Título: Euforia
Autora: Incidera
Rate: M+ (?) - Serei franca. Sou explícita. Sou desbocada. Vou escrever cenas de sexo. Dependendo do meu humor posso apelar nas cenas de violência. Enfim, se você tem medo de ler coisas pesadas, não sei se deveria estar lendo essa fanfic.
Disclaimer: Os personagens pertencem a J. K. Rowling.
Shipper: Draco/Harry; Remus/Sirius; ? (vai saber o que se passa em minha mente perturbada depois de alguns capítulos)
Gênero: Geral/Angst/Romance (aqui vai ter de tudo, provavelmente)
Atenção: É slash, yaoi... blá... blá... Durante algum momento dessa história homens irão se pegar, você foi avisado.
CAPÍTULO 2 - INVERNO DE 2006
Harry revirou na cama, incomodado. Seu abajur há tempo havia sido desligado, indicando que um de seus pais já viera averiguar se ele estava de fato dormindo.
Sonolento e um pouco confuso, ele finalmente foi vencido pela sensação de desconforto. Sentando-se, apalpou o criado-mudo do lado direito da cama procurando por seus óculos.
Em poucos instantes o quarto ganhou foco. Estava tudo escuro, tão escuro que ele mal conseguia enxergar as próprias mãos. Nenhum resquício de luz ultrapassava as frestas da porta de seu quarto e isso significava apenas uma coisa: já era tarde da noite, tarde o suficiente para que seu sempre hiperativo pai estivesse perdido em um sono profundo.
Afastando um pouco os óculos do rosto, aproveitou para coçar um dos olhos com o punho fechado. Aquilo era uma estranho, sua mãe adorava dizer que ele puxara o pai quando se tratava de dormir, ambos demoravam a pegar no sono, mas quando finalmente se perdiam na calmaria nem uma explosão nuclear conseguia acordá-los. Ela afirmara também que a única coisa capaz de interromper o sono de seu pai, era seu choro. Parecia que o cérebro de James se encontrava eternamente sintonizado ao do filho e qualquer som diferente, por mais baixo que fosse, tinha o poder de acordá-lo imediatamente.
Mas ainda assim restava a dúvida, porque ele despertara?
Com seus quase treze anos, Harry sentiu-se bastante intrigado. Tomando a iniciativa de simplesmente aceitar o fato, decidiu não lutar contra a situação. Inclinando-se para a direita, estendeu a mão, ligando novamente o abajur.
Foi só então que ele ouviu. Era um som agudo, horripilante, como se alguém estivesse gritando e sendo sufocado ao mesmo tempo. Os pelos de seu braço imediatamente se arrepiaram e seu coração parecia ter criado vida própria, ameaçando a qualquer momento sair de sua boca para correr desesperado em direção saída.
Tentando se acalmar, ele pensou no que um adolescente normal da sua idade faria se estivesse na mesma situação e não teve dúvidas que qualquer outro garoto começaria a gritar para acordar os pais, mas bem, ele não era normal, ele era um Potter, e Potters não fugiam do perigo, pelo contrário, procuravam por eles. Pelo menos era isso o que seu pai adorava dizer, para logo em seguida receber da esposa um tapa certeiro na nuca.
Já de pé sobre o carpete, descalço, ele rodou no próprio eixo, tentando identificar da onde viera o som. Em sua mente uma vozinha apavorada repetia: "Por favor, que esse som não venha do meu armário. Não do meu armário."
E novamente ele ouviu, o grito abafado, só que agora acompanhado por uma risadinha. Franzindo o cenho, Harry ficou confuso por alguns instantes. Aquela risada definitivamente destruíra o terror da situação, ele se lembrava de ter ouvido algo semelhante em algum outro lugar. E de fato essa risada era uma das poucas coisas que ele nunca iria se esquecer, principalmente pela mesma pertencer a Draco Malfoy, seu vizinho e melhor amigo.
- Malfoy, seu estúpido. Eu sei que é você – sussurrou rapidamente, logo após ter se dado conta de que o pirado estava em algum lugar de seu quarto tentando assustá-lo no meio da noite.
Mas Draco não respondeu ao seu chamado e por alguns segundos Harry duvidou se aquilo realmente se tratava de seu melhor amigo tentando lhe pregar uma peça. Porém não teve muito tempo para refletir sobre o assunto, pois ao ficar de frente para sua janela deparou-se com um rosto muito branco, os lábios de um vermelho escuro e os olhos rodeados por um dourado intenso carregado por linhas negras.
Harry provavelmente teria sofrido um enfarto com o susto se não tivesse logo em seguida reparado nas madeixas loiras que escapuliam ao redor da máscara, formando uma tímida juba platinada.
- Draco! – ralhou em um grito sufocado, conseguindo se conter no último segundo. Um tom a mais e presenciaria um James Potter, muito nervoso, quase arrombando a porta de seu quarto atrás do que quer que fosse que o fizera gritar.
Por detrás do vidro, apenas com a ajuda da luz da lua, Harry conseguiu facilmente perceber que Malfoy ria descontroladamente, parecendo ter se divertido bastante as custas de seu medo.
Emburrado, caminhou em direção a janela, abrindo-a em um rompante e desferindo um belo tapa no topo da cabeça do amigo.
- Ei! – Draco reclamou, sem fôlego – Não precisa me bater.
- Seu idiota! – Harry ralhou com a cara fechada. Ainda conseguia sentir as fortes batidas de seu coração contra o peito. – Você poderia ter acordado os meus pais. Já pensou nisso? Estaríamos ferrados.
Por detrás da máscara Draco revirou seus olhos acinzentados.
- Você quis dizer que você poderia ter acordado seus pais, né? Não fui eu que quase fiz xixi nas calças a menos de um minuto atrás.
Corando diante do óbvio, Harry ficou imediatamente sem jeito. Agira como uma garota e por conta disso Draco iria atormentá-lo para o resto da vida.
- Será que posso entrar agora? – Malfoy, alheio ao drama que se passava na cabeça do amigo, questionou. – Se você ainda não notou, está frio pra caramba aqui fora e eu estou praticamente pendurado no seu parapeito.
Sem pensar muito sobre o assunto, Harry abriu espaço para que ele escalasse para o lado de dentro, fechando a janela logo em seguida para que o vento frio não continuasse açoitando seu quarto.
- Céus, quase congelei o meu traseiro – Draco comentou com uma careta, tomando a liberdade de ir diretamente para a cama de Harry, sentando-se e se enrolando no grosso cobertor do amigo.
- Bem feito, ninguém mandou vir aqui no meio da noite só para me assustar. Aliás, essa não é aquela máscara cara que a sua mãe trouxe da França?
Harry não precisava ver para saber que o amigo sorria como uma hiena por de trás dos lábios de porcelana.
- Sim, essa mesma. Vi ela mais cedo em cima da lareira e pensei: "Nossa, Potter provavelmente gritaria igual uma donzela se eu aparecesse na casa dele no meio da noite usando isso" – explicou enquanto removia a máscara do rosto e a jogava de maneira displicente sobre a cama.
- Eu deveria é te obrigar a engolir essa porcaria. Você quase me matou do coração.
Ao ouvir isso Draco soltou um "bu!" baixo, desvencilhando-se das cobertas e saltando sobre Harry, derrubando-os no chão com um som abafado.
- Merda, pare com isso, você vai acordar os meus pais – Potter reclamou se esforçando para controlar o riso. Sobre si Draco tentava lhe fazer cócegas cutucando suas costelas.
Depois de um tempo, parecendo finalmente satisfeito, Malfoy se acalmou e girou para o lado, deitando-se a esquerda do amigo. Olhando-o com o canto dos olhos, Harry reparou no quanto a pele sempre pálida de Draco estava corada, principalmente na região das bochechas.
- Você realmente escalou aquela videira do lado de fora da minha janela? – perguntou curioso, impressionado com a coragem do loiro.
- Sim – Draco respondeu um pouco sem fôlego – Até consegui alguns arranhões – completou mostrando com orgulho as mãos, onde pequenos riscos rubros podiam ser vistos por toda a extensão de suas palmas.
- Como você pode ser tão idiota? – Harry ralhou. – Porque você não veio com a sua luva?
Malfoy fez uma careta.
- Não pensei nisso. Fiquei três horas e meia esperando que meu pai fosse dormir. Céus, as vezes eu penso que aquele homem é um vampiro. Quando finalmente o ouvi fechar a porta do quarto só consegui pensar em correr para a sala, pegar a máscara e sair pela porta da frente.
- Se Narcisa souber o que você fez, ela vai nos matar – Potter comentou observando o teto.
- Nha, sua mãe não deixaria ela machucar a gente. Lembra aquela vez que quebramos sem querer a janela do velho chato da rua 40? Minha mãe ficou histérica e não parava de repetir: "Que absurdo, agora os vizinhos irão pensar que estou criando um delinquente". Até pensei que ela iria me dar uns tapas, mas sua mãe veio e nos resgatou da tortura.
Ao ouvir isso Harry sufocou uma risadinha.
- Como não lembrar? Aquele velho correu dois quarteirões atrás da gente com um cabo de vassoura, ele não parava de gritar: "Moleques malditos, quando eu por a mão em vocês não sobrará um dedo para contar história". E a cara da sua mãe quando ele foi bater na sua porta? Ele estava usando meias e um par de chinelos verde. Pensei que ela iria ter um troço ali mesmo. – o moreno narrou, usando uma voz anasalada na hora de imitar o velho.
Draco se contorceu por alguns minutos, tentando abafar as gargalhadas que escapavam por sua boca. Rolando no carpete, mal continha o riso que agora inundava o quarto.
- Para com isso – Harry ralhou, dando uma cotovelada certeira nas costelas de Draco, tentando não ser contagiado pela cena.
- Larga de ser estraga prazer, Potter. – Malfoy reclamou, parando deitado de barriga para baixo, apoiado nos dois cotovelos, o rosto virado na direção do amigo, os olhos acinzentados brilhando. – Seu pai parece um urso quando dorme, seria necessário que eu começasse a gritar igual uma banshee para que ele finalmente acordasse.
- É banshee, eu consigo imaginar isso. Você tem mesmo uma voz bastante afeminada. – Harry retrucou tentando conter o riso.
Ofendido, Draco imediatamente ficou de joelhos, erguendo as mãos para o alto com uma postura claramente teatral.
- Ah é assim, é? Então deixa eu cantar uma música para você, bem alto, com a minha voz afeminada! Seus pais vão adorar – e estufando o peito, Draco começou a cantar.
"I'll take you to the candy shop, I'll let you lick the lollypop. Go 'head girl, don't you stop. Keep going 'til you hit the spot."
Arregalando os olhos com o que acabara de ouvir, Harry imediatamente se jogou contra ele, tentando calá-lo com uma mão sobre sua boca.
- Oh, meu deus, não essa música. Cala boca, Draco. Minha mãe odeia essa música, disse que essa é a letra mais obscena que ela já ouviu na vida.
Mas sem se sentir nenhum pouco preocupado, Malfoy continuou cantando enquanto lutava contra as mãos do amigo que ameaçavam impedi-lo.
"Give it to me baby, nice and slow. Climb on top, ride like you in the rodeo. You ain't never heard a sound like this before, cause I ain't never put it down like this."
E Draco continuaria cantando com uma voz extremamente arrastada e fina se Harry não tivesse finalmente conseguido imobilizá-lo, pressionando uma mão sobre seus lábios.
- De todas as músicas que você poderia cantar para acordar os meus pais, tinha realmente quer ser essa? – questionou sem fôlego.
Draco apenas deu de ombros e Harry sentiu os lábios do loiro formarem um sorriso por debaixo da sua mão. Rendido como estava, Malfoy poderia até mesmo ser confundido com um inocente anjinho.
- Okay, eu vou te soltar agora. Por favor, pelo amor de deus, tente se comportar como uma pessoal normal. Se eu tiver que te ouvir mais uma vez cantando 50Cent serei obrigado a te matar.
O loiro concordou apenas com um gesto de cabeça e saindo de cima do amigo e sentando-se agora com as costas voltada para cama, Harry mais uma vez tentou acalmar a própria frequência respiratória.
Por alguns minutos ambos ficaram em um silêncio confortável, Draco ainda deitado e encarando o teto, os braços agora por baixo de sua cabeça, formando um travesseiro.
- Você se lembra da Pansy Parkinson? – Malfoy questionou de repente, do nada, claramente evitando olhar para o amigo.
Harry franziu o cenho confuso com a súbita pergunta.
- Sim. Não é a filha daquela amiga de escola da sua mãe?
- É, essa mesma. Ela estava lá em casa ontem – o loiro continuou, agora com a voz bem baixa.
- Eu sei – Harry respondeu com um dar de ombros – A gente tinha marcado de jogar basquete na garagem, mas você não apareceu, foi ai que minha mãe disse que parecia que vocês tinham visita. Então mais tarde, quando olhei para fora da janela do quarto, vi um carro diferente estacionado na frente da sua casa.
- Ah, droga, eu acabei esquecendo. Desculpe sobre o jogo. – Draco disse em um tom arrependido, agora encarando o amigo.
- Jezz, está tudo bem, cara. Eu sei como a sua mãe fica louca quando vocês tem visitas. – Harry respondeu com um dar de ombros, a verdade é que ficara incomodado sim por ter sido deixado de lado, porém conseguia compreender os motivos do amigo. – Mas de qualquer forma, o que é que isso tem haver com a tal da Pansy "Cara de Buldogue" Parkinson?
Por alguns instantes Harry esperou pela risada que o nome engraçado normalmente arrancaria de Draco, mas ficou intrigado ao receber em troca apenas um silêncio carregado de seriedade.
- Ei, aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupado com a súbita falta de humor do amigo.
Draco continuou imóvel, voltando a encarar o teto.
- Ela pediu para ficar comigo. – finalmente respondeu, a voz firme mas ainda assim muito mais baixa do que o normal.
Por alguns instantes Harry o encarou, boquiaberto, indeciso sobre como agir. Pelo o que entendera Pansy simplesmente tivera a cara de pau de pedir para beijar Draco. Isso era estranho. Ele nunca pensara sobre isso, em beijos e garotas, ainda mais quando essas duas coisas estavam conectadas ao seu melhor amigo.
- Bem – começou tentando parecer descolado – E o que você disse?
Dessa vez Draco o olhou, realmente olhou. Suas íris acinzentadas pareciam querer abrir dois buracos no rosto de Harry.
- O que é que eu deveria dizer? – perguntou, como se o estivesse desafiando ou esperando por alguma resposta específica.
- Não sei – Harry respondeu confuso com a atitude agressiva. – Sei lá. Sim, talvez? Eu não sei.
Draco bufou irritado e se sentou. Os cabelos loiros, despenteados, agora apontava para todos os lados.
- Então o que é que você teria feito? – Malfoy questionou, bastante interessado nas atitudes do moreno.
Pego de surpresa, Potter abaixou a cabeça, pensativo. Nunca ligara para essas coisas e de verdade? Seria impossível que uma garota simplesmente chegasse nele e pedisse um beijo.
- Nenhuma garota pediria para ficar comigo – respondeu por fim, expondo sem querer a insegurança que sempre carregava escondida a sete chaves.
- Do que diabos você está falando? – Draco questionou, bravo.
Harry revirou os olhos.
- Estou falando a verdade, Malfoy. Não sou você.
- O que que isso tem haver?
- Tem tudo haver. Você tem essa aura ao seu redor que atrai as pessoas, fora essa peruca platinada que você chama de cabelo. – Harry respondeu o mais despreocupado que pode, tentando esconder o tom magoado que ameaçava borbulhar para fora de seu peito.
Draco ergueu uma sobrancelha e assumiu uma carranca logo em seguida.
- Aura? Não foi você mesmo que uma vez me chamou de metido por conta disso? Disse que eu parecia um riquinho esnobe e que eu andava por aí estufando o peito igual a um pombo?
- Bem, as garotas parecem gostar disso – Harry deu de ombros, não arriscando encará-lo.
Draco ficou em silêncio por algum tempo, pensando.
- Isso te incomoda? – perguntou um minuto depois, uma nota de preocupação claramente contida em sua voz.
Harry pensou antes de responder. Não é que tivesse inveja do impacto que a presença de Draco causava nas pessoas, era mais como se ele tivesse ciúmes e medo, medo que alguém melhor aparecesse e roubasse o melhor amigo dele.
- Só um pouco. Não que eu queira chamar a atenção como você, mas as vezes é chato não poder jogar basquete porque seu melhor amigo é popular demais com as garotas. – respondeu por fim com uma meia verdade, sem querer deixar escapar aquele ciúme que ameaçava apertar sua garganta.
Draco suspirou ao ouvir aquela resposta reprimida, parecendo por alguns segundos aliviado só para logo em seguida ficar tenso.
- Mas você agora mesmo disse que estava tudo bem, que não estava bravo por conta disso.
Harry revirou os olhos, dessa vez impaciente.
- Isso não quer dizer que não me incomoda.
Bufando, Draco se moveu e sentou-se ao lado do amigo, as costas também apoiadas contra o suporte da cama.
- Potter, as vezes você é tão complicado quanto uma garota.
Imediatamente ao ouvir isso Harry lhe deu nova cotovelada.
- Porra! – o loiro exclamou. – Essa é a terceira vez que você me bate essa noite.
- Nossa, se sua mãe ouvisse você xingando desse jeito ela passaria horas esfregando sua língua com sabão. Mas não mude de assunto, Draco. – Harry o interrompeu, engolindo em seco e tentando conter a ansiedade que ameaçava transparecer através de suas atitudes. – E então, o que você disse pra a cara de buldogue?
- Eu disse não, óbvio – Malfoy retrucou sem conseguir reunir coragem o suficiente para olhar na direção do amigo.
- Sério? – Harry questionou surpreso e lá no fundo aliviado.
- É, o que é que eu deveria responder? Não queria fazer papel de idiota. Fora que não quero que o meu primeiro beijo seja com a Pansy.
Ao ouvir isso Harry sentiu-se bastante desconfortável com a estranha onda de prazer que dominou seu corpo. Ouvir que Draco nunca beijara ninguém o deixara imensamente feliz, feliz de uma forma inexplicável.
- Você não vai dizer nada? – Draco interrompeu seus pensamentos. O moreno nem precisou olhá-lo para saber que o amigo estava se sentindo inseguro devido ao que acabara de revelar.
- Eu também nunca beijei ninguém – respondeu por fim, coçando o topo da cabeça. – E se fosse escolher com quem seria o meu primeiro beijo, com certeza colocaria Pansy Parkinson no final da lista. – completou muito sério.
Draco pareceu relaxar ao ouvir isso e empurrando Harry com o ombro, perguntou logo em seguida, curioso:
- E quem você escolheria então?
Ao ouvir isso Potter imediatamente corou como nunca houvera corado em toda sua vida.
- Eu não sei – respondeu na defensiva, envergonhado. – Nunca pensei sobre isso. Parece ser algo tão sem importância.
Draco o olhou de forma estranha, parecendo fascinado com a súbita falta de jeito do amigo.
- Todo mundo pensa sobre isso, Potter. Os garotos na escola, aliás, só sabem falar disso. Semana passada mesmo Marvin beijou aquela loira da oitava série, Norma, eu acho.
Harry deu de ombros sem saber o que dizer.
Vendo que não arrancaria mais nada do moreno, Draco continuou a falar sobre si mesmo, bastante pensativo:
- Bem, no meu caso, se eu tivesse que escolher, provavelmente seria alguém que conheço e gosto.
- Mas essa seria uma escolha meio óbvia, não acha? Ninguém iria querer sair por aí beijando inimigos e estranhos – o moreno rapidamente retrucou.
- Eu sei, mas se você pensar bem sobre o assunto, não conhecemos nenhuma garota que se encaixe nestes requisitos.
- Claro, porque todas as garotas que conhecemos sãos frescas e irritantes – Harry conclui sem pestanejar e ambos imediatamente concordaram em silêncio.
- Então o quê? Seremos BVs para o resto das nossas vidas?
- Não seja tão dramático, Draco. – Harry resmungou.
Malfoy ficou em silêncio depois disso, parecendo pensar bastante sobre o assunto enquanto Harry queria apenas esquecer que algum dia eles tiveram aquela conversa.
Depois de muitos minutos, nos quais Potter teve que se controlar para não levar as mãos a cabeça e começar a gritar devido ao desconforto que sentia, Draco finalmente tornou a falar, a voz baixa e tímida.
- A gente podia tentar, sabe?
Harry piscou várias vezes ao ouvir isso. Seu coração tornando a bater muito forte contra a sua caixa torácica.
- Somos dois garotos – respondeu o óbvio por simplesmente não saber o que responder.
- E daí? – Draco perguntou, agora mais confiante. – Qual o problema? É só um beijo. E somos amigos, isso não vai mudar em nada.
Engolindo em seco Harry girou a ideia dentro de sua mente enquanto Draco o encara na expectativa.
- Okay – disse por fim antes que sua coragem evaporasse.
Malfoy, empolgado, quase saltou sobre ele. Em poucos minutos o loiro saiu do lugar que ocupava ao seu lado e sentou-se logo a sua frente. Ambos agora se encaravam com as pernas cruzadas.
- Draco – Harry começou – Eu não faço a menor ideia de como beijar uma pessoa.
- Nem eu – Malfoy deu de ombros. – Mas este é o segredo, não? A gente só aprende se tentar.
- Da onde raios você tirou isso?
- Não sei, ouvi em algum lugar – o loiro retrucou irritado.
- E como é que a gente começa então? – Harry continuou com seu jogo de mil e uma perguntas.
Fechando os olhos por um segundo e respirando profundamente para se manter calmo, Malfoy respondeu:
- Apenas feche os olhos, okay?
E Harry fechou. E por 10 segundos inteiros parecia que sua cabeça ia explodir. A expectativa era demais para que ele pudesse suportar tudo aquilo calado.
- Draco? – chamou baixinho.
- O que é dessa vez? – imediatamente ouviu a resposta do loiro, mas agora bem próximo de si, como se o rosto de ambos estivessem quase colados.
- Nada, só não gosto do silêncio.
- Potter, você tem que aprender a hora de calar a boca – Draco respondeu, mas apesar das palavras duras seu tom de voz era suave e agora Harry já conseguia sentir a respiração do amigo diretamente sobre seus lábios.
- Então vai log-
Harry foi imediatamente interrompido pelo contato de lábios secos e inexperientes contra a sua própria boca. Pego de surpresa, apenas conseguiu apertar os olhos, como se isso fosse aliviar toda a tensão que viajava por seu corpo.
Ambos permaneceram assim, parados por alguns segundos, os lábios pressionados um contra o outro, fechados. Harry conseguia sentir, vagamente, que alguns fios do cabelo de Draco espetavam a base de sua bochecha esquerda.
A respiração dos dois estava acelerada, como se ao em vez de estarem se beijando eles estivessem correndo uma maratona.
Instantes depois Draco se afastou depressa e Harry imediatamente abriu os olhos.
- Que foi? – perguntou confuso. – Eu fiz alguma coisa errada?
Draco, agora adornado por um belo par de manchas rosadas sobre as maçãs de seu rosto, puxou um pouco de ar para dentro dos pulmões antes de responder.
- Você tem que inclinar a cabeça para o lado senão iremos acabar batendo as nossas testas. – explicou com um ar fajuto de quem sabia alguma coisa sobre o assunto.
Franzindo o cenho, Harry apenas concordou com um gesto, mas antes mesmo que pudesse se preparar mentalmente, Draco estava sobre ele, a cabeça inclinada levemente para a esquerda, os lábios dessa vez úmidos.
- Ei, você tem que me avisar antes de fazer isso – Potter reclamou em meio ao suposto beijo e Draco se afastou um pouco para deixá-lo falar.
- Potter, as pessoas não falam enquanto estão se beijando – reclamou e Harry corou ao perceber que o amigo fitava intensamente seus lábios enquanto respondia.
- Larga de ser mandão, Malfoy – retrucou sem jeito, sendo logo em seguida recompensado por um beijo rápido.
- Harry, cala boca.
E dessa vez o rapaz nem teve tempo de retrucar, porque imediatamente sentiu Draco capturar um de seus lábios com a boca, sugando-o com suavidade.
Era como se todo o seu pescoço e rosto estivessem em chamas. Aquilo era vergonhoso demais, mas ao mesmo tempo tão bom que ele não sabia o que fazer.
Malfoy continuou com o que estava fazendo, ora capturando o lábio superior do amigo, ora o inferior. Em pouco tempo o desconforto que Harry sentira começou a desaparecer e ele passou a imitar os gestos do amigo. Os sons do beijo tímido invadiram o silêncio do quarto, mas ambos estavam ocupados demais para prestar atenção.
Após o que pareceram horas, finalmente se afastaram um do outro. Foi com certa satisfação que Harry observou como os lábios sempre pálidos do loiro agora estavam vermelhos e levemente inchados.
- É, não foi tão ruim – disse por fim, franzindo o cenho.
Malfoy rapidamente lhe deu um tapa no braço.
- Teria sido melhor se você soubesse ficar calado por mais de dois segundos.
Harry revirou os olhos e os dois se encararam. Imediatamente caíram na gargalhada, a tensão de antes desvanecendo.
Perdidos na ironia de toda aquela situação, mal perceberam o súbito barulho de uma porta se abrindo e passos pesados atravessando o corredor.
- Merda! – Draco exclamou – Acho que acordamos os seus pais.
Nota da Autora:É, um pouco do passado para entendermos todo o drama entre o Harry e o Draco do futuro. Fora que escrever sobre os dois ainda adolescentes é irresistível demais.
- Quanto as datas. Pensei em utilizar os anos em que Harry e Draco de fato nasceram, 1980, portanto a fanfic se passaria em 2000. Mas não gostei da ideia de afastar tanto os personagens da nossa realidade. Portanto nessa fanfic ambos nasceram em 1993, okay?
- Sobre a música que o Draco cantou, bem, é uma versão sinistra de Candy Shop do 50Cent, uma música perturbadora, carregada de referências sexuais (é sobre um cara que leva uma mulher para a loja de doces e diz para ela chupar o pirulito. É, você leu corretamente!) que ficou muito famosa em 2006, se não me engano.
Devo dizer que infelizmente só entenderão a graça dos trechos musicais que eu utilizar no decorrer da história aqueles que conseguirem compreender bem inglês ou se aventurarem nas traduções (mas ao meu ver música traduzida é igual explicar uma piada, perde totalmente a graça).
Então, antes de mais nada, peço desculpas. Juro que fiquei um bom tempo tentando encontrar algumas músicas brasileiras para colocar neste capitulo, mas cara, é praticamente impossível achar algo nacional que pareça encaixar em uma fanfic baseada em um livro inglês.
- E finalmente, para os perdidos nas referências mitológicas, as Banshees são na verdade formas obscuras das fadas. Nas histórias, quando algum infeliz avistava uma banshee essa pessoa sabia logo que seu fim estava próximo, aparentemente os dias restantes de sua vida podiam ser contados pelos gritos que ela dava, cada grito era um dia de vida e, se apenas um grito fosse ouvido, naquela mesma noite estaria morto.
Agradecimentos:
Quanto ao apoio do pessoal, agradeço de coração todos aqueles que leram, deram follow e favoritaram (será que essa palavra existe?). Não vou pedir que deixem reviews pq seria, francamente, muito hipócrita da minha parte. Odeio ler histórias e ser atacada por pedidos e ameaças: Se vocês não comentarem eu não irei postar atualizações. Aposto que todos aqui já leram essa pérola. Mas de todas as formas, sintam-se a vontade para deixar ou não sua crítica.
Sobre os que de fato comentaram:
AnaLidia30 – Aqui entre nós, para mim a Ginny dos livros ficaria exatamente como a que eu descrevi. Toda aquela história de passar o rodinho em Hogwarts e depois apoiar a monogamia só porque começou a sair com o Harry? É, não me convenceu. Haahaha. Mas sim, ela é uma ruiva oferecida e Harry é um tapado. Não é todo dia que tenho a oportunidade de descrever um cara de 20 anos sendo estuprado pela própria namorada, mas Potter facilita bastante o meu trabalho quando se trata de idiotices. Obrigada por comentar. Espero que tenha se divertido também lendo este capítulo.
PandoraMaria – Fico feliz por você ter se divertido. Esse é o principal objetivo. Escrever melodramas é sempre mais simples, sabe? Mas fazer uma pessoa rir, ah, aí é uma outra história. E não vou resistir, terei que perguntar isso: Te seduzi sem ser vulgar? (Aí lembro que escrevi o Harry sendo estuprado, okay, nem precisa responder a pergunta) Hahahahaha. Tá, depois dessa vou ficar quieta.
Próximo capítulo virá em breve, na verdade é a outra metade desse aqui, mas como ficou muito grande (25 páginas de Word), achei melhor separar de uma vez por todas para que ninguém ficasse confuso com os mini flashbacks. Então logo, logo estarei postando a continuação, só preciso revisar e provavelmente acrescentar alguns detalhes. :)
