Heeey!

Capitulo novo gente.

Boa leitura.

-/-

Sakura tinha os olhos colados no chão enquanto avançava pelo pátio para chegar perto das três pessoas que estavam do outro lado da piscina. Estava envergonhada por ter estado fechada no quarto tanto tempo e por ter ignorado toda a gente naquela casa. E embora já tivesse falado com Itachi e Amaya não sabia se iria conseguir encarar Sasuke e pedir-lhe desculpa. Ou se ele iria ao menos ouvi-la.

- Que bom que saíste do quarto Sakura-chan! – Exclamou Amaya levantando-se do seu lugar na relva e caminhando até à rosada, enlaçando o braço nos ombros da mais nova.

- Bom dia Sakura. – Cumprimentou Itachi fechando o livro e olhando para a rosada.

Sakura sorriu para o rapaz antes de o cumprimentar também, analisando de seguida as pessoas em redor. Os olhos pararam em cima da figura de Sasuke, um súbito rubor aparecendo nas suas bochechas e o coração acelerando as batidas.

Devia ser um crime punido por lei ter um corpo e uma cara daquelas.

Ele era tão bonito, como raio é que ela não tinha reparado naquilo quando o tinha visto pela primeira vez? E ainda pior, como raio é que ela se tinha esquecido de uma criança que de certeza era a coisa mais fofa que existia? Porque para se ter tornado num rapaz daqueles não podia certamente ser uma criança feia.

Sasuke olhava-a ainda em choque mas quando os olhares se cruzaram o seu rosto tomou uma expressão zangada e os olhos negros rapidamente se desviaram dos dela. E aí Sakura percebeu que não ia ser tão fácil falar com ele. Itachi tinha-lhe dito na noite passada que Sasuke estava magoado e triste e Sakura tinha percebido agora a gravidade do que o moreno estava a sentir e isso deixava-lhe o coração a doer um pouco e um sentimento de culpa a pairar-lhe no corpo inteiro.

- Amaya-chan, porque não vamos perguntar à Kawasaki-san o que ela vai fazer para o almoço? – Perguntou Itachi olhando para a expressão no rosto do irmão e de seguida para a expressão no rosto de Sakura.

- Mas está tão agradável aqui fora. – Ripostou a rapariga olhando para o namorado com um olhar de cão abandonado.

- Sim, mas quero perguntar se ela vai fazer alguma coisa estranha porque o meu estômago hoje não está lá muito bem. – Disse ele fechando o livro e levantando-se, começando a caminhar para junto da namorada.

- Estás bem? – Perguntou a jovem preocupada.

- Estou, mas mais vale prevenir.

- Porque não vais sozinho? Perdes-te pelo caminho ou algo do género?

Itachi apenas revirou os olhos, a sua namorada podia ser tão tontinha quando queria.

Quando já estava perto o suficiente da namorada agarrou-lhe nas pernas e atirou-a para cima do seu ombro, e ignorando o gritinho histérico que ela tinha soltado começou a caminhar para longe do irmão e de Sakura.

Sasuke abanou a cabeça à tentativa subtil de o deixar sozinho com a rosada. Ele não queria ficar sozinho com ela porque isso iria implicar conversar e, além de conversar não ser propriamente o seu ponto forte, ele não queria conversar com Sakura. A conversa com a rosada iria implicar que ela pedisse desculpas por se ter esquecido dele e iria implicar que ele dissesse que estava tudo bem, o que seria uma grande mentira.

- Hum…Podemos falar? – Sakura finalmente perguntou ao fim de alguns minutos.

- Não tenho nada para falar contigo. – Respondeu continuando a secar os cabelos e o peito, sem sequer a olhar nos olhos.

- Ok, eu mereci essa. – Murmurou olhando para os pés. – Eu queria pedir desculpa.

- Desculpas aceites. – Mentiu largando a toalha e vestindo a camisola, era exactamente isto que ele tinha previsto que iria acontecer.

- Sasuke-kun eu…- Sakura começou a passar as mãos pelos cabelos em sinal de nervosismo. Tinha pensado muito no que lhe podia dizer, tinha-lhe custado horas de sono até, mas não lhe ocorria nada decente.

Sasuke foi apanhado de surpresa pelo facto de ela o ter chamado de Sasuke-kun. Por uns segundos Sakura tinha tornado a ser a pequena menina de laço na cabeça que o ajudava a criar mundos imaginários e o obrigava a brincar às bonecas sob ameaça de lhe esconder o Sr. Dentadas, o seu peluche de dinossauro. Por uns segundos ele não estava magoado e ela não tinha esquecido. E Kami-sama ouvi-la chamar por ele com o sufixo no final era como música para os seus ouvidos. Mas rapidamente se recompôs, dizendo a si próprio que o rubor nas suas bochechas era mentira e que o seu coração não tinha falhado aquela batida.

- Eu não sei o que te posso dizer…Só me ocorre pedir-te desculpas repetidamente e esperar que me perdoes. – Disse ela sorrindo de maneira doce.

Sasuke olhou o sorriso da jovem, que de alguma maneira demoníaca e perfeitamente orquestrada para o desconcertar continuava igual, e suspirou pesadamente.

- Se queres que eu te perdoe tens de te lembrar de uma coisa. – Disse ele a levando as mãos aos cabelos e passando os dedos pelos fios tentando colocá-los no penteado típico.

- Do quê?

- Aí é que está a beleza de te lembrares, eu não te posso dizer.

- Como sei que não estás a tentar despachar-me? – Perguntou cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha.

- Não sabes. – Respondeu o moreno levando a mão ao ombro da jovem. – Boa sorte baixota. – E deu-lhe duas palmadinhas antes de a contornar e começar a caminhar para longe dela.

- Não sou baixota! – Resmungou batendo o pé. – E eu vou-me lembrar.

Enquanto se afastava Sasuke sorria de canto. Não havia maneira de Sakura se lembrar do que ele queria que ela se lembrasse. Logo ele não iria necessitar de voltar a falar com ela até ao fim do Verão, o que significava paz e sossego, e depois disso nunca mais a iria ver.

Mas apesar de ele saber que paz, sossego e distância da rosada eram o que desejava, o que mais almejava, havia uma vozinha provocadora no seu cérebro aos gritos. A vozinha gritava completamente histérica que o que ele queria na verdade era que Sakura se lembrasse, se lembrasse de tudo. E aquela vozinha estava a tornar-se verdadeiramente irritante e a deixar-lhe a cabeça em papas. E só falava mentiras! Mentiras descabidas e sem fundamento.

Sakura ficou parada vendo-o afastar-se. Ela iria lembrar-se. Iria lembrar-se e iria esfregar na cara daquele idiota que ela se podia lembrar e iria obrigá-lo a perdoá-la.

Obrigá-lo a perdoar-te Sakura? Isso não te parece mal? Tu é que fizeste a asneira, tu e esse teu cérebro de ervilha. Magoaste-o, esqueceste-o e esqueceste-te de algo que era importante para ele. Que era importante para vocês os dois. – Gritou uma vozinha no interior da sua cabeça.

Isto fê-la suspirar e sentar-se na espreguiçadeira, apoiando os cotovelos nos joelhos e o queixo nas mãos. Isto ia ser tão complicado e ela iria certamente ficar com uma bela dor de cabeça. E não havia garantias de que se iria lembrar e isso era o que mais a assustava porque ela queria ser amiga de Sasuke. E desta vez ela não se iria esquecer.

A rosada desceu as escadas a correr, quase tropeçando num dos degraus, com um sorriso rasgado plantado no rosto. Depois do almoço ela tinha ido para o quarto, tinha-se sentado em frente ao computador e falado com o pai. Depois de lhe ter pedido desculpa por ter agido daquela maneira depois de a mãe ter morrido e de o ter ensinado via skype como trabalhar com o scanner do escritório, tinha-lhe pedido para digitalizar as fotografias que a mãe guardava numa caixa no fundo do armário e lhe enviasse os ficheiros para ela os puder analisar. Quando encarou as fotografias em que estava junto com os dois rapazes não pode evitar sorrir, ela lembrava-se de algumas coisas. E o sorriso só se alargou quando comprovou que Sasuke era realmente uma criança muito fofa.

Entrou na cozinha olhando em redor em busca de Sasuke para lhe contar o que tinha recordado e tentar a sua sorte com o perdão do moreno. Mas na cozinha só encontrou Kawasaki-san de volta do fogão a limpá-lo e uma outra jovem que trabalhava lá em casa em cima de uma cadeira a mudar a lâmpada do candeeiro do tecto.

- Kawasaki-san, viu…- Começou ela.

- O Itachi-kun e a Amaya-chan estão no pátio. – Respondeu rapidamente sorrindo-lhe. – O Sasuke-kun foi dar um passeio.

- Sabe quando é que o Sasuke volta?

- Ele saiu há cerca de meia hora, deve estar a chegar. – Desta vez quem respondeu foi a rapariga que estava em cima da cadeira.

- Obrigada.

E abandonou a cozinha, indo para a sala. Andando às voltas ao sofá durante uma série de minutos. Andar às voltas a objectos inanimados era um hábito que tinha herdado da mãe, um impulso de nervosismo que ela já nem se dava conta que fazia mas que sempre deixava as outras pessoas a olharem-na surpreendidas.

Mas como é que ela iria falar com Sasuke? Iria simplesmente dizer-lhe "Hey, lembrei-me de umas coisas e agora vou atirar-tas à cara e esperar que, com sorte, seja o que tu queres que eu me lembre."? Não podia fazer isso dessa maneira, além de que ele certamente se iria rir dela, ainda iria ficar chateado.

- O que raio estás tu a fazer? – Perguntou alguém chamando-lhe a atenção.

Parou de andar abruptamente olhando chocada para a porta, encarando Sasuke que a encarava de volta com as sobrancelhas arqueadas e os braços cruzados.

- Estás a tentar fazer um buraco em redor do sofá?

- É um tique nervoso. – Respondeu dando alguns passos na direcção dele mas sentindo-se tonta rapidamente. Devia ter mudado o sentido das voltas…

Sasuke, antes que pudesse controlar, deu dois largos passos para a agarrar pelos ombros antes que ela pudesse balançar mais uma vez.

Sakura agarrou-se aos braços do rapaz fechando os olhos e tentando fazer com que as tonturas desaparecessem, de tudo o que tinha herdado da mãe, isto era a pior coisa. Raio de tique nervoso…Quando já se estava a sentir melhor abriu os olhos e levantou a cabeça para olhar para o rosto de Sasuke.

Sentiu a respiração falhar e o coração começar a bater descompassado ao encarar de tão perto as pedras ónix que eram os olhos de Sasuke. O moreno também a encarava mas de maneira interrogativa e ela pôde notar o pequeno rasto de preocupação lá inscrito, o que a fez corar e desviar o olhar para o chão enquanto escondia o rosto com os cabelos.

- Já me podes largar…- Murmurou ela ainda a olhar para o chão.

Sasuke pigarreou nervosamente enquanto lhe soltava os ombros, um leve rubor nas suas bochechas também. Diabo, que raio se estava a passar com ele? Ele estava chateado com ela.

- Tenta arranjar outro tique nervoso, algum dia este vai dar mau resultado. – Avisou andando até ao sofá e sentando-se.

Ficou parada alguns segundos a observar o chão antes de suspirar. Subtil não era propriamente uma das suas qualidades por isso…Era agora ou nunca.

- Lembrei-me da tua festa de aniversário de quatro anos. Havia um insuflável e um palhaço a fazer balões. E o teu pai queria arranjar um pónei mas tu fizeste uma cena porque póneis eram coisas de meninas. – Disse ela a rir. – Na festa tu sangraste do nariz porque no insuflável foste contra uma das outras crianças com muita força. E…Segurei-te a mão enquanto choravas e a tua mãe te cobria o nariz com um lenço.

Sasuke girou a cabeça para a puder olhar sob o ombro, tentando esconder o choque que tentava a todo o custo fazer-se mostrar nos seus olhos e no seu rosto.

Mas e daí? Wow, ela tinha-se lembrado da sua festa de aniversário. Não queria dizer que se fosse lembrar daquilo.

- Diz-me se estou a ficar perto do que queres que me lembre. Por favor.

- Estás um ano atrasada. – Disse Sasuke voltando a olhar para a frente.

- O quê?

- O que eu te pedi para te lembrares, aconteceu quando tínhamos cinco anos. Estás um ano atrasada na memória. – Respondeu pegando na revista que estava em cima da mesa de centro.

- Ok, obrigada.

Sakura abandonou a sala rapidamente, correndo escadas acima para puder estacionar o seu corpo em frente ao computador e ver mais fotografias, em busca de mais coisas que se pudesse lembrar.

Sasuke esperou que os passos cessassem antes de largar a revista, suspirar e inclinar a cabeça para trás enquanto passava as mãos pelo rosto. De seguida olhou para a mão direita, abrindo e fechando o punho. Podia sentir. Era como se tivesse quatro anos de novo e a pequena mão de Sakura estivesse na sua e ela estivesse a tagarelar sobre alguma coisa aleatória tentando que ele esquecesse a dor.

- Acho que estás a ser demasiado mauzinho com ela. – Veio a voz de Itachi de junto da porta do pátio.

- Não tens nada a ver com isso.

- Até tenho. Se tu vais fazer a pobre rapariga desenterrar memórias o resto do Verão, o que com certeza irá causar muita confusão, eu pego já na minha namorada e dou à sola.

- Não te atrevas a deixar-me aqui sozinho com ela. – Resmungou o mais novo.

- Tu gostas dela. – Concluiu Itachi sorrindo.

- Quê? – Exclamou num tom agudo, pigarreando logo de seguida. – Como raio concluis isso só por eu ter dito para não me deixares aqui com ela?

- És o meu irmão eu conheço-te e nunca te vi olhar para nenhuma outra miúda da maneira que olhas para ela. – Respondeu Itachi entrando no lugar e caminhando para trás do sofá.

- Como olho para ela? Com um olhar triste, magoado, zangado…Se calhar olho assim para ela porque nunca nenhuma outra miúda me deixou neste estado.

- Sim, dessa maneira. Mas também há outra coisa no teu olhar.

- E o que seria isso? – Perguntou olhando o irmão por cima do ombro.

- Não te posso dizer otouto, vais achar que sou louco e começar a gritar que é mentira.

- Não me podes dizer porque não sabes.

- Sei sim. – Cantarolou começando a caminhar para a cozinha. – E tu sabes também.

E foi-se embora deixando o mais novo sozinho.

Sasuke revirou os olhos, o seu irmão podia ser tão detestável quando assim o queria. Mas algo no seu peito e na sua cabeça lhe estava a dizer que Itachi falava a verdade, que havia outra coisa, e ele estava com tanto medo que fosse mesmo verdade.

-/-

Capítulo fresquinho para os xuxus fofos da Fipinha.

Arigato pelas reviews de pessoas que não pertencem ao site, ou têm apenas preguiça de fazer login…

E deixem review neste capítulo também, e comecem a fazer apostas sobre o que o nosso Uchiha quer que ela se lembre.

Kissu