Disclaimer: Não me pertencem. É tudo da Naoko Takeuchi, Toei e Bandai.

Notas iniciais: Esta fanfiction faz parte do desafio Mês VK. O tema é "Deserto" e é o tema do dia 3.


Deserto

"Amar é um deserto e seus temores [...]

Me esqueço que amar é quase uma dor"

[Oceano – Djavan]

Ela sempre tinha gostado de calor. Seu planeta era quente, quase escaldante, mas ela o adorava deste jeito. O calor era reconfortante, era um lembrete agradável de como seu lar era. Claro, que isto tudo era muito mais agradável quando ela era uma venusiana. O calor não incomodava tanto a ponto de ela estar banhada em suor e nem mesmo luz do sol fazerem seus olhos arderem. Nesta época, ela era apenas uma garota terráquea com todas as dificuldades esperadas e isto era bem irônico, já que ela tinha sido a primeira a destacar o quão os terráqueos pareciam tão fracos e suscetíveis a doenças.

Apesar de gostar do calor, no momento, ela só conseguia ficar irritada. O sol estava forte demais e s olhos dela ardiam como se tivesse febre. Talvez fosse isso, ela estava com uma febre terrível, apenas isto justificaria o fato de estar no meio de um deserto. Ela não se lembrava de ter ido até ali. Seria meio estúpido da parte dela ir para um deserto de pijama, certo? Outras coisas não faziam sentido... Ela não poderia ter chegado ali a pé e também... O que ela estava fazendo ali afinal? Só tinha areia naquele lugar! Qual era o propósito de estar ali? Porque, apesar de todo o tom realístico, ela sabia que aquilo era um sonho. Todas as características indicavam isto.


Minako abriu os olhos devagar. Estava deitada em cima dos livros e devia ter marcas vermelhas das canetas na bochecha dela. Ela tinha dormido na sala de aula de novo e por alguma razão misteriosa (e muito incrível para ela, claro) o professor não tinha percebido.

Ela coçou os olhos mais uma vez e quando o fazia sentia os olhos ardendo mais do que antes. Suspirou cansada, ainda faltava muito para a aula acabar e estava achando aquilo tudo entediante. Há alguns dias atrás a história era completamente outra. Ela tinha fingido ser uma princesa para proteger a verdadeira princesa. Ela tinha lutado com as outras garotas contra uma criatura do mal e salvado o mundo. Era isso que ela era: uma guerreira que lutava pelos oprimidos e indefesos. Ela era a senshi da beleza e do amor. Claro ser a senshi da beleza fazia sentido, mas a do amor nem tanto.

Ela olhou para a janela da sala de aula com uma expressão aérea. Estava tendo esse sonho recorrente. Era sempre a mesma coisa, ela estava em algum tipo de deserto que, pela busca que tinha feito na internet, não existia. Sempre estava pijama, mas teve uma vez estava com um longo vestido amarelo que a fez lembrar as vestes venusianas que usava antes. O sonho era sem sentido, mas não deixava de ser um pouco nostálgico. Era como se conhecesse aquele lugar e talvez conhecesse mesmo. Ela tinha percebido que não tinha total domínio sobre as lembranças da época do Silver Millennium e, às vezes, se surpreendia com alguns vislumbres.

Quando se deu conta, Hikaru a estava cutucando insistentemente.

"Ei, Minako-chan!"- Hikaru a chamou mais alto - "O que está acontecendo com você?"

"Ahn...? Nada!" - Minako respondeu confusa. Ela tinha sido pega em flagrante no meio dos devaneios dela.

"Como não?" - Hikaru perguntou preocupada - "Você está dormindo durante a aula!"

Minako olhou para frente e percebeu que a aula já tinha terminado. Mais uma coisa que ela tinha perdido enquanto estava viajando na própria cabeça.

"Eu fui dormir tarde ontem a noite." - Minako respondeu com um sorrisinho sem graça - "Estava lendo um mangá incrível e eu tinha que saber o final de qualquer jeito!"

"Você não tem jeito mesmo!" - Hikaru resmungou - "Mas isto não explica o fato de você estar dispersa."

"Eu estou o que?" - Minako perguntou, procurando a mochila para guardar os livros - "Eu só estou cansada! Prometo ir dormir cedo hoje!" - ela juntou as coisas de qualquer jeito e já estava de pé quando terminou de falar, dando um tchauzinho - "Até amanhã, Hikaru-chan!"

"Minako!"


Minako adorava Hikaru, mas não podia conversar essas coisas com ela. Para falar a verdade, ela poderia conversar sobre isto com Artemis, mas também não iria conversar com ele. Aquele assunto era só dela e ela queria guardá-lo para si própria. No fundo, ela sabia que era importante. Aquele deserto deveria ter algum significado, ela só precisava descobrir qual era. Ela tinha feito outras pesquisas mais simbólicas sobre desertos. Quem sonha estar em um deserto era um sinal de renovação de energias de forma criativa e com boa vontade. No momento, ela não achava que precisava renovar as energias... Elas tinham acabado de vencer Beryl, estava tudo muito bem. Sonhar com uma tempestade de areia no certo era o fim de uma tarefa. Faria sentindo, mas não tinha tempestade nenhuma. A terceira entrada da pesquisa que a fez pensar mais, procurar alguém em um deserto era sinal de confusão. Ela não tinha entendido muito bem, a pessoa era confusão e ela não deveria ir atrás dela ou a confusão ia surgir de qualquer jeito independente de quem ela fosse atrás? Ela perdeu muito tempo pensando nisto, mas não tinha certeza se estava procurando alguém no deserto. Na verdade, ela não tinha certeza do porquê estava sonhando com aquele lugar. Então, ela podia muito bem estar procurando alguém lá...


Ela estava de novo no deserto. Desta vez estava usando o vestido bonito. Ela gostava dele. Olhou em volta com cuidado e não viu nenhum sinal de uma possível tempestade de areia. Ela começou a andar pelas dunas e percebeu que estava descalça, mas a areia quente não a incomodava. Ela meditou por algum tempo, enquanto andava sem rumo, se talvez deveria procurar alguém. Aquilo era engraçado... Procurar alguém que ela nem ao menos sabia quem era.

Foi quando ela teve a impressão de ver alguém ao longe, usando branco com uma capa esvoaçante. Mais do que a nostalgia daquele lugar, ela sentiu saudades daquela pessoa. Talvez este fosse o motivo para estar ali. Ela quis acusar a memória dela de fraca, mas ela sabia quem era. Ela o conhecia e se lembrava que da última vez o encontro deles não tinha acabado bem. Ela piscou e o vulto sumiu da mesma forma que apareceu. De certo era uma miragem. Sim, uma miragem no deserto, aquilo fazia sentido. Ela tinha que sair daquele sonho porque, por mais que estivesse curiosa em saber quem era a miragem, não seria sensato perseguir a confusão, certo?

Ela tinha que arrumar um jeito de não voltar mais ali.