N/A: Please, reviews seriam bem-vindas!
O dia foi muito corrido.
Assim que eu cheguei em casa, observei que ela estava um pouco desarrumada. Pelo menos para mim. E na minha cabeça um turbilhão de pensamentos passavam. Nunca me senti tão nervosa com uma visita, e eu nem sabia o porquê. Lea era uma pessoa normal, pelo amor de Deus! Quando a casa não podia ficar mais limpa, até pra mim, eu fui tomar um banho gelado.
Em no máximo meia hora, a Lea chegaria. Desliguei o chuveiro com essa perspectiva. E se ela estivesse com fome? Eu sabia, além do nome dela, que ela era vegan, mas nem se eu fosse uma super heroína , eu conseguiria fazer uma comida assim, em meia hora. Desci, e , ainda de toalha, liguei para um restaurante. Então subi, e fui trocar de roupa.
Eu queria vestir um short qualquer, mas, meu bom senso me induziu a uma calça que eu já havia esquecido há muito tempo. Vesti uma blusa com um decote básico, e aquela calça justa. Eu mal havia acabado de secar o meu cabelo, e a campainha tocou: Lea havia chegado.
Abri a porta, ela estava lá, muito diferente do que eu havia visto de manhã. Lea usava um vestido decotado, e curto, e suas pernas – e que pernas - estavam todas a mostra. Me senti uma boba, a olhando de cima abaixo. Em um momento de consciência, fechei a boca, e a convidei para entrar.
– Ér, oi Lea, tudo bom? – perguntei
– Hm, oi, Dianna, tudo bom, ér, como você havia me pedido, eu resolvi dar uma passada aqui mesmo...
– Então, entre, sente-se, quer beber alguma coisa? – Eu tentei puxar assunto.
– Bom, vamos ver o que você tem aí né – Ela sorriu
Fomos para a cozinha, e, logo depois a campainha tocou.
– Estava esperando mais alguém Dianna?
– Na verdade não Lea, mas é que, eu imaginei que você viria, e que passaria um tempo aqui comigo - senti minhas bochechas corarem - e, eu não conseguiria eu mesma preparar uma coisa comestível para nós duas. Então liguei para um restaurante perto daqui... Você me ajuda com as coisas?
– Mas é claro Dianna! - ela abriu um sorriso, consequente ao dela, eu sorri - Vamos lá...
Algum tempo depois, já estava tudo organizado, e Lea insistia em lavar a louça. Coisa que, de jeito nenhum eu aceitaria. Veja só, ela nem mora aqui e eu já estava explorando ela?!
– Lea, sinceramente, não precisa lavar a louça, deixa aí, depois eu lavo...
– Dianna, eu comi aqui, eu lavo. - Eu a peguei pela cintura - Pelo amor de Deus, o que está fazendo!? -
– Eu estou apenas te tirando daqui - disse, em meio a gargalhadas.
– Pois daqui eu não saio - ela bateu o pé.
– Aé? Pois você que se atreva a me impedir de te carregar se for preciso, baixinha.
– É? Pois você que se atreva a tentar me tirar daqui! - Ela disse, rindo.
Em um segundo, eu já estava tentando colocar Lea em meu colo. Ela se sacudia, jogando sabão para tudo quanto é lado. Até que eu a coloquei no chão, e segurei suas duas mãos contra a parede.
– Lea, Michele, Sarfati. - disse, tentando um baixo rosnado. Ela ficou ofegante. - Por enquanto (eu espero) você é só uma visita. Em minha casa, visitas não fazem as minhas obrigações. - disse, pausadamente - Vamos voltar para a sala. E se você ainda quiser lavar essa louça, eu prometo que deixo pra você quando você se mudar pra cá - disse, a soltando.
Lea lavou suas mãos, e, se virando para mim, disse :
– Bom Dianna, sobre isso... Eu tenho algumas exigências pra ficar aqui. - ela disse, rindo. - Primeiro: Eu vou pagar o aluguel, e pelo menos 50% das despesas extras...
– Mas Lea... - eu comecei
– Dianna! Me deixe falar!- ela fez biquinho.
– Então continue.. - Eu disse, apertando suas bochechas
Ela demorou um pouco para lembrar o que estava falando, mas finalmente:
– Ah sim, e as despesas, e, acho que é só. E, se eu tiver, atrapalhando você, me avise, prometo que pretendo ser praticamente invisível.
– Eu terei de aceitar todas essas exigências só porque uma baixinha está me impondo? - Eu contestei
– Se ainda quiser que eu more aqui...
– Mas é claro que eu quero! - Eu a peguei no colo e a rodei pela sala, até eu cair tonta no sofá, com ela no colo. Estranhei o fato de que ela não havia saído do meu colo ou se sacudido, então resolvi verificá-lá. Lea apenas estava de olhos, e boca bem fechados, como uma criancinha, totalmente pendurada em mim. Lentamente ela foi afrouxando o aperto, e abriu os olhos.
– O que aconteceu? - perguntei
– Dianna. Se algum dia, você vier a fazer isso denovo: me avise com bastante antecedência.
– Por quê? a baixinha tem medo de altura?
– Não, Dianna. É que...
– Espera. - Eu saí debaixo dela. - Você não precisa ficar me chamando de Dianna, Dianna toda hora - disse, imitando pejorativamente sua voz. - Se moraremos juntas, me chame pelos meus apelidos, oras! - Eu disse, tentando ficar séria.
– Sabe, não tem a mesma graça, ficar te chamando dos seus apelidos, quando meu nome mesmo não tem como ser apelidado.
– Ah é? É um desafio? - eu disse, já rindo.
– Sim, sim, senhorita Agron. - Ela se levantou. Era uma tentativa de ficar à altura do meu olhar. Completamente mal sucedida. E eu comecei a rir mais.
– Então, o que eu ganho com isso? - Eu perguntei
– Vamos negociar isso depois.
Olhamos para fora, e uma chuvinha básica estava caindo. Lea se sentou no sofá, e bufou.
– O que foi, baixinha? - perguntei
–Esse ainda não é meu apelido - eu ri - Mas é que, eu não gosto muito de chuva forte. Se essa chuva engrossar, eu estou completamente ferrada.
– Mas não parece que ela vai engrossar muito, Lee. Olha, vou fechar a janela, e a cortina. Tudo bem? Daí você nem olha pra fora.
Depois nos sentamos e começamos a assistir televisão. Como não estava passando nada de bom àquela hora, resolvi assistir um dos meus poucos filmes. Peguei um que eu acreditava ser ''Uma prova de amor'' .
Passei praticamente o filme todo deitada em cima das pernas de Lea. Elas além de lindas, eram tão confortáveis - o pensamento me trouxe uma risada. Era incrível o quão sexy Lea ficava, quando estava indignada com algo que havia ocorrido no filme, e o quão fofa era ela chorando por causa dele.
Também era incrível o quão amigas nós ficamos, apenas em um dia. Lea começou até a contar alguns dos seus segredos, e posso dizer que me entreguei pra ela. Parecia que já nos conhecíamos há décadas.
Quando o filme acabou, Lea foi ao banheiro, e, abri uma fresta da cortina para ver o quanto a chuva havia engrossado. Eu já sabia que choveria forte, mas eu queria Lea perto de mim o resto da noite, e eu não esperava trovões, afinal de contas. E nem queria que Lea sofresse um acidente, então, assim que ela voltou do banheiro, eu a perguntei:
– Lea, querida, você não quer dormir aqui hoje, não?
– Por que, Dianna? - ela ficou confusa
– Bom, eu me recuso a deixar você sair com esse temporal aí fora. Você tem duas opções: Vestir uma roupa minha, e dormir aqui, ou dormir aqui com essa roupa mesmo. - eu disse
– Sério, Dianna? Deixa eu pensar em qual das duas eu escolho... - ela disse, irônica.
– Sério que você não vai tentar nem escapar por mim? - eu perguntei, surpresa
– Do que adiantaria eu correr? Eu sei que é perigoso sair agora, e além do mais, se eu correr você vai me pegar no colo novamente e...
– Exatamente. E agora eu vou lá pegar uma roupa e...
– Mas eu tenho a opção de dormir com essa, não tenho?
– Ah sim, mas você quer dormir mesmo com esse super minúsculo vestido?
– Ér, desculpe por ele, foi o primeiro que eu consegui tirar da mala e... - ela começou
– Desculpa nada, acho que você nunca esteve mais sexy! - eu disse rindo, e a vi corar.
– Bom, então, vamos dormir - ela disse, terminando o assunto.
Depois de uma meia hora, eu e ela já estavamos em nossos devidos quartos. Até que batidas me acordaram.
– Lea? Pode entrar!
Lea apareceu com um travesseiro e uma carinha mais que infantil, e mais que fofa.
– O que foi, fofinha? - Disse, passando a mão em seu rosto.
– Não consigo dormir, os trovões não me deixam ter um sono tranquilo.
– Você quer dormir aqui, comigo? - Eu perguntei, e ela assentiu.
– Minha cama é de solteiro e... - eu perdi a linha de raciocínio quando Lea fez aquela carinha de cachorrinho que caiu da mudança mais fofa que eu já vi. Eu apertei as bochechas dela e continuei - Lee, Lee, não faz assim... - Ok, ok. Deita aqui comigo? - Ela sorriu e pulou logo em minha cama
– Você é tão persuasiva - eu disse
– Olha quem está falando... - ela disse, rindo.
Então eu coloquei meu braço em sua cintura, e, já deitadas, a puxei para mais perto. Senti um cheiro de maçã verde no seu cabelo. E sorri. E assim passamos a primeira noite no meu apartamento. E eu espero que sejam várias outras como essa.
