Zanba ficou ali parado, com cara de paisagem, parecendo não se importar que os outros garotos o olhasse como a atração principal de um circo.

Embora todos estivessem surpresos com a presença do gigante de Ryoin ali, ninguém parecia mais nervoso que Gion. Mesmo que naquela hora, ele próprio tivesse feito o convite a Zanba, e o outro aceitado, ver o cara ali, todo arrumado esperando por ele, era mesmo de morrer; de amores, é claro.

— Ryu… - san? - Gion o chamou pelo nome, mais para ter certeza de que ele era mesmo real do que para ganhar atenção.

— RYU-SAN? - Oharano, Raita e Iwashimizu repetiram em coro a forma íntima com que Gion se dirigiu ao gigante de Ryoin.

— Gion. - finalmente Zanba o encarou com um leve sorriso até que bastante amigável. – A gente ainda vai? - Gion ficou parado feito um "dois de paus", com a boca aberta, como se esperasse que alguma coisa descente, além de ar, pudesse sair de lá. – Sair? Para comer? - Agora foi a vez de Zanba demonstrar um pouco de preocupação. Pensou se por um acaso teria se enganado com o convite.

— C… CLARO! A GENTE VAI SIM! - Gion gritou eufórico como costumava fazer, sempre que conseguia uma oportunidade de jogar nas partidas de rugby.

— E você vai assim? - Zanba sorriu, indicando a toalha ainda presa na cintura de Gion.

— Claro que não. Ele estava justamente se arrumando, antes de você chegar, né Gion-kun? - Raita deu uma cotovelada em Gion que permanecia imóvel, olhando para Zanba.

— Aqui, Gion você deixou sua roupa ali no banheiro, lembra? - Oharano fez um sinal discreto para que Gion o seguisse.

— Oh, é mesmo. E… eu já volto, espere ai Ryu-san. - Zanba apenas acenou com a cabeça, enquanto Gion corria até o banheiro, sendo seguido por Oharano, Iwashimizu e Raita, que parecia eufórico.

— Garotos. Tão estranhos! - a gerente de Jinko sorriu nervosa, se perguntando se dizer a um garoto que garotos eram estranhos não era uma coisa meio sem noção.

Dentro do pequeno banheiro, Gion olhava curioso para a cara dos três colegas ali.

— Oharano, cadê a roupa que você disse?

— Acorda Gion, não tem roupa nenhuma, não sou seu estilista, idiota!

— Gion-kun a gente só queria saber… então é mesmo verdade; você tá saindo com o Zanba do Ryoin? Eu sabia, foi amor a primeira vista? - Raita estava a beira de um ataque de fangirl.

— Gion-kun, então você gosta mesmo de caras altos e tímidos, né?

— OE CALEM A BOCA, TODOS VOCÊS! - os garotos voaram em Gion para fazê-lo parar de gritar, ou Zanba acabaria ouvindo tudo. – Oe tronco, eu já disse que não gosto… ah, deixa para lá. - Gion encarou Oharano por um tempo. – Oh, Oharano! Me ajuda ai vai; o que eu visto?

— Eu sei lá! Veste o que você tiver.

— Bom eu tenho o uniforme de rugby meio sujo, duas cuecas, uma sunga, três pares de meia, …

— Idiota! - Oharano se levantou do chão. – Raita, empresta aquela sua calça preta pro Gion.

— Eu não sei se serve, eu sou magro, o Gion é bem mais encorpado.

Oharano saiu pela porta. Raita ficou espiando.

— Raita, ele ainda tá lá, né? - Gion tentava olhar pela fresta da porta, mas, Iwashimizu e Raita bloqueavam totalmente sua visão.

— Ele está lá sim, Gion-kun! A Ume-chan está conversando com ele.

Depois de pouco tempo, Oharano voltou com uma camiseta cinza, e os tênis de Gion.

— Aqui esta camiseta é minha, é nova. A calça do Raita, parece que não serve mesmo, então peguei o seu short que você trocou hoje antes do jantar; ele tá legal. E seu tênis; taquei talco nele. Agora se veste logo que ele está com uma cara horrível, acho que tá irritado com a sua demora.

Gion se vestiu na velocidade da luz.

— E o que eu faço com o meu cabelo?

— Se toca Gion, quer uma presilha de florzinha para prender ele? - Oharano deu um tapa em Gion. – Tá ótimo assim, para de frescura. Você pode até estar saindo com um cara, mas, não se esqueça que é um também; anão!

— Ora seu…

Antes que Gion pudesse continuar a brigar, os garotos o "jogaram" para fora do banheiro.

Zanba estava sentado em uma cadeira próximo a porta, mas, assim que viu Gion ali, se levantou.

Foi ai que Gion pode reparar em como Zanba estava realmente bonito.

Ele usava uma camisa preta de mangas curtas, um jeans bem claro e meio surrado, com um tênis na mesma coloração do jeans. Um cheiro delicioso invadiu o olfato de Gion, fazendo-o corar; Zanba tinha passado bastante perfume.

— Gion, você já está pronto; podemos ir? - a voz grave do jogador o tirou de seu transe.

— Ah… claro! Deixa eu só pegar a minha… - uma mão saiu de dentro da porta do banheiro, estendendo a carteira para ele. Gion muito assustado, pegou a carteira da mão ali, que fez um pequeno sinal de "joia" e sumiu, fechando novamente a porta. – … carteira. - Gion sorriu amarelo de vergonha para Zanba, que apenas retribuiu, sorrindo também.

Os dois saíram do acampamento, sob olhares curiosos, de todos os outros jogadores ali na pousada. Gion não conseguia evitar de corar quando pensava no verdadeiro motivo que o levou a chamar Zanba para sair. Às vezes, ficava se perguntando se Zanba desconfiava de algo.

Os dois caminhavam lado a lado, mas não trocavam uma única palavra.

Depois de um bom tempo, Zanba parou de andar, chamando a atenção de Gion.

— O que foi, Ryu-san?

— Ah, a gente ia fazer o que mesmo?

— É… comer?

Zanba deu uma boa olhada em volta.

— Mas tá tudo fechado, não tem nada aqui.

Gion ficou apreensivo. Era verdade, não havia uma única loja aberta aquele horário. Mais uma vez, percebeu o descontentamento do gigante de Ryoin. Precisava de uma saída, e rápido.

— Olha, uma máquina de doces. - Gion mais uma vez ficou eufórico. – Deixa que eu pego um para você.

Os dois foram até a máquina. Zanba escolheu um doce qualquer.

Quando Gion abriu sua carteira, para pegar o dinheiro, levou um choque ao ver que ela estava lotada de preservativos; pelo menos uns três, caíram no chão. Gion ficou vermelho, e não dava para saber se era mais de vergonha ou de raiva. Aqueles três iriam pagar depois, por essa pegadinha de mau gosto.

— Legal você vir prevenido, Gion, mas, acho que isso não serve. - Zanba recolheu os preservativos do chão os entregando a Gion, que corou ainda mais.

— S… sério? Não serve? - Gion deu uma olhada nada discreta para o corpo de Zanba.

— Eu quis dizer que não servem para comprar doces. - Zanba acabou ficando um pouco desconfortável também. Zanba olhava distraído para um dos preservativos em sua mão.

Gion ignorou o fato de que ainda estava muito constrangido, e colocou o dinheiro na máquina, retirando o doce em seguida.

Os dois ficaram ali, parados. Zanba, sério, encarando o plástico brilhante do preservativo, e Gion, cada vez mais vermelho, vendo Zanba olhar para o objeto.

— E… então, você quer?

— O quê? - Zanba apertou nervoso o objeto em suas enormes mãos. Foi quando percebeu que Gion estava oferecendo o doce a ele. – Ah o doce.

— É… o doce.

Os dois voltaram ao acampamento do Jinko. Se setaram nas arquibancadas, porque Zanba não gostava de comer enquanto caminhava.

Depois de comer, o gigante de Ryoin enfiou a mão no bolso para guardar o papel do doce. Percebeu que tinha esquecido de devolver o preservativo a Gion. Achou melhor não tocar mais naquele assunto.

— Desculpa, Zanba. - Gion parecia desapontado.

— Hun? Pelo quê?

— Por estragar tudo. Primeiro, foi o seu crepe, e agora, só um doce estúpido e comum. Eu sei que você ama coisas doces.

— Gion, você me chamou para sair, como pedidos de desculpas, e pagou um doce para mim; não foi isso que você disse ontem, quando me convidou? E lembra que fui eu quem combinou o horário?

— É. É verdade. Então, tá tudo bem, né? - Gion sorriu doce para Zanba, que retribuiu mais uma vez.

— Eu gostei de você, Gion. Você é a pessoa mais doce que eu conheci até hoje. - Zanba se levantou e caminhou um pouco em direção a saída. Antes de ir embora, se virou para Gion. – E você tem razão, Gion-kun; eu amo coisas doces.