Disclaimer: Não sou dona dos personagens de Fairy Tail, mas o resto é MEU, SÓ MEU~~!(Inserir careta maníaca)

Desculpem a demora, de novo, mas ta difícil atualizar mais rápido. De vez em quando ainda surgem novas ideias que eu acabo postando, aí fode tudo hahahaha

Obrigada à ACLyoko, à Jekac (hey, na minha fic em inglês Day after Day, pode mandar review em português sim viu! :D) e à Kaah Malfoy pelas reviews! Adorei todas as três :)

PERO QUE GOSTEM DESSE CAP! :D (alguns fluffs pela frente S2)


Eu estava dormindo o sono dos céus, algo que há dias já não ocorria (o medo de ser forçada a se casar com alguém que você não quer pode causar isso em você), quando eu senti os primeiros sinais de que as coisas não estavam normais. Toda a minha satisfação e toda a minha tranqüilidade de princesa fugitiva sumiu, abruptamente, quando eu senti uma adorável dor nos dedos, de algo que eu pude notar com toda a minha sonolência e esperteza matutina como sendo o resultado de uma mordida.

Sim, uma mordida.

Preciso dizer que acordei aos berros?

"KYYYAAA~!" Gritei com todo o ar de meus pulmões, o que já nem pode ser considerado tão relevante já que venho fazendo muito isso ultimamente, "Natsu! Acorda logo, Natsu!" e já fui fazendo alarde assim que eu vi o enorme camundongo que se encontrava na minha frente. Como se já não bastasse ter de lidar com um camelo fujão, com um Escorpião Rei traidor e com uma tempestade de areia praticamente aleatória, agora eu ainda tinha que estar cara a cara com um camundongo do deserto faminto! Por que Alá gosta tanto de brincar com minhas linhas do destino?!

"... –ieta, Luce." Só ouvi uns murmurinhos vindos do garoto, como se todo o barulho que eu tivesse feito não o tivesse incomodado em nada.

Surpreendo-me com sua capacidade em continuar dormindo durante momentos de perigo.

Tudo bem que para ele um camundongozinho de um metro não é perigo nenhum, considerando que ele praticamente tinha domesticado um Escorpião Rei do Deserto; mas, mesmo assim, eu ainda me surpreendo com as características atípicas desses ser que por enquanto está viajando comigo. Se eu não estivesse realmente preocupada com os olhinhos escuros que me encaravam logo ali, a um pequeno passo de distância, eu teria gritado um pouco mais para ver se ele se dignificava a pelo menos a acordar.

"Ai, doeu..." Resmunguei, olhando o estrago que aqueles dentinhos potentes tinham feito no meu dedo indicador, e olhei para o bichinho que já nem me olhava mais, mas sim a minha fruta da noite anterior que eu não comi completamente.

Então, como se um dos inúmeros livros da biblioteca real que eu li tivesse se materializado na minha frente, eu me lembrei de uma informação básica e crucial: camundongos do Deserto dos Desesperados tendem a comer qualquer coisa quando estão com fome, uma vez que nessa área inóspita eles não costumam ter muitos alimentos a sua disposição - explicando seu tamanho maior do que outros camundongos normais e um metabolismo menos acelerado.

Eu me sinto tão nerd as vezes.

"Oh." Eu murmurei. "Você quer comer minha fruta?" Eu perguntei debilmente, notando como mais uma vez eu me via conversando com um animal como se ele pudesse me responder. Eu sinceramente deveria arranjar mais amizades, essa coisa de conversar com qualquer ser andante ou até mesmo objeto não pode ser saudável! "Ok, pode comer, só fica longe do meu dedo." Eu comentei segurando minha mão contra meu peito, tentando parar o pequeno sangramento que esse bichinho esfomeado tinha causado em meu pobre e abusado dedo indicador.

Como se eu tivesse dado o sinal verde para a dominação mundial, o camundongo soltou uns chiadinhos – creio que típicos da espécie, vai saber né – e, como se já não bastasse estarmos presos dentro de uma gruta de arenito criada por Natsu, uma verdadeira manada (?) de camundongos surgiram da areia para batalhar pela minha pequena e meramente comida fruta.

De repente a situação ficou bem pior, já que, considerando que eles comem qualquer coisa, uma pequena fruta não satisfaria todos eles – que estavam até fazendo o local ficar meio apertado e desconfortável se alguém fosse pedir minha opinião – então, obviamente, eles se virariam para os rechonchudos humanos viajantes que estão ao lado deles.

Pois então, pensando meramente na minha sobrevivência, eu me joguei em cima de Natsu.

Efetivamente acordando-o com extremo cuidado e carinho: estrangulando-o aos gritos.

"ACORDA NATSU!" Sacudida. "ACORDA! SOU MUITO NOVA PRA MORRER!" Três sacudidas. Olhos se abrindo com preguiça. Meu Alá. "OLHA SÓ, COMIDA!" Mudei a tática, tirando uma das minhas mãos do pescoço do garoto e apontando para um ponto aleatório ao nosso redor. Incrivelmente, mas não surpreendentemente, essa nova tática funcionou – e muito bem, por sinal! Em um instante eu estava praticamente me amassando em cima do garoto para tentar estrangulá-lo com aquela minha força bruta inexistente, e no outro eu estava de bunda na areia, olhando para um Natsu em pé e em chamas com um sorriso enorme no rosto e até um pouco de baba no canto dos lábios com a idéia de comer alguma coisa como café da manhã.

Não preciso dizer que essa ocorrência, ao invés de resolver todos os meus problemas como minha inocente mente pensou que iria, só fez com que tudo piorasse. Talvez isso fosse a tal de Lei de Murphy que certa vez li sobre nos livros de tragédias históricas, o que não melhorava nada meu humor já afetado por todas essas emoções matutinas.

Por que piorou?

Oras, em um momento a galera de camundongos estava batalhando mortalmente entre si pela adorável frutinha, incapazes de pensar em qualquer outra coisa já que nem mesmo se sentiam ameaçados por minha pessoa (o que chega a magoar, porque mesmo que eu saiba que não sou nenhuma guerreira, eu pelo menos deveria conseguir intimidar um simples camundongo. Ok, são camundongos de um metro de tamanho, mas ainda assim eles não são tão perigosos e assustadores como os escorpiões!); no outro, estão somente com a sombra do que um dia foi algo comível e um cara em chamas, com um olhar intenso nos olhos de- AI MEU ALÁ.

Natsu quer comer os camundongos.

Ugh.

Ugh, ugh, ugh e ugh.

Não quero nem mesmo detalhar o verdadeiro caos que se instalou em nossa adorável grutinha. Não mesmo.

E prefiro nem dizer que eu acabei comendo também.


Quando finalmente recomeçamos nossa viagem o sol já estava quase no topo do céu, indicando que tínhamos perdido horas preciosas do dia com toda a confusão que parecia nos perseguir a todos os lugares. Talvez tudo fosse culpa de Natsu, já que desde que ele tinha me atropelado na garupa de um escorpião (isso simplesmente não me soa certo...), tudo tinha ido de 'tranqüila e conversando com a camelo Herga' para 'vida caótica, MAYDAY, MAYDAY!'.

Pois é.

Ele devia vir com um aviso de fabricação ao estilo 'imã de perigos' ou 'sou um cara insano e tenho tendência a me meter em confusões, esteja avisado caso queira se aproximar. Caso tenha muito medo de chegar perto, consulte as estrelas para saber se as suas linhas do destino são longas o suficiente'.

Yep, teria me ajudado bastante!

"Hey Luce, por que você quer ir para Alcalypha?" Ele me perguntou aleatoriamente, caminhando com animação para a direção sul. Naquele ritmo chegaríamos à cidade somente ao anoitecer, o que já havia se provado não ser uma boa experiência; mas, sem um camelo, ou um Escorpião Rei ou qualquer outro animal que Natsu conseguisse domar, isso seria simplesmente inevitável.

Eu olhei para ele, tentando ver nos olhos ônix amigáveis e desavisados se ele pelo menos tinha alguma noção de quem eu poderia ser. Não que fosse ser um grande segredo, pois muitas pessoas já deveriam estar sabendo do meu sumiço por causa de avisos que meu pai deve ter espalhado pelo Reino; mas, ainda assim, eu não queria que ele soubesse ainda minha verdadeira identidade. Não era uma questão de não confiar no garoto, que já tinha provado ser gente fina (as vezes conviver com a corte não é tão ruim, você acaba aprendendo algumas gírias que seu pai amoroso e carinhoso não te permitiria usar nem sob tortura. Apesar de que, ser 'gente fina' não faz qualquer sentido. Natsu, na verdade, é até bem musculosozinho); mas sim que, depois de finalmente me deparar com alguém que não me trata como uma Princesa mimada e idiota, eu queria continuar anônima e normal por mais um tempo.

"Eu tinha que sair da Central e uma grande amiga me disse para procurar uma pessoa em Alcalypha, pra me ajudar." Respondi vagamente, pensando no nome que Sra. Stupetto tinha me dito: Virgo.

Que nomezinho é esse, Alá!

"E você, Natsu?" Perguntei curiosa, tentando entender porque alguém tão aventureiro iria querer ir para uma cidade mercante.

Ele deu de ombros e adotou uma instância um pouco mais séria, me lembrando um pouco a indiferença de quando nos conhecemos. "Eu ouvi boatos de que estão mantendo um exceed preso em um teatro por lá." Natsu respondeu como se eu fosse entender o que ele estava dizendo. Depois de anos sendo a Senhorita-sabe-tudo, nas últimas vinte e quatro horas eu estou ficando ligeiramente frustrada com o fato de que ele tem me mostrado e me falado coisas que eu julgava não existirem ou mesmo não sabia nem mesmo o que poderia ser.

Então, debilmente, eu olhei para ele de forma tão questionadora que eu quase podia ver o enorme ponto de interrogação em cima da minha própria cabeça. Minha cabeça em modo chibi, ainda por cima!

"O que é um exceed?" Perguntei quando ele ignorou todo o meu ar de pergunta como se eu nem mesmo tivesse me manifestado. Acabei interrompendo seu pequeno momento 'Vamos pensar' e logo o vi olhando para o céu com uma das mãos tampando os raios solares.

"Você é estranha, Luce." Foi sua resposta sutil e cuidadosa. "Não saber o que é um exceed? Daqui a pouco vai me dizer que nunca nem ouviu falar em Dragon Knights!" Ele comentou rolando os olhos, voltando a mantê-los fixos no horizonte a nossa frente e nem mesmo percebendo meu silêncio de 'culpada de todas as acusações'.

Bem.

Eu já devo ter ouvido falar desse assunto, mas infelizmente não tenho muitos conhecimentos nem memórias de tal galera. Aparentemente meu adorável papai não queria que eu me envolvesse com eles, já que todos os livros que tratavam do assunto foram queimados sem dó nem piedade mais ou menos na mesma época que minha mãe morreu. Então, bem.

Me sinto tão idiota nesse momento - o que é injusto, pois alfabeticamente falando, creio que Natsu é o idiota do grupo -! POR QUE, MEU QUERIDO ALÁ, POR QUE NATSU SABE MAIS COISAS DO QUE EU?

Eu tenho uma leve tendência ao drama, não sei se já notaram.

"Oh, mas você é estranha mesmo ein Luce." Inserir tique nervoso na minha sobrancelha com ele novamente me chamando de estranha, quando Natsu finalmente notou como meu silêncio se estendeu mais do que deveria. "Eu não vou te explicar, porque não quero gastar minha saliva debaixo desse sol infernal; mas assim que chegarmos à cidade você vai entender o que é um exceed." Inserir aqui um pouquinho de ultraje com a forma com que ele tratou minha fome pelo conhecimento como irrelevante.

Tudo bem que não foi exatamente essa a intenção, mas eu não estou de bom humor mesmo estando de estômago cheio!

"O sujo falando do mal-lavado." Murmurei irritada, nem pensando mais no que seriam os Dragon Knights ou mesmo os exceeds. Se ele não queria me contar, eu compraria o primeiro livro que eu visse sobre o assunto e me informaria.

Viva a independência!

"Realmente, Luce, é melhor você tomar um banho logo para tirar toda a sujeira." Ele comentou calmamente (obviamente levando o ditado a sério), abrindo novamente um sorriso enorme ao ver minha cara ficar completamente vermelha com seu comentário COMPLETAMENTE DESNECESSÁRIO!

"Fica quieto, idiota!" Gritei embaraçada, apelando para uma reação explosiva para não deixar o constrangimento falar mais alto e me fazer sair correndo desesperadamente a procura de um refúgio para eu enfiar minha cabeça em um buraco e acabar morrendo desnutrida e posteriormente comida nesse deserto maldito.

Respirei fundo.

Eu realmente preciso trabalhar meu estoque de desespero. Ultimamente eu estou usando todas as reservas!

"Relaxa!" Ele comentou rindo da minha cara, ignorando completamente meu jeito emburrado de andar ao lado dele, meio que chutando um pouco a areia e cruzando meus braços cobertos pela manta na frente do meu corpo. "Pense pelo lado positivo, pelo menos você não esta cheirando mal!"

Depois daquele comentário talvez até conseguíssemos chegar um pouco antes do anoitecer, já que saí correndo atrás do idiota com intenções claramente assassinas e acabamos caminhando por um longo caminho na pequena brincadeira de 'Se eu te pegar, eu te mato!'.

No final de tudo, ambos estávamos rindo.

Quem entende todas essas mudanças de humor, Alá? Quem?


Depois de horas andando sem parar, conversando infinitamente sobre as minhas grandes expectativas com Alcalypha, morrendo de sede e de medo de abaixar a guarda um pouquinho sequer e do nada saltar, sei lá, um cacto gigante carnívoro do deserto na nossa frente pronto para nos comer – o que eu nem duvido que possa acontecer com o Natsu por perto, sinceramente! -, nós finalmente pudemos ver as chamas já acesas nos postes de luz da cidade a um quilômetro de distância. O sol estava quase se pondo, não tínhamos sido pegos por outra tempestade de areia e, por um tempo, Natsu até tinha me carregado nas próprias costas para que nossa viagem não desacelerasse.

Posso dizer que meu humor, até o momento que avistamos a cidade, estava HORRENDO. Essa coisa de viajar precariamente, não ter nada para comer ou beber, ter medo o tempo todo e ainda sofrer de desesperite aguda simplesmente não faz bem para alguém que viveu dezessete anos de vida completamente reclusa e super protegida. Porém, quando nós finalmente avistamos nosso objetivo ao longe no horizonte, eu fiquei até mais alegre. Finalmente! Finalmente eu poderia falar com a tal da Virgo e seguir minha viagem!

"Aguenta correr até lá, Luce?" Natsu me perguntou com a excitação evidente na voz, fazendo com que eu também começasse a rir bobamente. Nem me irritei com a idéia que, depois do dia que tivemos, deveria ser absurda. Correr tamanha distância estando cansada do jeito que eu estava?

Simplesmente concordei ao começar a correr primeiro.

"Hey! Não é justo, você saiu primeiro!" Ele reclamou, correndo logo atrás. Ri de novo, logo o ouvindo rir também.

Ou nós estamos aliviados ou tínhamos enlouquecido com todo o calor, a sede, a fome e as pequenas briguinhas que tivemos ao longo do dia.

Por motivos óbvios, apesar da evidente falta de sanidade de nós dois, prefiro muito mais a primeira opção!

As vezes viver em negação é muito melhor, sabe.

"Corre, Natsu! Falta pouco!" Chamei ofegante, sentindo todo o meu corpo implorando por descanso e o ignorando veementemente em detrimento da minha excitação em finalmente conhecer a majestosa cidade mercante que a Sra. Stupetto disse ser a cidade natal de minha mãe. Todos os detalhes de como a cidade era alegre e próspera, cheia de vida e de pessoas – que, diferente de tantos outros lugares no mundo, mesmo com status sociais diferentes tinham uma qualidade de vida muito semelhante -, com tecidos sendo vendidos por nômades e por nobres, com encantadores de serpentes em plena praça pública mostrando a dominação sobre as cobras mais perigosas de nossa região com simples flautas; com cores, com crianças, com músicos e dançarinas...! Havia tanta coisa que eu queria conhecer! Tantas lojas que eu queria visitar!

Ouvi um grunhido determinado e, logo depois, vi um borrão passando por mim nos últimos metros restantes para chegarmos a uma das bordas da cidade. Virei os olhos enquanto ria sem fôlego, parando de correr assim que alcancei Natsu na primeira rua que entramos. Eu estava descobrindo que ele era muito competitivo.

Porém, o que eu vi a seguir, apesar de saber pelos relatos históricos que Alcalypha era uma cidade alegre durante a noite também, contradisse tudo o que eu tinha estudado sobre aquele lugar durante toda a minha vida.

Eu olhei, horrorizada, para todas as casas que tinham pequenos desgastes em suas paredes por falta de conserto; para todas as portas de madeira cheias de buracos, aparentemente causados por agressão humana, e para todas as lojas fechadas.

Para a completa falta de prosperidade.

Não havia uma só pessoa na rua. Não havia um só encantador de serpentes. Não havia um só grupo de dançarinas, nem mesmo ciganas leitoras do seu futuro ou da sua sorte. Não havia uma só alma naquele lugar. Mesmo pelas janelas das casas não se podia ver qualquer luz.

A única luz do local estava nos postes. As chamas brilhavam, iluminando um local que ao invés de trazer alegria, causava arrepios.

Alcalypha, dita como uma cidade mercante barulhenta e repleta de vida, estava mais parecendo uma cidade morta e abandonada.

Senti vontade de chorar com essa decepção, mas me forcei a não deixar nem mesmo as lágrimas chegarem aos meus olhos.

Eu podia sentir ao meu lado Natsu olhando tudo ao nosso redor de forma tensa também e, antes que eu pudesse controlar minha boca falante, eu disse a primeira coisa que veio em minha cabeça.

"Nós vamos descobrir quem destruiu esse lugar, Natsu." Minha voz saiu forçada, denunciando o quão chateada eu realmente estava com a mesma facilidade que minhas mãos fechadas tinham de transmitir a mensagem. Olhos ônix me encararam, mostrando em suas profundidades escuras certo entendimento e companheirismo que eu nunca esperaria de alguém que eu conhecia somente há um dia e meio, fazendo com que de repente meus joelhos ficassem fracos e quase me fizessem cair. Respirei fundo com a nova onda de emoção que aquele simples olhar me causou, e continuei, "Nós vamos fazer o que temos que fazer, mas também vamos salvar Alcalypha."

Sua concordância muda representou muito mais para mim do que ele poderia imaginar.


Começou o primeiro arco da fic, galerinha!

Se quiserem o próximo cap, quem passar por aqui e ler, mande reviews! :)