Oi people!
Chego a vocês com o capítulo 3.
Let's read!
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Ino's pov on:
Acordei com o despertador a tocar nos meus ouvidos. Tacteei a superfície da mesa à procura do objecto de que o barulho infernal vinha. Quando o encontrei…dei-lhe com o livro que lá estava em cima! Parou logo de tocar. Revirei-me na cama com duas coisas na minha mente.
1ª- O que vou fazer hoje?
2ª- Porque raio tenho o despertador ligado a um sábado?
A resposta ao segundo pensamento apareceu logo na minha cabeça. Deidara…A querer vingar-se de eu lhe ter escondido o secador do cabelo na quarta-feira. Chegou atrasado ao encontro com uma miúda qualquer. Eu apenas salvei a rapariga mais nada. Já que acordei, mais vale levantar-me e ver o que vou fazer hoje. A semana passou a correr, foi…cansativa. E aquela criatura meteu-me doida toda a santa semana. Na escola é uma autêntica besta, quando estamos sozinhos é um querido. Eu já não sei para onde me virar. Fico doida. Ah! E arranjei um trabalho! Aquela senhora que quase me matou de susto quando fui sair com o pessoal ofereceu-me um trabalho no bar. Trabalho depois das aulas e se for preciso aos sábados.
Levantei-me caminhando até à varanda para puder inalar a brisa matinal e acordar de vez. Abri as portas da varanda e saí para a rua. Estava deserta ainda, às nove da manhã num sábado não há muito para fazer na rua. Mas para me admirar a criatura tá acordada. Tá na varanda dele, de costas para mim. Será que devo…Não é melhor não dizer nada. Mas não gosto de ser mal-educada. Lá vai…
- Bom dia. – cumprimentei-o alto chamando-lhe a atenção.
Ai Kami…Ai Kami…AI KAMI! Ele tem a camisa aberta. É impossivel para um adolescente da idade dele ter um abdominal daqueles. Mas tem! Todo definido! Parece tablete de chocolate!
- Perdes-te alguma coisa na zona dos meus abdominais? – ele perguntou acordando-me dos meus pensamentos. E pelos vistos ele percebeu a minha fixação no peito dele. Como diria a Tenten…Fuck…you…
- Não. Estupido…O que fazes acordado tão cedo? – perguntei numa tentativa de mudar de assunto.
- Vou dar uma volta de skate. E tu? Nunca pensei que fosses o tipo de miúda que acorda cedo aos sábados. – Kiba disse sorrindo-me daquela maneira que só ele sabe sorrir e que lhe deixa os caninos de fora.
- O idiota do meu primo quis vingar-se e meteu-me despertador. – respondi apoiando-me na sacada. - O que não é vingança nenhuma mas ele diverte-se, quem sou eu para estragar a diversão?
- Se ele acha que tem piada…Deixa-o achar. – ele comentou sorrindo-me novamente.
Tão a ver? O que eu vou ter de aguentar durante muito tempo? Se tivessemos na escola e acompanhados, esta conversa estaria a ser muito diferente. Vou mesmo perguntar-lhe qual é a cena dele.
- Qual deles é o real? – perguntei olhando para o relvado lá em baixo.
- O que queres dizer? – seria de esperar. Homens…Nunca percebem sem as legendas.
- Qual deles é o real? Pelo que percebi há dois de ti. Um deles tá aqui a falar comigo neste momento e é querido, engraçado, amável. O outro aparece quando não estamos sozinhos e é namoradeiro, parvo, rude. Só quero saber qual deles é o teu verdadeiro eu. – respondi olhando para ele desta vez. Ele ficou um pouco confuso.
- Para ser honesto contigo…- começou coçando a parte de trás do pescoço. -…nem eu sei.
- Quando descobrires, avisa-me. Mas eu posso dizer-te que realmente espero que o teu verdadeiro eu seja o que tá aqui agora. – e entrei no quarto novamente fechando as portas. Atirei-me para cima da cama e suspirei pesadamente. Estava pronta para tentar adormecer outra vez mas o meu telemóvel tocou e estragou-me o sistema. Estiquei-me até à mesa-de-cabeceira e atendi. Tive de afastar o telemóvel do ouvido quando a Tenten pregou um berro que eu acho que se ouviu no outro lado do Mundo.
- Temos um problema. – ela disse mais calma.
- Qual? Eu quase ter ficado surda com o teu berro?- perguntei rindo ao mesmo tempo.
- Engraçadinha. O problema chama-se Hinata e o seu guarda-roupa do século passado.- respondeu-me. Eu nem vou perguntar porque é que ela se lembrou disto às nove da manhã de um sábado mas ela tem razão. Tou aqui há uma semana e já fiquei horrorizada com o guarda-roupa da Hinata. A Tenten conhece-a à Kami deve saber quanto tempo e agora é que se lembrou…
- Posso saber porque te lembraste disso agora? – perguntei sentando-me na cama.
- Antes de tu chegares eu não tinha ninguém para me apoiar. Duvido que o Choji teja interessado em mudanças de visual. Por favor Ino. Ela precisa urgentemente de uma mudança de visual. – lá tá ela a implorar. Na semana que aqui estou ela já me implorou por coisas muito absurdas. Mas eu nunca resisti a mudanças de visual por isso…
- Já me ganhaste com mudança de visual. Encontramo-nos na entrada do centro comercial daqui a uma hora. – e delisguei.- Quando eu descobrir onde fica tal edificio…
Eu sou tão esperta que até me assusto a mim mesma. Como raio vou descobrir onde é o centro comercial? Precisava de um GPS…Ou então de uma criatura que sempre viveu aqui. Insiram aqui um sorriso malicioso. Levante-me da cama e voltei a sair para a varanda, a rezar para ele ainda não ter entrado em casa. E…ele já entrou. Alguém lá em cima me odeia. Como é que o chamo agora? Corri o olhar pelo chão da varanda, como se houvesse aqui alguma coisa que me ajudasse a chamá-lo. Vi a pequena pedra lá no canto e pensei que aquilo podia ajudar-me. Agarrei na pedra e atirei-a à janela dele. Alguns segundos depois, ele saiu cá para fora novamente. Desta vez já tinha a camisa apertada e um casaco, parecia pronto para sair.
- Chamas-te? – perguntou-me sorrindo.
- Isto vai ser humilhante e tu vais gozar comigo para o resto da vida mas podes dizer-me onde é o centro comercial? – perguntei um pouco acanhada.
- Faço melhor. Eu levo-te lá. Fica no caminho. Mas por favor muda de roupa, matas alguém pelo caminho com esse pijama curtissimo. – ele disse sorrindo malicioso. Idiota prevertido! Entrei no quarto novamente, tendo o cuidado de fechar as cortinas para aquela criatura não ter um espectáculo grátis.
Vesti-me rapidamente e agarrei na mala. A minha avó já estava acordada e sentada na cozinha, com o seu jornal numa mão e a chávena de chá de camomila na outra. Dei-lhe um beijo na testa e depois de roubar uma torrada do prato em cima da mesa, saí de casa. Encontrei-me com ele lá fora e começamos a caminhar para onde ele indicava. Ele estava de skate mas andava devagar para me puder acompanhar. Mais um exemplo do que eu disse hoje mais cedo. Acho que a conversa que tivemos sobre qual ser o real já se foi das memórias dele.
- Então…- ele começou. Ele tem de começar todas as conversas com "Então"? Começa a irritar. - …vi-te a dançar no teu quarto ontem.
Fuck…You…É o que eu tenho a dizer.
- Eu devia mesmo aprender a fechar as cortinas…- murmurei tentando controlar a vontade de desatar às cabeçadas ao poste de electricidade mais próximo.
- É, devias. Sabe-se lá que tipo de prevertidos podem ter um par de binóculos e andar a espiar-te. – UI! Eu agora respondia-lhe mas vou ficar calada. Não quero ferir-lhe os sentimentos.
O centro comercial não era assim tão longe. Ele deixou-me dizendo que me via mais logo e eu sentei-me nas escadas de lá, à espera da Tenten e de provavelmente uma arrastada Hinata. E poucos minutos depois apareceram, como seria de esperar Tenten vinha à frente e trazia uma pobre Hinata completamente constragida e a tentar segurar a saia enquanto corria.
- Foi tão dificil arrancar esta miúda de casa. – comentou a minha amiga morena de coques.
- Apareces-me tipo furacão em casa às nove da manhã de um sábado, esperas que eu vá contigo de livre e espontânea vontade? Vai sonhando.
O.O
O.O
Oh…my…God…
Isto foi mesmo a minha amiga timida que não parte um prato? Até fiquei sem palavras. Não sei literalmente o que dizer.
- Q-Quer d-dizer…- ela começou. Comecei a rir-me que nem uma hiena pedrada com crack.
- O estrago tá feito Hina. Acabas-te de me mostrar que és capaz de não ser timida. Devias ser mais vezes assim, és engraçada. – eu disse parando de rir e sorrindo para ela.
- O-Obrigado. – ela agradeceu começando a gaguejar. Pronto. Já estragou o sistema todo. – J-Já que m-me arrastaram a-até aqui, mais vale i-irmos f-fazer o que t-temos a fazer.
- Vamos lá! – Tenten exclamou. – Vamos chegar ao limite do teu cartão de crédito Hinata! O teu pai vai ter um ataque mas quem se importa! Como se diz na América "Let's shop 'till we drop!"
Eu e a outra morena não podemos evitar em rir com o entusiasmo de Tenten. Entramos no edificio e estabelecemos uma lista de objectivos. Primeiro iriamos arranjar-lhe as roupas, depois os sapatos, a seguir os acessórios e por fim uma breve ida ao salão para lhe arranjar um penteado novo. Aquele look de risca ao meio não estava a funcionar.
Corremos as lojas desde a Zara à Stradivarius. Compramos imensa coisa em todas elas, a Hina vai ficar completamente renascida. Também compramos ténis novos e sabrinas e montes de acessórios. Agora vamos ao salão para ela arranjar o cabelo. Já tenho um look para ela em mente e acho que vai ficar…perfeito. Entramos no salão e um homem com grandes cabelos negros, olhos amarelos, sombra de olhos roxa e muito pálido veio ter connosco.
- Sejam bem-vindas ao salão do Tio Orochi. Eu sou ele. – ele disse.
- É Deus? – perguntou Tenten com um olhar completamente perdido.
-.-
A sério Tenten? Eu nem me vou dignar a comentar.
- Não. Ele, o Tio Orochi. Em que posso ajudar três lindas raparigas? – ele perguntou-nos sorrindo.
- A nossa amiga precisa de um look novo. Urgentemente. – respondi empurrando Hinata para junto dele. Ele correu os olhos pelo cabelo da minha amiga. Cheirou-o, sentiu a textura, analisou a cor e as pontas espigadas e mais uma série de coisas estranhas. – Eu acho que ela ficava bem com franja.
- Tens bom olho minha linda. E é isso com que ela vai ficar. Uma bonita franja. KABUTO! – gritou para uma porta no fundo. Até saltamos. Fogo! Que voz tão esganiçada. Um homem de cabelos bracos e grandes óculos saiu de trás da porta e veio ter connosco. Até tenho medo do que vai acontecer agora. – Faz uma manicura a estas meninas enquanto esperam pela amiga. Por conta da casa.
Ahan ahan ahan I like it! Ahan ahan ahan! On the house baby!
Eu e a Tenten sentamo-nos numas cadeiras e o homenzito começou a tratar-nos das unhas. Pintou as minhas de roxo e as da Tenten de cor de laranja. Quando ele terminou de nos arranjar as unhas, já o…Tio Orochi tinha acabado o cabelo da Hinata. Ela estava ainda melhor do que o que estava na minha cabeça. Pagamos ao homem e assim que metemos o pé cá fora, começamos a correr para longe. Paramos já fora do centro comercial e do nada começamos a rir, cada uma para seu lado.
- Mais alguém achou que aqueles dois são…Ui? – perguntei fazendo um gesto muito sugestivo com a mão. Elas as duas abanaram a cabeça num sinal positivo.
Começamos a rir novamente. Não se vê isto muitas vezes ao contrário do que a maioria das pessoas pode pensar. Tenten foi-se embora algum tempo, com a desculpa que os primos iam almoçar lá a casa e a mãe precisava de ajuda…Pelo olhar que a Hinanta lhe lançou, não era bem isso que ela ia fazer. E eu cá tenho uma ideia do que ela vai fazer. Já tava com a ideia de ir para casa e dormir mais um pouco antes do almoço, mas o alerta de uma mensagem a dizer que tinha de ir trabalhar estragou logo tudo. Porque arranjei um emprego? Ah já sei. Porque quero ser independente e não implorar à minha mãe por money sempre que quero alguma coisa. A Hinata disse que me acompanhava até metade do caminho e depois virava para outro lado para puder ir para casa.
Agarramos nos sacos das compras e começamos a caminhar. Estivemos caladas a maior parte do tempo, acho que a Hinata fica meio perdida quando tá sozinha com pessoas sem a Tenten.
Reparei nisso durante a semana. A Tenten, lá com o seu jeito despassarado e alegre, rouba para si todas as atenções e a Hinata não se sente tão obrigada a fazer conversa. Nesta cidade deve toda a gente andar com crises de identidade. É o outro que não sabe se há-de ser querido ou um idiota. É esta que não sabe se há-de ser timida ou espevitada. Toda a gente precisa de comprimidos dos fortes a ver se atinam. Aposto com quem quiser que a Hinata não foi sempre assim. Há dentro dela alguém que quer sair e dar um chuto no traseiro da pessoa timida. E eu vou tirá-la cá para fora, nem que seja com um par de alicates.
- Não precisas de ficar assim quanto tás sozinha com uma pessoa. – falei. Ela olhou-me confusa e sorri levemente. – Pensas que eu não reparei? Eu vi a tatuagem quando me chamaste para te ajudar a vestir a camisola. Eu tenho um olho de falcão minha linda.
- I-Ino n-não pod-des c-contar a ninguém. – ela pediu olhando-me nos olhos.
- Sou um túmulo Hina. Vai comigo para a cova. Mas sabes o que eu acho Hina? – perguntei olhando para o céu azul. Ela olhou-me percebi que podia continuar. – Eu acho que tu ficaste timida, começaste a vestir-te daquela maneira e essas coisas para agradares a alguém. Não devias mudar para preencheres o desejo dessa pessoa.
- Obrigado. É o que vou fazer. – foi mais fácil do que eu pensava. Até fiquei à nora. Claro que a Tenten vai fazer um escândalo e perguntar porque raio é que quando ela lhe disse para mudar ela não mudou. E agora cheguei eu e ela mudou logo. Mas depois vai dar o seu tipico sorriso sensodine e dizer que a perdoa se a ela lhe pagar um cinema e um balde de pipocas. – Achas que ele…
- Que ele vai notar a tua mudança? É provável. Mas burro como ele é, também é provável que não repare. – é a mais pura verdade. E a Hinata deve saber disso. O Choji disse-me que ela gosta dele desde…bem, gosta há muito tempo. E se ele não reparou até agora…pode ser preciso ela mudar radicalmente para ele entender e eu tou a fazer figas para isso. Quero que ela seja feliz.
Continuamos a caminhar, a falar de coisas banais e a rir muito. Separamo-nos no meio do caminho, eu continuei em frente.
As ruas já estavam cheias de pessoas e os carros andavam pelas estradas. Logo avistei o meu local de trabalho, que para variar estava cheio de gente. Entrei e fazendo corta-mato por entre as mesas fui para trás do balcão. Chiyo olhou-me, agradecendo com o olhar por eu estar ali. Eu sorri e comecei a trabalhar. Estava tudo esfomeado hoje meu Deus! Era gente a pedir tostas XL e tudo o que é comida em tamanho XL. Devem ter todos um buraco negro no estômago como a criatura que chamo primo.
Quando aquilo finalmente acalmou, sentei-me numa das mesas e dei graças a Deus por aquilo ter acalmado. Chiyo sentou-se junto de mim e estendeu-me uma lata de coca-cola. Ficamos lá sentadas por longos minutos à conversa quando a porta do lugar foi aberta e dei de caras com os skaters da minha turma. Dei pela falta do Kiba, deve ter ficado preso pelo beicinho aí no meio do caminho. Dirigi-me até à mesa deles com um bloquinho.
- Olá. O que querem? – perguntei sorrindo.
- Olá flor da juventude. Eu vou querer um sumo de laranja natural para repor as minhas energias. – respondeu o Lee com o seu sorriso Colgate. Tive de conter a vontade de rir.
- Eu vou querer uma coca-cola. – respondeu Shino. Acho que foi a primeira vez que ouvi esta criatura falar…Freaky…
- Também quero coca-cola Ino. Com muito gelo. – disse Naruto sorrindo para mim. Eu apontei tudo no meu bloquinho e fui até à cozinha para puder fazer o sumo para o Lee.
Quando saí, vi que Kiba já estava junto deles. Esbravejava de como eles eram uns tretas por não terem esperado por ele. Parecia uma mulher a fazer um escândalo por uma unha partida. Homens…Ele caminhou até ao balcão e pediu-me por um sumo natural. Eu respondi-lhe que iria levar os pedidos aos amigos dele e já voltava para o atender. O idiota lançou-me uma daquelas caras amuadas e disse "Pensava que eu tinha direito a tratamento especial."
-.-
Esta cara foi a minha resposta para ele. Caminhei até à mesa dos outros e deixei lá os pedidos. Entrei na cozinha novamente para fazer o sumo à outra criatura e voltei alguns minutos depois. Dei-lhe o copo para a mão e ele afastou-se começando a beber. Nem obrigado nem nada. Mal-educado. Vai ver…
- Eu meti veneno para os ratos no teu sumo. – afirmei limpando o balcão que tinha marcas de copos. Ele cuspiu o que tinha na boca e virou-se para mim com os olhos arregalados. Comecei a rir, juntamente com os amigos dele que tinham ouvido tudo. – Tou a brincar idiota.
Almocei no café e passei lá todo o meu dia. E claro que para me picar a criatura e os amiguinhos ficaram lá também. Chatearam-me todo o dia, tive de controlar o desejo de não lhes partir a boca. Raios partam os rapazes com as hormonas no pico alto…
Já era perto da hora do jantar quando estava a caminhar para casa. Tinha os braços cruzados tentando aquecer-me e caminhava rapidamente pelo meio das pessoas. Foi então que ouvi o meu telemóvel tocar dentro da mala. Sorri ao ver o nome do meu melhor amigo a piscar junto da fotografia dele.
- Tou nesta cidade há uma semana, durante todo esse tempo, não me ligaste, mandaste mensagens, apareceste na net…Falei com toda a gente menos contigo Nara Shikamaru.
- Pára de esbravejar sua…- ele falou com a voz preguiçosa. Interrompi-o antes dele acabar a frase.
- Chamas-me problemática, quando tiver contigo outra vez vou dar-te um pontapé no traseiro tão forte que vais ficar com a sola dos meus nike's completamente deslavados marcados lá para sempre. – ameacei tentando conter o riso. Ele resmungou alguma coisa e tenho quase a certeza que ele resmungou a palavra proibida.
- Pronto Ino desculpa não ter dito nada durante a semana toda. Contente? – perguntou. Ouvi-o bocejar. Estava muito contente por ouvir a voz dele. Sinto muitas saudades dele e de todos.
- Muito contente. Sinto a tua falta bicho preguiça. – disse entrando já na rua onde se situa a minha casa.
- Sim, sim porquinha. Também sinto a tua falta. Só te liguei para ver como estavas e para dar paz de espirito à Sakura que quer saber se tás a cumprir a promessa. – ai a promessa…Quebrada no segundo dia depois de tar nesta cidade. Não gosto de lhes mentir, nem a eles nem a ninguém mas se disser que quebrei a promessa…nem quero pensar. Entrei em casa a pensar como lhe responder quando vi a minha mãe encostada na no móvel da entrade com um papel na mão. A cara dela não era muito amigável. Não vem coisa boa.
- Shika, vou ter de desligar. Falamos depois. – disse eu fechando a porta e atirando as chaves para a taça que estava destinada a isso.
- Reclamas por eu não te ligar durante toda a semana, agora que eu liguei tens de desligar? Tu és é uma granda problemática que só me dá dores de cabeça. Adeus.
- Adeus. Adoro-te. – desliguei o telemóvel caminhando até à minha mãe. – O que se passa mãe?
- Chegou uma carta para ti. – Fuck…you…se é a carta que eu tou a pensar o caldo tá entornado.
- Abriste a carta não abriste? Claro que abriste abelhuda como és…- sussurrei esta última parte mas pela cara que ela fez, ouviu-me.
- O que significa tu quereres estudar dança? E teres mandado a candidatura sem me consultares? – e a carta era mesmo a que eu não queria que fosse. Pronta para pegar o touro pelos cornos? Bora lá Ino. Confiança e traquilidade.
- É o que eu quero fazer mãe. – foi só o que eu respondi olhando para o chão. Não conseguia encará-la nos olhos, ela sempre teve o poder de me controlar se me olhasse nos olhos. Tipo hipnotizadora, realmente irritante.
- Isso não é uma carreira filha. Tens de pensar numa carreira que dê para te sustentares. – começa por falar assim depois passa para os gritos e se for preciso para a estalada.
- A avó fez disso uma carreira, tu fizeste disso uma carreira. Porque não posso fazer disso uma carreira também? – perguntei injustiçada com as palavras dela.
- Os tempos eram diferentes. Querida…- ela que nem venha com o argumento de os tempos eram diferentes! Não pega e já tá velho!
- Não me venhas com o querida nem com os argumentos de que os tempos eram diferentes! A dança está no meu sangue! Eu preciso de dançar para viver! O pai tinha-me apoiado…- sabia que estava a tocar num assunto delicado ao trazer o meu pai para o assunto. Mas não consegui evitar.
- O teu pai não está aqui! – ela gritou agarrando-me no pulso com força.
- Quem me dera que estivesse. Quem me dera que quem estivesse morto fosses tu e não o pai! Eu odeio-te! – puxei o meu pulso para fora do aperto da mão dela e corri escadas acima. Lágrimas caiam dos meus olhos por ter descido tão baixo e por provavelmente ter metido a minha mãe a chorar também. Entrei no meu quarto e tranquei a porta, escorregando até ao chão. Escondi o meu rosto nos joelhos, soluçando.
Desci baixo demais. Não devia ter falado no meu pai mas ela fez-me falar dele. É culpa dela. Perdi a noção do tempo que estive encostada à porta, com o rosto escondido nos joelhos e a soluçar que nem uma criança. Só despertei quando ouvi alguém chamar-me, uma voz masculina mas ao mesmo tempo doce. Levantei o olhar para puder ver a quem pertencia a voz. Dei de caras com o Kiba, ajoelhado à minha frente e com uma cara preocupada.
Como é que ele entrou aqui? Olhei para a janela do meu quarto, estava aberta. Eu não acredito que ele saltou. Podia ter-se matado.
- Ino, o que aconteceu? – ele perguntou tentando ser carinhoso.
- O que raio tás aqui a fazer? Tás completamente maluco? – esbravejei recusando-me a responder à pergunta. Não quero desabafar com ele.
- Apenas quero saber porque raio tás a chorar como se alguém se tivesse atirado para debaixo de um comboio e ido desta para melhor. – ele disse sentando-se no chão à minha frente e olhando-me com aquelas pedras escuras que tem no lugar dos olhos. Senti-me sem qualquer roupa, pensamento ou memória ao ser olhada daquela maneira por ele. Sem conseguir manter as minhas barreiras de pé, contei-lhe tudo.
Ele acenava com a cabeça ouvindo tudo o que eu dizia. Ele disse que também não tinha pai e que sabia exactamente como eu me estava a sentir naquele momento. Sabia como era sentir saudades, nunca mais ter a mesma relação com a mãe, ter vontade de chorar e gritar pelo pai. Pedir para ele voltar e ter sempre como resposta o som do vazio e uma pequena voz que dizia "Ele está morto e não vai voltar."
Eu abraçei-o fortemente, enterrando o meu rosto no pescoço dele soluçando lá. Kiba apertou-me nos seus braços murmurando no meu ouvido palavras para eu me acalmar. Ele cheirava bem, era um cheiro de menta misturado com os cigarros fumados às escondidas da mãe. E os cabelos dele eram tão macios entrelaçados nos meus dedos. Ele rompeu o abraço, olhando-me nos olhos e limpando as lágrimas com os dedos. O toque das mãos gastas pelo raspar no chão a fazer movimentos de skate soube tão bem contra a pele macia do meu rosto.
- Tu não tás sozinha…- ele disse referindo-se a uma coisa que eu tinha dito durante a conversa. – Eu estou aqui Ino. Contigo…Não tás sozinha. – apanhou-me de surpresa com estas palavras.
Estavamos muito próximos. Já sentia a respiração quente bater-me no rosto e os nossos lábios já se roçavam. Um sentimento de ansiedade preencheu-me, sentia-me ansiosa por sentir os lábios dele contra os meus. Macios ou ásperos, não importavam. Eu só os queria sentir…contra os meus…a mexerem-se em conjunto…
Knock Knock
Gelei ao ouvir alguém bater à porta.
Estamos feitos…
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Eu sou má por cortar por aqui. Não me matem mas deixem reviews.
Este cap é uma prenda para a minha beta super fodástica. Estivemos sem falar uma semana inteirinha! Foi tortura! T-T
Te amo amiga!
Nota beta: AHHHHHHHHHHHHHHHH!
Omg amiga! Nem acredito em como esse cap ficou perfeito! E é pra mim? Non creoooo!
Ai, acho que vou chorar, eu também te amo amiga, muito mesmo! Tava com tantas saudades tuas! E o capitulo ficou perfeito! Assim como a escitora. ^^
Adoro-te amiga, muito mesmo!
Kisu!
