Oi gente ! Tá aí mais um capítulo, Ah devo alertar que esse capítulo tem menções a suicídio e descrição gráfica forte. (nada muito grave mas não custa avisar).
Uma senhora de aparência preocupada surgiu na varanda da pensão.
-Sra. Merrilow eu presumo – Sherlock apertou sua mão – eu sou Sherlock Holmes, vim por causa da sra. Ronder.
-Ah sim vejo que a srta. Hooper o trouxe sr. Holmes – ela respirou aliviada – entrem por favor, ela está os esperando.
Molly e Sherlock acompanharam a sra. Merrilow subindo as escadas e pararam em um dos quartos do corredor.
-Sra. Ronder? – a dona da pensão perguntou depois de bater na porta - o sr. Holmes está aqui, por favor abra.
Nenhuma resposta. Sherlock pensou que talvez ela precisasse de alguma prova para acreditar que ele estava ali.
-Sra. Ronder sou Sherlock Holmes vim aqui para ajuda-la, por favor abre a porta – ele pediu educado porém firme.
Depois de um tempo a porta se abriu, revelando um rosto de olhar melancólico, boa parte dele escondido por um véu, preso por um gorro e o capuz do moletom que ajudava a esconder tudo.
-Entre senhor – a moça disse tristemente.
-Com licença gostaria que minha colega me acompanhasse – ele fez questão da presença de Molly, o que a surpreendeu.
-Essa é srta. Hooper? – Eugenia perguntou e Molly assentiu – pode entrar.
Ambos entraram e a sra. Merrilow os deixou, para ouvirem o que Eugenia Ronder tinha a dizer.
-Devem estar se perguntando o porquê do meu rosto estar coberto – ela suspirou – vou contar tudo desde o início.
A sra. Ronder narrou a história de um incidente em um circo há alguns anos atrás, onde ela trabalhava ao lado do marido violento, quem ela pretendia deixar para fugir com Leonardo, outro membro do circo. Planejaram juntos matar o sr. Ronder incriminando o leão do circo conhecido como Rei do Saara. Infelizmente o leão escapou e feriu gravemente o rosto dela. Leonardo havia fugido covardemente nesse momento, a deixando desamparada.
Enquanto ouvia a história, Molly anotou tudo, ainda conseguindo perceber as emoções e mínimas reações de Sherlock. Quando precisava observá-lo, era tão perceptiva quanto ele. Com o passar dos anos, conseguiu controlar melhor essa habilidade. Descobriu que havia momentos em que ele não merecia seus créditos e admiração. Mas mesmo assim, Molly ainda considerava muito Sherlock.
-Você nunca mais viu o Leonardo? – Sherlock perguntou, voltando os pensamentos de Molly ao caso.
-Não – a sra. Ronder respondeu – descobri que ele morreu afogado há alguns meses atrás.
-Acidente? – o detetive voltou a perguntar.
-Sim – a moça confirmou – se aventurou demais em alto mar. Bem sr. Holmes, confiei meu segredo a você antes de eu partir – ela disse pesarosa.
-Como assim? – ele perguntou mesmo deduzindo o motivo.
-Eu vivo uma vida infeliz aqui há muito tempo – Ronder explicou – agora que fui vingada posso morrer em paz.
-Por favor não faça isso – Molly tomou a frente mais uma vez surpreendendo Sherlock-por que acha que sua vida não vale mais a pena?
-Ainda pergunta srta. Hooper ? – indagou a moça, amargurada – não sei se gostariam de ver o motivo.
Houve um momento tenso de silêncio entre os três. Então Eugenia Ronder decidiu revelar seu rosto a eles. Um grande buraco repondo a carne viva se seguia logo após a linha do olho direito alcançando a linha do queixo, a ferida tomava parte dele. Aquilo foi o suficiente para chocar tanto Sherlock como Molly, mesmo acostumados a ver tantos ferimentos. Mas isso era em cadáveres.
-Eu lamento muito – ele tomou a palavra para o espanto dela, que não sabia o que dizer.
-Eu estou cansada de viver me escondendo e tendo que viver de pena – disse Eugenia Ronder ainda mais amarga – agora eu posso morrer em paz, meu segredo está bem confiado em suas mãos sr. Holmes.
-Por favor não faça isso – Molly implorou segurando as mãos dela de um jeito maternal – eu sei que é muito difícil, o que você perdeu é impossível de recuperar, mas você pode contar conos... comigo, a sra. Merrilow, sei que não é muito, mas pode contar com a gente.
-Você é muito gentil srta. Hooper – Eugenia tentou sorrir – mas pra mim não vale a pena. Pelo menos conheci o ilustre Sherlock Holmes dos jornais e daquele blog.
-Se você me admira, me permitiria ajuda-la? – ele olhou bem pros olhos dela, ignorando o terrível ferimento.
-Acho que não pode sr. Holmes – a sra. Ronder balançou a cabeça desanimada – eu...
-Creio que o descaso da saúde pública a magoou o suficiente para tirar seu vigor e mesmo que você admita ou não, sei que se médicos restaurassem seu rosto você poderia ser feliz e reiniciar sua vida, dar a ela novo sentido – ele continuou falando – venha comigo agora mesmo e eu vou ajuda-la.
Seu comando foi tão enérgico e convincente que Eugenia teve que reconsiderar. Molly ainda estava perplexa em ver o frio detetive ser tão insistente num ato de bondade. Ele mandou uma mensagem para Mycroft solicitando que arranjasse uma cirurgia. Enquanto isso, Molly ofereceu um abraço a Eugenia que acabou aceitando. Em questão de segundos, Anthea deu uma resposta positiva à mensagem de Sherlock.
-Faça suas malas sra. Ronder não temos muito tempo até o carro chegar aqui – ele disse alegremente.
-Carro? Que carro? – Eugenia ficou confusa.
-Você vai vir comigo e Molly para Londres – Sherlock explicou – meu irmão acabou de arranjar sua cirurigia.
-É sério? – a moça não conseguiu conter as lágrimas - eu nem sei como agradecer sr. Holmes.
-Eu sei, faça suas malas – ele pediu – Molly ajude ela. Espero vocês com a sra. Merrilow.
Molly o viu sair, ainda embasbacada por sua atitude. Enquanto ajudava Eugenia, pensou com esperança na possibilidade de Sherlock se tornar mais humano.
A história da Eugenia vem diretamente do conto original do sir Arthur Conan Doyle, A inquilina do rosto coberto.
