Sala 213. Capítulo 3 – Blaise Zabini
- Mais um saudável café da manhã! – Sorri, tirando meu cantil das vestes, destampando-o, e jogando o liquído transparente dentro do meu copo de limonada. – Aceita, Draco?
Ele se virou para mim, analisando-me por alguns segundos antes de abrir um sorriso divertido, que eu não costumava muito ver. Depois, negou com a cabeça, pegando meu copo de suco e cheirando o conteúdo.
- Vodka, a sério? – Ele debochou. Eu apenas dei de ombros e tirei o copo da mão dele, dando uma longa golada. Quando terminei não pude reprimir um 'Ah!' de satisfação.
- Nada como um pouco de animação logo de manhã, certo Draquinho?
Ele revirou os olhos e o sorriso sumiu de seu rosto ao ouvir o apelido carinhoso que eu lhe havia dado. Então, voltou a se concentrar em seu próprio café.
Virei minha cabeça para o lado, apenas observando as pessoas pelo salão comunal. Ali, bem perto da gente, Dana Lutterback me fitava com seus olhos felinos. Aquele sorriso de lado, típico. Eu sabia que ela tinha visto que eu acabara de batizar minha limonada. Ela apenas ergueu as sobrancelhas sensualmente e levantou o copo na minha direção, brindando silenciosamente. Retribuí o gesto e dei outra golada na minha bebida, enquanto ela fazia o mesmo.
Ela era linda. E era bem estranha também. Do tipo caladona, dessas que falam só quando realmente acham necessário. Sempre em todas as festas da Sonserina, fumando seus cigarros trouxas e ganhando dinheiro no poker. Ela era indecifrável, uma boa jogadora. Me lembrava Draco em muitos aspectos.
Ultimamente sempre andava por aí com umas garotas diferentes. Victória eu já conhecia, muito bem por sinal... Aquela branquinha da Lufa-Lufa, nunca tinha visto na vida, mas era linda. Me pareceu bem tímida, mais na dela... Luna Lovegood, claro, todos sabíamos quem era. Do nada ela apareceu andando por aí, toda diferente e gata, apesar de continuar esquisita. E então, começou a andar com Dana, o que era uma surpresa, já que as duas pareciam ser de planetas opostos. E também tinha a Weasley caçula, amiga da Lovegood. Dana parecia ter realmente se apegado a ela, levando-a para todos os lados. A garota, que sempre foi caladinha e invisível agora parecia forte, imponente, tinha fogo no olhar. As únicas vezes em que eu havia visto esse lado dela era durante discussões com Draco, quando ela completamente estourava. Grifinórios, sempre defendendo sua raçinha, não conseguiam ficar calados durante as provocações, o que deixava aquilo ainda mais divertido.
Era um grupo de amigas bem interessante, e nada habitual. Uma mais pirada que a outra, é o que eu acho. Mas eu gostava de analisá-las, tentando entender o que as unia.
Não dava pra esquecer, também, o acontecimento de alguns dias atrás. Draco e a Weasley caçula, quase se comendo com os olhos nas masmorras, bem na frente de todas as pessoas importantes de Hogwarts.
- Que merda de ceninha foi aquela com a Weasley, afinal? – Perguntei, enquanto íamos em direção as masmorras para aula de poção, em passos lentos e arrastados.
Draco deu de ombros antes de me responder.
- Pansy veio falar comigo algo sobre ela. – Disse apenas, me deixando ainda mais instigado.
- Posso saber o quê? – Arregalei os olhos pra ele, irritado por ele achar que eu me daria de satisfeito apenas por aquilo.
- Disse que ela estava gostando de mim, ou algo do gênero. – Eu uni as sobrancelhas, confuso – Resolvi ir lá tirar a prova.
- Chegou a alguma conclusão?
- Não. – Respondeu simplesmente, parecendo parar alguns segundos para medir as palavras antes de continuar – Na verdade eu não duvido nada, já que eu sou tão irresistível. – revirei os olhos.
- Vai acabar se intoxicando, Draco. – Sorri, malicioso – É uma Weasley, traidora do sangue, amiguinha do trio herói feliz.
- Verdade, ela é nojenta. – Concordou o loiro, sem realmente prestar muita atenção.
- É só uma pobretona, meu caro Draco. – continuei – Apesar de estar bem bonita ultimamente, não acha?
Eu queria brincar com a mente dele, admito. Draco geralmente não caía nas minhas pegadinhas, mas eu não poderia resistir. Ia ser a coisa mais engraçada do mundo se ele realmente considerasse se aproximar de qualquer forma da Weasley, e eu pagaria pra ver isso. Beijos ou brigas, de qualquer forma seria interessante.
- Talvez – Ele deu de ombros, distante. Sua mente parecia estar longe daquela nossa conversa. – Não reparo nela, Blaise, não sei bem do que você está falando.
- O quê? – Eu segurei seu braço, o fazendo parar de andar e olhar para mim, trazendo sua mente do lugar distante onde ela deveria estar naquele momento – Você deve estar louco, ela está absolutamente magnífica. Um tipo de beleza que não dá pra ser ignorada, Draco, falo sério. – Ele pareceu considerar aquilo por um instante – Mas, afinal, é só uma amante de trouxas, certo?
- Certo – Respondeu, ainda pensativo, puxando seu braço e continuando a andar.
O plano era esse. Jogar ele de um lado para o outro, confundindo sua mente. Em um segundo eu dizia que era absurdo eles dois juntos, e no segundo seguinte argumentava como ela era tão linda e maravilhosa. Eu realmente achava a Wesley bonita, mesmo quando era mais nova. Sempre fui um grande apreciador da beleza feminina, e a dela era rara.
- Mesmo assim... Eu não renegaria uma mulher daquele calibre! – Disse, cheio de malícia, na tentativa de provoca-lo – Você sabe, só pra brincar um pouco. Não faria mal algum.
Draco já parecia nem estar me ouvindo mais. Ele apenas bufava, provavelmente irritado com a minha falação na orelha dele. Já tinha desistido de me mandar calar a algum tempo. Eu não sou do tipo que acata ordens, como Crabbe e Goyle. E eu sabia exatamente como captar sua atenção.
- Além do mais, meu querido amigo, a pequena Weasley vem até com um bônus! – eu ri, fazendo uma pausa dramática. – Irritar o Potter, é claro. – Draco reagiu, mirando-me de canto de olho - A ideia de tomar algo que é conhecidamente dele por toda Hogwarts é bem interessante... – O loiro continuou calado, mas parecia bem atento a mim agora. – Se você não a quiser, eu quero! Não dá pra perder uma chance dessas. O irmão dela ia ficar uma fera!
Chegamos nas masmorras e nos sentamos. Ainda estava meio cedo, e Snape não havia chegado. Resolvi continuar provocando-o com aquilo. Sabia que estava perto de fazê-lo ceder.
- Mas se bem que... Não acho que você seria capaz. A ruivinha é bem temperamental, e tenho certeza que Pansy é completamente maluca obsessiva por você e tem algum outro motivo pra falar algo assim da Weasley. Conhecendo bem ela, como você conhece, ela provavelmente está tentando sabotar a Weasley de alguma forma. – Eu ri – Pansy ia ficar maluca, imagina! Ser trocada por uma Weasley? Isso eu pagaria pra ver...
O silêncio se instalou por alguns instantes, mas não durou tempo demais, para minha profunda satisfação.
- Se eu quisesse ficar com a Weasley, tenho certeza que conseguiria. – Ele finalmente falou, e eu ri. Havia o deixado bem onde eu queria, implantado a dúvida na cabeça dele. Por dentro, já estava comemorando. Havia, com certeza, conseguido o que eu queria.
- Não sei não, viu? A personalidade dela é bem forte...
- Blaise, você se lembra com quem está falando? – Ele sorriu com escárnio – Seria ridiculamente fácil.
Soltei uma risada alta, satisfeitíssimo, sem querer chamando a atenção dos outros alunos pra mim.
- Não mesmo!
- Eu sou Draco Malfoy, seu imbecil! E eu posso ter a garota que eu quiser nessa escola.
- E ela é apaixonada por Harry Potter desde que nasceu! – Argumentei, só para irritá-lo mesmo. Era sempre divertido ver Draco perder a compostura habitual.
- Você quer apostar, então?! – Ele quase gritou, batendo o punho na mesa.
Meus olhos brilharam em sua direção.
- Você não vai conseguir – provoquei.
- Se eu ganhar você vai ter que pegar a Lovegood. – Ele ergueu as sobrancelhas, me desafiando – Não vou passar vergonha na frente dos outros sonserinos sozinho.
- E se eu ganhar? – Ergui as sobrancelhas. – E se você não conseguir absolutamente nada com a Weasleyzinha? - Ele apenas revirou os olhos mais uma vez, visívelmente irritado.
- Escolhe qualquer coisa que quiser. – Draco disse, e percebendo que Snape entrou na masmorra, abaixou o tom de voz – Você não vai ganhar.
Sorri, triunfante. Pegar Lovegood seria um preço muito pequeno a se pagar.
Fiquei pensando sobre isso durante aquela aula. Essa aposta causaria discórdias, com certeza. Pansy ia surtar, pra começar, e Ronald Weasley ficaria muito, muito puto. Duas coisas muito divertidas de se assistir. Harry Potter finalmente perderia para Draco, que teria seu orgulho recuperado, pelo menos em parte.
E, claro, não poderíamos esquecer da anti-princesa da Sonserina. Dana não deixaria barato. Podia ficar o quão amiguinha da Weasley quisesse, era óbvio que ela era maluca por Draco. Não dava pra entender como ninguém parecia nem desconfiar da paixonite dela. Mas se tem uma coisa da qual eu realmente entendia no mundo, eram as mulheres! Empatadas em primeiríssimo lugar com o álcool, claro.
É assim que se vê a vida, com 17 anos. Pra mim, festas, álcool, poker e mulheres eram as coisas mais importantes do mundo. Eu tinha tudo que poderia desejar. Beleza, dinheiro, charme e muita sorte no jogo. Eu não me lembrava que tinha uma guerra rolando do lado de fora. Que pessoas estavam morrendo, que Voldemort estava atacando. Que estávamos fadados a sair dali e escolher um lado daquela guerra violenta. Não, a gente nem ligava pra isso. Era uma realidade distante, que pensávamos nunca ter que lidar. A gente apenas se embebedava, dia após dia, como bons meninos ricos e mimados que éramos.
E meu maior passatempo era, claro, criar discórdias.
A confusão já estava feita. Se Draco realmente conseguisse ficar com a Weasley, a história iria repercutir por toda Hogwarts em um estalar de dedos, e o caos seria total. Algo verdadeiramente divertido e que eu estava bem ancioso para assistir.
Mas não era o suficiente. Algumas coisas não estavam bem explicadas e o fato de Pansy ter "delatado" a Weasley para Draco não fazia o menor sentido. E eu, é claro, estava curiosissímo para descobrir os verdadeiros motivos de Pansy.
Um pouco antes do jantar naquele mesmo dia eu fui a biblioteca sozinho. Precisava devolver alguns livros que tinha pego e ia aproveitar para começar meu trabalho para aula do Flitwick, já que tinha um tempo vago. O universo, como geralmente acontece para mim, estava ao meu favor porque assim que entrei na biblioteca avistei Dana Lutterback sentada sozinha em uma mesa lendo um livro. É claro que eu não deixaria escapar tal oportunidade.
- Dana, - sussurrei no ouvido dela, tentando surpreendê-la. Ela, no entanto, agiu como se já estivesse mais do que ciente da minha presença ali. Levantou os olhos da sua leitura e fitou-me por alguns segundos, com o olhar sério e penetrante. Era impossível ela saber que eu estava ali, já que ela ficou o tempo todo de costas para mim. Parecia que tinha um terceiro olho na nuca ou um sexto sentido. Ela parecia estar sempre analisando as pessoas, que ficavam constrangidas sob o olhar minucioso dela. Eu com certeza ficava, era angustiante. Mas, claro, não deixava transparecer de jeito nenhum. - Belissima, como sempre. - completei, sentando-me silenciosamente em uma cadeira ao seu lado.
- Blaise - Ela cumprimentou, e então voltou seu olhar para a leitura.
- Espero que não esteja sendo inconveniente... - sussurrei
- Você é especialista nessa arte - Ela retrucou rápida, sem tirar os olhos do livro. Eu dei uma risada de quem sabe mais do que devia.
- Me perdoe então essa insdiscrição, lindinha. Mas eu ia mesmo te perguntar como ninguém percebe que você é louca pelo Draco hein?
O ambiente ficou silencioso e tenso. Ela fingiu não se afetar, mas eu tenho certeza que a vi prender a respiração por alguns segundos. No entanto, manteve o silencio e me ignorou completamente.
- Não quer falar sobre o assunto, huh? Tudo bem, imaginei... - Eu ri. Era praticamente como estar falando sozinho, mas, como eu já havia dito antes, sei como captar a atenção das pessoas. - Então, tem como você me explicar porque Pansy falou para Draco que a Weasley estava apaixonada por ele? - Ela levantou os olhos do livro antes que eu completasse a frase e me olhou com seu clássico sorriso de lado - Tenho a impressão de que você deve saber do que se trata.
- Pansy falou isso para ele? - ela riu audivelmente, mas baixo - afinal, estavamos na biblioteca. - Como é ridicula.
- Porque ela disse isso?
- Ora, porque Pansy faria qualquer coisa quando o assunto envolve Draco Malfoy? Acho que é bastante óbvio...
- Sabotar a Weasley. - respondi. Já havia pensado naquilo, a possibilidade não saía da minha cabeça - Mas porque Pansy considera a Weasley uma ameaça?
Dana deu de ombros. Era óbvio que ela sabia, mas não ia falar. Sabia que já tinha arrancado o máximo que podia dela.
Mesmo assim, resolvi confirmar.
- Então a Weasley não gosta dele.
- Não, - ela respondeu, os olhos agora fixos no livro, e eu tive certeza que aquela conversa estava encerrada. - Ela o despreza.
Sem dizer mais nada eu me levantei e saí da biblioteca com um grande sorriso estampado no rosto. Precisava perder aquela aposta a todo custo.
Depois do jantar eu e Draco nos sentamos em frente a lareira do salão comunal para conversar. Ficamos lá um bom tempo, e eu resolvi fazer-lhe companhia até a hora de recolher, quando começaria a sua ronda de monitor.
A maior parte dos alunos já tinham ido dormir e o salão comunal estava consideravelmente vazio. Draco estava com um livro na mão e eu percebi que de tempos em tempos ele começava a olhar para o nada e divagar. Deve ter lido no máximo três páginas durante todo o tempo em que ficamos sentados ali, e eu esperava que o motivo de tanto avoamento fosse o que eu queria que fosse. Weasley, claro.
As coisas começaram a ficar bastante interessantes quando Pansy apareceu com seus minúsculos pijamas e se sentou ao lado de Draco, fazendo carinho nos cabelos dele. Eu o vi fechar os olhos e respirar fundo, com certeza buscando toda a sua paciência para lidar com a irritante da Pansy. Aquela forma tão direta de abordagem dela só me ajudava, porque eu sabia que uma das coisas que Draco mais queria na vida, era tirar Pansy do seu pé, quase tanto quanto ele queria tirar Lúcio do seu pé. E ele sabia que se ganhasse aquela aposta estaria finalmente livre dela.
- Ninguém te chamou aqui, Parkinson, pode ir saindo. - Draco começou, e eu sabia que aquela era a forma mais educada que ele poderia tratar Pansy. Se ela não acatasse agora com certeza ia escutar várias grosserias vindas dele, não que ela não estivesse acostumada.
- Ora Draquinho, - ele revirou os olhos, impaciente - Não seja assim, tão orgulhoso. Talvez a gente pudesse ir no seu dormitório de monitor um pouco hoje, eu queria conversar com você...
Draco se levantou no mesmo segundo, e saiu do Salão Comunal alegando que tinha ronda e que ela "podia desistir de uma vez porque nunca entraria em seu quarto" - nas palavras dele.
Pansy cruzou os braços e fez cara de emburrada. Depois, pegou o livro que antes Draco tinha em mãos, folheando-o sem demonstrar interesse por seu conteúdo e suspirou pesarosamente.
Eu, claro, não ia perder a oportunidade de cutucar a fera.
- Pansy, Pansy... Porque você não desiste de uma vez? - Perguntei, e foi o necessário para fazê-la achar que eu estava interessado em seus desabafos.
- Ele gosta de mim, Blaise. - Ela começou com a voz manhosa - Eu sei que gosta. Você deve saber também...
- Não sei a quem você está tentando convencer com esse papo. Se a Draco ou a si mesma. Pelo jeito ele não tem demonstrado mais nenhum interesse em você.
- Mas nós estávamos tão bem, - ela continuou, olhando para baixo. Foi inesperado. Eu estava acostumado com a Pansy cheia de si e segura, mas aquela garota carente e desesperada na minha frente era uma imagem no mínimo incomum. - Até semestre passado, achei que estávamos juntos. Essas férias estragaram tudo. Você acha que ele vai me convidar para o baile de inverno, Blaise?
O baile. Ainda não tinha pensado nisso. "Acho que ele preferiria ir com a Murta que Geme" - pensei, mas falar isso pra ela não seria vantajoso no momento. Ela ia ficar irritada, ou - na pior das hipóteses - começar a chorar, e isso só faria com que eu não conseguisse tirar nenhuma informação vantajosa dela.
- Acho que ele não pensou sobre isso ainda. - respondi, e ela pareceu ficar um pouco aliviada. - Mas você não tem muita competição, - emendei, inflando um pouco o ego dela - afinal, vocês dois estiveram juntos semestre passado. - Ela olhou para mim e sorriu, os olhos dela brilhavam como os de uma criança que ganhou doces - Ou tem? Ouvi falar que a Weasley está interessada nele?
- Interessada? - Ela ergueu as sobrancelhas - Ela está completamente louca por ele, Blaise. Com certeza vai fazer de tudo para ficar com ele. Eu só falei para preveni-lo, claro, quero o melhor para o meu Draquinho e acho que ele devia se afastar daquela Weasley.
- E você está se sentindo ameaçada? Acha que ela pode concorrer com você de alguma forma...
- Claro que não! - Ela me interrompeu - Aquela ruiva pobretona e mal cuidada não chega aos meus pés, Blaise, como você pode ao menos sugerir algo nesse nível?
- Mal cuidada? - Eu ri, ironico. Era muito fácil arrancar as coisas dela - Ela chama atenção de muitos caras. Já escutei comentários bem favoráveis sobre a Weasleyzinha, até mesmo aqui dentro do Salão Comunal da Sonserina, por mais que pareça absurdo.
- É verdade isso, Blaise? Não pode ser! - Ela contestou, chocada - Draco disse algo sobre ela? Disse que a achava bonita, ou interessante? Não é possível, ele nunca se misturaria com o tipinho dela.
- Bom, - eu dei de ombros, fazendo parecer que não me importava com o assunto - Esse boato sobre o interesse dela nele o fez percebe-la mais, e pobre e amante de trouxas ou não, é bem dificil não se sentir atraído por ela.
- Ele esta ATRAÍDO por ela? - Pansy arregalou os olhos, e eu senti que precisava acalmá-la, antes que ela desse um de seus famosos chiliques
- Eu nunca disse isso! - emendei - Só falei que, depois de tal notícia é claro que ele vai prestar mais atenção nela. Se para o bem ou para o mal, isso eu já não sei. Ele não comentou nada comigo.
- Huh. - Emburrou-se - Não deixa ele chegar perto dela, Blaise. Ela vai fazer de tudo para conseguir sair com ele. Mais que isso! Ela quer que ele a leve no baile.
Franzi as sobrancelhas. Pronto. Ali era o ponto final, ali que as coisas não se encaixavam. Pansy dizia com firmeza que a Weasley tentaria conquistar o Malfoy, mas Dana havia acabado de dizer que ela desprezava-o. Nos últimos tempos eu havia visto Dana e a Weasley juntas em diversas situações, mas Pansy era amiga dela desde que Dana entrou em Hogwarts. Essa discordância entre elas não era nenhum pouco esperada, e pelo que eu havia observado na Weasley - e, como havia dito, analisar mulheres é uma especialidade - ela parecia tão apaixonada pelo Potter como sempre fora, apesar daquela ceninha desafiadora na festa. Mas ela estava tonta e é uma Grifinória, corajosa e tola. Não seria estranha a reação dela à abordagem de Draco se as condições fossem as mesmas de sempre. Mas a amizade de Dana com a Weasley e a súbita aversão direta de Pansy a ela com certeza eram indicíos todos relacionados. Todos com um mesmo motivo em comum, que era a única coisa que eu ainda não tinha conseguido descobrir.
Será que Pansy estava com ciúmes da Weasley? Será que ela temia que a rival tomasse seu lugar como melhor amiga de Dana Lutterback e como a menina dos olhos de Draco Malfoy? - ambas posições de alto prestígio social em Hogwarts e disputadas pela maioria das meninas. Será, pelas barbas de Merlin, que ninguém além de mim nesse maldito colégio tinha percebido que Dana desejava tanto esse lugar ao lado de Malfoy como qualquer outra menina bobinha? Ela só tinha mais amor próprio que as suas concorrentes para o cargo.
Ela sabia que se ninguém soubesse de seu interesse por Malfoy, teria muito mais chances de conquistá-lo.
- Pode deixar, Pansy. – Acalmei-a tentando acabar com o assunto. Já tinha chegado aonde eu queria, e a partir dali seriam apenas lamentos de uma adolescente apaixonada, e eu não estava disposto a ouvi-los – Te garanto que Draco nunca levaria uma Grifinória ao baile, muito menos uma que além disso ainda fosse Weasley.
Pansy soltou todo o ar dos pulmões, aliviada.
- Graças a Merlin – sorriu, levantando-se do sofá – eu sabia que meu Draquinho nunca faria uma coisa dessas. Estou indo dormir, Blaise. Boa noite.
- Boa noite – Respondi e a observei com seus mini pijamas enquanto ela subia os degraus para o dormitório feminino. Ouvi ao longe um bocejo dela, que logo me contaminou, fazendo-me bocejar também. Estava com sono, minhas pálpebras pesavam. Fiquei sozinho no salão comunal, olhando para as chamas ascesas da lareira e pensando sobre o que Dana e Pansy haviam dito. Então, tudo ficou preto.
Não faço ideia de quanto tempo eu dormi, mas acordei com Draco tentando me acordar com tapas no ombro, quando havia voltado de seu turno noturno. Acordei no susto, sentando-me rapidamente no sofá. Draco estava me olhando com um sorriso de lado.
- Assustou-se, Blaise? – ele ergueu as sobrancelhas, curioso – Você não estava tenho um sonho molhado, estava?
Bufei, juntando força e ânimo para me levantar do sofá.
- Claro que não, estúpido. Estava aqui consolando sua ex. – Ri, e Draco rolou os olhos com impaciência.
- Não acho que Pansy possa ser chamada de minha ex. – ele disse, e então fez uma pausa, enquanto eu me levantava do sofá. – Mas afinal, o que você falou com ela? Espero sinceramente que não tenha dado nenhuma falsa esperança, você sabe muito bem que tudo o que eu mais quero dela é distância.
- Eu disse que você, no fundo do seu ser, é muito, muito apaixonado por ela e que não tem coragem de admitir pra si mesmo, claro. Draco estreitou o olhar em minha direção, parecia prestes a me dar um soco, o que me fez rir ainda mais. – Também falei pra ela que Voldemort estava escondido no porão da minha casa e que eu sou completamente apaixonado pela professora McGonnagall.
O louro rolou os olhos e bufou, dando depois seu típico sorriso de lado, dando-me as costas e indo em direção ao seu dormitório de monitor. Eu fui atrás dele até a esquina em que nos separávamos e antes de me virar para descer aos dormitórios masculinos eu o fiz a pergunta que resumiu meu dia.
- Então, Draco. Você vai mesmo conseguir a Weasley?
- Já pode ir desenrolando a Lovegood, Blaise. A Weasley vai ser minha.
-x-
N/A: estou muuuuito muito triste que vcs não me deixaram nenhuma review no cap 2! Vou postar o 3 pra ver se vcs animam e escrevem alguma coisinha pra mim né gente? Me façam feliiiiiiiiiiiiiz!
Beijinhos da Annia!
