Título: Pedra da Lua
Classificação: M
Shipper: Remus Lupin / Sírius Black
Aviso: Harry Potter não me pertence, é tudo da Jk. Eu não ganho nada com essa fic. Só um sorriso feliz a cada review, então ajude-me a encontrar a felicidade!
Aviso 2: Palavrões, sexo, homossexualismo. Igualzinho é na vida real. Conforme-se.
Padfoot
Sirius Black nunca diria que sua vida era fácil, mas ele tinha seus amigos, que eram tudo para ele, então estava bom. Desde o começo, quando os conhecera, sabia que sua vida passara a fazer sentido. Especialmente aquele garoto dos cabelos dourados que Sirius tinha vontade de pegar no colo e proteger com sua vida.
Com 13 anos, Sirius Black percebeu que seus sentimentos não eram tão inocentes assim. Frequentemente se pegava encarando Remus se trocar, e desviava os olhos, constrangido. Percebeu que tinha alguma coisa diferente em si. Seus amigos olhavam as garotas, Sirius olhava Remus.
Ele sabia que a situação era delicada. Sirius não era tão bobo assim quanto as pessoas pareciam insinuar. Ele sabia que seus sentimentos eram arriscados e tomou a decisão mais sábia que qualquer pessoa poderia tomar: ele empurrou todos esses sentimentos para o fundo de sua mente e passou a negar a existência deles.
Mas suas refreadas tão sufocantes encontraram seu ápice quando, dois anos depois, em uma conversa inocente no salão comunal, razoavelmente alcoolizado, Remus comentou que flagrou dois colegas lufanos se beijando no corredor, e que a coisa parecia definitivamente quente. Isso despertou a curiosidade de Sirius, que não parou com as interrogações até que Remus assumisse que a ideia lhe parecia estranhamente atraente. Sua mão tomou vida própria, indo parar na coxa do lobisomem, que corou, mas não se afastou, e Sirius se viu louco. Em instantes, se viu sussurrando experiências inexistentes até convencer o amigo de que eles podiam tirar suas dúvidas juntos. Que ninguém precisaria saber, que isso não prejudicaria a amizade deles.
Remus estava vulnerável demais com toda aquela narrativa erótica e a mão em sua coxa para recusar, e alguém da Santa Távola Redonda gostava mesmo dele, porque milagrosamente e encantadoramente, Remus aceitou o convite insano. Sinos tilintaram na cabeça de Sirius Black, que, enquanto subia as escadas do dormitório alguns minutos após o licantropo – não podiam dar na cara – só conseguia pensar que não podia estragar tudo.
Sirius sabia, pela experiência que havia tido com sua mãe, que não era uma pessoa muito fácil de ser amada. Precisava ir com cuidado. Não podia assustar o castanho. Precisava ir devagar. Não podia estragar tudo, não podia estragar tudo.
Ele se esgueirou para a cama de Remus, que parecia nervoso. As bochechas vermelhas, como se não acreditasse muito no que estava prestes a fazer. Murmurou alguns feitiços de proteção e sorriu. "Não posso estragar tudo". Tentou mostrar-se confiante. "Não posso estragar tudo".
- Isso é loucura, Padfoot, tem certeza de que...
- Xii. Você não quer experimentar? – tentativamente, com o coração aos pulos, ele circulou os botões da camisa de Remus. – Você não estava com vontade? – ele desceu os olhos, encarando o corpo do lobisomem, e mordeu os lábios, tentando fazer seus dedos pararem de tremer. Abriu um botão, e depois outro. – Você não está excitado?
Remus jogara a cabeça para trás, incapaz de se mover.
- Eu estou…
- Então, relaxe, Moony, e aproveite. – ele sussurrou. Quando abriu o último botão, acariciou o outro com as pontas dos dedos em veneração, encantado. Era melhor do que todos os seus sonhos. Estava mesmo acontecendo?
- Moony… - ele gemeu, e graças a algum outro santo que ela aprenderia a nomear depois, Remus saiu de seu estado paralisado e começou a retribuir os gestos do animago. Eles se tocaram tentativamente e com suavidade. Ajeitaram-se, sentados na cama, os joelhos se encostando. Arrepios foram causados, suspiros entrecortados.
Dedos apareceram no fecho de sua calça. Sirius quase terminou tudo naquele momento. Teve vontade de pular no lupino e sugar aqueles lábios vermelhos até que o ar faltasse em seus pulmões. Mas tinha que ir devagar.
"Não posso estragar tudo".
Ele imitou os gestos do outro, até que se libertaram de suas roupas apenas o suficiente para se tocarem, se conhecerem. Sirius percebia agora o quanto o argumento "tirar as dúvidas" era ridículo. Não havia dúvidas ali, enquanto, tentativamente, Sirius tocava o outro garoto da maneira que fazia consigo mesmo, e recebia as mesmas carícias, ambos no limite do desejo e com a certeza de que, definitivamente, era o que queriam. Não houve nenhum outro movimento, ninguém se mexia além disso, além dos movimentos ritmados das mãos e das contrações de seus corpos. Sirius não tivera os olhos de Remus. Ele era tão lindo. Tão sexy, tão malditamente bom que…
O aviso veio no tom desesperado.
- Sirius… não para, por favor.
Sirius terminou antes, a declaração sendo demais para seu pobre estado seduzido. Mas ele não parou de mover as mãos nem por um instante, e Remus veio logo em seguida.
Eles ficaram assim, recuperando o ar, por longos segundos, até Sirius sorrir e tentar aliviar o clima antes que tudo ficasse estranho demais para lidarem, dois garotos bêbados, um confuso, outro apaixonado.
- Foi bom pra você, Moony?
O outro riu, confortável.
- Acho que vou voltar para minha cama.
- Hum... Hum-hum.
- Você não está dormindo, está?
- Hum...
Sirius girou os olhos, ajeitando a ambos em suas roupas e deitando o amigo na cama.
- Boa noite, Moony.
Não houve resposta.
Sirius temia que o dia seguinte fosse estranho, mas Remus lhe sorriu no café da manhã, cúmplice, e seu coração desapertou. Não conseguiu prestar atenção em mais nada durante o dia. Estava radiante, nervoso, confuso com a proporção daquilo que sentia.
Esperou até todos estarem dormindo e entrou sorrateiramente na cama de Lupin, que se mexeu na cama quando ele entrou embaixo dos lençóis.
- Sirius…? – chamou.
- Estou aqui. – Sirius respondeu, abraçando a cintura do lobisomen e colando-se às suas costas.
Remus riu.
- É claro que está. Eu já estava dormindo, sabia?
- Hum... – Sirius acariciou a barriga do outro, esfregando o nariz em seu ombro e sentindo seu cheiro. – Se você quiser eu posso voltar para minha cama e te deixar dormir.
Remus fingiu pensar. No fundo, Sirius tinha um certo receio, mas resolveu jogar para o fundo de sua mente também e enroscou os dedos no laço do pijama do outro.
Remus gemeu.
- Quem precisa dormir? Fique, Sirius.
Sirius sorriu, tentativamente enfiando as pontas dos dedos para dentro do cós do pijama.
- Está tudo bem para você? Você sabe, fazer isso, sóbrio…
- Uhum – Remus respondeu, e Sirius abaixou sua calça para dar espaço a sua mão. Remus gemeu contidamente, antes de continuar. Era impressionante o quanto eles conseguiam ficar excitados quase sem nenhum toque – Acho que melhor… Você sabe, mais consciente. Você vai… Hum, vai me deixar retribuir? - Ele tentou se virar, mas o Sirius o segurou.
- Depois – rosnou. – Quero você assim.
Remus soltou outro daqueles gemidos contidos, e Sirius achou o som fascinante. Ele se moveu, esfregando-se no corpo do garoto em seus braços, e ouviu outro daquele som, menos contido dessa vez. Sirius rosnou ao mesmo tempo que Remus tapou a própria boca, envergonhado.
- Não – Sirius reclamou, aumentando o ritmo de sua mão. – Me deixa te ouvir. É tão gostoso, Moony.
Ele continuou se esfregando no mesmo ritmo de sua mão. Ainda estava vestido, mas não fazia diferença. Ele não queria parar.
- Sirius, se não parar eu vou…
Sirius gemeu. Todas as vezes que Remus ameaçava gozar, era como se algo se abrisse dentro dele e ele não conseguisse mais se segurar. Controlou-se o suficiente para fazer com que fosse perfeito para Remus, então, com um último empurrão, ele se permitiu libertar, mordendo o ombro vestido a sua frente para não gritar, apertando os olhos, tentado acalmar o ritmo de seu coração.
- Uau, isso foi rápido – ele disse depois de um tempo. Remus se virou de frente, um sorriso relaxado em seus lábios.
- Foi ótimo. Você me prometeu que deixaria retribuir.
Sirius sorriu, o cansaço o fazendo fechar os olhos. Ele segurou a cintura de Moony, agora há uma certa distância que não o agradava, mas ele não fez nenhum movimento para trazê-lo para perto. Estranhamente, também não conseguiu acaricia-lo. Agora que estavam satisfeitos, teve medo do gesto e como Remus o interpretaria. Satisfez-se em manter a mão ali.
- Você pode retribuir amanhã.
- Hum… Vai ter amanhã?
Mas Sirius não conseguiu responder, pois caiu no sono antes que pudesse pular de cama.
Isso se repetiu ainda por mais algumas noites. Sirius estava começando a pegar o jeito. Ele só tinha que se controlar para ser o mesmo Sirius Black de antes durante o dia, para não forçar muito a barra e pular em cima do lobisomem durante a noite, que tudo ficaria bem. Moony continuava a parecer entusiasmado com os toques, embora Sirius não o deixasse pensar muito. Ele tinha medo que o castanho percebesse que de alguma maneira não queria aquilo, então ele não o deixava pensar. Ele já chegava em sua cama o tocando. Eles se aqueciam, gozavam, e dormiam. Sirius estava satisfeito com isso. Quer dizer, ele bem que queria mais, mas não sabia que mais era esse e quão longe podia ir sem ferrar com tudo, então assim estava mais que bom.
Até que Remus, é claro, mudasse a história e mostrasse que ele finalmente estragou tudo e que não era mais o suficiente. Só que Sirius não sabia mais o que dar. Ele tentou dar prazer a Moony, fazer o que ele podia para agradá-lo, e não foi o suficiente. O que podia fazer agora?
Bem, quando acordou no dia seguinte, Sirius havia decidido agradar a Remus de outras maneiras. Alguns anos obsessivo pelo lupino o faziam saber de cor e salteado todas as preferências. Ele sabia que estava até exagerando um pouco, mas não podia evitar. Precisava chamar a atenção de Remus de outra maneira.
A garota, Mafalda. Ela era um perigo. Sirius percebeu a forma que ela olhava seu Remus de uma maneira… Bom, Sirius sabia das preferências do lobisomem, mas mesmo assim era arriscado demais. E se ele gostasse de garotas também? Mafalda Collins era irritantemente uma versão feminina de tudo que Remus era. Era o par perfeito.
Era por isso que ele tinha que mantê-los separados, não importasse o quê. Ele entendia que estava exagerando, pois a moça parecia genuinamente inocente nessa história toda. Mas mesmo assim, era arriscado.
Ele demonstrou interesse pela moça, descobrindo algumas coisas sobre ela para que pudesse usar no futuro. Mas ela era monótona e agradável. Sirius não pôde se impedir de criar uma certa afeição por ela. Seria possível que nessa confusão toda tivesse feito uma nova amiga?
E então, veio a azaração. Sirius nunca pensou que poderia sentir tanto medo em sua vida. Quando olhou para Remus e o viu naquele estado, literalmente derretendo e caindo mole em seus braços, seu mundo pareceu cair. O que ele faria sem Remus? O que ele faria sem seu Moony?
Levou várias horas para que conseguisse se acalmar. Prongs desconfiou, é claro, mas não disse nada. Madame Ponfrey teve que medicá-lo com uma poção para os nervos, o que, é claro também, ele não contou para Remus. Tudo estava bem. Ele estava acordado. Estava bem.
Naquele dia, Sirius não resistiu. Ele precisava sentir o garoto perto de si. Imaginando que pedir um abraço era o cúmulo da exposição, Sirius deu seu jeito. Ele passou boa parte da noite com os olhos fixos no lobisomem. Precisava se certificar de que ele não fosse sair correndo. De que ele não ia abandoná-lo.
Sirius não pregou os olhos.
No sábado de manhã saiu cedo. Precisava conversar com alguém. Encontrou com a sorridente Mafalda por acaso, pediu desculpas por não poder encontra-la ontem, mas ela entendeu. Olhou para aqueles grandes olhos verdes dela e pensou em como abordar o assunto sutilmente.
- Mafalda, se você fosse gay e descobrisse ter sentimentos por seu melhor amigo, mas soubesse que ele não quer ficar com você, o que você faria?
Ok, talvez não tão sutilmente assim. A garota arregalou os olhos, mas passado o choque, foi uma boa amiga. Sirius se sentiu ainda mais gay agora que tinha uma amiga para falar sobre garotos, mas não se importou realmente.
Naquela noite ele dormiu com Moony novamente, e no dia seguinte de novo. Ele percebeu com certa apreensão e um sufocamento em seu peito que não fazia ideia de quão tristes seriam suas noites sem o garoto ao seu lado outra vez. Ele se percebeu ainda mais colado no outro durante todo o dia, e a noite, enquanto abraçava Remus, Sirius teve um momento de crise.
O que diabos ele estava fazendo? Não, sério. O que ele estava fazendo com ele, com Remus? A quem ele queria enganar dizendo que estava bem, que aceitava o que tinha com o rapaz? Ele passara muito tempo esperando para que algo acontecesse, e agora, simplesmente, ele fingia que estava tudo bem tê-lo em seus braços assim, sem poder acaricia-lo, chama-lo de seu, acordá-lo com beijos...?
Oh, meu Deus. Sirius encarou o rosto adormecido e os lábios perfeitos e rosados abertos. Ele queria beijá-lo. Ele queria muito. Ele podia fazer isso agora?
Preocupado que Remus acordasse a qualquer momento por conta de sua inquietação, Sirius tentou se acalmar, mas não conseguiu.
Ele dormiu muito mal aquela noite.
Acordou terrivelmente cedo, desesperado, e acordou Prongs.
- O que é, Padfoot?
- Acorde, Prongs. Eu preciso falar com você.
- Porra, Sirius. Que horas são?
- Não faço ideia e não me importo. Pode vir comigo? Por favor, é importantíssimo.
James ainda levou algum tempo para perceber que era realmente sério e se deixar convencer a sair da cama. Eles se trocaram, mas Sirius não abriu a boca enquanto não estivessem bem distantes de todo o resto do castelo, próximo ao lago.
- Desembuxa, Padfoot, pelas bolas de Merlin, o que há com você?
Sirius puxou os cabelos. Se estivesse aparentando tanta loucura quanto o que sentia agora, James estava perdido.
- Tão fodido, Prongs, eu tô fodido.
- Ok, Padfoot, você está começando a me assustar.
- Eu não sei o que fazer, Prongs, juro.
- Ok. Que tal começar do começo e me contar por que me acordou duas horas antes do sinal e por que parece a ponto de arrancar os próprios cabelos. Aliás, pare com isso, está doendo em mim.
Sirius contorceu-se de dor. Ele tinha vontade de se afogar no lago.
- Eu estraguei tudo, Prongs. Achei que podia ter uma chance de fazer certo, mas eu estraguei, eu sempre estrago tudo.
James Potter parecia considerar entre enfeitiça-lo ou gritar por Ponfrey.
- Sírius Black, acalme-se. Sirius! – Ele segurou seus ombros, tentando atrair seu olhar. – Respira fundo. Agora me diga. O que aconteceu? Eu preciso chamar alguém? O diretor? Um auror? Ponfrey?
Sirius suspirou, tentando se controlar.
- Eu estraguei tudo.
- Você já disse isso, mas o que você acha que estragou, Padfoot?
- Moony – Sirius lamuriou.
James arregalou os olhos.
- Moony, o que tem ele? O que você fez?
- Eu… Você não quer se sentar, Prongs?
- Padfoot!
- Ok! Eu – Sirius suspirou. – Eu estou incontrolável e fodidamente apaixonado por ele, Prongs.
Levou alguns segundos para que James percebesse que não era uma brincadeira.
- Você… ah, meu…
Ele decidiu se sentar.
- Desde quando, Sirius?
Sirius bufou.
- Desde sempre, é claro, mas foi só agora que eu decidi fazer alguma coisa e estragar tudo. Não que eu tenha decidido estragar tudo, mas simplesmente aconteceu.
- Merda – James suspirou. – Você… Você se declarou para ele ou coisas assim?
Sirius tinha certeza que seus olhos iam estourar pelo jeito com que ele os arregalava.
- Francamente, Prongs, você tá maluco? Claro que não! Ia ser bastante estranho, você não acha?
- Ok, ok! Então o que diabos você fez?
- Eu… nós… Nós fizemos sexo.
Um misto de incredulidade, confusão e repugnância passaram por James Poter naquele momento.
- Agora se declarar seria estranho? Porra, Padfoot!
Ele respirou fundo, tentando se controlar. Sirius ficou calado.
- Tá legal, me conte exatamente o que aconteceu. Sem muitos detalhes, por favor.
Sírius rapidamente resumiu os últimos dias.
- E agora, que ele parece estar começando a confiar em mim de novo, eu… Eu não vou conseguir, Prongs. Ficar ao lado dele… Eu tô tão fodido, Prongs!
James, que ainda tentava se recuperar do choque da notícia, levantou e deu umas palmadinhas nas costas do amigo.
- Ora, vamos, Padfoot. Podia ser pior. Você podia, sei lá, ter se apaixonado por Snivelus.
Sirius o encarou de boca aberta, escandalizado.
- Ok! Era uma brincadeira, Padfoot, acalme-se. Olha, eu não sei o que te dizer. Isso é novo para mim também. Nós vamos pensar em alguma coisa, tudo bem? Até lá, segure esse seu rabo pulguento e tente agir normalmente.
- Agir normalmente? Você diz… sentar ao lado de Moony, tocar nele e sorrir e fingir que eu não estou morrendo, Prongs? Como? Não! Eu vou ficar a semana inteira na minha cama ou me afundar no lago.
James girou os olhos, passando um braço pelos ombros do amigo e o fazendo andar.
- Não seja exagerado, Padfoot. Nós vamos tomar café da manhã e vamos para aula, e vamos sim fingir que nada está acontecendo para não levantarmos suspeitas, ok? Você consegue. Você fez isso por dois anos.
- Era diferente – Sirius resmungou, mas deixou-se guiar. – Eu não sabia ainda como era tê-lo para mim e eu tive, e agora não tenho mais, e tá tudo tão malditamente errado comigo, Prongs.
James não tinha resposta para isso, limitando-se a dar uns tapinhas nas costas do amigo.
- Você precisa de café. Vamos arrumar algum.
Sirius conseguiu se acalmar um pouco no café da manhã, mas quando a aula começou e Remus entrou pela porta, ele tinha certeza que entraria em pânico novamente. James tentou acalmá-lo com uma ideia descabida que envolvia Sirius se declarando romanticamente dando-lhe algum presente que representasse seu amor.
Sirius achou aquela ideia absurda, mas ao cainho do almoço, ele se lembrou de uma coisa que começou a lhe dar esperanças. Ao chegar lá, rascunhou rapidamente um bilhete para Mafalda, não se importando com a zombaria de Petter.
Mas a aula de história da Magia foi um fracasso. Remus escolheu sentar-se bem ao seu lado, e Sirius tinha certeza de que piraria em breve. Lançou um olhar de súplica a James, mas não havia nada que ele pudesse fazer. Remus tentou puxar assunto e ele tentou corresponder, fingindo que estava tudo bem. Nada tinha mudado. Ele não estava louca e malditamente apaixonado pelo amigo. Não, estava tudo bem.
Seu autocontrole foi para às traças quando Remus encostou sua perna na dele. Era demais para um pobre apaixonado. O showzinho foi para conseguir sair da sala e se ver por horas encarando as profundezas do lago, se perguntando se teria coragem de se jogar. Sirius Black era mesmo muito fodido.
Na hora marcada, Mafalda Collins o encontrou ali.
- Hey, Sirius. Tudo bem?
- Eu estou bem. Por quê? Ai, meu Deus, está tão óbvio assim? Ou você está usando aquela sua... coisa.
- Ah… Na verdade era, você sabe, uma pergunta retórico de interação social, mas… pelo visto você não está bem, né.
Ela sentou-se ao seu lado, no tronco de uma árvore.
- O que está acontecendo, Sírius?
Ele pensou um pouco, mas, por fim, respondeu:
- No ano passado você ganhou um prêmio em Defesa Contra as Artes das Trevas por dominar a técnica de percepção do ambiente e leitura de expressão.
Não era pergunta, mesmo assim Mafalda respondeu.
- Bem, sim. O que torna tudo muito útil na hora de identificar possíveis ameaças.
- E você também criou um feitiço de leitura de emoções, não?
- Eu não criei exatamente, eu encontrei o feitiço em um livro antigo do meu pai, você sabe que ele é auror, né? Mas, ok, talvez eu o tenha melhorado um pouquinho.
Sirius se ajeitou no lugar, virando-se de frente para a amiga e a olhando profundamente nos grandes olhos verdes.
- Eu tive uma ideia que pode resolver minha situação com Remus, mas vou precisar muito de sua ajuda.
Mafalda piscou.
- Sou toda ouvidos, Sirius.
Muito tarde naquela noite, Sirius voltou para o dormitório cansado, porém satisfeito. Faltavam alguns ajustes, mas ele tinha certeza que daria certo.
Esfregou as mãos uma contra a outra e lutou para andar em direção à sua cama, não à de Remus. Só mais um pouco, ele pensou. Se tudo desse certo, ele poderia voltar para aquela cama todos os dias.
