Passado: 6 anos depois do acontecimento no rio – noite do massacre do clã Oyuki:

Os ninjas do clã Uchiha se aproximavam, Madara sabia muito bem de suas obrigações para com seu clã, mas não podia, ou melhor, se recusava a mata Sakuya, ou deixa-la ali para morrer. Ela estava nervosa, não sabia se devia correr, ou se continuava ali parada segurando a mão dele, não tinha como saber o que se passava na cabeça do Uchiha, se ele a entregaria, ou até mesmo a mataria e embora se recusasse a pensar que o fofo menino que conheceu no rio fosse capaz de fazer isso, ela não podia ignorar as opções. As emoções elevadas fizeram com que seu coração disparasse, o pânico estava começando a tomar conta dela e Madara percebeu isso a cada segundo que a mão dela ficava mais fria, afim de demonstrar apoio segurou ainda mais forte aquela delicada mão. Quando ela sentiu o forte aperto dele, instantaneamente olhou para o rosto dele e havia um doce sorriso que fez todos seus pensamentos ruins esvaírem, aquilo lhe trazia uma profunda tranquilidade, era como se não houvessem mais problemas.

O primeiro pensamento de Madara era segurar firmemente a mão dela puxa-la e sair correndo o mais rápido possível daquele lugar, entretanto quando ele quis dar o primeiro passo notou os joelhos ralados da garota, era sua culpa e sabia disso, ela não conseguiria correr tão rápido com eles doendo. Em busca de uma solução, ele retirou a gunbai de suas costas para prenda-la em diagonal na frente, ficava mais desconfortável do que nas costas, mas pelo menos ele conseguiria correr e leva-la junto. O Uchiha soltou a mão dela, se virou de costas e agachou, sem entender muito bem a Oyuki ficou o observando intrigada.

- Sobe nas minhas costas. – ele disse quase num tom de ordem.

Muito surpresa ela deu uma leve recuada, não sabia se deveria aceitar ou não aquele gesto, porém eles não tinham muito tempo os passos dos outros Uchihas estavam cada vez mais perto.

- Agora! – ele ordenou.

Rapidamente ela subiu nas costas dele, entrelaçou seus braços envolta do pescoço do rapaz que, afim de deixa-la mais segura, agarrou fortemente as pernas dela para que ela não caísse. E assim, ele começou a correr o mais rápido que podia e a cada vento forte que passava sobre eles, Sakuya podia sentir um leve cheiro cítrico do cabelo de Madara, apesar de preferir cheiros doces, aquele cheiro a atraia. A fuga os levou até uma cachoeira que a garota conhecia bem, muitas vezes tinha ido até ali para buscar água e havia aproveitado para explorar o lugar, por tanto sabia da existência de uma caverna escondida pela forte queda da água.

- Má-chan, ali tem uma caverna.

Era uma decisão de risco, os Uchihas que os perseguiam podiam não perceber assim como o próprio Madara não havia percebido, ou eles podiam dedicar um pouco mais tempo explorando o local e os achando, por isso eles teriam que se camuflar muito bem para que os perseguidores não conseguissem rastrear nenhum ponto de chakra. Madara atravessou rapidamente a cascata, água era, além de forte, gelada, assim que já estavam dentro da caverna ele se agachou para que ela pudesse descer de suas costas, assim que o fez uma corrente fria tomou conta de seu corpo a fazendo sentir frio. O garoto balançou a cabeça para se desfaze da água em seu cabelo, quando notou Sakuya sentada em uma pequena pedra que lhe serviu de cadeira, a mesma estava torcendo a barra da yukata encharcada, mas o que lhe chamou atenção foram seus joelhos extremamente avermelhados, a água havia dado uma lavada neles e por isso não estavam mais ensanguentados.

O jovem Uchiha se aproximou e depois se agachou para analisar melhor aqueles os joelhos, aquela atitude fez com que a garota ficasse imóvel apenas o observando, ele era atraente até mesmo sério e o fato de estar cuidando dela ao invés de si próprio a fez se sentir um pouco encabulada. Ele rasgou a barra de sua roupa, em seguida dividiu em duas faixas e começou a atar o ferimento finalizando com um pequeno nó, aqueles foram os segundos despreocupados mais longos que os dois tiveram até o momento.

- Eu tenho certeza de que ele foi por aqui.

- Não estou vendo ninguém.

Apesar do barulho da água eles conseguiram escutar as vozes dos Uchihas, Madara fez sinal para que Sakuya não fizesse barulho e a mesma apenas acenou com a cabeça concordando. Embora o garoto estivesse tentando se concentrar para entender o que os perseguidores estavam dizendo, ou fazendo, não conseguiu deixar de prestar atenção nela e o quanto estava tremendo, tal vez por frio, ou tal vez por medo, então a abraçou fortemente. Sakuya sentiu um calor percorrer suas veias o que era muito bom depois de ter levado um "banho" de água gelada, em resposta ela retribui o abraço e isso fez com o rapaz sentisse seu coração bater acelerado, mas estranhamente não era por nervosismo, ou qualquer outra emoção do tipo, era algo diferente, tal vez novo, se sentia mais calmo e até relutava contra a vontade de sorrir sem motivo aparente.

- Acho que eles foram para a esquerda!

- Sim, vi algo se movimentando!

- Pra esquerda, vamos!

Eles escutaram os homens discutindo lá fora e em questão de minutos o barulho dos passos começaram a se distanciar deles, acreditando já estarem seguros Madara reativou seu sharingan, que o fez ter certeza de que não havia mais perigo para eles. Mesmo assim continuavam abraçados, mas agora os pensamentos do jovem estavam concentrados na seguinte pergunta "o que faria?", seria certo abandonar uma garota no meio da floresta, após ter sido responsável pela aniquilação de seus familiares? Em contrapartida, ele precisava voltar pra o seu clã, afinal já havia se arriscado a salvando e pensando melhor agora, o que teria acontecido se tivessem descoberto que ele havia a ajudado escapar? Só de pensar nessas coisas seu estomago deu um nó, era melhor parar de pensar nisso e seguir em frente, então ele a soltou.

- Bom, agora você pode...

Ele parou no meio da frase, o que ia dizer? Que ela podia ir embora, que estava a salvo? Chegava a ser ridículo dizer isso para a garota que havia acabado de perder tudo o que tinha, para onde ela ia? Isso o fez se sentir um perfeito babaca, a culpa começou a bater forte em sua consciência o fazendo abaixar a cabeça e se calar.

- Obrigada.

A doce voz dela ecoou em seus ouvidos, o rapaz levantou a cabeça e a viu lhe dando um sorriso, o que o confundiu profundamente, por que ela estava sorriso? E como ela podia sorrir e ser tão doce com ele depois de tudo? Aquilo o deixava inquieto.

- Err... – ele procurou algo que não fosse idiota para dizer – Eu vou ter que ir.

- Tudo bem, eu entendo. – ela disse bem calma.

Ele olhou para os lados, parecia que seu cérebro estava procurando algum motivo, alguma razão, para permanecer ali e a única coisa que se focou foi no fato dela ainda estar molhada.

- Ah, espere ai, eu vou pegar uma coisa.

Ela o observou saindo da caverna com pressa, por um momento achou que ele não voltaria mais, que havia perdido sua única oportunidade de tê-lo reencontrado e provavelmente não o veria de novo. Infelizmente todos aqueles pensamentos não serviam de nada naquele momento, ela precisava decidir o que faria e como sobreviveria a partir de então, precisava bolar um plano de vida. Surpreendentemente, ele voltou e protegia algo por baixo de suas roupas, a garota o observou enquanto descarregava alguns pedaços de madeira no centro da caverna, em seguida ele fez alguns sinais de mão e quando soprou a lenha pegou fogo.

- Pronto, agora você pode se aquecer e secar suas roupas.

- É muito gentil da sua parte Má-chan. – ela se levantou e foi até ele.

Madara deu um leve sorriso desconcertado, aquilo era o mínimo que podia fazer antes de ir embora e deixa-la sozinha, mas tal vez o pior de tudo fosse o fato de que não a veria novamente.

- Bom, agora eu tenho que ir.

Ele se virou e foi andando lentamente em direção da água.

- Má-chan, espera!

Sakuya correu até o Uchiha e assim que ele se virou, ela o beijou.

O beijo o pegou de surpresa, o deixou totalmente sem reação, não era algo esperado, então por alguns segundos seus lábios ficaram colados e novamente ele sentiu seu coração bater disparado. Sakuya se afastou aos poucos dele, estava sentindo seu rosto quente e quase não conseguiu olha-lo nos olhos, Madara estava corado e sem conseguir dizer nada foi embora.

Passado: 6 anos depois do acontecimento no rio – sede do clã Uchiha depois do ataque ao clã Oyuki:

Tajima chamou os filhos para parabenizar pelo sucesso que havia sido o ataque ao clã Oyuki, depois os Uchihas começaram uma pequena comemoração pela vitória, apesar de algumas vidas terem sido perdidas no processo. Madara era o único que não aparentava estar, e de fato não estava, feliz e com vontade de festejar, Izuna se aproximou do irmão e o ofereceu um pouco de saque.

- Por que tá com essa cara? A gente ganhou! – ele disse empurrando o copinho para o irmão – Toma um gole!

- Não tô afim. – ele rejeitou.

- O que aconteceu?

- Nada, só tô cansado. – ele disse respirando fundo.

- Ora Izuna, deixe seu irmão ir descansar. – Tajima se aproximou dos dois.

- Hmm... – Izuna fez uma cara de descontentamento.

- Vá se deitar, Madara. – ele disse dando um tapinha nas costas do filho – Precisamos de você bem descansado para quando tiver outra missão, então você pode comemorar depois.

Madara observou enquanto seu pai arrastava Izuna de volta para a festa o empurrando para algumas garotas, depois deu as costas e foi para seu quarto. Ele se trocou e deitou no seu futon, porém sua mente estava a mil, começou a se questionar se tinha feito o que era certo e por que havia feito aquilo, mas não conseguia chegar a uma resposta. Depois começou a se questionar se ele teria salvo Sakuya se não a conhecesse, se sentiria a culpa que estava sentindo, depois começou a se lembrar do beijo que ela havia lhe dado e o quanto aquilo o fez sentir novas sensações que não havia sentido.

Já era quase hora do almoço e apenas Madara estava ainda acordado perdido em seus pensamentos, não havia mais ninguém acordado por conta da comemoração que só acabou quando sol nasceu. Ele se levantou e começou a pegar algumas roupas que não usava mais, depois pegou um futon, que não era utilizado, amarrou tudo muito bem para conseguir carregar sem perder nada no meio do caminho, em seguida foi até o quarto de seu pai, que estava num sono profundo, e deixou um pequeno bilhete dizendo que havia saído pra treinar.

Antes de prosseguir para seu real caminho, Madara se certificou de que de fato não havia ninguém o seguindo ou observando, também tomou muito cuidado para deixar rastros caso decidissem sair a sua procura. Seguro de que não levaria problemas consigo, ele prosseguiu pelo mesmo caminho que havia feito na noite anterior, sua maior prioridade naquele momento era voltar até aquela cachoeira para ter certeza de que Sakuya ainda estava bem.

Dias atuais: 4ª guerra ninja:

Os cinco kages estavam diante de Madara, pela primeira vez eles se uniriam para lutarem juntos.

- Isso é perfeito. – Madara disse totalmente confiante – Isso vai fazer meu teste valer a pena.


Notas do autor:

Oi queridos leitores :3

Espero que estejam gostando da fic *-*

Críticas construtivas são bem-vindas :3