Conveniência

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Capítulo 3 – Namorando?

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"Até parece loucura não sei explicar... É a verdade mais pura: eu não consigo amar! Meu bem me desculpe eu não quis te ferir. Mas dizer a verdade é melhor que mentir."

(Titãs – Insensível)

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Neji notou a aproximação de Hanabi. Parou e olhou para trás, sem se surpreender quando a garota parou diante dele. Seus olhos se encontraram e ele pôde notar a aflição que havia neles.

- Algum problema? – indagou friamente.

- O que houve, Neji? Você está com algum problema sério? Não querem me contar! Droga! É tão óbvio assim que eu me preocupo com você?

O rapaz apenas ouviu, indiferente. Não se moveu quando ela o abraçou de repente e pressionou o rosto contra o seu peito. Olhou por cima para os cabelos negros que cobriam as costas da jovem e os tocou gentilmente.

- Não houve nada. Não tenho um problema.

- Então diga! Por que estão todos de segredinhos e excluindo a mim?

Há alguns minutos atrás, Neji ouvira de Hiashi que, a partir daquele dia, ele e Hinata estavam oficialmente namorando. Isso soou muito estranho a seus ouvidos, assim como toda aquela história de noivado. Limitou-se a concordar com um balançar de cabeça e agora estava ali, procurando uma forma simples e direta de dizer isso à sua prima mais nova.

De fato, não entendia o porquê de tamanha preocupação da parte dela, mas não poderia ignorar os seus olhos lacrimejantes.

- Estou namorando – disse de repente, sem entusiasmo ou mediação. – É apenas isso.

Hanabi o soltou, fitando por muito tempo os olhos calmos e inalteráveis de Neji. Tentou formular frases, mas a voz não parecia querer sair de seus lábios e, no segundo que se seguiu, ela caiu em prantos.

Sem receber consolo algum do primo, pôs-se a pensar melhor nos fatos. O que realmente teria a ver esse fato com o choro da irmã e o suspense do pai? Será que todos sabiam de seus sentimentos e estavam com pena dela? Seria isso?

Neji, por sua vez, ainda não compreendia por que tanto choro. Sabia que garotas eram de fato cheias de sentimentalismo e podia afirmar isso pela convivência com Tenten. Lembrava até do dia em que começou a se envolver com a amiga. Poderia resumir esse relacionamento como uma 'tragédia'. A incompatibilidade de gênios era incrível, fora a constante insistência dela em dizer que ele precisava se entregar mais ao romance.

Romantismo e Hyuuga Neji nunca dividiram o mesmo ambiente. Preferiu exigir a Tenten que aquilo terminasse tão de repente quanto começou, mas ela, naturalmente, não aceitou. Disse qualquer coisa sobre uma segunda chance e acabam por continuar do mesmo jeito. Mas ela se concentrava demais nele e pouco nos treinos. Mulheres e artes ninjas, em definitivo, não combinavam.

Era óbvio que, de um jeito ou de outro, agora teria de falar com Tenten e resolver aquele assunto pendente. Afinal, querendo ou não, estava noivo.

- Hanabi-sama? Por que está chorando?

- Quem é ela? – perguntou Hanabi, tentando conter as lágrimas.

- Acho que quem está com problemas é você. Vá conversar com a sua irmã.

- Quero conversar com você e não com ela! É você quem me interessa! É difícil assim perceber?

Antes que ele respondesse, Hinata fez-se presente no local, a respiração ofegante e os olhos trêmulos. Neji, a essa altura, já sabia que as irmãs não haviam tido tempo suficiente para conversar sobre o assunto e não estava disposto a participar daquele encontro.

- Tenham uma boa noite.

- Neji! – bradou Hanabi ao segurá-lo pelo braço. – Já disse que quero falar com você! Diga quem é ela? Digam por que diabos tanto drama?

- Quem está fazendo drama é você, Hanabi-sama. Com licença.

O Hyuuga deixou as duas sozinhas.

Hinata teve de segurar a irmã para que esta não corresse mais uma vez atrás do primo e a guiou na direção de volta pra casa. Durante o percurso, a mais velha olhou para trás, na tentativa vã de encarar Neji e mostrar tamanha angústia estava presa em seus olhos, mas ele não fez o mesmo. Prosseguiu, intacto e indiferente.

--x--

- Namorando! – disse Hanabi no momento em que chegou ao quarto dela mesma. – Ele disse estar namorando, Hinata! É por isso, não é? É por isso que vocês todos estavam cheio de segredinhos!

- Hanabi...

- O que você tem a ver com isso? Por que desmaiou e chorou tanto depois? Estava com pena de mim? É isso?

Hinata sabia que não seria fácil contar a verdade para a irmã e isso cada vez parecia ficar mais complicado. Como diria que estava noiva do homem a quem ela tanto desejava? Era constrangedor apenas lembrar-se disso, quem dirá contar isso a Hanabi.

- Não... não estava com pena de você... Hanabi... – era impossível, não conseguiria dizer. – Neji vai... v-vai casar e... nosso pai está ajeitando tudo.

- Ca-casar? – a outra gaguejou ao sentar na cama. – Como assim? Por que ele.. o que o meu pai tem a ver com isso?

- Ele... – sabia que seus olhos estavam tremendo incontrolavelmente. – Neji vai assumir o título de líder e... bem, ele terá que...

- Espere – interrompeu a mais nova, de repente. – Quer dizer que... então esse suspense todo era por isso? Neji será genro e também herdeiro do título do nosso pai? É o que está querendo me dizer, anee-chan?

Hanabi parara de chorar subitamente, lotando Hinata de dúvidas. Até sorriu levemente e encarou a irmã.

- Hinata-nee-chan, - recomeçou, agora mais calma. – nosso pai tem que escolher entre eu e você, não é? É por isso que você estava assustada! Claro, você se assusta muito fácil – riu, contemplava o olhar congelado da irmã. – Fique calma! Eu vou falar com o papai depois e me oferecer para isso! Você nem precisa ficar assustada!

Hinata bem queria que fosse assim tão fácil. Ela era a herdeira, não Hanabi. Ela foi chamada para aquela 'missão', não Hanabi. Mas sabia, não estava pronta para dar aquela notícia à irmã caçula.

- Conversaremos amanhã, imooto-chan.(1)

De difícil, aquela conversa passou a impossível. Hinata sabia que a irmã tentaria de todos os jeitos acreditar naquela versão, onde ela teria a chance de se oferecer para o 'sacrifício'. O problema é que, mais cedo ou mais tarde, ela saberia da verdade. A herdeira do título de líder é quem teria de casar com o gênio da Bunke. Não havia o que argumentar com Hiashi.

Durante o percurso até o quarto, Hinata encontrou o pai. Lançou-lhe um olhar que misturava decepção e obediência. Ele, por sua vez, pôs-se diante da filha e, sem encará-la nos olhos, disse:

- Neji passará a vir aqui às noites. Caso prefiram, podem passear pela vila, assim terão a chance de trocar informações um sobre o outro antes do noivado oficial e, logo em seguida, o casamento.

- Isso quer dizer que...

- É um namoro como qualquer outro.

- Eu não diria que é como qualquer outro, otou-sama. (2)

- Está me afrontando, Hinata?

- Nã-não! Pe-perdão! E-eu... vou dormir!

Ela sentiu todos os pêlos do corpo se arrepiarem. A voz do pai conseguia ser assustadora quando ele queria.

Acostumar-se com a idéia de estar namorando o primo era complicada. Sequer ouvira dele alguma gentileza e, mesmo que não quisesse mais admitir, ainda nutria falsas esperanças por Naruto. Ah, e por lembrar disso, tinha de dar um jeito de tirá-lo de vez da cabeça. Não que isso fosse algo que estivesse tão longe de sua capacidade. Com o tempo, notou que o loiro ocupava mais um lugar de respeito do que de amor em seu coração. Difícil mesmo seria enfiar Neji a força no lugar reservado ao homem com quem deveria casar.

--x--

Hinata não tinha missão naquela manhã. Aproveitou o tempo livre para cuidar de alguns assuntos domésticos e depois tratou de vestir uma roupa casual antes de ir ao mercado. Na porta principal da casa, deu de cara com quem menos desejava ver logo cedo.

- Neji-kun!

- Hiashi-sama? – indagou, infiltrando o olhar na casa.

- Ele saiu bem cedo. Não disse para onde.

- Onde está indo?

- Ao mercado – queria dar um fim à conversa o mais rápido que pudesse, mas ele não parecia tão apressado.

- Vou com você até lá.

- Não precisa.

- Sei que não, mas tenho assuntos pendentes a tratar com a Tenten e a casa dela é bem perto do mercado.

Relutante, Hinata se pôs a caminhar, sendo imediatamente seguida pelo primo. Foram em silêncio por boa parte do tempo, até ele finalmente quebrar o gelo.

- Não são os empregados quem devem fazer as compras?

- Meu pai é muito criterioso com o que come... prefiro eu mesma selecionar o que vai à mesa.

Mais silêncio e um encontro inusitado.

- Hei – a voz alta chegou aos ouvidos dos Hyuuga. – Neji! Hinata-chan!

- Na-naruto-kun... – a voz de Hinata veio entrecortada, abafada.

- Olá, Naruto.

- Que surpresa vê os dois juntos! Aonde vão?

- Ao mercado – antecipou-se Neji. – Quero dizer, Hinata vai ao mercado. Eu vou até a casa da Tenten.

- Oh... é verdade! – um sorriso maldoso surgiu no rosto do loiro. – Vocês estão namorando, não é mesmo?

Um rubor quase imperceptível corroeu o rosto de Neji, mas logo se desfez. Hinata notou e logo desejou abraçar Naruto por aquela informação. Se Neji tinha mesmo algum envolvimento com Tenten, não poderia aceitar aquilo assim tão fácil! Seria um bom álibi contra aquela idéia estúpida de casamento.

- Não diga bobagens! Vamos, Hinata-sama, o mercado está logo ali.

- Hei, hei! Neji! Não precisa ficar acanhado! Aposto que a Hinata-chan também deve ter um namorado! Não tem? Hinata?

- N-na verdade... – seu rosto parecia em chamas e era óbvio que o suor que começava a escorrer por ele estava acompanhando o ritmo da vermelhidão que lhe acometia. – Eu...

- Nos vemos depois – despediu-se Neji, voltando a caminhar. Hinata logo o seguiu, dando um aceno para o Uzumaki que correspondeu com um largo sorriso.

- Neji-kun, - sua voz quase rouca tentava formular perguntas. – É verdade isso? Sobre a Tenten-chan? Você e ela realmente...

- Hinata-sama, com todo respeito, isso não é da sua conta. Deve lembrar de que temos um compromisso agora, você e eu. Não estou mesmo disposto a ficar remoendo casos adolescentes agora.

- Ela é só isso pra você, Neji-kun? Um... ca-caso adolescente? – receosa, decidiu que aquela seria a última pergunta.

- É – disse em tom de conclusão.

A frieza da resposta fez Hinata arregalar os olhos. Ninguém podia ser tão frio ao falar de uma pessoa com quem compartilhara momentos de intimidade. Cada vez tinha mais insegurança sobre a decisão do pai. Como ela poderia passar a vida inteira ao lado de alguém tão despreocupado com os sentimentos de uma mulher?

O mercado estava logo à frente, era onde se despediriam. Neji acenou quando ela entrou. Suspirou antes de prosseguir o seu caminho, rumo à casa de Tenten. Teria apenas de contar a verdade e, talvez, fantasiar em alguns pontos, para parecer mais realista.

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- Namorando? – a voz de Tenten ecoou pela rua. – Como assim estão namorando? Eu pensei que você e eu...

- Pensou errado. Ontem à noite era esse o compromisso que eu tinha. Eu fui... pedir Hinata em namoro – mentiu de forma descarada, com o olhar fixo no trânsito de pessoas pela calçada.

- Não acredito! Ela não aceitaria!

- E por que não? Sou tão ruim assim? – indagou e fez uma careta.

- Não foi o que eu quis dizer! É que... Hinata e você... sinceramente, não combinam!

- Não posso dizer que você e eu formamos um casal perfeito, não é? Aliás, Hinata e eu somos da mesma família, passamos mais tempo juntos e não vou negar que já faz um tempo que... bem, você sabe.

Mentir não era um hábito para ele, mas sabia que a sinceridade não cabia naquela conversa. Seria constrangedor para Hinata se ele dissesse a Tenten ou a qualquer outra pessoa que eles estavam sendo obrigados a casar. E para evitar constrangimentos à sua protegida, Neji teria sim de elaborar algumas mentiras. Por exemplo, afirmar a quem quisesse ouvir que ele era o homem mais apaixonado do mundo.

- Não posso acreditar!

- Pergunte a ela então – era uma boa jogada propor isso. Daria a entender que ele não estava blefando, mas Tenten, do jeito que era, acabaria por perguntar mesmo e Neji teria de dar um jeito de não passar por mentiroso, mesmo que não fosse mentira que ele e Hinata estavam comprometidos.

- Não vou me sujeitar a isso – a moça passou os dedos nervosos pelos coques do cabelo e fechou os olhos, suspirando em seguida. – Você me saiu um belo cafajeste, Hyuuga Neji. Mas deixe estar, eu não me abalo tão fácil. Bem, espero que não magoe Hinata daqui uns tempos.

Ele pareceu aliviado com a reação da companheira de equipe. Ofereceu a mão para um aperto que foi aceito de imediato. Deu as costas e seguiu para o mercado. Não seria tolo! Se Tenten visse Hinata ali por perto, sozinha, capaz de logo esquecer o 'não vou me sujeitar a isso' e correr para enchê-la de perguntas.

Ao entrar, acabou se perdendo meio as prateleiras intermináveis e, depois de muito andar, decidiu que não havia um jeito simples de encontrá-la.

- Byakugan! – sete segundos e ele desfez o doujutsu. – Achei.

Hinata estava no caixa, pronta para pagar tudo e ir embora. Ao seu lado, tagarelando e contando vantagem sobre qualquer assunto fugaz, estava Ino, com seus longos e loiros cabelos esvoaçando por cima dos ombros. As gargalhadas que tentavam ser discretas e o Shikamaru espremido entre o seu braço e o carrinho de compras.

Neji não demorou a chegar até onde o trio se encontrava.

- Neji-kun? – surpreendeu-se Hinata ao sentir a mão quente dele tocar seu ombro – O que...

- Já terminou, meu bem? – indagou carinhosamente com um meio sorriso no rosto.

- E-eu... – Hinata não pôde evitar o rubor subir-lhe ao rosto, aumentando logo que Ino desatou a rir ainda mais alto.

- Shika! Ouviu isso? Neji chamando Hinata de 'meu bem'? Que missão tão longa foi essa em que estivemos a ponto de não entender o que está acontecendo aqui?

- Tsc, não seja metida! Olha, o Chouji já está chegando com quase todo o estoque de batatas fritas do mercado! Caramba, ele precisa ser tão exagerado?

- Não fique aí mudando de assunto – reclamou a loira, dando-lhe um tapinha no ombro. – Hinata, trate de me explicar que intimidade é essa.

"Manter aparências" era o único pensamento de Neji e, se ele queria que isso não soasse como um simples casamento forçado para restaurar o clã Hyuuga, teria de ser mais ativo que Hinata naquela atuação. Não que ele quisesse tornar aquilo uma fantasia real e bonita, mas sua missão primordial ainda era proteger a prima. Lembrava bem das palavras do tio na noite passada, antes de ir embora:

- Preciso que haja como se isso fosse um relacionamento comum. Não quero que Hinata seja apontada como a ninja que aceitou um casamento como missão! Trate de fazer com que isso pareça real! Deixe que fique entre nós isso de casamento arranjado! Seja natural com ela, faça-a se sentir bem. Ela não é a maior ninja que conhecemos, mas é uma mulher que merece ser respeitada por todos. É minha filha, oras! Isso terá de ser um marco e tanto na vida dela também! Você... você estará com ela a vida inteira!

Não era uma missão lá muito fácil, mas era uma. E Neji, tendo Hiashi como superior, tinha de agir segundo as suas ordens. Trataria de explicar isso a Hinata depois, de preferência, quando Ino e seus amigos não estivessem por perto.

- Estamos namorando – respondeu Neji, laçando a cintura de Hinata com o braço.

- Quem está namorando? – Chouji chegou, com uma grande quantidade de batatas fritas no colo que lhe cobriam boa parte do rosto, deixando apenas os cabelos e metade da testa de fora.

- Neji e Hinata! Acredita nisso, Chouji? – Ino ajudou de imediato o amigo a se livrar da bagagem, que não pôde contar com a mesma ajuda vinda de Shikamaru. – As coisas estão mesmo mudadas! E você, Hinata, não diz nada?

A Hyuuga estava vermelha e confusa demais para dizer qualquer coisa. Na conversa que teve com o pai, ouvira qualquer coisa sobre união das famílias, missão, casamento arranjado, mas nunca ouvira nada sobre Neji ter de abraçá-la em público e anunciar namoro para seus amigos.

- A-acho que não há muito que dizer – disse ela com um meio sorriso no rosto.

- Anda, Ino, é nossa vez! Fica aí de fofocas e se esquece da vida! Que saco! – Shikamaru começou a descarregar o carrinho de compras sobre o balcão, surpreendendo até mesmo Neji por tamanha disposição, coisa que não durou nem até o terceiro pacote de batatinhas. – Estão esperando o quê vocês dois?

Ainda demoraram alguns minutos, os cinco falando sobre missões. Exceto por Ino que insistia no assunto namoro e casamento, sempre esticando o olho para os amigos e apontando, dizendo sentir pena da coitada que casasse com um deles.

- Uma vai morrer na beira do fogão para acalmar a fome do Chouji e a outra vai ter de ser uma atleta para viajar da cozinha até o quarto levando tudo no colo desse daí! – apontou Shikamaru com o queixo. – Bem, nos vemos depois, Hinata... E, Neji, trate de cuidar bem dela, hein?

A loira piscou antes de sair, jogando as compras sobre os amigos, metade para cada um.

No caminho para casa, nenhuma pergunta ou comentário sobre o acontecimento no mercado, pelo menos até chegar à porta, quando Neji lhe entregou as sacolas que fizera questão de levar.

- Neji-kun...

- Terá de ser assim, Hinata-sama. As pessoas não podem achar que estamos nisso por obrigação.

- Mas é.

- Hinata-sama, agirei como se isso fosse um namoro como qualquer outro. Não vou lhe tocar, nem lhe beijar nem nada. Mas aos olhos dos outros, serei o homem apaixonado que seu pai pediu para que eu fosse quando estivesse com você.

- E-eu... Ne-neji-kun! Não sei viver de mentiras!

- Trate de se acostumar. Sua nova missão é viver uma mentira. Até a noite, Hinata-sama.

- À noite?

- A levarei para tomar um sorvete – respondeu, seco.

--x--

Ao anoitecer, Hinata tomou um banho demorado e se vestiu com o cuidado de não parecer produzida demais. Ia até a sorveteria com Neji, segundo ele mesmo, e teria de conversar abertamente sobre aquela situação. Até quando eles iam suportar aquilo? Neji também não parecia feliz em ter de casar com ela. Lembrava bem do rápido encontro com Naruto e a insinuação a cerca de um romance entre o Hyuuga e Tenten. Se fosse mesmo verdade, ele não aceitaria se enfiar num noivado indesejado.

No alpendre, Hanabi estava sentada ao lado do pai e abriu um largo sorriso quando a irmã chegou.

- Anee-chan! Venha aqui!

Ela se adiantou na direção da irmã e permaneceu de pé na frente dela.

- Hinata, - Hiashi chamou, olhar penetrante no dela. – Hanabi disse que aceita casar com Neji pela unificação do clã.

O coração da jovem deu um salto. Mal podia acreditar no que acabara de ouvir. A tranqüilidade na voz do pai e o sorriso no rosto de Hanabi a faziam pensar que aquela era sua libertação. Mas não pôde evitar lembrar-se de Neji. Ele também não estava nessa por querer e, fosse qual fosse a noiva, ele estava fazendo isso pelo clã. Pela primeira vez desde que recebera aquela notícia, ela pensou que talvez aceitar aquele casamento fosse uma forma de se impor, de mostrar que ela era útil para alguma coisa dentro daquele clã. Mas, não podia negar, ficaria feliz em se livrar daquele casamento.

- Me-mesmo? – gaguejou ainda incrédula.

- E eu me pus a pensar, Hinata, - continuou Hiashi com menos brandura. – por que você não foi totalmente sincera com a sua irmã?

Hanabi levou um susto e encarou o pai.

- Qual de vocês duas é a herdeira do título de líder do clã Hyuuga? – perguntou ele com severidade.

- Sou eu – respondeu Hinata, baixando a cabeça.

- Pois bem. Se Neji casa com Hanabi, será apenas o casamento da filha mais nova da Souke com o Gênio da Bunke. Nada revolucionário, não é tão atraente.

As irmãs se entreolharam, confusas.

- Papai, eu pensei que... – Hanabi foi interrompida pelo olhar frio de Hashi.

- Hinata, quando o Neji chegar aqui, hoje, é para selar compromisso com a herdeira do título de líder do clã. A filha mais velha de Hyuuga Hiashi. E se nem um casamento você consegue assumir, diga-me o que diabo você espera da vida? Por que como ninja eu já desisti de você.

As palavras do pai fizeram com que Hinata se sentisse ainda pior. Agora, Hanabi tinha um olhar desolado e decepcionado. Evitava encarar a irmã mais velha e fez questão de sair do alpendre no instante em que reconheceu a figura de Neji a se aproximar.

Hinata suspirou longamente e não ousou contrariar o pai. Voltou na direção de Neji e o cumprimentou logo que ele parou.

- Neji, - começou Hiashi pondo-se de pé. – confio Hinata a você. Conversem e tratem de não procurar maneiras de fugir desse noivado.

Ficaram sozinhos. Neji arqueou a sobrancelha, tentando entender o que o tio tinha insinuado com aquilo. Esperou que Hinata lhe dissesse, mas ela apenas baixou a cabeça e esperou que ele tomasse a iniciativa de conversar.

- Vamos tomar o sorvete.

O encontro dos dois era tão frio quanto os sorvetes que levavam. Raras eram as vezes que se encaravam e mais raro ainda era trocar palavras. Durante muito tempo ficaram nesse silêncio frio por muito tempo, até que foram abordados por uma voz familiar.

- Olá!

Do outro lado da sorveteria, acenando e sorrindo, estava Ino grudada no braço de Tenten que mantinha uma expressão séria, porém pacífica no rosto.

- Olá, Ino-chan! Tenten-chan! – Hinata acenou com um meio sorriso, mas não pôde ignorar a forma que Tenten a olhava. Parecia curiosa ou descrente.

- Vamos sair, Hinata – chamou Neji, pegando-lhe pela mão.

- Ma-mas... eu queria ir falar com as...

- Vamos.

Puxou-a para fora da sorveteria, onde as duas ainda observavam o casal se afastar.

- Quem diria! – exclamou Ino ao receber o sorvete. – Nunca imaginei que Neji e Hinata ficariam juntos um dia.

- Ainda não acredito, se quer saber. Eles não têm nada a ver!

- Ah, Tenten! Não seja boba! Está dizendo isso por que o Neji te enrolou por um bom tempo, não é?

Tenten revirou os olhos e saiu da sorveteria puxando Ino pela mão. Não era mesmo necessário ficar falando daquilo.

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(1) Imooto-chan – Irmã mais nova

(2) Otou-sama – Pai

N/A: Well, já vi que essa história vai ser longa XD Tenho planos mirabolantes para o casalzinho! A partir do próximo capítulo, pegarei pesado nas insinuações de algum Yaoi que desenvolverei aqui. Shino e Kiba. E tenho dito! Ò.Ó! Também insinuarei alguns triângulos divertidos, porém ainda não sei que outros shippers terão lugar por aqui. Mas, para os que gostam e os que não, já deixo avisado que haverá Shino e Kiba implícito aqui. E sim, é para o meu bel prazer! 8)

Ah! Sim, Neji e Tenten tem um negócio mal resolvido... e isso será fator de extrema importância! Garanto! Muitas lágrimas, sofrimento e dor estarão por trás desse romance! MUAHAHAHAA Tenham medo de mim, cats!