Kaoru havia percebido a agitação dos amigos um pouco antes de se acalmarem, mas não comentou com Sakura. Sabia que tinha algo a ver com ele e por isso preferiu ignorar o acontecimento.
"Com todo esse barulho que fizeram, é bem provável que Higuchi-san tenha percebido… Ela é do tipo de pessoa que não deixa nada passar, mas com essa expressão tranqüila em seu rosto fica difícil saber… Será que ela percebeu?" Enquanto se perdia em pensamentos, Kaoru ia mostrando a casa para Sakura.
Ela, por sua vez, prestava atenção em tudo, mas também estava se perdendo em pensamentos.
"O que terá sido toda aquela gritaria de agora há pouco…?Queria perguntar, mas não sei se Kaoru-senpai a percebeu… As vozes pareciam ser de Kyouya, Hikaru e Haruhi… Provável era sobre um de nós… Acho que meu comentário não foi bem aceito… Melhor continuar fingindo que não percebi… Depois posso tentar falar a sós com Haruhi…"
-- Tenho que concordar com Hani-senpai… A casa de vocês é mesmo muito bonita. – Sakura sorria despreocupadamente. Ou parecia sorrir assim.
Hani e Mori-senpai voltaram pouco depois disso, encontrando todos sentados na sala iluminada pela lua, à espera deles.
-- Sakura-chan! O que você achou da casa do Hika-chan e do Kao-chan? - – Hani-senpai sorria e tinha os olhos brilhando de curiosidade, como se falasse da própria casa.
-- É realmente linda! – Sakura sorriu de volta, mas não como se sorrisse apenas para Mitsukuni e sim para todos.
Kaoru sentiu-se corar pelo elogio e pelo sorriso da garota. Kyouya também corou, mas porque o sorriso de Sakura puxou outras lembranças, as quais eram de outros momentos que também o desacertaram.
-- An… – Kaoru pigarreou – Então… Que bolos vocês compraram, Hani-senpai…?
-- Muitos! Kao-chan prefere chocolate, morango, creme ou banana? – enquanto falava, Hani-senpai ia pondo os bolos sobre a mesa de centro da sala.
-- Hani-senpai, não seria melhor se você esperasse? Não acho que devemos comer na sala… - Haruhi ainda não estava acostumada com aquele mundo, com aquela liberdade, apesar de conviver com isso há meio ano.
-- Haruhi, não se incomode! É só você não sujar nosso tapete que não tem problema! – Hikaru passou a mão na cabeça da garota como se acariciasse um cão. Sorria de forma descontraída, tirando sarro da amiga – Então, por que não vamos até a cozinha pegar uns pratos e uns talheres?
-- Ei, Hikaru-senpai! Não ache que pode bagunçar todo meu cabelo e agir como se nada tivesse acontecido! – Haruhi parecia levemente irritada.
-- Seu cabelo não está tão bagunçado assim, Haruhi-san. – Sakura simplesmente comentou, tentando abrir uma brecha para falar sozinha com Haruhi – Eu vou ajudar vocês – ela então se levantou e foi com os dois.
Sakura estava separando os pratos com Haruhi, quando ouviu Hikaru perguntar alguma coisa.
-- O que você disse? – Sakura se virou para ele.
-- Eu perguntei… O que você sente por meu irmão ou por Kyouya… – ele parou de pegar os talheres e se virou para ela.
-- Os dois são ótimas pessoas, eu adoro ambos. E não digo isso só porque Kaoru-senpai Está atrás da porta escutando – ela voltou o rosto em direção à porta – Agora que já foi descoberto não adianta fugir.
Kaoru então apareceu.
-- Como soube que eu estava atrás da porta?
-- Eu ouvi quando você se aproximou – ela deu os ombros – Seus passos se parecem com os do seu irmão, sabia? – ela sorriu para os gêmeos e voltou ao que estava fazendo.
-- Como consegue ser tão detalhista e perceptiva, Higuchi-san? – foi a vez de Haruhi se manifestar.
-- Eu passava muito tempo sem ter o que fazer em casa. Então fui treinando essas coisas… Logo já sabia quem estava fazendo o que e quando sem precisar chegar muito perto… Um tanto incrível, né?
-- Muito… – a surpresa deles era bastante óbvia e parecia divertir Sakura, pois ela sorriu divertidamente e levou as coisas para a sala.
-- Vamos comer! – Sakura chegou sorrindo como sempre.
Ela deixou as coisas sobre a mesa e se sentou ao lado de Kyouya.
-- Hi-Higuchi-san…!
-- Não tem nenhum problema em eu me sentar aqui, né? – ela tinha uma expressão curiosa e inocente no rosto.
-- N-não… Claro que não… - ele desviou o rosto para o outro lado, sentindo o rubor crescendo.
-- Ei! Vocês não iam comer sem nós, não é mesmo?– Hikaru e Kaoru apareceram, cada um atrás de um sofá, olhando como se desafiassem os demais.
-- Apenas calem-se e comam. – Haruhi estava inexpressiva ao aparecer na porta da cozinha.
Ela caminhou calmamente até onde estavam todos e sentou-se entre Sakura e Mori. Este e Haruhi agora tinham a mesma expressão, o que incomodava um pouco a todos os outros.
-- Haruhi-san… Está tudo bem? – Sakura fez a pergunta que estava no ar. O que acontecera com a garota de sempre naqueles poucos minutos em que ficou a mais na cozinha?
-- Sim.
-- Haru-chan! Você não está feliz? – Hani-senpai estava diante dela, abraçando fortemente o coelho.
-- Estou.
Todas as respostas saíam sem emoção da boca de Haruhi.
-- Haruhi-san… O que aconteceu? – Sakura mostrava-se cada vez mais preocupada.
-- Haruhi! O que aconteceu com você? – Tamaki, que até então só observava, abraçou Haruhi da forma escandalosa de sempre.
-- Tamaki-senpai… Por favor, me solte… Não consigo respirar… Muito bem…
Ele a soltou de imediato. Machucar Haruhi, sua "filhinha", era o que menos queria. Ela respirou fundo e agradeceu. Sakura aproveitou e insistiu com Haruhi.
-- Já disse que estou bem… Vamos comer ou ficar só olhando? – Haruhi apontou para os bolos dispostos sobre a mesa, ainda indiferente.
-- Claro, vamos comer…! Sirvam-se à vontade! – os gêmeos se recompuseram de imediato e começaram a se servir.
Os outros decidiram fazer o mesmo.
Já era tarde, a mãe deveria estar preocupada… "Até parece!" Pensou Sakura, deitada no jardim da casa dos gêmeos, apreciando a lua e as estrelas. Já eram mais de onze horas da noite. "Isso se já não for meia-noite… Tanto faz… Acho que vou ligar para casa e pedir umas roupas para passar o fim de semana aqui… Mamãe até pode aceitar, mas papai vai ficar louco…" Ela achou um pouco de graça quando imaginou a reação do pai, mas logo ficou séria, talvez até um pouco triste. Mas com toda certeza estava preocupada. "Vou ouvir um belo sermão… Ah, tanto faz! Sempre vivi presa ao ninho… Eles que decidiram que era a hora de voar e ser livre…Eles têm que aceitar…"
-- Higuchi-san? Ei, Higuchi-san! – Haruhi chamava Sakura pela quarta ou quinta vez.
-- Haruhi-san? – Sakura finalmente a notou, assustando-se e sentando na mesma hora – Desculpe… Não escutei… " Há quanto tempo está aí…?
-- O suficiente para lhe chamar umas cinco vezes… - – Haruhi sentou-se ao lado da amiga – Não vai para casa? – ela não precisava fazer essa pergunta, pois já sabia a resposta. Afinal, ainda estavam ambas lá.
-- Acho que vou passar o fim de semana aqui… E você? – Sakura estava curiosa pelo motivo que mantinha Haruhi ali, mas essa era a chance que queria. Por que então se importar?
-- Meu pai viajou a trabalho… Daí eu estou passando uns dias aqui… - Haruhi deitou na grama quando acabou de falar, pondo as mãos atrás da cabeça.
-- An… Haruhi-san… Se me permite perguntar… O que aconteceu hoje enquanto Kaoru-senpai me mostrava a casa? – Sakura manteve-se sentada, olhando Haruhi nos olhos, um pouco desconfortável por fazer a pergunta. Como a outra reagiria?
-- Oras… Hikaru-senpai nos mostrava a casa também. "Mais para tentar achar Kaoru do que por querer fazer isso…" – Haruhi parecia convincente ao falar isso como quem não sabia do que se tratava.
-- Não nessa hora… Depois de Mori e Hani-senpai terem saído…
Haruhi engoliu em seco. Teria ela escutado? Talvez… Mas se perguntava, isso não significava que não conseguiu decifrar do que se tratava?
-- Foi por minha causa, né…? – Sakura tinha uma expressão um tanto triste e de culpa. Não podia evitar, afinal, era assim mesmo que se sentia.
-- Se você ouviu, então por que perguntou? oo' – Haruhi não entendeu a situação, mas procurou confortar a amiga quando percebeu que não devia ter-lhe perguntado aquilo – Higuchi-san, acho que a culpa foi mais minha… Eu que fiz um comentário que desagradou Hikaru-senpai…
-- Eu não ouvi nada do tipo…
-- Vocês já tinham se afastado... "Definitivamente, ela ouviu tudo…"
Sakura balançou a cabeça negativamente. Sabia que fora por sua culpa e não de Haruhi.
-- A culpa foi minha… E você confirmou… Mas por que Kyouya e Hikaru-senpai falavam de ser sinceros com os próprios sentimentos…? Só sei que não falavam de Hikaru-senpai, mas sim do irmão… - Sakura deu um sorriso meio triste e tímido.
Haruhi sabia que tudo o que acabara de ouvir era verdade e que também já não adiantava negar.
-- Higuchi-san, o que você acha que é? – Haruhi tentava não contar. Assim como Kaoru sentiu antes, ela sentia que aquele não era o momento mais próprio.
-- Kyouya-senpai se referiu ao Kaoru-senpai e Hikaru-senpai se referiu a K… – Sakura não terminou a frase, pois os gêmeos apareceram de repente ao lado delas.
-- O que tem nós? – eles sorriam divertidamente, com uma expressão que delatava que ouviam tudo desde o começo.
-- O-o que fazem aqui…? – Haruhi se assustou com a aparição repentina deles, sentando-se de imediato.
-- Ainda bem que não fui direta em minhas falas… A reação de vocês poderia ter sido um pouco mais escandalosa… – Sakura sorriu desafiadoramente para eles, mostrando que não se assustara – Enfim… Não se incomodam se eu passar o fim de semana aqui, né?
-- Nós? o3o Claro que não! Você pode dormir junto de Haruhi b – os gêmeos olhavam para Sakura como quem diz "Isso não é óbvio?"
Sakura sorriu. Diferente de antes, ela agora se sentia bem. Sentia-se calma, feliz.
-- Obriga… – novamente ela não conseguiu terminar de falar por causa dos gêmeos.
-- O que falavam de nós então? – eles tinham uma expressão curiosa, desafiadora, talvez até um pouco sacana. O sorriso expressava o mesmo.
Ainda assim, toda aquela insistência nada significava para Hikaru, que ouvira tudo, diferente de Kaoru, que se juntou a ele só depois. Hikaru sabia do que se tratava, participara dos acontecimentos afinal. Era da discussão que teve com Kyouya que as meninas falavam.
-- Nada, oras… E vocês não deveriam ficar escutando as conversas alheias… Isso é feio, sabiam? – Sakura tentava esconder deles o assunto, mas sabia que Hikaru tinha conhecimento. Ela reagiu como se tivesse ficado, mesmo que pouco, irritada com a falta de privacidade.
-- Desculpem, desculpem. Mas fazer o que se somos curiosos? – os gêmeos agora tinham no rosto a expressão de quem estava se divertindo com tudo aquilo, apesar do sorriso ainda ser o mesmo de antes.
-- Bom, acho melhor ligar para casa se vou passar o fim de semana aqui… – Sakura se levantou e sorriu, divertindo-se com o que falava – Só não se matem na minha ausência, ok? ;D – dito isso, ela entrou na casa, deixando Haruhi sozinha com os gêmeos.
-- Kaoru-senpai, poderia pegar alguma coisa para eu beber? – Haruhi apressou-se em dizer isso. Queria falar sobre o que conversara com Sakura para Hikaru, mas sem ter Kaoru por perto.
-- E por que eu? – Kaoru olhava para ela sem entender direito.
-- Porque eu escolhi você para fazer o papel de bom anfitrião. – Haruhi respondeu em um tom que beirava a indiferença.
-- Chata… – Kaoru respondeu com má vontade e se levantou.
Quando Kaoru já não estava por perto, o clima pareceu mudar. Haruhi e Hikaru ficaram sérios. Ele foi o primeiro a falar:
-- Era sobre a discussão minha com Kyouya-senpai que vocês falavam, não?
-- Sim… – Haruhi suspirou – Ela ouviu tudo, tenho certeza. Foi por isso que fiz Kaoru-senpai sair daqui…
-- Kaoru… Será que dessa vez a história será diferente…?
-- É só ele não ser cabeça-dura como você foi que ficará tudo bem… – Haruhi começou a rir.
-- Sua chata…
E agora os dois riam.
Sakura estava séria e aparentava estar meio triste também. Segurava o telefone com força, tremendo. Uma voz masculina parecia irritada do outro lado da linha.
-- Você está me dizendo que vai ficar sob o mesmo teto de dois rapazes?! Isso sendo que você acabou de conhecê-los?!
-- São meus amigos e colegas de classe! E eu já disse que não acabei de conhecê-los! Você já os viu! – Sakura respondeu da mesma forma.
-- Não fale assim comigo! E se eu digo que não, então é não!
-- A mamãe deixaria!
-- Isso não diz respeito a mim! Como você mesma já nos disse muitas vezes: nós pensamos diferente!
-- E eu não vou dormir no mesmo quarto que eles como você pensa! Que ódio! Por que você tem que controlar minha vida?! Eu quero falar com a mamãe!
-- Porque eu a criei! E você não vai falar com a sua mãe! Até porque eu já disse não!
-- Eu odeio você, seu velho idiota!
-- Não me chame assim, mocinha!
-- Eu chamo como quiser, velhote!
-- Já chega! Você está de castigo por dois meses! Assim que voltar para casa, você estará sempre acompanhada de guarda-costas e não chegará perto de mais nenhum garoto!
-- Você não tem esse direito, seu velho gagá!
-- Agora serão três!
-- Eu odeio você! Sai da minha vida! Seu idiota! Como a mamãe conseguiu se apaixonar por você?!
-- Eu vou aumentar para quatro!
Sakura gritou, irritada. Seus olhos estavam cheios d'água. Mais do que nunca odiava o pai. Como poderia proibi-la de ficar com os amigos se ele a mandou para a escola justamente com o propósito de torná-la mais sociável?
Kaoru estava voltando para o jardim quando Sakura gritou.
-- Sakura-san…? – ele tinha uma expressão assustada.
A garota corou. Criou um escândalo enquanto falava com o pai, gritara, se descontrolara, deixara toda a educação de lado. Tinha uma expressão tímida e tristonha. Baixou os olhos para o chão, apertando mais o telefone, quase chorando.
Quando Kaoru percebeu que algo que realmente a chateava tinha acontecido, a primeira coisa que fez foi deixar a água de Haruhi num canto e abraçar a amiga.
-- Kaoru-senpai…? – Sakura parecia não entender.
-- O que aconteceu? – Kaoru começou a acariciar os cabelos rosados da jovem, sem deixar de abraçá-la.
-- N-não foi nada… – Sakura sentiu que ia chorar – Agora eu preciso terminar de falar com meu pai…
Ele hesitou. Não queria soltá-la.
-- Quer que eu fique aqui com você…?
Sakura queria dizer que sim, mas não conseguiu quando percebeu que o pai escutara cada palavra.
-- Quem está aí, Sakura Higuchi?! Espero que não seja um dos garotos "da casa". – o pai agora estava menos irritado, mas ainda parecia bastante.
Kaoru, quando ouviu o modo como foi chamado, se sentiu um pouco ofendido.
-- É seu pai, Sakura-san…? – ele estava quase tirando o telefone da mão da garota.
-- S-sim… Eu preciso terminar de falar com ele…
-- Eu termino de falar com ele para você…
Sakura não gostou da idéia e muito menos da expressão do amigo. Ele sorria de forma estranha, uma mescla de irritação com um leve desejo de vingança, se é que seria possível definir o desejo de Kaoru de falar muito para o pai de Sakura dessa forma.
-- Não precisa! – ela afastou o telefone dele, sorrindo nervosamente.
-- Eu insisto! – ele agora parecia calmo, mas era óbvio que não se sentia assim.
-- Sakura. – o pai chamou ao telefone.
-- S-sim! – ela se assustou.
-- Quero falar com seu amigo.
-- Co-como, papai? O que você disse? Quer falar… Com Kaoru-senpai…?
-- Exatamente. Passe para ele.
Kaoru sorriu satisfeito. Sakura, por sua vez, tremia, bastante nervosa.
-- Prazer, senhor Higuchi! – Kaoru começou causando boa impressão, o que acalmou um pouco Sakura.
-- Qual seu nome, jovem? – o pai de Sakura estava calmo, ou assim parecia.
-- Kaoru Hitachiin, senhor.
-- Prazer, meu jovem. Agora me deixe dizer algo com relação ao pedido de minha filha.
-- Senhor Higuchi, eu peço que me escute também.
-- Posso até lhe escutar, mas não significará nada.
-- Sim, senhor.
Sakura, que permanecia quieta, não podia compreender toda aquela tranqüilidade que emanava do pai e do amigo. O que acontecera? O pai ainda podia estar irritado ou… Seria coisa dela? Ou seria só com ela?
Kaoru sorria, tranqüilo. Não entendeu como, mas tinha conseguido falar calmamente com o pai de Sakura. Pelo menos por enquanto.
-- Kaoru-senpai… Por favor, não tente desafiar meu pai… Está bem? – Sakura sentia-se mais aflita do que imaginava.
-- Sakura-san, não precisa ficar tão preocupada! – Kaoru sorria confiante e despreocupado – Enfim, senhor Higuchi… O que queria me falar?
Sakura sentia que o amigo estava certo, mas o que tudo aquilo queria dizer se sabia que toda a calma do pai podia ser aparente? Podia ser só uma preparação para voltar a berrar com qualquer um, principalmente se fosse "da casa", como o pai havia chamado. Então por que estava tão aflita, mas ao mesmo tempo tão segura, acreditando que tudo acabaria bem?
-- Meu jovem, você gostaria que minha filha passasse o fim de semana aí? – a voz do pai parecia séria aos ouvidos de Kaoru. Mas tinha também um certo ar desafiador.
-- Senhor Higuchi, sua filha é uma ótima pessoa e tenho certeza de que meu irmão e nossa amiga Haruhi concordam. A propósito, ela dormirá no quarto de Haruhi, não junto de mim e meu irmão.
-- Está me dizendo que há uma garota, além de minha filha, que quer passar o fim de semana aí?
-- Estou dizendo que essa garota está vivendo conosco por um tempo porque seu pai está viajando a trabalho. E foi ele quem escolheu onde ela ficaria.
-- Minha filha dormirá bem longe de vocês, eu espero.
-- Sim. – Kaoru pareceu achar graça do que acabara de ouvir.
-- Quero falar com minha filha.
-- Sim, senhor. – Kaoru passou o telefone para Sakura – Agora acho que você pode ficar calma, não?
-- A-acho que sim… - Sakura sorriu, um pouco nervosa, e pegou o telefone.
-- Sakura? – o pai estava calmo, o que fez Sakura suspirar aliviada.
-- Desculpe ter lhe chamado de tudo aquilo… Eu mereço o castigo rigoroso que o senhor me deu… – ela baixou os olhos para o chão.
-- É bom ver que você ainda tem educação. – o pai falava com uma voz mais acolhedora – Mas eu também fui um pouco rigoroso… Vou retirar seu castigo e conversar com sua mãe sobre seu vestuário. Amanhã de manhã suas coisas estarão aí.
Sakura levou um susto. Aquilo era uma permissão? Não conseguia acreditar que sim, mas sabia que não ouvira errado.
-- Muito obrigada, papai! – Sakura sorria, aliviada e alegre.
-- Tenha uma boa noite, querida. – o pai então desligou o telefone.
