Vocês já sentiram desespero? Mas eu não estou falando de um simples pânico, como quando você descobre que não tem certeza de onde está sua calcinha da sorte, ou vê seu sapato favorito semi-mastigado pelo seu cachorro. Eu estou falando de PAVOR. Terror completo. O tipo de desespero que toma conta de cada uma de suas células, e que dá vontade de vomitar, e dor de cabeça, e um desejo irreversível de se deitar e dormir até esquecer? Pois é. É assim que eu estou me sentindo. Eu, a garota com a vida complicada, não tinha realmente presenciado algo verdadeiramente complicado até esse momento. Minha vida era um mar de rosas, se vocês querem saber a verdade, até eu passar pelas portas do St. Mungus. Minha vida era linda. Ter acordado casada com James Potter era fichinha. Medibruxos são difíceis. Medibruxos são complicados. As notícias dadas pelos medibruxos são complicadas...

Ah, quer saber? Eu vou lidar com a minha dor de cabeça e meu enjôo dormindo um pouco. Tchau.


"Hey, Lils" uma voz rouca murmurava de levinho no seu ouvido; Lily nem teve tempo para pensar, apenas sorriu e virou-se de lado, resmungando algo sem sentido, enquanto pensava que não queria acordar. A voz chegou mais perto, e ela sentiu uma mão segurando a sua, e um beijo leve nos lábios, e o carinho de uma respiração muito próxima de seu nariz "A gente precisa ir ao médico..." ela resmungou mais um pouco e se enrolou na cama, desgostosa da idéia de acordar. Estava cansada. Estava com sono. Estava com dor de cabeça. Estava enjoada. Não queria se levantar. Não iria se levantar "Lily..." e, finalmente, ela reconheceu a voz.

Potter.

"AHHHHH!!" gritou, levantando-se em pânico e batendo com a testa no nariz do inimigo, sentindo muita vontade de dar-lhe um soco antes de vomitar mais uma vez. Ao invés disso, arrancou a mão da dele com um puxão forte, escorregou pelos lençóis macios e correu para o banheiro, levantando a tampa da privada em um gesto brusco.

Enquanto estava com a cara enfiada no vaso, sentiu uma mão pousar em seus ombros.

"Eu vou pegar as suas roupas... Apenas tente se sentir melhor para podermos aparatar, ok?" ele saiu do banheiro, e Lily continuou com o trabalho árduo de colocar para fora tudo o que havia comido no dia anterior e mais um monte de bile, até que ele voltou, depositando uma pilha bem dobrada de roupas ao seu lado, no chão "Você quer uma almofada? Uma poção?" ela balançou a cabeça, com tanta dor de vomitar tanto que nem mesmo se importava de ser Potter quem estava ao seu lado naquele momento; apenas precisava de alguém.

E então ali ele ficou, por intermináveis minutos, silenciosamente a observando, e a ajudando a manter os cabelos vermelhos longe do vômito, até que a porta do quarto se abriu para revelar um Sirius muito mais bem-disposto que há meia hora.

"Bom dia, crianças!" ele disse alegremente, e andou até o banheiro com uma cara feliz, fingindo não perceber que o lençol que Lily estivera vestindo até aquele momento havia deslizado e deixado quase todas as costas da ruiva à mostra, em respeito ao amigo de óculos. Encostou-se no parapeito da porta "Lily, você vai pedir o divórcio para James?"

"Não!" foi a resposta de James, automaticamente, enquanto segurava as medeixas ruivas para trás; Lily não estava realmente prestando atenção à conversa, usando toda sua força para ver se conseguia parar o vômito de vir (já fazia algum tempo que ela só estava cuspindo gosma amarela, e ela era simplesmente nojenta demais para que Lily não vomitasse ao vê-la), sem muito sucesso "Por quê?" James completou depois de alguns segundos, ao que Sirius riu-se, como se estivesse esperando pela pergunta.

"Bem, porque ela certamente parece querer se casar com essa privada; veja só como a agarra!" Lily se abraçava à privada com força, conseguindo finalmente vencer a luta contra os espasmos malucos de seu estômago, e virou-se sem entender por que os dois riam para pedir que se retirassem; precisava se trocar.

Os dois desceram sem protestar muito e Lily, sem entender por que estava agindo como estava agindo, dobrou vagamente o lençol, vomitou mais uma vez, e finalmente colocou as roupas que Potter havia lhe entregue. Era uma calça jeans surrada e uma camiseta que dizia 'Sra. Potter' nela, e Lily, ao se encarar no espelho mais uma vez e ver a mistura de sua ruga e a blusa nojenta, correu mais uma vez para a privada, onde James a encontrou alguns segundos depois.

"Lily..." o tom preocupado e sério a pegou desprevenida, e a mão em sua cintura, ajudando-a a se levantar, foi tão suave que ela nem mesmo protestou. Apenas aceitou a ajuda, sentindo-se fraca e tonta, e se segurou nele enquanto colocava o casaco. Então, com um suspiro meio zonzo, sentiu-se apertada nos braços de seu pior inimigo enquanto aparatavam para longe.

Foram momentos de muito enjôo e dor para Lily, até eles chegarem no hospital; finalmente a ruiva se deixou lembrar que nunca antes havia aparatado, e que James Potter também não devia tê-lo feito, considerando que ambos eram menores de idade, pouco antes de fechar os olhos e morder o interior da boca para não vomitar mais.

"Lembrete mental" murmurou para si mesma, como raras vezes fazia em frente à outras pessoas "Nunca mais aparatar" sentiu as mãos de James conduzindo-a por um corredor enquanto o mesmo ria, e passaram a recepção lentamente. Já havia vindo ali antes, e nenhuma memória que ela tinha do lugar era qualquer coisa próxima de positiva... Respirava fundo e devagar, enquanto sentia vontade de morrer de vez para acabar com a dor e a humilhação.

Foram apenas alguns minutos depois de se sentarem que eles foram atendidos; o enfermeiro que os levou para uma salinha era simpático, e deu-lhes sorrisos o tempo todo enquanto puxava um avental para Lily vestir, e depois saia da sala dizendo que a medibruxa estaria com eles em apenas uns segundos.

Lily sentou na maca, pálida, sentindo vontade de protestar contra a camisola de papel que vestia; era horrível e desconfortável. Não fosse pelo medo de vomitar se abrisse a boca, Lily já teria dito poucas e boas aos diretores de St. Mungus. Ficou ali, sentada em silêncio, por um longo tempo, parecendo infeliz e miserável, e foram apenas depois de alguns minutos que ela percebeu que James estivera o tempo todo ao seu lado, com sua mão na dela.

Não disse nada, apenas lançou-lhe um olhar irritado, e arrancou a mão do aperto carinhoso, puxando-a para perto do corpo com um gesto brusco; James levantou os olhos castanhos para ela, e a encarou com as sobrancelhas levantadas.

"Acho que vamos mesmo passar na ala psiquiátrica" ele resmungou, acariciando a própria mão e dando alguns passos para trás, sentando-se numa cadeira "Você está tendo umas mudanças de humor muito loucas" ela não se atreveu a responder – não agüentava mais vomitar – apenas virou o rosto para frente com toda a dignidade que restava. James continuou a encarando, até que a porta da saleta se abriu para revelar a imagem familiar de Sarah Hunter na porta. Lily se emburrou ainda mais; então ela fazia parte daquela piada sem graça. Fechou os olhos.

"Booooooooooooom dia!" disse a mais escandalosa de todas as suas amigas com um sorriso "Como estamos nós, casalzinho vinte?" ela abaixou-se para dar um beijo de alô em James, e virou-se, ainda sorridente, para Lily com as sobrancelhas levantadas "Jamie aqui me diz que você tem andado com intoxicação alimentar já faz alguns dias..." ela disse, enquanto tirava a varinha de dentro do bolso e se aproximava ainda mais de Lily – que estava começando a assumir uma tonalidade nauseante de verde, prestes a vomitar novamente.

"É, ela tem andado muito estranha" James falou de fundo "Eu estou pensando em levá-la até a Ala Psiquiátrica mais tarde..."

"Como assim, muito estranha?" Lily podia ouvir o sorriso na voz de Sarah, e sentiu-se borbulhar por dentro – se era de enjôo ou raiva, nunca teve certeza.

"Bem... Digamos que é como se eu tivesse usado um vira-tempo, e voltado alguns anos... Ela está com aquele gênio terrível" ele resmungou, e Sarah riu.

"Nossa! Nunca pensei que Lily voltaria ao seu estranho eu adolescente... Afinal" ela virou-se para Lily, parecendo mais feliz do que nunca "que poção você anda tomando, querida?" não obteve resposta; Lily não se daria ao trabalho "Está bem..." Sarah resmungou, parecendo mais infeliz "Eu vou fazer um ou dois testes e, enquanto esperam o resultado, vocês podem ficar ali no corredor... Vou abrir duas cadeiras perto do banheiro, só de garantia..." ela abriu mais um sorriso, ainda parecendo meio magoada, retirou um pouco de sangue de Lily com um feitiço e desapareceu pela porta.

"Hey" veio a voz de James, muito perto de Lily, e ela pulou "Não havia motivo para você agir assim com a Sarah... Ela tem sido sua melhor amiga nos últimos anos, e é o nosso trabalho dar apoio a escolha dela de ser Medibruxa" Lily fechou os olhos, baixou a cabeça e suspirou; James assumiu que isso era uma demonstração de arrependimento; infelizmente, era só mais um traço do enjôo dela.

Levantaram-se e foram até o corredor, sentando-se nas cadeiras prometidas enquanto Lily jurava a si mesma que não vomitaria de novo. Aconchegando-se melhor na cadeira, recostou-se contra a parede fria e fechou os olhos. Dormiu.

Depois de algum tempo – que pareceu muito curto para Lily, mas que, na verdade, foi de mais de uma hora – ela sentiu os característicos beijos carinhosos no seu rosto, já típicos de quando James a acordava, e pulou levemente.

"Lils" ele murmurou, perto demais do rosto dela para ser confortável "Eu vou pegar um café... Você quer alguma coisa?" ela piscou, sentindo a boca seca, e balançou a cabeça afirmativamente. A vontade de vomitar estava diminuindo gradualmente, mas ela ainda não achava seguro abrir a boca por muito tempo.

"Água" foi então o que ela murmurou, ao que ele sorriu e se estendeu para dar-lhe um beijo na bochecha; Lily não se mexeu, sentindo muito sono e cansaço, e enquanto assistia James partir, fechou o casaco melhor ao redor do corpo e enfiou as mãos nos bolsos. Algo a incomodou, roçando contra a ponta de seus dedos no bolso fundo; parecia papel. Com um suspiro, retirou de dentro do casaco o que parecia ser um envelope meio amassado. Endereçado a ela.

Franziu as sobrancelhas e abriu a carta, sem forças para lutar contra sua curiosidade doentia e, depois de respirar bem fundo, começou a ler a letra tão conhecida.

Bom dia, Lily!

Aqui quem fala, acredite se quiser, é você mesma. Isso. É a eu que vivia essa vida na qual você foi enfiada agora. A eu do futuro. O seu futuro.

Lily piscou os olhos, confusa com que tipo de brincadeira Potter pretendia pregar ao deixar aquela carta em seu bolso, mas ainda assim, com sua curiosidade levando a melhor, ignorou sua fobia a cartas e deixou-se continuar a ler.

Eu sei que você deve achar que isso tudo é uma brincadeira do James – quer dizer, do Potter e dos Marotos, mas, acredite se quiser, eu te coloquei nessa enrascada. Assim como o meu eu do futuro fez, dois anos atrás, eu tive de fazer com você, para que você percebesse a verdade – mas isso é bem além do meu ponto com essa carta, então não falaremos sobre o assunto. O ponto dessa carta é te explicar as razões para eu ter te colocado nessa situação, além de como agir nessa nova vida, e o que vai te levar de volta.

Nosso pai costumava, muito sabiamente, na minha opinião, dizer o seguinte ditado: quando a vida te dá limões, faça uma limonada. O ditado bruxo é um pouco diferente: LIDE COM ISSO, CHOURIÇO! É, claro, um pouco mais direto que o necessário, mas o que não é assim no mundo mágico? O que importa é que você acordou hoje, casada com o seu suposto pior inimigo e tem de tirar o melhor que puder dessa situação. Até ontem – e provavelmente hoje, por grande parte do dia – vocês brigavam como gato e rato, você dava foras constantes nele e ele te enchia o saco o tempo inteiro com convites para sair e shows gratuitos de idiotice. Eu sei de todas as noites que você passou em claro, apenas tentando diminuir o ódio que sentia pelo Potter (nós sabemos muito bem que ódio não ajuda em nada), e de todas as vezes que você negou a todos que ele tinha seus charmes apesar da idiotice, apenas por causa desse mesmo ódio que você estava tentando abrandar. Eu sou a resposta para seus pedidos: eu vim aqui para abrandar seu ódio. Eu vim aqui para te permitir dizer coisas boas sobre James Anthony Potter. Eu vim aqui para te permitir amá-lo.

Eu sei que tudo o que eu digo parece um bando de baboseira sem sentido, e que você deve estar se sentindo completamente tresloucada de raiva comigo, mas que se dane. Quer você acredite, quer não, não há como voltar para Hogwarts. Não existem saídas desse povoado – Godric's Hollow, onde eu vivo com James – que possam te levar de volta à sua velha vida. Não há como escapar; sua única saída é quando você começar a amar James como eu amo. Como uma esposa. Como uma igual.

O feitiço que eu realizei é um feitiço antigo – nossa atual especialidade – que troca as consciências, até um acordo ser atingido. Eu troquei de consciência com você, e você vai ficar presa no meu corpo – sim, com rugas e franjas – até o momento em que você amar James de verdade (e eu vou ficar sabendo porque, bem, eu ainda tenho parte da minha consciência, e você da sua).

Então, Lily, faça-nos um favor: seja rápida. Deixe-se amar o James que eu conheço; conheça o James que eu conheço. Ele pode ser um homem, uma pessoa boa... Você já deve ter presenciado o carinho dele, a preocupação dele, especialmente estando no estado que está... Ah, aliás, você está grávida. Do meu filho. Do meu lindo filho. Deixo para você a escolha do nome. Escreva em um papel quando estiver apaixonada por James. E o coloque nesse casaco.

Apesar de eu já saber qual é.

De qualquer modo, compareça ao trabalho na sessão de Mistérios do Ministério, peça uma licença-gravidez, saia para fazer algumas compras para o bebê e pare de se preocupar. Vai tudo ficar bem. Você ainda vai ter essa vida. Você ainda vai viver esse amor. Por muitos dias a vir. Viva com carinho a minha vida sem mim.

Da sua,

Lily Potter.

Ela ficou sentada por um longo momento ali, em silêncio, apreciando sua própria escrita. Era terrível. Era ridículo. A sua letra ria e debochava dela, com as palavras mais sem noção possíveis: ela nunca, JAMAIS se colocaria sob esse tipo de provação. Piscou os olhos, confusa, e então sentiu alguém se sentar ao seu lado. Era Potter. James Potter. Seu... Marido. Fechou os olhos em desgosto.

"Hey" ele falou, e havia uma aura de orgulho e um quê de alegria mal-contida nas palavras dele; ele parecia completamente alheio ao fato de que ela estava segurando a carta que acabara com qualquer perspectiva positiva que ela tinha de si mesma para o futuro. E para o presente também "Eu falei com a Sarah" ele disse, e Lily finalmente abriu os olhos, os levantando para encarar os castanhos de James com um quê de terror.

"Me diz que eu vou morrer" ela murmurou, esquecendo-se completamente do enjôo que a acometera até abrir a carta. Uma carta dela mesma.

"Não. Você criou vida"

N.A.: Nhalloooooooow, pessoal! Obrigada pelas reviews, elas me fazem sentir mais e mais vontade de reescrever o cap 10, e portanto, de postar capítulos mais rpidamente!!! E agora, ás respostas:

Oliivia, sabe, eu não podia concordar mais com você; Lily é louca de achar que não deve se aproveitar do James! E daí que a vida dela está uma bagunça, que ela não sabe de coisa alguma e está completamente perdida? O James é TUDO! Você não precisa de mais nada, nem mesmo saber quem você é, onde você está e por que você está ali! Adorei sua review, continue ligada que a fic vai dar as respostas para todas as perguntas sem respostas!

Moony Ju, minha querida, amada, adorava Raven... Eu sei que o prólogo está meio confuso, mas ele só faz sentido quando você lê o epílogo... Então não se preocupe, todas as resposats virão, todas as dúvidas cessarão e você encontrará sentido na minha insanidade Pessoalmente eu também adoro esse capítulo, e eu mal posso esperar pelo dia em que eu vou acordar ao lado do James peladão... hauhauhauauh

Thati, como você viu, ela está grávida sim, mas nãooooo, ela não perdeu a memória; eu me atrevo a dizer que a Lily provavelmente tem uma das melhores memórias de todos os tempos, mas ela simplesmente não sabe, como você viu nesse cap, onde está, por que está ali, e até quando vai ficar... Se depender de sua vontade, vai enrolar pra sempre! hauahuahua

Espero que a carta do eu-futuro tenha respondido algumas perguntas, e as outras deixemos para mais pra frente... A fic tem 15 caps, então nós vamos em ritmo constante até o final... Daqui alguns dias eu posto o próximo cap! Divirtam-se! E lembrem-se... REVIEWWWWS!