Autora: KuriQuinn
Tradutora: Juuh Haruno
Classificação: M-Rated
Disclaimer: Naruto e nem a história me pertencem, sou apenas a tradutora autorizada.
PARTE III
"Você está trapaceando."
"Não estou."
Sakura franze a testa para o shogi e depois para o marido. "Está sim. Você está ganhando."
"Isso não é incomum."
"É desde que eu parei de deixar você ganhar."
"Aproveitar sua distração não é trapaça; é estratégia", Sasuke responde sabiamente, movendo uma telha que coloca seu rei sob controle.
Ela se esforçou para encontrar um argumento que pudesse defendê-la. "Você está se aproveitando do fato dos meus hormônios de gravidez - que são sua culpa por sinal – transformarem meu cérebro em mingau."
"Esse é um argumento fraco, dado que você é igualmente responsável. E talvez seus hormônios não incomodassem tanto seu cérebro se você estivesse dormindo adequadamente."
Não há como evitá-lo desta vez quando se aproxima do seu rei, mas o ignora para que possa analisar suas palavras com mais calma. Aparentemente, não foi apenas em shogi que o marido deu um jeito de plantar uma armadilha.
Ela cruza os braços e faz um bico. "Se você quiser saber sobre os sonhos, basta perguntar."
"E você responderia de forma honesta?"
"Quando eu não te respondi de forma honesta?"
"Não jogue esse jogo de palavras comigo, Sakura. Isso é algo que nos preocupa tanto. Eu não deveria ter que perguntar."
A médica suspira e coloca a mão direita sobre a peça, admitindo a derrota. "Eu sei", fala suavemente, levantando-se para se esticar. A clareira da floresta, onde se instalaram para a noite, é iluminada por sua fogueira que lança sombras contra as árvores ao redor. "Mas isso te aborrece - você fica preocupado sem motivo, sempre que eu falo sobre o assunto, então..."
"O que quer que eu sinta não justifica a retenção de informações," Sasuke diz, guardando o tabuleiro. "Além disso, agora você é quem tem mais conhecimento da minha vida passada do que eu."
O tempo que passaram juntos revelaram muitas coisas novas que não sabia sobre Sasuke, uma delas é que era muito curioso, apesar de nunca deixar esse lado transparecer.
"Tudo bem", se rende. "Faça-me okonomiyaki e eu vou te dizer tudo que quiser saber."
Sasuke balança a cabeça, mas sabiamente se abstém de lembrá-la de que acabaram de jantar.
Ao vê-lo trabalhar - e ocasionalmente ajudar a procurar os ingredientes necessários -, ela relata seu último sonho com tantos detalhes quanto pôde se lembrar. Ele faz sons de interesse ou incredulidade enquanto descreve os eventos que levaram ao casamento, a tentativa de envenenamento, e ela conseguindo romper a barreira que a mantinha presa em Sachi para salvar a vida Indra. Quando chegou a parte em que sua vida passada matou os parentes de Shachi, ela hesita, mas se força a terminar a história.
"E então eu acordei", termina. "Essa é a última coisa de que me lembro. Ela pegou a mão dele, e foi isso."
"Hm"
Passa um momento sem dizer nada, apenas observando o modo como seus músculos faciais se movem enquanto considera tudo o que ouviu. Então ela pergunta: "Você acha que ela conseguiria salvá-lo se eu não estivesse lá?"
"Eu não sei. Isso dependeria."
"De quê?"
"Se isso é apenas o sonho de uma memória ... ou se você está de alguma forma compartilhando a mente dessa pessoa ao longo do tempo."
"Mas isso é impossível."
"Visitantes da lua e manifestações físicas da vontade de uma deusa são impossíveis também. E ainda assim…"
"Você tem um ponto aí", confessa. "E quanto a Indra, no entanto?"
"Eu acho que ele era um mestre manipulador", diz Sasuke, removendo a frigideira do fogo e mudando a omelete para o prato em espera de Sakura.
Ela ficou intrigada com sua escolha de palavras. "Por quê você acha isso?"
"Você disse que ela sentiu como se Indra tivesse lhe dado uma escolha, como se fosse um grande gesto para ela", diz Sasuke. "Mas ele não deu. Aquilo foi calculado. A garota não tinha outras opções - ele acabara de matar o último de seus parentes." Os punhos de Sasuke se apertam ao redor do cabo da panela. "Sendo a última com elo de sangue com a família governante, se ela ficasse para trás, qualquer nobre ambicioso poderia facilmente tê-la tomado como esposa, e ele poderia não ter sido muito melhor para ela do que Indra. Ela sabia disso."
"Então, você diz que não foi uma escolha de verdade..."
"Foi manipulação", afirma.
Sakura franze a testa enquanto encara o prato de comida, embora não esteja realmente notando o alimento. Um momento depois, ela se vê dizendo: "Eu não acho que foi."
Sasuke faz um barulho frustrado. "Sakura, você não pode ser tão ingênua -"
"Não, escute", ela o interrompe. "Mesmo se ela não fosse com Indra e isso acontecesse, as chances são de que teria sido tratada de forma muito melhor do que foi durante toda a sua vida. E se alguém tentasse maltratá-la..." Veio à sua mente a imagem do que a jovem tinha feito com a árvore, transformando-a em cinzas na frente dela. "Shachi sabia como usar o chakra agora e poderia se defender."
"Ela teria se defendido, embora?"
"Sim", diz Sakura, inexplicavelmente certa. "Indra mostrou a ela um jeito diferente. Deu-lhe a liberdade - o único presente que ela já recebeu de alguém. Ela teria defendido isso até a morte se escolhesse ficar para trás. Mesmo que ficar nunca tenha sido uma opção."
"Hm. Uma escolha imprudente."
Sakura sente uma pontada de defesa, querendo proteger a garota que se torna em seus sonhos do julgamento alheio. "Mas era uma escolha unicamente dela."
"Hn"
"Eu escolhi você. E essa não foi uma escolha imprudente, não é?" Quando não obtém uma resposta, ela suspira tristemente. "Você ainda se sente assim? Mesmo agora?"
"Não", responde mais rápido do que ela esperava, encontrando seu olhar. "Eu deveria -" ela abre a boca para protestar sobre esse velho desacordo entre os dois, mas ele evita isso concluindo: "- mas não me sinto mais assim."
Ela sente um aperto por trás dos olhos e seu coração palpita. "Bom", ela diz a ele com firmeza.
"Suponho que sou o mesmo homem egoísta que sempre fui", diz Sasuke, enquanto guarda os utensílios de cozinha e os bancos do fogo. "E ... eu posso sentir um pouco empatia."
"Por quem?"
"Por Indra."
"Bem, isso faz sentido", reflete Sakura. "Você é ele - era ele."
"Não. Não é isso que quero dizer."
"Então o que?"
"Eu entendo a necessidade querer que algo - que alguém - seja completamente seu quando você não tem mais nada."
Ela não tem certeza do que dizer sobre isso.
眠 り
Deixaram a casa de seu pai para trás, seguidos pelos fiéis discípulos de Lord Indra. Aqueles servos que possuíam qualquer afeição por Shachi a acompanharam, concordando em obedecer aos desejos de seu marido. Qualquer um da corte que protestasse pela morte de seu pai foi tratado com facilidade e sem remorso por Indra.
Qualquer um de seus discípulos que tentam convencê-lo para não levá-la encontra o mesmo fim. Na primeira hora, Indra deixa claro o que significa ser sua esposa. Diante de seus olhos horrorizados e dos rostos estóicos de seus partidários, ele decapitou um homem que ousou fazer uma observação depreciativa sobre ela.
Enquanto o palácio é consumido pelas chamas, Shachi acompanha seu novo marido em sua jornada.
Não há tempo para descansar ou aclimatar-se à sua nova vida, pois o bando de peregrinos se dirige imediatamente para as fronteiras do país. Sua noite de núpcias é passada sozinha em uma tenda bruta, enquanto o marido faz estratégias com seus discípulos.
A parte distante dela que é Sakura é grata por isso - sonhando ou não, ela não aprecia a idéia de experimentar as relações de outra mulher com seu marido. Além do senso de que seria de algum modo infiel ao próprio marido, é um momento íntimo destinado a ser compartilhado por duas pessoas; ela se sentiria como uma voyeur.
Acontece que o constrangimento não vem de algo parecido com intimidade.
O marido de Shachi não falava com ela já havia dois dias, sempre ocupado demais com outros assuntos, e quando entra em sua barraca, dá a entender que pretende continuar com essa tendência. Com a mesma economia de movimento que usa para ensinar ninjutsu, Indra se despe e atira-lhe um olhar que rapidamente supõe significar que ele quer que ela se deite.
Embaraço e pânico se instalam sobre a menina, e não são exclusivamente dela.
Você está de brincadeira?! Sakura exige de qualquer lugar desincorporado que ocupe na cabeça do seu eu do passado. Eu não quero estar aqui para isso!
Mas qualquer força que esteja por trás dessas jornadas oníricas no passado permanece impassível por seu desconforto. Shachi já está se movendo para obedecer seu marido, mesmo enquanto treme de nervosismo. Ela tenta engolir, mas a boca está seca, e tenta manter os olhos no rosto de Indra, embora eles continuem nervosamente voando para seu corpo. Nunca viu um homem sem roupa antes, e, embora seja estranho, a largura de seus ombros nus e os cumes de seu peito instigam dentro dela a tentação bizarra de estender a mão e tocá-lo.
E outras partes dele, a parte dela que é Sakura pensa com um tonto sentimento de descrença.
Ela está tentando não notar que o corpo nu de Indra é tão atraente para si quanto o do seu próprio marido, e, caramba, seus olhos continuam descendo até onde seu quadril se estreita. Os pensamentos não se parecem com os dela, e ela se pergunta se as percepções de Shachi estão nublando as suas.
Shachi silenciosamente entra em pânico, imaginando como poderia se encaixar dentro dela, mas ele não parece ciente enquanto se ajoelha diante dela, empurrando o roupão sobre os quadris.
"Você vai precisar de roupas mais práticas para viajar", diz, mas antes que ela possa se maravilhar com o fato dele ter quebrado o silêncio, ele separa suas pernas. Uma enxurrada de vergonha por, de repente, ter aquela parte de seu corpo descoberta até ele a atinge - a emoção é forte o suficiente para que Sakura possa sentir isso em segunda mão - mas logo é substituída por desconforto quando dois dedos longos empurram dentro dela, trilhando para se esticar ela está aberta.
Eu acho que essa é a maior consideração que ele terá por ela, Sakura pensa amargamente enquanto Shachi fecha os olhos e tenta manter sua respiração normal, esperando não mostrar seu desconforto.
Enquanto Indra ajusta-se sobre ela - elas? - Sakura tenta se afastar mentalmente, tentando se tornar menor de alguma forma e pensando que realmente não deveria estar aqui para isso!
Quando Indra a empurra, Shachi aperta os dentes, recusando-se a gritar com a dor ardente de estar muito apertada. Sakura não pode deixar de ecoar a reação, surpresa pela dor - sua primeira vez não doeu nada - e o leve cheiro de sangue no ar.
Ele não percebe, ou não se importa, porque se acomoda em um ritmo - um frustrante - de impulsos rápidos e superficiais, seu ritmo nunca mudando. Pontas de lágrimas se formam no canto dos olhos de Shachi, mas ela permanece muda.
Apesar de suas tentativas desesperadas de ignorar o que está sonhando, Sakura não pode deixar de sentir uma sensação de indignação. Ela não quer nada mais do que atacar, empurrá-lo para longe, para de alguma forma capitalizar o desconforto de Shachi com todo o esforço, mas ao contrário das outras vezes que, de alguma forma conseguiu romper, a mente da outra mulher está definida. Não é como na praia ou no altar, quando seu desespero estava em sincronia - quando estavam unidas em sua necessidade de salvá-lo.
Shachi estava com medo agora, mas Indra foi o homem que a resgatou, o homem por quem sempre se sentiu inexplicavelmente atraída. Ao contrário do que Sakura está acostumada, Shachi vê isso como um dever que deve suportar sem reclamar.
Parece levar uma eternidade até que Indra estremece, e Sachi sente algo quente e úmido enchê-la enquanto ele fica imóvel. Ela esperava que ele caísse sobre seu corpo e que seus braços se contorcessem com algum instinto primitivo para abraçá-lo no final, mas ele se apoia nas mãos. Por vários segundos, ele se mantem dessa forma, com os olhos fechados, um pouco sem fôlego, e então se puxa para fora dela e rola para longe.
Incrédula, o observa se vestir de novo e sair da tenda, deixando-a deitada de costas, pernas nuas e abertas, com uma sensação de vergonha crescendo dentro de si.
Esse homem é um imbecil completo, Sakura pensa, e se pergunta se talvez Sasuke estivesse certo sobre o relacionamento estar condenado.
夢
A chuva não parou a semana toda. Se Sakura não conhecesse bem o mapa da região, juraria que estavam em Amegakure, exceto que a Aldeia ficava a centenas de quilômetros de distância. Mesmo na pequena pousada que Sasuke conseguiu encontrar, tudo parecia úmido e frio, e para ser honesto, era um daqueles dias em que Sakura sentia falta de sua cama quente em casa em Konoha.
Exceto que não é mais minha cama, é?
Embora não tenham discutido isso ainda, esperava que ela e Sasuke se mudassem para sua própria casa ao voltar para a aldeia. O antigo distrito Uchiha estava em ruínas, é claro, nunca reconstruído após o ataque de Pein, mas Konoha estava crescendo rapidamente e havia muitos novas construções em desenvolvimento. Não havia dúvida de que entre Naruto e Kakashi, haverá um lugar para os Uchiha na vila que os ignoraram por tanto tempo.
E o filho deles nunca se sentiria indesejado.
Sakura nunca conheceu a negligência familiar, mas seus sonhos da vida de Shachi lhe davam um retrato do que era passar por isso. Embora os detalhes sempre desaparecessem ao acordar, se lembra das imagens, sabia que a outra mulher passou sua vida no frio.
Talvez até a sua vida posterior...
Estremeceu ao se lembrar da consumação do casamento particularmente insensível a que foi submetida - tanto através da experiência de Shachi quanto de si mesma como testemunha. A memória a faz se mexer desconfortavelmente e puxar o manto de Sasuke para mais perto dela. Do outro lado da sala, ele estava terminando um relatório de missão; Normalmente, ela era a única a fazer isso, mas hoje, seus dedos estavam frios e duros pelo tempo, então ele assumiu.
Sasuke estava sentado lá, com as sobrancelhas franzidas enquanto anotava as informações (sem dúvida) mais vagas que pode imaginar. Ele era totalmente calmo e profissional.
Assim como Indra.
Mais uma vez, Sakura experimentou uma enorme sensação de constrangimento, por não conseguir parar de pensar em seu sonho na noite anterior... ou lutar contra a culpa que a incomodava desde que aconteceu.
Eu tenho que dizer alguma coisa.
Mas realmente não queria.
"Isso deve manter Kakashi fora de nossa cola por um tempo", diz Sasuke de repente, estranhamente o único a quebrar o silêncio. Havia um pequeno indício de presunção em sua voz ao enrolar o pergaminho para mandar de volta pelo falcão; sua aversão ao envio de atualizações regulares de status não mudou nada.
"Você faz parecer que ele está nos perseguindo todos os dias, em vez de toda semana ou mais."
"É o que parece", resmunga.
"Poderia ser pior. Nós poderíamos já ter contado a eles sobre o bebê."
Ele dispara um olhar comicamente alarmado. "Nem pense nisso."
A boca de Sakura se contorce.
Eles não disseram a ninguém na aldeia sobre sua gravidez. Por um lado, havia uma razão prática - relatórios de missão não são lugar certo para anúncios de nascimento; não seria seguro ou profissional. Por outro lado, Sakura suspeitava que no minuto em que revelarem sua condição, ela e Sasuke acabarão com uma escolta de mil clones de Naruto no modo Sábio daqui de volta para Konoha. E possivelmente um desfile, se Kakashi estiver em um humor particularmente demonstrativo.
Sakura ainda não estava pronta para desistir de sua privacidade com Sasuke. As coisas estavam indo muito bem. Eles eram quase perfeitos... se não fosse por -
O rosto de Indra pisca em sua mente novamente, e então partes dele que definitivamente não eram seu rosto.
Sakura fecha os olhos com força e se enterra ainda mais no manto de Sasuke.
Ela não deveria ter essa imagem em sua mente; na verdade, nem deveria ser capaz de imaginar um cenário que colocasse essa imagem em sua mente. Sim, já tinha visto homens nus antes - era uma médica, então estava na descrição do trabalho - mas ver Indra Ōtsutsuki , o mítico progenitor do clã Uchiha, completamente nu e se preparando para tomar a sua - a virgindade de Shachi - não era um cenário que poderia alguma vez imaginar por si mesma.
Sasuke é aquele por quem esperou, aquele cujo corpo ela passou quase um ano aprendendo e reivindicando como dela. Indra é a pessoa que salvou, e mesmo que seja tudo um sonho e que tecnicamente não seja corpo, se sente suja de alguma forma. Toda a experiência era ainda pior porque estava presa lá e não podia sair - não conseguia acordar. O desconforto e a dor de Shachi tornaram-se dela.
Por que eu posso me fazer intervir às vezes, mas outras vezes não tenho nenhum poder?
A coisa toda era perturbadora e assustadora e -
"Se isso te incomoda muito, então faça."
Sua cabeça dispara com os olhos arregalados e olha para o marido sem entender. "O que?"
"Esse olhar em seu rosto", esclarece, chegando a sentar na frente dela. "Se não contar para eles te incomoda tanto, diga-lhes. Ainda há espaço no relatório antes de enviá-lo."
"Não é isso", diz rapidamente. "Estou bem com a espera. Mesmo. É só ... Tem outra coisa."
Ele levanta uma sobrancelha, esperando que continue, e Sakura respira fundo.
Se desenrolando da capa - porque sente que é errado, de alguma forma, confessar isso enquanto envolta em uma roupa que cheira tão ao seu marido - ela endurece a espinha antes de tomar coragem para começar.
"O último sonho que tive foi um pouco mais ... intenso do que o habitual."
"Intenso", repete de forma neutra, fazendo-a corar e desviar o olhar.
Lentamente, hesitante, conta a ele sobre a experiência surreal da primeira vez de sua vida passada. Ela faz o melhor para descrever tudo do ponto de vista de Shachi, tentando deixar claro para ele (e para si mesma) que não estava envolvida além de testemunhar isso.
Sasuke não reage externamente o tempo todo, e ela se pergunta se é apenas algo que ele está tendo dificuldade em processar. Mas então o Uchiha suspira e diz: "Suponho que isso seja esperado. Você já experimentou todos os outros aspectos de sua vida, não faria sentido não passar por isso também ".
De todas as reações do mundo, essa era a última que esperava vindo dele.
"Você não está com raiva?", sussurra.
"Seria irracional ficar com raiva de algo que você não pode controlar. O fato de você ter testemunhado essa cena com Indra não me incomoda. Ele é eu - pelo menos em um sentido metafísico - e morto há muito tempo ".
O cérebro de Sakura leva alguns segundos para processar essa informação e ela cerra os olhos para Sasuke, desconfiada. "Mesmo? Não incomoda você de jeito nenhum ?
Seu olho direito se contorce e sua mandíbula aperta. "Tudo bem", admite depois de um segundo. "Me incomoda. Mas não tanto quanto o fato de você estar presa na vida dessa mulher."
"Eu não estou presa exatamente. Eu só ... as vezes sinto que estou me afastando de mim mesma," corrige. "Quando estou lá, parece que ela é real e eu sou o sonho. Que esta vida é o sonho. Hoje de manhã acordei e, por um minuto, esqueci quem eu era."
Os olhos de Sasuke se fixam nos dela, um brilho de alarme ali. "Precisamos parar isso então."
"E se não pudermos?"
"Então precisamos de uma maneira de garantir que você não se perca nesses sonhos."
"Estou aberta a sugestões."
"Kakashi tinha algumas ideias..."
"Você contou a Kakashi sobre isso?" Sakura exclama.
"Ele é o único com conhecimento e experiência suficientes com um Sharingan para oferecer sugestões viáveis", responde, com um toque defensivo em sua voz. "No caso de eu precisar -"
"Precisar o quê? Entrar em meus sonhos?"
O pensamento dele fazendo isso, especialmente considerando o assunto recente, é mortificante. Encontros sexuais desajeitados à parte, ela não quer que seu marido a veja como essa outra mulher - essa criatura dócil e complacente. Além disso, eles têm um acordo de longa data de que ele nunca usará seu Sharingan sem permissão expressa e apenas como último recurso.
"Talvez eu veja algo lá que reconheço e que você não vê. Algo que pode nos ajudar a acabar com o que está acontecendo."
"E se você não achar nada, estarei dando a você acesso completo a todas as minhas memórias! Há coisas que eu não quero que você veja, Sasuke! Assim como você não gostaria que eu visse tudo o que está na sua cabeça."
"Eu não vou olhar."
"Como? Você espera que eu apenas imagine uma porta para bater na sua cara?"
"Você só precisa se concentrar nas memórias que quer que eu veja e eu verei apenas elas."
A médica aperta os punhos. "Eu não gosto disso."
"Sakura, por favor ."
Ele nunca lhe pede nada. Ainda mais raramente, pleiteia de forma tão sincera, seu rosto aberto e beirando o desespero. Essa era a última coisa que queria fazer, mas talvez a culpa residual em toda essa situação esteja pesando mais em seu coração, porque ela abaixa os ombros e acena com a cabeça.
"Tudo bem", exala calmamente. "Só desta vez."
"Ok."
"Quero dizer. Isso é… Isso não pode… Se você não conseguir descobrir algo a partir disso, não faremos de novo. Eu não ... eu não posso ter você na minha cabeça."
Sasuke já tinha reivindicado todas as outras partes dela. Precisava que pelo menos sua mente fosse dela mesma.
"Eu entendo." Disse enquanto se aproximava timidamente dela, inclinando seu queixo para que ela olhe diretamente nos olhos negros. "Concentre-se no que você quer que eu veja. Eu vou ignorar todo o resto."
"Querer é uma palavra muito forte para isso", murmura, mas depois se concentra nas experiências que teve como Shachi.
O olho direito de Sasuke brilha em vermelho, tomoes girando, e Sakura sente como se uma onda invisível e entorpecente tivesse passado por ela. O tempo cessa completamente, ela está congelada no momento. E depois -
"Nada."
Ela pisca quando o mundo se aglomera ao seu redpr. Sasuke está olhando para ela, sua expressão geralmente calculista, confusa.
"O que você quer dizer com nada ?" repete.
"Quero dizer, não há nada para eu ver", faz uma careta de frustração. "Tudo sobre você está lá no lugar, mas não há nenhum traço desses sonhos que você tem me contado em qualquer lugar em sua memória."
"Como ..." Sua boca parece seca. "Como isso é possível?"
"Não é."
Ambos sabem disso - Sasuke porque seu kekkei genkai oferece a ele um conhecimento quase absoluto dessas coisas e Sakura por causa de seus estudos médicos. Do ponto de vista biológico - e com base em informações com as quais Ino a abordou ao longo dos anos sobre como a mente humana funciona - suas memórias e sonhos precisavam ser armazenados em algum lugar dentro dela.
Então, por que eles não estão lá?
"Precisamos saber mais", diz ele com firmeza, a voz entre um pedido e uma ordem.
Ela sabe que Sasuke está furioso com o desenrolar da situação, mas ainda mais ao ponto, ele estava preocupado. Não havia nada que pudesse fazer por ela e isso fez com que ele se sentisse um inútil – algo que não se sentia desde que era criança.
"Nós vamos descobrir isso", diz, orgulhosa de que conseguiu evitar que sua própria incerteza vazasse.
眠 り
Indra não exagerou quando pintou o retrato gritante de sua vida juntos.
Shachi é imediatamente reconhecida e aclamada como sua esposa entre os discípulos. Se dirigem à ela com a maior deferência do que já experimentou. É Rainha em tudo, menos no nome, pois Indra não tem uso para títulos. Mesmo assim, seu papel, a princípio, é apenas o de uma ferramenta - um meio de acalmar possíveis oponentes em uma falsa sensação de segurança ou acrescentar alguma forma de legitimidade às reuniões de seu marido com senhores da guerra estrangeiros.
Ainda assim, o pouco conforto que havia em sua vida anterior se foi, substituído por exaustivas horas de labuta. Como esposa do líder, não é apenas responsável pelo bem-estar de Indra, mas de todos os homens e mulheres que o seguem.
Seus ex-servos agora são seus pares, pois não há uma classificação real aqui, e ela aprende tarefas úteis que nunca considerou antes. Shachi limpa armas e cava latrinas quando montam o acampamento. Gerencia as contas, garante que os suprimentos cheguem a todos quando necessário, ajuda as mulheres a cozinhar ou limpar e aprende a tratar melhor os doentes. Por duas vezes, se encontra ajudando a dar a luz a bebês para as esposas dos discípulos do marido. Trabalha até suas mãos sangrarem e, à noite, vai dormir exausta.
É o momento mais feliz que já teve em sua vida.
Indra também não mentiu sobre seu comportamento. Ele não é um homem gentil, frio e abrupto, mesmo quando está sozinho. Apesar do constrangimento doloroso de sua primeira vez, a visita todas as noites, e conforme a relação vai se tornando mais familiar para os dois, ele faz esforços para ser gentil. Mas o ar do dever nunca o deixa verdadeiramente. É algo que ela se resigna inquestionavelmente. Pelo menos não doía do jeito que doeu na primeira vez, e se essa é a extensão do relacionamento conjugal, ainda é mais do que ela esperava.
Mesmo em seu próprio cantinho da psique de Shachi, uma vez que a rotina é estabelecida, Sakura é mais capaz de se distanciar.
Até uma noite, quando tudo muda.
No começo, tudo parece normal - Indra entra em sua barraca, não diz uma palavra, mas se despe e sobe em cima dela. O ato é desapegado e sem emoção, como de costume, e Shachi simplesmente suspira para si mesma e olha para o teto enquanto Indra empurra dentro dela, estabelecendo-se em seu ritmo habitual.
Enquanto ajusta as pernas dela em volta do seu quadril, ele se move de repente, e no curso para baixo, seu osso púbico bate contra ela no caminho certo. Um choque inesperado corre através do corpo femino e ela engasga em surpresa. Indra faz uma pausa, seu corpo inteiro parado, os olhos voando para o rosto com algo similar a curiosidade em suas feições. Ela nunca fez nenhum som antes, acreditando que ele preferiria seu silêncio durante uma ação que obviamente considerava um fardo. Sachi morde o lábio e olha para o lado, envergonhada, esperando que ele continue e ignore essa pequena interrupção para terminar o ato.
E assim o faz - lentamente, puxando-se para fora quase completamente, e então empurrando de volta e -
Mais uma vez, Indra bate naquele ponto - um feixe de nervos que ela nunca pensou possuir - e ela assobia, jogando a cabeça para trás contra o travesseiro quando um pequeno tremeluzir, como uma corrente de eletricidade, percorre seu corpo. Um calor reconfortante se enrola dentro dela, em algum lugar logo atrás do umbigo. Mais uma vez, ele fica parado e ela lança um olhar de pânico em sua direção – estaria ele irritado com o barulho que estava fazendo ou, talvez, menos provável, achava que estava machucando-a?
Mas para sua surpresa, ela vê a expressão de um homem que acabou de fazer uma descoberta - ou talvez confirmou uma teoria. É especulativo, como se ela fosse fascinante ou estivesse fazendo algo que achava fascinante.
Ele ajusta seu domínio sobre ela mais uma vez, arrumando com uma mão para que a perna dela caia sobre seu ombro, e a outra - ela sente os dedos dele roçarem contra aquele lugar, logo acima de onde eles estão juntos. Seus próprios dedos atacam, raspando infrutiferamente no tatame, tentando encontrar algo para se enrolar, enquanto ela tenta se acostumar com sensação combinada dele tocá-la e estar dentro dela.
Indra esfrega esse ponto sensível de novo e de novo, seus movimentos deliberados e inflexíveis. Logo, ela está tremendo e se contorcendo debaixo dele, tentando segurar os gemidos enquanto seu cérebro tenta interpretar se isso é dor ou prazer. Os movimentos dela também devem ser agradáveis para ele, pois o homem solta pequenos grunhidos no fundo da garganta e o aperto na perna dela se contrai até machucar.
Ela nem se importa.
Seus olhos brilham, piscando de preto para vermelho, e esse é todo o aviso que ela recebe antes dele se empurrar novamente. Só que desta vez, é tudo menos vagaroso e ele não para de tocá-la mesmo quando surpresos suspiros saem de sua garganta - na verdade, ele esfrega o polegar com mais força contra aquele ponto. Círculos pequenos e apertados, de alguma forma intercalando o ritmo de seus impulsos, e ela é bombardeada por uma sensação de algo crescendo rápido em todo o corpo.
Sachi não consegue segurar os gemidos de saírem alto porque isso - isso - ela nunca teria esperado. Não dele. Não de qualquer homem, mas especialmente não dele.
Ele se inclina para frente então, seus dedos nunca parando, seu ritmo nunca vacilando, mas o ângulo de penetração muda, e a ponta dele está chegando mais fundo dentro dela agora. Ao contrário de antes, diferente de todas as outras vezes, ela não sente nenhum desconforto por estar totalmente preenchida; na verdade, descobre que gosta do sentimento, da poderosa força dele entre suas coxas. Era muito difícil respirar. Tinha a sensação de que não conseguia respirar fundo o suficiente em seus pulmões, mas estava tudo bem, desde que ele não paresse, porque se fizesse isso, ela pararia de se sentir assim e -
Shachi não consegue pensar direito. Está vagamente consciente de estender a mão, agarrando seus ombros musculosos, suas unhas afundando na pele surpreendentemente macia ali, mas ele não a afasta e nem recua. De fato, seus olhos se estreitam e algo primitivo passa por suas feições.
É o mais próximo que ele chega de olhar para ela da forma como um homem deveria olhar para uma mulher - para sua esposa.
Esse foco de laser, olhos vermelhos brilhando, espirais negras girando como se ele estivesse guardando tudo isso em sua memória, é o que a faz gritar então, seus olhos rolando para trás, os dedos dos pés curvados, e sentindo como se algo dentro dela estivesse se quebrando.
夢
Sakura acorda no final de um orgasmo, ofegante, com o estômago apertado e os músculos contraídos. Sente uma umidade familiar entre suas coxas e encontra Sasuke encarando-a. As brasas fracas de sua fogueira lançam sombras sobre suas feições, e quando ele murmura seu nome, é hesitante, como se não tivesse certeza de que ela pudesse responder.
"Estou bem!" grita, totalmente envergonhada e embaraçada. Ela gira, virando as costas para ele enquanto se arruma. Sente o corpo quente e agitado, os músculos em seu ventre ainda se contraindo, as lembranças do toque inesperado de Indra ainda causando uma série de reações indesejáveis.
Enquanto uma parte dela fica feliz que a vida de casada de Shachi não era completamente desprovida de prazer, a outra deixa Sakura em uma situação desconfortável. Deitada ao lado de seu marido, fresca de um inesperado sonho sexual sobre outro homem -
Não outro homem. O mesmo homem. Tempos diferentes!
Mas seus pensamentos frenéticos não fazem nada para que se sinta melhor sobre tudo isso.
Sasuke se aproxima, seu peito contra as costas dela, inclinando-se para que as pontas do cabelo dele façam cócegas no lado do rosto dela. Ela se afasta dele.
"Isso não foi apenas o mesmo sonho de sempre, foi?", pergunta, com a voz enlouquecidamente controlada. A médica se pergunta se pergunta se ele está tentando decidir se vai gritar ou provocá-la. Nenhuma opção é particularmente bem-vinda, mas seu marido não aparentemente não esperava por uma resposta. "Você quer saber como eu sei disso?" Ela geme e afunda o rosto nos cobertores; o calor em suas bochechas poderia reavivar sua fogueira moribunda. "Eu pude ver seu rosto. E eu conheço essa expressão muito bem."
Sakura rosna e se empurra para a posição sentada, quase batendo no queixo dele com a parte de trás da cabeça.
"Tudo bem!" grita, olhando para ele. "OK! Você me pegou! Não foi o tipo normal de sonho estranho. Houve sexo envolvido. E foi um sexo realmente bom pela primeira vez. O que eu achava impossível de acontecer porque o seu do passado era um porco idiota quando se tratava de fazer o trabalho! "
Sasuke pisca, parecendo não ter certeza se deveria se sentir ofendido ou satisfeito com isso.
"Eu pensei que esses sonhos deveriam ter algum tipo de significado mais profundo, algo que meu passado estava tentando me dizer. Mas agora, acho que ela só tem um sadismo muito, muito profundamente oculto. Porque diabos eu preciso saber eu preciso saber desse tipo de coisa sobre eles dois! Isso é muito, muito frustrante! ", sua voz quebra um pouco. "E eu sei que é tecnicamente você - era você - mas ainda parece que sou ... como se estivesse sendo infiel de alguma forma. E eu odeio isso!"
E, caramba, ela estava chorando agora! Porque estava chorando? Não está triste; está com raiva e exasperada, tudo que queria era socar alguma coisa , mas não havia nada por perto.
Sasuke estava possivelmente ciente dessa necessidade, no entanto, não se afastou nem um centímetro dela.
"Você não está sendo infiel", informa. "Pelo que li, é perfeitamente natural ter fantasias sobre outras pessoas, especialmente durante a gravidez."
"Essas não são fantasias! E não é - eu nunca –" ela luta para encontrar as palavras. "Eu nunca pensei em mais ninguém dessa maneira, e ainda se pensasse… você estava sempre envolvido." Passa pela sua cabeça um incidente esquecido há muito tempo envolvendo uma imagem de Sasuke e Sai, e por mais embaraçoso que seja, isso parece de alguma forma ainda pior.
"Os sonhos vão seguir seu curso", Sasuke garante, simplesmente, como se estivesse tentando convencer mais do que apenas ela.
"Vão mesmo?", desafia. "Definitivamente não me sinto como se fossem parar em algum momento." cruza os braços sobre o peito, cotovelos desenhados de forma protetora em seu corpo. "E se, pelo resto da gravidez, eu ficar nesse jogo entre a vida dela e a minha?"
"Então, como você disse, vamos descobrir a razão disso", diz a ela.
"Mas e se não for apenas essa gravidez, mas toda gravidez? Ou toda a minha vida? E se eu nunca mais conseguir uma noite tranquila de sono?
"Das partes que você me disse e quão rápido tudo parece estar progredindo, pode durar apenas enquanto sua vida segue seu curso natural."
"Mas e se eu começar a viver a vida de outra pessoa depois dela?" choraminga, começando a entrar em pânico de um jeito que nunca fez desde que tudo começou. "E se… e se essa não for minha única vida passada? E se ei tiver sido outra pessoa também? E se eu começar a sonhar com Madara Uchiha?"
Oh Deuses! E se eu começar a sonhar em fazer sexo com Madara Uchiha ?!
Passa pela sua mente a imagem de seus olhos mortos e a pele rachada na batalha contra seu cadáver reanimado.
"Oh, eu vou ficar doente ..."
Seus ombros caem e ela tenta lutar contra o desejo de explodir em lágrimas novamente.
É surpreendida por um toque repentino na testa, e quando olha para cima, Sasuke está analisando-a com atenção.
"Você está pensando demais", diz. "Se preocupar com isso agora não ajudará em nada. De manhã, encontraremos um sacerdote ou alguém que saiba mais. Estamos na fronteira da Terra das Florestas. Há uma biblioteca em Suganuma que é uma das bibliotecas mais antigas do mundo. Podemos começar a procurar por lá, ver se há alguma menção a Shachi, ou se esse fenômeno já aconteceu com alguém antes."
"E se isso não funcionar?"
"Há outra biblioteca no País-chave. E na Garra. Existem templos espalhados pelo mundo. E Orochimaru também sabe muita coisa sobre a história e o arcano. Vou escrever uma mensagem e ver se ele sabe de alguma coisa.
Os olhos de Sakura se estreitam em suspeita. "É por isso que você decidiu que deveríamos continuar viajando pela costa leste em vez de ir para casa, não é?"
"Hm"
"E você não poderia me falar sobre isso? Em vez disso, você me deixou entrar em um pânico silencioso?"
"Você é tudo menos silenciosa", a lembra com um bocejo.
Sakura olha. "Você está levando isso com muita tranquilidade."
"É como você disse", responde, deitando-se no chão e fechando os olhos. "Depois disso, nada me surpreenderá. Então, volte a dormir."
Sakura fica boquiaberta com o marido por meio minuto e depois se deita com um resmungo. "Você nunca reage do jeito que eu espero que reaja",reclama. "É de propósito, não é?"
"Mantém o mistério vivo", murmura cansado.
Ela sorri contra a vontade. Sasuke tem um senso de humor seco que não conhecia até que retornasse à Konoha. Um humor que ele só demonstrava quando estava particularmente bem disposto ou exausto. Se sentiu culpada por saber que agora se tratava do último caso. Era mais fácil apreciar suas piadas quando as fazia feliz, em vez de exausto.
E há tantas maneiras que gostava de fazê-lo feliz...
Um calor familiar sobe pelo seu pescoço e a tensão em sua barriga está de volta. E realmente, é absolutamente o pior momento, mas...
"Sasuke?" chama, melancolicamente, inclinando-se para ele.
Sakura escuta seu suspiro. "Nenhum de nós vai dormir novamente a este ritmo."
眠 り
Embora nunca tenha conhecido o toque de outro homem, Shachi sabe que seu marido não é um amante apaixonado por natureza. No entanto, nas semanas seguintes, ele mais do que compensa isso com seu foco inflexível.
Suas relações noturnas não são mais algo que espera simplesmente suportar. Quando Indra chega à sua tenda à noite, ela o ajuda a tirar a roupa e se entrega facilmente ao seu toque. Ao longo de semanas, ele desvenda seu corpo, descobre os lugares que a fazem suspirar e gemer, ou a maneira como uma torção dos dedos pode fazê-la gritar seu nome.
Quando está se sentindo particularmente ousada, ela tenta devolver o favor, envolvendo os dedos ao redor de seu comprimento e arrancando surpresos suspiros de prazer de sua boca. Indra sempre a interrompe antes que alcance a sua própria liberação, no entanto, sempre a puxando para perto para que possa terminar dentro dela. Todo o tempo, ele observa suas reações, como se estivesse testando alguma coisa ou aprendendo alguma coisa.
Sachi se pergunta o que acontecerá quando ele ficar entediado, mas essa eventualidade nunca chega.
Apesar do entusiasmo por se deitar com a esposa, ele nunca a beijou. Sakura tem dificuldade em ignorar a mensagem sinistra implícita nisto.
Quando a menstruação de Shachi não vem, ela visita a curandeira do acampamento, Dewadasi. A mulher mais velha lhe confirma o que já sabia: está grávida. Por um longo tempo, Shachi não consegue pensar, em um espanto atordoado. E então a outra mulher empurra esse espanto ainda mais.
"Ele me ouviu então, suponho?"
"O que você quer dizer?"
"Ele veio a mim uma vez, um mês depois do seu casamento. Estava preocupado pois você ainda não estava grávida", diz Dewadasi.
"O que você disse?" Shachi pergunta, hesitante.
"A mesma coisa que eu diria a qualquer mulher. Se os deuses decretarem que você não terá filhos, não há nada que possa ser feito. Mas se é simplesmente uma questão de persuadi-lo, bem... Isso é outro assunto completamente diferente." Seu sorriso se alarga. "Eu contei a ele algumas velhas histórias sobre como garantir que a semente de um homem crie raízes; se uma mulher experimenta a mesma liberação que um homem, as contrações no útero a ajudam a crescer. Claro que, para ser eficaz, deve acontecer com frequência…"
As bochechas de Shachi se enchem de cor, pensando na atenção do marido nas últimas semanas. "Isso é ... isso é verdade?"
"Bem, você está grávida agora, não está?" A outra mulher diz com uma piscadela.
Shachi está mortificada que a outra mulher tenha se encarregado de orientar seu marido sobre suas relações íntimas, e isso deve ser demonstrado porque Dewadasi bufa.
"Ser a esposa de um grande líder é difícil o suficiente", diz. "Não há necessidade de adicionar um casamento insatisfatório à isso. Ele deve muito a você, e se não puder mostrar isso de outras maneiras, pode mostrar dessa forma."
A mortificação começa a se transformar em algo como gratidão, mas Shachi ainda está ansiosa para se despedir da mulher onisciente. Dewadasi não a deixa ir sem uma palavra final, no entanto.
"É muito estranho", observa levemente. "A maioria dos homens em sua posição sempre acham que algo está errado com a esposa, então tomam uma concubina. Mas o Senhor quis saber o que poderia fazer." Ela levanta uma sobrancelha para Shachi. "Suponho que nosso líder não opera em um mundo onde não possa manifestar sua vontade."
夢
Algumas manhãs, é difícil lembrar onde está ou quem ela é.
Olhando para a forma adormecida de seu marido, Sakura às vezes experimenta uma onda de desorientação ou confusão quando suas feições não aparecem com o que se lembra naquele instante. Momentos depois, quando volta para si mesma, ela sempre sente um arrepio de medo de que isso seja uma questão.
Isso leva a muitas situações onde tenta esconder-se embaixo das cobertas com ele, tentando ao máximo ficar o mais próximo possível. Ele resmunga sobre incomodá-lo antes que esteja pronto para acordar, mas seu braço sempre encontra seu caminho firmemente em torno de suas costas, segurando-a apertado em seu sono como se inconscientemente soubesse o quanto ela precisa dele para ancorá-la naquele momento.
Sua busca por respostas não rendeu nada até agora.
A biblioteca em Suganuma não tinha nada de útil. O mais distante que os registros vão sobre os Uchiha são alguns séculos atrás, e havia muito poucas mulheres mencionadas - nomes como Teisōko, Chiori e Naori, mas não Shachi.
Estão ambos desencorajados, mas continuam procurando. Ela finalmente cede à sugestão de Sasuke de que levem o problema para aqueles mais afinados com o sobrenatural.
É um movimento incerto para os dois.
Sakura não cresceu em uma família particularmente espiritual - sua família participava a maioria dos festivais e celebrações por respeito à tradição, em vez de qualquer crença particularmente forte - e as visões de Sasuke são ainda mais obscuras. Ele pode ter seguido as tradições religiosas de sua família quando criança, mas depois do massacre, duvida que ele tenha reconhecido qualquer tipo de poder superior. Descobrir ser a reencarnação de um antigo semideus obviamente o fez reconsiderar algumas coisas.
O primeiro padre que visitam acha que o problema são as visitas noturnas. Ele se oferece para convocar um baku para comê-los, mas Sakura recusa isso. Não é supersticiosa, mas leu mitologia e tem conhecimento o suficiente para saber que os espíritos geralmente são difíceis de controlar. Se um baku não está satisfeito em consumir seus pesadelos, pode continuar devorando suas esperanças e sonhos também.
E ela lutou muito, e por muito tempo para torná-los realidade.
Outra - uma sacerdotisa desta vez - parece mais disposta a acreditar que algo está tentando falar através de Sakura. Ela acredita que, com o tempo, a mensagem ficará clara, mas se Sakura estiver impaciente, a mulher se oferece para levar o espírito a si mesma para uma discussão cara-a-cara. Tanto Sakura quanto Sasuke são céticos sobre isso, mas tentam mesmo assim.
Quando isso não funciona, a mulher os acusa de desperdiçar seu tempo. Sasuke murmura que ela é claramente uma farsa e eles vão embora.
Esse é o último tempo que visitam.
O mais próximo que Sakura chega a uma resposta é uma semana depois, quando ela e Sasuke se encontram em uma vila rural onde as pessoas mal falam sua língua. A área está passando por uma seca severa, e Sasuke se envolve nos esforços da comunidade local para encontrar e cavar um novo poço, enquanto Sakura trata os moradores de desidratação e doenças relacionadas.
O dia inteiro tem a sensação de estar sendo observada, e a certa altura, olha para cima a tempo de ver uma velha - uma criatura enrugada, cinzenta e de couro - observando seu trabalho. Sakura está muito ocupada para se aproximar dela durante o dia, porém, mais tarde, questiona as pessoas sobre a idosa e é orientada para uma cabana no outro lado da aldeia.
Ela e Sasuke são acompanhados por um dos anciãos da vila, um homem que mal consegue falar japonês, mas garante que "a avó é a mais sábia".
Após a sua chegada, a mulher olha para Sasuke e faz um sinal em pânico com as mãos, que Sakura reconhece como uma defesa contra o mal, e depois se tranca na casa. Sakura passa uma hora persuadindo Sasuke a esperar por ela de volta na aldeia propriamente dita, e depois outra tentando fazer com que a mulher saia e fale com ela.
Quando isso acontece, as perguntas e respostas desconcertadas dadas por meio de seu intérprete não fazem sentido algum. No final, porém, a mulher se arrasta para frente e coloca uma mão retorcida na barriga de Sakura. Ela murmura incompreensivelmente, olhando para Sakura com olhos conscientes e simpáticos.
"O que ela disse?" Sakura sussurra.
O intérprete se desloca desconfortavelmente. "Não importa."
"Conte-me."
"É difícil dizer. Palavra antiga. Conversa diferente mais antiga a nossa."
"Um dialeto mais antigo?"
"Sim, sim é isso. Eu poderia tentar supor que ela disse."
"O que você acha que foi?"
O homem parece se desculpar, em seguida, lança um olhar preocupado para a velha, que acena como se para encorajá-lo a ir em frente. Ele suspira e diz: "Ou disse 'cura' ou ..."
"Ou?"
"... ou maldição."
Sakura volta para Sasuke, pálida e tremendo, raiva e medo competindo pelo domínio.
"Eu não vou mais fazer isso", diz firmemente.
Ele fica alarmado, mas seu tom continua sendo a medida. "O que ela disse?"
"Eu não conseguia entendê-la", Sakura mente, a primeira vez que mente para ele desde o dia horrível na Ponte Samurai. "Mas tudo isso, questionar as pessoas por respostas sobre algo que não conseguimos entender - é perturbador. Eu tenho minhas esperanças, e então..." se impede de continuar, apertando os punhos. "Não há mais gurus ou padres ou… ou feiticeiros. Encontramos fatos ou paramos de procurar.
"Tudo bem", diz Sasuke, embora ela sinta que o Uchiha não está completamente feliz com essa decisão.
つづく
"Oh Deuses! E se eu começar a sonhar em fazer sexo com Madara Uchiha ?!" (N/T: Isso é tudo que eu queria, só a Sakura mesmo pra se desesperar por descobrir que fez sexo com Indra e pode ter feito com o Madara hahahahha)
Gente, eu adooooro esse capítulo. Também senti uma raiva descomunal do Indra pela primeira vez da Sachi, as é aquilo né: se formos considerar o contexto histórico, não é uma surpresa muito grande. Mas felizmente esse canalha resolveu mudar (mesmo que pelos motivos errados).
Quero agradecer à Bela21, FleuryMalfoy, Astralwalkers e ao outro leitor que não logou pelos comentários que me deixaram bastante animada e realizada. Um beijo no coração de cada um de vocês!
Bem, espero que tenham curtido tanto quanto eu, comentários são sempre bem vindos e aquecem o coração. Até próximo capítulo!
