Emily POV
Antes de ir pra faculdade, eu passava muito tempo aqui, aproveitando do silêncio e da calmaria.
Quando estava com problemas, era onde eu costumava vir para pensar. E o fato de não me sentir assim hoje, me fez perder a cabeça.
Observei a praia e a casa por alguns minutos antes de pensar em algo concreto. Era hora de tomar as rédeas da situação. Enquanto descia as escadas, reuni o máximo de coragem e fui até lá.
Todas as luzes estavam acesas. Ela devia estar acordada ainda. Bati na porta e esperei.
Ouvi seus passos na escada e senti meu coração acelerar. Enquanto isso, minha coragem diminuía. Comecei a considerar minhas rotas de fuga.
Eu poderia dizer que minha mãe precisava de alguma coisa, - mas ela saberia da verdade - ou talvez eu pudesse dizer que estava de passagem e passei pra saber se estava tudo bem, dar as boas vindas...
– Daniel! – a porta se abriu e lá estava ela, surpresa por me ver ali – O que faz aqui?
– Emily, será... – gaguejei – será que podemos conversar?
– Claro, entre. – ela disse, saindo da porta e indicando o interior da casa – Quer beber alguma coisa?
– Não, obrigada. – eu disse, enquanto sentava no sofá – Me desculpe por aparecer sem avisar. É só que eu não conseguia controlar meus pensamentos.
– Sei como é – respondeu, sentando no sofá.
– Sua casa é linda. – comentei, notando algumas caixas ainda fechadas que precisavam da atenção dela.
Ela sorriu de uma maneira única. Era difícil não olhar pra ela. Vi seu rosto corar e desviei o olhar.
Ela deve ter percebido o tamanho da minha queda por ela ou está pensando que sou um maníaco.
Minha situação piorava a cada momento enquanto o pânico me atingia. Era bom eu começar a falar ou a situação seria, no mínimo, constrangedora.
– Bom, vou ser direto. – respirei fundo e a olhei – O que acha de jantarmos juntos amanhã pra comemorarmos sua chegada aos Hamptons?
Esperei pela sua resposta. Ela parecia um pouco surpresa.
– Prometo que serei legal e responderei todas as perguntas que quiser.
– Daniel... – ponderou.
Quase podia ver seu debate interno. A curiosidade e a incerteza eram visíveis.
– Certo. – respondeu – Você venceu.
– Isso é... ótimo! – respondi, aliviado.
Levantei e caminhei em direção a porta.
– Que tal às sete?
Parei na frente da porta e vi um sorriso se esgueirando pelo canto de sua boca e eu mesmo não consegui esconder o sorriso presunçoso que se instalou em meu rosto.
– Um jantar e nada mais, Don Juan. – ela disse, enquanto abria a porta dando um sinal claro de que nossa conversa tinha chegado ao fim.
– Me encontre nas docas amanhã.
Ela me observou por alguns instantes e eu voltei pra casa feliz. A sensação de estar sendo sufocado passou e eu soube que Emily seria como uma droga pra mim. Viciante e letal. Ela seria o meu fim. Eu era um caso perdido.
Dia seguinte...
Acordei cedo e desci pra tomar café com minha família. Papai, mamãe e Charlotte já estavam à mesa quando me juntei a eles.
Mamãe foi a primeira a comentar a minha fuga do dia anterior e perguntar qual era o motivo da minha alegria. Dei a ela uma desculpa qualquer, esperando que fosse o suficiente pra mantê-la longe por enquanto. Ao sair, não percebi que ela me observava.
Mas como é do conhecimento de todos, nada nem ninguém escapam de Victória Grayson. Nem mesmo seus filhos.
Terminei de tomar meu café da manhã em silêncio e me retirei em seguida.
Fui pra praia dar um mergulho e esperar que as horas passassem. Andar pela orla e mergulhar eram meus passatempos favoritos quando mais jovem. Distraí-me por um tempo e agora eu precisava ir.
Antes das sete eu estava lá, bebendo do meu copo de uísque observando o vai e vem das pessoas. E lá estava ela, gloriosamente vestida vindo em minha direção. O vestido que Emily usava era de deixar as outras mulheres no recinto com inveja.
Quando me viu, abriu um sorriso perfeito, acenou e se aproximou.
–Oi. – dissemos ao mesmo tempo, rindo em seguida.
Nos sentamos e logo o garçom anotou nossos pedidos. O jantar foi servido e trocamos vários olhares. Emily fez perguntas sobre minha família, meu trabalho e a faculdade e eu as respondia tranqüilamente.
– Como você se vê daqui a dez anos, Daniel? – perguntou.
– Quero achar alguém especial pra compartilhar minhas alegrias e tristezas, ter minha própria editora, viajar mais, construir uma família. – respondi – E você?
– Você resumiu bem o que eu ia dizer, sabe? – rimos juntos. Peguei suas mãos que repousavam sobre a mesa.
Eu sabia que era cedo demais para esse tipo de pensamento. Isso era apenas uma das conseqüências do vinho e do uísque combinados.
– Vai ver daqui dez anos nós estaremos juntos num lugar como esse e nos lembraremos do dia de hoje.
– Acho que seria uma boa recordação. – ela disse, apertando minha mão na dela suavemente.
Nosso jantar foi agradável do começo ao fim e eu cumpri minha promessa de responder tudo o que ela quisesse saber. Ouvimos trovões ao longe.
– Acho melhor voltarmos pra casa. – ela comentou. – Antes que chova.
– Venha, vou te deixar lá. – eu disse, colocando algumas notas em cima da mesa.
A casa não era longe, mas na metade do caminho a chuva nos pegou desprevenidos.
Quando paramos à sua porta, duas poças se formavam onde paramos.
Estávamos congelando!
Emily abriu a porta e me convidou para entrar e esperar que a chuva passasse.
Subiu as escadas em busca de toalhas e quando voltou seu corpo ainda tremia. Minha vontade era abraçá-la e não deixá-la nunca mais.
Quando ela me olhou, não resisti e a beijei como se não houvesse amanhã.
Seus lábios eram macios e tinham um leve sabor de cereja.
Minhas mãos passeavam pelo seu corpo enquanto eu a beijava e nos deitávamos no sofá. O vestido molhado logo não estava mais em seu corpo e eu pude observar sua beleza.
Ela era ainda mais linda nua.
– Você é linda. – eu disse, parando pra observá-la. – Eu te quis desde a primeira vez que te vi. Quis provar da sua boca e me perder em você. Me apaixonei perdidamente.
Beijo no pescoço. Beijo na boca.
Mãos por toda parte.
Unhas me arranhando.
Perfeição.
Depois de algumas horas fomos vencidos pelo cansaço. Eu não queria que aquela noite acabasse.
A chuva caia lá fora e Emily repousava nos meus braços. Queria mantê-la ali para sempre e eu já estava trabalhando num plano pra que isso acontecesse.
