comia sorvete ao invés de almoçar e nem levantava da poltrona, ficou deitada a manhã toda e agora ia fazer o mesmo à tarde, pelo menos até Kikyou chegar. Depois que a irmã mais velha chegasse, o sossego acabarei e teria que ficar responde as perguntas preocupadas dela.

Às vezes, Rin achava que sua irmã mais velha a tratava como se fosse um vidro frágil que poderia se quebrar com facilidade. Grande equívoco de Kikyou, pensava Rin. Ela se considerava tudo, menos frágil. Ainda mais quando sua maldição fugia de seu controle. Rin sabia que era capaz de destruir tudo a sua volta com seus poderes. "Como alguém assim pode ser frágil?",a garota se perguntou, não entendendo a proteção excessiva de Kikyou. "A menos que ela esteja protegendo as outras pessoas de mim...".

A campanhia soou e Rin rodou os olhos. Devia ser novamente um vizinho chato querendo cumprimentar e conhecer os novos moradores da casa. Por que todas tinham que ser tão previsíveis? Em todas as cidades que moravam era a mesma coisa estúpida que faziam: preparavam um prato doce e levavam até sua casa com o intuito de conhecer os novos vizinhos. Isso era tão imbecil para Rin. Um costume imbecil e desnecessário. Pra que ela perderia seu tempo conhecendo os vizinhos novos se nunca mais conversaria com eles?

- Não tem ninguém! – ela gritou, aumentando mais o som da televisão e levando uma colherada de sorvete à boca, deliciando-se com o sabor gelado. – Vá embora que a família Nakayama não quer nenhuma visita.

Ela sorriu quando a campanhia parou de apitar e levou mais uma colherada de sorvete de morango à boca, voltando a prestar atenção ao filme de terror que assistia concentrada naquela tarde quente de Primavera. Não precisava de mais nada, tinha tudo o que queria: televisão, sorvete e solidão. Perfeito. Não poderia querer mais nada naquele dia.

Ela deu um sorriso ao ver a cena macabra em um cemitério com muitos fantasmas no filme que via. Gostava tanto de filmes de terror. Era seu gênero preferido e o único que não a fazia sentir nada que pudesse fazer sua telecinesia se manifestar.

- Acho que se queria realmente que alguém acreditasse que a casa estava vazia, devia ter ficado calada e desligado a televisão.

Rin deu um salto no sofá ao ouvir o comentário atrás dela e se virou assustada, conhecendo a voz e pôde ver o invasor dar uma risada trocista para ela. Ela se levantou do sofá e ficou encarando o rapaz, boquiaberta, apontando para ele, surpresa. O que Sesshoumaru estava fazendo ali em sua casa?!

- Como entrou aqui? – Rin perguntou; segurava o pote de sorvete em uma mão e apontava a colher para ele com a outra, como se fosse uma arma preparada para acertar a cabeça dele, enquanto esperava por uma resposta do jovem.

- A porta estava destrancada. – ele falou, simplesmente, dando de ombros.

- E por que está aqui?

- Porque eu quis?

- Não brinque comigo! – ela gritou, balançando a colher para ele.

- Não estou brincando com você, Rin.

- Responda! – ela insistiu, levantando o tom de voz.

- Você é sempre mal-humorada assim?

- Isso não te interessa! – ela falou, sentindo uma incrível vontade de colocá-lo para fora de sua casa a pontapés. – Apenas responda a minha pergunta.

- Queria saber se você tinha melhorado, Rin. – Sesshoumaru falou, suspirando cansado. – Você é realmente muito mal-humorada.

- Estava muito bem... – ela resmungou, acusadoramente. – Até você chegar!

- Que bom. – Sesshoumaru falou, dando a volta no sofá e sentando-se no lugar que antes Rin estava; ele prestou atenção ao filme e reconheceu a cena. – Hum... Esse filme é bom.

- Nani? – Rin piscou duas vezes, vendo-o sentar em seu lugar no sofá. Como ele tinha a audácia de fazer isso? Nem Kikyou sentava no lugar dela! – O que você pensa que está fazendo?

- Sentando? – ele falou, logicamente. – Assistindo o filme?

- Grrrr...

- Venha assistir também. – Sesshoumaru falou, apontando para a televisão com uma mão e a chamando com a outra. – Essa é a melhor parte do filme, Rin.

- Se já viu que estou bem, pode ir embora. – ela falou, bufando. – Quero ver ao filme sozinha!

- Onde está Kikyou-san? – Sesshoumaru perguntou, sem desviar os olhos da tela, ignorando a pergunta da garota.

- Está trabalhando. – ela respondeu e gritou, puxando-o pelo braço, irritada: – Sai do meu lugar!

- Você é igualzinha ao meu irmão Inuyasha. – ele fez uma careta e sentou-se na poltrona ao lado do sofá, vendo-a estreitar os olhos castanhos para ele. – Brigam até mesmo por um lugar no sofá.

- Eu estou em minha casa e no meu lugar no sofá... – Rin falou, deixando o pote de sorvete na mesinha de centro da sala e andando até a porta e abrindo-a. Ela olhou para Sesshoumaru e apontou para fora da casa, praticamente expulsando-o de sua casa. Queria aproveitar o resto do tempo que ficaria sozinha antes que a irmã chegasse e ele aparece para querer atrapalhar seus planos. – E quero que vá embora, Sesshoumaru.

- Hum... Você sabe até meu nome. – ele falou com um sorriso, pegando o pote de sorvete e levando uma colherada à boca, despreocupadamente. – Sabia que morango é meu sabor favorito também?

Rin fechou a porta violentamente e correu até ele, tomando o pote antes que Sesshoumaru desse outra colherada, estreitando os olhos castanhos para ele, muito irritada. Que cara mais intrometido! E Rin que pensou que Sesshoumaru era um rapaz sério e frio. Achava-o estranho, agora o achava totalmente excêntrico. Se ele era assim, não queria nem chegar perto do irmão dele.

- Quem você pensa que é para entrar na minha casa sem pedir permissão, sentar em meu sofá sem pedir permissão e pegar meu sorvete sem permissão, hein?!

- Como você é possessiva. – ele falou em desagrado, fazendo uma careta para ela, podendo quase que ver uma veia ficar saliente na testa dela por baixo da franja negra. – Não sabe dividir as coisas, não?

Ele riu quando escutou Rin rosnar para ele, igualzinho a Inuyasha. Os dois eram muito mais parecidos do que ele imaginou. E como Sesshoumaru gostava de pessoas mal-humoradas como a menina a Rin e seu irmão. Era muito divertido irritá-los e Sesshoumaru não perdia uma oportunidade de fazê-lo. Era um prazer quase que mórbido que sentia em provocá-los.

- Não, não sei, não! – ela respondeu, sentando-se no sofá, olhando para Sesshoumaru ameaçadoramente como que com seu olhar pudesse afugentá-lo. – E por que você ainda não foi embora, hein?

- Ora, estou te fazendo companhia. – ele respondeu, calmamente, voltando os olhos para a televisão e prestando atenção ao filme.

- Eu não gosto de companhia... Muito menos da sua companhia! – ela falou entre dentes. – Prefiro ficar sozinha!

- Devia sentir-se honrada em ter minha companhia. – Sesshoumaru deu um sorriso para Rin.

- Oh! – Rin exclamou, levanto a mão à boca, falando com sarcasmo: – Como estou alegre e contente com sua maravilhosa companhia... – ela rodou os olhos, impaciente. – Estou ficando até com falta de ar.

- Rin... – ele começou após alguns segundos em silêncio, virando o rosto para olhá-la, fingindo não reparar o olhar invocado dela. – Não vai me dar um pouco de seu sorvete?

- Iie! – Rin gritou, abraçando mais pote grande de sorvete que segurava, na intenção de protegê-lo de Sesshoumaru. Além de entrar em sua casa e sentar em seu sofá, ele ainda queria seu sorvete. Isso era demais para ela! – Quero que vá embora agora da minha casa e...

- Rin-chan, cheguei!

Os dois olharam para a porta quando ouviram a voz feminina e viram a mulher se aproximar do sofá com um sorriso feliz em ver a irmã acompanhada. Era uma coisa tão rara que Kikyou até surpreendeu-se ao ver Sesshoumaru sentado na poltrona perto de Rin. O que será que tinha acontecido para Rin estar na perto de outra pessoa? Sesshoumaru devia ser muito resistente. Agüentar a menina de olhos castanhos quando ela queria ficar sozinha era algo muito difícil, ainda mais que ela ficava extremamente irônica e arrogante.

- Konnichiwa, Sesshoumaru-sama. – ela sorriu para ele, cumprimentando com uma reverência e ele apenas sorriu cordialmente, fazendo um aceno com a cabeça.

- Que bom que chegou, Kikyou... – Rin falou, levantando-se do sofá e aproximando-se da irmã. – Você poderia...

- O que é isso em sua mão, Rin? – Kikyou perguntou interrompendo a irmã, apontando para o pote de sorvete que estava com a menina, arqueada uma sobrancelha ao vê-la dar um sorriso amarelo.

- Sorvete? – ela perguntou simplesmente, dando um sorriso sem graça ao ver a irmã levar uma mão à cintura e com a outra pedir o pote. – Demo, Kikyou...

- Agora, Rin. – Kikyou falou no modo imperativo, pegando o sorvete e vendo a irmã fechar o semblante e cruzando os braços, fazendo birra como uma criança mimada, batendo até o pé no chão. A mais velha respirou fundo, ignorando o ato infantil da irmã. – Ontem mesmo você estava passando mal, Rin.

- Demo...

- Será que não posso deixá-la um pouco sozinha que você começa a aprontar? – Kikyou falou, como se estivesse lidando com uma criança de cinco anos que estava fazendo arte e não obedecia aos pais.

- Eu não...

- E aposto que nem almoçou para ficar tomando sorvete. – Kikyou falou ao deixar a bolsa que estava em seu ombro no sofá e caminhar para a cozinha, sendo seguida por Rin. – Quer desmaiar de novo, menina?

- Eu estou bem, Kikyou! – ela respondeu, vendo a irmã abrir a geladeira e guardar o sorvete. – E pare de me tratar como se eu fosse uma criança.

- Você age como uma criança, Rin. – Kikyou respondeu, ouvindo Rin bufar. – Quer que eu a trate como?

- Kikyou tem razão, Rin. – Sesshoumaru falou, parado na porta da cozinha, fazendo as duas olharem para ele. – Você...

- Fique calado que ninguém pediu sua opinião, baka. – ela respondeu rudemente, desviando os olhos dele, sem voltar a olhar para trás.

- Rin! – Kikyou chamou a atenção dela, envergonhada com a falta de educação da irmã. – Seja educada com Sesshoumaru-sama. Ele é nossa visita.

- Ele não é visita! – Rin falou, estreitando os olhos quando ele deu um sorriso mordaz para ela. Que cara mais implicante! – É um intruso!

- Rin, onegai... – Kikyou pediu, tentando manter a calma com a irmã, mas estava ficando difícil. Agia novamente com arrogância e isso era desgastante demais para Kikyou que tinha que se esforçar em dobro para não perder a paciência.

- Não tem problema, Kikyou. – Sesshoumaru falou, sem se importar com as maneira hostil de Rin. – Eu estou indo embora.

- Já vai tarde. – Rin falou, dando de ombros quando Kikyou lançou um olhar de reprovação para ela. – É verdade. Ele ficou aqui tempo demais.

- Sesshoumaru-sama, fique para o jantar. – Kikyou pediu, fazendo uma leve reverência para ele. Sesshoumaru parou e olhou para ela, fazendo Rin arregalar os olhos em insatisfação. – É uma forma de te agradecer por ter ajudado Rin-chan ontem.

- Claro que aceito. – Sesshoumaru sorriu para Rin que rangeu os dentes para ele; o rapaz completou com ironia: – Sua irmã é tão encantadoramente educada que não conseguiria recusar seu convite.

- Baka! – ele leu nos lábios de Rin um xingo e deu outro sorriso.

- Tenho certeza que será muitíssimo agradável passar mais algum tempo com a gentil Rin. – ele falou, sem esconder o tom cínico em sua voz.

Ele voltou a sentar para assistir ao filme, olhando de esguelha para Rin que se sentou em seu lugar no sofá e estava fazendo o possível para ignorá-lo. Como Sesshoumaru estava gostando de provocar a garota. Estava se tornando cada vez mais engraçado vê-la agir daquela maneira cortês com ele. Chegava a ser mais divertido do que implicar com Inuyasha.

"Acabou meu dia perfeito...", Rin suspirou desanimada, deitando as costas no encosto do sofá. Ela encolheu os ombros e puxou uma almoçada para o colo, desapontada em agora, além de ter a companhia da irmã para tratá-la como uma criança, ainda teria que agüentar Sesshoumaru e sua desprazível companhia. "Acabou tudo...".

-o-o-o-

Sesshoumaru levantou os olhos do prato e olhou para a garota morena a sua frente, esboçando um pequeno sorriso ao vê-la de cara fechada. Ele voltou a comer, ouvindo Rin bufar pela vigésima vez só durante o jantar. Ela estava irritada com ele novamente. Tudo que Sesshoumaru dizia, fazia-a murmurar ofensas ao rapaz. Quer dizer, não precisava ele falar nada. Até mesmo a respiração dele a irritava.

Ele não desviou os olhos dos dela, perdendo-se na imensidão castanha e vibrante deles, mas Rin não fez como no dia que o viu pela primeira vez no colégio. Dessa vez, ela não desviou os olhos. Sustentava o olhar, encarando os olhos dourados dele. Sesshoumaru achava a jovem muito bonita, apesar de fazer de tudo para se afastar das outras pessoas, como Kikyou lhe contara no dia anterior e ele próprio percebeu.

- Não vai comer, Rin? – Kikyou perguntou, olhando a irmã que estava de braços cruzados e permaneceu a refeição toda olhando para Sesshoumaru com o rosto muito emburrado. – Nem tocou na comida.

- Depois que ele for embora, eu como. – Rin falou sem tirar os olhos castanhos da direção de Sesshoumaru. – Sabe que não gosto de companhia, Kikyou. Então por que pediu que ele ficasse?

- Como sei que não o agradeceu por tê-la ajudado, estou tentando agradecer por você. – Kikyou largou os talheres sobre a mesa e olhou para a irmã, levemente irritada. Estava começando a perder a paciência com o jeito caprichoso de Rin.

- Eu não pedi para ele me ajudar – ela falou. – E não pedi para você agradecer por mim.

- Você poderia ao menos fingir que é educada.

- E você poderia fingir que eu não existo e voltar a comer.

- Rin, eu não vou falar de novo sobre esse seu comportamento. – Kikyou falou, disfarçando que ficou magoada com as palavras ferinas dela, apertando com força o guardanapo na mão.

- Seria muito bom. – Rin sorriu forçosamente para falar e voltou a ficar séria. – Eu não agüento mais ouvi-la falar a mesma coisa.

Kikyou respirou fundo, contando até dez mentalmente. Rin era tão difícil de se lidar. Quando estavam apenas as duas, a irmã caçula era... Digamos que doce e meiga – do seu jeito, claro –, apesar de sempre manter a aparência impassível.

Contudo, Rin ficava insuportavelmente irritante quando tinha outra pessoa com ela. Tinha sempre uma resposta grossa na ponta da língua e não escondia que estava insatisfeita com a companhia. Muitas vezes não escondia nem que se incomodava com a presença de Kikyou.

- Não seja tão antipática, Rin-chan. – Kikyou falou calmamente, passando a mão pelo longo cabelo num gesto de nervosismo. – Vai acabar assustando Sesshoumaru-sama.

- Acho que não. – Rin deu um sorriso no canto dos lábios. – Estou tentando assustá-lo desde que ele chegou e ainda não obtive sucesso.

- Fico feliz em saber que sou inabalável a você, Rin. – Sesshoumaru falou, terminando de comer e se virou para Kikyou. – Arigatou gozaimasu pelo jantar, Kikyou-san.

- Arigatou gozaimasu pelo jantar, Kikyou-san. – Rin o remedou fazendo caretas e Sesshoumaru riu do ato imaturo dela. – Imbecil!

A irmã de Rin suspirou cansada e pensou em repreendê-la de novo, mas desistiu da idéia. Era cansativo chamar a atenção de Rin e ela nem se importar. Kikyou se levantou e olhou para o prato com comida da irmã caçula. Rin não tinha sequer descruzados os braços durante o jantar para comer.

- Não vai comer, Rin?

- Eu já falei que não.

- Então não vai tomar sorvete.

- Não tem problema, já acabei com metade do pote mesmo.

- Tudo bem, Rin-chan. – Kikyou falou, desapontada com a maneira que Rin tratava. Kikyou pegou os pratos e seguiu para a cozinha, desanimada, sob os olhos da irmã.

Rin olhou a irmã entrar na cozinha e descruzou os braços, com pena da maneira que a tinha tratado. Kikyou não tinha feito nada e estava descontando sua frustração nela. Ela baixou os olhos ainda olhando para a entrada da cozinha por onde Kikyou tinha passado há poucos segundos antes, apertando a mão no vestido preto que ela usava naquele dia, sentindo o pano macio entre os dedos.

- Não devia tratar Kikyou-san assim. – Sesshoumaru ponderou. – Ela se preocupa com você.

- A culpa de eu tê-la tratado assim é sua, Sesshoumaru! – Rin levantou-se e ficou encarando o rapaz, esperando algum tipo de reação dele. – Se tivesse ido embora nada disso teria acontecido!

- Certo, Rin. – Sesshoumaru deu uma risada, para a surpresa dela que não esperava por essa reação. Ele se levantou e passou direto pela garota, para chegar à cozinha. – Ja ne, Kikyou-san. Tenho que ir embora.

- Ja ne, Sesshoumaru-sama. – ela se virou para ele da cadeira que estava sentada na cozinha, voltando depois a baixar os olhos. – Volte quando quiser.

- Não volte, não! – Rin gritou da sala de jantar.

- Rin-chan, acompanhe Sesshoumaru-sama a porta, onegai. – Kikyou pediu e Rin notou o tom triste da voz dela.

- Com muito prazer.

Rin foi a passos rápido até a saída, abrindo a porta e apontando para fora. Sesshoumaru saiu da casa da família Nakayama e se virou para falar com a menina, mas antes que abrisse a boa para pronunciar alguma palavra, ela fechou a porta em sua cara, ouvindo um "sayonara trouxa" dela.

Ele balançou a cabeça para os lados, colocou as mãos nos bolsos das calças e caminhou lentamente para sua casa. "Ela é realmente igual ao Inuyasha", ele pensou, suspirando de maneira cansada.

- Depois de ter que agüentá-lo quase que a tarde toda, finalmente teria um pouco de paz. – Rin sorriu, virando-se para poder ir sentar-se no sofá e quem sabe conseguir assistir algum outro filme. Se bem que achava quase impossível. Certamente Kikyou iria querer conversar sobre o que aconteceu desde que chegou em casa.

- Por que faz isso, Rin? – Kikyou falou, parada na entrada da sala, olhando para a irmã, tristemente.

- Isso o quê? – Rin perguntou, fazendo-se de desentendida, dando um sorriso internamente por saber que a irmã iria perguntar.

- Tratar as pessoas assim... – Kikyou se aproximou da irmã e Rin levantou os olhos para olhar a mulher que tinha uma estatura maior que a dela. Ela colocou as mãos nos ombros de Rin e a chacoalhando levemente. – Por que é sempre tão rude?

- Ah, Kikyou... – Rin fez um gesto de impaciência com a mão, tirando as mãos dela de seu ombro e passou pela irmã para poder ir ao sofá. – Ele é muito intrometido! Eu nem o convidei entrar e...

- Iie, Rin-chan. – Kikyou a segurou antes que ela se afastasse e Rin olhou a mão dela apertando seu braço. – Você trata assim a todo mundo, não é apenas a Sesshoumaru... – ela deu uma pausa antes de continuar a falar. – Até a mim...

- Não faça drama, Kikyou. – Rin falou friamente, tentando tirar o braço da mão da mulher. – Não é necessário tudo isso.

- Não vê que me magoa? – Kikyou levantou um pouco a voz que geralmente tinha um tom calmo e baixo, mas mesmo assim suas palavras saíram melancólicas. – Rin... Você é tudo o que tenho... Tudo!

- Kikyou, eu...

- Eu não gosto quando me trata assim. – Kikyou murmurou, encarando a irmã. – Porque você é tudo o que me resta.

Rin sentiu a irmã aperta mais seu braço e puxou-o antes que Kikyou a machucasse, baixando os olhos e percebeu que a mulher a sua frente tremia. Rin levantou os olhos ao ouvir um suspiro da irmã e viu lágrimas nos cantos dos olhos dela. Kikyou devia estar muito magoada para estar chorando. Não era uma coisa muito comum ver a Nakayama mais velha chorar.

- Você por acaso sabe como me sinto quando me trata assim, Rin? – Kikyou disse, visivelmente alterada.

- Nani?

- Dói, Rin... – ela falou e levou a mão ao peito na direção do coração. – Dói muito ser tratada assim por você.

- Eu...

- Eu me sinto assim, Rin. – Kikyou falou, deixando mais lágrimas escorregarem por seu rosto delicado. – Mas você se fechou em seu mundinho que não consegue perceber como me sinto.

- Como você se sente!? – Rin repetiu, quase gritando com a irmã. – Pelo menos você pode sentir alguma coisa!

- Rin... – Kikyou deu um passo para trás, encostando a costa na parede, assustada com a maneira que a irmã falara com ela. As palavras dela saíram tão fúnebre que Kikyou sentiu um aperto no coração tão forte que quase ficou sem ar, sua respiração chegou a ficar ofegante.

- Você não tem uma droga de maldição que a impede de ter sentimentos! – Rin gritou, vendo a irmã encolher-se e lágrimas rolarem por seu rosto pálido. Ela sentiu seu coração apertado do peito ao ver as lágrimas de Kikyou e respirou fundo. Não poderia ficar triste, tinha que se manter neutra.

- Seu poder não é uma maldição, é um dom! – Kikyou falou.

- Que "dom" maravilhoso que eu tenho que me impede de poder ter emoções – Rin disse, sarcástica. – É o presente que toda criança quer ganhar ao nascer.

- Rin, você só precisa aprender a controlá-los.

- Poupe-me dessa conversa fiada, Kikyou. – Rin falou com desprezo. – Desde que esse dom apareceu, eu não sei mais o que é viver. Eu apenas existo.

- Não diga isso, Rin. Não diga isso, onegai... – Kikyou falou, limpando as lágrimas de seu rosto. – Você tem uma vida. Temos uma vida juntas!

- E desde quando não poder sentir é viver? – Rin perguntou.

- Mas eu posso te ajudar, Rin. – Kikyou tentou falar. – Posso ajudá-la!

- Não, você não pode! – Rin gritou novamente.

- Se me desse uma chance... – Kikyou tentou tocar em Rin que se afastou, como se o toque de Kikyou fosse fazer seus poderes aflorarem. – Eu tenho certeza que posso te ajudar...

- Você não pode me ajudar... Ninguém pode! – Rin falou com voz embargada, sentindo que estava começando a se exaltar e tornou a respirar fundo.

- Minha irmã, eu...

- Acho que gosto de tratar as pessoas com brutalidade? – Rin perguntou, vendo Kikyou se calar para ouvi-la. – Acha que gosto de me afastar até de mesmo de você, Kikyou?

- Rin...

- Pois eu não gosto! – ela levantou o tom de voz, apesar de falar calmamente, fechando a mão em punho, sentindo as unhas machucarem a palma. – Não gosto de ter que xingar as pessoas para elas não se aproximarem de mim. Não gosto de fugir das pessoas e não gosto de vê-la sofrer por minha causa...

- Então por que age assim? Por quê, Rin?

- Se as pessoas se aproximarem de mim eu posso machucá-las. – Rin falou num fio de voz. – E para evitar que as pessoas descubram meu maravilhoso dom... Não quero mais ser chamada de aberração, monstro ou anormal.

Rin engoliu as suas últimas palavras a seco, fechando o mais que pôde a mão em punho. Aquelas palavras ecoavam em sua cabeça ao se lembrar delas sendo gritadas contra sua pessoa. Não queria mais lembrar que um dia fora tratada de nomes desse tipo. Ela sofria muito com tudo isso, mas não podia demonstrar todas essa dor. Tinha que agüentar... Sozinha.

- Eu sei que não quer. Não estou pedindo isso a você, Rin. – Kikyou respirou fundo, tentando conversar com a irmã. – Eu mesmo disse para não deixar que as outras pessoas descubram, mas me deixe ajudá-la...

- Eu estou condenada a viver para sempre sozinha... – Rin falou com um sorriso fraco, fazendo Kikyou estremecer mediantes tais palavras. – Condenada a viver até mesmo afastada de você.

- Eu estou com você, Rin! – Kikyou falou entre soluços.

- Eu sei que está comigo. – Rin falou, abrindo a mão e sentindo a palma dolorida de tanta pressão que colocou para ficar calma. – Mas até quando vou poder livrá-la de meu dom?

- Isso não me importa, Rin!

- Não importa até eu machucá-la... Novamente.

- Eu nunca vou te deixar... Nunca vou te abandonar... Eu te amo e vou sempre estar ao seu lado!

- Por isso mesmo que te trato assim, Kikyou... – Rin deu um meio sorriso, vendo novamente lágrimas nos olhos da irmã e desviou os olhos dela. Como era difícil ver a irmã que sempre era tão forte e corajosa ficar abalada por sua causa. – Para quem sabe você me deixar.

- Não, eu... – Kikyou falou, afastando-se de Rin, parando somente ao sentir a parede fria a suas costa e escorregou o corpo até sentar-se no chão, cobrindo o rosto para chorar. Ela se sentia de certa forma culpada por todo o sofrimento da irmã. "Se eu pudesse ajudá-la... Ela não precisaria passar por tudo isso sozinha".

- E sabe o pior, Kikyou? – Rin falou olhando para a irmã, da mesma maneira impassível, retomando o controle de si e percebendo que seu poder telecinético não se revelaria.

Rin parou um pouco de falar, pensando se continuaria ou não a falar tudo o que passava em seu coração para a irmã. Não queria magoá-la, mas precisava falar. Era muita angústia e ansiedade acumulada, e precisava tirar um pouco para não implodir. Após alguns segundo em silêncio, decidiu o que falaria. Kikyou sempre quis saber por tudo o que ela passava, então ela saberia.

- Eu não posso nem chorar... Tenho que ser forte mesmo quando estou fraca. – Rin falou, o tom de voz ficando cada vez mais baixo, até sua voz ficar apenas um sussurro. – Não tenho nem esperança de um dia ser poder ter um sentimento...

Kikyou encolheu-se o mais que pôde no lugar que estava, ouvindo passos da irmã se afastar e subir os degraus que levavam para o segundo andar da casa correndo. Ela abraçou as próprias pernas, afundando o rosto banhado em lágrimas nos joelhos, sentindo-se deprimida por tudo o que ouviu. Sentia uma imensa tristeza ao pensar em tudo o que Rin tinha que suportar.

A mulher nunca soube como Rin se sentia, sequer poderia imaginar que seria tão vazia a vida da irmã. Achava apenas que ela era muito introvertida por medo de seus poderes, mas nunca acho que a vida fosse um fardo para ela.

Era a primeira vez que a mais nova contava tudo o que se passava dentro de sua mente e isso abalou Kikyou. Fazia-a se sentir impotente sem poder ajudar a única pessoa que amava. "Rin, minha pequena irmã, eu não sabia que se sentia assim...", ela suspirou pesadamente, sem conseguir controlar as lágrimas. "Você não pode nem chorar...".

Rin subiu os degraus de sua casa correndo, entrou no seu quarto e trancou a porta, encostando-se a ela. Ela baixou a cabeça e sua franja cobriu seus olhos, que estavam marejados em lágrimas. Sabendo o que aconteceria se chorasse, ela esfregou os olhos com força, inibindo qualquer possibilidade de ficar triste e caminhou para sua cama lentamente.

A menina se jogou de costa na cama e puxou o travesseiro para cobrir o rosto. Ela se sentia mal pelas palavras duras que havia dito a irmã mais velha. Kikyou não merecia ser tratada daquela maneira. Sempre foi tão carinhosa com ela e era desse jeito estúpido que agradecia. Bela maneira de demonstrar gratidão.

Chegava se sentir uma ingrata com a irmã, mas mesmo assim achava que era a melhor opção. Talvez sua única opção. "Prefiro que Kikyou me odeie a eu machucá-la...".

- É melhor assim... – Rin balbucio para si mesma, sufocando sua voz com o travesseiro, abraçando-o com mais força. – Não posso controlar meus poderes, mas posso controlar meus sentimentos...

-

-


Notas da Autora – Olá, minna-san! Dessa vez nem demorei muito, né? Bem... Talvez um pouquinho. ¬¬ O capítulo já estava pronto há dias, mas minha terrível mania de perfeição não me permitiu postar antes de tentar deixá-lo melhor. nn"

Espero que gostem desse capítulo, ele será essencial para a continuidade da fic. Acho que agora as coisas vão começar a acontecer, finalmente. /o/

Fiquei muito feliz com os reviews que recebi! É tão gratificante saber que estão gostando. Eu nem sei como agradecer a vocês pelos comentários... Só posso dizer: "Domo arigatou gozaimasu, minna-san!". :-D

Shampoo-chan – Olá, garota! Que bom que gostou do capítulo, espero que goste desse também e muito obrigada por comentar, sua opinião é muito importante para mim. Hum... Muito obrigada por recomendar minha fanfic, eu só vi depois que uma garota me disse que tinha vindo ver minha fic porque viu no seu profile. Beijinhos.

Kagome-chn LP – Oie! Eu também amo Rin/Sesshy e que bom está gostando a Kikyou na minha fic. Sim, a Rin é solitária, mas quem sabe alguém comece a mudar isso e.. Er.. Surpresa! Muito obrigada por comentar minha fic. Beijos.

Layla Hamilton – Oi-E! Eu acho que não ainda não a deixei morrer de curiosidades, né? Rs.. Rs.. Postei mais rápido dessa vez, não achou? Obrigada pelo review. Beijos.

Lari-chan – Olá! Eu realmente gosto de temas diversificados, procuro sempre estar escrevendo com algo diferente. Quanto ao Sesshy saber sobre paranormalidade você só vai descobrir mais pra frente, certo? Você está a cinco meses sem atualizar sua fic?! Nossa! Tenho pena de seus leitores. XDDD Obrigada por comentar esse capítulo. Beijinhos.

Kirisu-chan – Olá! Eu estou amando essa Rin, fico feliz que também tenha gostado. E dessa vez eu não demorei a postar, né? Pelo menos não muito. T-T Obrigada pelo review. Beijos.

Evil Motoko – Oie... Que bom que está gostando da minha fic! Fico muito contente em saber isso. E sua ansiedade acabou, aqui está o capítulo 3. /o/ Obrigada por comentar. Beijinhos.

Ayame-chan – Oi! Rin e Sesshy também são um dos meus casais favoritos. Eles ficam tão fofo juntos, não acha? Dessa vez não demorei, então acho que fiz uma leitora feliz. XD Obrigada por comentar. Beijos.

Jenny-Ci – Olá! Apesar de ser um pouco diferente para mim, já que é minha primeira fanfic de Rin/Sesshy, estou amando escrever com os dois. Obrigada pelo elogio e por comentar. Ah, e já agradeci a Shampoo-chan por recomendar minha fic. Rs.. Beijos.

Jéssy Helsing – Olá! Acho minha fic criativa? Que bom! Eu queria fazer algo diferente e então resolve escrever com esse tema já que não o tinha visto em nenhuma outra história. Ah! Rin e Sesshy também são um de meus casais favoritos. Obrigada pelo review. Beijos.

Soi – Olá! Que bom que está gostando! E é claro que respondo suas perguntinhas. 1) Pretendo, mas não prometo. 2) Não gosto desse tipo de texto, então não terá. Sorry! 3) Ototo-kun quer dizer irmão mais novo. 4) Kisus no Lis quer dizer Beijos da Lis. 5) Para cadastra que te ir à barra azul do site e entrar no Register, depois é só seguir com seus dados. Qualquer coisa me passa seu e-mail que eu te explicou melhor, ok? 6) Não, não estou te xingando muito. XDDD Obrigada por comentar. Beijos.

Kagome Shinomori – Olá! Novamente tenho que agradecer a Shampoo-chan por recomendar minha fic. Que bom que está gostando e obrigada pelos elogios. Fico muito feliz em saber que está gostando. E eu também amo Rin/Sesshy, eles são perfeitos juntos. Beijos.

Até o próximo capítulo... o/

Kisus no Lis-sama
Ja ne