Olá, pessoas! Primeiro, vamos esclarecer, a fic não vai terminar em morte como Ai no Kusabi, mesmo porque só uso alguns elementos do anime, não tudo.
Segundo, vamos aproveitar a leitura!
Beijos

Remus passou alguns dias de inferno, não porque estivesse preocupado com dinheiro, como geralmente faria, mas porque não podia deixar de pensar em Lucius Malfoy. Se a ligação por uma dívida de vida o incomodava, a segunda adicionou mais peso ao vínculo, ainda não era doloroso ou mesmo incômodo, mas já era parte de sua magia. Era consciente dele da mesma maneira que era consciente de sua varinha quando a tinha em sua mão, a coisa estava se tornando impossível de lidar. Ele precisava falar com alguém, espairecer. E claro, não poderia ser James, ou Sirius, os dois ficariam loucos e gritariam por horas. Lily só faria uma cara compreensiva, daria um tapinha em sua mão com carinho e sairia de casa para enfeitiçar Malfoy e arrancar as bolas do homem. O que lhe deixava com Regulus. Claro, como Sirius era um idiota que os espionaria para saber o que estavam falando se fosse visitar o rapaz em Grimmauld Place, o convidou para ir a seu apartamento. Ele não tinha muitas visitas sociais, não é que tivesse vergonha, mas é que como sua casa era na periferia e minúscula, era mais fácil se encontrar com as pessoas em outros lugares. Mas para o tipo de conversa que ele queria ter, o local vinha a calhar. Ninguém poderia ouvi-los ou espioná-los.

Suspirando pela milésima vez, o lobisomem arrumou suas xícaras de porcelana barata, mas de um azul bonito. Seus utensílios eram muggles, Lily o apresentou a coisas duráveis e baratas de lá, era uma boa coisa. Sua água tinha começado a ferver quando Regulus bateu na porta, Remus a abriu com um passe de varinha o viu entrar, olhando tudo com curiosidade, sem nem piscar ao ver seu anfitrião lançar um feitiço para selar a entrada e silenciar o apartamento.

- Onde é isso? – Regulus perguntou, olhando um quadro muggle, também decoração barata que Remus achou pelas ruas da cidade.

- É uma visão do Big Ben, um ângulo que favorece o Tâmisa. É a Londres muggle.

Regulus franziu o nariz, mas continuou olhando para o quadro.

- É bonito.

- Se um dia se animar, posso te levar para um passeio. – Remus disse.

A cara horrorizada do caçula dos Black fez com que Remus risse.

- Não poderes não é contagioso, e sério, você é muito jovem para ficar mofando em casa. Precisa sair mais, Reg.

- Eu faria, mas seu amigo parece a porra da minha mãe vinte vezes pior. Se saio com meus amigos sou um preguiçoso alienado e que gosta de algazarra. Se fico em casa ele fica resmungando como um velho. Se vou visitar nossas primas ele simplesmente enlouquece, sério, é insano.

- Sirius nunca foi fácil de lidar. – Remus disse, terminando de preparar o chá.

- Isso nem precisa me dizer, Lupin.

- Me chame de Remus, pelo amor de Merlin. – O lobisomem pediu, revirando os olhos.

- Sirius tem um ciúme desgraçado de você, se me ouvir te chamando pelo nome vai começar a ficar todo neurótico sobre como estou tentando corromper o amigo perfeito dele. Vou ouvir todo o discurso sobre como não devo me portar como um puta sedenta por pau.

- Creme? Limão?

Regulus negou os dois, gostava de seu chá apenas com alguns cubos de açúcar:

- Bem, então, eu teria que esclarecer que eu é que sou uma puta sedenta por pau. – Remus disse, sorrindo. – Seu irmão pode ser tão ilustrativo.

- Oh, inferno, ele é. A boca de um marinheiro na beira do cais, mas pode ser tão pé no saco quanto minha mãe sobre controlar minha vida. – Regulus disse. – Acho que ele deveria arrumar uma esposa, assim me deixaria em paz. O que acha? Devo colocar um anúncio no Profeta para achar candidatas a Lady Black?

Remus quase engasgou com o chá ao começar a rir loucamente. O sorriso maligno do irmão caçula de Sirius lhe dizia que ele era bem capaz de pregar essa peça. Oh, ele, James e Peter poderiam se aproveitar disso por anos.

- Faça isso e todos os outros marotos te protegerão. Sempre pode alegar inocência com a cara mais verdadeira do mundo, é claro.

Regulus sorriu. Era bom ter alguém que não o chamasse de infantil por se sentir tentado a fazer brincadeiras para irritar seu irmão mais velho.

- Essa cara nos ensinam na escola. – O mais jovem disse. – Mas não foi para planejar contra meu irmão que me chamou aqui.

- Não, preciso conversar com alguém que não vá surtar e tentar me defender como se eu fosse uma dama em perigo, que entenda o que aconteceu.

- Eu com certeza não vou correr para defender sua honra, Remus. Bem, poderia contar tudo ao Sirius se algum idiota passou da linha, mas ei, esse é o risco que corre por querer conversar com serpentes.

Remus sorriu.

- Eu duvido que vá até ele com isso.

Remus estava certo, é claro. Quando terminou de resumir o que tinha acontecido, Regulus estava pensativo, não escandalizado, nem horrorizado, apenas pensativo.

- Vai dizer alguma coisa? – O lobisomem perguntou, se movendo com nervosismo. O silêncio o estava irritando.

- Sim, mas acho que deveria começar a me alimentar. A coisa vai nos cair melhor se estivermos menos… hum, tensos. Estou pensando em como te dizer algumas coisas de forma clara, sem soar que estou te doutrinando, é complicado, cresci com alguns desses conceitos, você por outro lado está no oposto deles.

O homem de olhos cor de mel assentiu, tudo isso fazia sentido. Se dirigiu a sua cozinha minúscula e preparou sua especialidade: sanduíches. Regulus de novo o surpreendeu por não torcer o nariz, o rapaz agarrou seu pão com vontade e mordeu com avidez.

- Hum, isso é melhor que o do Monstro. O que é essa coisa amarela?

- É um molho de mostarda com mel. É muggle, mas não pense que estou tentando te doutrinar. – Remus brincou.

Regulus revirou os olhos.

- Posso aceitar que os muggles cozinham bem, Lucius por exemplo, é viciado em comida francesa, e por lá, os sangue puro não gostam de seus elfos cozinhando. O suprassumo da elegância é ter um banquete feito por um chefe renomado, a profissão de chefe particular ficou popular entre os mestiços ou nascidos muggles de lá. Ainda olham torto se algum sangue puro se volta para isso, mas é mais relacionado ao status mais servil da profissão, do que a problemas com os muggles. As melhores escolas de gastronomia são deles, afinal.

- Está divagando de propósito? – Remus perguntou, ainda que achasse a informação interessante.

- Não, estou tentando ilustrar mais sua visão da elite tradicional. A visão de James e Sirius é muito parcial e até você sabe disso. – Regulus disse, mordendo mais um pedaço do sanduíche com avidez. Remus se lembrava de Sirius brincar que a fase de crescimento do irmão nunca tinha passado, parecia verdade, pensou, com diversão. – Estou tentando te dar todos os fatos para ter uma visão geral da coisa.

- Parece justo, mas eu já tenho uma visão, sabe? Os olhares reprovadores quando entro em lojas do Beco Diagonal, os cochichos, o fato que nunca serei aceito numa posição de emprego que não seja subalterna o bastante para o mestiço lobisomem.

- Isso é uma droga, e não posso dizer que sei o que é, mas tem mais a ver com a licantropia que com o fato de ser mestiço. – Regulus apontou. – A sociedade como um todo tende a temer os lobisomens, e a questão do trabalho? Devia se lembrar que não foi os votos dos sangue puro que aprovaram as leis que te proíbem de trabalhar no Ministério, se revisar a coisa toda, verá que a facção de Lucius votou contra. Eles pensam que faria bem a sociedade empregar lobisomens de bem nas forças dos aurores para enfrentar melhor a ameaça dos desgarrados e selvagens.

- Eles queriam guarda-costas numa coleira. – Remus rosnou, mesmo que tivesse desejado ardentemente aquele emprego na época.

- Seria uma vitória. Não pode vencer tudo e todos de uma vez só, cultura não se muda nos gritos. É uma mudança gradual, talvez não seja possível mudar o mundo para a nossa geração, mas das crianças de hoje, ou dos filhos dela.

- Eu sei, mas é frustrante. – O lobo disse, rangendo os dentes.

- Eu posso imaginar. Agora, vamos falar sobre Lucius. Tem algum palpite de por que não te fodeu aquela noite?

- Porque é um bastardo racista que não queria pôr a mãos num mestiço? – Foi o palpite fervoroso de Remus.

- Não realmente. Sabia que na Inglaterra só se permitem animais de estimação voluntários? Aqueles que realmente querem ser possuídos?

- Sim, mas isso é uma cobertura, ainda há um contrato e…

- Ah, pelo amor de Merlin, se um Animal de Estimação se sente mal nas mãos do possuidor, pode perfeitamente procurar um controlador para desfazer o contrato, claro que terá uma multa, mas isso é o de menos. E se o possuidor foi negligente ou… você sabe, um abusador, ele nunca mais vai conseguir um Animal de Estimação.

- Como se os controladores não fossem pagos para olhar para o outro lado.

- Acha que alguém poderia fazer Severus Snape olhar para o outro lado? – Regulus questionou. – E não estamos falando de um simples tapinha na mão, o último possuidores a serem banidos foram os irmãos Carrow, deve se lembrar do escândalo.

- Ah sim, aquela pobre garota. – Remus disse, estremecendo ao se lembrar. – Eles realmente a fizeram… você sabe o que houve de verdade? Dizem de tudo, até que a entregaram para um lobisomem transformado

- Houve um monte de rumores na época, Lucius detesta falar no assunto, mas ela está bem hoje em dia, está com um possuidor nos Alpes Suíços. E os Carrow são párias, não podem se juntar com ninguém, são como leprosos. Até tentaram contratos com controladores de outros países, que vendem Animais de Estimação Involuntários.

- Isso é possível?

- Depende de quem você tem no seu bolso. Não pode ser feito em território inglês, mas o que vamos fazer se alguém já os traz de outro país? Temos gente importante que vem aqui dos países orientais que trazem um verdadeiro harém, geralmente opta-se por ignorar a coisa o mais polidamente possível.

- Mas aqueles dois bastardos conseguiram outra pobre criatura para mutilar?

- Claro que não. Os cabeças dos Lordes foram visitá-los e eles desistiram muito rapidamente da ideia, uma coisa é tolerar e sorrir para um emissário japonês com quem se negocia ingredientes para poções e se faz contrato de exportação, uma bem diferente é ter magos aqui se comportando desse modo.

- Então, está me dizendo que na cultura geral da elite só se aceitam Animais de Estimação voluntários?

- Sim, de que vale a submissão se ela não foi dada por livre e espontânea vontade? Quando alguém toma o outro por força… isso é fraqueza, falta de controle. Os Lordes odeiam fraqueza acima de tudo.

- Por isso desprezam os nascidos trouxas e mestiços?

- Talvez, tem que reconhecer que o poder mágico que vem de muitas gerações é enorme, salvo em alguns casos pontuais. Severus Snape é outro exemplo disso, a magia parece amar aquele bastardo de língua afiada. – Regulus disse com um sorriso. – Nunca entendi porque Sirius e vocês tinham tanta birra dele.

- Ciúmes principalmente. James e Sirius tinham ciúmes dele, um por causa de Lily, e o outro, por você.

- Eu?! – Regulus perguntou. – Seu chá tinha uísque, Lupin?

Remus riu.

- Sirius queria arrancar a cabeça dele cada vez que via o irmãozinho caçula correndo atrás do "seboso" para conselhos, tutoria e amizade.

- Consegue imaginar o que eu teria ouvido de zombarias se fosse procurar o Sirius para me ajudar com meus deveres? Ele só me ignorava e me tratava mal depois que foi para a escola. – Regulus disse, com amargura. – Mas esse não é o ponto. Conseguiu ter uma visão melhor do que é ser Animal de Estimação? É um símbolo de status, claro, mas tem regras, e em alguns casos, muito envolvimento emocional. Nott praticamente lambe o chão que sua pet pisa, os dois são ridiculamente apaixonados e já tem um filho juntos.

- Hum. – Remus disse. – Mas é a exceção, certo?

- Alguns casais optam por ter Animais de Estimação em conjunto, as tríades são mais comuns do que imagina. E não é comum que um Lorde se case com um Pet, mas isso é por causa dos casamentos arranjados entre as famílias.

- Ainda assim… é uma coisa que as pessoas fora da nobreza estranham.

- Nesse caso, culpo os costumes muggles ridículos. É verdade que eles não gostam de homens que tem sexo com outros homens? – Regulus perguntou, como se fosse a coisa mais bizarra do mundo.

- Existe um preconceito bem forte sim. É crime em muitos países. E isso vale para as mulheres que só gostam de outras mulheres. – Remus disse. – Mas isso é coisa de muggles idiotas, pessoas normais não reagem assim. Quer dizer… a maior parte reage sim.

- Ahá! Está percebendo que muitas vezes as coisas não são tão preto no branco, certo? O problema não foi a proposta do Lucius, certo? Foi que ela te interessou.

Remus podia sentir as bochechas queimando, mas assentiu.

- Ele pode ser um bastardo, mas é sexy como o inferno.

- Sim. – Regulus disse, sorrindo. – Tem medo do quê? Se deseja que ele te possua de verdade e isso saldar a dívida, qual é o problema?

- Seu irmão, só para começar.

- Ah, sim. Sirius vai ficar furioso, vai quebrar metade de casa, isso com certeza.

- James e Lily vão surtar também.

- Verdade, aquela mulher é assustadora e nunca aprendeu a apreciar nossos costumes. Mas, é a pessoa mais racional do grupinho de vocês, vai entender que o fez porque deseja.

- Esse é o problema, certo? Todo mundo precisa saber que gosto de… você sabe.

- Submissão? Sim, principalmente se gosta de mostrar isso publicamente, alguns Animais de Estimação adoram ser exibidos como pequenas preciosidades.

Ele gostaria, ele era um lobisomem, estava em seu DNA. Lucius Malfoy parecia ter adivinhado isso, que ele era do tipo de lobisomem que nunca almejaria ser um alfa, que ao contrário, queria se sentir seguro e cuidado, era embaraçoso.

- Eu já sou perseguido por ter sido mordido, algo que não estava no meu controle. Imagina o novo tipo de inferno que seria se eu fosse um Animal de Estimação?

- Sim, posso ver. Tenho um amigo, ele é medimago e o Animal de Estimação de Vera Lockheart. Uma vez uma mãe não quis que ele tratasse seu filho porque achava que ele era um pervertido que gostava de molestar crianças. E disse isso em alto e bom som.

- Isso é horrível, mas já ouvi falar. Os Lordes os deixam trabalhar?

- É uma decisão do Animal de Estimação, realmente, não sabe nada, não é? Quem coloca os termos no contrato é você. Por exemplo, se não quer que ele te mostre em público, pode colocar lá.

- Sério? Controlam coisas assim?

- Claro! E muito mais, se quer saber. Seu controlador vai ser o oficiante de um contrato mágico, ali vai pôr uma palavra segura, se a disser, seu possuidor tem que parar, se ele desobedecer, seu controlador vai saber.

- Foi por isso que os Carrow cortaram a língua da menina? – Remus perguntou, com um nó na garganta.

- Sim, mas isso foi realmente coisa de dois doentes. E quando optarem por jogos com mordaça, devem combinar um gesto ou sinal para substituir a palavra, o que leva mais tempo para acionar seu controlador, já que magia verbal é mais fácil de ativar.

- Entendo. – Remus disse, mais esclarecido realmente. – A dívida de vida, por que a sinto tanto?

- Porque te incomoda dever algo pra ele. E me incomodaria também, ter Lucius Malfoy com o poder de me pedir qualquer coisa seria bem preocupante.

- Acha que devo aceitar? Acha que ele seria capaz de me pedir algo que possa acabar prejudicando James e Sirius, mesmo que não fisicamente?

- Se for do interesse dele e dentro dos limites estabelecidos pela magia sim. Ele não pode te obrigar a machucar meu irmão, por exemplo, mas poderia te fazer machucar a si mesmo, a magia não permite que outra pessoa se machuque pelo bem de uma dívida, mas você é jogo justo.

- Maravilhoso! – Remus disse, com descrença.

- Eu não me preocuparia com isso. Lucius não gosta desse tipo de jogo, se ele já te ofereceu uma solução é porque está disposto a aceitá-la. Parece não ter pensado nisso, Remus, mas ele também pode desejar você.

- O maldito infeliz me tocou com luvas!

- E isso parece ter funcionado bem pra você. – Regulus provocou. – E é uma cena bem comum, o possuidor totalmente vestido enquanto o Animal de Estimação está nu.

- Maldito bastardo pervertido. – Remus resmungou, fazendo o jovem rir.

- Pensei que esse era você.

- Só quando estou irritando seu irmão e fingindo seduzir você.

- Eu realmente gostaria de saber o que fazer.

- Não interessa o que todo mundo pensa, se te faz feliz se dar para Lucius Malfoy, siga seu coração. – Regulus disse, fazendo Remus dar-lhe um tapa.

- Não use minhas palavras contra mim.

- Sou uma serpente, o que esperava? Além disso, se quiser realmente entrar nessa, vou com você. Se eu gostar do treinamento, vou aprender a lidar com meu irmão… além disso, Severus Snape é o único controlador da Inglaterra que vai enfeitiçar as bolas de Sirius se ele tentar se meter no meu caminho.

Remus riu.

- Isso é verdade, então… podemos ir só para ver como é?

- Claro! Vou mandar uma coruja pra ele, Lucius já deve ter falado de você, mas garanto que ele nunca pensou que eu poderia entrar numa coisa dessas.

X~x~X

- Não posso dizer que é uma surpresa ver nenhum dos dois por aqui. – Severus disse, sentando em sua poltrona confortável, enquanto nem olhava para Remus e Regulus.

- Como assim? Eu nunca dei uma pista! – Regulus protestou, sentado a frente do anfitrião e ao lado de Remus. Os dois tinham ido a casa de Severus após receber uma coruja marcando o encontro dois dias depois de sua conversa reveladora na casa do lobisomem.

- Regulus, por favor, todos em Slytherin faziam apostas sobre quando teria coragem de assumir suas preferências, e sobre se alguém teria coragem de enfrentar a ira do seu irmão e finalmente roubar sua virgindade. Você saiu da escola sem dar um final para as duas. – Severus disse, com o mesmo tom plano de sempre, mas fazendo com que o mais novo dos Black ficasse corado até a raiz dos cabelos.

- Você é virgem? De verdade? Como isso é possível? – Remus perguntou, assombrado.

- Considerando que o primeiro cara que me beijou terminou na enfermaria depois de misteriosamente ser dosado com uma poção experimental que o deixou careca permanentemente, foi bem difícil arrumar um encontro. Mas, quando finalmente consegui um, o pobre Erik, se lembra? Terminou na enfermaria de novo, só que dessa vez com depois de ter se "perdido" na Floresta Proibida só de cueca.

Remus mordeu os lábios para não rir. Os dois incidentes foram obra dos marotos, tudo a mando de Sirius, claro. Ele dizia que os rapazes eram muito ousados e que queriam perverter seu irmãozinho.

- E a fama ficou depois da escola. Que tipo de idiota iria querer sair comigo sabendo que iria causar a ira de Lorde Black? Agora com treinamento de auror. – Regulus reclamou, amuado.

- Oh, não se queixe como uma criança, te garanto que conseguirá resolver esse problema depois de se certificar que realmente quer ser um Animal de Estimação. – Severus disse, com rigor. – Não pensem que deixarei mancharem meu nome por um mero capricho. A situação de Lupin é bem específica, mas a sua, Regulus, é muito ampla. Já conhece os costumes, a maneira de se portar, quer treinar com ele ou prefere classes mais avançadas?

- Eu conheço o jogo, mas nunca realmente joguei, então… vou com ele desde o básico, além disso, posso ajudar na tradução entre os dois. Sou fluente em Slytherin e Gryffindor. – O jovem brincou, fazendo Remus sorrir e Severus bufar.

- Podia ser pior, o que pode ter de difícil em treinar um lobisomem e um moleque mimado? Com certeza já tive cabeças de vento piores. – Severus disse, se levantando. – Devo assumir que os dois querem discrição sobre sua preparação?

- Isso seria apreciado, já que não quero meu irmão gritando e fazendo escândalo. Vamos atrasar o espetáculo lamentável o máximo que pudermos.

- Seu irmão é um arremedo de Lorde, deveria cortar relações e evitar esse tipo de situação desagradável. Teremos que te achar um possuidor que possa lidar com Black.

- Eu tenho certeza que a fama do Sirius não chegou a França, há ótimos magos por lá. – Remus brincou.

- Preferia não ter que sair do país. – Regulus disse. – Podia me escolher, Sev. Serei todo seu, Sirius vai ficar puto, vai ter uma úlcera só de pensar.

- Isso soa tentador, mas não, obrigado. – Severus disse, e Remus podia jurar que sua boca até virou um pouquinho, num quase sorriso. – Venham comigo, tenho que apresentá-los ao meu quarto de treinamento, separei algumas coisas para nossa introdução.

Os dois aspirantes o seguiram. Severus podia sentir a ansiedade dos dois, teria que trabalhar nisso, é claro. Quando ele abriu a porta do quarto e entrou, sentiu-os hesitar.

- Não é uma câmara de tortura. – Severus disse, brincando. – Hoje basicamente conversaremos, se sentirem confortáveis, podemos começar com as tarefas iniciais.

Os dois assentiram e entraram no quarto, fechando a porta suavemente atrás dele. Havia uma cama grande, com lençóis de seda branca. Uma mesa coberta com objetos que fizeram um arrepio de antecipação percorrer a coluna de Remus, não havia divisão entre o quarto e o banheiro, onde podiam ver uma enorme banheira de mármore negro e um chuveiro muito elegante, havia espelhos por toda a parte.

- Como devem saber, a maior parte dos possuidores prefere ter seus Animais de Estimação nus, ou quase, quando estão sozinhos. Algum dos dois tem problemas com isso?

- Não. – Foi a resposta em uníssono.

Severus ergueu uma sobrancelha.

- Quase começo a cogitar a ideia de dizer a Lucius para adquirir os dois… fariam um lindo par deitados juntos numa cama de peles.

Regulus sorriu.

- Não acho que ele aguenta outro Black em sua vida, mas obrigada por me achar lindo.

- Não seja impertinente. – Severus disse, se sentando ao lado da mesa e pegando sua varinha. – Agora, tirem a roupa, toda ela.

Regulus começou a obedecer um pouco mais timidamente que Remus, e isso notava-se pela demora do mais jovem em sair de suas roupas e pelo rubor profundo que cobria suas bochechas e pescoço.

- Para ajudá-los a se acostumar, vão ficar ajoelhados enquanto explico conceitos básicos. Ajoelhar-se para seu possuidor é algo que a maior parte dos Animais de Estimação faz naturalmente, principalmente quando desejam atenção, é muito comum que seja nessa posição que seu possuidor te dê mais contato físico, e claro, podem sempre se oferecer para dar-lhe prazer oralmente. Na comunidade de possuidores da Inglaterra, não conheço nenhum que não goste desse tipo de apresentação, mulheres inclusas.

E com um giro de varinha, ele fez duas almofadas de veludo vermelho surgirem a frente dos dois.

- Ajoelhem-se, por favor. Mãos atrás das costas ou em suas coxas, podem escolher a posição mais confortável, mas suas pernas devem estar separadas o bastante para mostrar e exibir seus órgãos. Essa é a posição que a maior parte dos possuidores escolhe para exibir seus Animais de Estimação e as joias que usam.

Os dois se ajoelharam, sem problemas em seguir as instruções, ambos optando por deixar as mãos em suas coxas. Severus pensou mais uma vez que seriam um lindo par se pudessem estar juntos, seriam um bocado para lidar, mas absolutamente lindos de olhar. Lupin, como qualquer licantropo, tendia a ter mais pelos no corpo e ser mais musculoso, ainda que tivesse um corpo fino. Seu abdômen era duro e trabalhado, tinha coxas fortes, que ladeavam um pênis grosso, que encheria totalmente sua mão, uma vez que estivesse duro. A pele tinha cicatrizes finas, mas elas combinavam perfeitamente com seu ar rústico e a pele bronzeada. Regulus, por outro lado, era pálido e delicado. Sua constituição era muito bela, era magro, barriga lisa, sem músculos duros, coxas roliças… mas seu grande atributo com certeza seria aquela bunda. Era perfeita, clamava por surras, era macia e convidativa ao olhar e ao toque.

- Muito bem, a partir de agora, só tem permissão para falar quando e se eu perguntar alguma coisa. Não podem me interromper, por hoje, não teremos nenhum tipo de punição, mas não pensem que não posso guardar rancor e fazê-los sofrer amanhã quando falarmos disso.

Os dois assentiram com a cabeça, Regulus totalmente calmo, mas o lobisomem teve um flash de desconfiança no olhar e seu corpo ficou tenso.

- Não estou falando de nada que não aprovem, é claro. – Ele esclareceu. – Relaxe, Lupin, suas emoções são um livro aberto.

O lobisomem concordou.

- Agora, devem saber que ser um Animal de Estimação vai muito além de prover sexo. É uma relação como outra qualquer, porém, há muito mais controle envolvido. Sou um controlador, o que significa que tenho os contratos. Se um possuidor ficar engraçadinho, simplesmente cancelo o contrato, simples assim, mas a coisa também funciona ao revés, se o possuidor tiver reclamações, também tem o direito de reincidir o contrato. – Explicou, parando para respirar. – Como usamos muitos termos comerciais, pessoas que não conhecem nosso mundo podem achar que os Animais de Estimação são prostitutas, nada mais ao contrário. É comum que ganhem presentes, mimos e que vivam no luxo, mas não há nada parecido com recompensas polpudas vindas dos possuidores. Entenderam essa parte?

- Sim. – Disseram juntos novamente, realmente fazendo-o sorrir.

- Podem trabalhar ou escolher serem sustentados pelos possuidores, nesse caso, será responsabilidade dele prover suas necessidades enquanto são parceiros. Por questões de segurança, sei que Lucius prefere essa opção, Lupin, mas isso é um tema para depois de sua formação.

O controlador girou sua varinha e um anel veio até ele.

- Esse é um anel de posse. Essa é uma versão simples, e não se enganem pelo tamanho, ele se expande e se encaixa na base de seu pênis. Quanto mais intrincado e luxuoso, mais apreciado por seu mestre você é, mais satisfeito ele está com você. Ele pode trocar o anel de acordo com seu comportamento, mas é considerado muito rude e extremamente de mau gosto deixar seu Animal de Estimação com um anel de metal barato sem nenhuma pedra preciosa. Se tiverem o azar de lidarem com escravos é o que vão ver… pode perguntar, Lupin, estou vendo que está mordendo a língua para não falar.

- Escravos? Como assim?

- São Animais de Estimação involuntários, um nome bonito para escravos, se quer minha opinião. Podem se deparar com vários em reuniões ou festas, verão que seus donos os deixam com anéis de aço ou de plástico duro, é como se dissessem que não valem nada. No caso das mulheres é ainda mais cruel, já que usam piercings genitais e nos mamilos de má qualidade. – Severus explicou. – É uma situação que magos civilizados não participam, é apenas degradação da vida humana.

Remus assentiu, muito surpreso pelo desprezo real de Severus pela prática, era a mesma paixão que via em Lily quando ela discursava sobre o tema. Agora podia ver porque eles tinham sido amigos.

- Voltando ao tema, esse anel não é só um adorno. Seu possuidor pode encantá-lo para te impedir de gozar, pode fazê-lo vibrar e uma série de outros truques sexuais. Ele é feito para se encaixar nisso. – Severus disse, pegando uma gaiola cilíndrica. – Uma gaiola de castidade, enquanto o anel pode prevenir que gozem, atrasando seu orgasmo, não pode impedir isso para sempre. Uma gaiola te impediria inclusive de ter uma ereção, e teria a magia de seu possuidor te tocando intimamente todo o tempo. É um jogo que muitos casais gostam, mas demonstra que seu possuidor é muito ciumento e possessivo, já que geralmente, é usado para prevenir que outras pessoas o vejam em ereção completa ou gozando em uma exibição. Alguns possuidores consideram que esse é um espetáculo só para seus olhos.

Severus fez uma pausa, percebendo que pela animação visível de Regulus, ele estava indo para passar as aulas dolorosamente duro, pobre rapaz se pensava que ele o tocaria.

- Bem, como percebem os brinquedos de Animais de Estimação requerem que estejam devidamente depilados, coisa que nenhum dos dois está. Se sentem confortáveis para fazer isso agora? Se pedir corretamente, Regulus, tenho certeza que Lupin pode te ajudar com seu… probleminha.

Remus deu um sorriso positivamente sly, na opinião de Severus, piscando para o jovem, que voltou a ter as bochechas vermelhas, mas não perdeu a chance de se pavonear:

- Claro, o que for necessário para minha educação.

- O mesmo aqui. – Remus disse, já se pondo de pé. – Suponho que a banheira é para isso?

- Sim, o pote verde é uma pomada feita por mim. Usem-na antes e depois da navalha, ela vai evitar que os pelos voltem a incomodar ou picar por mais um mês, mas terão que fazer isso novamente assim que o prazo vencer.

Remus levou o irmão caçula de seu melhor amigo até o banheiro, sabendo muito bem que Sirius teria um ataque apoplético se soubesse que ia besuntar seu irmão com uma substância viscosa e depois dar-lhe um bom boquete, mas ei, o que ele ia fazer? Revelar seu segredo novamente?

- Acostumem-se a serem olhados, se isso é o que gostam. Não precisam fazer nada na frente de ninguém se os faz sentir mal, o exibicionismo é comum, mas não é obrigatório. Se gostam de privacidade, me digam, estará em seus contratos.

Os dois voltaram a assentir, mas não se manifestaram contra, então, Severus encheu a banheira com um movimento de varinha.

- Acho que Regulus precisa aprender a lidar com sua própria excitação. Então, ele cuidará de você primeiro, Lupin. Para a água os dois, comece pelo peito dele, uma pele tão bronzeada certamente merece ser mostrada.

- Para não falar dos músculos. – Regulus deixou escapar, fazendo Remus sacudir a cabeça negativamente e colocar um dedo em seus lábios.

- Shiu. – O lobisomem sibilou.

- Já vejo que Lupin será mais fácil de domar que você, nenhuma surpresa até aqui. Você é como um filhotinho hiperativo.

Regulus ia retrucar, mas só fez um beicinho que Remus beijou de leve. Ah, esse treinamento ia ser divertido.

E foi isso, o que acharam?
E não, não terminei assim porque sou má... talvez sim, mas o capítulo ficou gigante, não briguem comigo.
Nos lemos logo.