Eu escrevi este capítulo enquanto ouvia João e Maria (Chico Buarque). É mais do que recomendado para ouvir esta musica quando for ler, hein~
(Esse provavelmente é o capítulo mais angst e mais wtf da fic. :v)
Enjoy!~ [Pois você sumiu no mundo sem me avisar / E agora eu era um louco a perguntar / O que é que a vida vai fazer de mim?]
A brisa fria trazia pequenas nuvens para acompanhar a lua solitária no entardecer da noite. Sua forma esférica iluminava todo o instituto e sua face apontava diretamente a entrada do jardim secundário, exatamente como Diana previu. Pelo horário tardio não havia nenhum vestígio de pessoas próximas ali. Diana estava ansiosa, ela esperava que Leona entendesse seu recado. A Lunari usava seu vestido de corte Rakkoran favorito e trazia consigo uma grande toalha de piquenique, esperando poder observar a noite confortavelmente dessa vez. Estendeu a toalha na grama e deitou por cima, pondo os braços atrás da cabeça para servir de apoio. Alguns quartos de minutos se passaram até Leona chegar ao lugar marcado com um cesto de frutas.
- Certos hábitos nunca mudam. A Lunari sorriu ao ver o que ela trazia nas mãos. - Ainda me lembro da primeira vez que você trouxe um cesto com vinho Targonês para observar a noite comigo.
- Então você deve se lembrar que não fui eu quem passou mal por provar bebida alcoólica pela primeira vez, uh?
- Ah, mas eu lembro de você ficar bêbada demais a ponto de não saber nem como usar sua espada.
Diana falava calmamente sem tirar o leve sorriso dos lábios. Leona corava levemente ao lembrar certos... Acontecimentos daquele dia. Olhou para a toalha estendida na grama e sorriu, pondo o cesto ao lado da toalha.
- ...De qualquer forma, te fiz esperar muito?
- Só o suficiente. Porque não senta aqui?
- Por que eu ainda não tirei o elemento secreto do cesto...
Leona se ajoelhou na ponta da toalha e abriu o cesto, tirando uma garrafa ornamentada e uma taça que logo foi entregue para Diana.
- Hm. Definitivamente certos hábitos nunca mudam. Diana a olhava maliciosamente enquanto se erguia para ser servida. – E Por que só uma taça? Pretende deixar eu me divertir sozinha?
- Não posso manter os velhos hábitos dos Rakkor?
Leona deu seu primeiro gole direto da garrafa antes de encher a taça de Diana, que ergueu sua sobrancelha.
- Eu não mantive os meus. Por que você iria querer manter os seus? Diana hesitou um momento antes de dar seu gole. Crescida em meio aos Solari como ela foi, algumas tradições rústicas de sua tribo vizinha ainda lhe pareciam estranhas. Leona apenas a fitou curiosa.
- Não me diga que você está com nojo? Você não pareceu ter da primeira vez... Espera. Acho que entendi agora... Pra você aquilo foi um beijo indireto, não foi?
A Escolhida da Lua fechou os olhos tentando esconder o rubor do rosto. Leona finalmente sentou ao lado da Lunari e sorriu o maior de seus sorrisos maliciosos. – Admita, Diana!
Diana tinha virado o rosto e bebericado do vinho na taça dada para tentar amenizar seu rubor.
- N-não tenho culpa se eu mantive as regras básicas de etiqueta dos Solari e você não.
- Ahãmmmm... Bom, um dia você Admite. A Solari tomou mais um generoso gole do vinho em frente à Diana. - Mas nada me impede de te dar um beijo direto agora...
Leona guardou a garrafa no cesto e puxou a Lunari pelo tecido frágil e sedoso do vestido para iniciar o beijo. Ficou surpresa quando Diana a correspondeu sem afastá-la antes, coisa que normalmente acontecia quando ficavam muito próximas. Leona mordeu o próprio lábio antes de voltar a atacar os de Diana e aprofundar o beijo. Sentiu mãos frias lhe percorrer a nuca, fazendo sua pele arrepiar e escapar um leve gemido da boca. Adorava essa sensação que tinha com Diana. Cada toque dela fazia seu corpo arquear involuntariamente e sua pele brilhar pequenos e gentis raios de sol acolhedores o bastante para Diana, que parecia aceitá-los de bom grado.
Apenas quebraram o beijo quando sentiram o ar em falta.
- Você continua sensível como um girassol. Diana brincava com a ponta dos cabelos ruivos de Leona, que se afastou brevemente para pegar a garrafa do cesto e beber o vinho com vontade.
- Girassóis não são tão sensíveis assim... Viu?
- Hey, vai com calma. Não é nada divertido escutar papo de bêbado, sabia?
Com a boca entreaberta, Leona passou a língua pelos lábios devagar como provocação. Diana não deixou barato e capturou os lábios da Solari e os lambeu para pegar o gosto do vinho. Suas mãos frias gentilmente corriam os ombros descobertos da outra, longe da atitude brutal que costuma ter durante suas batalhas. Diana não conseguia deixar de ser delicada nos toques e afiada na língua. Era essa atitude que sempre fez a Ex-Rakkor procurá-la.
=~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~=
Conforme o álcool surtia efeito no sangue, o contato íntimo das duas aumentava. Os corpos perdiam o balanço e a respiração antes calma se tornava mais e mais pesada. Elas estavam no limite e sabiam disso. O que elas não sabiam era se ultrapassar o limite era prudente ou não.
...Não que elas não quisessem, e não que não estivessem inseguras também.
- Leona...
Diana segurava delicadamente o par de braços que pousava em seu ombro, quebrando o ultimo beijo.
- Hmmmmm... Por que parou...?
A Solari ronronava, ainda meio perdida dos sentidos.
- Porque está ficando exatamente como daquela vez.
- Mas eu não me importaria de repetir aquela vez... Sua voz saia arrastada a cada palavra.
- Mas eu me importaria. Principalmente porque você parece um disco arranhado quando fica empolgada.
- Mentira!
Leona imediatamente se recompôs e fuzilou Diana com o olhar. A outra não pôde conter o sorriso.
- Verdade. Agora Vamos ver o que mais tem nesse cesto. Diana se inclinou para alcançar e puxar o cesto para mais perto de si, e ficou surpresa quando viu sua fruta favorita: Uvas Silvestres. – Você realmente pensa em tudo, Leona...
- Gostou? Me dê o cacho que eu te dou as uvas na boca.
Diana entregou o cacho e deitou sua cabeça no colo de Leona.
- Você até que saber ser atenciosa quando quer... Quem te conhece nunca imaginaria esse lado carinhoso.
Desta vez a própria Leona corou de vergonha e por pouco se perdeu nas palavras que ia dizer.
- ...Mas você é a única com quem eu faço esse tipo de coisa, Diana!
- Nem mesmo o projeto de padeiro? Vocês passavam muito tempo juntos também.
- O Pantheon? Credo, Não! Ele é só um irmão de combate pra mim. Leona encarou Diana por breves segundos e finalmente entendeu o que sua amada insinuava. - Hey... É impressão minha ou você tem ciúmes dele?
- Você sempre cria conclusões precipitadas, Leona. Diana forçava uma expressão indiferente no rosto, mas seu tom de voz incomodado a entregava. - Mas... Até onde eu lembre, todos em Monte Targon esperavam que vocês dois se casassem e tivessem filhos.
Ah, pronto. Até Diana repetiu o discurso que incomodava Leona profundamente. Houve uma época, durante os primeiros meses de adaptação a cultura Solari, em que boa parte das vezes que seus pais visitavam Leona eles lamentavam ela ser A Escolhida do Sol e não a guerreira Rakkor que ataria laços com o Guerreiro em Ascensão mais habilidoso da Tribo de Rakkor -sendo que em momento algum de sua vida Leona demonstrou interesse romântico e sexual pelo amigo-. Essa aversão à amizade entre pessoas de sexo oposto sem segundas intençõesa enojava Leona e Diana, intencionalmente ou não, pisou neste calo dolorido.
- Quer saber, talvez eu casasse com ele se eu já não amasse alguém que continua fugindo durante a noite para pegar sereno à toa.
Diana se irritou com a declaração pobremente humorada. Ela sempre soube que Leona nunca a compreenderia, mesmo aparentando apoiá-la.
- Como ousa falar de mim? Não é você quem costuma caminhar de armadura vinte e quatro horas por dia como se ainda tivesse em treinamento? A sua cabeça dura é tão grande que até mesmo de madrugada você fica passeando pelo jardim do instituto com o maldito escudo e espada e o maldito metal reluzente-
Leona estava boquiaberta. Não pelas acusações de Diana, mas sim pelo fato da Lunari nunca sequer ter tentado contato com ela. Isso a entristeceu de um jeito maior do que quando ouviu da boca dos Anciões Solari as atrocidades cometidas por ela em sua Tribo durante sua ausência.
- Diana... Se você sempre me viu, porque nunca se aproximou?
- Leona, se eu me aproximasse antes você não estaria aqui me fazendo essa pergunta estúpida. Entenda, antes da partida que tivemos mais cedo eu realmente não pensava em outra coisa se não te ferir. E provavelmente teria te ferido mesmo. Nós não poderíamos sequer ter esta noite juntas como agora, compreende? Fora que... Você sabe, eu sempre me perco quando olho o céu da noite. Diana fitou brevemente a lua quase oculta pelas nuvens antes de voltar sua atenção para Leona em uma expressão aborrecida. - Além do mais, eu não queria mesmo desperdiçar meu único momento de paz, mesmo com essas suas botas barulhentas tirando toda minha concentração todo santo dia.
- Tsc... Leona ignorou toda a declaração de amor passiva agressiva de Diana quando ela insultou sua armadura sagrada. com um misto de irritação e indiferença a ruiva comeu o restante das uvas no cacho e ainda de boca meio cheia murmurava - Típico de uma morcega.
Diana não gostou nem um pouco do que ouviu.
- Ah, você não disse isso.
- É, eu disse. O que vai fazer a respeito?
E a Lunari se virou de repente, pressionando seu corpo contra o de Leona e segurando forte seus braços. Seus olhos platinados faiscavam ódio. Leona ainda não tinha percebido, mas sua provocação despertou uma reação contrária em Diana. Por mais infantil que a atitude pareça, ela tinha tocado em uma ferida aberta da amante. O ódio da prateada não era apenas por causa do apelido de péssimo gosto, Diana o cansou de ouvir das outras crianças. Ouvir de Leona foi que doeu. A fez lembrar de como ela se sentia inferior e incompreendida, também a fez se lembrar do remorso que sentiu após entender que não importa o quanto se esforce, ela nunca poderá estar no mesmo patamar que sua contraparte Solar. Não que Leona realmente se importasse. E talvez esse fosse o problema. Ela nunca se importou com quem Diana realmente era.
- Tsc. Eu devia ter adivinhado. Você só fez crescer em corpo, Leona. Em mente você ainda não passa de um cãozinho amestrado.
As últimas palavras de Diana fez o sangue de Leona ferver. Ela não conseguiu engolir as palavras acusatórias recebidas e quis responder a afronta com a mesma moeda.
- E você continua a mesma lunática que se esconde na máscara de culta e estudiosa! PRA QUE DIABOS VOCÊ FOI PROCURAR SOBRE ESSES MALDITOS LUNARI!? O álcool mais do que gritava por ela a cada palavra pronunciada. Seu torso se rebatia contra a pressão dos braços de Diana nos seus ombros, e Leona não mais controlava sua voz alta e embargada de dor e veneno. — VOCÊ FOI MARCADA COMO GADO E SEPARADA DE NÓS FEITO UMA LEPROSA E AINDA FOI QUASE SACRIFICADA SÓ POR QUERER RESPOSTAS! ME DIZ, DO QUE TE SERVIU TUDO ISSO!?
Diana mordeu os lábios tamanho seu ultraje, e explodiu em mágoa.
- SERVIU PRA ME DEIXAR MAIS PERTO DE VOCÊ! ERA NOSSO SONHO, LEMBRA!? OU SERA QUE JÁ ESQUECEU?
Diana apertou o os pulsos de Leona o suficiente para machucar. Agora tinha certeza de que Leona nunca a entendeu de verdade, e queria mais do que tudo fazer a Solari sentir sua dor. Sua voz, entretanto, voltava ao seu tom mais frio em contraste a sua respiração descompassada.
- Acho que seu amor era só mais uma das mentiras que todos os Solari contam.
Conforme o aperto firme nos pulsos de Leona se afrouxava, mais o arrependimento se fazia presente em sua face tonalizada. Seus olhos âmbar não encontraram nada além de raiva e ressentimento nos prateados de Diana. Leona estava praticamente em choque, e a mistura de euforia e o álcool no sangue não a deixou formar nenhuma palavra em sua defesa. A única ordem processada em sua mente era a de não deixar Diana se afastar. E foi o que fez quando levantou seus braços e seu corpo bruscamente para trocar posições.
- Nem mesmo se atreva.
Diana Demandou com a mesma voz fria das gotas de chuva que começaram a cair do céu. Tão inútil ordem, Leona fez exatamente o oposto. A abraçou mais forte, sem dar chances de escape. Que ficassem doentes se necessário, mas ela não se permitiria ficar longe de Diana de novo.
- Poderosa Lua, me dê forças... Diana sussurrou baixo, sentindo o poder de sua protetora fluir em seu corpo e ajudá-la a se desvencilhar do abraço de Leona. - Você não tem o direitode me julgar e sabe muito bem disso.
Estas foram as ultimas palavras da Lunari antes de seguir para o instituto por seu caminho secreto jardim adentro.
=~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~==~.~.~.~.~=
Mais uma vez Diana negou o calor do Sol.
Onde ela estava com a cabeça para deixar Leona brincar com seus sentimentos de novo? Ela sempre soube da bondade incondicional de sua amiga e também sabia que se expor à tamanha bondade podia ser sua própria ruína. Contudo...
Por mais ódio que sinta pelos Solari, tem algo em Leona que sempre fez Diana perdoá-la. Atração física, magia talvez? Pelo que leu nos antigos escritos Lunari, o Sol, de tão cansado de guardar o céu sozinho decidiu dividir seu poder com a Lua, que em agradecimento ilumina o céu noturno quando está em sua forma mais graciosa, e sem a Lua fazendo companhia ao Sol não há equilíbrio na terra. Suas marcas no rosto ruborizavam violentamente ao lembrar como o equilíbrio entre Lua e sol deve ser feito. Tinha de afastar esse pensamento da cabeça, mas era difícil... A umidade que sentia em seu núcleo a fazia pensar como seria interessante torturar Leona com amarras como punição de sua má conduta.
E Diana mordeu o próprio lábio com força ao imaginar a cena.
- Droga...
Praguejou enquanto corria o mais rápido que pôde para seu dormitório.
.
.
.
Continua...
A/N:
Assim como Ahri disse, o que elas mais tem é tensão sexual pra resolver hohoho (666)
[e quem realmente manja das manguaça vai perceber que quando pessoas bebem, além da verdade sair, sai também um hematoma ou outro...]
13-11-18 edit:
É, eu sei. Eu me embriago na mesma fonte do angst e da potarea mêmo :D
Real Orange no próximo capítulo! o/
