CAPÍTULO VIII
Os arredores da Corte de Justiça de Old Baley*, na Londres central, estavam em polvorosa para o julgamento de Edward Masen, acusado de uma gama de crimes capaz de despeitar inveja nos maiores criminosos do mundo inteiro.
* É a Corte Criminal Central da Inglaterra, responsável pela maior parte dos casos criminais de Londres.
Chegando ao prédio histórico em uma Lamborghini de cor escura, acompanhado de sua magistral equipe que englobava os maiores juristas da Europa, ele foi clicado por todos os periódicos respeitados ao redor do mundo. Sua figura solene e jovial revestida pelo terno cinza, os cabelos bronzeados emanando raios de luzes solares, o sorriso afável com que ele respondia às perguntas menos afáveis formuladas pelas redes de televisão, tudo nele transmitia autoconfiança.
Abotoando a última casa do terno, ele marchou para dentro do prédio do século XVIII, lugar onde seria decretado seu destino. Porém, não antes de acenar para as câmeras, através das quais sabia ser assistido por donas de casa inglesas à hora da refeição.
Na sala de audiências, onde um juiz e os jurados investidos pelos poderes da lei se reuniriam para culpá-lo ou inocentá-lo, sua família e aliados estavam reunidos. Mais ao fundo, enfileiravam-se os comparsas de negócios, homens poderosos que eram validados por Edward Masen, e, em troca, apoiavam-no incondicionalmente quando necessário. Prefiguravam uma imensidão de profissionais diversificados, sendo eles desde sindicalistas a donos de bancos de investimento.
Nas fileiras intermediárias, podiam ser vistos também parceiros, mas diferenciados dos primeiros por nutrirem relações mais pessoais com o réu. Naquele escalão, estavam os gratos funcionários da Denali Empreiteira, que se encarregariam de lacrimar pelo chefe se preciso fosse, Rosalie Hale e Emmett McCarthy. Ela, uma célebre ex-amante do mafioso; ele, talvez seu maior amigo.
Porém, apenas os componentes da primeira fileira rivalizavam vagamente com o réu pela atenção dos flashs. Carlisle e Esme Cullen, tios para todos os efeitos, sentavam-se civilizadamente lado a lado, não deixando transparecer as desarmonias eclodidas no último fim-de-semana. Com eles estavam as duas lindas garotas gêmeas, que tratavam de coroar o casamento aparentemente perfeito.
Eles despertavam interesse, embora o verdadeiro frisson coubesse à jovem de meias negras e vestido de igual cor, embora fosse quase verão na pálida Londres, cujo decote era tampado pelo majestoso colar de grandes pérolas de três voltas. Sua falta de cor, conferida pela náusea que atribuía ao nervosismo, somente enobrecia sua pessoa com um ar etéreo. Isabella Swan, a filha mais dileta de Birmingham, cuja árvore genealógica esbarrava no rei James I da Inglaterra e em todas as cabeças decepadas da monarquia francesa, seria uma presença inadequada para o julgamento de um gângster moderno.
A imprensa, por liturgia, esquivava-se de rotular sua ligação com Edward Masen. Para ser amante, teria de existir uma esposa, e a senhora Masen estava tão distante da vida do marido, que muitos duvidavam de sua existência. Para todos os efeitos, Isabella Swan era sua dama, a única por sinal, a quem os comparsas da Máfia dirigiam suas lembranças por convenção.
- Estamos aqui para julgar o réu Edward Anthony Masen pelos crimes de associação ao tráfico e lavagem de proventos ilícitos... – o juiz enunciou, entoando-se pretensiosamente como o dono da Providência Divina.
O acusado em questão encenava com arte a tranqüilidade dos inocentes. Bella não deveria estar à beira das lágrimas.
- Acalme-se, querida, tudo terminará bem – Esme tocou sua mão discretamente.
A moça mordeu o lábio e lhe respondeu com um olhar esperançoso. Entretanto, o que ela gostaria era que Edward se virasse e fizesse o que fosse para contrariar a distância mental que impusera nos últimos dias.
- É como se eu não estivesse lá, ou quase isso – Bella segredara a Alice por telefone mais cedo. – Ele não é inapropriado ou algo do tipo. Pelo contrário, toma café da manhã comigo e me pergunta como estou na faculdade. Depois, deseja-me um bom dia e parte, sem dirigir a mim o menor relance sequer. À noite volta para casa, tarde da noite, e se deita sozinho no quarto de hóspedes. Ontem eu o ouvi sendo rude com Emmett por celular, como nunca foi – engoliu em seco, antecipadamente constrangida com o que confessaria. – E Edward não me... toca... desde sábado.
Levando-se em consideração que estavam na quarta-feira, Edward não demonstrar interesse por sexo desde a manhã de sábado era um evento inédito.
Ouvindo o mafioso ser convidado a depor, Bella voltou a atenção ao julgamento.
A sorte dele começaria a ser delineada. E sabê-lo desencadeou nela uma necessidade irresistível de expelir o café que tomara na sala de espera. Sem tempo para pensar, abriu espaço entre os demais expectadores, rebocando para si o interesse de todos. Pela primeira vez, Edward, entreouvindo o burburinho, voltar-se-ia para entender o que se passava.
Tudo o que ele pudera ver era sua trança embutida sacudindo devido ao movimento dos passos acelerados. Inquieto, contorceu os lábios, e pela primeira vez em dias, lançou a Esme um olhar que não era de rancor, era de súplica. Desnecessariamente, porém. Sua tia já estava no encalço de Bella.
E alcançou-a no toalete a tempo de ouvir o baque da cabine.
- Bella...! – a tia do mafioso esbaforiu. – Abra a porta! Se alguma coisa acontecer, eu preciso socorrê-la!
Não demorou a perceber que a tampa do vaso sanitário era levantada com força, e que, instantaneamente, Bella esvaziava ali dentro seu estômago. Ela inclinou-se contra a porta, angustiada e preocupada.
Para sorte da garota, o banheiro fora limpo há alguns minutos pela equipe de limpeza. E mesmo que não o fosse, não importaria muito. Tudo o que podia pensar era que provavelmente se esvairia naquela crise de vômito, que roubava do seu organismo tudo o que comera naquele dia e, depois, o líquido biliar. Ao fim, mais estabilizada, deu a descarga, limpou a boca com um lencinho que trazia na bolsa e abriu o trinco da porta a para permitir a Esme ampará-la até a pia.
- Eu quase morri de susto! O que está se passando, minha querida?
Bella molhou seu rosto e nuca com água corrente da torneira, desgraçando a sublime maquiagem.
- O café não me fez bem, e além do mais eu acho... eu acho... que foi aflição... – sibilou com um fio de voz.
A cafetina forneceu-lhe lenços de papel para que se secasse.
- Edward já passou por diversas situações como esta. Ainda me ponho nervosa, mas tudo invariavelmente termina com ele inocentado por falta de provas – tranqüilizou-a. – Esses advogados são muito bons, e nem precisariam ser, se me permite dizer. As pessoas têm medo de testemunhar contra ele...
- Eu ando tão nervosa! – assumiu com os olhos brilhantes. – Quase não consigo comer, tudo me enoja, qualquer comida me parece pior que sopa para dar a mendigo e indigente. E veja só como estou agora! – gesticulou, pretendendo demonstrar sua própria decadência mental. – Estou chorando! Incrível, não é? Tem vezes que sinto apenas vontade de... chorar!
Encostou-se no ombro de Esme e pôs-se em prantos, enquanto ela lhe afagava carinhosamente a cabeça.
- Não há problema, filha. Faça o que o seu coração está mandando. Algum dia, tudo passa.
Aguardou paciente o momento emocional da garota e depois a ajudou a procurar na bolsa o enxaguante bucal.
- Há quanto tempo você está assim, Bella? – perguntou despretensiosamente, como se estivesse desejando saber as horas.
- Hum... – cuspiu o produto de higiene após alguns gargarejos. – Uns cinco dias, talvez.
- Andou se alimentando?
- Ontem eu consegui comer apenas batata cozida com azeite e acelga, mas comi. E hoje, bebi um copo de suco de melão antes de sair de casa, além do maldito café na sala de espera.
Enquanto Bella retocava a maquiagem a fim de devolver-se um mínimo de cor, Esme a estudava com cuidado. Em sua extensa experiência com mulheres atravessando àquela situação, nunca falhara um palpite.
- Prometa para mim que não deixará de comer e que dormirá, no mínimo, seis horas ao dia...
- Se depender de mim, eu apagaria os dias inteiros! Esta noite eu dormi quase onze horas ao todo, e mesmo assim precisei do auxílio de Zafrina para pôr-me de pé! – retorquiu, os olhos ainda ofuscados pelas lágrimas.
- Então descanse tanto quanto o seu corpo está pedindo. Você mesma não disse que está praticamente quitada com as obrigações com a faculdade, por enquanto? – acariciou maternalmente seu rosto. – Descanse o máximo que puder. Não fume, não beba alcoólicos e não procure aborrecimentos.
Mais ocupada em proporcionar à sua aparência aspecto saudável e tranqüilo, e deixar aos tablóides sem novas notícias sensacionalistas, Bella sequer notara que Esme não estava a lhe aconselhar. Ao invés, ela pedia com fervor. Talvez até mesmo implorasse.
E daquela vez, agia exclusivamente por amor.
Tanya Denali Masen despertara muito antes do amanhecer naquela quarta-feira, mesmo que fizesse o máximo para permanecer na cama solitária. Com toda dignidade que poderia reunir, preparou o ambiente da sala de sua residência em Fulham para precisar levantar o mínimo possível. Instalou-se na poltrona confortável e ligou a televisão atipicamente na BBC, uma vez que costumava a trafegar apenas entre os canais russos disponibilizados pela TV paga. Ela levantou um ambiente agradável, pois quem sabe estaria grávida? Ela estava esperançosa com a inseminação artificial qual se submetera dias atrás fora vitoriosa, como estivera em todas as outras.
Buscando aplacar a ansiedade, refletira o quanto a imprensa inglesa era irrevogavelmente atraída por seu marido. Poucas vezes a História contara com criminosos dotados do seu perfil perturbador. Sua beleza e porte atlético eram supérfluos se o carisma e magnetismo pessoais entrassem na berlinda. Amado ou odiado, inocente ou culpado, todas as assertivas eram indiferentes. O certo era que Edward Masen não poderia ser ignorado, e não seria Tanya a manifestar-se de forma contrária à tendência.
Seu marido não precisaria sequer ser tão talentoso. Ela era uma mulher da Máfia acima de qualquer qualificação, a despeito da criação austera e religiosa, que aprendera muito satisfatoriamente o papel do gênero na vida dos homens. Para Tanya, ser esposa era agir conforme ela naquele momento, sentada diante da televisão para acompanhar em tempo real a defesa do marido, com a licença para cochilar por vezes. Julgamentos podiam ser muito enfadonhos, no final das contas.
E foi com júbilo que Tanya ouviu o juiz declarar a inocência de Edward, porque todos os homens o eram até que se provasse o contrário, algo que sequer os melhores promotores conseguiram imputá-lo. O sorriso singelo dele denunciava que não presumia um veredicto diferente.
Tanya acompanhou, pela televisão, os olhos do marido esquadrinhando a multidão alvoroçada, à procura de alguém que ela sabia quem. Um dos seus advogados interrompeu-o para sussurrar algumas palavras ao pé do ouvido, às quais ele aquiesceu; depois, novamente como um cidadão livre, e não mais sob liberdade condicional, ele atravessou os limites que separavam o púlpito da platéia e foi para o lado de sua família, onde recebeu um apertado abraço de Carlisle.
Ele desfez-se discretamente dos cumprimentos efusivos de Esme, algo que Tanya não maliciou. A mulher atrás dela mereceria um pouco mais de atenção, contudo.
Tanya não era ingênua o suficiente para não perceber que ele procurara os lábios nela, apesar de receber somente um dos lados da face.
- Ela é bem mais baixa que a senhora – sua criada russa comentou em suas costas. – Veja bem, ela está de salto e mal alcança a nuca do senhor Masen.
A pobre senhora a tomara de assalto, quando ela não desconfiava que estivesse acompanhada. O desdém não era capaz de consolar Tanya.
- Edward gosta muito dela – comentou absorta, os observando deixar de mãos unidas o tribunal, acompanhados por todos os flashs. – E Esme, Kate e Irina também. Até Carlisle já escutei elogiar sua inteligência.
- Ela nem é assim tão bonita! – a mulher gorducha articulou, contorcendo o rosto em uma careta. – É branca demais, com um rostinho de adolescente que não deixa claro se é uma mulher ou uma menina. Essas inglesas comem pouco, parecem que nunca tomam sol, e não fazem questão de aparentar mais que quinze anos de idade. Mas na verdade são todas umas anêmicas.
Franzindo o cenho, Tanya procurou vislumbrar em Bella todos os defeitos que sua criada mencionava. Analisando objetivamente, não havia nada de errado com sua aparência, e mesmo se houvesse, Edward indubitavelmente não entendia assim. Ele parecia orgulhoso em ostentá-la por todas as partes do mundo, e devia realmente aproveitar muito de sua companhia. Do contrário, apareceria em sua residência oficial, aquela que compartilhava com a esposa, mais que as três vezes em que dera o ar da graça nos últimos quinze dias. E provavelmente passaria alguma noite ali, acontecimento sem precedentes há meses.
Era óbvio que Edward não se ligara emocionalmente à esposa. Entretanto, talvez existisse remédio para sarar àquela moléstia.
- Eu preciso engravidar! – pulou da poltrona, sobressaltada. – Isto é o que falta para Edward ser capaz de enxergar a mim, não a ela. Como eu faço para presentear o meu marido com um filho, Annya? Cinqüenta especialistas ou mais já afirmaram ser impossível, e que o meu ventre é árido como o deserto... – abaixou os olhos, sua tristeza fulminando o assoalho. – Mas deve haver um jeito. Preciso me apegar a Deus, é isso, só pode ser isso! Farei uma promessa à Virgem Santíssima e ela me atenderá, beijarei costas de idosos cobertas por escaras, acalentarei no meu colo pés feridos de mendigos... qualquer coisa para engravidar, Annya!
E ao fim, Tanya caiu em choros soluçantes. Annya, presenciando seu desespero, penalizou-se. Acolhendo a patroa em seu regaço, maldisse mentalmente as mulheres como Isabella Swan, que com seus ares superiores encobriam suas reais naturezas de feiticeiras vis, prostitutas de luxo que encantavam os maridos e levavam à infelicidade as boas esposas como Tanya.
Baixinho, a fiel Annya declamou uma oração que aprendera na infância. Ela era uma senhora simplória, que servira à mãe de Tanya, e para isto tendia a fazer esquecer peremptoriamente os pecados da Máfia, mas que ainda acreditava na onipotência de Deus.
E se Ele era mesmo justo, faria com que a sua querida jovem senhora engravidasse. Annya estava piamente certa disto.
Se Bella soubesse como orar com honestidade, teria feito-o. Conforme Esme garantira, o veredicto foi anunciado sem contratempos, menos de cinco horas após aberta a audiência. Felizmente para todos, os advogados não precisaram lançar-mão de todos os trunfos para desacreditar as provas existentes contra Edward, e ademais, não roubaram do cliente toda a paciência que não andava abundante.
Todas as absolvições do chefe da Máfia russa na Inglaterra eram ostensivamente comemoradas, embora Edward não estivesse no clima para festejos. Ele e sua comitiva de amigos, parentes e associados dirigiram-se ao Sheraton Park Tower, talvez o melhor hotel de toda a capital inglesa. Lá havia um restaurante bastante intimista com esplêndida culinária, e Bella não hesitou em utilizar seu sobrenome para fechar a área para os convidados, mesmo que já houvesse reservas para a noite.
Sentada em uma mesa com as esposas dos advogados de defesa e de outros relacionados de grande quilate, Bella perscrutava por cima das amenidades se todos, em detrimento dos níveis sociais, eram convenientemente servidos. Deixou o chá praticamente intocado sobre a mesa, e ignorou couvert servido antes do jantar, mas ninguém repararia. Não em uma recepção para setenta convidados dispersos pelo salão do restaurante, cada qual alocado em mesas correspondentes à sua importância para a Máfia. E Edward estava bastante absorto em negociatas com os maridos das mulheres que ela entretinha.
A proposta oficial do jantar não era comercial, mas a oportunidade daquele encontro era impossível de ser ignorada.
Cumprindo seu papel, Bella obrigou-se a engolir corajosamente a sopa árabe, tomando o máximo cuidado para não degustá-la. Ela não poderia prever que era observada por Esme de outra mesa de esposas, mas dos funcionários da Denali Empreiteira. Ela enxergava somente um modo de ajudar a moça. Conversaria com Edward.
Escusou-se com suas companheiras de mesa e levantou-se, procurando aparentar o mais à vontade possível. Entretanto, sua mão estava trêmula ao tocar as costas do sobrinho.
- Edward, eu preciso falar com você – chamou-o.
Ele tornou-se para ela à contragosto, ainda cheio de mágoa. Será que ela não percebia que conversava importantes assuntos com alguns dos detentores das maiores fortunas do Reino Unido?
- Depois! – decretou.
- Não, Edward. Agora – ela imperou, apesar da docilidade.
Seus parceiros de negócio não demonstraram reparar o confronto de vontades, pois contemporizaram alegando que ele deveria atender a tia. Com um aceno para todos, levantou-se e seguiu-a até o bar.
- Espero que seja realmente importante esse assunto, para valer mais que os benditos cem milhões de dólares meus que estão retidos nas Ilhas Virgens neste exato momento! – ele rolou os olhos e debochou.
- Eu entendo este aborrecimento comigo, mas por favor, deixe-me falar...
- O que você quer falar, a verdade, pela primeira vez? – ao barman, pediu vodka. – Pois saiba que é tarde demais, eu não sou mais a porra de um órfão precisando de carinho fingido!
- Não, eu nunca menti a você, Edward – jurou à tangente das lágrimas. – E o meu carinho, muito menos o meu amor, foram fingidos. Mas não pedi um momento com você por mim, porque sei que minhas atitudes são indefensáveis, e que dependerei do seu perdão e de Carlisle para ter paz. Estou aqui por você, por amor...
- Não coloque aquilo que você chama de "amor" no meio!
- O amor é o começo, meio e fim. E não há uma atitude minha para você que não tenha sido por amor – tentou afagá-lo no rosto, mas ele desfez-se deliberadamente. – Existem pessoas que perdem a vida inteira buscando sonhos, alguns possíveis, outros nem tanto. Outras alcançam seus sonhos sem nem ao menos se dar conta disso...
- Blá, blá, blá... o meu tempo é precioso, não é maneira de falar, porque neste exato momento estou deixando que confisquem cem milhões de dólares...
- Existem valores mais importantes que o dinheiro, e você sabe disso bem, meu filho!
Edward bateu com o copo de vodka no balcão, após tomá-la em um único e curto gole.
- E é você quem pretende me transmitir valores agora?
Esme, de voz modulada, imprimia nas palavras todo o sentimento que podia:
- Eu sou sua mãe em meu coração! – afirmou com emoção. – E tenho certeza que, apesar do que fazemos para viver, muito do homem maravilhoso que você se tornou é devido a mim...
- Encerrou o discurso, mamãe? – retorquiu com escárnio, checando o relógio impacientemente. – Então se você me permite, vou tentar salvar alguns dos meus milhões...
Ele virava-lhe as costas, contudo Esme impediu a completeza do movimento.
- Bella precisa de você! – desabafou, sem exceder o tom de voz. Edward seria apto a distinguir o nome da amante no meio de uma orquestra, se preciso.
- Isabella... o que ela tem a ver com isso? – voltou-se lentamente.
Esme umedeceu os lábios ressecados pelo nervosismo.
- Ela nunca precisou tanto de você. Não há mais ninguém no mundo inteiro que possa ajudá-la, meu filho...
- Esta porra de "meu filho" é chata como o inferno... – brevemente seus olhos procuraram o perfil de Bella, sentada de costas, emproada e cheia de si como sempre. – Esqueça isso e diga qual confusão Bella andou procurando. Eu não sei como uma pessoa com o estilo de vida dela consegue atrair perigo há cinqüenta quilômetros de distância, como se fosse um ímã para pessoas e situações ruins. Se for algo relativo a Alec, ainda o marginalzinho derrotado, eu lavo minhas mãos. O máximo que posso fazer é viajar com ela para fora do país no final de semana, e obrigá-la a esquecer de uma vez desse...
- Bella está grávida – ela cuspiu secamente e sem anestesia. Era o único modo de brecá-lo.
Edward teria juntado o espesso cenho, caso dependesse do seu esforço.
- Você está brincando, Esme – ele determinou, mesmo sabendo de antemão que estava errado. Não fazia o estilo de sua tia.
Ela estudou-o por um minuto, enquanto ele atravessava os cabelos com os dez dedos, um antigo vício para extravasar a tensão. O barman, percebendo o clima impróprio ao entretenimento que reinava ali entre eles, estava afastado atendendo os outros convidados interessados por drinques.
- Estou falando sério – ela garantiu, embora desnecessariamente.
- Não pode ser... – ele tentava juntar todas as peças, falhando. – Bella e eu sempre fomos cuidadosos, ela ainda mais. Eu a vi tomando a injeção trimestral há menos de dois meses...
- Após a doença de Bella na América do Sul, talvez vocês não tenham tomado prevenções adicionais – ela leu no rosto do sobrinho o espanto. – E ela foi medicada com antibióticos, corticóides e antialérgicos, segundo me disse.
Edward esfregou o rosto, como alguém a despertar de um longo sono.
- Sim, faz sentido. Certos remédios podem cortar os efeitos dos anticoncepcionais. Lembro de tantas vezes que já a vi explicar.
Sim, um sem-número de vezes Edward presenciara Esme ensinando às prostitutas como utilizar os anticoncepcionais como proteção adicional à camisinha. Também fazia parte destas lições as situações em que eles podiam ser neutralizados, e o alerta alcançava o vermelho quando se tratavam de antibióticos. Após dois ou três imprevistos, Esme, como chefe, finalmente suspenderia qualquer funcionária com tratamentos daquela espécie em curso.
- Eu acho que seria bom se você tomasse alguma providência o mais rápido possível – a tia rebocou-o das reminiscências. – Bella é jovem e inexperiente neste sentido, e por não ter uma mãe ao lado para orientá-la e alertá-la, não percebeu o que está acontecendo com ela. Mas ela tem um grande convívio com nossas meninas, e é de se notar que boa parte delas esteve grávida algum dia antes de chegarem até nós. Elas vão perceber, e comentariam. Bella saberia da pior maneira possível, e os boatos poderiam alcançar Tanya.
Edward aquiesceu, subitamente recordando-se de Tanya. A esposa oficial, a filha de Denali, o degrau que escalara para alcançar seu atual patamar. Em sua mente, ela adquira uma aura irreal.
- Talvez você esteja errada... – relevou, atuando pela surpresa.
- Definitivamente não. Eu já vi demais mulheres como ela para me enganar.
Ele expirou arduamente. Esquadrinhou o copo vazio de vodka, necessitando de mais uma dose.
- Dia desses Bella estranhou o perfume da minha loção pós-barba. Ficou mais pálida que papel, inclusive pensei por um instante que ela fosse desmaiar. Mas eu estava muito transtornado para atribuir alguma importância... – martirizou-se. – Zafrina disse que ela anda se alimentando pouco. Eu pretendia explorar melhor o que se passava, pena que acabei voltado exclusivamente para a porra dos meus problemas.
Embora em silêncio, Edward recriminava-se por ser tão pouco perceptivo. Considerando que Bella zelava pelo bem-estar dele em detrimento do seu próprio, sua negligência era imperdoável.
- Foram fatos e descobertas demais nos últimos dias, meu filho...
- Não invente este papo de mamãe super-protetora e compreensiva! Porque quando você vê necessidade de sacrificar àqueles que diz amar ao monumento do seu egoísmo, não pondera mais de uma vez! – revoltou-se com ira, não se compadecendo pela postura acuada e ferida da mulher que o criou. – E talvez tenha vindo assoprar no meu ouvido merdas sem fundamento somente para encenar o papel de "Maria Madalena arrependida". Fique sabendo, Esme: eu não caio nessa!
Mesmo que desejando defender-se e fazer o sobrinho enxergar a razão, ela respirou fundo e ensaiou retirada, o mais paciente que um Ser Humano poderia. O recado fora lançado, e ela estava certa que, mesmo com a aparente descrença, Edward veria em curto prazo o que ela podia observar tão bem.
Antes de deixá-lo, entretanto, sua curiosidade a impulsionar a questionar:
- O que você pretende fazer?
Sentado no bancada, de costas para ela, o mafioso respondeu sobre o ombro:
- O que vou fazer caso Bella esteja mesmo grávida, é isso que você quer perguntar? – motejou, desprovido de um mínimo de leveza. – Eu vou fazer o que precisa ser feito, e você sabe o que é.
Um calafrio atravessou a espinha de Esme, somente em cogitar quais desdobramentos teriam de enfrentar. E não havia meios de fazê-lo retroceder, quando o painel era por si só irremediável. Fez o caminho de volta à sua mesa com a expressão fechada, porque não era treinada na arte da hipocrisia, como a mulher que tinha os olhos de Edward cravados em si.
Sorvendo da segunda vodka que o barman trouxera-lhe, o mafioso pestanejava a respeito das possibilidades. Sua tia era uma mulher de grande vivência, o que tornava desacreditá-la tarefa difícil; porém, encaixar os termos "Bella" e "gravidez" não deixava de ser surreal.
Como um trovão, Edward gargalhou. Deus lhe negara uma criança com uma das mulheres que mais desejara esta dádiva, a amável Tanya. Por que diabos, então, ofereceria uma à Bella, alguém tão avessa à idéia? Ele tentara engravidar Tanya por anos demais para acreditar ser fácil conceber por um descuido mínimo nos anticoncepcionais, em breves dias relaxando em uma ilha paradisíaca.
- Amigo, você poderia me emprestar uma caneta? – deixou a risada esvanecer aos poucos, e o barman lhe ofereceu uma.
De cima da bancada, Edward retirou do compartimento um guardanapo de papel e escreveu:
"O que posso fazer para dar o fora daqui com a mulher mais linda que meus olhos já viram?"
Cutucou um garçom sustentando uma bandeja vazia e apontou na direção de Bella. Após ler o papel, vislumbrou Bella franzir os lábios em desagrado, e responder com sua letra de garota que fizera do caderno de caligrafia constante companhia durante a infância:
"Se o senhor deseja sair daqui pergunte ao maître, ele deve saber informá-lo. Quanto à mulher, duvido que ela esteja disposta a perder a sobremesa por um homem tão grosseiro a ponto de abordá-la com bilhetinhos como um colegial."
Ele sorriu o mais comedido que pôde diante da colocação de palavras, porque não seria a sua Isabella se a resposta fosse diferente.
"Você tem razão" – ele iniciou a réplica, no lado inverso do guardanapo. – "Eu sou muito grosso, e para o seu azar sou tão audacioso quanto. Ainda tenho esperança que você desista da sobremesa e aceite subir para um quarto comigo."
Edward, daquela vez, sequer se esforçara para conter o sorriso sórdido, que se ampliou no instante em que o polido garçom levara o papel até ela mais uma vez. Percebeu-a agitar-se de perfil, indignada e afrontada. Bella assomava tanta ira enquanto escrevia, que ele se admirou que não tenha perfurado o material do guardanapo com a ponta da caneta.
"Nem por um Mandamento!" – quase julgava-se capaz de ouvir a mente dela gritando, enquanto lia.
Ele gargalhou comedidamente, dando-se por satisfeito de tesá-la.
"Você está pouco se fodendo para os mandamentos, sua menina má de mente na sarjeta. Quando eu mencionei a possibilidade de conseguirmos um quarto, quis dizer que gostaria de passar um tempo com você. Nada de sexo incluído nisso, apenas ficarmos juntos."
Ansioso, Edward viu-a despender um par de segundos com seu bilhete na mão, com as mulheres à mesa fazendo o possível para manterem o assunto, em detrimento da curiosidade. Virou-se para ele após, e por incrível que fosse, estava constrangida por ter alinhavado suposições erradas. Algo em sua expressão o fez criar coragem para ir até ela.
- Senhoras, com licença, mas Isabella tem um telefonema a aguardando... ligação de uma pessoa querida – interrompeu a pequena reunião feminina, lançando seu melhor charme. – Vamos? Você estava aguardando há um longo tempo.
Lacônica devido à surpresa, Bella aceitou seu auxílio para se levantar com complacência. Acenou às mulheres, ridiculamente enlevadas com o suposto idílio amoroso, e deixou-se guiar pelo mafioso.
- E se alguém perceber...? – sussurrou.
- Ninguém vai. As pessoas já estão altas pela bebida e sem a menor noção de espaço e tempo.
À distância, observou-o trocar algumas palavras com o recepcionista, e ao retornar ao seu lado com o cartão de entrada no bolso, não aparentava ínfimo constrangimento. De soslaio, apercebeu-se do quanto ele aparentava tensão e reflexividade com assuntos desconhecidos por ela.
- Como o senhor se sente? – demandou com cuidado, aguardando o elevador social que os levaria do suntuoso saguão do hotel até a suíte máster.
Edward piscou como que despertando de profunda meditação.
- Exatamente como gostaria de me sentir – tocou a bochecha de Bella com um dedo. – Porque absolutamente todas as minhas necessidades são supridas por você e o que está dentro de você. Como eu quero que se foda o resto do mundo, sou capaz de enfrentar mil dragões pelo caminho, se ao meu conto de fadas às avessas couber alguma possibilidade de final feliz, e se isto significar que a princesa que me espera no castelo é você.
Edward sempre fora afetuoso com ela, porém sempre se manteve emocionalmente distante até certo ponto, e Bella desconfiava que ele aguardasse o momento em que ela o deixaria para trás. E não o condenava pelo temor, porque fora ela há abandoná-lo em um passado muito menos distante que parecia, portanto simplesmente recebera suas reservas com compreensão. Contudo, ao vê-lo tão franco, uma onda de ternura desabou sobre ela, e por pouco não estava aos prantos novamente.
Tocou a sua mão com força, sem romper o contato visual com ele dentro do elevador. Nem o turista holandês gracejador que saltou no terceiro andar conseguira alguma atenção da parte deles.
Pouco ouviram o apito que indicou o sétimo andar, onde deveriam descer. O corredor era esplendidamente decorado com luz baixa e tapeçarias, mas Bella não se noticiara disso no momento em que interrompeu a caminhada à suíte e encarou-o com os olhos chamuscantes. Mesmo à meia-luz, Edward contemplou aquelas duas portas para a alma como sua única saída para conhecê-la de fato.
- O que eu posso fazer...? – ela inquiriu, sem esperar uma resposta. Beijou-o com toda a miscelânea de vontades que a abatia, devido ao seu estranho estado de espírito mais sensível. Selando seus lábios, Bella quase podia senti-lo em todos os seus pêlos eriçados, e as mãos de Edward fechando em sua cintura apenas a impulsionaram para seguir em frente.
Cheia de ansiedade, fora ela a invadir a boca de Edward, apesar dele sem embargo lhe fornecer passagem. Bella enroscou os dedos nos cabelos de sua nuca, comprazendo-se em lhe arrancar uma exclamação de maravilhada surpresa. Raramente era ela quem iniciava os jogos, por mais animada que o acompanhasse. Tê-la tomando a iniciativa fazia um bem sobremaneira ao seu ego masculino, mas não deixava de ser chocante.
Dependurando-se em seu pescoço, Bella aprofundou o beijo o tanto quanto pôde, até que pudesse sentir o gosto ferrugem do sangue de ambos condensado. Entretanto, Edward não ousaria feri-la, e para distraí-la, desviou-se seus lábios e pôs-se a brincar com a orelha. Algo na respiração errática dele, tão perto do ouvido, levou-a a aproximar seus corpos e tornar as brechas inexistentes.
Ela estava quentíssima, um verdadeiro pecado encarnado. Não atinando ao que fazia, o mafioso desceu a mão respeitosa que mantinha na cintura até o seu quadril. Porém, quando Bella ensaiou lhe afrouxar a gravata, uma voz distante despontou em sua mente.
- Espere... Isabella, espere um momento... vamos para o quarto...
- Não! – deteve-o pelo colarinho – Eu quero aqui!
Ele sabia que devia contrariá-la, explicar o risco que corriam de serem flagrados, fazê-la chegar à razão. Não seria decente tamanha exposição, e não era razoável submeter Bella àquele risco. Contudo, ele estava absolutamente inapto de contrariá-la, e se permitiu arrastar pela gravata para prensá-la contra a parede. Não era a melhor solução, porém a vontade de agradá-la sob qualquer circunstância o fazia títere dos anseios dela.
Roçou tenramente o maxilar de Bella, aspirando seu perfume adocicado, e instantaneamente necessitava da união carnal qual era privado há tempo demais para os seus padrões.
- Cheirosa... porra, Isabella, você não colabora comigo! – atravessando a linha do quadril feminino e alcançando a barra da saia, no joelho, ele parecia ligeiramente decepcionado com sua fraqueza moral.
Bella, ao contrário, sorriu regozijada ao sentir o toque dos dedos nada gentis em sua coxa, através da meia fina. E no instante em que Edward ultrapassou os limites da seda e apalpou, finalmente, a pele nua, ela emitiu um gemido que necessitou ser calado com beijos. Quando ele ultrapassou o limiar da cinta-liga e tocou a pequena peça íntima, e se tornou imbatível não pôde silenciá-la.
- Eu preciso do senhor. Muito, muito, muito mesmo! – ela choramingou. Edward apenas assentiu, consciente que aquele necessidade talvez fosse muito além do que ela fazia noção.
Ele permitiu que Bella desabotoasse sua calça, com os dedos pequenos e nervosos, sem se atrever a tocá-lo mais intimamente que o necessário, por envergonhar-se em mostrar o tremor. Edward subiu seu vestido e levantou-a para que se enlaçasse em seu quadril, e quando o fez, afastou seus lábios dos dela.
Sustentando o peso com uma mão, com a outra levantou o rosto de Bella, mirando-a fixamente. Ela arregalou os olhos por um instante, assustada com a sinestesia que via perpassar pelos olhos verdes.
- Eu não posso deixá-la cair. Por favor, me ajude para que isso não aconteça... – ele implorou, sem que ela entendesse o sentido de tais palavras. E tornaram-se desimportantes, pois no segundo seguinte Edward afastava sua calcinha, embora custasse tempo demais até preenchê-la completamente.
Invadindo-a com o membro, ele testou sua resistência e capacidade de abrigá-lo, e mesmo que ela o procurasse, manteve a atenção em sua expressão. Gostaria de conferir se não estava danificando-a de alguma forma. E por mais que Bella não estivesse hábil a concatenar idéia e rememorar naquele momento tudo o que passara entre ambos, era capaz de saber que Edward nunca fora tão manso. Talvez surpreendentemente gentil fosse o termo exato.
Ela tentou imprimir um ritmo mais acelerado com a pélvis, porém fora brecada em suas pretensões. A posição favorecia o controle para ele, e nada mais lhe restou além de pegar o que podia. E nãi não custaria muito, considerando-se a hipersensibilidade que nem ela mesma entendia.
Edward invadia-a mansamente, sem beijá-la, mantendo o rosto distante e atento a ela. Inconscientemente, seus ruídos de sexo começaram a se tornar ruidosos o suficiente para atrapalhar que hóspedes decentes assistissem ao noticiário, e ele utilizou uma mão para calá-la. Os movimentos lentos que ele usava para penetrá-la eram silenciosos, deliberados, ao ponto que Bella se descobriu sentindo todos os mecanismos que desencadeavam seu orgasmo. Edward, que manejava seu pênis tanto para acariciar, quanto para estocá-la, fazia questão que ela percebesse o quanto ele conhecia seu corpo, por estar sempre tão atento às demandas que sequer ela sabia que existiam.
- Assim é gostoso... – ela ciciou letargicamente. – Eu vou chegar lá.
Ele sorriu, encantado. O mesmo aconteceria com ele, caso não se retivesse.
- Eu sei.
E quando Bella tocou o cume, Edward mais uma vez calou a sonorização do prazer com uma mão. Não era o momento do mafioso acompanhá-la ao céu, porque temia que se desequilibrasse com ela nos braços. Assim sendo, aproveitou seu momento de ausência e caminhou para o quarto, colocando-a delicadamente no chão, após se certificar que ela já era capaz de se equilibrar parcialmente.
Auxiliando-a, fez com que ela se deitasse na espaçosa cama e acariciou seu tornozelo, tentando livrá-la da tensão de um dia inteiro com saltos altos. Sentado aos seus pés, tentava inutilmente disfarçar a tensão sexual ainda era presente eles pelo bem da garota. Ela era personalizada nas mãos comedidas de Edward, no morder de lábios de Bella, e nos olhares trocados mutuamente.
Analisou-a com cuidado, deleitando-se com sua maneira de vestir, maquiar e pentear. Uma grande dama, ele pensou. E, simultaneamente, uma mulher sempre trajada com sua fantasia sexual favorita.
- A calcinha está me incomodando, o senhor não imagina. Poderia fazer o favor de tirá-la para mim?
Ele arqueou a sobrancelha, estranhando que ela fosse tão direta. Edward levantou a saia do vestido elegante até o umbigo e esquadrinhou a pele alva das suas coxas adornadas pela cinta liga preta. Com mãos hábeis e sem pressa, desabotoou a liga e livrou-a da peça íntima indesejada.
Tão aberta para o seu estudo, Bella era um espetáculo qual ele temia assistir. Ele era um homem vencido, e sem mais o que fazer, beijou apaixonadamente seu joelho voltado para cima.
- Eu amo essa sua boceta – ele declarou, a voz abafada pelo tecido da meia fina. – Só de estar assim tão perto eu já sinto o cheiro, e me deixa explodindo de tesão.
Edward não pretendia se comportar como um descontrolado, e se continuasse por esse caminho, estaria sujeito ao erro. Preso nos dilemas, de relance sua visão interceptou o balde prata sobre a cabeceira, no qual o champanhe estava mergulhado. Pegou um cubo de gelo dali, e, conforme ele se derretia, respingava a água sobre a pele de sua coxa e virilha, cuidando para que caísse longe da feminilidade de Bella. Ele testou sua reação com a água gelada, aproximando-se do alvo conforme ela gemia em antecipação.
- O que você quer que eu faça, Isabella? – extasiado, ele perguntou o óbvio.
Quando ela assentiu, necessitou se segurar a todo o seu autocontrole para não cobri-la com seu corpo. Não era hora, ele cantou a si mesmo, e provavelmente a feriria irremediavelmente. Esfregou o gelo no clitóris de Bella diligentemente, e ao primeiro toque, percebeu-a tremer em abandono. Teria se afastado e pedido perdão, isto se a mão de Bella não surgisse para impeli-lo a seguir em frente.
Não haveria uma segunda ordem. No momento em que Edward voltou aonde parara, Bella fez o que pôde para não gritar a plenos pulmões, mas o esforço foi em vão. Alucinada de desejo, os movimentos de vai e vem tinham um quê de errático, e seu parceiro, perdido entre a vaidade e a preocupação por lhe proporcionar fortes emoções, presenciava maravilhado o quanto ela estava receptiva.
O formigamento aliado à dormência pelo gelo lhe presentearia com um novo orgasmo em poucos segundos, isto se Edward não a rebocasse para o seu colo. Ela gemeu decepcionada.
- Como o senhor pôde...?
- Nós temos de parar enquanto é tempo! – segurou seu rosto com ambas as mãos. – Você está muito exaltada, não deve fazer bem. E eu sou muito...
- O senhor quer tirar a minha roupa?
Ele correspondeu seu olhar presumido com embasbacamento. Mesmo consumido pela volúpia, a tristeza com a própria fraqueza o tomou.
- Você está espetacular assim, cheia de jóias, fantasiada de madame – confessou, casmurro. – É a encarnação de todos os meus sonhos eróticos, e eu sinto vontade de fazer várias coisas malucas...
Com as pernas abertas sobre seu colo, Bella beijou-o ansiosa. Tomando para si o controle da situação, empurrou-o para trás com as mãos espalmadas em seu peito. Ele desesperou-se, porque não conseguiria mais parar.
Suspirou aliviado, entretanto, quando ela cuidadosamente retirou seu pênis da calça ainda não fechada.
- Eu também gosto muito do senhor como está, fantasiado de criminoso mais poderoso do mundo!
Edward não responderia, em parte porque não havia necessidade, e também porque Bella se sentaria sobre seu membro sem delongas. Embora ele preferisse, pelo bem dela, que se adaptasse ao seu comprimento e fizesse a penetração aos poucos, a ânsia desesperada imoral de sentir a todo custo não a permitiria ser comedida. Assistiu, aturdido, seu subir e descer desenfreado, como um expectador obsessivo, com os ouvidos repletos de gritos e exclamações de paixão.
A sensação glacial do gelo no grelo contrastou com a quentura acima do normal do membro masculino, exacerbada pela circulação sanguínea da região. Bella esfregou-se contra ele o máximo que pôde, engolindo-o até o fim, inconsciente que o choque térmico também era devastador a Edward.
- Vá com mais calma, nós temos todo tempo que você desejar, Isabella – ele a interrompeu, travando-a pelas nádegas. – Vamos fazer assim...
Ele tentara imprimir uma cadência mais lenta, porém não por mais de dois segundos. Como uma criança contrariada, ela faria exatamente o oposto daquela sugestão. Os olhos fechados em transe não puderam ver quando ele desceu a mão para a base do pênis e apertou-o, atrasando a ejaculação, e permitindo que ela conseguisse outra liberação antes. Ele a deixaria agir como quisesse, e trabalharia por ela de bom grado.
E quando o fez, Edward não tentou calá-la. O frágil corpo dela balouçou no colo do parceiro, e quando apertou e afrouxou os músculos internos da vagina, não foi mais possível para ele controlar-se. Seu orgasmo veio após diversas vezes postergado, com a força descomunal de alguém que finalmente chegara ao destino, após muito perambular. Ele apertou Bella força, jamais esquecendo, apesar do êxtase, que deveria tomar cuidado com ela.
- Você vai ficar desse jeito por todos os meses que restarem? – quis saber, estafado.
Ofegante e suada, ela levantou a cabeça da curva do pescoço de Edward.
- Desse jeito... meses...? – respondeu com outra pergunta vaga.
O mafioso afastou de seu elegante pescoço uma mecha de cabelo desprendida da trança embutida. Ele não precisava de mais ninguém explicando o que seus olhos podiam ver com clarividência ímpar.
- Desse jeito. Safada... – brincou com a tênue carne de trás da orelha de Bella, unindo o poder dos lábios e dentes, afim de distraí-la.
Moveu o corpo de maneira que tombasse sobre o dela levemente, embora com um domínio quase coercivo. Se o dia seguinte seria longo, o mínimo que poderia fazer era tornar a noite memorável.
Bella saberia reconhecer um dia chuvoso até mesmo de olhos ainda fechados. Este era o ônus de ser uma inglesa criada em uma área tão temperada como Birmingham, com mais semanas úmidas que ensolaradas. Foi com a gostosa sensação de manhã propícia a ser passada entre lençóis que ela despertou solitária na cama de hotel, ouvindo o longínquo estalar das gotas de chuva.
Ela sentou-se na cama, tampando-se com o fino lençol branco de seda, por puro pudor tardio. Estava despida de quase tudo, com exceção das ostentosas jóias, quais Edward fizera questão que preservasse durante a noite. Não era a primeira oportunidade que ele pedia que encarnasse com ainda mais afinco seu papel de dama da aristocracia. Coçou os olhos e no instante seguinte arrependeu-se, lembrando-se que devia estar maquiada. Olhou para as mãos e verificou que não havia qualquer mancha. Alijando as nuvens turvas do sono, concluiu que a ducha que dividira com Edward durante a madrugada não fora apenas um sonho.
Calçou as pantufas posicionadas ao lado de sua cabeceira e procurou o ponto que provinha a voz dele, audível de algum outro cômodo. Antes que se empenhasse nas buscas, contudo, um notável serviço de café da manhã pôde ser visto próximo à porta. Ela não estava disposta a comer, mas, movida pela curiosidade e impulsionada pela inexistência de odor perceptível, checou o que havia.
Tratavam-se de alimentos gelados. Saladas de frutas sortidas, vitaminas de iogurte com aveia, torradinhas acompanhadas por requeijão de tofu, geléia de ameixa, kiwi, morango e damasco. O suco de limão suavemente mais azedo pareceu diminuir o desconforto estomacal que imperava nela ultimamente.
Inesperadamente, engolira em dez minutos mais do que no dia anterior. A comida praticamente inodora lhe era mais tolerável que o melhor jantar preparado por Zafrina. Satisfeita, voltou a atenção à voz de Edward, saindo de onde ela sabia ser o toalete.
- Não, Emm, não pode ser amanhã... – Bella argüiu a atenção na conversa não destinada aos seus ouvidos. – Quero a consulta marcada para hoje, e que seja o último horário do dia. Faça qualquer coisa, venda a alma para o Demônio, trepe com a mãe do médico, mas consiga o que estou mandando! – ele calou um tempo, provavelmente para atentar às considerações do outro lado da linha. – Não quero saber se ele é o melhor... – o barulho de água dificultou a compreensão do restante da frase. – E eu quero saber da gravidez da sobrinha-neta da rainha? Eu quero a vaga para hoje e acabou a discussão... sim, sim, lógico que a consulta é para ela mesma, não estou criando porra de álibi para cometer algum crime...
Edward estava conseguindo uma consulta em cima da hora para alguém, porém Bella habituara-se a não se importar muito com isto. Os ligados à Máfia tendiam recorrer ao chefe para resolver o que não conseguiam, e isto variava de um remédio para a esposa hipertensa, até a intervenção máxima para obrigar um rapaz fanfarrão a desposar a filha desonrada de um operário.
Sem delongas, escancarou a porta aberta apenas por uma brecha e entrou na toalete. Não notou o receio na face de Edward, que estava na banheira de hidromassagem. Utilizava de todos os artifícios para se munir de coragem para as próximas horas.
- Hum... Emmett, está tudo bem. Agora é com você. Preciso ir.
Bella tomou uma escova de dentes embalada sobre a pia, desembrulhou-a e untou-a com dentifrício.
- Algum problema? – questionou.
Edward permitiu-se cativar brevemente a bênção que era a intimidade. Poucos meses atrás, seria inimaginável presenciá-la em um ato tão pessoal como escovar os dentes.
- Problema nenhum – assegurou, pois era esperada alguma resposta de sua parte. – Está acordada há muito tempo...?
- Não... – cuspiu a espuma do dentifrício – Apenas o suficiente para eu comer um pouco. Estava muito bem-preparado, por sinal. Quem escolheu, o senhor?
- Sim.
Ele não julgou necessário completar que buscara no Google alimentos com menores possibilidades de nauseá-la, porque seria constrangedor.
- Por que você insiste em se cobrir com lençol? – viu-a secar a boca após enxaguá-la. – O caminho que você está tentando esconder eu já sei de cor. Não precisa corar! – escorregou para a outra borda da hidromassagem, aproximando-se mais dela. – Só porque minhas mãos se movimentam pelo seu corpo e conhecem cada atalho, sem precisar de GPS, não significa que eu esteja entediado, Isabella. Entre aqui comigo...
A boca de Bella secou na expectativa, entretanto foi mais cautelosa que gostaria:
- O senhor precisa trabalhar, e eu também.
- Eu não preciso trabalhar. E você também não – sorriu maroto, e ela fingiu presunção através do espelho.
- O mero detalhe do senhor escapado de uma condenação ontem, não subentende que tenha poderes para decretar hoje como feriado no Reino Unido!
- Não é questão de ter poderes ou não, eu somente não fui trabalhar, neném. Está na hora de pedir o nosso almoço. Já passou, e não foi pouco, do meio-dia.
Voltou-se para ele, abismada.
- Como assim...?
- É, você dormiu um pouco demais, mas estava tão bonitinha, que não quis atrapalhá-la – piscou, galanteador. – Liguei para o escritório logo cedo e avisei que tiraria um dia de folga.
Bella não reconhecia a si mesma. Mesmo que andasse muito sonolenta, soara-lhe inverossímil dormir até a tarde.
- O senhor deveria ter me despertado, ou deixado um bilhete avisando que precisava ir embora, mas não precisava alterar a rotina de trabalho por minha culpa!
Ele gargalhou vigorosamente, especialmente quando reparou que estava a enervá-la.
- Eu teria arranjado formas de escapar do trabalho mesmo se você estivesse acordada – refreou-se, procurando evitar irritá-la de fato. – Tenho muito o que fazer hoje, Isabella.
- O que, por exemplo? – retrucou.
- Cuidar de você – havia certa veemência no argumento. – Agora venha me fazer companhia de uma vez por todas, já passei a manhã inteira sozinho.
Após ponderar por intermináveis segundos, Bella caminhou lentamente até a banheira, como que receosa, recebendo um olhar divertido e ansioso sobre si. Sentou-se na beirada da banheira, mantendo os pés do lado de fora.
- Eu queria dizer para você entrar na água – Edward demonstrou desapontamento.
Ela encarou-o, incrédula.
- O senhor não está querendo dizer que devo entrar nesta bacia barulhenta, quer? Apenas de escutar o motorzinho que promete ser tão relaxante, tenho aflição.
Edward ocultou o sorriso e afastou-se, efetuando a estratégica retirada. Quando Bella pareceu relaxar em sua posição, não temendo mais o que ele faria, tomou-a pela cintura de súbito e puxou-a até a banheira de hidromassagem. Por esperar a colérica resistência da moça, prendeu-a com os braços e pernas fortes, enclausurando-a assim.
- Largue-me! – gritou agudamente, lutando o máximo que podia, por pouco que fosse. – Eu vou... eu vou... oh! O senhor está nu! Que selvagem, odioso, pervertido!
O lençol molhado criara um véu na água, e desta forma Bella mantinha sua nudez oculta.
- Há algumas horas atrás não foi a palavra "odioso" que escutei – graças à chave de pernas, deixara-a ainda mais vulnerável. – Estou te mandando desestressar, é tão difícil...?
- O senhor não manda em mim!
- Tudo bem, então posso pedir? – solicitou baixinho, e Bella julgou-o quase humilde. – Somente para você curtir um pouco o dia, sem todo esse gênio ácido. Pode ser?
Envergonhada pela reação excessiva, os músculos defensivos de Bella afrouxaram gradualmente, e Edward a desprendeu no mesmo compasso. A risada que eles compartilharam surgiu de forma lenta, primeiro sob soluços seguidos por risos discretos, até alcançar o ponto de gargalhada.
- Gênio ácido...! Eu não tenho nada parecido com isto! – contestou, brincalhona.
O mafioso beijou-a na fronte, mantendo-a sentada em seu colo, de costas para ele.
- Eu fui muito injusto. O seu humor é mais cristalino que de todos os anjos celestes no melhor estado de graça – parodiou. – Porra, não sei se é bem assim, mas tenho certeza que a textura da pele deles não é melhor.
Ela refletiu por alguns momentos, e Edward permitiu-a que divagasse internamente.
- Às vezes o senhor diz poesias ao seu próprio modo... – afirmou um pouco sem a intenção de falar.
Ao invés de envaidecê-lo, o elogio golpeou-o como um soco no estômago. A boca que brincava no ombro da mulher amada estagnou e ele viu o mundo com matizes negros. Fora um elogio injusto, e ele era indigno de recebê-lo.
Sem saber exatamente como reagir, Edward virou-a de frente para ele. Contemplou-a com os olhos verdes miseravelmente tristes, e Bella foi compelida emocionalmente a acariciá-lo na face, preocupada. Buscou os lábios dele no intuito de apartar os fantasmas, porém ele impediu-a de aprofundar o gesto.
- O que você pensa da vida, Isabella? – questionou-a febrilmente. – Você alguma vez, mesmo que tenha se arrependido em seguida, cogitou viver ao meu lado para... para sempre?
Embora estranhasse o teor da pergunta, ela não pensava além de espantar seus fantasmas.
- Eu penso em viver com o senhor por muito tempo.
Deixava-o contente saber que ela o incluíra em seus planos de longo prazo, entretanto não plenamente satisfeito.
- E ter um lar... comigo? – engoliu em seco, menos corajoso que jamais estivera.
- Nós já temos um lar.
- Não é deste tipo de lar que estou falando, Isabella – ralhou, irracionalmente irritado por ela não fazer questão de diferenciar. – Eu ainda sou um homem compromissado, e para a sociedade que é tão importante para você, mesmo fingindo que não, você joga o seu nome na lama todos os dias que vive comigo. Estou falando em uma família de verdade...
- Que grande besteira! O senhor não pense que necessito dessas formalidades tacanhas para estarmos juntos. – desconsiderou, sem levá-lo com a seriedade que ele pretendia.
Com um conhecimento irracional, Edward pressentiu que era chegado o tempo. Temeroso, recolheu os braços de Bella que enlaçavam seu pescoço.
- Eu vou deixá-la sozinha para que termine de tomar seu banho em paz. No armário debaixo da pia está uma pequena bagagem sua, que pedi para trazerem do apartamento de Londres logo cedo. Também há alguns objetos pessoais – levantou-se da banheira, apressado, catando uma toalha do aquecedor elétrico.– Quando você terminar, estarei lá fora para conversarmos um pouco.
Bella o analisou intrigada, sem mover-se. Edward já estava na porta quando o chamou: - Isabella...? – existia uma estranha ânsia em sua complexão. – Eu posso te dar um lar, sabe.
Fora tão rápido na resposta, que ela não lhe oferecera réplica. Ao invés disso, manteve-se na banheira, sem se dar conta do ruído de motor que sempre detestara.
Aqui estou eu com mais este capítulo. As que estão pressentindo o clímax da história se aproximando, estão redondamente... corretas! hahaha. Para quem pensa que os segredos podem ser mantidos, é melhor ficar sabendo que algum dia eles chegam galopando!
Eu sei que os episódios da minha nada mole vida, relatados esporadicamente por aqui, pelo Orkut, Twitter e Formspring, rendem o que falar, e que muitas de vcs realmente se preocupam. Well, meu sobrinho teve outra internaçãozinha, mas já está bem. E os outros problemas, bem... continuam os mesmos. Mas vou parando por aqui, pois não quero ser conhecida como "aquela autora que só reclama da vida, sabe, a Jane Herman!". Se é que já não sou conhecida assim!
Eu faço o possível para lembrar os leitores sem cadastro no site, e desta vez não seria diferente! Lina lina2000, Liss, liiz, NessaTricolor, Marie, Lola, Ana Carolina, Anita e Sara, beijos e abraços!
