Capítulo 2
Tinha o sinal da cruz marcada em suas costas. A visão da pálida cicatriz marcada a fogo em sua pele dourada fazia com que o coração de Kagome se acelerasse pela antecipação. O inglês tinha estado certo. Este Inuyasha fez em si próprio a mesma marca que Naraku e o resto de seus vis irmãos. Tinham sido marcados pela igreja com um ardente sinal de prata de sua suposta penitência.
Não havia nada penitente sobre esta... coisa, não importa quão angélico ele parecesse enquanto dormisse.
Estava dolorida e machucada de sua batalha, mas Ushino tinha sofrido a maioria. Ele a tinha ajudado a ferir Inuyasha com sua espada, mas havia pago por sua valentia com um braço quebrado. Poderia passar muito tempo antes que fosse capaz de lutar de novo.
-Este é ele?
Kagome desviou sua atenção do vampiro o tempo suficiente para olhar à menina na entrada. -Olá, Sango, - respondeu em romeno. -Sim, é.-
A menina se adiantou, entrando no porão esfumaçado por tochas que servia de refúgio, armazém e cela. Aos dezesseis era alta, esbelta e bela. Ushino tinha grandes esperanças para o matrimônio de sua filha, mas Sango queria ser uma caçadora de vampiros como Kagome.
Kagome sinceramente esperava que escolhesse o matrimônio em vez disso.
Os olhos escuros de Sango se estreitaram quando olhou fixamente ao detento. -Achei que seria feio.
Eles tinham tirado sua camisa e seus sapatos em caso de que tivesse armas ocultas dentro. A roupa não podia ajustar sobre as algemas que tinham fechado nele, assim tinha sido deixada fora. Agora Kagome desejava que eles tivessem posto ao menos uma manta sobre ele. Sango não deveria estar olhando a um homem seminu, mesmo se fosse um vampiro.
Especialmente não um vampiro como Inuyasha, que não duvidaria de sua habilidade ao seduzir a sua presa dentro de seu abraço sombrio.
-É feio, - Kagome a informou friamente. -No interior.
Mas seu exterior era belo, algo que ela nunca, nenhuma vez admitiria. Era alto e musculoso, bronzeado e gracioso. Seu cabelo era longo e com uma cor prateada. Sua boca era tão sensual quanto cruel e seus olhos se mostravam dilatados como os de um falcão, de cor ouro esverdeado. Quando a tinha olhado antes a havia deixado sem fôlego A única imperfeição tinha sido a sujeira debaixo de suas unhas e os calos em suas mãos.
Sua reação a estava desgostando. Ela não deveria achá-lo nem o menor pingo desejavel. Mas achava. Quando estavam brigando ela ainda sentiu um excitante calor na parte baixa de seu abdômen. Nunca thavia reagido a um vampiro dessa maneira antes. Nunca desse modo por ninguém, humano ou não.
Se isto não fosse parte de seu convênio com o inglês (Armitage era seu nome) mataria a Inuyasha neste momento. Se não pudesse dar a localização de Naraku, ela poderia pô-lo para fora para dar boas-vindas ao próximo amanhecer, e então ali não ficaria nada dele que ela achasse bonito ou sensual.
Sango entreabriu os olhos sobre o ombro da Kagome para o vampiro, mas mantendo uma distância segura. – O que é que vai fazer com ele?
Kagome pôs um braço sobre a menina. Sango era quase tão alta como ela era agora. - Ele nos dirá onde outros como ele se estão escondendo. Então nós o entregaremos a um inglês em troca de ouro.
-Um inglês? Ouro?
Rindo, Kagome deu uma palmada nas esbeltas costas da menina. -Sim.- Então uma idéia lhe ocorreu. - Mais tarde iremos à vila para comprar um novo vestido com o pagamento do inglês. Você gostaria disso?
- OH, sim!- Sango abraçou a Kagome furiosamente ( parecia como ser abraçada por um gatinho.) -Obrigada !
Sim, um vestido. Conseguir que a garota saísse das calças que ela preferia porque imitava a Kagome sob qualquer ponto de vista. Pô-la em um vestido, fazê-la tão bonita como ela poderia ser e ter a esperança de que alguma espécie de granjeiro bondoso com uma confortável renda tomasse carinho por ela, se casasse com ela e lhe desse bebês gordos. Isso era o que Kagome queria para ela. Melhor que ( qualquer coisa era melhor ) vê-la assassinada por um vampiro ou algo do tipo igualmente malvado.
- Vai dormir um pouco então. Logo amanhecerá. Podemos ir depois tomar o café da manhã.- A luz do dia poderia ser difícil de olhar em tão pequeno resto, mas antes de meio-dia havia menos risco de conseguir uma dor de cabeça. Era anormalmente sensivel ao sol, embora pudesse suportá-la se tomasse as precauções necessárias. Geralmente não era grande o desconforto, quando sua "ocupação" exigia que estivesse alerta a maior parte da noite.
Sango se foi sem discussão, um pequeno salto a seu passo. Dez anos as separavam em idade, e até poderia também ser cinqüenta. Kagome nunca tinha sido essa jovem, essa inocente. A vida tinha tomado todas as suas decisões por ela.
- Posso ter um novo vestido também?
Ela saltou ante o som de sua voz (impecavelmente romeno com apenas um indício de um acento estrangeiro). Não era uma surpresa que conhecesse seu idioma dada sua história com este país, mas o som em sua língua a zangava por completo.
Ele não deveria estar acordado tão cedo ( não amanhecia ainda. Armitage lhe disse que a injeção o faria dormir até bem avançado o dia ) quando o sol estava muito elevado no céu para que ele considerasse tentar escapar.
Enfrentou-o com o queixo erguido. Não podia mostrar medo. Não podia mostrar nada.
Ele estava sentado na estreito cama de armar (as correntes não tinham feito ruído quando se moveu) suas costas voltadas à parede de pedra, um joelho inclinado, seu tornozelo apoiado na borda. O outro joelho posto a um lado, dando uma vista ampla de seu musculoso peito. A prata ligeiramente acolchoada ao redor de seus tornozelos estava embaralhada mas o segurava, como as algemas ao redor de seus pulsos. As correntes que o seguravam à parede e ao piso eram mais fortes, com os elos grossos. Deveria ser muito forte para que ele a rompesse, mas só para estar a salvo, uma corrente de prata mais fina estava unida ao redor.
Porque a prata era tão eficaz, não sabia. Tudo o que ela sabia era que aos vampiros não agradava.
Nem tampouco a ela.
Sua cabeça estava inclinada a um lado como se a estivesse olhando. Seu rosto estava completamente inexpressivo, embora pôde sentir sua ira, seu ódio. Ela manteve sua distância (bem fora de seu alcance).
- O que acontece agora?- exigiu. - vou ser torturado? Aleijado? Talvez você e as outras mulheres se propõem a me destruir?-
Ela não perguntou como sábia ele que havia outras mulheres ao redor. Ele podia havê-las ouvido indubitavelmente (ela podia, embora não tão bem). Ela não tinha querido trazê-lo de volta à aldeia, mas era o único lugar onde eles tinham os meios para retê-lo. E as pessoas ali acreditavam que ela as podia proteger realmente deste monstro.
Disse brincando. - Nenhum das mulheres aqui poderia ter uma criatura como você.
Ele sorriu. Algo que o fez parecer incómodamente humano. E muito atrativo. - Mas você não é uma mulher, não é assim? Não completamente.
Ela não respondeu. Não pôde. Devia ter antecipado isto.
Seu sorriso nunca vacilou, mas seus olhos pareciam brilhar à luz da tocha. – As pessoas sabem que é meio vampiro, caçadora?
- Uma halfling.- Seu tom era vagamente zombador. - nunca encontrei um dhampyr antes.
Kagome se acovardou ante a palavra. Instintivamente verificou a entrada, onde a cinzenta aproximação do amanhecer se movia lentamente no porão. Ninguém estava ali para ouvir sua avaliação conclusiva.
As correntes tilintaram quando ele se endireitou, seus pés estreitos tocando o piso áspero. - Não sabem. Não é isso interessante."
O olhar que ela deu a ele era de pura malícia. - Se acha que isto te dá poder, pense de novo. Podem nunca escutar você.- Deus, esperava que eles não desejassem isso.
Estava ainda sorrindo, um fato que lhe trouxe um frio à base de sua coluna. - É obvio que não desejam isso. Mas não tem razão, pequena halfling, tenho poder. Sei seu segredo.
Fez-o. Ela nunca tinha mantido a uma criatura viva o suficiente para que soubesse o que ela era. Ninguém a não ser seu pai alguma vez soube, e ainda não conhecia o alcance completo do que o vampiro que atacou a sua mãe grávida havia feito.
- pergunto-me porque isso protege deles.-
Sua expressão lhe disse que sabia exatamente porque. Como podia dizer a seus homens que essa metade dela era o mesmo monstro que eles tratavam de destruir? Eles não poderiam compreendê-lo. Muitas das vidas destas pessoas já tinham sido tocadas pelo vampiro seja literalmente ou pelas histórias. Kagome nunca pediu esta maldição. Tinha sido imposta sobre ela por aquele que matou a sua mãe.
Naraku.
- Seu tempo poderia ser melhor gasto, vampiro, me dizendo o que quero saber.
Levantou uma sobrancelha, desdenhando-a com seu humor. Ele estava acorrentado e entretanto a fazia sentir como se estivesse a cargo desta troca de informações.-e isso é…?
podia golpeá-lo, enrolar prata ao redor de sua mão e sofrer o desconforto só para vê-lo sangrar. Tomar o poder de volta. - Onde está Naraku?
Ele franziu o sobrecenho. - Naraku? Nunca ouvi falar dele.- Seu tom era pouco convincente.
Os dedos apertados a seus lados. "Sustenta a mesma cicatriz em suas costas."
A parte superior de seu corpo lentamente se reclinou para deixar descansar a cabeça contra a parede; seu queixo com covinha se levantava insolentemente. -Não é isso uma coincidência?.
Se ela não soubesse bem poderia ser tentada a acreditar nele; soava tão sincero, ainda quando em silêncio estava rindo dela. - Dirá-me onde está.
- Por que não te fodo em vez disso?
Ela não pensou, simplesmente reagiu, lançando-se através do piso para apontar um chute feroz a sua cabeça. Levou como se não fosse nada mais que uma bofetada. Ela compreendeu seu erro um segundo muito tarde como ele agarrou seu golpe em sua mão e o inverteu.
Kagome golpeou a sujeira em frente a ela, o ar saiu de seus pulmões com uma força que a deixou aturdida. Fazia exatamente o que ele esperava e agora ia matá-la.
A sujeira se incrustou sob suas unhas quando ele puxou-a para ele. Seus dedos morderam em sua pantorrilha. Se ele quisesse podia morder sua perna como um ramo, mas não o fez. uma parte dela sabia que ele a queria aguda e consciente para qualquer coisa que queria fazer a ela-não intumescida por choque ou dor.
Tentou virar-se sobre suas costas, mas era mais forte do que ela era. Os ganchos na parede gemeram quando ele estirou-se contra eles. Bom Deus , não era bastante forte para rompê-los, não é mesmo?
Isso a assustou.
Ali havia uma caixa de madeira perto da cama de armar só para tal emergência. Sua mão tocou desajeitadamente dentro enquanto ela se deslizou, agarrando o que estava procurando. Quando ele deixou de puxar e a agarrou pela parte de atrás das calças, arqueou-se para cima, retorcendo-se em sua pressa para quebrar a água benta contra seu ombro e a parte superior de seu peito.
Ele a soltou como a um atiçador quente. Ouviu-o grunhir quando o aroma da carne queimada encontrou as aletas do nariz. Jogou-se no sujo piso duro, mas a autoconservação a fez impelir-se a seus pés apesar do tremor em seus membros. Correu à porta. Só uma vez ela se deteve nesse remendo do pálido amanhecer voltando-se para olhá-lo.
Estava derrubado no cama de armar, sua carne ardendo sem chamas e empolando-se onde a água benta tinha acertado. Havia sangue além disso (a garrafa o tinha cortado quando se quebrou). O aroma dele a chamava, despertando uma fome que se negava a satisfazer.
Ali havia tal dor em seu rosto quando ele encontrou seu olhar, mas seus olhos estavam tão frios como o gelo. Ela não podia sentir-se mal por lhe causar dano. Ela não era o monstro. Não era uma abominação. Era meio humana. Não bebia sangue. Não matava sem isso nem aquilo.
- Dirá-me onde está Naraku, - disse a ele. - não me faça te machucar de novo.
- Um de nós vai morrer,-disse-lhe, sua mandíbula se apertou. -sabe isso.
Ela inclinou a cabeça. -Sei também que não serei eu.
Então fechou a pesada porta, passado o ferrolho e subiu as escadas para encontrar o amanhecer.
- Encontrou a dhampyl?
Ichigo Armitage olhou a carne assada quase crua em seu prato. Seu chefe, um homem de cabelo cinza com olhos cor esverdeada, estava olhando-o com expectativa. -Sim, milord. Ela chego à taberna exatamente quando você disse que o faria.
- E nossa oferta a agradou?-
O ancião preencheu o copo do Ichigo quando perguntou.
Ichigo mastigou a tenra, suculenta carne e a passou com um sorvo do vinho. Cecil Maxwell sempre empregava os melhores chefs em qualquer lugar que ele residisse, e neste atrasado país não era diferente. -Em realidade. Muito previsivel, essa.- Apertou um guardanapo nos seus lábios. -Ela se comportou justamente como tínhamos previsto.
Pazerosamente revolvendo seu próprio copo, Toutosai olhava seu vinho, mas Armitage sabia onde estava verdadeiramente sua atenção, (nele). –Vai me contar do machucado em sua garganta?
Instintivamente a mão do Ichigo foi a seu pescoço. Seu pescoço e a gravata cobrindo onde a mão da Kagome Higurashi o tinha estrangulado. Como sabia Toutosai? Ele sempre sabia.
O velho estava sorrindo- um sorriso de satisfação de si mesmo antes que um de prazer genuíno. - Está distraído, Ichigo. A resposta apropriada poderia ter sido, Qual machucado?'
Ichigo dirigiu um sorriso forçado a si mesmo. -Na realidade, milord, vejo que é muito o que tenho ainda tenho que aprender de você.
O sorriso do Toutosai se retirou. -Ali sempre será, Ichigo.
Seu apetite decaiu sob o peso desse olhar fixo significativo. Durante anos Ichigo tinha seguido a este homem (e a outros como ele). esperando subir às categorias superiores da ordem. Nunca aconteceu. Era tanto como se Toutosai lhe dissesse que nunca aconteceria. Homens inferiores renunciariam, mas não havia nenhuma renúncia na Ordem da Palma de Prata. A única saída era a morte, por causa natural ou de outra maneira.
Ichigo não queria sair. Ele queria provar-se. Se ia tudo como estava planejado com a dhampyr, os superiores teriam que fazer caso de seu trabalho. Toutosai podia ser forçado a admitir que tinha feito certo. Somente essa promessa valia a luta.
- Quando te contatará com a dhampyr de novo?
- Uma semana é o prazo, -Ichigo respondido, cortando em sua carne de cabeça de gado outra vez. Seu apetite estava retornando. - Para então ela deverá ter o paradeiro do Naraku.
Toutosai sorriu A seu vinho, agradado agora. Melhor ao vinho que sentir o peso desses olhos frios sobre o mesmo Ichigo. -E nós saberemos também.
Ichigo inclinou a cabeça. -tenho homens controlando seus movimentos. Se ela descobrir algo ou for a qualquer parte, a seguirão e deverão reportar a mim. Se ela for atrás de Naraku, saberemos.
-Se Inuyasha o entregar, ela irá. Toutosai soava acertado. -Ela não será capaz de ajudar-se. Sua curiosidade e necessidade de vingança são muito grandes. Nós teremos que vigiá-la estreitamente. Se chegar a Naraku antes que nós pode matá-lo.
A carne pareceu obstruir-se na garganta do Ichigo. Isso não poderia ser bom para ele. Tragou duro. - não permitirei que isso aconteça.-
Pela primeira vez Toutosai o olhou com algo mais que aborrecimento. -Isso é o que quero ouvir.
Esse era para tirar a atenção de sí mesmo. - Como podemos estar seguros que Inuyasha trairá A seu amigo?
- Trair?- Toutosai rio. - OH, nosso amigo Inuyasha tem muito honra para trair seu amigo, Ichigo.
Não era esta mesma traição o ponto essencial sobre o que esta operação inteira dependia? -Mas eu acreditei...quer dizer, estava sob a impressão...
-Não tente pensar, Ichigo. Você só precisa fazer o que eu te digo. Fará o trabalho de ambos menos complicados desse modo.
O homem mais jovem se ruborizou. - Sinto muito, milord.-
Toutosai encheu até o batente o copo do Ichigo de novo, embora ele havia meio doido apenas o vinho já nisso. - Uma vez que Inuyasha compreenda a verdade sobre a identidade da dhampyr , lhe dará a localização de seu amigo sem vacilar.
- Fará-o?- Em silêncio se amaldiçoou por perguntar o que seu patrão indubitavelmente consideraria uma pergunta tola.
Mas Toutosai não mostrou que nenhuma brincadeira. Em realidade, ele parecia satisfeito de ter a oportunidade para explicar-se em detalhe. -Sabe que Naraku quererá vê-la, e acreditará que seu vampiro associado é o suficiente forte para resistir a qualquer ataque que a dhampyr cometa, e esta correto em sua hipótese. Mas Naraku não será capaz de resistir a ambos, a dhampyr e a nossos agentes. Então será muito tarde.
Ichigo sorriu. -E a Palma de Prata terá a ambos: Inuyasha e Naraku."
Toutosai sorriu também, e elevou seu copo outra vez. E a dhampyr, Ichigo. Não esqueça que teremos a dhampyr também.
* * *
Enquanto saía com Sango, Kagome compreendeu que a cruz de ouro que tinha pertencido a sua mãe havia sumido. Ela nunca a tirava, a única coisa que podia considerar para explicar seu desaparecimento era que poderia haver caído durante a captura do vampiro ontem à noite.
Era uma distância curta fora de seu caminho e a cruz tinha um grande significado, muito, suficiente para que, depois de comprar o vestido para Sango (um bonito vestido rosado para combinar com seu escuro colorido) Kagome conduzisse seu velho carro sobre o caminho da ladeira . Faltavam ainda duas horas para o meio-dia e o sol, embora incomodo, não estava muito brilhante ou quente para que ela ficasse embaixo dele . Um dos aspectos mais negativos de sua condição era esta maldita sensibilidade à luz do dia.
É obvio, tudo sobre ser um dhampyr era negativo. Ela teria trocado toda sua força e habilidades em um segundo por ser uma mulher normal, humana.
Ou ao menos era o que ela acreditou quando se dedicou a pensar sobre as conseqüências de tal troca.
O lugar era fácil de encontrar. A erva tinha sido pisoteada por sua luta e as botas dos homens quando eles tinham recolhido ao ferido Ushino.
Sango não pareceu ainda sentir-se zangada por que seu pai tinha sido ferido. Talvez ali havia alguma dureza nela ainda. Ou talvez ela era como todas as jovens moças, simplesmente não acreditava que seu pai poderia morrer algum dia. Estranhamente, nenhum pensamento lhe oferecia a comodidade que deveria ter.
-Você procura um lado do caminho, - Kagome lhe ordenou quando ela baixou. -eu procurarei do outro.
Sem palavras, Sango saltou ante sua ordem. Às vezes Kagome pensava que poderia dizer à moça que saltasse de um ravina e ela desejaria fazê-lo.
Estaria tão desejosa Sango de imitá-la, de idolatrá-la, se soubesse o que Kagome era de verdade? As observações do Inuyasha sobre seu segredo a haviam deixado paranóica. Tinha-lhe dado poder sobre ela, e isso tinha sido tolo.
Os eventos da noite prévia retornaram a ela quando Kagome procurou na erva onde tinha lutado com Inuyasha. O aspecto em seu rosto quando a viu tinha sido uma de surpresa com um pouco de apreciação. Ele a tinha considerado atraente até que o atacou.
Apostaria todo o ouro do inglês de que tinha mudado de opinião nessa avaliação bem rapidamente. Uma lástima que não pudesse dizer agora que o encontrava feio também. Ele deveria ser tão feio, disforme e abatido quanto era malvado. Pelos menos ela deveria ser imune a seu encanto, sendo o que era e sabendo o que fez.
Ele podia havê-la matado esta manhã e em lugar de estar aterrorizada, ou furiosa, tinha tremido ante sua força. Tinha passado muito tempo desde que ela tinha encontrado um adversário com a habilidade para superá-la. Normalmente o fato de que era mulher os fazia baixar o guarda, fazendo-os indolentes. Inuyasha não deixou que o fato de que fora fêmea o detivesse. Ele a tratou como a uma ameaça verdadeira.
Tão estranho quanto isso era, apreciou que não a subestimasse.
- Encontrei!
Orgulhosamente, Sango saltou pela erva e através do caminho. A luz solar brilhou do pendente de ouro da corrente em sua mão.
Kagome a tirou dela com um abraço. - obrigado. Estava começando a pensar que a tinha perdido para sempre.
Sango assinalou um ponto sobre o ombro da Kagome. -Que é isso que esta ali?
Olhando sobre seu ombro, Kagome viu os restos de duas chaminés de pedra e o que parecia ser as paredes de uma antiga casa. Certamente não podia ser coincidência que este lugar estivesse situado no lugar exato onde tiveram o encontro com Inuyasha? Isto poderia ser seu lugar de descanso diurno. Poderia haver algo importante aqui que pudesse usar contra ele-algo que a ajudasse em sua busca por encontrar Naraku.
Olhou à moça com um sorriso. -Quer ir explorar?- ela não deveria. O sol estava só ficando mais e mais difícil de suportar, mas ela não podia deixar passar a oportunidade para investigar, especialmente se bisbilhotar produzisse a informação sobre o assassino de sua mãe.
Sango não fez nenhuma réplica, simplesmente começou a correr para as ruínas.
Rindo, Kagome a seguiu. Deus lhe concedesse a metade do entusiasmo da juventude.
Se suspeitasse que pudesse haver algum perigo para a menina, ela não ia querer deixá-la correr de cá para lá, mas desde que os vampiros raramente compartilhavam um lugar de esconderijo, havia muito pouca oportunidade de tropeçar com algo que pudesse machucar a qualquer uma delas. Ainda se o fizessem, a luz do dia logo o mataria.
Ali tinha pegadas na cinza de uma fogueira de um antigo acampamento, mas além disso não havia nada fresco nas ruínas. Nada tinha sido perturbado. Estava ali a entrada para um antigo porão, mas tinha desmoronado anos atrás. Se alguém ou algo tinha escavado por causa isso, eles o tinham manejado para ocultá-lo perfeitamente.
Kagome pôs suas próprias botas nas cinzentas depressões. Seus pés eram pequenos em comparação. A pessoa que fez estas era um homem com pés grandes e compleição robusta. Um homem seguro de sua própria força e arrogância.
As impressões não pertenciam a um homem os outros. Pertenciam a Inuyasha. Sabia que isso era tão verdadeiro como o ar que respirava.
Se esta não era o refúgio de Inuyasha então porque tinha estado aqui? Não tinha estado fora passeando tranqüilamente, e não pôde ter estado caçando uma presa, não em semelhante lugar isolado. Ele se tinha reunido com alguém ali? Outro vampiro? Naraku?
Não, ali não havia nenhum rastro de alguém mais. Se Naraku tivesse estado aqui, ela poderia havê-lo sabido, de algum jeito estava segura. Sua presença poderia ter sido um estremecimento na base de sua coluna.
Ela olhou ao redor, entrecerrou os olhos contra a brilhante luz solar quando uma imperceptível pulsação começou em seu crânio. Alí tinha estado algo...
Alí. No bosque.
Sango foi rápido sobre seus talões quando Kagome avançou cruzando a erva profunda. O mar de verde estava desequilibrado em alguns lugares, como se alguém tivesse atravessado o caminhando recentemente. Seu coração se acelerou. Isto era onde encontraria o que seja que houvesse trazido Inuyasha alí.
Suas esperanças foram desprezadas quando viu a sepultura. Vampiros da idade de Inuyasha não descansavam em tumbas, ao menos que fosse sua própria cripta. Só as mais vis criaturas profanavam uma sepultura. Ela mesma o tinha feito só uma vez e unicamente porque a pessoa enterrada nela, a que teria que ter estado morta e descansando, estava quase por levantar-se como vampiro.
Esta não era a sepultura de Inuyasha. A terra aqui não tinha sido deslocada - a menos que ela contasse as ervas revolvidas a um lado e o montículo pequeno de musgo ao lado delas. Esta sepultura tinha sido recentemente cuidada, não perturbada.
-Kikyou Kushina, - leu em voz alta. -Nascida 1583, morta 1624.
A mão da Sango voou a sua boca. – Era ela!
Kagome olhou carrancuda a reação da menina. - sabe quem era esta mulher, Sango?
Uma inclinação da cabeça rápida foi sua resposta. - Era sua amante.
-Inuyasha?- sacudiu sua cabeça. Chamá-lo por seu nome diminuía o que ele verdadeiramente era fazia-o mais humano. - O vampiro?
Outra inclinação de cabeça acompanhada por um olhar para trás ao caminho pelo que tinham vindo. -Esta deve ter sido sua casa.
Voltando sua atenção para trás delas também, Kagome estudou as ruínas. Essa podia ter sido uma elegante casa em um tempo mas agora não era nada a não ser o refúgio mais lastimoso para os ciganos de viagem e animais.
O vampiro em seu porão havia vivido aqui? Foi impossível imaginá-lo em uma situação doméstica. Indubitavelmente ele ridicularizou a aldeia próxima com sua própria presença, fingindo-se de humano quando em realidade a saqueava.
-Algumas historias contam que ela morreu enquanto ele tentava protegê-la.- Os olhos de Sango eram amplos enquanto falava sem dúvida ela via isto como uma estoria de fantasmas transformada em realidade. -Os outros dizem que ele a sacrificou para salvar-se.
Kagome bufou. - Sei em qual versão acredito.-Nenhum vampiro alguma vez poria a vida de um humano sobre a própria.
Sango cravou os olhos na tumba antiga. -Pergunto-me quem a enterrou.
- Sua família, suponho. Quem quer que seja que fez a lápide.- Isso tinha ocorrido a centenas de anos atrás, não deveria ter importância.
- Mas diz "Amada".
-Acha que o vampiro a enterrou?-Ela falou agudamente – mas não gostou das hipóteses que sua mente fazia. - Não fará uma boa caçadora se pensar que têm sentimentos, Sango. Se não quiser acabar morta, ou pior, um vampiro você mesma, tem que lembrar, então que não são humanos.
A garota olhou como se Kagome a tivesse esbofeteado. - Foram-no uma vez. ?Você mesma disse que compreender a seu inimigo faz uma melhor caçadora.
Ela saiu batendo o pé, deixando Kagome observando atrás dela. Bonito, ela tinha ferido os sentimentos da garota. Kagome disse a verdade, entretanto. Sango poderia ter tido razão de que algumas vezes era bom recordar a própria humanidade, mas a natureza ingênua e romântica da garota a mataria. Ela não duraria dois minutos contra um monstro verdadeiro.
Kikyou Kushina tinha morrido porque se aliou com um vampiro. Ela não era uma menina. Não importava como tinha morrido, ela tinha causado isso com suas ações.
Kagome falaria com o Ushino quando retornasse à vila. Sango precisava encontrar homens jovens dos povoados próximos. Quanto mais rápido estivesse casada e vivesse sob o teto de seu marido, mais rápido Kagome poderia suspirar de alívio.
E a julgar pela pressão em sua cabeça, e o calor propagando-se através de suas bochechas e seu nariz, ela faria bem em sair do sol. Faria com que sair de novo em qualquer momento próximo fosse doloroso.
Pendurando a cruz no pescoço uma vez mais, Kagome dirigiu um largo olhar para a tinha estado aqui recentemente e tinha posto em ordem o lugar. Mostrava-se muito bem conservado para uma tumba tão velha. Quem tomaria tanto cuidado por uma mulher a séculos morta e esquecida?
Havia só uma pessoa – a criatura – e ela não queria acreditá-lo capaz de tal sentimento. Ela não acreditaria isso.
Embora, pensou enquanto se ia, tinha estado ali a noite anterior.
E isso explicaria a sujeira debaixo de suas unhas.
Bom pessoal, muito obrigada por lerem e aí está mais um capítulo e as palavras destacadas - dhampyr e halfling – mais a frente terão o significado.
Ana: Querida muito, mais muito obrigado pela sua força, e por favor não pare de ler ein ? Beijão.
Meyllin: Muito obrigado, e continue lendo por favor !
