Capítulo 3 – Briga na Biblioteca.
Gina quase caiu pra trás quando recebeu a sua nota do trabalho. Slughorn havia ficado bem surpreso, mas Gina não esperava uma nota tão boa assim. Havia gabaritado o trabalho, e ganhado chances de reposição de pontos.
Tinha passado uma semana inteira baseada no nervosismo de receber o seu resultado, e agora, o seu dia não podia ser melhor. Poderia comer tranqüila, dormir tranqüila. Não iria falhar em Poções.
"Não fique tão feliz assim. Você vai ter que estudar constantemente agora ao invés de relaxar"
Draco e Gina estavam andando por um corredor não muito cheio, apenas por um breve momento. Ela só havia corrido lá pra dizer a sua incrível nota e compartilhar sua empolgação.
"O que importa é que eu não vou falhar" dizia feliz.
"Que bom. Parabéns pela nota" antes de Gina sair, ou até mesmo agradecer, Blaise Zabini, um sonserino amigo de Draco, se aproximou deles sorridente.
"E aí, Draco... O quê você está fazendo aqui, Weasley?" perguntou surpreso.
"Eu to andando"
Ele riu "Draco, o que a Weasley está fazendo aqui?"
"Não sei. O que está fazendo aqui, Weasley?" ele perguntou entediado.
Gina revirou os olhos. Odiava quando isso acontecia. Ela e Draco quase nunca se encontravam publicamente, até mesmo pra poucas palavras. E quando isso acontecia, sempre chegava alguém, como os sonserinos amigos dele e o trio amigo dela.
Ela deu um sorrisinho apático e virou-se para seguir o caminho oposto. Mesmo assim, nada iria estragar a sua felicidade. Slughorn não botava medo, mas ela sabia que qualquer nota baixa a mais, ela iria perder a matéria.
Encontrou Luna no caminho para a aula e as duas ficaram conversando alegremente. Quando estavam prestes a chegar à estufa, Luna despediu-se para ir à aula de DCAT e Gina foi parada por um aluno do sétimo ano da Grifinória, Dino Thomas.
"Hey, Gina!" ele veio correndo para alcançá-la.
"Oi Dino, como está?"
"To bem..." respondeu ofegante "E aí? Herbologia, ãh?"
"Pois é"
"Escute, Gina... Ehr... você soube? Da visita pra Hogsmeade? Em três semanas mais ou menos, não é?"
"Suponho que sim. Calma, Dino, respira..." ela disse rindo colocando uma mão no ombro do amigo. Ele riu também, parando um momento pra respirar.
"Então, você soube, né?"
"Sim"
"Então..." disse ele sem jeito "Ammm, tava pensando em perguntar se você... cof cof-" começou a pigarrear com o punho em frente a boca "Escute... tava pensando em te c-convidar pra ir comigo... Isso é, se você quiser"
Gina não sabia o que dizer. Ela podia dizer um simples 'Não' se fosse a primeira vez que ele a abordasse, mas era sempre assim. Ele sempre a convidava para alguma coisa, alguma festa, algum passeio, e ela sempre tinha que dizer não. Era uma situação incômoda, e não fazia ela se sentir bem, porque gostava de Dino. Sentiu que dessa vez ela deveria ter um pouco mais de tato; ele estava com uma expressão terrível de arrependimento e ao mesmo tempo, de esperança.
Gina respirou fundo e começou colocando a mão no ombro do rapaz "Ouça, Dino... eu acho que eu não posso aceitar o seu convite. Me desculpe"
"Ah, tudo bem. Não, tudo bem..." ele definitivamente estava frustrado "Mas você já vai com alguém? Digo, algum... algum garoto?"
Não, ela não ia com nenhum garoto. Definitivamente não ia com Draco.
Ela olhou pra ele. Parecia acabado. De novo a pena tomou conta dela, mas criou coragem e disse:
"Escute, ãh, Dino... eu já estou com alguém"
"Ah... Então vai com ele?"
"Hm, não. Não vou com ele, mas eu estou com ele. Vou sozinha, Dino, me desculpe... Mas nós podemos nos encontrar lá, quem sabe?" disse tentando animá-lo um pouquinho. Ele deu um sorrisinho "Agora preciso ir. Até mais" acenou e foi até a estufa, onde os seus colegas já estavam.
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A semana se seguiu calmamente para Gina. Ia constantemente à sala com Draco, onde eles ficavam juntos e fugiam da chatice alheia da escola. Eles se divertiam muito, e passavam quase maior parte do tempo rindo. E brigando. E fazendo outras coisas.
Naquela quinta feira à tarde, os dois se encontravam em uma situação rara. Draco lia um livro de Transfigurações, e Gina brincava com o próprio cabelo, esparramada no sofá. O silêncio predominava.
"E Hogsmeade, ãh?" perguntou Gina no tédio, tentando puxar assunto.
"O que tem Hogsmeade?" ele lançou sem tirar os olhos do livro.
"Dino Thomas me convidou pra ir com ele" ela falou rápido.
"E você vai?" ele perguntou, ainda sem tirar os olhos do livro, agora, passando uma folha.
"Não... mas disse que talvez nos encontraríamos lá"
"E você vai se encontrar com ele lá?"
"Não... não sei... talvez..."
Ele fechou o livro com um baque e olhou pra ela.
"Tudo bem. Por que você não se encontra com seus amiguinhos? Se encontre com Granger ou aquela Lovegood" propôs ele impaciente.
"Ele é meu amigo!"
Ele se levantou e jogou o livro na mochila, jogando essa nas costas e andando até a porta.
"Você vai sair também?" perguntou sem olhar pra trás, seco e frio.
"Ei! Qual é o seu problema?!"
"Você vai sair ou não?"
"O que há com você? Você anda tão rude"
"Eu sou rude" ele virou-se para ela, as sobrancelhas juntas "Você vai realmente começar a encher o meu saco?"
"Eu não vou começar a encher o seu saco, eu estou tentando entender o que você tem!"
"Eu não tenho nada. Nunca estive melhor"
"Pois não parece" agora ela havia levantado também "Apesar de você já ser um grosso arrogante e totalmente indiferente comigo sempre – uma coisa da qual você se orgulha -, você tem estado pior ultimamente!"
"Eu não sou isso com você"
"Você acabou de afirmar! 'Eu sou rude'" ela já estava ofegante de raiva "Quer saber? Se não quiser me dizer o que está acontecendo, fique sozinho. Rude sozinho e grosso sozinho!" pegou a sua mochila do sofá e foi até a porta "Sai da frente"
Gina saiu porta a fora, batendo-a num baque.
"Maldição!" gritou Draco dentro da sala, chutando uma cadeira amaldiçoando cada membro do corpo de Dino Thomas.
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Gina sabia que era infantilidade dela ignorar Draco, literalmente, do jeito que ela estava fazendo. Mas ela queria um tempo pra si, pra pensar melhor em sua situação e com tudo que estava lidando. Os dois nunca tiveram problema de certo e errado naquela relação. O problema deles se concentrava mais nas discussões. Não discutiam toda hora, mas muitas vezes que o faziam, se estressavam de verdade, e cada um sentia o desconforto muito grande. Naquele momento, Gina só queria ter um tempo, um momento pra ela. Entender Draco não era o seu forte, e se expor como sensível na frente dele também não.
Havia se passado mais semana de cortes e gelos que ela dava nele, e não que ele estivesse atrás dela 24 horas por dia, seu – grande – orgulho também contava muito ali, mas ele tentava falar com ela algumas vezes. Não entendia a mudança de humor repentina dela, mas também sabia que a complexidade do assunto era maior. Ele não sabia por que estava mais 'Draco' ultimamente, mas achava que era o momento que ele precisava pra dar um tempo de si, de tudo. E sem contar com a situação dele e de Gina. Ela sempre tinha muitos admiradores e a imagem de solteirice dela ainda contava para todos, e isso irritava ele profundamente.
Ela se irritava também. Se irritava com ele aparentando indiferença em relação a tudo, e sobretudo em relação à ela. A paixão que ela sentia era forte, mas o relacionamento, por alguma razão, às vezes exigia mais do que a paixão, e era nesses momentos que a crise se estabelecia.
Gina estava na biblioteca, tentando estudar Poções com Harry e Rony, em um sábado, quando vê Draco entrando na biblioteca, sozinho. Ela imediatamente se esconde atrás de um livro, quase entrando em baixo da mesa.
Draco não a viu e entrou direto em uma das gôndolas.
"Gina, o que você está fazendo?"
Rony e Harry estavam a encarando. Ambos de sobrancelha arqueada e uma expressão confusa. Gina saiu de trás do livro, e olhou pra eles, dando um sorrisinho.
"Oi... Nada, nada..."
"Você está bem?" perguntou Harry preocupado.
"To ótima. Ótima... agora, falem um pouco mais baixo... sim?"
"Ãh?"
Gina olhou por cima dos ombros, procurando o perigo, e logo o viu, saindo de uma das gôndolas, mais estressado impossível. Entrou em outra.
"Gina, quem é que você está procurando?"
"Eu? Ninguém. Procurando alguém! Há!... porque eu estaria procurando alguém? Ai meninos, vocês me fazem rir... então, vamos prosseguir, sim? Eu vou voltar pro meu livro..."
"É doida" sussurrou Rony pra Harry.
"Deixa ela"
Gina respirou fundo. Tentou se concentrar no livro e na Poção da Verdade, mas não estava conseguindo. Não podia olhar. E se ele a visse? Ia vir falar. Mas Rony estava ali. E Harry também. Não, ele não iria falar. Não poderia haver nada demais...
De novo, olhou. Ele havia saído de uma das gôndolas, e estava com um livro em uma mão, e a outra estava dentro do bolso. Parecia centrado, quando olhou pra frente e a viu. Ela rapidamente olhou pra os meninos, fazendo um barulho na garganta bem estranho, como reflexo.
"Você está bem hoje?" Rony perguntava meio que com uma mistura de medo e nojo.
"Eu estou só um pouco..." pigarreou alto "Com a garganta incomodando, Harry, poderia trazer um pouco de água pra mim? Por favor?"
"Ehr... suponho que sim" ele se levantou, e Gina lhe lançou um sorriso, seguindo-o propositalmente com o olhar. Olhou Draco de novo. Ele agora estava encostado em uma das gôndolas, ainda com o livro em mãos, mas olhando diretamente pra ela. Ela disfarçou e continuou a olhar Harry pegando água em um dos bebedouros, e voltando à mesa. Voltou à atenção a Rony.
"Sabe o que é engraçado? A Hermione não estar aqui..."
Rony levantou uma sobrancelha.
"É, pois é. Ela sempre está aqui" continuou "Que coisa, né? Ela não me disse que não viria... Se bem que ela não disse que viria... Com quem ela pode estar? Se tivesse estudando, estaria aqui, né? Ai ai... deve estar em alguma aula extra. Mas no sábado, né? Que estranho"
"Do que vocês estão falando?" chegou Harry dando o copo pra Gina.
"Obrigada. Ah, estamos falando da engraçada circunstância de Hermione não estar aqui hoje"
Rony revirou os olhos.
"Sabem o que é realmente engraçado?" disse Harry olhando pro lado "Malfoy está vindo pra cá, nesse momento"
Gina gelou.
Era verdade. Draco Malfoy ia andando até a mesa deles, uma mão no bolso e outra segurando um livro fechado. Não tinha uma expressão muito feliz. Quando chegou a mesa, um Rony já bastante vermelho se levantava, com ambos os punhos fechados apoiados contra a mesa.
"O que você quer, Malfoy?"
"Onde estão seus modos, Weasley?" ele perguntou levantando ambas as sobrancelhas, e dando um sorrisinho sarcástico. Depois virou-se pra Gina, que estava literalmente atrás do livro e com a cabeça na altura da mesa.
"Virgínia" a cumprimentou, calmo.
"Virgínia?" Rony confuso perguntou alto. Virou-se para Harry atônito "Virgínia?!"
Draco o ignorou e continuou a olhar Gina, que permanecia atrás do livro.
"Virgínia" repetiu, mais alto.
"Por que você está chamando a minha irmã de Virgínia?"
Ela não podia fugir mais. Estava começando a ficar ridícula aquela situação, sem contar com o quanto ridícula ela já estava em si. E estava começando a ficar preocupada com a saúde mental de Rony então tirou o livro do rosto fechando-o, e olhou pra o recém chegado tentando parecer surpresa.
"Oh... Pessoas. Hm, não tinha, hmmmm, te... visto"
"Mesmo?" ele perguntou arqueando uma sobrancelha.
"Ei, ei, ei! O que está acontecendo aqui?" Rony quase avançava em Malfoy, mas Harry o segurava, não menos confuso.
"O que você est...?"
"Se importa de falar comigo um instante?" essa pergunta foi o bastante pra fazer Gina gelar e Rony quase ter um treco. Draco não tirava os olhos de seu rosto, e isso a deixava totalmente nervosa. Ela sabia que estava parecendo idiota.
"É claro que ela se importa!" gritou Rony, vermelho. Suas orelhas pareciam que iam explodir "O que você acha que está fazendo conversando com a minha irmã?"
Draco o ignorou, e permaneceu calado, com a mesma expressão, que Gina por sua vez não conseguia mais ignorar. Ela deu um gole na água trazida por Harry e pigarreou alto, dando um sorrisinho.
"Hmm... Sabe o que é... Agora, nesse momento, eu tenho que ir ao banheiro..." disse se levantando.
"Gina! O que você está fazendo? Pare de inventar desculpas a esse idiota!"
"Por favor, eu insisto" Draco a pegou pelo braço, e apesar de delicadamente, foi o bastante pra Rony dar um urro extremamente alto e se jogar com tudo pra cima do sonserino, amassando-o ao cair com um baque, no chão da biblioteca. Antes de Gina ou Harry fazerem qualquer coisa, Rony já esmurrava Draco, e esse tentava se esquivar, segurando os punhos do ruivo enlouquecido.
"Rony! Rony, pare agora!" gritava Gina. Ela não sabia o que fazer. O desespero crescia, e a agonia também. Ela puxava Rony, mas sabia que não iria ganhar aquela luta. Rony era muito mais forte que ela e estava em uma situação em que ninguém ia conseguir fazê-lo mudar de idéia e parar de bater no loiro "Rony, sai! Harry, me ajuda aqui!"
"Sai de cima de mim, Weasley!"
"Eu vou te matar!!" urrava Rony.
"Rony, pare com isso, não seja estúpido" Harry tentou puxá-lo "Gina, me ajude aqui"
Os dois puxaram Rony de uma só vez, fazendo-o cambalear pra trás. Seu rosto estava extremamente vermelho e suas orelhas da cor do seu cabelo. Ele ainda bufava. A essa altura, alguns alunos já haviam criado uma pequena rodinha em volta do acontecimento, e todas as cabeças da biblioteca se viravam para eles.
"Calma" falava Harry pra um Rony enlouquecido.
Draco ainda estava no chão. Tinha ambas as mãos no rosto, e tentava se levantar sem muito sucesso. Gina abaixou perto dele, preocupada.
"Você está bem?" perguntou.
Ele tirou as mãos do rosto e tentou se levantar, dessa vez conseguindo se sentar. Seu nariz sangrava muito. "Eu pareço estar bem?" perguntou rude. Gina não respondeu e se levantou, ainda olhando-o. Ele se levantou do chão com um olhar assassino em direção a Rony.
"Eu vou acabar com a sua raça Weasley" disse ameaçador.
"Vem, Malfoy"
"Não!" gritou Gina segurando Draco pelo braço "Não faça isso" ele a olhou desdenhosamente:
"Me dê um bom motivo para não fazer isso"
"Por favor... por mim" sussurrou, fazendo com que só ele ouvisse o último pedido, não desviando o olhar sequer uma vez.
Apesar da imensa raiva que Draco sentia naquele momento, ele esqueceu de tudo no momento em que olhou dentro daqueles olhos cor de chocolate, gentis, acolhedores e suplicantes. Teve uma vontade louca de beijá-la ali, na frente de todo mundo, de abraçá-la, reconfortá-la, de cuidar dela. Mas algo o fez acordar do pequeno transe.
"O que está acontecendo aqui? Dê-me licença, o que esta acont...?" Madame Pince vinha correndo entre a aglomeração de alunos, e parou assustada ao ver Rony sendo segurado por Harry com um olhar assassino, e Draco em pé, a sua frente, sangrando. "O que está acontecendo aqui? Meu Deus, menino, você está sangrando!"
"Não, eu to..." mas Gina o beliscou discretamente antes de ele continuar com a ironia.
"Você tem que ir pra Ala Hospitalar! E vocês? O que estão olhando? Saiam daqui, cuidem das suas vidas! Vamos, menino..."
"Eu vou sozinho" disse seco. Deu um último olhar desafiador pra Rony, e saiu da biblioteca, não tendo dificuldades em abrir espaço entre as pessoas ao passar.
"Rony, você é louco?! Não faça mais isso!"
"Gina, o que você tá fazendo? Ele é o Malfoy, ele merece!"
"Rony, não é sobre ele. É sobre... você levar alguma detenção. Você não pode sair espancando as pessoas, apenas ignore-as!"
"Gina, ele estava pegando em você! O que ele queria tanto com você?"
Gina agora tinha os olhos fechados e massageava as têmporas "Não sei Ronald. Agora o problema era meu, então deixava eu cuidar dele, não é mesmo? É a minha vida! Eu posso falar com quem eu quiser e até com Malfoy"
"Gina, relaxa. Eu estava te protegendo do Malfoy, eu hein" e voltou a se sentar ao lado de Harry, que agora já estava reabrindo o livro, afim de fugir da discussão entre os irmãos.
Gina revirou os olhos e saiu dali. Precisava pensar. Draco veio até ela, na frente do irmão dela, arriscando a vida, só para ter uma conversa? Tá certo que ela estava com saudades dele. E que aquela história de 'vou te ignorar' já estava demorando demais, mas ela não fazia idéia de que ele iria abordá-la ali, na frente de seu irmão e de Harry. Era uma coisa meio impossível de se acontecer.
Apesar de tudo, agora estava preocupada com ele. Seu coração parou, no momento que viu Rony o espancando sem dó. Não que Draco fosse um fracote, mas a posição não estava o beneficiando em nada.
Ela tinha que vê-lo. Estava beirando a preocupação, e a conversa que ela tanto deixava pra depois, estava na hora de sair.
Chegou a Ala Hospitalar e empurrou a pesada porta, entrando assim na sala. Viu Draco de costas pra onde ela estava, sentado em uma cama, com Madame Pomfrey a sua frente, segurando uma grande bacia de água e limpando o nariz sangrento dele.
"O que faz aqui, mocinha?" perguntou Madame Pomfrey a olhando de esgoela.
"Vim... fazer... uma visita?" tentou, dando um sorrisinho.
Ao ouvir a voz dela, o coração de Draco saltou. Ele não se virou, mas sorriu. Ela havia vindo vê-lo. Tirou o sorriso do rosto ao ouvir Madame Pomfrey falando:
"Acho que vai ter que voltar outra hora, querida, ainda não terminei aqui."
"Amm... tudo bem. Eu volto outra hora então"
"Não" ele disse simplesmente "Madame Pomfrey, deixe-a ficar. Eu já to bem, consigo fazer isso sozinho" apontou pra os panos e a bacia à mão dela.
Madame Pomfrey estudou Draco, depois olhou Gina por cima dos óculos, essa dando um sorrisinho.
"Tudo bem. Não demore" e entrou nos quartinhos dos fundos, dando-os assim privacidade.
Gina chegou mais perto dele, cada vez mais, sentindo a respiração pesar.
À medida que ela chegava, ele se acalmava. Sabia que ela estava calma, e sabia que não iria começar a gritar com ele. Se fosse pra fazer isso, já iria ter feito. Ele sentiu, novamente, toda a raiva ir embora, quando ela chegou finalmente perto dele, acompanhada de sua doçura.
Gina estava o achando muito tranqüilo. Ainda estava parado, olhando pro horizonte, e sua expressão estava tranqüila. Quando ela chegou perto dele, respirou profundamente e fechou os olhos criando coragem.
"Draco, eu..."
"Eu..."
Ambos começaram a rir.
"Você primeiro" ele disse, olhando-a nos olhos.
"Draco, me desculpe. Por eu estar te ignorando completamente. Mas é que... eu realmente preciso desse tempo"
Ele mordeu o lábio inferior, não querendo ouvir as desculpas dela. Sabia que isso ia acabar nos 'e preciso de mais tempo e bla bla bla' e eles iriam chegar de novo ao ponto de partida e ele não estava nem um pouco afim de fazer isso.
"Eu... eu não sei explicar que tempo é esse, ou o que é isso que eu estou sentindo, mas o basta chegou, entende? Eu não entendo você. Tento entender, mas não sou muito boa nisso. Eu estava ficando estressada com muita facilidade, e isso não é legal pra mim. Estava me machucando, entende?"
"Eu nunca tive menção de te machucar, Virgínia"
Ela ficou calada, o observando. Seus olhos estavam gentis, de um certo modo, e ele parecia estar sendo sincero. Gina sabia que ele gostava e se importava com ela, mas ela não tinha forças pra espantar a crise.
De repente seus olhos pararam no nariz dele, que ainda estava a sangrar. Ela chegou mais perto dele, como impulso e segurou seu rosto com as mãos.
"Draco, você ainda está sangrando?"
"Ãhn?" tinha sido uma mudança repentina de humor. Ele conhecia muito bem essas mudanças, e Gina as tinha praticamente toda hora. Ela parecia que tinha esquecido de tudo que tinha falado, e tentava observar o nariz do loiro, mas ele parecia lutar "Ei, ei, o que você está fazendo?"
"Você está sangrando. É surdo?" revirou os olhos e pegou a bacia com o pano a seu lado na cômoda, onde Madame Pomfrey havia deixado momentos antes de sair da sala "Venha aqui" molhou o pano e começou a tentar limpar o nariz dele.
"Virgínia, isso é desconfortável!" falava lutando pra se esquivar da ruiva.
Ela parou encarando-o "Você tá falando sério? Desconfortável? Você quer que eu te esmurre? Fique quieto que eu vou te limpar. Agora"
Draco não estava em posição de discussão. Era ele quem ansiava pela ruiva e qualquer coisa que ele fizesse, poderia perdê-la. Já era inacreditável ela ter vindo falar com ele, e ele tinha que aproveitar. De um jeito ou de outro.
Então bufou e ficou parado, enquanto ela passava o pano por seu nariz, limpando-o. Ela parecia estar concentrada, e Draco estava achando-a linda, apesar da birra. Seus olhos estavam intensos, e sua expressão era centrada. Parecia preocupada, e demasiadamente interessada em fazer o que estava fazendo direito. Ele apenas a observava, pensando na primeira vez em que sentiu algo diferente por ela. Diferente mesmo.
Era tarde da noite e eles haviam acabado de sair da cozinha e estavam rolando de rir. Tinham pegado quase toda a comida que o castelo tinha, seus bolsos estavam entupidos. Estavam um pouco alegres também. Não bêbados, mas alegres, e bem vulneráveis. Riam pelo castelo, sussurrando 'shhh' um pro outro e Gina carregava uma pequena garrafa de Wisky de Fogo, e Draco uma de Licor de Ambrosia de Fadas. Eles subiram até uma Torre deserta perto das masmorras, e ali conversaram, riram e comeram a noite toda. Acabaram caindo no sono lá também. Quando o dia amanheceu, Draco foi o primeiro a acordar, e olhou Gina, que ainda dormia abraçada nele. Ali, a observando, ele sentiu pela primeira vez as borboletas no estômago. E quando ela acordou, se aninhando mais ao peito dele, e fazendo aparecer aqueles enormes olhos achocolatados, ele começou a sentir murros e chutes na boca do estômago, muito fortes. Depois do sorriso vago que ela deu, ele não sentia mais o seu estômago e o seu coração batia descontroladamente. Ele sorriu também. Ali, naquele momento, ele sentiu-se finalmente no paraíso.
Gina acabou de limpar o nariz dele, e pediu para ele segurar outro pano no nariz para estancar o sangue, e achou uma compressa de água gelada em cima da cômoda.
"Coloque-a assim que o sangue parar de sair, está bem?"
Ele riu "Desde quando você sabe dessas coisas?"
Ela fez uma expressão ofendida "Como assim desde quando? Eu sou quase uma curandeira" ela riu e jogou os cabelos pra trás "Escute, se você estivesse com o nariz quebrado, coisa que você não está, um feitiço bastaria. Mas você não o quebrou, então o que podemos fazer é colocar gelo pra desinchar"
"Tá inchado?" perguntou desesperado.
"Hm, pode vir a ficar. Está doendo, não está? Então você precisa colocar para não doer mais"
"Não tá doendo. Eu agüento"
"Aham. Tudo bem" deu batidinhas de leve no ombro dele e sorriu "Você vai ficar bem. Eu to indo agora" e começou a se afastar, sorrindo.
"Ei, ei, como assim você está indo agora? Eu pensei que fôssemos conversar!"
"Nós já conversamos"
"Não. Não Virgínia, volte aqui" ela hesitou "Senta aqui"
"Draco..."
"Senta"
Ela se deu por vencida, e se sentou ao lado dele na cama. Ele se virou pra ela, colocando o pano do nariz na cômoda, e a olhou.
"Então. A gente vai conversar sobre o que está acontecendo?"
"Hmm, você querendo conversar sobre relacionamentos, hein... Quem iria esperar por isso?"
"Eu só quero resolver isso com você. Virgínia, isso é um saco. Essas crises estúpidas e ridículas são um saco"
"Eu não posso fazer nada..."
"É claro que você pode. Você pode tentar. Se eu venho tentando, você também pode. Por Merlin, isso é tão estúpido! Você deixar de falar comigo por semanas... eu sinto a sua falta"
Era uma das primeiras vezes que Draco falava isso tão aberta e diretamente. Normalmente, em 'conversas' ele apenas falava o quanto algo era ridículo, e acabava a beijando. Se abrir pra ele era difícil, já que ele nunca precisou fazer isso com ninguém.
"Eu também sinto a sua falta" Gina soltou em um muxoxo "Muita"
Ele pegou as mãos de Gina, e brincou com elas por um instante. Sorrindo.
"Então qual é o problema?"
"É que às vezes fica tão difícil..."
"Deixemos de lado as dificuldades então. Virgínia, não faça mais isso comigo, por favor" ele levantou o rosto dela delicadamente, segurando seu queixo e a beijou. Foi um beijo breve. Draco não conseguiu ficar muito tempo, devido ao seu nariz, mas o abraço que veio logo depois, foi duradouro e apaixonado.
