Capitulo 3
Já passava das onze da noite, estavam em um restaurante muito conhecido de Konoha e também um dos mais chiques. Alguns casais se arriscavam na pista de dança ao som de uma música lenta. Encontravam-se na maior mesa do restaurante com todos os seus amigos lhe felicitando pelo negócio. Sasuke conversava animadamente com Naruto e Sabaku no Gaara, um ruivo de olhos verdes, seu amigo desde a época do colégio, enquanto Sakura estava pondo os papos em dia com as amigas Hinata e Yamanaka Ino, agora Sabaku, já que estava oficialmente casada com Gaara há cinco anos e juntos tinham um garotinho com os mesmo cabelos ruivos do pai e os olhos azuis da mãe, Ichiro. Ino era a melhor amiga de Sakura, e ambas agora haviam conseguido o seu primeiro emprego em um hospital renomado da cidade, o St. Gakure Hospital, na verdade, eram residentes mas tinham grandes chances de prosperar, Ino como enfermeira e Sakura como médica.
No meio da conversa Sakura acabou lembrando-se da filha e de como ela parecia incomodada por ficar em casa. "Será que está tudo bem?" pensou. Percebendo o olhar perdido da amiga, Ino a trouxe para a realidade.
- Testuda, esta tudo bem? – perguntou, chamando-a por seu apelido carinhoso.
- Ah...sim porquinha, é que eu estava pensando nas crianças. Será que elas estão bem? – falou com um pouco de preocupação na voz.
- Não se preocupe, eles já devem estar no décimo sono, meu Ichiro já estava dormindo quando saímos! – falou tentando tranqüilizar a amiga.
- Ino-chan tem razão, Sakura-chan! Isso é apenas preocupação de mãe! – falou Hinata.
Sakura sorriu para as amigas em agradecimento e logo avistou outros amigos seus chegando e lhes cumprimentando Era bom, rever os amigos, fazia muito tempo que todos não se reuniam, apenas eles, como antigamente, afinal agora todos tinham compromissos, empregos, filhos, enfim uma vida e muitas vezes esqueciam que todos ali ainda eram muito jovens com apenas 25 ou 26 anos.
A senhora já havia colocado as crianças para dormirem, e agora estava sentada em uma poltrona assistindo televisão esperando os patrões, mas como já tinha uma certa idade, não demorou muito e a senhora caiu no sono. Acordou com um barulho alto e foi verificar se estava tudo bem com Saori e Daisuke, subiu as escadas e viu que ambos dormiam tranquilamente nos quartos.
Foi na cozinha para tomar um copo d'água, sem se preocupar com o barulho devia ser algo lá fora. Entretanto, chegando ao cômodo teve a impressão de ter visto um vulto e ficou um pouco mais cautelosa, "podem ser bandidos" pensou a senhora. Pegou uma faca para se proteger, caso fosse necessário, mas não havia ninguém lá. Respirou mais aliviada e colocou a mão nas têmporas "devo estar imaginando coisas!". O que se sucedeu em seguida a velha senhora nunca entendeu, apenas ouviu gritos vindos do andar de cima e logo após isso viu que as chamas consumiam a casa.
Desesperada, tentou subir as escadas em busca das crianças mas o fogo se alastrou com uma pressa, com uma fome tamanha por destruição, que a senhora só pode tentar se proteger e chamar as crianças para ver se elas estavam bem. Sem resposta e apavorada com o fogo resolveu sair da casa e pedir ajuda.
Daisuke acordou com os gritos da irmã e saiu em disparada para ver o que tinha acontecido, sentiu um cheiro de queimado e viu que havia muita fumaça pelo quarto, abriu a porta tossindo um pouco e viu o corredor repleto de chamas. Ficou assustado e começou a gritar pelo nome da irmã.
- Nissan! Nissan! – ouviu a irmã lhe responder assustada.
- Saori, onde você está? – tentou localizar a irmã enquanto ia se esquivando do fogo para chegar até o quarto da irmã.
- Devia se preocupar mais com você pirralho! - ouviu uma voz grave ecoar perto de si.
Daisuke se assustou e se virou para o estranho, mas havia muita fumaça e já estava ficando difícil enxergar alguma coisa e até mesmo respirar.
- Q-quem é você? – perguntou um pouco assustado com a situação.
- Quem eu sou não importa, mas o que eu vou fazer essa, sim, é a questão! – disse o estranho, que Daisuke percebeu esta usando uma espécie de máscara para esconder o rosto e se proteger de inalar aquela fumaça e portava uma arma na mão.
Aquela visão foi o suficiente para fazer Daisuke correr com medo pelo que aquele estranho poderia fazer com ele, mas a voz da irmã o fez parar.
- Nissan, onde você está? – perguntou chorosa Saori, ela estava assustada e com medo, havia muita fumaça e o calor das chamas a fazia recuar, não conseguia sair do seu quarto.
Daisuke notou que o estranho não estava mais ao seu encalce, então pensou que ele pudesse ter ido atrás da menor. Saiu correndo em direção contrária as escadas para tentar ajudar a irmã. Perto do quarto dos pais era onde as chamas mais se concentravam, passou com o máximo de cuidado por ali, e chegou ao quarto da irmã que era o ultimo do corredor.
Viu a irmã chorando em um canto com medo do fogo que se tornava mais implacável, chamou-a dizendo para que a mesma tenta-se se aproximar, já que as labaredas pareciam cercá-lo. Saori se levantou para fazer o que o irmão mandou mas antes que pudesse alcançá-lo, viu a sombra de um homem pro trás de Daisuke, recuou com medo e gritou para alertar o irmão:
- Daisuke-nii-san!Cuidado!Atrás de você!
Porém, já era tarde demais e o homem já havia desferido um golpe no garoto que tombou para frente urrando de dor. Saori sentiu medo e raiva pelo que o aquele estranho fez ao irmão, e sem saber de onde surgiu tanta coragem correu em direção ao homem, que se aproximava novamente do garoto para terminar o serviço designado, e agarrou seu braço o mordendo com toda força para que se afastasse. O homem gritou de dor e, sem se preocupar em machucá-la, lançou a garota para a longe de si, fazendo com que a mesma batesse a cabeça na quina de um cômodo, quase totalmente destruído pelas chamas.
Sakura sentiu um mal-estar em seu corpo, e o copo que estava em suas mãos foi de encontro ao chão quebrando em vários pedaços, como sentia que seu coração estava naquele momento. Sasuke preocupou-se com a mulher e foi verificar se estava tudo bem, assim como os amigos que agora olhavam para o rosto de Sakura.
- Sakura, o que houve? Está tudo bem? – perguntou levantando o rosto da esposa para olhá-la diretamente.
Sakura não sabia o que responder ao marido ou aos amigos que a fitavam preocupados, só sentia um aperto muito grande no coração, como se algo estivesse errado, como se tivesse perdido algo muito importante, logo após esse pensamento viu os rostos de seus filhos e outro aperto no peito e soube que deveria ir para casa.
- Sasuke, onegai, quero ir embora, quero ver meus filhos, agora! – suplicou ao marido que sentiu o abalo da mulher e resolveu acatar ao pedido.
Se despediram de todos os amigos e rumaram para seu lar. Durante todo o percurso ambos se encontravam calados perdidos em seus próprios pensamentos, mas de vez em quando Sasuke olhava de canto sua esposa para ter certeza de que estava tudo bem. Enquanto a mesma só pensava em chegar em casa e por um fim nesses maus pressentimentos.
Ao entrar na rua da casa onde moravam puderam ver uma grande aglomeração de pessoas por perto, curiosos com algo que estava acontecendo na vizinhança. Isso fez o casal trocarem olhares apreensivos com o que pudesse estar acontecendo e Sakura temeu o pior ao ver um carro de bombeiros e a policia tentando afastar as pessoas do local, sua casa.
Sasuke parou bruscamente o carro ao ver sua casa sendo consumida pelas chamas enquanto os bombeiros tentavam a todo custo apagar o fogo. Sem pensar no que poderia lhe acontecer, desceu do veiculo e correu em direção as chamas como um louco, quem o visse juraria que estava tentando se matar, mas o mesmo só pensava "meus filhos estão ai dentro!tenho que salvá-los". Sentiu braços frustrarem sua tentativa de entrar na casa, tentou se libertar, mas não conseguia, estava explodindo de raiva, de frustração, de medo com o que podia acontecer.
- Senhor, se acalme, a casa está quase desmoronando, é perigoso entrar lá – falou um dos policiais que o seguravam.
- Soltem-me essa é a minha casa! Meus filhos estão ai dentro! Preciso entrar – gritou na vã tentativa de conseguir que o soltassem.
- Meus filhos, onde estão meus filhos? O que aconteceu? – gritou Sakura com o rosto já banhado de lágrimas, só agora havia se recuperado do choque e pode se manifestar.
- Houve um incêndio e uma senhora nos alertou, o fogo havia se alastrado muito rápido, mas não se preocupe seu filho está a salvo. – respondeu um bombeiro e direcionou o olhar aos outros companheiros – O fogo já está sob controle, pessoal, vamos acabar com isso. – disse e voltou seus afazeres junto com o grupo para apagar o resto do incêndio.
Sasuke parou de se debater ao ouvir que os filhos estavam bem e Sakura sentiu um alivio ao saber disso também. Pelo menos, eles estavam a salvo foi o que imaginaram.
- Onde eles estão? – perguntou Sasuke
- Eles quem? – respondeu com outra pergunta o policial que antes segurava Sasuke.
- Onde estão meus filhos!? – esbravejou, já estava irritado com toda a situação, queria vê-los para saber se estavam bem.
Sakura viu o rosto do policial ficar um pouco espantado e depois apreensivo. Não estava gostando daquilo e resolveu se pronunciar:
- Qual o problema policial? Algo de errado com nossos filhos?
- Quantos filhos vocês tem? – respondeu tentando aparentar uma falsa calma.
- Dois, um menino de sete e uma menina de cinco. Por quê? –falou Sakura novamente com os olhos marejados.
O policial abaixou a cabeça pois sabia que a noticia que daria seria dilacerante para o casal, essa era a parte ruim do trabalho, pensou o policial.
- Sinto dizer, mas só encontramos um de seus filhos, o garoto está sendo tratado na ambulância e passa bem mas... – deixou a frase morrer, não sabia mais o que dizer, ou como completar a frase.
Sasuke e Sakura ficaram em estado de choque com aquilo, como assim apenas Daisuke havia sido encontrado? E Saori?
- Como assim só acharam um? E minha filha onde está? – gritou Sasuke furioso com o homem a há sua frente, agarrando-o pelo colarinho da blusa.
- Deve estar dentro da casa... Não se preocupem, vamos continuar as buscas, mas peço que estejam preparados para o pior – falou sentindo o peso de suas palavras, pois era praticamente impossível uma criança de cinco anos ter sobrevivido aquele incêndio sem ajuda.
Sakura apenas caiu de joelhos no chão já sem forças depois daquela frase proferida pelo policial e começou a gritar de dor, aquilo não poderia ser verdade, sua menininha, havia... não conseguia nem proferir tal palavra. Sasuke largou o policial ainda sem acreditar no que ele havia dito, mas nem conseguiu digerir direito o que aquilo significava pois teve que acudir Sakura que se encontrava no chão chorando e gritando aos quatro ventos o nome da filha.
Mas o que dizer para tranqüilizar uma mãe que havia acabado de receber a noticia de que sua filha havia morrido? Como tranqüilizar alguém, quando na verdade se sentia tão perdido e vazio quanto ela?Como tranqüilizar alguém quando o que mais tinha vontade de fazer era gritar e chorar como ela por não saber o que fazer? Afinal, ela também é, era, sua filha, sua hime, a única coisa que pode fazer foi abraçá-la com toda força, se permitindo chorar com ela, dividindo o peso, a tristeza daquela noticia.
Mais um capitulo para vocês!^^ agora é que a estória começa! preparem-se, e não esqueçam de deixar reviews!^^
beijos
