Capítulo 3 - Satisfaction

Revisão: Yoruki Hiiragizawa

Era segunda-feira o trabalho de Sakura estava especialmente monótono. Na verdade ela não conseguia se concentrar em absolutamente nada, e não havia nada urgente para ser feito. Desde domingo checava o celular a cada cinco minutos, achando que o tinha ouvido tocar, mas nada. Eram dez horas da manhã quando quase caiu da cadeira de susto quando o celular realmente vibrou e tocou avisando que recebera uma mensagem. Era naquelas horas que ela agradecia por ter uma sala própria, se não fosse assim a empresa inteira saberia que estava apaixonada. Sim, estava apaixonada! Não havia mais dúvida nenhuma.

A maneira como ele a beijou, o que ele a fez sentir naqueles instantes, ela não esqueceria fácil. E também não tinha mais como não pensar em Li Shaoran de maneira luxuriosa depois que ele havia se negado tirar aquela maldita jaqueta. Ainda bem que tinha bebido bastante água, pois conseguia se lembrar perfeitamente do toque dele em seus braços e pescoço… Parecia que tinha ficado gravado em sua pele. Só de se lembrar sentia um arrepio subindo a espinha.

A mensagem era muito simples, como era de se esperar de Shaoran. "Nos vemos no treino?". Sakura já tinha imaginado inúmeras possíveis mensagens que ele a enviaria, e todas tinham alguma insinuação. A realidade as vezes era cruel. Mas pensando bem, o Li sóbrio não ficaria se insinuando…. ou ficaria? Se ela desse uma abertura, quem sabe?

Shaoran apertou o botão enviar, largou o celular na mesa e o ficou observando. A verdade é que queria já ter mandado várias mensagens e ligado, mas não lhe parecia fazer sentido considerando que no início da noite se encontrariam certamente. Porque demorava tanto para responder? Não era só escrever 'sim', 'claro', ou 'até lá'… Será que a mensagem tinha sido enviada? Ao pegar o celular na mão para conferir o envio, ele vibrou em sua mão anunciando a chegada da resposta.

Li sorriu feito bocó para o celular ao ler a mensagem. "Sim, o que vamos praticar hoje?" Não estava acreditando… Estava bêbada ainda? Impossível. Era uma pergunta genuína? Ela realmente queria saber o que treinariam hoje? Improvável. Era uma pergunta inocente, Shaoran repetia para si mesmo. Não, não era! Ao menos ele não queria que fosse. Respondeu rapidamente, apertou enviar e se arrependeu quase que instantaneamente, não tinha volta. Deixou o celular para trás e foi para o banheiro, lavar o rosto e se acalmar.

Sakura teria feito o mesmo, se não tivesse congelado. Respirou fundo, tentando controlar a ansiedade que se apresentou com um misto de excitação e medo. Releu a mensagem inúmeras vezes, afinal, só tinha uma palavra…. "Imobilização". Fez questão de checar na internet se estava lendo os ideogramas chineses corretamente, mas não havia erro nenhum. Imaginou as coisas mais malucas possíveis, cenas do Cinquenta Tons de Cinza, cenas do Cinquenta Tons de Cinza com os papeis invertidos, cordas, elásticos, tecidos... E logo caiu na realidade se lembrando que estavam falando do treino de arte marcial. Teriam outras pessoas, várias pessoas, em volta.

Meu deus… o que responderia? Ela realmente havia deixado a brecha, mas não esperava aquela resposta… E se ele apenas tivesse respondido e a malícia estivesse toda na cabeça dela? Afinal o treino era praticamente um horário sagrado, tanto para ele como para Meiling e os outros faixas pretas… Mas ao mesmo tempo não era possível! A face de Sakura queimava de vergonha, só de olhar para a tela do celular. Ela já tinha visto os mais graduados treinarem as técnicas de imobilização, mas nunca haviam ensinado para os iniciantes. Será que realmente iriam aprender ou ele respondeu apenas pelo teor da conversa? Aquela dúvida a corroía, não queria se permitir ficar excitada com aquela conversa que não tinha certeza se era literal ou não.

Shaoran saiu do banheiro decidido a não olhar mais o celular. Tinha trabalho a fazer que deveria terminar antes do meio dia, e aquelas mensagens não estavam ajudando em nada. Ela devia achar agora que ele era um pervertido, não iria mais responder e fingiriam que aquela troca de mensagens não havia acontecido. Ótimo plano. Chegariam no treino, fariam uma aula normal como sempre, e ele conversaria um pouco com ela ao fim da aula. Convidaria ela para sair, jantar, ver um filme, qualquer coisa. Tranquilizado, se sentou a mesa e abriu a tela na qual estava trabalhando.

- Seu celular tocou enquanto não estava. - avisou Eriol casualmente, sem nem erguer a cabeça por cima da divisória que separava as mesas.

Shaoran deu um soco mental no amigo, e agradeceu o aviso, pegando o aparelho. As palavras que apareceram na tela lhe causaram arrepios na coluna inteira. "E vai doer?" ela respondera. Naquele momento ele soube que o pervertido não era ele. Ou melhor, não era apenas ele. Impossível dentro de qualquer contexto casual aquela pergunta não ser mal interpretada. Quis sair correndo até as empresas Daidouji e agarrar aquela mulher, onde quer que ela estivesse. Mas estava ali no escritório, numa segunda-feira de manhã, rodeado por colegas que não faziam ideia do que se passava entre ele e o aparelho celular. Pensou por alguns minutos e concluiu que, se era esse o jogo, ele iria jogar pra ganhar. Digitou uma resposta que mandaria sua alma para o inferno, com certeza. Mal apertou o botão de enviar e já sentia o corpo queimando de excitação. O inferno parecia ótimo.

O coração de Sakura palpitava e suas mãos suavam. Tinha certeza que se arrependeria da mensagem que mandou, certeza! Li acharia que ela era uma oferecida, se encontraria com ela uma vez talvez, e não a encontraria mais, da mesma maneira que fazia com as clientes internacionais. Ao mesmo tempo, era Shaoran Li em quem ela estava pensando. Um cara super íntegro, com todos os princípios baseados na honra e dedicação. Calmo, seguro, alguém que parecia conseguir ler sua mente quando quisesse. Será que aquele "poder mágico" funcionava a distância? Se até então ele não tivesse entendido, com aquela ultima mensagem era impossível não deixar mais claro. A esperança dela era que a próxima resposta esclarecesse se ele estava ou não sintonizado na mesma intenção que ela.

A resposta chegou e Sakura soube que não renderia absolutamente nada no trabalho aquele dia. "Só vai doer se você resistir." Simples, direto, definitivo. Seu coração disparou e o calor se espalhou por todas as partes de seu corpo. Todas elas. Não havia mais nenhuma dúvida: Shaoran e ela estavam totalmente na mesma sintonia. Além do óbvio desejo que ele tinha por ela, será que ele sentia algo a mais? Ou será que neste quesito estavam fora de sintonia? Pensamento este que fez com que sua ansiedade pelo término daquela segunda-feira tediosa fosse as alturas. Precisava vê-lo, beijá-lo, senti-lo de novo. E é claro, tinham que ter uma conversa sincera, sem ambiguidades.


A tarde se arrastou o celular de Shaoran não havia mais tocado. Ele tinha exagerado, definitivamente. Estava decidido a pedir desculpas. Tinha sido divertido, mas com certeza ele tinha passado dos limites. Talvez quando tivessem mais intimidade aquela brincadeira fizesse mais sentido. Mas o que que eles tinham afinal? Sakura era uma mulher maravilhosa e Shaoran não podia negar que gostava da companhia dela. Gostava de ver como era forte e decidida em alguns momentos, e em outros se perdia no próprio nervosismo. Gostava de ajudá-la nesses momentos. Era simples e gratificante pra ele, e para ela fazia toda a diferença.

Acabou conseguindo terminar seus afazeres do dia mais cedo e foi embora. Chegou em casa quase duas horas antes do treino. Fez um lanche, se trocou e logo estava no dojo, sozinho. Abriu as janelas, organizou alguns materiais e fez uma oração no pequeno altar que mantinham em homenagem aos falecidos mestres. Depois disso se pôs a varrer o amplo espaço de treino. Tinha certeza que terminaria antes mesmo de Meiling ou Wei chegarem.

Seus pensamentos voaram enquanto variam e obviamente pousaram em Sakura. Pensou que poderia elaborar um treino para os novatos só para poder ficar mais próximo dela. Escolheria técnicas com mais contato físico e… Foi quando um bastão longo de madeira, que ficava apoiado na parede muito próximo ao pequeno altar, caiu no chão fazendo um barulho muito alto, assustando Shaoran.

- OK, já entendi o recado! - falou em voz alta como se conversasse com os falecidos mestres enquanto colocava o bastão de volta no lugar - Horário de treino deve ser dedicado ao treino, devo esvaziar a mente, me concentrar, sim sim sim, podem deixar, não fiquem irritados.

- Com quem você está falando?

Sakura tinha cansado de não conseguir fazer absolutamente nada no trabalho e foi mais cedo para o treino. Chegando quase uma hora antes não sabia exatamente o que esperar, talvez desse de cara com a porta fechada. Definitivamente não esperava encontrar Shaoran falando sozinho.

- Teoricamente com algum espírito irritado, mas na verdade acho que com ninguém. - Explicou Shaoran depois de rir levemente constrangido.

- Me desculpe se cheguei muito cedo… - Sakura tirou seus sapatos, entrando no dojo e caminhando na direção de Shaoran. - O trabalho estava muito chato hoje.

- É… o meu também. - Shaoran sorriu de lado, se apoiando na vassoura que ainda segurava.

Os dois se encararam por alguns segundos em silêncio. Sakura tinha certeza que, se ficasse assim mais meio segundo, eles se beijariam. Ou não, talvez o ambiente fosse extremamente inadequado, seria desrespeitoso com os demais, alguém poderia chegar a qualquer instante, e… Estavam se beijando.

A vassoura que Shaoran segurava caiu fazendo um barulho alto, seguida dos sapatos e bolsa que Sakura segurava que também foram largados de qualquer maneira. Shaoran a segurava naquele abraço apertado enquanto ela o segurava na nuca com uma mão e com a outra o puxava pela gola do kimono como se tivesse alguma maneira de ficarem ainda mais próximos.

Como da primeira vez, o beijo desesperado foi se acalmando. Shaoran ainda a mantinha seguramente presa a ele, mas sem apertá-la tanto. Sakura agradecia por isso, pois já não confiava mais em suas pernas amolecidas. Era estranhíssimo beijá-lo usando o kimono, pois ela sentia o nó da larga faixa preta contra sua barriga, e não conseguia parar de pensar que pudesse ser outra coisa. Por outro lado, a parte de cima se abria facilmente, deixando Shaoran super exposto. Possibilitava que ela sentisse seu cheiro, e descesse a mão da nuca, passando pescoço, pelo trapézio bem definido, peitoral e…

- Com licença.

Shaoran gelou ao ouvir a voz de Wei. Meiling ainda estava ao lado dele se segurando para não rir loucamente. Ele rapidamente ajeitou o kimono e quando se abaixou para pegar a vassoura atirada no chão, Sakura já tinha corrido o caminho todo pro vestiário com todas as suas coisas, praticamente em pânico.

Wei estava com um semblante extremamente sério, mirando Shaoran com um olhar fulminante de reprovação extrema. Meiling tomou a dianteira, não conseguindo se segurar.

- Ainda bem que somos nós né, Shaoran! - ela disse rindo - Já pensou se são outros alunos? Olhar para eles com essa cara de culpado não ia te safar de nada.

- Me surpreende que seja logo você, jovem Shaoran… Sabe muito bem que devemos deixar esse tipo de sentimento la fora do dojo. - Wei disse sério.

- Não me venham dar sermão, vocês dois! - disse Shaoran voltando a varrer o chão rapidamente - Eu sei muito bem que estou errado, não preciso que me lembrem. Não vai se repetir.

- Não vai porque não vamos deixar. Vai treinar pesado com os faixas pretas, eu e Meiling vamos revesar o treino dos iniciantes. - Falou Wei decidindo e indo para o vestiário sem dar oportunidade de resposta.

- Sabe que Wei vai ficar no seu pé por uns bons meses, né? - disse Meiling observando o primo que não parava de varrer o piso.

- Sei… Mas eu mereço mesmo. - disse ele suspirando. - Ultimamente estou agindo só por impulso, sem pensar.

- Vou lá no vestiário ver a Sakura, varre tudo direitinho! - Meiling disse já se afastando.

No vestiário Sakura estava sentada no largo banco encostado na parede. Ainda tinha os batimentos acelerados e as mãos trêmulas. Era óbvio que isso ia acontecer, óbvio! Se ao menos tivesse sido apenas a Meiling… Com que cara olharia para Wei a partir de hoje? Ele acharia que ela estava treinando apenas para ficar com Shaoran, não a levaria mais a sério… Será que contaria pros outros?

- Ei, Sakura… Tudo bem? - Meiling quis saber

- Saí correndo que nem uma idiota, né? Devia ter me desculpado, mas na hora eu só queria sumir. - confessou Sakura.

- Eu sei… - Meiling riu um pouco - Mas não te preocupa, Wei tem cara de mau, mas é super tranquilo. Pode ficar tranquila e fingir que nada aconteceu… Mas agora me conte tudo! Pelo visto perdi parte importante da festa de sábado!

Sakura riu se lembrando da amiga dormindo no sofá num canto do bar. Contou que tinham se beijado, mas que tinha sido só isso.

- Não quero que me levem a mal, Meiling… Realmente gosto de treinar, não estou aqui só por causa do Shaoran.

- Não se preocupe com isso. Ninguém vai ficar sabendo a menos que vocês decidam contar. Mas vocês também precisam se cuidar! Podia não ter sido nós que pegamos vocês no flagra.

- É verdade… - Sakura concordou envergonhada - É que… nossa… não dá pra resistir. Sei que ele é seu primo e eu não devia estar falando essas coisas, mas é que, meu deus…

- Quando éramos adolescentes eu repetia um mantra me lembrando que Shaoran era meu primo, foi muita meditação para não agarrar ele. - Meiling confessou falando baixinho. - Hoje já superei, fica tranquila!

As duas riram bastante, e Sakura finalmente conseguiu se acalmar. Logo outros alunos foram chegando e elas também se trocaram para o início da aula. Wei orientou o aquecimento e alongamento, e depois disse para todos que Shaoran treinaria com os faixas pretas. Ele e Meiling revesariam na orientação dos iniciantes.

O treino seguiu normalmente. Sakura tentava se concentrar, mas volta e meia se pegava espiando o que Shaoran estava fazendo. Em determinado momento teve certeza que o Wei a viu olhando, tentou disfarçar, mas acabou ficando mais nervosa e errando todos os movimentos. Não era novidade para seus colegas que já estavam acostumados com a japonesa se distraindo, mas Wei sabia o real motivo e isso a deixava mais tensa.

Ao fim da aula todos se despediram e foram se dirigindo aos vestiários. Shaoran secava o suor com uma toalha quando se aproximou de Sakura, que caminhava lentamente na direção dos banheiros.

- Wei brigou com você? - ela perguntou, não deixando de reparar como ele ficava bonito mesmo todo suado, com as pontas do cabelo molhadas…

- Um pouco… - ele disse rindo - Antes de ir embora quero falar com você, vou te esperar, ok?

Sakura concordou e entrou no vestiário. Trocou de roupa, e esperou um pouco. Queria esperar o máximo de pessoas irem embora antes, evitando assim possíveis constrangimentos. Quando saiu foi encontrar Shaoran sentado do lado de fora, na "varanda" que fazia a frente da construção tradicional. Foi até ele e se sentou do lado.

- Estou todo suado e fedido, você não vai querer ficar perto de mim… - ele disse se afastando um pouco e rindo.

- Eu também estou, não tem problema… - ela sorriu.

O silêncio aconteceu de novo e Sakura já imaginou o que poderia vir a seguir. Mas não deviam! Ainda tinha outras pessoas ali. Shaoran percebeu que ela ficara um pouco nervosa e tratou de quebrar o silêncio.

- Queria te pedir desculpas. - ele iniciou - Pela mensagem de hoje de manhã.

Sakura sentiu o rosto queimar lembrando da mensagem. Era realmente uma pena que não tinha rolado imobilização nenhuma.

- Te desculpo se prometer não mentir mais pra mim.

- Mentir? - Shaoran não entendeu o que ela quis dizer.

- Sim, não treinamos imobilização nenhuma. - ela disse encabulada evitando o contato visual.

Shaoran apenas riu. Eles não tinham limites. Era obvio que ele tinha vontade de acabar logo com aquelas conversas insinuantes e partir logo para ação, apenas precisava de um momento e local adequado. Observou os últimos alunos saindo e por último saíram Wei e Meiling, que fechara a porta de correr do dojo.

- Já fechamos tudo, até amanhã. - disse Wei ao sair, e logo completou sem muitos rodeios - Juízo.

Meiling apenas riu e acenou um tchauzinho, indo para a casa principal que ficava logo mais a frente.

- Juízo… - Shaoran repetiu passando a mão nos cabelos - Acho que perdi o meu em algum lugar. - ele disse enquanto se levantava.

- Ahn? - foi a vez de Sakura não entender o que ele dizia e se levantou também para ver onde ele ia.

No instante seguinte ele a pegou no colo e jogou no ombro, tipo "porquinho". A jovem suprimiu um gritinho de susto com a atitude totalmente inesperada.

- Meu juízo… Vamos procurar por ele. - explicou Shaoran tranquilamente como se fosse óbvio.

Ele abriu novamente a porta do dojo, tirou os chinelos e entrou, fechando a porta de correr atrás de si. Carregou Sakura até o outro lado do salão, onde tinham duas grande pilhas de tatames emborrachados que montavam nas aulas conforme a necessidade do treino. Depositou-a sentada em uma das pilhas, onde ela ficou alguns poucos centímetros mais alta que ele.

Sakura não teve muito tempo para se recompor, Shaoran já a beijava com fervor. Sentada ali, naquela altura perfeita, ela podia abraçá-lo com suas pernas. Sentiu a mão dele a segurar em um dos joelhos, com polegar firme no lado interno, e subir lentamente por sua coxa, escorregando até a virilha. Sentiu o corpo todo esquentar e o coração disparar.

Era muito injusto que ele ainda estivesse usando aquele kimono de tecido grosso, enquanto ela já tinha se trocado e usava roupas muito mais leves. Aproveitou sua posição mais elevada e puxou a parte de cima dele, liberando da faixa que a mantinha fechada. Ela tinha a intenção apenas de que ele abrisse o kimono, mas assim que ela o puxou, Shaoran tirou a parte de cima completamente. Sakura nem teve tempo de admirar o belo corpo dele, pois já a beijava de novo.

E se alguém entrasse? E se, por algum motivo, Wei voltasse? Ou Meiling? A família toda dele morava naquela casa, não morava? Deveriam se perguntar por que estava demorando e certamente ali seria o primeiro lugar que procurariam. De uma hora para a outra ela se sentiu tensa com aquela perspectiva, e obviamente Shaoran percebeu.

- Ninguém vai vir aqui. - ele disse beijando seu pescoço, passando pelo lóbulo da orelha até a covinha da clavícula de Sakura.

Ela deixou escapar gemido denunciando que adorava aqueles carinhos no pescoço. Ainda mais podendo sentir sem nenhuma bairreira o corpo quente e forte de Shaoran. Estava em um misto de prazer e culpa, pois não conseguia acreditar que realmente ninguém entraria ali a qualquer momento. Foi quando sentiu as mãos dele subirem pela suas costas, alcançando o fecho do seu sutiã que o alarme soou mais alto.

- Li…- ela interrompeu - Você tem certeza que ninguém vai vir mesmo? - eles se olhavam nos olhos e Shaoran podia perceber que ela realmente estava preocupada.

Ele respirou fundo, colocou uma mecha do cabelo dela para trás da orelha e lhe deu um beijo estalado nos lábios.

- Vou resolver isso. - ele disse se afastando.

Shaoran pegou o bastão longo que tinha caído sozinho mais cedo, e ele tinha atribuído a queda a alguma reclamação dos espíritos dos antigos mestres. Pensou que naquele momento deviam estar o amaldiçoando, mas já não se importava mais, treinaria o dobro para compensar. Usou o bastão para trancar a porta, colocando-o entre a porta e o batente por onde ela deveria correr.

Sakura não queria ter "cortado o clima", mas realmente não estava se sentindo confortável. Ela não sabia exatamente o que Shaoran iria fazer, mas adorou assisti-lo. Estava simplesmente maravilhoso usando apenas a calça branca e a faixa preta. Atendia perfeitamente (e superava) qualquer fetiche que alguém podia ter por artes marciais. O abdome bem definido, peito largo, braços fortes, tudo em combinação com a pouca roupa exalava uma masculinidade incrível.

- Não fiz isso antes, pois achei que não iria querer ficar presa aqui comigo… - disse Shaoran logo depois de fixar o bastão na porta.

Sakura desceu da pilha de tatames e caminhou na direção de Shaoran, o alcançando mais ou menos no centro do salão. Ela se aproximou sorrindo e segurou os dois pulsos dele.

- Já parou pra pensar que é você quem está preso aqui comigo?

Shaoran sorriu. Nem quando estavam ali, prestes a realizar os desejos um do outro, as insinuações paravam. Era realmente incrível como ela se tornava totalmente imprevisível quando se sentia confiante, muito diferente da Sakura nervosa que deixava tudo transparecer.

- Agora que estou preso…o que você vai fazer? - ele disse com um sorriso bobo no rosto.

Sakura se viu segurando os pulsos dele, seus dedos nem conseguiam dar uma volta neles. A verdade é que tinha achado a ideia divertida, mas não tinha pensado no que fazer a seguir. Ela também não conseguiu refletir por muito tempo, pois Shaoran facilmente se livrou de suas mãos. Agora ele que a segurava pelos pulsos e a fez ficar de costas pra ele, com os braços cruzados em sua frente. Sem ter como reagir ela apenas curtiu enquanto ele afundava o rosto em seu pescoço, lhe dando vários beijinhos na nuca.

- E agora que eu estou presa… o que você vai fazer? - quis saber Sakura, deitando a cabeça e permitindo que ele continuasse beijando seu pescoço.

- Vou te derrubar no chão. - ele disse fazendo uma pausa dramática. - Não tente evitar se não você pode se machucar, ta bom?

Sakura concordou com a cabeça sem saber se ficava ansiosa ou assustada. Muito antes de decidir, Shaoran já tinha girado seus braços de uma maneira que ela jamais conseguiria repetir. Totalmente desequilibrada foi ao chão primeiro sentada e com mais um movimento circular ela terminou deitada de bruços.

Ele agora segurava seus dois pulsos para cima de sua cabeça, apenas com uma mão. De joelhos ao lado dela, ele tinha uma mão livre para puxar a blusa de tecido leve que ela usava para cima, até passar o pescoço. Ao invés de tirá-la totalmente pela cabeça, ele a deixou ali, passando apenas a boca, atrapalhando quase que completamente a visão dela.

Era muita crueldade. Uma crueldade muito maravilhosa. Agora ela não tinha a menor noção do que ele faria a seguir, com as mãos presas para cima e de bruços no chão só podia aguardar os próximos movimentos, que não demoraram a vir. Parecia que sem poder contar com a visão, seus demais sentidos tinham se aguçado. O toque dele se iniciou pela parte mais baixa da sua lombar, com as pontas dos dedos, dançando pelas suas costas muito suavemente. A tortura durou alguns segundos até que todos os pelos do seu corpo estivessem arrepiados.

Em seguida Sakura sentiu os ganchinhos que fechavam seu sutiã abrirem, deixando suas costas totalmente nuas. Shaoran lhe acariciou exatamente na porção de pele que a lingerie cobria antes, como se estivesse reivindicando todos os centímetros da pele dela para ele. Logo ele a virou de frente pra ele, liberando seus braços e tirando a blusa que cobria seu rosto.

Assim que recuperou sua visão, a primeira coisa que viu foi um par de olhos castanhos lindíssimos. Ele estava por cima dela, com os joelhos apoiados ao lado do seu corpo, um braço apoiado no chão, e com a mão livre ele arrumava algumas mechas do cabelo que tinham ficado sobre seu rosto.

- Posso te chamar de Sakura?

Sakura sorriu. Depois dos beijos, depois de estar seminua, aquela pergunta era realmente necessária?

- Hum… Não sei se temos intimidade suficiente para isso ainda. - ela respondeu rindo.

- E para isto… - ele disse deixando um rastro de beijos do pescoço até alcançar um dos seios dela - ...temos intimidade suficiente?

A pele de Sakura era macia e aveludada, e Shaoran queria sentir e beijar cada centímetro. Os seios dela eram delicados e não muito grandes. Beijou um dos mamilos enquanto acariciava o outro. Sakura arqueou as costas curtindo e permitindo que as carícias continuassem, enquanto enlaçava os dedos no cabelo rebelde dele. Já estava excitada antes e agora parecia que ia explodir.

Ele percorreu com beijos até a barra da calça de Sakura e a abriu. Ela ergueu o quadril para que ele tirasse a peça com mais facilidade, e logo estava só de calcinha. Ele logo voltou para beijá-la, e ela aproveitou para abraçá-lo com as pernas e girá-lo para o lado, ficando sentada por cima dele. Shaoran se deixou conduzir facilmente e apenas assistiu enquanto ela desfazia o nó da faixa que ainda usava.

Sakura não teve muita dificuldade em desamarrar a faixa preta, mas as cordinhas que prendiam a calça estavam muito bem atadas. Shaoran fez menção em ajudar mas ela não o deixou. Sakura se abaixou e usou a boca para desfazer o nó, de uma maneira muito provocativa. Shaoran tentou abafar uma risada alta. Todas aquelas provocações não teriam fim, e era fantástico. Assistiu com gosto a japonesa desfazendo o nó e em seguida tirando suas calças por completo.

Assim que fez isso Sakura sentiu Shaoran a puxar de volta para cima dele. Ele estava sentado, e ela no seu colo de frente para ele, com os joelhos no chão. Naquela posição os seios de Sakura ficavam exatamente no rosto do rapaz, que a segurava firme, o mais próximo possível, enquanto beijava-os. Ela abraçava a cabeça dele, puxando seus cabelos entre um gemido e outro. Conseguia sentir a ereção de Shaoran em sua virilha, e mexia o quadril numa tentativa de saciar seu desejo que só aumentava.

Houve momentos em que Shaoran tinha praticamente lido os pensamentos de Sakura, e aquele não seria uma exceção. Ele percebia que ela já estava no limite, quase desesperada. Ele a libertou lentamente do abraço forte e acariciou seu rosto, olhando-a nos olhos.

Fique bem aqui, paradinha, Sakura.

Sakura não estava mais em condições de protestar. Ajoelhada ali, ela mesma segurava os próprios seios. Só queria consumar logo aquela relação que já beirava a tortura. Seu coração disparou enlouquecido quando percebeu Shaoran escorregando por de baixo dela, até ficar com a cabeça perfeitamente em baixo. Quando ele puxou sua calcinha para o lado e a beijou diretamente no clítoris ela não aguentou. Apoiou as mãos no chão e praticamente sentou no rosto dele, querendo mais.

Shaoran ouvia Sakura arfando e gemendo enquanto ele a chupava e penetrava com os dedos. Ela sentiu o corpo todo se incandescer, cada segundo o prazer ficava mais forte e mais difícil era suportar o próprio peso. Com os as pernas e braços bambos, não levou muito tempo para que Sakura praticamente desabasse. Se deixou cair, deitando de costas no chão, ofegando e curtindo aquela sensação de relaxamento intenso que percorria todo o corpo. Logo ele a acolheu, beijando seu rosto e fazendo carinhos.

- … nem sei o que te dizer, Shaoran… - falou Sakura baixinho, controlando a respiração e se recuperando do torpor.

Ela estava extasiada. Quando parou para refletir sobre a situação, concluiu que se não fosse com ela, não acreditaria. Não acreditaria que Shaoran tinha o corpo tão perfeito que parecia que tinha sido uma obra do photoshop. Não acreditaria no quão carinhoso ele estava sendo, mesmo durante os pequenos joguinhos que faziam. Não acreditaria nas sensações que ele a fez sentir, se ela mesma não as tivesse sentido. E mais do que isso, não acreditaria que mal haviam começado.

- Se está gostando, não precisa dizer nada.

Shaoran a beijava no pescoço carinhosamente aguardando alguns instantes para que ela se recompusesse. Percebeu quando a pele dela ficou toda arrepiada e se deu conta de quão gelado o chão estaria. Estalou um beijo em sua bochecha e se levantou. Sakura o teria segurado se ele não tivesse sido muito rápido. Logo viu que ele caminhara na direção da pilha de tatames emborrachados, de onde pegou duas peças e as montou ao lado dela.

- Não é uma colchão de molas, mas vai servir. - ele constatou sorrindo.

Sakura não estava se importando em estar no chão, mas com certeza o tatame seria melhor. Se levantou e puxou Shaoran para que ele deitasse e ela pudesse ficar por cima. Beijou-o e colou os corpos, sentindo o tronco bem definido dele com o seu e pressionando propositalmente sua coxa contra a virilha dele. As carícias dele, antes mais carinhosas, começaram a ficar mais enérgicas. O beijo era profundo e começava a ficar desesperado.

Ela interrompeu o beijo para ir descendo pelo pescoço e tórax dele. Também fez questão de parar num mamilo, o lambendo e mordiscando. Conforme ela descia por seu corpo, Shaoran erguia a cabeça para poder vê-la. Ela percorreu sem pressa o caminho dos quadrados do abdome até o umbigo e depois para as laterais, onde o músculo pélvico formava um 'V'. Chegou a barra da cueca e a retirou sem cerimonias.

Shaoran se viu finalmente livre de sua última peça de roupa. Seu pênis se revelou erguido e Sakura não exitou em segurá-lo firme e chupá-lo. Shaoran pela primeira vez perdeu o controle da respiração, começando a ficar ofegante. Vê-la fazendo era quase tão bom quanto sentir, por isso tratou de segurar os cabelos dela para que não ficassem na frente. Percebendo isto Sakura abriu os olhos e o lambeu inteiro lentamente, o encarando, fazendo Shaoran gemer palavras que a japonesa definitivamente não tinha aprendido nas aulas de mandarim.

Ela em seguida voltou a se sentar por cima dele. Com uma mão se apoiou no peito dele para que não se levantasse e com a outra segurou seu pênis no ângulo correto para que se encaixassem com perfeição. Shaoran tentou se levantar, queria agarrá-la, mordê-la, apertá-la, mas ela se manteve firme. Precisou depositar todo o pouco peso que tinha nos ombros dele para impedi-lo.

Shaoran a segurou nas coxas com força e só relaxou quando ela iniciou movimentos ritmados quase circulares, como um rebolado. Os seios de Sakura balançavam a poucos centímetros do rosto dele no mesmo ritmo, hipnoticamente. Ela sentia todas as terminações nervosas de seu corpo se aquecerem em sensações que misturavam relaxamento com desespero, excitação com realização, adrenalina com o cansaço. E instantes antes de perder o fôlego, Sakura sentiu ele lhe segurar quase que pelas nádegas, dando o suporte que ela precisava para continuar.

O rebolado se transformou num movimento reto e mais veloz. Com o suporte dos braços dele, jogava sua pélvis para frente e para trás em batidas ritmadas. Shaoran sentia o corpo todo estremecer de prazer mas não queria que acabasse tão rápido. Juntou todas forças que tinha para parar o movimento dela. A segurou com força pela bunda a puxando contra si como se fosse possível ficar mais próximo que já estavam. Com um movimento rápido a virou e a deitou no tatame, ficando por cima.

Shaoran recomeçou os movimentos mais lentamente enquanto beijava e apertava os seios dela. Sakura o abraçava com as pernas, puxava o cabelo dele e arranhava suas costas, sem nem se dar conta do que fazia. Ele aos poucos acelerou e a respiração dela foi ficando cada vez mais pesada misturada com gemidos altos. Logo os gemidos viraram súplicas por mais e mais, e Shaoran apoiou os braços no chão para atender os pedidos. Só se realizou quando sentiu a pélvis de Sakura se contrair em volta de seu pênis ao mesmo tempo em que ela gritava seu nome em êxtase.

Ao som do gozo dela, com seu nome sendo repetido diversas vezes, ele não teve mais com aguentar. Atingiu o clímax num grito, quase um rugido, com seu corpo explodindo num fervor absoluto. Shaoran quase desabou por cima de Sakura, que não tinha como suportá-lo. Ofegantes e sem mais forças os dois se abraçaram de lado, se acolhendo e aproveitando os resquícios dos prazer intenso que sentiram.

Shaoran não tinha dúvidas de que seu desrespeito pelo dojo tinha valido totalmente a pena. Depois do que sentira tinha certeza que todos seus antepassados o perdoariam, talvez até o invejassem. Sakura se aconchegou nos braços dele buscando calor, e já pensando o que aconteceria dali para frente. Não demorou para que seus pensamentos fossem interrompidos.

- Você vai continuar vindo nos treinos, não vai? - Shaoran quis saber.

- Caramba… - Sakura disse se sentando - Você não esquece um segundo que sou sua aluna?

Shaoran quis morrer. Era óbvio que aquela era uma péssima pergunta.

- Você parece me entender tão bem, e de repente parece uma porta. Bem como a Meiling falou. - completou Sakura rindo.

- É…. as vezes eu sou uma porta mesmo. - ele riu se sentando também - O que eu quero saber é se vamos nos ver mais vezes. No treino ou não…

- Se todos os treinos forem que nem o de hoje, não vou perder um.

Sakura se levantou recolhendo as peças de roupa espalhadas pelo chão, exibindo o corpo ainda nu. Shaoran riu percebendo que ela desfilava, e se aproximou abraçando-a pelas costas.

- Nenhum treino nunca mais vai ser tão bom quanto esse, mas prometo me esforçar para te ensinar tudo o que eu sei. Vamos deixar esses outros assuntos para locais mais apropriados…. mais confortáveis… - ele falava baixinho.

Sakura sentiu o corpo todo se arrepiando.

- Amanhã, na minha casa, você leva o que sobrou da garrafa de tequila. Combinado?

Shaoran riu lembrando da combinação que haviam feito a respeito do que sobrara da garrafa. Haveria limites para as brincadeiras? Continuariam trocando mensagens insinuantes? Seria sempre assim tão divertido? Shaoran estava louco para descobrir.

- Combinado.

FIM


Obrigado por terem lido e comentado! Espero que tenham se divertido =)