Viiiiiiixe! Esse foi o capítulo mais longo que eu já escrevi. Podia até mesmo ser dois, mais ficou como um mesmo! Fiquei um dia inteiro escrevendo, desde manhã até as nove da noite. Tá, não tudo isso, mas comecei e terminei nesses horários. ;P

OBS: Gostaria que lessem tudinho, até mesmo as partes sem falas, porque são importantes. Sei que dá preguiça, mas é assim que funciona, desculpem! ;D

OBRIGADA PELAS REVIEWS LINDAS COMO SEMPRE! ;P

Esse capítulo é especial, porque ele torna a fic mais interessante ;D

Espero que gostem!

Capítulo 3. Está brincando comigo?

-E, esse é o Edward. – disse Alice me apresentando de novo seus amigos.

Quando nos aproximamos, eles pararam de conversar e nos encaram e encararam bem mais a Alice, que deviam estar achando que ela estava louca por me fazer me juntar a eles. Edward estava lá me olhando com um sorriso cínico e debochado.

-Oi, Isabella.

-Bella. – Corrigi-o. – Não gosto de Isabella. – disse ríspida.

Alice me jogou um olhar de reprovação e seus amigos suspiraram. Sentei-me na única cadeira disponível na mesa, ao lado do irritante, de frente para Alice que se sentava ao lado de Rosalie, com Emmett ao seu lado. Jasper estava do outro lado de Edward.

Eles começaram a conversar entre si, enquanto eu me levantei dizendo que ia comprar algo para comer. O mais me surpreendeu foi Edward fazer o mesmo. Veio atrás de mim. Olhei-o por cima do ombro para ver se estava mesmo me seguindo. Estava.

-Você não tem nada melhor para fazer? – perguntei a ele, pegando uma bandeja.

Ele sorriu, pegando a sua.

-Que eu saiba essa é a única fila para pegar a comida, Bella. – Abaixou-se até ficar na minha altura e me jogar um sorriso torto.

Girei rápido e fui caminhando, pegando a comida que queria.

-Você é muito irritante, sabia disso?

-Acho que já me falaram isso. Ah! É, minha mãe disse isso hoje! – Riu.

-Sua mãe? Coitada dela e de seu pai.

-Não tenho pai. – disse ele simplesmente, pegando uma maçã e mordendo-a sem ligar para a minha surpresa. Virou-se para mim sorrindo. – Parece surpresa.

-Bem, estou. Achei que fosse a única na cidade que... – Calei a boca. Estava falando demais como se quisesse a amizade dele.

-Também não tem pai? – perguntou-me aparentemente curioso.

Mordi o lábio, enquanto pagava pela comida. Edward não parecia quer mudar de assunto.

-Isso não te interessa, Cullen. – Sai dali batendo o pé.

Ia voltar a mesa de Alice, mas o que eu faria lá além de escutar a conversa deles? Dei meia volta caminhando em passos largos até a minha mesa de sempre que estava vazia como sempre. . Larguei a badeja sobre a mesa e puxei a cadeira antes de me sentar. Vi Edward vir em minha direção, se sentou a minha frente, largando sua bandeja na mesa.

Suspirei virando os olhos e mordendo a maça que também tinha comprado.

-E então? – Voltou a perguntar.

-Me deixe em paz – murmurei cansada.

-Não.

Olhei-o sem entender.

-O que quer de mim? – perguntei enfim, após ficar encarando-o por um momento.

-Quero te entender. – Seus incríveis olhos verdes de esmeraldas eram intensos e obstinados.

-. Ninguém me entende, então, nem perca seu tempo. – disse séria.

-Prefiro ariscar. – Isso estava me deixando surpresa. Ninguém se interessou por mim além da minha família, por que ele se interessava? Logo ele? – Por que não tenta conversar comigo?

-Porque quem conversa são somente amigos, não é?

Ele franziu o cenho em confusão.

-E não somos? – Devolveu-me a pergunta.

Pensei por um momento, mesmo sabendo a resposta. Mas jogaria seu jogo.

-É isso que pensa que sou? – perguntei de volta.

-Por quê? Pensa em ser mais que isso? – Ele me devolveu com intensidade no olhar, mas não uma intensidade que pudesse ser considerada estranha.

-Não. – Perdi. Recostei-me de volta a cadeira, derrotada. Não tinha percebido, mas nós tínhamos nos inclinado sobre a mesa, chegando-nos para mais perto. – Só... Não sei quando sou considerada amiga...

-Como? – Edward estava muito confuso e não o tirava a razão.

Não iria lhe contar a minha história deprimente. O meu histórico sem amigos, além de Alice. Não para ele. Afinal, por que eu ainda estava perdendo tempo falando com ele? Iria terminar com isso e fazê-lo sair de perto de mim em questão de segundos.

-Nada. – Dei outra dentada na maçã.

-Bella, por que não me conta por que você é assim tão...

-Grossa? Desculpe não ser mais receptiva. – Dei de ombros, não dando a mínima para o que ele falava. – Sou assim.

-Acho que não. Sabe, uma coisa eu aprendi com a minha mãe; sei ler as pessoas. Sei que você esconde algo, não só de todos, como de si mesma.

-Hã? – Ergui a sobrancelha. – Está vendo a minha alma, por algum acaso, para saber disso?

-Quer saber? – Se levantou. - Você não tem confiança em mim, então vou dar um jeito de merecê-la para poder te ajudar. – Sorriu abertamente. – Vai ter que ter muita paciência, Bellinha. – Piscou para mim antes de pegar a bandeja e sair.

Fiquei abestalhada parada na cadeira. O que ele queria dizer com paciência? Que teria que agüentá-lo... Argh! Garoto irritante!

Peguei a minha bandeja e joguei o resto de comida fora, antes de ajeitar a mochila no ombro e ir para a minha próxima aula.

_

Edward's POV

Logo que eu e minha mãe arrumamos a nossa mudança em nossa nova casa em Forks, ela recebeu um telefonema de um amigo chamado Carlisle, o melhor médico da cidade. Saiu com ele e com a esposa do mesmo para um jantar. Fiquei terminando de ajeitar as minhas coisas no quarto.

Morava junto com a minha mãe, não tinha irmãos ou irmãs e nunca conheci meu pai. Elizabeth, minha mãe, nunca me falou muito dele, só disse que ele morreu muito antes de pensar que estava grávida de mim, mas ela nunca gosta muito de tocar no assunto. Então, sempre fomos eu e ela, na maior parte das vezes, só eu, porque ela trabalhava demais na nossa antiga cidade. Ela era psicóloga e nos Estados Unidos não há falta de loucos, ou suicidas. A razão de nos mudarmos para uma cidade como Forks, foi o fato de minha mãe se achar muito distante de mim, pois só nos víamos quando ela chegava de noite do trabalho. Tanto esforço dela valeu a pena, já que tínhamos a vida que sempre desejamos um dia ter; uma grande casa, com muitos sonhos já realizados e assim por diante. Nada nos faltava.

Sabia que minha mãe estava tentando ter uma vida mais tranqüila nesta cidadezinha, sem ter que trabalhar e se dedicando mais a casa e a mim, mas também sabia que ela nunca conseguiria viver longe de seu trabalho, mesmo que quisesse, amava o que fazia e iria fazer isso eternamente. Por isso não me surpreendi com o tamanho da urgência que ela saiu para se encontrar com Carlisle assim que ele a disse que precisava de ajuda para uma coisa, obviamente, algo correlacionado com o trabalho dela.

Depois de eu ter terminado de arrumar tudo, tomei um banho rápido no meu banheiro e desci para a cozinha para fazer um sanduiche. Depois de ter feito tudo, me joguei no sofá e fui ver TV.

Escuto barulho de porta se destrancando.

-Oi, filho. – Entra Elizabeth toda enrolada com a chave de casa, do carro e com a bolsa. Levantei-me pegando sua bolsa e uma chave, enquanto ela voltava a trancar a porta. – Obrigada. – Parecia cansada.

-Foi longa a conversa. – Comentei, colocando suas coisas no sofá e voltando a me sentar no mesmo.

Ela suspirou.

-Sim, foi uma longa conversa.

-Sobre o quê? Ele quer uma ajuda sua?

-É. Parece que a filha mais velha dele está tendo uns problemas de relacionamento... – Se sentou na poltrona lateral e começou a tirar o sapato de salto muito alto. Aquilo devia incomodar.

-Umm, problemas de relacionamento? O quê? A garota não consegue arranjar um namorado, isso? – Ri.

Elizabeth girou a mão para trás, pegando a almofada e tacou em mim, que por reflexo, peguei-a no ar.

-Não, seu bobo. – Sorriu. – Antes fosse isso. – Voltou a se tornar séria.

-Então, o que é? – perguntei me fazendo de interessado. E estava mesmo, adorava escutar os casos que ela cuidava, sempre pedia detalhes e o que ela achava disso.

-Isabella não tem amigos. – disse simplesmente.

-Hã? Como assim não tem amigos? Nenhum? – Assentiu. – Nenhum mesmo?

-Não. Na verdade a única amiga dela é a irmã, Alice, que não é irmã de sangue.

-A garota é adotada? Digo, a Isabella?

-Isso. Esme, a esposa de Carlisle, era irmã do pai de Bella. Ela era muito pequena quando os pais morreram em um acidente de carro, por isso a guarda de Bella ficou com ela. Contou-me que desde pequena, ela sempre fora muito reservada, sem muitos amigos, melhor, sem nenhum amigo, mas Esme imaginou que fosse só uma fase, mas até hoje, a garota tem dezessete e nada mudou. Continua sem amigos.

-Por quê? – Apoiei meus cotovelos nos joelhos, me sentindo extremamente interessado. Era bem provável que ela estudaria no mesmo ano que eu e, nesta cidade do tamanho de um ovo, seria fácil vê-la freqüentemente.

-Não sabemos ainda, mas Esme me contou que Alice, a filha biológica deles, que é dois meses mais nova que Bella, disse que ela não quer fazer amigos. Que sempre quando ela apresenta alguém novo a ela, tempo depois, ela briga com essa pessoa, do nada.

Sorri. Aí tinha um caso de uma garota muito anti-social.

-Interessante... – Comentei recostando-me ao sofá e pensando no caso.

-Eles acham melhor fazê-la ir a um psicólogo, no caso, eu, mas eles temem a reação dela. Acham que ela não vai topar... – Fiquei olhando minha mãe enquanto ela fitando a parede, parecendo pensar e organizando os pensamentos. Voltou seus olhos verdes em minha direção, arregalados.

-Pensou em alguma coisa. Constatei.

-Sim, querido. – Sorriu abertamente. – Posso ajudar essa garota! – Riu alto. – E tudo isso sem precisar fazê-la vir me ver. – Continuou a rir.

-Ah... E como pretende fazer isso?

Parou de rir e me encarou com um sorriso brincalhão e teimoso.

-Com você. – Sorriu.

-Como?! Eu?! E o que eu tenho haver com isso?!

-Edward, querido, seja gentil e ajude a mamãe com isso, pode ser? – Sua voz era gentil e doce, impossível de ser recusada.

-Certo, mas como vou fazer isso? – Exigi saber.

-Simples. Você se tornará amigo dela, custe o que custar. Vai fazê-la confiar em você e todos os dias, me trará informações sobre seu comportamento, aí veremos se iremos progredir com o meu plano ou se teremos que tentar de todos os jeitos de fazê-la vir até mim e ter uma calma conversa.

Olhei-a incrédulo.

-Mãe..., você é louca.

Riu alto.

-Não, querido. Só esperta. – Levantou-se, pegou a bolsa e os sapatos e me deu um beijo na testa. – Vá dormir que já está tarde. Não se esqueça que amanhã você terá que colocar o seu plano em prática. – Sorriu antes de se afastar e subir as escadas, me deixando sozinho e confuso.

Pensei por um momento antes de subir e ir dormir.

Teria que ajudar no trabalho da minha mãe que era relacionado com uma garota anti-social da minha idade e, eu teria que me tornar seu amigo e fazer análises todos os dias sobre seu comportamento, sem contar que teria que contar como foi o meu dia com a garota para a minha mãe, para ela fazer as suas próprias análises. Isso era tão confuso, mas podia, pelo menos, me manter ocupado nesta cidade que não tem nada.

Talvez não seja tão difícil assim...

Levantei-me do sofá e subi, indo ao meu quarto, escovando os dentes e depois me jogando na cama para dormir. Amanhã seria um longo dia, podia sentir isso.

_

-Edward, acorde, querido. – Estavam me balançando. – Edward!

-O quê? – perguntei grogue de sono, quando me virava para me libertar das mãos da minha mãe que me balançava.

-Vai chegar atrasado no primeiro dia de aula? – Se ergueu, pois estava debruçada sobre mim, e foi caminhando a porta. – Anda. Se mexa que o dia hoje te espera. – Abriu a porta. – Não se esqueça da sua "missão" – Riu antes de fechar a porta atrás de si.

Missão? Ah! A garota anti-social. Droga! Tinha me esquecido totalmente disso!

Levantei-me sem pressa e me troquei, depois indo ao banheiro para escovar os dentes antes de descer direto para a cozinha. Elizabeth estava sentada na bancada de mármore, lendo um jornal que estava estendido sobre a mesma, bebendo café. Quando entrei, ela me olhou rápido e voltou a atenção ao jornal.

-Mãe, terei mesmo que fazer isso? Não é mais fácil você pedir para conversar com ela? – Tentei inutilmente me livrar, pegando um prato e uma caneca sobre a bancada.

-Não. – Tirou os olhos do jornal e me olhou. – Filho, será muito mais fácil para mim, se você se tornar amigo dela, trazê-la aqui, apresentar-me, fazê-la conversar comigo... Assim, como quem não quer nada, compreende?

-Falando desse jeito, até parece que vou trazê-la para apresentar a uma sogra ou algo do tipo... – Comentei, colocando café na caneca.

-Ué, pode ser também. – Encarei-a sem entender, ela apenas deu um meio sorriso enquanto abaixava o olhar para o jornal.

-É, também porque eu vou querer muito uma namorada anti-social. – Resmunguei.

-Edward. – disse séria, fechando o jornal. – Não estou pedindo para namorar ela, só quero que seja seu amigo. Tente fazer esse esforço, por favor, querido. Aí, quando forem, terá que trazê-la aqui. Assim como amigos fazem, fazendo-me conhecê-la, isso.

-Tudo bem, tudo bem. – Me resignei. – Mas ao menos sabe como ela é, para facilitar a minha vida de ter que sair pelo colégio perguntando por ela?

-Pelo o que Carlisle me disse, será bem fácil de você encontrá-la. Ela tem cabelos castanho-avermelhados, olhos castanhos, magra, um pouco desajeita – Sorriu. – Gosta de se esconder por de trás das roupas, como casacos com capuz... E acho que só. Ah! E como ela não fala com ninguém, será fácil de achá-la nos corredores. No que está pensando? – Olhei-a e a vi me olhando confusa.

-Nada. Só estava tentando montá-la na minha mente, para ter uma idéia prévia de como ela é.

-Ah! – Sorriu maliciosamente a mim, o que eu não entendi. – Carlisle disse que ela é muito bonita para não ter amigo algum, então... – Deu de ombros ainda sorrindo. – Se isso te ajudar também...

-Certo, mãe. – Revirei os olhos, dando meu último gole no café e jogando a mochila sobre os ombros. Dei um beijo em sua bochecha. – Tchau e, deseje-me sorte.

-Sorte. – gritou quando eu já havia saído da cozinha.

Fui à garagem pegar o meu Volvo prata, largando a mochila no banco do passageiro e dando partida. Esperava que conseguisse achar o caminho da Forks High School rapidamente. E consegui, mas não parecia uma escola, mais parecia um conjunto de casas. Passaria reto se não fosse uma placa que dizia que era ali.

Entrei no estacionamento, achando uma vaga relativamente perto, sem deixar de reparar nos olhares que mandavam em cima do meu carro, afinal, não tinham como me ver dentro devido à película preta dos vidros.

Desliguei o motor já olhando pelas pessoas que passavam na frente do meu carro, vendo se algumas das garotas se assemelhavam a descrição de Elizabeth. Não, nenhuma. Peguei a mochila e saí andando debaixo da chuva e indo direto ao prédio da secretaria. Lá havia uma mulher de cabelos vermelhos que parecia ser bem simpática. Pelo menos comigo foi. Deu-me os meus horários e uma caderneta que eu teria que trazer assinada ao final.

Desejou-me boa sorte no meu primeiro dia de aula, mesmo eu desejando essa sorte para outra coisa.

O primeiro horário foi História, onde conheci um garoto loiro de olhos azuis, chamado Jasper, parecia ser boa gente. Tudo ocorreu tranquilamente. Entreguei a caderneta ao professor, que assinou e me apresentou a turma, o normal de primeiro dia. Os seguintes foram igualmente tranqüilos, sem contar que eu não achava a garota em lugar algum em que eu passava, mas na aula de Literatura encontrei a irmã da garota. Alice. Ela era baixinha, sempre com um sorriso agradável no rosto, com os cabelos curtos e espetados para todos os lados.

Era a minha dupla na aula.

-Oi, sou Alice Brandon.

-Alice? – perguntei interessado. Ela podia me levar a sua irmã.

Pareceu surpresa.

-Sim, alguma problema?

-Não. – Sorri a ela. – Só que seus pais saíram com a minha mãe ontem à noite. – Expliquei-lhe.

-Sua mãe é Elizabeth, amiga do meu pai e psicóloga?

-Isso mesmo.

Ela sorriu abertamente.

-Nossa! Não sabia que ela tinha filhos, é bom te conhecer. Edward, não é mesmo? – Soltou um risinho.

-É. E não, sou o único filho. Por que riu? – Ergui a sobrancelha.

-Porque todos da escola já sabem seu nome. – Continuava sorrindo.

-Certo. – Ignorei o fato e segui para onde deveria. – Sabe onde está sua irmã?

-Conhece Bella? – perguntou surpresa.

Expliquei a ela toda a história que minha mãe havia me contado e do plano dela. Alice achou hilário, já me alertando do ocorreu noite passada em sua casa, dizendo que ela acabou descobrindo que eles haviam saído para conversar com uma psicóloga sobre ela e ela pirou, fazendo-se de difícil. Ela parecia se importar muito com a irmã, mesmo ela não sendo mesmo irmãs. Mas enquanto falava com Alice, podia ver que ela realmente queria seu bem. Fiquei feliz por isso e algo me dizia que Alice seria uma ótima ajuda no plano da minha mãe e nos meus, é claro.

-Quando saí de casa, ela ainda estava trancada no quarto e Esme estava pensando em derrubar a porta. – Sorriu tristemente. – Não acho que ela tenha vindo hoje.

-Ah... É uma pena, queria arregaçar as mangas logo. – Sorri e ela me acompanhou.

O meu último horário antes do intervalo foi Biologia. Já tinha desistido de encontrá-la, imaginando que ela não teria vindo, mas nessa aula, enquanto o professor me apresentava a turma, notei que apenas uma pessoa não me olhava e que se encontrava mais entretida em algo sobre a mesa. Seu cabelo estava sobre o rosto, mas não pude deixar de notar a cor do mesmo. Castanho-avermelhado. Era a garota, Isabella.

Caminhei até o meu lugar, a única cadeira vazia que era, justamente, ao seu lado. Quando me sentei, ela se sobressaltou e me olhou.

Certo. Minha mãe não estava mentindo, melhor dizendo, o pai de Isabella não estava mentindo quando disse que a filha era bonita. Ela era branquinha, com os olhos castanhos profundos e lindos, seu rosto era todo bonito em si, sua boca estava vermelha, talvez por ela tê-la mordido e seus cabelos soltos caiam harmoniosamente sobre os ombros. Tive que voltar a realidade antes que parecesse idiota.

Sorri a ela.

-Oi, chamo-me Ed...

-Edward Cullen. – Ela não me deixou terminar, voltando-se para frente. – É, já sei.

Essa garota deve ter um gênio e tanto, mas não ia me tirar dos meus planos. Agora iria a te o fim.

-Claro, o professor já disse o meu nome. – Completei, sorrindo ao abaixar o olhar a mesa. – Mas não sei o seu, afinal, vamos ser parceiros...

-Ah! Não. – Interrompeu-me novamente. Isso ia ser difícil. - Eu estou em um nível mais avançado, não faço com nenhum dos outros, provavelmente vão te deixar sozinho. – Deu de ombros como quem não se importa. Bem, eu também não me importava. Ela queria brincar comigo, certo, faríamos isso.

-É ai que você se engana. – disse risonho e ela me olhou sem entender. A vi franzir o cenho em confusão. – Também fiz um curso avançado. Acho que estamos nessa juntos. – Não a deixaria fugir nem que me fosse a última coisa a fazer.

-Que ótimo! – disse sarcasticamente. Não pude deixar de rir de seu mau humor. Ela era interessante.

O professor começou a tagarelar sobre o que teríamos que fazer nesta aula. Distribuindo microscópios em cada mesa, juntamente com lâminas que teríamos que analisar.

-Quer começar? – perguntei gentilmente.

Deu de ombros, pegando uma das lâminas e colocando-a no microscópio. Fomos os mias rápidos, logo acabamos e ficamos sem nada fazer, utilizaria esse tempo para arrancar qualquer coisa dela. Ela mantinha os olhos longe de mi, olhando pela janela, para os outros, menos para mim.

-E então, você sempre expulsa os seus novos parceiros nas aulas ou isso foi só comigo? – perguntei tentando forçar a fazê-la falar comigo.

Ela nada disse, simplesmente me ignorou como se eu não estivesse falando com ela, ficava olhando para frente, mas não foi o suficiente para eu desistir, continuei insistindo até ela se cansar.

-Olha, Edward - Enfatizou meu nome parecendo falar com uma pessoa de problemas mentais. Segurei-me para não rir. Ela era engraçada quando ficava nervosa. – Não gosto de conversar, por isso, se está incomodado com o meu silêncio, tente forçar conversa com quem queira conversar, não comigo. – Voltou-se para frente. – Acredite em mim, não é comigo que você quer conversar.

-Por que não? – Agora que a fiz chegar a um assunto que interessava tanto a minha mãe quanto a mim, não iria voltar atrás, a faria continuar sem ela me desviar o assunto.

Ela revirou os olhos, bufando cansada.

Iria continuar com a pergunta quando uma garota da frente se virou para trás, falando comigo. Argh! Por que tem que ter alguém para atrapalhar. Não deixei que esse pensamente chegasse ao meu rosto, me entregando a raiva que sentia no momento.

-Oi. Meu nome é Lauren. – Ela me sorriu, logo depois mordendo o lábio inferior, me analisando com um olhar de quem comia com os olhos.

Recostei-me na cadeira, na tentativa de me manter o mais distante dela o possível. Iria responder e ser educado como sempre era com todas as mulheres, mas ela me interrompeu, o que me deixou com mais raiva ainda por ser a terceira vez que eu era interrompido.

-Edward. – Riu. – Lindo nome...

Não estava me sentindo muito a vontade com a análise que ela me fazia, muito menos com os seus papos. Acho que preferia estar levando patada da minha parceira do que ser cantado por uma garota estranha.

-Como o dono, alias, muito mais, mas muito mais. – Sorriu maliciosamente a mim. Certo, suas intenções comigo estavam muito claras.

-Obrigado. – Respondi-lhe tentando forçar um sorriso a asair da minha boca, mas acho que saiu mais como uma careta.

Fiquei livre de suas investidas assim que o professor chamou sua atenção. Como isso acabou por me salvar, já que não podíamos nos comunicar com as outras duplas a não a de nós mesmos, peguei a oportunidade de voltar a Isabella. Ela continuou me ignorando, só que desta vez, deixando claro que não queria papo, abaixando a cabeça sobre os braços.

Quase ri, mas não desisti, desta vez mudando a pergunta e voltando a perguntar seu nome. Ela não poderia saber que eu já sabia disso, se não acharia que eu estaria interessado nela ao alo do tipo. Mulheres.

Chamei a garota da frente que eu já havia esquecido o nome, por isso só a cutuquei.

-Oi, qual é o nome dela? – Apontei para Isabella, que vi se mexer, colocando-se sentada novamente.

Não gostei do que vi. A garota olhou para Isabella com um olhar horrível, de nojo... Franzi o cenho diante disso, quase me mantendo ao pergunta o por quê daquilo, mas me contive.

-Isabella Swan. – disse seu nome em Tum tom grosso e rude. Iria respondê-la por ter sido grossa com Isabella, mas não precisei ajudá-la, ela mesma respondeu por si, me surpreendendo.

-E ela é a "Lauren-Finjo-Que-Sou-Gostosa-Mas-Na-Verade-Não-Sou-Nada", deixa eu te apresentar melhor, minha querida. – disse ela olhando a garota com um olhar superior e devolvendo sua certa de nojo.

Desta vez não pude deixar de rir. Ela era hilária e incrível! Nunca vi uma garota que fosse tão durona como ela. Teria que adicionar isso a minha lista sobre uma as qualidades e defeitos de Isabella.

Durona. Não agüenta desaforo. Micro comentário: Gostei.

Escrevi isso no final do meu caderno, pois assim poderia organizar depois juntamente com a minha mãe.

A garota ficou irritada, não sei se foi por eu ter rido ou se foi pela resposta de Isabella. Talvez fosse pelos dois. Isabella bufou voltando a atenção ao lado de fora da janela.

-Você é sempre assim? – perguntei risonho, sem pensar. E, isso a irritou.

-Talvez eu seja, qual é o problema? Será que pode calar a boca e parar de falar comigo? Não! Melhor! Finge que eu não existo! – Tocou o sinal. E em um segundo, ela já não estava mais ao meu lado.

Observei-a sair quase correndo e voltando o olhar para frente, encontrei a garota cujo nome eu esqueci, me olhando tristemente, ajeitando a mochila nas costas.

-Me desculpe pela Bella, Edward. Você não merece alguém como ela como parceira, afinal, ela é sempre tão grossa... – Abaixou o olhar. – Você viu como ela foi comigo quando...

-É. – Interrompi-a com uma voz seca. – Eu vi como você mereceu aquilo que ela te disse. Desculpe. – Peguei as minhas coisas e saí, deixando-a de boca aberta para trás.

Assim que entrei no corredor, fui seguindo o fluxo, quando esbarrei em Jasper. Ele me cumprimentou, perguntou como foram as aulas e me acompanhou até o refeitório. Disse-me que eu iria me sentar com eles. Não me opus. Até descobrir onde Isabella sentava estava tudo bem eu me sentar com eles.

Apresentou-me a todos na mesa, isto é, duas pessoas, uma loira de olhos azuis – sua irmã – muito bonita, chamada Rosalie, mas não chamou muito atenção e, o namorado dela, chamado Emmett, um grandalhão com um rosto infantil, de cabelos escuros. Eles foram bem receptivos comigo. Ficamos conversando quando percebi que eles ficaram quietos, olhando para algo atrás de mim. Segui seus olhares caindo sobre duas pessoas. Uma delas era Alice, mas a outra me chamou mais atenção ainda.

Será possível! Vou ter tanta sorte assim, que ela também se senta com eles? Não fazia sentido, seus pais não disseram que ela não tinha amigos? Alice respondeu minha pergunta interna, dizendo que hoje ela nos faria companhia. Apresentou-nos deixando-me por último e me jogando um sorriso incentivador.

-Oi, Isabella. – Sorri a ela.

-Bella. – Me corrigiu secamente. – Não gosto de Isabella. – disse ríspida.

Continuei a encará-la com o meu sorriso, vi Alice jogar a ela um olhar de reprovação. Seus amigos suspiraram. Ela se sentou ao meu lado, enquanto deixávamos os outros conversarem. Iria puxar conversa com ela, mas ele se levantou dizendo que compraria algo para comer. Levantei-me também, indo atrás dela. Iria usar a desculpa de que também iria comer algo. Ela foi na frente e eu fui apenas a analisando enquanto isso, escorreu duas vezes fazendo seu caminho em direção a fila de comida. Olhou-me por cima do ombro. Sorri ao vê-la ficar nervosa.

-Você não tem nada melhor para fazer? –perguntou-me ao pegar uma bandeja.

Sorri descrente.

-Que eu saiba essa é a única fila para pegar a comida, Bella. – Abaixei-me até ficar na altura de seus belos olhos castanhos.

Ela corou, virando-se rapidamente e caminhando, pegando sua comida. Fiz o mesmo. Céus! Não sabia que ela realmente podia ser tão bonita, mas seu gênio era o mais complicado e não fazia questão de ajudar.

-Você é muito irritante, sabia disso?

-Acho que já me falaram isso. Ah! É, minha mãe disse isso hoje! – Mentira, mas ela sempre dizia isso. Ri.

-Sua mãe? Coitada dela e de seu pai.

-Não tenho pai. – disse simplesmente, pegando uma maçã e mordendo-a. Pelo canto do olho, vi que ela ficou surpresa. Virei-me sorrindo a ela. – Parece surpresa. – Constatei.

-Bem, estou. Achei que fosse a única na cidade que... – Calou a boca. Sabia da história dela, não precisaria que ela me contasse, mas isso faz parte das análises, escutar por seu ponto de vista e fazê-la se sentir confortável ao falar comigo, assim como amigos fazem.

-Também não tem pai? – perguntei mesmo assim.

Assisti-a morder o lábio, um claro sinal de nervosismo.

Morde o lábio quando está nervosa.

Cora quando fica envergonhada.

Escreveria isso depois.

-Isso não te interessa, Cullen. – Rolei os olhos. Deveria imaginar que ela não me responderia.

Saiu dali, batendo o pé. Fui seguindo-a com o olhar e vendo ela se sentar em outra mesa, sozinha. Paguei pela a minha comida e fui calmamente até ela, largando a minha bandeja sobre a mesa, antes de puxar uma cadeira e me sentar confortavelmente.

Escutei-a suspirar e mordeu sua maçã.

-E então? – Voltei a perguntar, me debruçando sobre a mesa, em sua direção. Ela não me olhava, olhava para qualquer outro lugar menos para mim.

-Me deixe em paz – murmurou cansada.

Sorri.

-Não.

Consegui finalmente fazê-la olhar para mim, seus olhos estavam confusos e um pouco desfocados.

-O que quer de mim? – perguntou quebrando o nosso silêncio, silêncio que ficamos sustentando os nossos olhares.

-Quero te entender. – disse simplesmente. Era a mais pura verdade, mas não podia passar mais que isso.

-. – Soltou um riso falso. - Ninguém me entende, então, nem perca seu tempo. – disse séria.

-Prefiro ariscar. – Isso a deixou surpresa. Realmente não consegui entender o porquê. Ela era muito difícil de ler. Suas reações nunca são as que imagino que vão ser.– Por que não tenta conversar comigo? – Pedi querendo que mais.

-Porque quem conversa são somente amigos, não é?

Agora que eu estava confuso mesmo. Quem conversa só são amigos? Bem, acho que sim ou não... Ah!

-E não somos? – Devolvi sua pergunta.

Pareceu pensar por um momento enquanto mexia nos cabelos.

-É isso que pensa que sou? – perguntou de volta pegando-me com a guarda baixa.

Minha mente levou a pergunta ao lado estranho da coisa já imaginando se ela gostaria de ser muito mais do que amiga. Percebi que talvez fosse isso que ela queira que eu pensasse. Jogaria seu jogo, podia me dar muito bem nele também.

-Por quê? Pensa em ser mais que isso? – perguntei.

-Não. –Corou novamente, recostando-se de volta a cadeira, derrotada. Reprimi um sorriso de vitória. – Só... Não sei quando sou considerada amiga...

-Como? – Franzi o cenho. Essa garota estava me deixando confuso.

-Nada. – Deu outra dentada na maçã.

Estava exausto de sua não colaboração e a minha paciência não era as das maiores.

-Bella, por que não me conta por que você é assim tão... -

-Grossa? Desculpe não ser mais receptiva. – Deu de ombros, não dando a mínima para o que eu falava. – Sou assim.

-Acho que não. – Rebati rapidamente. - Sabe, uma coisa eu aprendi com a minha mãe; sei ler as pessoas. Sei que você esconde algo, não só de todos, como de si mesma. – Tu do era verdade, mas quanto a lê-la, não muito.

-Hã? – Ergueu a sobrancelha. – Está vendo a minha alma, por algum acaso, para saber disso?

-Quer saber? – Me levantei. Por hoje já estava bom demais. - Você não tem confiança em mim, então vou dar um jeito de merecê-la para poder te ajudar. – Sorri abertamente. – Vai ter que ter muita paciência, Bellinha. – Pisquei para ela, deixando-a atônita. Peguei a minha bandeja e saí para a minha próxima aula.

Estava cheio de Bella na minha mente, estava cansado de tentar entendê-la por hoje. Deixa o resto para os outros dias. Ela estava me deixando louco com as suas loucuras e falas sem sentido algum. O pior de tudo era que eu estava sentindo uma necessidade enorme em saber mais e mais dela, saber o que a tanto incomoda, por que sempre quer se afastar das pessoas, mas, infelizmente não era só isso. Gostava de perturbá-la, sentia prazer nisso. Vê nervosa, corar... Argh!

O resto das aulas se seguiu normalmente apesar de eu não estar presente em mente. Bella estava nos meus pensamentos. Estava tentando ver se progredi alguma coisa hoje, como se estivesse recapitulando tudo que descobri sobre seu temperamento e modo de agir para ver se ajudava em alguma coisa a minha mãe.

Na hora da saída passei pelo corredor e a vi guardando livros no armário. Parecia estar se escondendo de alguém por debaixo do capuz do casaco preto. Não pude deixar de sorrir ao pensar que ela talvez estivesse tentando se esconder de mim. Passei por algumas pessoas que me encararam, enquanto me aproximava do armário de Bella. Passei puxando seu capuz para baixo e segui em frente sem olhar para trás, pelo menos essa era a idéia, mas olhei para trás a tempo de vê-la surpresa e se virar rapidamente, franzindo o cenho.

Ri sozinho a caminho do carro.

-Edward! – Escutei a voz de Alice atrás de mim.

Parei e me virei para vê-la.

-Oi, Alice. – Cumprimentei-a.

Ela me sorriu abertamente.

-Como andam as coisas com a Bella? Ela está sendo muito dura contigo? – Fez um bico.

-Não mais do que o normal. – Garanti-lhe com um sorriso. – Agora tenho que contar o que descobri para Elizabeth.

-Ah! Vai lá. Depois você me conta o que ela achou.

-Certo. – Despedimos e entrei no meu carro, ajeitando-me antes de partir.

Estava me passando pelo estacionamento, indo em direção à saída, quando meus olhos foram atraídos para ela novamente, mesmo ela estando no meio de um grande grupo de pessoas. Estava de cabeça baixa e seguindo em frente, provavelmente indo até seu carro. Balancei a cabeça.

Chegando em casa, gritei para avisar que já estava em casa e minha mãe gritou de volta dizendo que estava no escritório. Subi deixando as minhas coisas no quarto e desci ao seu encontro. O escritório da minha mãe mais parecia uma biblioteca, cheio de estantes com vários, muitos ainda eram da época de sua faculdade e outros eram novos, também de psicologia. Tinha também normais, mas eram poucos. Ela estava sentada a sua mesa de madeira escura, na frente do laptop, digitando alguma coisa.

Sentei-me na cadeira da frente de sua mesa.

-Então, como foi o primeiro dia de aula? – perguntou-me sem tirar os olhos do computador.

-Normal. – Limitei-me a lhe responder isso. Não demoraria em ela se lembrar do que me pediu para fazer.

-E como foi com Isabella? – Tirou os óculos, colocando-os na mesa e me olhando.

Sorri.

-Demorei a encontrá-la. Primeiro descobri que sua irmã, a Alice, está como minha dupla na aula de Literatura. Muito simpática e contei o seu plano a ela. Achou ótimo e disse que talvez funcione se eu insistir muito, porque disse que a irmã era muito difícil. E ela não estava errada. – Pensei alto nesta última parte.

-O quê, querido?

-Nada. Então, mãe, ela me contou que Bella descobriu...

-Bella? Já? – Elizabeth riu.

Revirei os olhos.

-Ela prefere ser chamada assim por qualquer um. - Nem sei por que perdi o meu tempo explicando isso. – Continuando, disse que ela deu um ataque só por descobrir que seus pais tinham ido se encontrar com a psicóloga – Apontei para ela, que fez uma referência. Ignorei. – E disse que ela se trancou no quarto e que antes de ela sair de casa, Esme estava pensando em arrombar sua porta. – Ri. – E que achava que ela não viria, então eu já tinha desistido de encontrá-la quando, por destino, ela é a minha dupla na aula de Biologia.

-Por destino... Isso soa bem. – Elizabeth ficou pensativa. – O que descobriu com ela? Com Bella?

-Bem – Dei de ombros. – Que ela simplesmente afasta a todos de si. Quando me sentei ao seu lado, fui falar com ela, para ser educado e para o seu plano funcionar, ela me interrompeu umas duas vezes, me cortando, dizendo que não queria conversar nem nada e que era para eu deixá-la em paz.

-Coisa que você não fez. – Concluiu.

-Coisa que eu não fiz. – Concordei. – Ela ficou com raiva de mim por eu não desistir e acho que ela não me suporta. – Ri ao lembrar dela nervosa.

-Umm... – Elizabeth ficou pensativa. – Disse que ela faz de tudo para se afastar?

-Isso. Aquela lá tem um gênio e tanto. O mais legal é que ela não é previsível como todos, nunca se sabe o que ela pode te falar, mesmo dando palpites.

-Interessante...

-Descobri que ela é durona, não suporta desaforo e sempre dá respostas incríveis. – Ri de novo.

Elizabeth me analisou.

-Você está se divertindo, não é? – Perguntou com os olhos estreitos.

-Sim, ela é muito engraçada, mesmo não querendo. – Sorri a ela, que ficou quieta me olhando. Resolvi continuar. –

-E quanto ao jeito? – perguntou Elizabeth.

-Ela morde o lábio quando fica nervosa e fica corada quando está com vergonha ou raiva, acho.

-Acha?

-Acho, porque quanto à vergonha isso é um fato, mas acho que também quando fica irritada. Ela é muito difícil de ler, seus olhos castanhos são muito profundos quase posso... – Estava me perdendo nos meus pensamentos.

-Quase pode...? – Elizabeth me incentivou com um sorriso malicioso.

-Nada. Só não consigo lê-los.

-Aham – Ela ajeitou uns papéis enquanto falava comigo. – Já conversei com Carlisle e lhe contei sobre o meu plano de te usar, em vez de fazê-la vir aqui, mas, Edward – Olhei-a atentamente. – Depois que conseguir conquistar sua confiança e se tornar amigo dela, peço que a faça vir me ver para eu poder ajudá-la, entende?

Assenti.

-Acho que vou demorar para isso. Ela é mais difícil do que eu pensava. – Admiti.

-Não, tudo bem, só consiga, por favor. Arranje um jeito de ir até a casa dela, para conversar mais além do colégio, essas coisas.

-Certo. – Levantei-me.

-Edward? – Olhei-a. – Obrigada por estar ajudando, querido. Carlisle é um grande amigo e fazer isso por ele e sua esposa, fazer isso por Bella, é muito importante para eles. Continue assim, querido.

Sorri.

-Claro, mãe. Tudo pela senhora. – Fui até ela e a beijei no topo da cabeça. Ela me sorriu antes de sair. Escutei-a murmurar alguma coisa, mas não consegui entender. Não devia ser nada de importante, se não ela me chamaria.

Subi ao meu quarto, tomei um banho e sentei-me na frente do meu piano, que ficava ao fundo do mesmo. Não sabia o que tocar, quando me deu vontade de tocar a música preferida de Elizabeth, uma que eu mesmo tinha composto. Fazia tanto tempo que não tocava, que eu chegava a me sentir enferrujado.

Nas últimas notas, acabei mudando de música e indo para uma que se tornava melancólica e triste demais. Não parei só deixei que meus dedos continuassem a fluir sobre as teclas. Em menos de vinte minutos já tinha uma música completa, por isso resolvi pegar as minhas partituras e escrever a música que tinha acabado de compor.

Escutei batidas na minha porta.

Era minha mãe, parada me olhando com um sorriso leve e gentil.

-Quanto tempo não tocava. – Comentou.

Sorri-lhe.

-E ainda acabei por compor uma nova música, quer ouvir?

-Sempre é um prazer ouvi-lo tocar, querido. – Sentou-se ao meu lado no banco, enquanto eu tocava a minha música recém composta. Minha mãe ficou com os olhos cheios de lágrimas, enxugando-as quando caiam e eu finalizava a música com uma nota solitária.

-É linda Edward, mas... É...

-Triste? É também notei. – Sorri-lhe. Apesar de a música ser triste, eu não estava e gostei dela, parecia livre de expressividade e bela...

-Está triste, querido? – Segurou meu rosto, forçando-me a olhá-la, enquanto ela me analisava. Nunca escapava de suas análises, minha mãe sempre soube quando eu estava de bom humor, de mau humor, triste ou agoniado, mas não, eu estava normal e tranqüilo.

-Não. – Segurei suas mãos, tirando-as do meu rosto. – Estou bem. – Sorri-lhe para garantir.

-Por que não toca Moonlight Sonata para mim?

-Quer essa?

-Claro! – Sorriu.

Toquei a ela até nós nos cansarmos e decidirmos comer antes de dormir. Assim fizemos. Estava exausto ao me deitar na cama e encarar o teto. Só tive tempo de ver o rosto de Bella surgir na minha mente antes de cair no sono.

Bella's POV

Cheguei em casa, sendo observada por Esme ao passar direto para o meu quarto e fechando a porta. Inferno! Garoto irritante! O que ele quer comigo e por que não me deixa em paz?! Só isso que quero! Não estou pedindo companhia.

Joguei minha mochila sobre a cama, fazendo-a rolar e cair ao chão. Olhei-a e decidi que não iria me abaixar para pegar. Deitei-me na cama encarando o teto. Meus olhos estavam enchendo de lágrimas quando escuto Esme entrar no meu quarto. Viro-me rapidamente, levando a mão ao rosto, a fim de tirar as lágrimas que rolaram, a sinto segurar o meu pulso e eu a olho sem entender. Ela se senta ao meu lado e me puxa para um abraço.

Fiquei sem reação.

-Pare de tentar se fazer de forte, Bella. Eu sei que chora quando está sozinha. Só não sei por quê. Mas isso não importa se não quer me contar, tudo bem por mim, porém saiba que você me preocupa, porque mesmo que eu não seja sua mãe biológica, a considero como minha filha de sangue, assim como Alice é. Por isso fico preocupada com o seu bem-estar. Pode contar tudo para mim, certo?

Afastou-me e me olhou com um sorriso.

-Por que está chorando? Quer me contar? – Nada falei. – Tudo bem, então...

-Não é nada de muito importante. – Interrompi-a. – Só que um garoto na escola não quer me largar e fica tentando puxar papo comigo...

-Edward Cullen, não é mesmo? – Sorriu.

Ergui a sobrancelha.

-Como sabe?

-Alice me contou. – Deu de ombros. A aquela anã me paga! – E também disse que ele é bem bonito. – Piscou para mim. – Acha ele bonito, Bella?

Senti meu rosto queimar fortemente. Abaixei o olhar para as minhas mãos tentando esconder a minha vergonha.

-Está corada, Bella! – Esme me sorriu abertamente. – E então, o que achou dele?

-Tá, tá. – Dei de ombros. – Tanto faz, ele é bonitinho.

-Bonitinho? – Riu. – Só isso?

-Só, ok? isso.

Esme se levantou, ainda sorrindo, e saiu me deixando presa em mim mesma. O que quer que ela estivesse querendo dizer com isso, não importava. Edward Cullen mais parecia ser um demônio conjurado do meu inferno pessoal. O que há de errado com ele e por que não desiste de mim como todos?

Abracei-me e não pude evitar de deixar de lembrar de todos os momentos de Edward me perturbando, seu rosto, seu sorriso torto... O que há comigo?! Não posso me encher de esperanças que um garoto como ele queria me ajudar e, se tornar meu amigo. O que eu era? Um lixo. Uma blasfêmia ambulante. Por que eu?

Levantei-me e fui tomar um banho gelado, liberando tudo de ruim que eu sentia no momento. Saí me enrolando na toalha e secando um pouco o meu cabelo molhado, antes de sair e trocar de roupa.

-Bellinha! – Escutei a voz esganiçada de Alice, vindo ao meu quarto. Pendurei a toalha no banheiro e voltei ao quarto, encontrando-a com um sorriso enorme. – Consegui! Consegui!

-O que conseguiu? – Me sentei e puxei meu livro "Orgulho e Preconceito" – um dos meus preferidos – para o meu colo.

-Consegui fechar a boate com o dono! – Começou a saltitar feliz. – Isso não é ótimo? Vou poder chamar quem eu quiser para a minha festa!

-É, muito bom, Alice. – Fiz a voz mais empolgada que tinha. – Depois de anos tentando te lembrar... Finalemente!

Ela me deu língua e se jogou em cima de mim, me fazendo cócegas.

-Para, Alice! – Tentei desviar, mas ela ainda estava sobre mim. – Eu ainda não te perdoei por falar do Cullen para Esme!

Ela parou imediatamente, me encarando.

-Esme...? Umm, ela te contou? – Saiu sobre mim e se sentou ao lado. Não entendi por que mas Alice parecia confusa.

-Sim. – Fiquei analisando-a. – Ela me disse.

Ela me sobressaltou com seu riso alto.

-Ops... – Fez uma cara de inocente e saiu correndo.

-Alice! – Chamei-a, e ela não voltou.

Ela iria me pagar e, afinal, o que ela tinha dito a Esme sobre Edward?... O quem se importa? Eu, pelo menos não.

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FIM DO CAPÍTULO!!!!

Bellinha já está estranha, melhor, já está sentida... ;) Assim como o Edzinho... Vamos ver no que vai dar isso aí nos próximos capítulos, por isso não pode perder de jeito maneira, porque agora que a coisa fica engraçada e legal! Até que enfim! Hahaha

Beijinhos as minhas queridas leitoras e que todas tenham um excelente dia! ;*

Lina Furtado.