3. A Páscoa
Depois que algumas gotas de chuva se responsabilizaram por me acordar do transe, consegui mover alguns músculos e, por fim, atravessei a rua. De fato, cheguei em casa ensopada e louca de vontade de tomar um banho; banho esse que demorou uns quarenta minutos. Detesto ter de admitir, mas aquele beijo foi, no mínimo, viciante.
Hyuuga Neji...Quem diria que ele se chama Hyuuga Neji, tudo bem que é um nome que qualquer um poderia ter, mas soa tão bem pra ele, nome e sobrenome que se encaixam perfeitamente sobre obra e criatura.
Depois de me perguntar, inúmeras vezes, se eu estaria sendo uma tonta por não conseguir cair no sono, finalmente dormi. Pois bem, a persistência a mim pertence. Na manhã seguinte, acordei predestinada a fazer alguma coisa, juro que não sabia exatamente o que, mas de algum lugar eu teria de começar!
Comecei me arrumando e saindo pra tomar café em algum lugar que não fosse a minha casa. Decidindo que seria hora de fazer alguma diferença, resolvi ir a uma cafeteria das redondezas e não pedi café, quis beber um suco de laranja, enquanto lia o meu jornal antes de trabalhar, acompanhado de uma suntuosa fatia de bolo de fubá.
Seria irônico dizer que encontrei a alegria que faltava em mim em plena Páscoa, até diria que, se não fosse pela forte chuva que caía lá fora, essa minha vida não passa de uma película cinematográfica.
Nem fora em casa tomar banho, resolvi fazer hora extra, afinal, quem seria o louco que sairia pra ler num tempo desses? Excelente seria se o nome Hyuuga Neji fizesse parte dessa resposta, mas felizmente ou, quem sabe, infelizmente, tenho o porte de bom senso.
Acabado o expediente, peguei a capa de chuva e saí a caminhar para casa, mas por culpa da tal curiosidade, resolvi passar pela praça só pra dar mais uma olhada antes de cumprir o ritual de abrir a porta da sala, colocar a capa pra enxugar, abrir uma caixa de bombons juntamente a uma garrafa de vinho e desfrutar a Páscoa sentada no sofá de fronte à televisão. E...Que mal poderia me fazer? Ele não sabe mesmo quem sou. Por fim, me peguei embaixo de uma marquise olhando fixamente pro chafariz que a criatura estivera sentada diversas vezes. Até que as luzes da cidade conseguiram dar vida à paisagem, honestamente, nunca reparei nelas.
- Eu juro... Não sei porque comecei essa história – pensei alto.
- Pra você – alguém...Alguém não, ELE! Ele me estendeu um lindo ovo de Páscoa!
-... – e fiquei sem palavras mais uma vez, ô mania!
- Perdeu a voz? – ele ironizou
- Aham – fui obrigada a concordar
- To ficando bom nisso...
- Por que?- perguntei
- Por que o que?- devo admitir, ele é excelente com perguntas.
- Por que é que isso está acontecendo? – caí em seu jogo
- Você ainda não sabe?
- Não...
- Consegui controlar aquilo que entra pela janela- respondeu com um sorriso triunfante
- Finalmente a casa aberta! – bradei satisfatoriamente, acreditei que finalmente pude fazer a diferença.
- Na verdade...Não.
- Não?
- Sabe aquela história de que quando a vida te fecha uma porta, você deve pular pela janela?
- Sei
- A vida foi generosa, não precisei pular a janela- ele confessou
- Então?
- Alguém a deixou aberta pra mim.
- Um minuto- lhe pedi
- Aonde vai?
- Preciso me molhar – e caminhei pra baixo da chuva
- Você vai pegar um resfriado – fui alertada
- Calma! Já to saindo! – e retornei sorrindo pra baixo da marquise
- Você é maluca! – resmungou enquanto retirava um lenço da maleta e me estendia
- Na verdade, sou Mitsashi Tenten.
- É...Eu sei.
- Hm?
- Seu crachá...Desde sexta feira...
- Vo-Você sabia?
- Claro, assim como tem seu nome, tem cargo, o nome de onde trabalha...Imaginei que fizesse esse caminho todo dia.
- Mas...Você não vem sempre aqui?
- Apenas pra ter certeza de que você também viria.
Após essa tirada, precisei rir de minha desgraça
- O que foi? – suponho que o deixei instigado com minha crise de risos.
- Descobri que não posso controlar a sorte que entra pela janela.
- Mas pode aceitar ou não- rebati
- Já aceitei- sim, esse homem sabia como me surpreender - Vamos passar a Páscoa embaixo dessa marquise? – ele continuou
- Você bebe vinho? – resolvi arriscar
- Se tiver onde passar a noite...Bebo.
- Vem – e fomos para a minha casa.
-
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-
Até que essa história teve um final feliz. A Páscoa deixou de ser a mesma e, acredite se quiser, vinho e chocolate podem juntos vencer incansáveis batalhas contra o escrúpulo.
Como uma convicta curiosa, aprendi a trabalhar com a curiosidade a meu favor, portanto, imagino que estejas se remoendo a espera de um relato dessa noite, madrugada, dia seguinte... Ou melhor, de todas as noites que Hyuuga Neji e eu viríamos a passar juntos depois dessa Páscoa. Mas não se esqueça de que acima da curiosidade, existe uma força superior: a imaginação.
E juntamente a ela, te deixo alguns ingredientes: Vinho, chocolate, uma noite chuvosa e sem eletricidade, conversa mole, beijos roubados e uma cama de casal.
N.a.:
Oe oe!
Eis que consegui concluir a fic no prazo!
Confesso que julgo essa fic como a mais gostosa que já escrevi! Além dos chocolates é claro, tive um grande apoio de pessoas muito bacanas e que realmente fizeram diferença!!
Arigatou!!
Feliz Páscoa e até a próxima fic,
Uchiha Yuuki
