Capitulo 2 – Algumas outras perdas, alguns outros ganhos.
"Quando a vida lhe oferecer a felicidade com uma mão, conforme-se. Ela ja lhe tirou algo importante com a outra"
Carlisle estava a sós com Jonh enquanto Esme, sua adorável e maternal esposa ninava Alice em seus braços e sussurrava com Edward algumas historias. A áurea de amor que Esme tinha em volta de seu corpo era quase palpável. Seus olhos azulados brilhavam enquanto ela conseguia arrancar alguns risos do pequeno Edward.
Sorri ao ver que os dois teriam proteção quando, o que eu temia, aconteceu. Ao subir as escadas rumo ao quarto principal, agora onde todos dormiam juntos. Ouvi a respiração fraca de Jonh do corredor. Apressei meus passos até entrar no quarto e ver que a morte mais uma vez passara em minha frente. Astuta, como sempre.
Carlisle tinha os braços apoiados nas longas pernas enquanto os dedos finos se estralavam. A aflição e a frustração o abraçava de forma triste. O primo, e acima de tudo, amigo estava pela misericórdia da jovem e impiedosa morte em sua frente. Fraco e sem forças mais para lutar contra sua perda, Jonh se culpava por deixar o filho e sua doce e esperada princesa sozinhas no mundo.
-Cuide deles. – a voz rouca de Jonh soou baixa, dolorosa. – Eu não estou sendo bom o suficiente para cuidar de meus filhos, Carlisle. Por favor!
Carlisle apertou-lhe a mão e apenas assentiu com a cabeça lentamente.
-Finalmente. – Jonh balbuciou. – Sarah! Parece tanto tempo... - disse deixando sua cabeça pender para o lado.
Antes que o sorriso completasse o rosto de Carlisle, Jonh tossiu e com olhos fixos no nada, suspirou. Morto.
Eu pude sentir a alegria pungente dominar o corpo de Jonh antes de seu ultimo suspiro. Misturada com a dor, a culpa e a pneumonia que lhe corroia os pulmões. Eu pude senti-la por alguns segundos.
Carlisle respirou fundo, e fechou os olhos ainda abertos do amigo. Com passos largos, saiu do cômodo fechando a porta atrás de si. O acompanhei até a ponta da longa escada onde Esme o olhava, sentada na pequena poltrona da sala.
-Como ele esta? – perguntou apreensiva.
Carlisle maneou a cabeça com os lábios retorcidos. A nostalgia estava perdida na tamanha magoa que penetrava seu coração sem autorização. Esme nada conseguiu responder, apenas um suspiro saiu de seu corpo.
Aproximei-me de Edward. O garoto inteligente e de olhos rápidos. Olhava para a cara dos dois adultos intercaladamente. Logo a noticia lhe veio como uma bomba, e antes que ele pudesse emitir qualquer coisa Carlisle se agachou em sua frente.
-Vocês irão conosco, Edward. – a voz penosa tinha um sincero tom de reconforto. -Vamos cuidar de vocês! - os olhos do homem eram fixos na imensidão verde. - Eu prometo. - sua voz não se passou de um simples sussurro.
Apenas um soluço saiu do corpo pequeno de Edward. Uma semana ainda não lhe era o bastante para a perda de sua adorável mãe. Apenas me pus atrás de seus ombros pequenos, e o segurando.
-Calma Edward. – sussurrei próximo de seu ouvido. – Vai dar tudo certo, acredite em mim.
Era como se o garoto pudesse me ouvir. O soluço que a pouco era ouvido pela casa silenciada pela morte, se calou.
-Isso. – continuei a sussurrar. – Iremos enfrentar isso! Confie em mim, amigo.
Edward soltou sua cabeça, deixando-a pender sobre os ombros. Derrotado. Carlisle o puxou para junto de si, e saiu andando até o carro que lhe aguardava na porta. Esme aconchegando melhor a pequena Alice em seus braços fez o mesmo.
Apoiei-me na porta de saída e antes de caminhar até o pequeno balanço do jardim, encarei a agora sombria sala. E se isso fosse impossível, diria que senti o arrepio da morte atravessar meu corpo imortal.
O carro partiu e eu ainda fiquei ali no balanço por mais algumas horas. Era interessante como naquela única semana, eu participei da dor da família Brandon. E a forma de que a felicidade deles – ou uma parte dela – era, de certa maneira, minha responsabilidade. Objetivo.
O sol já estava sumindo pelo horizonte, trazendo a brisa fresca da noite quando eu resolvi deixar aquela casa. O hálito gélido da morte deixara apenas o vazio dentro do lugar que desde minha chegada, predominava a tristeza.
Com o vento novamente soprando em meu cabelo desgrenhado, eu segui pela rua. Tentando ao menos tirar de minha memória as cenas que presenciei ali. Difícil, devo admitir. Seguir em frente agora só iria transformar a minha existência em um vazio absoluto, outra vez.
-Você não precisa disso! – afirmei para mim mesmo.
O vinculo que eu formara com Edward e Alice fora grande, maior do que eu poderia imaginar. Ou agüentar.
