Capítulo III- O RENASCIMENTO
"Desperta!
Desperta ó criatura adormecida
na terra das sombras, desperta!"
William Blake
A Batalha contra Hades havia dado inicio. Para os habitantes da terra tudo prosseguia normalmente, como se nada tivesse acontecido. Nem imaginavam que uma batalha sangrenta que definiria o destino de todos estava sendo travada no inferno. Julian prosseguiu em sua jornada para levar um pouco de alegria e esperança para aqueles que haviam perdido. Julian segurava uma criança risonha que ria alegremente para ele quando um súbito mal estar toma conta do seu corpo. Sorento estava presente e logo correu em sua direção para ampará-lo.
-Estou melhor, foi apenas uma vertigem. Preciso descansar um pouco. Vamos até a beira daquele penhasco um pouco.
Sorento estava visivelmente preocupado, havia algo muito estranho acontecendo. Desde aquela noite de revelações Julian ficou mais retraído e pouco falava. Seu semblante que revelava um garoto vivaz e tranqüilo cedeu lugar a um homem atormentado. Aos poucos eles chegam a beira do abismo. Lá embaixo o mar batia violentamente contra as rochas e no céu era possível observar o inicio de um eclipse. Julian esticou os braço aspirando o ar para dentro dos pulmões e então novamente sentiu algo estranho.
"De novo aquela sensação, a mesma que senti. Ele está querendo tomar meu corpo novamente."
Julian lutou inutilmente contra aquela força que o dominou por completo. Ele podia sentir os pensamentos daquele outro ser e então compreendeu. Neste momento toda sua resistência contra aquele deus se extinguiu. O pensamento de um e de outro se misturaram.
"A terra será apenas sombras. Todos os seres vivos perecerão.
Athena está lutando no inferno contra Hades.
Saori...
As armaduras são a única maneira de ajudar.
Saori...
Não temos tempo de alcançá-la
A ânfora...
Somente Athena sabe onde está.
Saori...
Hades, é preciso detê-lo"
A vontade de Julian foi mais forte e com o poder divino, ele consegue chegar ao cosmo de Athena. Ela parecia estar em um sono profundo, mas seu cosmo podia ser sentido.
-Saori...
-Julian...Poseidon...
-Onde está a ânfora? Não temos tempo, é preciso deter Hades.
Athena não se manifestara, não sabia ao certo se ela estava pensando ou se estava perdendo seus poderes, apenas o silêncio entre os dois. A força de Poseidon estava se enfraquecendo, a qualquer instante ele retornaria ao sono profundo. Era preciso fazer algo.
- Não há tempo de um conversa mais longa, mas gostaria que prestasse atenção. Saori, eu sei que lhe fiz muito mal e não tenho palavras para dizer o quanto lamento. Poseidon usa sim meu corpo, mas minha vontade ainda é maior e neste momento meu único desejo é salvá-la. Só assim poderei ter um pouco de paz. Eu preciso...Saori.
Uma única imagem ficou gravada na mente de Julian e então ele novamente percebe aquela paisagem, o mar a sua frente, estava de volta ao rochedo. Ele se vira e encontra Sorento totalmente confuso, sem entender o que estava acontecendo. Então se vira e começa a contar o que acabara de descobrir.
- Este eclipse não é normal Sorento, é obra de Hades. Se ele não for detido, toda vida sobre o planeta perecerá. Poseidon sabe disso e ajudou os cavaleiros de Athena, mandando as armaduras de ouro.
Sorento fica perplexo diante das revelações. Julian olha fixamente para Sorento e ordena.
- Sorento eu preciso que vá imediatamente trazer algo para mim. Você deve ir ao Santuário.
-Santuário...de Athena?
-A ânfora. Ela se encontra guardada abaixo da estátua de Athena. Procure não se confrontar com ninguém lá, aproveite o momento em que todos voltam suas atenções para Hades.
Novamente Sorento arregala os olhos, sabe a implicação daquelas palavras. Mas desta vez tinha certeza que era unicamente a vontade deles, Poseidon e Julian e não de outra pessoa. Cumpriria o que lhe fora confiado. Sorento sem dizer mais nada, apenas acena com a cabeça. Um segundo mais tarde seu cosmos aumenta e uma enorme luz irradia em torno do corpo dele, ele agora portava a armadura de Sirene. Imediatamente seu corpo desaparece, um raio de luz atravessa os céus, era Sorento rumando para o Santuário. Julian permanece pensativo aguardando o retorno do marina.
-Boa sorte.
Parecia uma eternidade o tempo que Sorento havia partido, mas algum tempo depois ele ressurge, segurando o objeto nas mãos, ele conseguira. Sorento se aproxima e entrega nas mãos de Julian.
-Tem certeza do que quer fazer Julian?
-Nunca tive tanta certeza.
Julian com as mãos trêmulas segura a ânfora e percebe logo o selo de Athena. Ao arrancar o selo, Poseidon seria liberto de vez.
"Poseidon possuirá de novo meu corpo, mas desta vez as coisas serão diferentes"
Julian segura o selo para arrancá-lo. Uma aura azul começa a cobrir seu corpo, Poseidon manda suas últimas energias para que Julian destrua o selo e o faz. Uma enorme cosmo energia sai da ânfora rumo aos céus e um segundo mais tarde atinge Julian. Este abaixa a cabeça e quando se levanta seus olhos flamejam. O mar parece referenciar seu senhor, formando inúmeras ondas. Numa delas um brilho dourado segue até próximo ao rochedo. Nas mãos de Poseidon materializa seu tridente e em seguida o brilho vindo do mar revela ser sua armadura, que funde-se ao seu corpo. Sorento ajoelha-se perante seu senhor. O deus dos mares estava novamente desperto.
-Sorento, precisamos ir ao Elíseos imediatamente antes que seja tarde. Mas para isso é necessário...meu sangue.
-Mas porque?
Poseidon se aproxima de Sorento e pede para que este permaneça ajoelhado. No instante seguinte ele tira uma das proteções do braço, rapidamente faz um corte preciso no pulso e estende em direção a armadura de Sorento, o sangue pingava e fazia a armadura de Sirene cintilar. O deus dos mares então retira o braço e estanca o sangue, colocando de volta a proteção.
-Somente os deuses podem atravessar para o Elíseos ou quem estiver com o sangue...de um deus. Os cavaleiros de Athena estão lá graças ao sangue da deusa. Fiz o mesmo para que você possa me acompanhar. Mas agora preciso que preste atenção, sua lealdade por mim sempre foi grande e neste momento eu preciso te pedir algo valioso... sua vida. Pode confiar em mim.
Sorento escuta atentamente e nota que a última frase era no fundo de Julian, talvez isso o deixasse mais calmo.
-Desde que me tornei um marina jurei servi-lhe e dar minha vida. Se ela é necessária para salvar a todos nós que assim seja. Estou pronto.
-Que assim seja então. Amplifique seu cosmo ao máximo. E lembre-se você deve lutar com todas suas forças e ajudar os cavaleiros de Athena.
-Eu não compreendo...se eu morrer...
-Entenderá Sorento. Acredite...eleve se cosmo agora.
Poseidon se aproxima de Sorento e com seu tridente transpassa o corpo do marina, seus olhos mostram uma dor e em seguida apenas serenidade. Poseidon apóia o marina nos braços, evitando sua queda. Um enorme clarão se faz e o que resta naquele rochedo é uma suave brisa. O mar agora estava calmo, única testemunha dos acontecimentos ali ocorridos. A batalha estava apenas começando para os dois.
