Mais Algum Defeito Mestre?

Dois dias se passaram e Natasha se mostrava cada vez melhor, se seu mestre não levasse muito em conta a sua constante falta de disciplina. Ao término do treino, Dohko mandou a garota seguir para casa, enquanto ele iria resolver algumas coisas. Na subida para a Casa de Libra, Natasha deu de cara com Máscara que fumava na entrada da Casa de Câncer.

– Boa tarde, ruivinha. – falou após dar um trago.

– Boa tarde. – respondeu tomando o cigarro do canceriano, fumando em seguida e se encostando em uma pilastra.

– Se o seu mestre te pegar fazendo isso, vai te comer viva. O tigre não tolera certas coisas.

– Ele não precisa saber. Eu não vou contar e você também não.

– Quem disse que eu não vou contar? – perguntou o canceriano sorrindo quase de forma maléfica.

– Eu estou dizendo. Porque se você disser alguma coisa, eu direi a ele que o senhor me ofereceu esse cigarro. E sabe em quem ele irá acreditar? Em mim claro, pois sua reputação meu caro, é mais suja que pau de galinheiro. Capiche? – disse dando um longo trago e soltando a fumaça na direção do canceriano que a olhava de forma maliciosa.

– Meu amigo está muito ferrado mesmo.

– Depende do ponto de vista. Pelo seu ponto de vista limitado pode até ser, mas por outro lado, não. Estou indo muito bem nos treinos e isso é visível. Então, já basta para eu ficar bem na fita.

– Você não perde uma, não é mesmo? – falou o canceriano ficando com seu corpo bem próximo ao da garota, que deu um sorriso de pouco caso como resposta.

– Seu cigarro não é dos melhores, mas quebrou meu galho. Fazia dias que eu não fumava.

– Querendo, pode passar aqui pra se aliviar. Mesmo não merecendo eu te darei um sempre que quiser.

– Quando comprar uma marca melhor eu passo aqui. – falou jogando o cigarro no chão e o apagando.

– É muito abusada mesmo.

– Eu não sou abusada. Só não posso dar mole com caras como você.

– Mas são caras como eu que garotas do seu tipo gostam. – falou imprensando a ruiva de contra a pilastra, com o rosto bem perto do dela.

A garota sorriu pelo canto da boca e o beijou com desejo, sem preocupação de alguém passar por ali e vê-la aos beijos com o canceriano. Máscara a beijava com volúpia, já bem animado com aquilo.

– Vamos entrar rapidinho, lindinha. – falou em uma pausa, se afastando um pouco da garota que assentiu que sim.

Indo na frente e com pressa, Máscara não se deu conta da garota tê-lo deixado. Ao olhar para trás quando abriu a porta, não a viu mais.

"Garota terrível! Da próxima ela não me escapa." Pensou o cavaleiro.

Natasha subia as gargalhadas por ter feito o canceriano de idiota, mesmo que no fundo tivesse gostado bastante do beijo dado nele momentos atrás. Não demorou muito para chegar em casa, abrindo a porta apressada e indo direto para o banho, para tirar o cheiro do cigarro. Seu mestre não deveria saber de nada, nunca! Tomou uma boa ducha e quando saiu percebeu que na pressa tinha se esquecido da roupa. Enrolou-se na toalha saindo em seguida do banheiro e dando de cara com o mestre que acabava de chegar.

– Oi, mestre! Não te ouvi chegando. – falou Natasha ignorando o fato de estar de toalha.

– Acabei de entrar. – respondeu sem jeito e tentando desviar o olhar – Cadê a sua roupa?

– Ah, eu esqueci. Daqui a pouco eu ponho. Como foi sua reunião com Athena?

– O quê? – perguntou o libriano distraído com a garota ali daquele jeito na sua frente.

– Esquece.

– Tem como você colocar logo uma roupa pra gente conversar?

– Eu não estou nua, mestre, apenas de toalha. E mesmo que eu estive peladona, não entendo o que te impediria de falar. Credo, parece virgem! – respondeu recebendo um olhar sério do mestre.

– É uma questão de respeito Natasha, contigo e comigo. Anda, vai colocar uma roupa e depois volte aqui para falarmos. – falou o mestre sério e com firmeza.

Natasha ficou um pouco sem graça com o que o mestre havia dito. Não gostava de aborrecê-lo e muito menos faltar com o respeito. Foi para o quarto e vestiu uma baby look preta e um short jeans, voltando em seguida para a sala.

– Pronto, estou melhor assim? – perguntou a garota sem encarar o mestre.

– Natasha, eu marquei um médico para você. – disse o libriano cortando a pupila.

– Já tão rápido? Deve me achar mesmo uma ameaça pela rapidez. – disse contrariada.

– Natasha, não dificulte as coisas. Eu me preocupo contigo. Meu dever não é somente treiná-la, mas cuidar de tudo relacionado a você.

– Eu sou bem grandinha mestre, sei me cuidar.- respondeu nervosa – De qualquer forma agradeço a sua boa vontade. – completou com lágrimas nos olhos.

– Por que esse assunto te incomoda tanto?

– Porque parece que você me vê como uma louca ou algo assim.

– Não te acho louca! Quantas vezes eu preciso dizer isso, Natasha?

– Então por que a pressa?

– Porque eu preciso tê-la cem por cento em cada treino.

– E não tem? Eu tenho dado o maior duro e você mesmo reparou na minha evolução. Isso não basta?

– Não, podia ser melhor e sabe que sim. Você constantemente muda de humor, perde a concentração de repente além de ficar agitada, às vezes.

– Mais algum defeito, mestre? – perguntou emburrada, fazendo-o respirar fundo e ignorar o desaforo.

– Sua consulta será amanhã pela manhã. Irei te liberar do treino para que resolva tudo com calma. Natasha, eu quero seu bem, tenha certeza disso.

– Por que se importa tanto comigo? Mal me conhece. – respondeu desconfiada.

– Está sempre tão na defensiva... eu me pergunto como alguém tão jovem possa ter umas atitudes como as suas... como as de quem já passou por situações adversas. Não vejo em seus olhos esperança ou pureza como as garotas da sua idade, Natasha. Não imagino o que deve ter passado antes de vir parar aqui, mas estarei sempre disposto a te ajudar. Vejo você alguém muito só, mas agora será diferente. Poderá contar comigo sempre.

A garota ouviu tudo atentamente sentindo um aperto dentro de si. Tais palavras mexeram com ela, tirando de forma inexplicável seu chão.

– Não precisa me ajudar por pena, Dohko. – falou com mágoa na voz.

– Está entendendo tudo errado, não é nada disso.

– Como não? Falou isso quase com todas as letras. – respondeu indo em direção à porta.

– Aonde vai?

– Pegar um ar. – respondeu batendo a porta com força, descendo em passos apressados escadas abaixo.

Sem notar, pois olhava para baixo, tropeçou e caiu bem ao lado do cavaleiro de vigem.

– Que merda! – xingou bem alto a ruiva enquanto se levantava.

– Por favor, respeite a Casa de Virgem. Não tolero esse tipo de vocabulário aqui. – disse Shaka.

– Desculpe! – respondeu de forma ríspida.

A ruiva não ia muito com a cara do virginiano, mas inexplicavelmente sentiu vontade de ficar ali com ele.

– Não vai seguir seu caminho? – perguntou Shaka sério.

– Não. Tô a fim de ficar aqui contigo.

Shaka nada respondeu, apenas virou de costas e se pôs a adentrar sua casa indo para o jardim do lugar. Natasha não ficou sem jeito com tal atitude, seguindo o cavaleiro que não demorou muito para se sentar entre as árvores gêmeas para meditar. A garota ficou a observá-lo por um breve minuto, resolvendo fazer o mesmo. Sentou-se de frete a ele e milagrosamente em silêncio.

"Coisa mais chata essa. Meditar é um porre." Pensava ela batendo a mão nas pernas, se lembrando de uma música qualquer, irritando o virginiano.

– Se não gosta de meditar, siga o seu rumo e não me atrapalhe. – disse Shaka

– Como você é grosseiro para alguém divino.

– Se você disser mais uma palavra eu terei que tomar providências. Não sou seu mestre Dohko, então não tenho obrigação de te aturar.

– Tá eu vou ficar quietinha. "Cara mais enjoado" pensou em seguida

Surpresa consigo mesma, a ruiva ficou paradinha ali e calada, não demorando para pegar no sono. Algum tempo depois, o virginiano se levantou,a deixando dormindo entre as flores. Em sua sala, tomava um chá confortavelmente quando umas batidas na porta interromperam seu sossego.

– Shaka, você viu Natasha? – perguntou o libriano com uma expressão aflita. – É tarde e não a encontro.

– Ela está em meu jardim, dormindo. Tentei te avisar pelo cosmo que ela se encontrava aqui, mas sua mente estava agitada não sendo possível me escutar.

Dohko o olhou agradecido e aliviado por tê-la encontrado indo imediatamente até o jardim. Chegando ao local, viu sua pupila deitada cercada de flores de todas as cores. Ele observou aquela visão por algum tempo, ficando com pena de acordá-la. Dohko a pegou no colo, saindo dali. Na saída não encontrou o amigo, resolvendo assim agradecer depois. À medida que subia em direção à sua casa, hora ou outra se via admirando o rosto angelical e ao mesmo tempo atrevido da pupila. Algo dentro dele o fazia querer protegê-la. Ao chegar no quarto, a colocou com cuidado na cama para depois retirar seus sapatos. Ainda fitando seu semblante tranqüilo, ele foi deixando o quarto fechando a porta em seguida. Inexplicavelmente ele gostava de tê-la ali com ele, mesmo tendo seus dias conturbados com sua agitação e falatório.