Capítulo 3- A raiva do fracaço
As aulas estavam a todo vapor, no dia seguinte. A briga do dia anterior já havia sido esquecidão que importava mesmo eram as aulas para os pais e as crianças. Sakura passava todas as dicas que Tsunade lhe dera e uma aluna já tinha chamado sua atençao. Yumi era uma menininha pequena e franzina mas com um controle de chakra invejável para ser tão pequena, uma habilidosa com ninjutsus médicos mas um verdadeiro fiasco nos jutsus de seu clã.
E isso parecia incomodar sua mãe, uma mulher magra e franzina como a filha, com compleição frágil demais para ser uma ninja. E a menina herdara suas características.
-Yumi, você precisa se esforçar mais esta deixando a desejar, como espera ser diferente?
-Kitahara-san, posso falar com a senhora um minuto?
A mãe da menina pareceu surpresa, mas assentiu e deixou a garotinha brincando com os outros colegas enquanto se afastava um pouco com Sakura.
-Sakura-san, do que se trata?
-Eu queria elogiar o desempenho da Yumi nas aulas, ela e muito inteligente e dedicada e aprende rápido.
A mulher pareceu surpresa.
-Obrigado! Mas ela não é tão boa assim, e bondade sua, nos jutsus do clã é um verdadeiro desastre ainda nem ativou o Byakugan.
Sakura conteve sua revolta e respondeu calmamente.
-Isso não impede que seu controle de chakra seja invejavel. Ela domina muito bem o jutsu medico e se a senhora me permitir quero ela como pupila, quando completar onze anos.
A mulher pareceu muito impressionada, ficou sem palavras por um momento.
-Cla...claro!
-Por favor, não fale nada para ela agora, quando chegar a hora vou dizer.
-Tudo bem, arigato, arigato!-a mulher se curvou algumas vezes e olhava para Sakura quase com adoraçao- Sakura-san não sabe o que faz por mim e minha filha com essa proposta, arigato.
Ela acenou para Sakura pegou Yumi e foi embora.
Ela e Hinata guardaram os bonecos de treinamento nos fundos da casa e colocaram os bibelôs do jardim de Hinata no lugar.
-Querem ajuda?
-Que isso loira, fugiu do hospital?
-Não testuda Shizune vai me cobrir, esta tudo. Tranquilo por lá.
-Bom saber, hoje pego o turno da noite e da madrugada.
Ino se aproximou das amigas e começou a arrumar os bibelôs no jardim.
-Esta com tempo de tomar um chá, Ino?
-Adoraria, trouxe uns biscoitos de gengibre.- E balançou a sacola na frente das amigas.
Elas entraram e tiveram uma tarde muito divertida de conversa. Hinata contou para Sakura o porquê da estranha atitude da mãe de Yumi. O pai da menina a abandonara quando grávida e ela e a filha passaram por uma longa crise, já que a mãe de Yumi nunca desenvolvera suas técnicas ninjas e era filha de família rica e nunca aprendera a trabalhar com nada. Mas toda sua família foi dizimada no ataque da raposa e ela acabou por se casar com o primo, que a abandonou gravida da filha.
-Meu Deus, que horror!Que espécie de homem faz isso?!
-Muitos Sakura,voce nem faz ideia...
-Ora porca, parece entendida do assunto.
-Claro testuda, não sou uma tonta como vocês me informo.
Hinata interrompeu antes que elas continuassem.
-Então Mey acabou por criar Yumi sozinha, ama a filha, mas tem medo que ela repita sua historia.
-Isso é ridiculo, compreensivel, mas ridículo. Não vou deixar isso acontecer com minha aluna!
As outras duas riram e trocaram olhares cumplices. E voltaram para assuntos mais amenos até Sakura anunciar sua ida.
Ino acompanhou a amiga ate em casa e aproveitaram para conversar, fazia tempo que não conversavam só as duas e por mais que Sakura adorasse Hinata,tinha assuntos que não compartilhava com a amiga e Ino era como se fosse sua irmã.
Sakura tomou um banho enquanto Ino folheava suas revistas.
Ela estava sentada na poltrona de seu quarto quando a rosada se jogou na cama louca para um descanso, mas não tinha tanto tempo. Apenas uma hora até pegar no plantão.
-Sakura, você não acha que esta fazendo muita coisa?
-Não, não acho. Acho que estou ótima.
-Bem pelo menos chorando pelos cantos você não esta.
Sakura encarou a amiga e olhou para o outro lado.
-Do que ia me adiantar? De nada...
-Ei!Isso mesmo, de nada, e não me venha ficar triste por algo que não vale a pena.-A loira se levantou e sentou na beirada da cama da amiga.-Sasuke não vale sua felicidade.
-Sei que não, ocupo meu tempo, mas admito que quando não estão ocupadas as lembranças me atormentam.
-Foi pouco tempo Sakura, apenas cinco meses, mas vai passar logo isso fará parte do seu passado.
-Sim, e eu farei de tudo para que fique.
-Isso mesmo, esse é a testuda que eu conheço. -A loira lhe exibiu um sorriso radiante e abraçou.
-Anda que eu tenho que ir para o hospital.
-Deus me livre!Estou de folga e um moreno lindo me convidou para dar uma volta.
-Quem?
Ino jogou a cabeça para trás rindo com uma expressão sapeca.
-Inuzuka Kiba.
Sakura ficou um segundo parada olhando para a loira para notar que ela falava serio.
-Meu Deus!Ino, voce vai pegar essa vila inteira!
-Ah não enche testinha, deixa a inveja do lado de fora da casa, falta muita gente pra chegar a toda à vila.
-Anda, me conta essa historia ate sua casa.
-Nananinanão, deixou pra depois vamos nos encontrar agora.
-Bem, ok então.
Elas saíram de casa e Ino seguiu para seu encontro com kiba, enquanto a rosada ia para o trabalho.
Foi uma noite longa no hospital e ia ser ainda mais.
-Sakura-san!Shizune-san te aguarda no outro lado do andar de emergência, uma equipe ninja voltou de missão trazendo um ferido grave.
Sakura deu entrada na emergência tomando consciência do caos que se instalara ali. O ninja ferido estava em estado gravíssimo era um jounin do clã Yamanaka e ela começou a trabalhar gritando ordens para todos, precisavam ser rápidos. Sakura trabalhou durante toda a madrugada, sem descanso, reteve a hemorragia extraiu o veneno, limpou as feridas e suturou os cortes e feridas. Quando acabou era de manhã já, e bastou vinte minutos fora da sala para falar com a família dele, já pensava em avisar a Hinata que não iria quando foi avisada que ele não estava resistindo.
Sakura correu para a sala de emergência ,mas foi tarde demais. Ela perdeu ele, e um vazio se formou na mesma hora, oprimindo seu peito.
Respirou fundo para começar todas as etapas que deviam ser executadas de cabeça fria.
Pediu a documentação para assinar o laudo de morte, depois de assinado foi ao encontro da família, ele era jovem apenas 26 anos, estava noivo. A mãe e a noiva se abraçaram em um choro sofrido e angustiado. Ela ainda verificou os últimos pacientes do andar antes de ir.
-Sakura?
-Entra Shizune.
-Tudo bem?
-Não, mas vai ficar.
-Você o conhecia?
-Sim, na época que apliquei o exame chunin eu o examinei. E o exame jounin também, fui eu que o aprovei no teste físico.
-Sinto muito.
-Eu também.
-Quero que tire o fim de semana de folgas.
-Eu não preci..
-Já falei com a Tsunade-sama e com o Naruto.
Sakura a encarou com raiva.
-Não adiante me olhar assim, você esta em uma roda viva à meses precisa de descanso e sei que não é fácil perder alguém em sua mesa.
-Eu já perd..
-Esta avisada Sakura, não entrará aqui amanhã.
Sakura saiu com mais raiva do que nunca do hospital caminhou com passos decididos para a área de treinamento 20, proxima à sua casa.
Era fim de tarde e a Haruno caminhou raivosa e decidida até chegar na área de Treinamento, os ventos fortes e as nuvens negras anunciavam uma chuva forte que estava por vir, mas Sakura não se importou entrou na área de treinamento e começou a treinar arduamente, sem descanso por longas horas, a madeira dos alvos já estavam vermelhas com o sangue que saia dos nos de seus dedos, estava sem as luvas de proteção então socos cortavam sua pele.
Ela descontava toda a frustração dos últimos meses inclusive a de perder um paciente em sua mesa de cirurgia. Aos poucos ia ficando exausta, afinal tinha trabalhado três turnos, sem descanso e gastava o resto de seu chakra naquele treinamento insano.
