O telefone tocou onze vezes, até Hermione Granger desistir de contar. Com um suspiro, abaixou a cabeça sobre a mão, o cotovelo apoiado na mesa. O copo de café ainda intocado repousava na sua frente. Escutou o molho de chaves do marido tilintando e logo em seguida a porta principal sendo aberta. O relógio de ponteiros vermelhos da cozinha marcava dez horas. Tomou então um gole da bebida, gelada pelo tempo e levantou-se.

- Achei que estaria no hospital – disse um Wesley surpreso ao ver a mulher surgir da cozinha.

- Não trabalho essa noite.

- Você não parece muito bem.

Rony se aproximou da bruxa e a envolveu num abraço carinhoso. Hermione não conseguiu retribuir. Seus braços simplesmente não se erguiam do lado do corpo. De repente, sentiu-se invadida por uma sensação que vinha sufocando há anos. Afastou-se de Ron e contemplou seu semblante confuso.

- Desculpe, estou cansada. Vou dormir.

- Mione, precisamos conversar.

- Por favor, Ron. Agora não.

Hermione virou a cabeça a fim de evitar o contato visual com o marido. Rony olhou-a por um momento. Então assentiu com a cabeça e saiu da sala.