N/A: Todos os personagens pertencem a Stephenie Meyer e a história pertence a Janet Quin-Harkin , a mim só pertence a adaptação.
3 – Temporada nas Montanhas
Estava tão transtornada que não consegui falar com Jacob nem com Jessica quando me telefonaram mais tarde, naquele mesmo dia. Meu pai enfiou a cabeça no meu quarto para me passar o recado de que minha turma ainda estava com a intenção de ir ao festival de cinema italiano naquele tarde, e que eu poderia encontrá-los no cinema ou no Fiorelli, depois do filme.
- Ah é? – disparei. – E o que disse a eles? Que ficaria de castigo até me encontrar a salvo entre as manadas de búfalos do Wyoming? - Meu pai sorriu.
- Pode se encontrar cm os seus amigos se quiser, Bella. Não somos monstros.
Eu me decidi contra o filme italiano. Sabia que era sobre uma mulher que se apaixonava por um soldado que parte para a guerra e é morto, e tive um péssimo pressentimento que iria chorar durante toda a sessão. Mais me esforcei e consegui me refazer um pouco. Joguei bastante água fria na cara e passei um pouco de batom, para pelo menos voltar a parecer humana o suficiente para me encontrar com os meus amigos no Fiorelli.
Eles estavam sentados numa mesa de canto e, quando cheguei, todos me olharam com compaixão. Jane saiu as pressas de seu lugar para me abrir espaço ao lado de Jacob.
- Você perdeu um bom filme hoje, Bella. Um filme tão triste... – informou. Eu me esforcei para dar um meio-sorriso enquanto me espremia ao lado de Jacob.
- Deve estar numa encrenca séria – disse Jessica. – Seu pai foi frio como um iceberg quando liguei hoje de manhã.
- É, ele me disse que você não estava falando com ninguém – arremedou Jacob. – Sinto muito por ter ficada tão encrencada, Bella. Nunca imaginei que seus pais fosse ficar tão enfurecidos só por causa de uma simples festinha.
Tentei responder a ele, mas em vez disso tive de me esforçar para engolir o choro. Passei o olhar pelo Fiorelli, reparando nos pôsteres de óperas italianas penduradas nas paredes, nas velas cor-de-rosa nos candelabros e na voz de Pavarotti soando baixinho nos alto-falantes, abafando um pouco o rouco nervoso do trânsito que vinha do exterior. As luzes de uma placa luminosa d outro lado da rua resplandeciam. Havia um vendedor de kebab num canto, e o Davi's Deli, onde se faz o famoso pastramedo David, no outro canto. Aquilo era Nova York, e era aquilo que eu amava.
- Você está mesmo numa fria, Bella? – perguntou Jacob, tocando gentilmente na minha mão. – Quero dizer, puseram você de castigo, ou algo parecido?
- Pior do que isso – comecei. – Vão me levar embora para o Wyoming.
- Vão o que? Por quanto tempo?
Todos os meus amigos estavam agora me olhando em estado de choque.
- Para sempre – disse eu com tristeza.
- Não posso acreditar! – exclamou Jacob. – Você quebra uma regrinha de nada e mandam você para o Wyoming?
- Pois é melhor acreditar, porque é verdade – repliquei. – Meus pais disseram que andaram pensando em como fazer para resolver o problema do meu avô, e essa história da festa ajudou a chegar a uma decisão
- Só por causa do seu avô? – disparou Jane. – Ninguém larga tudo e se muda para o Wyoming só porque alguém quebrou uma perna!
- Essa é uma das razões – expliquei. – Querem nos tirar da cidade e nos levar para um lugar onde a vida seja simples.
- Você deve estar brincando – disse Chelsea, arregalando os olhos.
- Não podem fazer isso, Bella – ponderou Jessica calmamente jogando os cabelos para trás. – Vá falar com o advogado infantil na escola. Diga a ele que os seus direitos estão sendo violados. Você também tem direitos, sabia?
- E os psiquiatras já provaram que é prejudicial mudas um aluno de escola e de cidade no meio do colegial – emendou Chelsea. – Eles estarão realmente pondo em risco a sua saúde mental, Bella.
- A Constituição salvaguarda o direito à vida, à liberdade e a busca da felicidade – acrescentou Embry. – E eu diria que as suas chances de encontrar a felicidade em Nebraska ou seja lá onde for são zero.
- Wyoming – corrigi.
- Dá na mesma – replicou ele. – Uma vez que você sai da Pensilvânia não há mais nada até chegar na Califórnia. Já atravessei o país de carro uma vez. Pode acreditar em mim.
- O Wyoming é legal – comentou Chelsea. – Jackson Hole parece ser um barato. Vi em A vida dos ricos e famosos, na TV. Eles têm fontes de água quente naturais e trenós puxados por cavalos. Muita gente famosa vai lá.
- A gente poderia ir visitar você nas férias, para esquiar – disse Jessica, subitamente tão entusiasmada. – Eu iria adorar me deitar numa nascente de água quente rodeada por um monte de neve. Que romântico!
- Nós não estamos indo morar em Jackson Hole – esclareci com amargura. – Estamos indo morar no fim do mundo, num lugar onde nunca ninguém sequer ouviu falar. Num sítio. A pior coisa que poderia acontecer a alguém.
Eles voltaram a ficar com pena de mim.
- Então simplesmente recuse-se a ir – disse Jessica. – O que eles podem fazer? Levá-la à força em cima dos ombros?
- Meu pai disse que crianças com menos de dezoito anos têm de ir aonde seus pais forem, gostem ou não – expliquei.
- Não se você fizer o maior escândalo – opinou Jane. – Quando não me deixam seguir o meu caminho, ameaço parar de comer. Meus pais têm tanto medo de que eu entre em anorexia que acabam cedendo.
- Só tenho mais umas duas semanas antes de partimos – contei. – Não acredito que conseguiria ficar desnutrida a ponto de beirar a morte em tão pouco tempo.
- Simplesmente fuja de casa – disse Jessica, como se fazer isso fosse a coisa mais simples do mundo. – Esconderíamos você, não é, gente?
- Você terá sempre o meu quarto a disposição, Bella – disse Jacob, me dando um sorriso doce e malicioso.
- Não, falando sério – continuou Jessica. – Se não quer ir, não vá. Você já é quase adulta, e pode morar com algumas de nós. Esconderíamos você até eles irem embora.
- Não poderia fazer isso – disse eu, sacudindo a cabeça. – Eles ficariam doentes de preocupação por minha causa.
- Eles merecem, por não se preocuparem com a sua felicidade – disse Jane. – Quero dizer, ir para o Wyoming é pior do que uma sentença de morte. Você vai morrer de tédio lá.
- Pense a respeito, Bella – disse Jessica. – Nenhuma loja num milhão de quilômetros quadrados, nenhum café, e você vai ter de se conformar com dançar com uns caipiras calçados com aquelas enormes batas de cowboy – ela fez uma pausa e começou a rir. – E vai ter de aprender a dizer ya-hu e iuuiii!
- Pode crer que não pretendo me aproximar o suficiente de nenhum garoto no Wyoming para que ele possa dançar comigo – repliquei – e que não vou aprender a dizer ya-hu.
Na verdade, estou planejando me deitar em minha cama e ficar olhando para o teto até eles perceberem o quanto estou infeliz. Então vão ter de me mandar de volta para cá.
Jacob estava um bom tempo olhando para baixo, na direção de seu capuccino. Então levantou a vista para mim com um grande sorriso no rosto.
- Anime-se, Bella – disse ele. – Você não acredita mesmo que seus pais vão agüentar ficar por lá mais do que uns dois meses, acredita? Eles também estão acostumados com Nova York, lembre-se. Podem achar lindo morar num sitio por algumas semanas, mas espere até nevar e se verem entalados num lugar a dez quilômetros da cidadezinha mais próxima e com um único canal de TV. Aposto que para o Natal vocês já estão de volta.
Olhei para ele com uma expressão esperançosa.
- Você acha mesmo?
- Estou contando com isso – ele respondeu com um movimento afirmativo de cabeça. – Se não, quem vai me aquecer nesse inverno?
Aquilo foi a coisa mais doce que alguém já me dissera, e me senti perigosamente perto das lágrimas de novo.
- Espero, espero mesmo que você esteja certo, Jacob – repliquei.
Gastei as ultimas semanas em Nova York me fartando de fazer tudo que eu sempre havia desejado mais nunca fizera até então. Jacob fez tudo junto comigo, me acompanhando a todos os nossos programas favoritos e vendo todos os filmes possíveis.
- Assim pelo menos não vai morrer de fome cultural – ele brincou.
Que semanas maravilhosas! Jacob e eu começamos realmente a nos entrosar, a nos conhecer. Como eu iria conseguir deixá-lo?
Em minha última ida à Dover School passamos juntos um perfeito dia de outubro. A temperatura estava quente sem ser abafada, e as folhas começavam a ficar douradas nas arvores do Central Park. Passeamos pelo parque juntos, por entre as charretes carregadas de turistas, puxadas por cavalos saltitantes. O Central Park nunca me parecera tão adorável. Nova York nunca me parecera um lugar tão perfeito para se morar. O Central Park ficava no fim do meu quarteirão, e eu quase nunca arranjava tempo para passear nele. Mas naquele dia saboreei cada árvore, cada pedra, cada fonte, dizendo a mim mesma: "Você nunca mais vai ter tudo isso".
- Não consigo acreditar que vou estar na estrada para o Wyoming amanhã de manhã – desabafei.
- Nem eu – disse Jacob. – Bem agora, que estamos começando a nos conhecer, você vai embora. Não é justo.
- Nunca senti nada assim por alguém, Jacob – revelei.
- Sei o que você quer dizer. Você é mesmo muito especial, Bella – confessou, pegando gentilmente na minha mão. – Dizer adeus é duro para mim também.
- Vou pensar em você todos os dias – confessei, sentindo uma lágrima rolar pelo meu rosto.
- Ei, calma – pediu ele -, você não esta indo para o fim do mundo. Existem telefones no Wyoming. Eu vou te ligar todas as noites.
- Isso vai custar uma fortuna.
- Não tem importância – replicou Jacob. – Minha irmã liga a cobrar da universidade a toda hora. Supõe-se que eu tenha direito aos mesmos privilégios. E também existem os aviões. Posso pegar um e dar um pulo lá para te ver.
- Sério?
- Claro. E você também poderia pedir aos seus pais para deixarem você voar para cá de vez em quando, nos feriados e nas férias.
- É mesmo... – me animei, com uma frestinha de luz surgindo na escuridão do meu desespero. – Eles têm obrigação de me permitir isso, não têm? Não podem me manter longe dos meus amigos para sempre.
- É, como eu disse – continuou Jacob -, quando a primeira nevada vier, quando os canos congelarem e não conseguirem encontrar um fettuccine no supermercado local, aposto que eles vão querer correr de volta para a civilização. Na próxima primavera você já vai até ter se esquecido de que um dia esteve fora de Nova York. Vamos assistir a todos os shows novos na Broadway que tiver perdido e patinar no Central Park quando as folhas já estiverem começando a nascer nas árvores novamente.
- Ah, Jacob, você acha mesmo?
Ele sorriu para mim. - Vou estar segurando na sua mão e, quando chegarmos perto de uma árvore enorme como essa, vou pegar você nos meus braços e te beijar, exatamente assim.
Os lábios deles encontraram os meus, e ficamos lá nos beijando, bem apertadinhos.
- Isto é – continuou, brincando, quando já nos apartávamos -, se você não tiver me esquecido até lá. Se não tiver encontrado um cowboy de quem goste mais do que de mim...
- Não brinque com coisas sérias, Jacob – disse eu, brava. – Isso nunca vai acontecer.
Caminhamos de volta para casa, de mãos dadas. Depois de um beijo final de despedida, fiquei olhando enquanto ele se afastava lentamente. Era a última vez que eu o via, sabe lá por quanto tempo. E eu queria me lembrar daquele momento para sempre.
Naquela noite papai entrou em meu quarto no momento em que eu tentava enfiar o resto das minhas coisas numa grande bolsa de náilon que já estava quase estourando.
- Bella, sei que você está louca de raiva pelo que nós estamos fazendo com você... – começou ele. – Sei que você não quer ir, mas, por favor, acredite que estamos fazendo o que achamos que é o melhor para nós todos.
Continuei tentando enfiar um par de sapatos num lugar não existente no canto da mala.
- Quem sabe? – continuou ele. – Pode ser que você acabe gostando de lá...
- Está bem, pai.
- Você pode até descobrir ser uma pessoa que nunca imaginou. Alguém que não precisa de cartões de crédito, roupas caras e festas selvagens para se divertir.
Finalmente consegui enfiar os sapatos na mala e fechei o zíper.
- Sua mãe e eu temos andado preocupados com o quanto essa história de mudança está afetando você – prosseguiu ele – e nós decidimos assumir um compromisso.- Ergui os olhos para ele, cheia de esperanças. - Decidimos que primeiro você deve tentar para valer de adaptar à nova vida. Se no fim do ano letivo você ainda tiver desesperadamente infeliz no Wyoming, então daremos um jeito de mandá-la de volta a Nova York. Está bem assim?
- Melhor do que nada. E aí eu voltaria para a Dover School?
- Não disse isso. Teríamos de pensar nesse detalhe com bastante cuidado. Mais você tem de me prometer que vai tentar de verdade dar uma chance ao Wyoming: nos adaptarmos a um novo estilo de vida vai ser um desafio para todos. Vamos ter de colaborar uns com os outros. Certo, Bella?
Dei um grunhido que poderia ser interpretado como um sim, e ele saiu do meu quarto. Mas uma nova luz de esperança começara a brilhar em minha mente. Se eu conseguisse sobreviver ao resto ano letivo...
oOoOoOo
- Esta via ser a cidadezinha mais próxima a nós – disse papai quando entramos em Cody um vilarejo de sete mil habitantes.
Parecia o próprio Velho Oeste sem tirar nem pôr, como se Butch Cassidy e Sundance Kid fossem aparecer cavalgando pela rua principal a qualquer momento. Havia no máximo uns dois restaurantes e uns três hotéis.
Estávamos na estrada havia uns quatro dias e não tínhamos visto nada além de campo aberto e muitas vacas, e já estávamos todos ficando cansados. Tinha acabado de começar a chover. Todo mundo queria dar uma parada, exceto papai, ansioso para chegar logo ao sítio. Ele não me deixou parar nem sequer para ver se havia um cinema ou um barzinho na cidade, apesar de eu suspeitar que não havia nenhum.
Nessie estava ficando cada vez mais lamurienta. Ela havia visto uma placa que dizia "Bem-vindo a Cody, o portão de entrada do Parque Nacional de Yellowstone", e estava com medo, achando que ia ter de viver entre gêiseres e que poderia ser morta pelos vapores ferventes. Peter começou a recitar estatísticas a respeito do numero de ataques de ursos-pardos a seres humanos que tinha ocorrido recentemente em Yellowstone. Até minha mãe ficou olhando apreensiva e longamente para trás quando caíamos da cidadezinha.
- Acho que é mesmo melhor nós tentarmos chegar à casa do vovô antes de escurecer – disse ela.
- As montanhas já estão bem na nossa frente agora – observou papai, animado.
- Não estamos vendo nada – murmurou Peter.
- Isso é porque as nuvens estão baixas hoje. Num dia claro pode-se ver daqui os picos nevados. É uma vista linda – disse papai.
Ninguém acreditou nele. O mundo inteiro parecia plano e cinza. Estivera tentando lembrar da minha última viagem à casa do vovô e não me lembrei da região ser plana e aberta. Na verdade, lembrei-me de um monte de árvores enormes que faziam barulhos assustadores quando o vento soprava e de um rio de correnteza rápida em que eu tinha caído certa vez, por estar tentando seguir o menino que vivia um pouco mais abaixo na estrada, um calafrio ao me lembrar do pânico que me produzira aquela coisa fria e deslizante presa dentro da minha camiseta. Se aquilo era o que os garotos da região faziam para se divertir, então seria melhor eu tratar de vestir roupas de gola alta e apertada durante todo o tempo em que estivemos no Wyoming.
Abandonamos o que era ridiculamente chamado de "estrada principal" e entramos numa ainda menor. A estradinha começou a subir. Logo as árvores apareceram e depois um riacho. As curvas ascendentes das montanhas se mostraram com clareza, cobertas por um negro manto de pinheiros e por vacas e cavalos que estavam pastando nas encostas.
- Preste atenção para não passar da estrada dessa vez, Charlie – mamãe disse a papai.
- Eu morei aqui por dezoito anos, Renée – papai retrucou.
- Eu sei, mas da última vez você passou da entrada, lembra? Fomos parar quase no topo de uma montanha.
- É logo depois da cerca de madeira – afirmou papai. – Logo depois do posto de gasolina.
Uma placa ao lado da estrada dizia "Indian Falls, população: 625."
- Onde fica essa cidade? – perguntou Peter, desconfiado.
Estava me perguntando a mesma coisa. Através da chuva eu podia ver algumas casa rodeadas de árvores, mais alguns cavalos, uma igrejinha branca, um armazém, uma loja de ferragem e ferramentas com um anúncio de equipamentos de pesca, um posto de gasolina com dois ou três carros parados em frente e um bonito sobrado com uma cerca de madeira.
- Indian Falls é isso ai? – perguntei.
- É isso ai. Há várias comunidades desse tipo ao longo dessa estrada, e acho que há alguns ranchos comunitários também – explicou papai.
- Ya-hu! – disse eu sarcástica, já experimentando o meu novo vocabulário. – Que fascinante! Não vejo a hora de conhecer melhor a região e seus habitantes!
Saímos da estradinha de asfalto e começamos a andar no meio de um estreito vale. A estrada agora era de terra. Já chovia realmente forte, com o vento batendo contra o pára-brisa e dificultando muito a visibilidade.
- Estou com frio. Quero ir para casa – gemeu Nessie.
- Não se preocupe, meu bem, já estamos quase lá – disse papai com suavidade. – Aposto como o vovô vai estar com um grande fogo aceso na lareira e um delicioso jantar quentinho esperando por nós.
As árvores se sacudiam loucamente ao longo da estrada, e papai teve de acender os faróis de neblina. Então, de repente, ele disse:
- Cá estamos, em casa por fim.
Fomos subindo aos trancos e barrancos por um caminho sulcado por pneus de carros, no meio de árvores escuras e bamboleantes. No meio daquela escuridão mal conseguíamos divisar as formas de uma torta casa de fazenda. Uma luz fraca brilhava nas janelas do andar de baixo. A casa era bastante grande, e parecia o lugar mais solitário do mundo. O vento uivava quando estacionamos o carro e descemos, quase nos levando pelos ares enquanto subíamos os degraus da varanda. A grande lareira acesa e o jantar quente de fato soavam como uma ótima idéia naquele momento.
A porta da frente se abriu e um facho de luz se precipitou para fora. Um home alto e musculoso, com o rosto escondido por um chapéu de cowboy, surgiu no umbral e ficou parado, me olhando enquanto eu era varrida ao longo da varanda por uma forte rajada de vento.
- Opa! – gritei enquanto lutava para segurar minha bolsa e meu porta CD.
Quando recuperei o equilíbrio me agarrando a uma das colunas da varanda, reparei que ele não estava usando um gesso na perna. Ele estava andando! Tinha sido tudo um mal-entendido, e poderíamos voltar imediatamente para casa!
- Vovô! – gritei. – Você está andando! Isso é um milagre!
Pude ver uns dentes brancos brilhantes debaixo daquele chapéu.
- Sinto muito desapontá-la, mais isso não é um milagre e eu não sou o seu avô, apesar de dizerem que pareço bastante maduro para minha idade – respondeu uma voz de rapaz.
Dei mais uns passos na direção dele. Quando as luzes do carro não estavam mais me ofuscando, pude ver que se tratava de um jovem cowboy, alto, e com um olhar amigável. Ele ergueu o chapéu para mim e o recolocou na cabeça com um só gesto.
- Sou vizinho do Sr. Swan. Meu pai pediu para eu vir aqui e dar uma olhada se ele não estaria precisando de mantimentos, estava planejando ficar mais um pouco para ver se precisava de ajuda em alguma outra coisa; mas, já que a família veio para tomar conta dele, acho que já vou indo para casa. Tenho certeza de que vocês não querem nenhum estranho zanzando por aqui. Bom, meu nome é Edward. E você é...?
- Bella – respondi, tentando fazer meus dentes pararem de bater por causa do frio e da chuva.
- Bella! – repetiu, com uma expressão subitamente iluminada. – Agora me lembro! Nossa, você sem dúvida cresceu bastante desde a última vez em que a vi. Bella... isso mesmo. Sabia que a conhecia de algum lugar.
Estava tentando desesperadamente me lembrar de onde o tinha visto antes quando, de repente, uma imagem do passado brotou na minha cabeça: um garotinho miúdo pulando com facilidade de pedra em pedra e gritando para mim: "Não é difícil! É só me seguir! Não tenha medo!" E depois nós dois sentados na grama alta, ele se aproximando de mim, e...
- Ei, você é aquele garoto que colocou um sapo nas minhas costas! – exclamei. Um sorriso se espalhou pelo rosto dele.
- Depois de tanto tempo ainda se lembra! – disse ele, balançando a cabeça e sorrindo. – Querida, a sua reação foi algo chocante. Parecia até que eu tinha tentado te matar pelo jeito que saiu correndo na direção da sua mãe. Pensei que ficaria tão encrencado que não iria conseguir nem me sentar por uma semana.
- E ficou? – perguntei.
Havia alguma coisa de cativante no sorriso franco e simpático dele, algo que me fazia continuar conversando mesmo com o vento e a chuva rodopiando à nossa volta.
- Ah, que nada. Só umas cintadas do meu pai – respondeu ele.
- Bella, venha dar uma mão a sua mãe com estas malas! – gritou meu pai,
- Vocês precisam de ajuda? – perguntou Edward.
- Não tudo bem. Dá para a gente se virar – respondi.
Por alguma razão me pareceu importante que ele não achasse que uma família de burguesinhos da cidade estava chegando.
- Bom, eu vou para casa então – disse ele. – O seu avô com certeza vai ficar contente de ter vocês todos por aqui. A gente se vê por ai, Bella.
E, dizendo isso, ele saltou por cima do parapeito da varanda, desaparecendo na escuridão da noite.
- Ora, ora, não fique aí parada deixando todo o ar frio entrar aqui! Entre de uma vez! – explodiu uma grande e sonora voz.
Era meu avô, parado no arco da porta com muletas debaixo dos braços. Uma das pernas dele estava engessada, mas mesmo assim se parecia bastante com o que eu me lembrava: alto, largo, uma densa cabeleira branca e um cabelo grisalho. Uma figura realmente imponente e assustadora.
- Que noite para chegar! – exclamou ele. – Faz uns dois meses que não chove. Todo mundo tem reclamado do calor e da seca, e agora vocês trazem isso. Acho que a gente deveria contratá-los como fazedores de chuva!
Papai escalou os degraus na direção dele.
- Como você está, pai?
- Não tão mal, não tão mal – respondeu vovô. – Esta droga de perna dói um pouco, mas de resto não posso reclamar.
Reparei que não se abraçaram.
- Entrem, entrem – disse vovô.
Nós todos seguimos meu pai e meu avô pelo corredor de entrada.
- Você se lembra da Renée... – disse meu pai, como se estivesse apresentando minha mãe a um estranho.
Mamãe sorriu timidamente.
- E das crianças – continuou papai. – Bella, Peter e Nessie. Digam "oi" para o vovô.
- Meu Deus do céu, não me diga que esses são os seus filhos! – vociferou vovô. – A última vez que nos vimos mal passavam do chão! Você os tem alimentado demais, Renée.
Nessie tinha se aproximado dele.
- Só ficamos mais velhos, bobinho – disse ela, enquanto vovô a acariciava nos cabelos.
Peter e eu ficamos quietos, pouco ansiosos por travar novas amizades.
- Oi, vovô – murmuramos ao mesmo tempo.
- Peter, venha cá – ele pediu. – Deixe-me sentir os seus músculos para ver se vau ser de alguma utilidade para mim laçando novilhos nesta temporada.
Peter me lançou um olhar aterrorizado, mas foi até o nosso avô e teve seus braços inspecionados por ele.
- Nossa... você chama isso de braços? – disse vovô, balançando a cabeça. – Isso são palitos de fósforo. Não dá para laçar nem um coelhinho. Vamos ter de colocar você para trabalhar logo, para criar musculatura.
O olhar de vovô passou então para mim.
- E esta é a Bella – supôs. – Já se tornou uma mocinha, pelo que estou vendo. Você ainda tem medo da própria sombra?
- Nunca tive medo da minha sombra – respondi com frieza. Vovô riu.
- Mas tinha de quase tudo – afirmou ele. – Aranhas, trovões, gado, sapos...
- Só nas minhas costas – emendei rapidamente. Pude ver um brilho divertido nos olhos dele.
- Você cruzou com o jovem Edward Cullen ai fora antes de ele ir embora, não é? Ele tem tomado conta do meu gado. Com essa perna ruim não tenho como fazer isso sozinho. Ele esteve se preparando para receber você, Bella. Andou coletando sapos a semana toda.
- Nesse caso – repliquei, jogando meus cabelos para trás -, é melhor você espalhar por aí que, se algum cabeça-de-vento da região tentar se aproximar de mim com um sapo, vai se arrepender amargamente. Pratiquei caratê e não tenho o menor remorso de exercitar tudo o que aprendi. - Aquilo fez vovô rugir de prazer.
- Mais que vespinha você se tornou! – riu. – Gosto disso.
Então olhou para nós todos parados e desamparados lá no meio do gelado hall de entrada.
- Bom, não fiquem aí parados como estátuas, vamos entrando. Desculpem-me por não haver aquecimento – disse ele quando já entrávamos na sala. – Não receberei óleo dieselpara o aquecimento central antes do começo de novembro, e do jeito que estou não tenho como ir lá fora para cortar lenha.
- Tudo bem – disse mamãe -, nós vamos nos sentir bem depois de uma refeição quente.
- Dêem uma olhada na cozinha e vejam o que conseguem encontrar – disse vovô. – Não tive condições de sair desde que me trouxeram do hospital. Receio que haja poucos mantimentos.
A cozinha era uma graça, com todos os detalhes típicos de uma casa de campo. Havia uma grande mesa de centro, cortinas feitas à mão e muitas plantas. Estava equipada com tudo o que é preciso haver numa cozinha. Exceto, é claro, a comida. A dispensa se encontrava quase vazia. E a geladeira também.
- Já sei, vamos pedir uma pizza– disse Nessie, animada.
- Mas parar de comer comida ponta e passar a comer comida caseira não era um dos principais motivos de nos mudarmos para cá? – observei.
- Bom, mais como vamos comer comida caseira se não há o que cozinhar? – perguntou papai. – Simplesmente vamos ter de abrir uma exceção e comer comida pronta mais uma noite. Vou pegar a lista telefônica. - Vovô começou a rir de novo.
- Mais onde você acha que vai pedir uma pizza, hein? Isso aqui não é Nova York, sabe?
Nem precisava ter se dado ao trabalho de nos lembrar disso. Em Nova York não havia casas frias e úmidas a quilômetros de distância da civilização.
- Então vou sair para comprar uma pizza para nós – disse papai. – deve haver algum lugar que venda comida para viagem. Até uma pizza congelada no mercadinho serviria.
- Eles fecham às cinco – informou vovô.
- Bom, mas precisamos comer algo – replicou papai, com o seu bom humor desvanecendo rapidamente. – Essas crianças ficaram o dia todo sentadas no carro. Vou rodar por ai até encontrar alguma coisa.
Nós descarregamos o resto das coisas do carro sob a chuva e observamos papai tornar a descer a estrada.
- Tome cuidado, amor – gritou mamãe quando ele já saía, com certeza sem ser ouvida por causa do barulho infernal que fazia o vento.
- Imagino que queira arrumar as camas e os quartos lá em cima – disse vovô. – Estive dormindo aqui embaixo no sofá, por causa da perna, e por isso deixo tudo nas suas mãos, Renée. Vai encontrar lençóis limpos no grande armário do corredor.
- Vou ajudar você, mamãe – me dispus.
- Eu também – bradaram Peter e Nessie ao mesmo tempo, não querendo ficar sozinhos com vovô no andar de baixo.
Encontramos várias pilhas limpas e bem-arrumadas de lençóis e fizemos as camas juntos enquanto a chuva batia nas janelas e o vento uivava por entre os batentes. E papai não voltava. Tornamos a descer, e Peter começou a citar todas as possíveis causas de acidente no Wyoming.
- Talvez uma árvore tenha sido derrubada por um raio e caído em cima do carro do papai. Talvez uma vaca tenha pulado uma cerca e aterrissado em cima do papai. Talvez tenha havido uma enchente relâmpago.
- Cala a boca! – gritamos todos ao mesmo tempo, fazendo-o parar por um tempo.
- Garotos esquisitos o seu, Renée – comentou vovô.
- Estão cansados e famintos, é só isso – replicou mamãe. – Onde será que está o Charlie?
- Poderíamos assistir a um pouco de TV – disse Peter. – Jeopardy deve estar passando agora.
Peter se levantou de um salto, mas vovô fez um gesto com o braço para ele voltar a se sentar.
- A TV não está funcionando – revelou vovô.
- A TV não está funcionando? – perguntou Peter, como se vovô tivesse dito que nunca tomava banho.
- Não ter TV vai ser bom para todos nós – ponderou mamãe. – Nunca tivemos tempo para conversar ou ler, e sempre quis ter tempo para essas e outras coisas. Imagine só uma colcha feita em casa estendida na minha cama e saber que eu mesma teci cada ponto!
- Minha esposa fez a colcha que está na cama do antigo quarto de Charlie – disse vovô. – Ela ficava sentada naquele canto costurando durante as noites quando ele era pequeno.
Olhei de um rosto para o outro. Estava acontecendo de verdade: minha família já começara a se "ruralizar". E pelo bem deles eu tinha de aparentar que estava achando tudo normal!
- Como vamos poder alugar dvds se não há TV? – perguntei. – Aposto que não há nenhum cinema mais perto do que em Cody.
- Nem videolocadora – disse vovô, rindo por entre os dentes. – Nem sei dizer se em Cody eles permanecem abertos durante o inverno. A maioria dos estabelecimentos por aqui fecham as portas quando termina a temporada turística. Fica tudo tranqüilíssimo no outono e no inverno.
- O que os garotos fazem para se divertir, então? Aonde eles vão? – insisti.
- Acho que inventam as suas próprias formas de se divertirem – explicou vovô. – Gostam de pescar e têm seus cavalos para fazer coisas como torneios de laço ao novilho. A maior parte deles tem de acordar ao amanhecer para cumprir as tarefas no sítio e, portanto, não podem ficar acordados até tarde da noite como os garotos da cidade.
Olhei para ele boquiaberta de horror. Mamãe olhou para o seu relógio.
- Já são nove e meia – disse ela com uma voz preocupada. – Vocês acham que deveríamos ligar para o xerife? Talvez papai tenha se perdido.
Justo nesse momento a porta de entrada se escancarou dramaticamente, deixando entrar um redemoinho de folhas mortas e um vento frio e úmido. Papai ficou lá parado, ensopado pela chuva, com uma caixa na mão e um olhar selvagem.
- Não há uma única pizza daqui até Chicago! – vociferou ele.
- Tentei te avisar, filho. Eu estava justamente explicando a sua adorável esposa que a maioria dos estabelecimentos comerciais fecham as portas depois da temporada turística.
- Estávamos ficando preocupados com você – disse mamãe, se levantando para pegar a caixa que ele trazia e ajudá-lo a tirar o casaco molhado. – Pensamos que você tivesse se perdido.
- Pensei que você tivesse sido atingido por uma árvore, ou que uma vaca tivesse pulado em cima de você – acrescentou Peter.
- Quase – revelou papai. – A situação está preta lá fora, principalmente na estrada principal. Quase fui arrastado por essa ventania.
- Então você trouxe uma pizza para a gente, papai? – perguntou Nessie. – Encontrou um pouquinho em Chicago?
- Não, meu amor, não encontrei nenhuma pizza. Na verdade tive sorte de encontrar algo. Havia um lugar em Cody que ainda estava aberto, e eles me deram uma caixa de costeleta e um pote de biscoitos.
Ele abriu a caixa e um cheiro quente e gostoso encheu a sala. Jessica tinha me convencido havia pouco tempo de que comer carne era tão errado moralmente quanto maléfico para a saúde. Hesitei, dividida entre os meus novos princípios e o desejo de não passar fome. O cheiro estava me enlouquecendo. O resto de minha família já havia se lançado ao ataque e estavam todos devorando as costeletas como uma tribo da Idade da Pedra. Se eu não agisse rápido, não sobraria nada. Minha fome venceu: peguei um prato e o enchi de costeletas até o topo. Elas estavam macias e suculentas, cheirando a lenha, e com tempero no ponto certo. Fiquei impressionada.
Depois de comermos, Peter e Nessie não precisaram de que lhes dissessem nem uma palavra para irem para a cama. Afinal de contas, já era mais de meia-noite em Nova York, e no Wyoming estávamos em outro fuso horário: o da zona das Montanhas. Meus pais e meu avó foram para a cama também. Eu me sentei na cama do antigo quarto de meu pai, prestando atenção nos assustadores ruídos da noite e me sentindo com muito frio e muito sozinha. Silenciosamente, abri de leve a porta do quarto, de forma que a luz da sala penetrasse um pouco e tirei papel e caneta da minha mala.
Querido Jacob – comecei a escrever -, bem, já estamos aqui, e tudo é mesmo tão ruim quanto imaginei que fosse ser. Não, na verdade é pior. Não posso imaginar um lugar mais deprimente em todo o planeta. Um gelo, sem televisão, um avô rabugento, e estamos tão no fim do mundo quanto alguém poderia estar nesse mundo. O único vizinho é o garoto que uma vez colocou um sapo nas minhas costas. Não se surpreenda se você me vir batendo à sua porta dentro de uma semana...
Parei de escrever porque minha mão estava congelando e eu não conseguia mais continuar. Deslizei para debaixo das cobertas e puxei a colcha feita à mão por cima da minha cabeça. A chuva martelava na janela e o vento assobiava. "Eu não vou aguentar isto. Eu não vou aguentar isto", sussurrei uma e outra vez para mim mesma.
N/A: Gente, eu to brava. Não, eu estou louca de brava. Eu disse semana passada pra Dayane (DaysCullenB.S.) que eu ia postar na segunda passada. Olha que felicidade. Eu mandei o pc pra formatar, mas pedi, implorei pro cara fazer backup. E o filho da mãe disse que ia fazer. Agora me respondem, vocês acham que ele fez?
O phoda foi que eu perdi tudo: os originais, os adaptados, história minhas, TUDO. E ao que parece, a nossa conexão com a internet foi junto... Voltou hoje, por isso corri pra postar pra vocês a primeira aparição do Edward o/
Meninas, a Bella encontrou o Edward, e pelo jeito vai haver um pequeno (bem pequenino) desentendimento. Ah, vocês não tem idéia do próximo capitulo da Bella no colégio novo... e voces viram que vontade de amassar o Peter de beijocas? Sério, até ele citando as prováveis estatisticas de mortes é muito engraçado. E vocês acharam que Forks era pequena com três mil habitantes? Indian falls tem 625...
Um beijão pra Kathyanne, DaysCullenB.S. e pra naatalya13 pelas reviews flores eeee
Os dias de postagens vão ser toda semana na terça ok? Estou querendo estrear outras adaps, por que agora estou de férias (uhuul o/). Pode ser que seja essasemana ainda. Fiquem alertas...
Enfim, é isso, deixem mais uma pessoa feliz com apenas um clicar de botão. Faz toda a diferença, podem acreditar,
bjcas,
Days3.
