Bem, então... eu acabei enrolando demais nesse capítulo e ainda não é dessa vez que o Ikki aparece... Mas quem se importa! O Ikki não é importante pra essa história XD
Ah e muitíssimo obrigada aos reviews maravilhosos que essa fic está recebendo Cada vez que recebo um novo fico com mais vontade de escrever! Só não digo que vá ser muito rápido... As vezes a preguiça é mais forte TT Mas eu não vou de jeito nenhum deixar essa história incompleta!
Obrigada pela paciência e espero que gostem do terceiro capítulo!
Capítulo 3 – O Reencontro
Hyoga chegou à mansão um pouco depois das três da tarde. Depois de ganhar a luta contra Hidra foi chamado por Saori para conversarem numa sala reservada no próprio Coliseu, ficou resolvido que o Cisne permaneceria até o fim das lutas e que poderia se hospedar na mansão caso não tivesse para onde ir.
Não voltou para a fundação de imediato, preferiu andar sozinho pelas ruas de Tókio há voltar para aquela casa que tanto lhe despertaria lembranças.
O sol estava forte naquele dia e o loiro andava pensativo por entre o amontoado de gente nas calçadas. Lembrava de sua conversa com Saori há apenas algumas horas atrás. A garota havia lhe explicado que seu avô tinha deixado uma armadura de Ouro vinda do Santuário para ela e que este era o prêmio que o vencedor do torneio receberia. O rapaz não se importou nem um pouco ao saber da tal armadura, afinal não tinha ido até lá por interesses próprios, e depois de muita discussão sobre o que era certo ou errado Hyoga decidiu que seria melhor ficar e por curiosidade pediu os nomes dos outros participantes. Seiya, Shiryu, Icchi, Jabu e Ban ele já tinha visto no coliseu, ainda faltavam quatro. Bem, três, afinal ninguém sabia quem era Fênix e nem se ele apareceria. A figura sorridente de Saori lhe voltou à cabeça:
"Sabe... Dentre esses três tem alguém que acho que você vai gostar de encontrar... Lembra-se de Shun? Vocês se davam muito bem não é verdade?"
- É claro que eu lembro... – pensava enquanto passava pelos portões de metal na entrada da mansão – Só não sei por que ela acha que eu ficaria feliz...
OoOoOoOoOoO
A primeira coisa que o cavaleiro de Andrômeda fez ao voltar à mansão foi tomar um bom e relaxante banho de espuma. Aproveitou que todos ainda estavam no coliseu para ficar horas na banheira apenas pensando nas coisas que estavam acontecendo desde que voltara ao Japão. Primeiro teve que lidar com o fato de que seu irmão estava desaparecido e que de nada tinha adiantado sofrer tantos anos pra conseguir a armadura, depois se meteu em um torneio sem sentido para fazer a coisa que mais odiava e quando finalmente achou que iria reencontrar um bom amigo percebeu que o tempo realmente pode mudar as pessoas.
Shun fechou os olhos afundando um pouco mais na banheira, deixando apenas parte de seu rosto fora da água. Pensou que de repente estava sendo injusto com o antigo amigo:
"Afinal, quem normal ficaria feliz durante uma luta? É claro que ele estava com aquela cara... Não devia estar querendo lutar, mas o fez mesmo assim. Eu devia ir falar com ele... Talvez não esteja tão mudado e foi tudo coisa da minha cabeça... Quem sou eu pra julgar alguém assim, sem ao menos trocar uma palavra? Mas eu nem sei se ele vai ficar aqui... Bem, amanhã eu o verei de novo..."
Suspirou fazendo bolhas se formarem na água, apoiou-se na borda da banheira e se levantou sem se importar com os pingos que molhavam o piso gelado, com uma toalha pequena tirou o excesso de água dos cabelos para então se enrolar num roupão branco e ir para o quarto se vestir. Não se importou em ver se tinha alguém no corredor já que por sorte, o único quarto ocupado naquela ala era o dele. Olhou para o relógio ao lado da cama, já eram duas da tarde! Realmente tinha se esquecido da vida naquela banheira!
O almoço já devia ter sido servido, mas não se importou com isso, não estava com fome e nem a fim de encontrar-se com ninguém. Sabia que outra conversa chata sobre o torneio iria começar caso esbarrasse com alguém no caminho, era só sobre isso que se falava naquela casa! Resolveu então terminar de ler o pequeno romance que tinha escolhido na biblioteca no dia anterior, sentou na cama recostando-se na cabeceira e recomeçou sua leitura.
Shun adorava ler, descobriu os livros com seu mestre enquanto treinava na Ilha de Andrômeda.Albiore era o cavaleiro de prata de Cefeu, e esse na mitologia grega era o pai de Andrômeda. Shun sentia que realmente Albiore o tratava como um filho; talvez por ter percebido logo de início o quão frágil o garoto era o cavaleiro de prata fazia de tudo para fazê-lo se sentir melhor, todos naquela ilha sabiam que Shun era o protegido do mestre.
No primeiro aniversário de Shun depois de chegar à Ilha, Albiore o levou a uma pequena casa de madeira. Lá havia apenas um aposento com uma mesa de duas cadeiras e no fundo umas cinco estantes cheias de livros em japonês.
"Sei o quanto o treinamento é duro, pois já passei por isso Shun. Mas sei também que você é diferente dos demais rapazes que chegam aqui em busca da armadura. Você não tem cobiça nem maldade e essas são qualidades que eu não quero que você perca nunca. Uma coisa que me ajudou muito durante meu treinamento foram os livros, eles faziam eu me lembrar do mundo lá fora e de todas as coisas que eu ainda não tinha experimentado. Os livros nos fazem sonhar e sonhos são o que nos impulsionam a continuar vivendo. Sempre que você se sentir triste, desanimado ou estiver com muitas coisas na cabeça fique a vontade para vir aqui e esquecer de seus problemas... Espero que tenha gostado de seu presente."
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Depois de deixar suas coisas num quarto vazio qualquer Hyoga resolveu dar uma volta pela casa, o segundo andar era praticamente só de quartos e duas salas de descanso, em cada uma havia dois sofás, uma mesa com quatro cadeiras e uma estante onde ficava a televisão, vídeo, som e afins. Em uma das salas estavam reunidos alguns cavaleiros, e o loiro que não estava nem um pouco a fim de conversas, tratou de descer antes que o vissem por ali.
No andar de baixo ficava o salão, a cozinha, escritórios, salas de reunião e uma imensa biblioteca que não lembrava ter entrado nunca. Resolveu entrar no aposento vazio, pelo menos ali poderia ficar em paz! Passou os olhos rapidamente pela imensa coleção de livros, dicionários, revistas, enfim... Tudo que tivesse a ver com leitura parecia estar naquela biblioteca. Dando uma segunda olhada percebeu que havia ali livros de várias partes do mundo: Ásia, América, Europa... Apenas por curiosidade andou por entre as estantes até o fundo da sala, onde ficava a parte de livros russos e pegou um aleatoriamente virando as páginas sem muito cuidado. Estava tão impressionado com a quantidade de livros que nem ao menos ouviu o rangido da porta se abrindo.
Shun por sua vez havia terminado sua leitura e voltou à biblioteca para devolver o livro que pegara emprestado e, quem sabe, até pegar outro. Quase instintivamente seguiu o caminho até a prateleira de onde pegara seu exemplar e começou a passar os olhos pelos outros títulos de romance que estavam por perto. Eram tantas as opções que o garoto sentia que podia ficar o dia todo ali até realmente se decidir por um titulo.
Hyoga, que finalmente tinha percebido não estar sozinho, recolocou o livro que estava folheando no lugar tentando não chamar a atenção do visitante. Deu alguns passos silenciosos para sua esquerda, mas o que não havia percebido é que a colocação das imensas estantes formava quase um labirinto! Umas viradas para um lado, outras de frente, corredores e mais corredores de livros o separavam da única entrada. Olhou para os lados tentando se localizar, estava bem no fundo do aposento e ouvia os passos da pessoa que tinha entrado se aproximando cada vez mais de onde estava.
A última coisa que queria naquele momento era se encontrar com alguém, não tinha assunto com nenhum daqueles cavaleiros e nem estava a fim de perder seu tempo conversando sobre as futilidades daquele torneio! Resolveu seguir o corredor oposto ao de onde vinham os passos (que as vezes paravam, talvez por que a pessoa estivesse vendo os livros). Colocou as mãos nos bolsos e olhou fixamente para frente seguindo reto e virando apenas quando via que ia de encontro a uma das estantes.
Shun já tinha escolhido o livro que iria ler em seguida e andava desatendo lendo a contra capa pela segunda vez para ter certeza de que iria gostar da história.
Estava prestes a contornar um dos corredores quando vê uma silhueta bem próxima de si, solta um gritinho abafado no mesmo instante em que o outro rapaz soltava uma exclamação em uma língua que não conhecia. Os dois conseguiram parar segundos antes do que seria uma baita colisão! Andrômeda deu alguns passos para trás olhando para o rapaz loiro que se apoiava em uma das escadas usadas para alcançar a prateleiras mais altas.
- Me desculpe, eu não sabia que havia mais alguém aqui! Eu devia estar prestando mais atenção... Desculpe...
Shun não sabia o que fazer a não ser se desculpar, mesmo sabendo que não tinha culpa nenhuma no quase acontecido. Hyoga estava bem ali na sua frente, mas não dizia nada, sua cabeça estava abaixada e os fios loiros escondiam sua feição. A mão esquerda ainda segurava o ferro da escada e ele não se movia. O rapaz mais novo percebendo que o outro não lhe dirigia a palavra apenas engoliu em seco e passou direto seguindo pelo caminho que o levaria a saída.
O russo continuou no mesmo lugar até ouvir a porta se fechando, passou a mão no rosto tirando o cabelo dos olhos. Não sabia ao certo o que o tinha levado a agir daquele jeito, queria dizer alguma coisa para o rapaz, queria dizer que não tinha por que se desculpar, mas suas palavras ficaram engasgadas e suas pernas se recusavam a sair do lugar. Sentiu os nós dos dedos doendo e só então percebeu que ainda segurava com força a escada
"Boa reação Hyoga... Se for agir assim com todo mundo que falar com você é melhor nem chegar perto de ninguém mesmo!"
Achou melhor então ir para o quarto e ficar sozinho por ali. Jogou-se na cama colocando os dois braços atrás da cabeça, olhava para o teto branco e alto vendo as pequenas linhas de rachadura que se formavam até nas mais bem feitas construções. Não podia parar de pensar no incidente na biblioteca... E principalmente em como Shun estava diferente do que imaginava. Os outros, pelo que tinha visto, continuavam muito parecidos, mas Shun tinha mudado bastante, seu rosto estava mais delicado, o cabelo mais comprido... Na verdade não tinha visto muita coisa já que não tinha conseguido manter os olhos fixos no rapaz, mas não precisou olhar para ele para saber que sua atitude em permanecer calado não tinha sido muito agradável ao cavaleiro de Andrômeda.
"Isso não importa... De que adianta tentar recomeçar uma amizade que não vai ter futuro nenhum? Assim que esse torneio terminar vou voltar pra casa e não verei nenhum deles novamente. É melhor mesmo se manterem longe de mim... Não tenho nada a oferecer a ninguém."
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Naquele dia completava uma semana que tinha chegado ao orfanato. Hyoga estava no jardim sentado à sombra de uma grossa árvore, podia ouvir as vozes e risadas das crianças brincando, mas não queria se juntar a elas. Como conseguiam ficar tão felizes? Eles não tinham ninguém, eram órfãos e sozinhos, como podiam sorrir e brincar daquele jeito? Será que ele era o único dentre aqueles garotos que se sentia assim?
- Seu nome é Hyoga não é mesmo?
O loiro olhou para o menino de pé ao seu lado, sua pele era branca, tão branca quanto a neve que costumava cair perto de sua casa. Seus olhos grandes eram de um verde lívido e brilhavam ainda mais por causa dos raios de sol que os atingiam.
- Nii-chan sempre me diz para não falar com estranhos, mas como eu vou conhecer alguém se não falar com eles?
O menino deu um sorriso e sentou-se junto com o outro sem nem esperar por um convite. Olhou para o terço que o loiro escondia entre as pequenas mãos e aumentou o sorriso nos lábios.
- Você também é cristão? Não é muito comum por aqui não é? Eu e meu nii-chan também somos. Vamos à missa toda semana, você vai à missa Hyoga?
Novamente não recebeu resposta, mas seu sorriso continuava lá, radiante e gentil.
Hyoga não entendia o porquê de aquele garoto estar ali falando com ele, mas se sentia bem por tê-lo ali, sua voz era calma e baixa... Era relaxante assim como sua presença.
- Você não é de falar muito não é? Ahh... Será que você não fala japonês?
- Falo...
Hyoga disse quase instantaneamente, não queria que o menino fosse embora e o deixasse sozinho novamente.
- Não muito bem, mas...
- Pois está falando tudo certinho! Ah, quase me esqueço... Meu nome é Shun.
- Shun...?
Hyoga franziu a testa pensando no significado do nome. Shun soltou uma pequena risada vendo a expressão do outro. Levou o dedo indicador até uma pequena parte de terra e desenhou o kanji de seu nome. (shun instante, momento)
- É assim mesmo... Pode ser estranho, mas e o seu? Hyoga... Sua mãe devia gostar muito de frio! (hyoga glacial, relativo ao gelo)- Estava... Nevando no dia que eu nasci... Lá em casa neva muito... E mama dizia gostar... Gostava... Desse nome...
Hyoga falava devagar, escolhendo bem as palavras para não errar, seu sotaque soviético dificultava um pouco na hora de pronunciar corretamente as palavras em japonês. Shun ouvia tudo com atenção sem tirar seu sorriso do rosto em nenhum momento.
- E onde você mora?
- Rússia...
- "Luchia?" Onde fica isso?
Shun coçou a cabeça e olhou para a árvore grossa tentando lembrar se já tinha ouvido falar no lugar, mas sua atenção se voltou rapidamente para o loiro que tentava esconder um sorriso com uma das mãos.
- Do que está rindo?
- Você... Disse Luchia...
- E não é assim?
Hyoga balançou a cabeça negativamente ainda tentando disfarçar a sorriso, sentiu as mãos de Shun sobre a sua puxando-a para longe de seu rosto.
- Assim é melhor... Seu sorriso é bonito, não devia tentar esconder de ninguém. – tirou as mãos de cima da do russo e abraçou os próprios joelhos – Além do mais se falar com as mãos na boca ai mesmo é que não vou entender o nome do lugar!
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Hyoga abriu os olhos azuis devagar tentando colocar o pensamento em ordem, estava escuro e silencioso, devia ter adormecido ao deitar na cama.
Sentou-se na beirada do colchão colocando os pés descalços no piso frio, mas ele não ligava para o frio, estava mais do que acostumado. Passou as mãos pelo rosto tentando espantar o sono de seu corpo cansado.
"Que raio de sonho foi esse? Não... Aquilo não foi um sonho, é uma lembrança..." –passou os dedos pelo cabelo olhando para a escuridão do quarto - "E eu que pensava que voltar pra cá ia ser fácil...".
Lembrou que não comia nada desde que chegou e resolveu fazer uma rápida visita à cozinha. Eram duas e quarenta da madrugada e o andar de baixo estava completamente vazio, pois todos iriam acordar cedo para a luta que aconteceria naquela manhã. Depois disso, não conseguiu mais dormir.
