Disclaimer: Inuyasha é propriedade de Rumiko-sensei. Faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.
The Roses' Sound
(O Som das Rosas)
Capítulo Três: Gestos
Dedicado à Palas Lis, por que Mitz-chan a ama muito! - e por que é um presente de dia das crianças!
Também como uma singela homenagem a uma amiga que já não está mais conosco…
– Rin… – tentou chamá-la mais uma vez e a garota pareceu acordar de um transe. Simplesmente afastou-se de Sesshoumaru, com olhos ligeiramente arregalados. Parecia assustada com o que fazia abraçada a ele.
Sesshoumaru conseguiu observar lágrimas que escorriam pelo rosto da jovem e queria imaginar o porquê de tal reação repentina. Queria descobrir tanto o porquê de sua reação, como o porquê da reação dela. Por uns segundos que pareceram durar uma eternidade, continuaram apenas a se encarar, e, então, sem prévio aviso, a garota virou-se e saiu correndo ao longo da calçada.
Por uns segundos breves ele apenas observou-a correr ao longe, ignorando tudo e todos ao seu redor. Até que finalmente pareceu acordar de seu transe, quando sentiu alguém esbarrar em si para correr até o local do acidente. Correu para tentar alcançá-la, mas ela já havia se afastado o suficiente.
Diminuiu o passo, ainda observando a rua diante de si, onde a garota tinha desaparecido. Provavelmente queria mesmo ficar sozinha e quem era ele para contrariá-la? Andou de maneira compassada até voltar a sua casa. Esperava que ela estivesse bem, onde quer que estivesse. Preocupou-se com o que poderia acontecer a ela. Rin parecia tão abatida… e depois de ver aquele acidente, ela certamente não se mostrava a pessoa mais forte que ele conhecia.
Quando chegou em casa, o sol havia sumido no horizonte. Andou vagarosamente por meio dos gramados até a entrada da casa. A porta estava aberta, ele precisou apenas rodar o trinco e entrar no lugar. Deu alguns passos a mais e encontrou Izayoi sentada à mesa de jantar enquanto trocava algumas palavras com Kaede, de pé bem ao seu lado. Ambas voltaram à atenção para ele quando adentrou a sala.
– Oh, Sesshoumaru-sama… onde está Rin-chan? – Kaede foi a primeira a se pronunciar diante da presença do homem da casa.
Antes que ele pudesse falar alguma coisa ou ao menos se aproximar da mesa para sentar-se no extremo desta, como era de costume, Izayoi falou, ligeiramente surpresa com a pergunta da governanta. Virou-se para a mulher mais velha.
– Rin-chan? – indagou com as sobrancelhas levemente arqueadas. – Sesshoumaru estava com Rin-chan?
– Hai, madame. – Kaede respondeu educadamente. – Sesshoumaru-sama saiu esta manhã com Rin-chan. Ela parecia bem animada em dar uma volta na companhia dele.
– Mas que bela surpresa! – Izayoi comentou, sorrindo largamente para o enteado mais velho. – Vocês se divertiram muito? Rin-chan já foi para casa?
– Não sei. – Sesshoumaru respondeu, finalmente continuando a andar e sentando-se no seu lugar à mesa. – O jantar será servido?
– Ah, claro, Sesshoumaru-sama. Já mandarei servir. – ela disse, fazendo uma breve reverência e seguiu por um dos portais da sala que levavam até a cozinha.
Neste momento, Izayoi voltou os olhos mais uma vez para o dono dos cabelos prateados e chamou-lhe a atenção, curiosa do porquê da resposta evasiva dele.
– O que aconteceu hoje? – ela perguntou, realmente interessada no que devia ter acontecido com os jovens.
– Eu não sei. – Sesshoumaru respondeu, dando um suspiro pesado e apoiando os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos.
– Como assim não sabe? – Izayoi franziu a testa confusa. – Não foi divertido passear com Rin? E… onde ela está?
– Acho que está em casa. – ele respondeu simplesmente. – Pelo menos era o caminho de casa que ela tinha seguido quando saiu correndo.
– Saiu correndo? Mas por quê? – Izayoi parecia ainda mais confusa com o acontecido. – Aconteceu alguma coisa?
– Eu… – ele ponderou uns segundos sobre contar o que havia acontecido, mas rapidamente lembrou-se das lágrimas da garota e, em seguida, lembrou-se dela correndo, talvez incomodada por ele ter-lhe visto chorar. Prosseguiu com a resposta em seguida: – … não sei.
Por um segundo, Izayoi ponderou sobre a possibilidade de refazer a pergunta. Contudo, Sesshoumaru olhava para outro lado, de uma maneira pensativa e voadora, certamente não lhe contaria o que acontecera, o que quer que fosse.
Antes que mais algum deles pronunciasse alguma palavra, dois empregados entraram, trazendo a refeição noturna. Apenas quando se retiraram e deixaram que os donos da casa se servissem, Izayoi voltou a se dirigir ao filho mais velho.
– Bom, espero que esteja tudo bem com ela. – Izayoi comentou, atraindo o olhar de Sesshoumaru sobre si. – Amanhã ela disse que viria para tocarmos piano.
– Hai. – Sesshoumaru apenas concordou vagamente, seus pensamentos ainda perdidos nas lágrimas da jovem que saíra correndo de perto de si momentos atrás.
– Então, conte-me como foi o seu dia hoje. – Izayoi começou a falar, obviamente tentando sustentar um diálogo qualquer com o homem.
Ele virou-se para ela e começou a dar respostas automáticas e curtas às suas perguntas. Izayoi apenas incentivava-o a falar, falando por si própria, comentando coisas inúmeras para tentar prender a atenção do filho – sem sucesso.
Depois do término da refeição e mais uns trinta minutos conversando com Izayoi, Sesshoumaru finalmente se retirou da sala, sem precisar ser mal educado, já que a mulher tomara a iniciativa para seguirem até seus aposentos. Ela dizia estar cansada e que o Japão parecia fazer isso a ela, gastar-lhe toda a energia. Certamente que não era o país que fazia Sesshoumaru gastar as energias, mas sim uma jovem amante de rosas que morava bem ao seu lado.
Ao entrar em seu quarto, seguiu até as portas fechadas da sacada e abriu-as de uma maneira quase que instintiva. Pela primeira vez em que abria aquelas portas desde que chegara ao Japão, queria encontrar a dona dos grandes olhos castanhos cuidando do mesmo canteiro de rosas de sempre. Era tarde, estava escuro e ela definitivamente não se encontrava lá. Percorreu o jardim alheio com os olhos e confirmou suas suspeitas, a jovem deixara de lado o jardim naquele momento.
Apoiou-se na batente da porta, observando o céu acima de sua cabeça. Naquela parte da cidade, dava pra se ver mais estrelas… o céu parecia perfeito.
Por incontáveis segundos, permaneceu apenas a observar o céu estrelado. Era bom ficar apenas observando as estrelas, sem ter que se importar com muito mais, o único e visível problema era que… importava-se com mais… e queria saber como a jovem estaria agora, como ela se sentiria.
Visto que não teria as suas respostas do nada – certamente que elas não cairiam em suas mãos de repente –, seguiu para dentro do quarto, fechando as portas da sacada silenciosamente. Sentou-se no canto da cama e ficou daquele modo por alguns minutos a mais, até finalmente deitar-se e fechar os olhos, adormecendo dentro de pouco tempo.
A noite pareceu passar lentamente apenas naquele dia… o sono se estendeu mais que o normal e Sesshoumaru só se viu obrigado a abrir os olhos por conta do sol, que adentrava pelas portas de sua sacada – obviamente que sem permissão.
Ele olhou no relógio ao lado da cama: este marcava quase dez da manhã. Arqueou levemente as sobrancelhas ao perceber o quanto dormira, ponderando se estaria vendo a hora certa naquele relógio digital.
Foi muito mais que instintivo, não conseguia conter a si mesmo, simplesmente andou até a sacada e abriu as portas desta, observando não o céu ensolarado, não a paisagem, nada de pássaros… rosas. Correu os olhos ao longo do jardim de belezas vermelhas, mas a única beleza que queria encontrar… não estava ali.
Encostou-se à batente das portas da sacada, suspirou profundamente, ainda olhando o terreno vizinho.
– Onde está você, Rin? – perguntou-se, num tom baixo o suficiente para que nem mesmo o escutasse.
Ficou ali, apenas observando por alguns minutos apenas. Lembrou-se do dia anterior… ela ainda tinha medo de suas próprias lembranças. Talvez, talvez por isso não conseguisse falar ainda… não queria falar. O que havia de tão errado com as palavras? Bom, ele não seria a pessoa mais certa a responder, certamente.
Virou-se e seguiu para sair do quarto… era domingo… mais uma manhã livre e não teria muito a fazer, como não teria no dia anterior se Rin não o tivesse seqüestrado.
Desceu as escadas lentamente, como se estivesse medindo cada mínimo passo, contando-os para conseguir passar o tempo. Mal tinha pisado no último degrau, a voz de Izayoi adentrou-lhe os ouvidos, suave como sempre e, ao mesmo tempo, enérgica.
– Ohayo, Sesshoumaru! – ela disse, parecendo animada. – Ora, pelo visto o dia ontem foi bem cansativo, afinal, acordando numa hora dessas?!
– Eu… perdi a hora. – disse simplesmente, tentando ignorar o comentário da mais velha sobre o dia anterior.
– Sim, claro que perdeu. – Izayoi disse, sorrindo divertida. – Bom, quer que eu mande prepararem seu café da manhã? Eu estava indo ligar pra Inuyasha, quero saber como estão as coisas por lá.
– Não precisa. – Sesshoumaru respondeu, passando por ela e deixando o espaço livre para que ela subisse as escadas. – Pode ir ligar.
– Claro. – Izayoi passou direto por ele e, quando começou a subir as escadas, voltou-se para o enteado mais uma vez, chamando-lhe a atenção. – Ah! Sesshoumaru!
Ele simplesmente parou e virou o rosto parcialmente, apenas para demonstrar que estava prestando atenção no que a mulher dizia.
– Se Rin-chan chegar, faça-lhe companhia enquanto eu não volto, certo? – ela disse, com o mesmo sorriso de sempre.
A menção do nome da jovem fê-lo virar para observar a madrasta. Encarou-a com um olhar indagador. Rin iria até lá naquele dia.
– Ahn? – Izayoi não entendeu a confusão expressa sutilmente no olhar e no movimento do enteado, mesmo assim, prontificou-se a explicar. – Ah, eu tinha combinado com Rin-chan para que ela viesse tocar comigo hoje, pra me fazer companhia. Não se lembra?
Por uns segundos ele buscou em sua memória quando isto tinha acontecido. Logo meneou a cabeça num gesto positivo na direção de Izayoi e continuou seu caminho até a sala de jantar, enquanto a mulher mais velha seguia seu caminho subindo as escadas.
Tinha se esquecido daquele pequeno detalhe. No dia que reencontrara a jovem, lá mesmo em sua casa, Izayoi marcara com ela de se encontrarem no domingo, para tocarem piano. O que significava que poderia encontrá-la e saber se estava mesmo tudo bem com ela. Torcia para que estivesse certo e ela estivesse melhor desde a cena do acidente. Era realmente mais frágil do que ele poderia imaginar.
– Como rosas… – ele disse de uma maneira quase que inconsciente, quando sentou à mesa, na extremidade.
– Disse alguma coisa, Sesshoumaru-sama? – a voz de Kaede surpreendeu-o ali na sala, bem ao seu lado. Quando será que ela tinha chegado ali?
– Iie. – respondeu simples e rapidamente.
– Posso mandar servir seu café da manhã? – ela perguntou educadamente.
Ele nada mais fez que menear a cabeça. Não podia estar tão perdido assim em pensamentos. Suspirou profundamente e tentou se ligar mais no que acontecia ao seu redor.
O tempo passava de uma maneira quase que arrastada na mansão dos Taisho. Ele chegava a pensar que se demorasse um pouco mais para que os ponteiros do grande relógio de parede da biblioteca rodassem, eles rodariam no sentido anti-horário. Ainda assim, não tinha idéia do número de horas mostrada na face deste… estava tão desatento a tudo, que esses mínimos detalhes lhe eram fúteis. Sua visão se estendia por três pontos diferentes daquela sala. Hora estava com os olhos sobre os bem desenhados ideogramas de um livro de história japonesa; hora estava com os olhos a fitar o azul que transparecia nas vidraças da janela… hora estava fitando a face do relógio antigo em que nada mais via que seu próprio reflexo.
Estava preste a fechar o livro quando ouviu a porta ser aberta e uma figura conhecida adentrar o local.
– Eu sabia que estava aqui, Sesshoumaru. – Izayoi disse, aproximando-se do enteado, sentado numa das poltronas entre as estantes de livros. – Quer parar de ler esses livros e ir fazer alguma coisa?
– Suponho que tenha uma atividade melhor para propor. – Sesshoumaru respondeu, fechando o livro lentamente e levantando-se para devolvê-lo ao seu lugar na prateleira.
– Ahn… – ela parou pensativa por uns segundos. – Não sei. Bem que você poderia ir à casa de Rin-chan.
– Por que eu iria? – ele virou-se quase que instantaneamente, depois de abandonar o livro sobre a prateleira. Arqueou as sobrancelhas esperando pela resposta da mulher que agora procurava algum livro nas outras prateleiras.
– Porque Rin-chan ainda não veio. – Izayoi respondeu vagamente, puxando algum livro e folheando-o vagamente.
Ele continuou calado, não entendera a exata proposta da madrasta com relação àquele assunto. Por que mesmo a jovem iria até lá?
– Você não se lembra? – ela respondeu de uma maneira tão instantânea que ele chegou a pensar que ela conhecia seus pensamentos. Virou-se para ele ainda com o livro em mãos. – Ela viria hoje pra tocar piano. Mas está tarde, ela não veio ainda.
– Está tarde? – ele questionou, observando o relógio de parede. Quase se assustou ao ver que esse marcava mais de duas horas da tarde.
– Está assim tão desatento, meu filho? – ela perguntou, fechando o livro com aparente desinteresse e recolocando na prateleira. – Nem desceu para o almoço. Não o chamei porque tinha acabado de tomar café mesmo, achei que não quisesse.
– Não… – ele respondeu, voltando o olhar vago para a janela.
– Não? – ela indagou, sem entender ao certo a súbita negação.
– Não queria almoçar. – ele completou a frase, ouvindo um "ah" de entendimento de Izayoi.
– Claro. – ela concordou em seguida. – Bom, não importa mais. Eu vou descer, vou falar com Kaede.
Ela se virou para a porta, sem ao menos esperar alguma resposta de Sesshoumaru. Ele também não pronunciou nada, apenas continuando a olhar pela janela, enquanto seus ouvidos se atentavam aos passos da mulher. Percebeu quando ela parou de andar, na porta, virando-se para ele mais uma vez. Não tirou os olhos da janela para escutar o que ela tinha a lhe dizer.
– Ah… boa distração com seus livros. – esboçou um sorriso quase que travesso e saiu da sala, fechando a porta atrás de si.
Não demoraram mais de cinco segundos entre Sesshoumaru escutar a porta se fechar e seus pés começarem a andar quase que automaticamente na direção da janela. Parou apenas ao alcançá-la, observando além dela… mas não na direção do céu azul, e sim na direção do chão, do gramado… do gramado de sua casa. Não havia pontos vermelhos enfeitando o lugar, não dava para vê-los dali.
Suspirou por um segundo… ainda não a vira naquele dia… nem sequer cuidando de suas preciosas rosas. Talvez estivesse apenas olhando nas horas erradas, ou talvez, ela realmente não tivesse saído naquela manhã. E não sabia o porquê… mas estar longe dela, não vê-la e não ter certeza de como estava se sentindo… o deixava muito incomodado.
Colocou pressão sobre a batente da janela, na qual estava apoiado. Estava irritado por si mesmo… e, principalmente, porque ela sempre dava um jeito de convencê-lo a alguma coisa. Só Izayoi mesmo para deixá-lo louco a ponto de querer sair de casa.
Sorriu de lado, afastando-se da janela. Seguiu até a saída da sala e desceu as escadas sem pressa. Abriu a porta principal da mansão e andou, descendo as escadas e observando o enorme espaço ao seu redor, com o gramado verde e caminhos enfeitados… ou caminhos para os carros. Andou ainda de maneira vagarosa, apenas sentindo a brisa leve da tarde de primavera. Não queria olhar para trás, tinha quase certeza de que veria Izayoi com uma cara de vitória, onde quer que ela estivesse naquele minuto. Ela nunca parava até conseguir o que queria… só não sabia se aquilo era uma boa ou uma má qualidade.
Cruzou os portões de entrada e parou por um momento, incerto sobre o que deveria realmente fazer. Olhou para a casa vizinha, estava tão silenciosa quanto a sua, mas ainda assim, tinha um ar completamente diferente, por mais que se parecessem. Não ficou parado por muito tempo, logo estava andando na direção desta, apenas com um objetivo em mente.
Depois de se identificar, permitiram a sua entrada pelos portões externos, em seguida, parou diante da escadaria da porta principal da mansão, mas antes que chegasse ao topo desta, uma mulher apareceu, abrindo a porta e seguindo até alcançá-lo, no meio das escadas. Ele não demorou a conhecer aquele rosto, emoldurado por curtos cabelos negros, que certamente não aparentavam sua real idade.
– Sesshoumaru-sama. – a mulher cumprimentou-o ao alcançá-lo. – Que surpresa vê-lo por aqui. Eu podia jurar que Izayoi viria, não você.
– Nayako-san. – ele apenas retribuiu o cumprimento de uma maneira educada, sem completar com mais nada.
– Meu jovem, fiquei surpresa quando ouvi que você estava vindo do porteiro. – ela disse, continuando a andar e fazendo sinal para que ele a seguisse até entrarem em casa. – Bom, o que podemos fazer por você? O que o traz aqui?
– Eu queria falar com Rin… – ele disse, mais uma vez educado, e sem a mínima emoção expressa em sua voz.
– Ah… Rin-chan, nee? – ela falou de maneira vaga, parando de andar ao alcançar a sala de estar. – Deixe-me pensar… Rin-chan… você quer vê-la? – perguntou como se ele não tivesse esclarecido aquela parte.
– Algo errado? – ele perguntou, estranhando o questionamento vago da mulher. – Ela não está bem?
– Ahn? – ela parecia estar desconcentrada ao que ele falara, mas logo percebeu o que o jovem tinha dito. – Ah, não! Não, ela está bem… muito bem. Então… venha comigo, vou levá-lo até ela.
Ele apenas acenou a cabeça de maneira positiva, estranhando o modo como a mulher falava, parecia ponderar sobre algo ou estava pensando sobre alguma coisa com relação a Rin, certamente. Será que não havia algo de errado com a garota?
Seguiram entre os enormes corredores do lugar por alguns minutos, quando finalmente Nayako parou diante de uma das portas do corredor… na verdade, aquela parecia ser a única porta em um enorme espaço, pelo menos daquele lado do corredor.
– Acho que não tem problema se eu deixá-lo vê-la. – Nayako disse e tinha um tom que lembrava muito o de Izayoi quando estava tramando alguma coisa. – Mas, prometa-me que ficará em silêncio, sim?
Ele não entendeu o que ela quis dizer. Será que Rin estava dormindo ou doente para que ele não pudesse fazer barulho? Por que ficar em silêncio quando o seu intento desde o começo era falar com ela? Afinal, o que estava acontecendo naquela casa?
– É, imaginei que você ficaria confuso. – Nayako sorriu, fitando a expressão aparentemente confusa de Sesshoumaru. – Bom, quando entrar vai entender. Faz muito tempo que Rin não volta aqui, eu não sei o que aconteceu ontem que a deixou com vontade de vir a essa sala, mas seria muito bom se não a interrompesse.
Por um segundo ele pensou em recuar. Se Rin estava ocupada com algo, ou se não gostava de ser interrompida, ele queria ser o último a atrapalhá-la. Mas a curiosidade era tanta e a vontade de ver a garota mais uma vez também era tamanha que apenas acenou a cabeça num gesto positivo, concordando com as imposições de Nayako.
– Hai. – completou após o gesto afirmativo.
– Bom, eu confio em você, então… vou deixá-los. – Nayako disse, abrindo a porta lentamente para que não produzisse nem o menor dos barulhos e dando espaço para que apenas Sesshoumaru entrasse, antes de fechá-la mais uma vez.
Sesshoumaru relutou por um segundo e então, entrou finalmente no lugar. Sentiu a porta atrás de si fechar-se e notou a fresta de luz do corredor apagar-se aos seus pés. Não precisou dar mais nenhum passo sequer para entender o que acontecia ali. A sala em que entrara era grande, realmente espaçosa, com o chão de madeira e a iluminação fraca. Havia um grande espelho na parede à sua esquerda, um espelho que refletia os movimentos delicados de uma jovem que ele bem conhecia.
Rin dançava tão concentrada em seus próprios passos e movimentos que ele não se atreveu a aproximar-se ou a pronunciar-se. Deu alguns poucos passos para trás, até estar encostado à parede ao lado da porta, escondido pelas fracas sombras dos cantos da sala. Cruzou os braços diante do corpo, atento a cada mínimo movimento dela, a cada giro, passo, salto. Ela dançava tão perdida em si mesma que nem mesmo quando girava na direção em que ele estava, conseguia vê-lo.
Devia admitir que era uma coisa realmente magnífica. Nunca a vira dançando daquele jeito e lamentava-se por ter perdido cada passo que ela tinha dado durante todo o tempo em que ele estivera ocupado demais parar lembrar-se dos velhos amigos. Mas agora… diziam que ela não mais dançava, não conseguia. Pelo que ele estava vendo ali, ela estava se esforçando e se dando muito bem, parecia não ter problema algum com seus passos… por mais que não fosse profissional no assunto, para ele, ela estava mesmo perfeita. Por que será que tinha demorado tanto para voltar a dançar?
Não demorou muito mais e sua questão foi respondida com o que seus olhos presenciaram. Atento aos movimentos dela, percebeu quando Rin tentou dar um giro maior, saltando em seguida. Mas ao colocar o pé no chão, depois do salto, não caiu em pé ou seguindo mais uma seqüência de coreografia, o joelho fraquejou e ela caiu no chão com um baque surdo.
Antes mesmo que ele pudesse pensar em fazer alguma coisa, já tinha corrido até o centro do salão, desde o momento que vira o passo dela dar errado. Agora sim entendia o porquê da garota não voltar a dançar… ainda não conseguia movimentar o joelho.
Abaixou-se ao lado do corpo da jovem, que no momento tentava se sentar, apoiando as mãos no chão.
– Rin! – chamou-a, colocando a mão sobre o ombro dela. A garota virou-se de súbito, afastando-se espantada com a nova voz se pronunciando bem ao seu lado. – Você está bem?
Ela não reagiu, sequer respondeu com um mero aceno de cabeça. Ainda parecia surpresa por ter encontrado Sesshoumaru bem ali, diante dela.
– Rin… – sem respostas evidentes, ele se pronunciou uma vez mais, estendendo a mão para poder tocar o braço dela uma vez mais.
Ao ver o movimento dele, ela relutou, afastou-se mais para que ele não conseguisse lhe tocar. Abaixou o rosto, deixando de encará-lo, sentando-se com uma das pernas dobradas e a perna machucada ainda estirada. Ele hesitou ao ver o movimento dela, provavelmente ela não queria que alguém a tivesse visto falhar daquele modo… mas ele estava preocupado… preocupado?
Tentava encontrar as palavras certas para falar com ela, quebrar aquele incômodo silêncio, mas antes mesmo que conseguisse achá-las, notou quando ela levou as mãos ao rosto, esfregando os olhos com força e limpando a face. Apenas com aquele movimento ele notou que ela tinha lágrimas no rosto… que chorava de uma maneira completamente silenciosa… tão silenciosa quanto sua voz.
– Rin… – chamou-a novamente, e com o som de suas palavras, ela pareceu encolher-se mais, como se quisesse se convencer de que ele não estava ali, de que ele não a tinha visto… era como ela tinha dito antes… ele não precisava entender seus gestos ou ouvir suas palavras, precisava apenas sentir que havia algo errado… sentir que precisava vê-la bem.
Antes mesmo que tentasse chamá-la novamente, assustando-a e fazendo-a querer se afastar e esquecer-se de sua presença… puxou-a para junto de si e a envolveu em seus braços de uma maneira protetora e carinhosa. Se o rosto dela não estivesse escondido entre o corpo dele, ele teria visto o ligeiro arregalar de olhos que provocara na garota… deixando-a completamente surpresa com o ato.
Por uns minutos Rin realmente ficara surpresa, mas pouco depois, acostumou-se ao calor de Sesshoumaru, à presença dele, aos seus braços envolvendo-a. Hesitou em envolver o corpo dele com seus braços, então, simplesmente segurou a camisa dele, apertando mais os braços junto do próprio corpo.
Ele sentiu quando ela segurou sua camisa, quando hesitou em estender os braços em volta de seu corpo… simplesmente abraçou-a mais forte, como se quisesse mostrar que ela não precisava se assustar. E, ao senti-la apertando um pouco mais as pequenas mãos em torno do tecido fino de sua camisa, foi simplesmente instantâneo… mas parecia ouvir a voz dela lhe sussurrando algo como "Eu não consigo…", como nas palavras escritas dela… ele apenas sentia aquilo, sem precisar de palavras. Mesmo que seus atos correspondessem às afirmações dela, ele sentiu a sua necessidade de falar. Mesmo que nunca falasse demais, mesmo que nunca falasse nada… queria que ela ouvisse aquelas palavras de conforto de si e, antes que pudesse parar para escolhê-las bem, havia falado.
– Vai ficar tudo bem… não se preocupe. – disse, encostando o queixo sobre o topo da cabeça dela. Ela apertou um pouco mais o tecido da camisa dele e ele completou: – Você vai conseguir… você vai.
A jovem encostou as mãos sobre o peito dele, largando o tecido da camisa de Sesshoumaru. Afastou-se o suficiente até que ele desfizesse o abraço em torno do pequeno corpo dela. Apoiou as mãos no chão de madeira, olhando para elas por um segundo, como se seus pensamentos estivessem concentrados demais em algo. Ergueu a cabeça para encará-lo, finalmente. Sorriu… sorriu como se quisesse agradecê-lo por estar ali, sorriu feliz por tê-lo ali.
Sesshoumaru retribuiu apenas com um meio-sorriso, quase imperceptível e ergueu-se, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar. Com ela… percebeu que palavras não eram necessárias, ela estava começando a lhe mostrar aquilo, da maneira mais simples e perfeita que ele já vira.
Rin não deixou o sorriso de lado, segurou a mão dele e se levantou, movimentando um pouco a perna direita para ver se estava em condições boas o suficiente para andar. Sesshoumaru a observou até que ela colocou o pé no chão mais uma vez com firmeza, mostrando que estava tudo bem com ela e que ele não precisava se preocupar. Ergueu o rosto para o homem diante de si e ele continuava lhe sorrindo, o que a deixou constrangida. Quando voltou a abaixar a cabeça, evitando encará-lo nos olhos, notou que ele ainda segurava a sua mão e, antes que pudesse largá-lo, ele a puxava levemente para fora do local.
Por um segundo, ela não se movimentou, erguendo o rosto novamente para encarar agora as costas dele, virado para a porta.
Quando Sesshoumaru notou a hesitação por parte dela, virou-se mais uma vez, encarando-a agora de uma maneira confusa. Será que ela ainda não estava com a perna suficientemente boa?
– Nani? – perguntou de uma maneira quase que inconsciente, fazendo com que o olhar da jovem, agora ligeiramente arregalado, ficasse ainda mais fixo no dele. – Não consegue andar?
Ela demorou um pouco, até finalmente balançar a cabeça de uma maneira tão bruta que ele achou que os cabelos da jovem poderiam acertá-lo. Parecia que definitivamente não era aquele o ponto. Então…?
Ele notou o rubor na face da jovem e em seguida seus olhos seguiram o mesmo caminho no qual ela olhava… olhava para suas mãos ainda entrelaçadas. Teve vontade de sorrir mais uma vez, ela estava tão constrangida por conta daquilo? Ficava engraçada agindo daquele jeito… ficava mais bonita.
De propósito, ele apertou um pouco mais os dedos em volta dos dela e deu um passo em sua direção, ficando suficientemente perto para que a outra precisasse erguer o rosto e não esbarrar nele. Nessa hora, realmente teve certeza de que ela não teria mais sangue para subir a cabeça e deixar-lhe mais vermelha do que estava.
– Você… – ele começou a falar, abaixando um pouco o rosto para encará-la, fazendo com que ela continuasse a encará-lo de perto. – Disse que iria tocar piano com Izayoi hoje. Ela está preocupada com você. Eu vim buscá-la pessoalmente.
A expressão dela continuava interrogativa, ele tinha certeza de que se ela tivesse voz, teria pronunciado algo como um "Eh?", ou "Ahn?"… talvez estivesse tentando lembrar-se do momento em que combinara aquilo, e a proximidade de Sesshoumaru estivesse afetando em muito o seu raciocínio. Curvou o corpo um pouco para trás, visando afastar-se um pouco mais do homem e, então, um sorriso de compreensão surgiu em sua face. Ela meneou a cabeça num sinal positivo e Sesshoumaru não hesitou em sorrir mais uma vez apenas nos dez últimos minutos.
– Venha… – ele não soltou a mão da jovem, apenas virou-se para levá-la para fora da sala, sem se preocupar se ela estava constrangida ou não com aquilo. Quanto mais constrangida estivesse… seria mais divertido e mais proveitoso para ele.
Eles seguiram para fora da sala e andaram ao longo dos corredores da enorme mansão pelo único caminho que Sesshoumaru conhecia, para fora da casa, para irem até a sua casa. Aos poucos, Rin andava lado a lado com ele e começava a se acostumar com a mão quente do rapaz entrelaçada à sua. Ele parou no meio do caminho quando sentiu Rin puxando a sua mão. Virou-se para a jovem, ela andava na direção de algo que devia estar no chão… perto da parede do longo corredor.
– Rin? – ele chamou, tentando descobrir o que ela estava procurando.
Seguiu-a sabendo que não receberia resposta da boca dela e, mesmo que recebesse resposta de seus gestos, não os entenderia. Ela não se afastou muito do caminho que eles estavam, apenas largaram as mãos quando ela se abaixou, ajoelhando-se perto da parede e tomando algo em seus braços. Ele apenas entendeu o que ela estava buscando quando ouviu um som que parecia um… miado. Olhou por cima do ombro da jovem e fitou um gato branco pequeno, aninhado nos braços de sua dona. Era o mesmo gato que tinha visto na manhã do dia anterior, que ela estivera caçando entre suas roseiras.
O gato o encarou com aqueles grandes olhos de pupilas verticais e miou mais alto. Rin virou-se para encarar Sesshoumaru e sorriu para ele, como se achasse alguma coisa divertida no rosto do homem. Ele apenas ergueu as sobrancelhas. Rin voltou à atenção para o animal de estimação e lhe acariciou o pêlo branco, em seguida soltou-o no chão mais uma vez, deixando que ele saísse correndo por todo o corredor. Continuou sentada por alguns minutos, apenas observando-o, com o sorriso em face.
Sesshoumaru continuou com os olhos centrados na garota. Era incrível como sorria com cada mínima coisa… embora nem sempre seus sorrisos tivessem a sinceridade da criança que ele conhecia.
– Vamos? – ele perguntou, estendendo a mão para a jovem mais uma vez.
Dessa vez, ela simplesmente concordou com a cabeça e sorriu-lhe, segurando a sua mão sem o mínimo constrangimento. Mas antes que ele começasse a andar, ela o estava guiando para fora da casa, quase andando aos saltos… só não o fazia com certeza porque estava puxando Sesshoumaru junto consigo.
Eles saíram da casa e seguiram pelo jardim, até os grandes portões de entrada. Um par de olhos atentos observava-os com um sorriso em face, através do vidro de uma das janelas do primeiro andar. Sua distração foi interrompida quando ouviu batidas na porta de seu quarto.
– Entre. – a senhora de traços joviais disse, virando os olhos da janela para a empregada que entrava no quarto com uma bandeja em mãos.
– Seu chá da tarde, Nayako-sama. – a empregada disse, parando à porta mesmo, sem erguer os olhos para encarar a sua patroa.
– Pode deixar na mesa de centro, sim? – Nayako disse educadamente, indicando a mesa diante de uma lareira e entre algumas poltronas, não muito longe da cama de casal.
– Hai. – a empregada concordou, acenando com a cabeça e seguindo até o local indicado pela mulher. Ela descansou a bandeja sobre a mesa e tirou as peças de porcelana de cima, recolhendo a bandeja em seguida. Parou diante da porta antes de sair e voltou-se para a cadeira perto da janela, na qual a mulher mais velha estava sentada. – Deseja mais alguma coisa, Nayako-sama?
– Iie. – ela disse simplesmente, encarando a empregada. – Pode se retirar.
– Hai. – a empregada curvou-se numa reverência e deu as costas, saindo finalmente do local.
Apenas quando a porta do quarto se fechou, Nayako observou novamente o jardim através da janela… mas a parte interessante tinha desaparecido. Eles haviam alcançado os portões principais e saído.
– Que pena. – suspirou entediada, levantando-se da cadeira. – Estava mesmo certa, Izayoi. É divertido ver as reações desses dois. Principalmente de Sesshoumaru… – sorriu largamente enquanto andava na direção da mesa onde estava a xícara de chá.
Àquela altura, Rin e Sesshoumaru tinham alcançado os jardins da casa dos Taisho. Como sempre, cheio de sakura's e folhas a caírem por todos os lados. Sem que ele percebesse, Rin largara a sua mão e estava correndo entre as flores, deixando-se tocar pelas pétalas que caíam lentamente das sakura's, enquanto novas flores desabrochavam ainda mais perfeitas.
Ele continuou a segui-la, parou ao lado de uma das árvores, apoiando a mão no tronco desta, enquanto Rin continuava simplesmente a correr e rodopiar como se tivesse cinco anos de idade. Era engraçado vê-la correr daquela forma, como se nada realmente importasse. Era… nostálgico.
Sesshoumaru olhou vagamente para a grama aos seus pés, observando a sombra que a árvore fazia sobre o chão. Sentou-se sem pensar duas vezes, encostado à árvore, apenas descansando. Ficou a fitar Rin, que parecia ter energia demais para não parar de correr. Os dedos percorriam a grama lentamente. Era tão bom ficar sem pensar em nada… simplesmente relaxar e esquecer todos e quaisquer problemas. Não conseguia dizer ao certo o que provocava aquilo nele… o ambiente ao seu redor, tão diferente do ambiente de sua antiga casa na Europa… ou a presença dela.
Antes que desse conta, Rin tinha corrido até seu lado e ajoelhando-se diante dele, estendendo as pequenas mãos em concha para lhe mostrar o que havia pego. Continuava sorridente como sempre e Sesshoumaru precisou reunir forças para desviar o olhar do castanho dos olhos dela até suas mãos.
Conseguiu ver o que ela tinha em mãos pouco antes da coisa sair voando para longe. Uma borboleta… uma borboleta de cores bonitas e claras, que combinavam com as cores das flores ao redor… ambos seguiram o pequeno inseto com os olhos até que ela desaparecesse no céu, tomada pelas flores da árvore bem diante deles.
– Linda… – ele disse de uma maneira completamente vaga, enquanto seus olhos estavam perdidos na face da jovem diante de si, que ainda olhava o lugar por onde a pequena borboleta tinha sumido.
Rin voltou os olhos para ele quando ouviu a conhecida voz e sorrindo, meneou a cabeça num "sim"… parecia não perceber a proximidade que estava de Sesshoumaru, ou já teria se afastado há muito.
Ela voltou os olhos para o lado, como se procurasse mais alguma coisa que quisesse mostrar a ele, mas voltou o rosto para o homem de súbito, quando sentiu o toque dos finos dedos dele sobre a pele de seu rosto. Sesshoumaru a encarava fixamente, seus dedos tocavam levemente o rosto dela, como se tivesse medo que ela quebrasse…
– Perfeita… – ele disse, correndo os olhos pelo rosto da jovem e pôde notar claramente quando o rosto voltou a ficar rubro, tão rubro quanto momentos atrás… mas ela não recuou, não mostrou nenhuma reação contra a proximidade dele… parecia apenas ficar constrangida, nada mais.
Ele nem conseguiu pensar direito em quebrar a pouca distância que os separava, quando ouviu uma voz conhecida soar ao longe, fazendo a atenção dos dois se voltar para o lugar de onde vinha a voz.
– Rin-chan! – Izayoi apareceu ao longe, sorridente e acenando para o lugar onde os dois estavam.
Rin imediatamente se levantou, afastando-se do toque de Sesshoumaru sobre seu rosto, ainda estava vermelha, mas virou-se para o lugar em que Izayoi estava e acenou de volta. Sesshoumaru continuou apenas sentado, observando Izayoi se aproximar aos poucos do lugar onde eles estavam. Pelo sorriso enorme que via na face da mulher, tinha quase certeza de que ela fizera aquilo de propósito. Ela adorava se divertir às custas dos filhos… e, principalmente, quando a questão era deixá-los sem graça, embora nunca conseguisse isso com Sesshoumaru… na verdade, conseguia apenas irritá-lo.
– Rin-chan, querida, eu estava esperando por você a tarde toda. – Izayoi disse, quando conseguiu alcançá-los finalmente. – Você está se sentindo bem?
Ela meneou a cabeça num gesto afirmativo e então, as mãos tomaram conta dos gestos que representavam suas palavras. Sesshoumaru ficou atento a cada um deles, executado com tamanha destreza. Entretanto, por mais que se concentrasse, não conseguia deduzir o seu significado. Imaginava onde Izayoi aprendera aqueles sinais afinal…
– Oh, não precisa se desculpar… é normal nos esquecermos desses pequenos detalhes. – Izayoi disse, balançando a mão num sinal irrelevante. – E, então, me acompanha até a sala de música? Vamos ensaiar um pouco.
Ela concordou com a cabeça mais uma vez, de maneira enfática. E quando Izayoi se virava para voltar para dentro de casa, Rin segurou-lhe o braço, virando-se para Sesshoumaru, como se esperasse que ele as seguisse. Mas ele continuou sentado, observando-as.
– Ah? – Izayoi virou-se com o movimento de Rin, percebendo logo que a jovem observava Sesshoumaru. – Ah! Sesshoumaru, não vem conosco? – perguntou com um sorriso cordial de sempre, como se transmitisse as palavras que Rin não pronunciava.
Ele demorou um pouco, apenas fitando as duas mulheres, como se pensasse na resposta.
– Iie. – respondeu alguns minutos depois. – Vou ficar aqui mesmo.
– Tudo bem então. – Izayoi concordou ainda sorridente. – Bom, sabe onde nos encontrar, caso mude de idéia.
Ele apenas meneou a cabeça num gesto positivo e, então, as duas mulheres deram-lhe as costas e seguiram até o casarão principal.
Sesshoumaru continuou parado, ainda sentado na grama, sob a sombra da enorme cerejeira. Aquele ambiente era confortável, era tranqüilo… silencioso demais. Riu de uma maneira quase que inconsciente ao constatar um pequeno detalhe: o lugar parecia muito mais silencioso de que quando Rin estava lá… só não sabia o porquê, já que a jovem não falava nada… realmente, os gestos dela falavam muito mais que as palavras, embora aquela vontade de ouvir a sua voz mais uma vez ainda não tivesse se esvaído.
Afinal… os gestos dela ainda lhe deixavam completamente frustrado, não conseguia entendê-los por mais que tentasse. Então… o jeito mais prático que conseguia imaginar agora era aprendê-los, aprender a entendê-la… só não conseguia imaginar – ou simplesmente admitir – porque aquela imensa vontade de entender cada mínimo gesto da jovem, cada palavra dela.
Levantou-se quando o vento soprou mais forte em seu rosto. O som do vento era mais silencioso do que ele queria que fosse, do que era quando ela ainda estava lá. Andou lentamente até a casa, com as mãos dentro dos bolsos.
Depois de entrar na mansão, cruzou o salão de entrada e a sala de estar e logo uma melodia sutil lhe adentrava os ouvidos de uma maneira quase que… mágica. Conhecia aquele som, conhecia muito bem… Izayoi adorava tocar piano, era a sua melhor distração… e no silêncio de sua casa na Europa, quando Inuyasha e o pai estavam fora, aquele som era o único que adentrava seus ouvidos e conseguia não lhe incomodar. A diferença era que agora… havia algo a mais na mesma melodia, havia mais beleza… e ele conseguia imaginar de onde vinha essa beleza, essa beleza que não percebia há tanto tempo, e que não conseguia imaginar como pudera esquecê-la.
Seus pés o conduziram até o local de onde provinha o som… o tão belo som do piano. Parou à porta aberta do grande salão de música… tinha até esquecido daquele presente que seu pai dera a Izayoi… não imaginava que aquele salão ainda existisse intacto, com o mesmo piano e tantos outros instrumentos que basicamente ficavam apenas de enfeite, embora Sesshoumaru tivesse a ligeira impressão de que seu pai soubesse tocar cada um deles.
Ele parou à porta, encostado à batente desta, ficou a observar as duas mulheres tocando o mesmo piano, de uma maneira ágil e sincronizada ao mesmo tempo… imaginava como elas conseguiam tocar daquele jeito mesmo depois de tantos anos sem se verem.
Elas estavam concentradas o suficiente para não perceber a nova presença ali, assim como Sesshoumaru não se demorou o suficiente para que elas o notassem. Os poucos minutos que permaneceu observando-as, embalado pela melodia envolvente da música, sua atenção ficou presa apenas em Rin… ela sorria… como sempre, estava apenas sorrindo. Parecia um pouco com Izayoi, os sorrisos delas eram parecidos… mas Rin era bem mais ingênua, não tinha a mesma astúcia de Izayoi, o que era uma coisa realmente boa.
Deu as costas e saiu do lugar, seguindo até as escadas para subir até seu quarto. Parou no meio das escadas quando ouviu o som cessar. Não demorou muito até que uma nova melodia adentrasse seus ouvidos… ele continuou subindo as escadas até que a melodia desaparecesse por completo. Entrou em seu quarto, fechando a porta atrás de si, para certificar-se de que não seria interrompido.
Desviou o caminho quando caminhava para a cama e seguiu até as portas da sacada. Abriu-as, observando o mesmo jardim que sempre observava daquele mesmo lugar. Silencioso… silencioso e belo… assim como ela.
Sorriu…
Final do Capítulo Três
Domo, minna!!!
É, demorei com esse fic, mas infelizmente a Lis o descobriu… e fui obrigada a continuar de um jeito ou de outro… u.u
Bom, antes de mais nada… agradecendo à Palas Lis, porque foi ela que revisou, e eu gosto muito dela! Muito obrigada, fofa!
E agora, agradecendo a todos os que deixaram review no cap passado! Muito obrigada a todos mesmo, as reviews deixam qualquer um feliz!!
HIME RIN, Hiwatari Satiko e Keith-chan, Sah Rebelde, -Nay Black-, Nikki-Kousaka, Lillyth, Mai Amekan, Hinata-chan, Nathy Shia-Chan e Palas Lis.
Obrigadinha mesmo a todas e espero que tenham gostado do novo capítulo. Mais dois e chegamos ao final da fic! XD
Isso mesmo, só mais dois! XD
Próximo capítulo: "The Roses' Sound: Vozes"
Será que a Rin vai falar? XD
Veremos. Ja Ne!
