Boa parte dos personagens de J.K. Rowlling

Fanfic escrita por Carol (twitter CFMCarolis) e Bia (twitter beatrizcamara)

Em breve disponibilizaremos a trilha sonora da fanfic, músicas que nos inspiram a escrever.

Agradecemos ao leitor que se dedica a essa história e se você ler e gostar, por favor comente.

Obrigada e boa leitura


Hermione Granger, nas últimas horas não parecia nem um pouco com a mesma Hermione do dia de ontem. Estava estressada, descabelada e em 1977. O ontem para Hermione jazia anos em um futuro quase esquecido. Essa Hermione perdida nos anos 70 falava mais, berrava mais e até ria mais. Boa parte de sua alegria era gerada pelas pessoas que em um dia já considerava como amigas, e contrapondo esse sentimento, sua raiva, no momento presente, estava sendo gerada pelo loiro folgado e cínico, caminhando tranquilamente ao seu lado.

Este, por sua vez, andava com a postura arrogante de sempre, enquanto pousava as mãos no bolso.

—Será que dá pra você parar de sorrir desse jeito? Está me irritando.

Draco revirou os olhos, ignorando-a

— O que diabos você quer fazer procurando a Minerva? É só se misturar. — ele reclamou — E não, felizmente eu descobri que sorrir faz bem para o humor, ajuda a não me tornar você, Granger.

Ele pareceu sorrir com mais vontade agora.

— Eu só não sorrio diante da sua desagradável presença Malfoy. — Hermione revirou os olhos com impaciência— E o que foi aquilo no trem? Dando em cima da futura mãe do Harry? — finalizou com um leve tom de curiosidade na voz.

— Primeiramente, pensei em tratá-la como merece ser tratada, uma sujeitinha sangue ruim, assim como você — encarou-a brevemente erguendo a sobrancelha direita, antes de voltar a olhar para frente —Mas, reparei que seria melhor se eu pudesse simplesmente me divertir. — ele retirou a mão direita do bolso e a coçou a barba que aparentava estar crescendo— O que seria melhor do que comer a mãe do cara que estragou a sua vida, afinal ? — ele sorriu cínico — E o pior, ele nunca ficaria sabendo. A não ser que você fizesse questão de contar, não é Granger? Como você fez todos esses anos.

— Você ficou louco? Se envolver... Dessa maneira com a Lily? Saiba, meu caro, que se você chegar a cogitar uma atrocidade dessas, Harry não pensa duas vezes antes de te mandar um Avada no momento em que descermos do trem. E sim, eu contaria com todo o prazer e gratificação para te ver sofrer.

— E quem disse que eu vou voltar a ver o Potter? Ou qualquer um de vocês? — disse com um tom tranquílo, como se apenas esperasse ela ter dito isso para confirmar sua ignorância— Você não sabe nada, Granger. Nada.

—Pretende ficar por aqui pra sempre? Por que uma hora essa dimensão vai se cruzar com a outra...

Com raiva, enfiou a mão na toga que cobria seu corpo buscando algo. Quando ele levou o material aos lábios. Hermione o viu colocando um cigarro entre os lábios.

— E sabe de algo, Granger? — ele parou de caminhar de repente — Eu adoraria que você contasse tudo para ele, cada detalhe sórdido, cada coisinha. E sabe por que? Porque eu iria adorar que ele soubesse o que eu fiz, e mais, amaria morrer por isso — ele sussurrou perto de Hermione— e enquanto eu visse em seus olhos a culpa de matar indiretamente alguém inocente e também aumentar a dor de seu melhor amigo.. Bem, eu iria me satisfazer.

—Ah, talvez você não precise morrer. Duvido muito que uma garota legal como a Lily vá se interessar por alguém como você. Você é bonito Malfoy, bem arrumado e rico, mas é podre... É por isso que não tem amigos, é por isso que sente tanta inveja e quer tão incansavelmente passar a frente do Harry.

Ele não a encarou, nem deu uma única levantada nas sobrancelhas. Simplesmente não respondeu, como se nunca tivesse escutado nada.

Hermione continuou caminhando ao lado de seu carma. Se aproximou de uma salinha depois de subir as escadas que levavam a torre da Grifinória. Hagrid havia dito que avisaria a professora, e que ela os encontraria ali logo após a seleção.

Bateu numa porta de madeira rustica, e se assustou ao vê-la destrancada.

—Entrem — disse a voz rouca de Minerva McGonagall, saindo do ambiente com cheiro de penas, e alguma colônia desconhecida.

Após muito tempo, Draco dirigiu o olhar a Hermione, revirando os olhos. Ele andou com a postura impecável, atravessando a porta e entrando na sala.

Alguns segundos depois, Hermione entrou na sala, cabisbaixa.

— Sentem-se — Diz Minerva indicando dois lugares vagos. — Hagrid me explicou de forma afobada sobre dois alunos novos, mas não fui informada de nenhuma transferência.

Malfoy se senta confortavelmente e retira um pedaço de papel da roupa. Ainda com a postura impecável, ele entregou o documento na mão da professora, com impaciência. Ele encostou-se na cadeira, cruzando os dedos das mãos enquanto esperava a professora conferir o papel.

—Se importa se eu ler em voz alta? — pergunta Minerva, olhando-o por cima dos óculos quadrados. Ele descruzou os dedos, e passou a mão direita na face, com raiva. Encarou Hermione rapidamente, antes de fazer um sinal positivo com a cabeça para a senhora sentada na frente dele.

Subitamente, Malfoy achou algo muito interessante na suas vestes, de tal forma que ficou olhando para baixo, tentando desviar o olhar de qualquer uma das duas.

Prezada Autoridade Infanto-Juvenil, presente no ano de 1977,

Como atual Ministro da Magia, Kingsley N. Shacklebolt eleito pelo código da legislação 654-6 do ano de 1998, informo-lhe que o presente aluno, número de registro pelo ministério da magia 123.482-38, conhecido pelo nome de Draco Lucius Malfoy, nascido dia 5 (cinco) de junho de 1980 (mil novecentos e oitenta) tem contas a prestar para com o serviço público bruxo.

Draco Lucius Malfoy é acusado de acusado de assassinato, tortura e formação de quadrilha com os recrutas de Tom Marvolo Riddle, número de registro 78.964-5, nascido em 31 (trinta e um) de dezembro de 1926 (mil novecentes e vinte e seis) e levado a óbito em 1997, mundialmente reconhecido pelo pseudônimo de Lord Voldemort,

Após o julgamento realizado na segunda-feira, 22 de agosto de 1998, foi decidido pela corte bruxa, baseado na presente legislação adotada, que o réu deverá ser mantido em cárcere na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts a mandato do ministério para assim prestar contas ao ministério da magia, durante o período de 1 (um) ano referente ao que o acusado se encontra.

Informa-se que esta informação é sigilosa, e que o presente aluno, Draco Lucius Malfoy, deve manter as atividades regulares de um aluno convencional, como tal presente no código da escola, baseado nas regras escritas em 1963, sob a vigilância do atual corpo docente e do diretor Albus Percival Wulfric Briam Dumbledore.

Assim seja declarado,

Kingsley N. Shacklebolt.

(Ordem de Merlin, primeira classe; Ministro da Magia e Regente temporário da confederação internacional de magia e bruxaria)

—Vejo senhor Malfoy, que o senhor deverá ser regulamentado pela lei. Depois conversamos sobre os serviços que deverão ser prestados a favor da escola.

— Farei com que minha estadia não seja ruim de nenhuma forma, professora — Draco disse encarando-a com firmeza.

—Entendo, — diz Minerva, dura — Espero que tenha honra em sua palavra senhor Malfoy. — ela apertou os pequenos olhos antes de mudar o foco para Hermione — E quanto a senhorita? Também detém de um currículo sujo por aquele que não deve ser nomeado?

— Professora, sei que a senhora não leva em consideração a boa-fé, mas preciso deixe que eu me aproxime para que eu possa me explicar.

— Qual é a sua situação senhorita? O que a traz a essa escola acompanhada do senhor Malfoy?

— Professora, eu sei que não se lembra de mim, mas provavelmente a senhora deve ter um desse guardado um deste consigo — Hermione levou as mãos até a blusa aonde retirou o vira-tempo escondido — A senhora me dará isso daqui a muitos anos, e me falará uma série de regras sobre o bom uso, que eu nunca quebrei, exceto por hoje. — suspirou — Eu esqueci que o vira-tempo combinado com determinadas passagens bruxas levavam a uma quebra total e completa do tempo. Foi o que aconteceu na plataforma 9 3/4, eu tentei passar e estava com o vira-tempo. E caí aqui em 1978. Não foi proposital, foi um acidente e uma completa falta de sorte eu ter parado aqui com o senhor Malfoy, inclusive porque somos da mesma época.

— Espere um minuto. — Minerva se levantou, a capa esvoaçando ao seu lado, mantendo-a elegante como um gato. Ela caminhou em direção a uma porção de prateleiras cobertas por livros empoeirados e com um aceno de varinha, capturou um deles com a mão livre. — Senhorita...

— Granger. — Responde Hermione rapidamente. — Hermione Granger

— Senhorita Hermione Granger, temo não se tratar de uma simples combinação do vira-tempo e o transportar. — Ela joga o pesado livro sobre a mesa e com um aceno de varinha, abre uma página. Minerva se mantém em silêncio por alguns segundos, lendo uma unica folha do grosso e empoeirado livro, e logo em seguida deixa escapar um pequeno muxoxo. — Senhorita Granger, a senhorita tem razão ao dizer que foi um acidente e uma imensa falta de sorte. O seu vira-tempo sozinho não poderia mandá-la a tantos anos atrás, porém, o portal que traria o senhor Malfoy para 1977 permaneceu aberto para qualquer um que portasse um objeto de tempo. Qualquer pessoa, no minimo período de tempo em que a senhorita fez a passagem, se portasse um objeto semelhante ou igual ao seu, também chegaria até mim. Creio que essa situação se trata de um imenso erro do ministério do tempo em que ambos pertencem. As viagens no tempo, para fins de admoestação são muitíssimos raras, e todo o departamento de tempo e espaço deve estar ciente de que singularidades acontecem... — Ela fecha o livro, e com um aceno de varinha o manda de volta a prateleira. Minerva então se senta na cadeira e une as duas mãos e observa Hermione. — Manterei a senhorita, Hermione Granger, como uma aluna regular em Hogwarts, e permanecerá na casa em que aos onze anos, lhe foi oferecida. Quanto ao senhor Malfoy, por favor peço que fique mais alguns minutos para tratarmos de assuntos particulares e desagradáveis.

Ela respira.

— Por enquanto, porém, — Minerva chacoalha a varinha e faz surgiu tortas de carne, purês e sucos de abóbora, e pudim de leite. — Se alimentem. Em seguida a senhorita Granger está liberada para ir ao dormitório feminino do sétimo ano, torre de Gryffindor, quarto 37.

— Alguma pergunta? — diz por fim.

Ambos negam com a cabeça, e Minerva McGonagall sai a passos largos em direção a porta de madeira, mantendo Draco e Hermione sentados diante de sua mesa, cercados por comida. Não resistindo ao próprio estomago, Hermione come um pedaço de torta e toma um pouco do suco. Draco não se demora muito para seguir os passos da Granger, e em menos de uma hora, Hermione se levanta, satisfeita e se prepara para ir.

—Draco, — diz ela somente com a cabeça para dentro da sala. — Você tinha razão, eu não sei de nada sobre você... E, boa sorte.

Draco nem se virou para encará-la. Encarando os inúmeros pratos de comida a sua frente, ele se serviu de mais purê e torta de carne, cortando as fatias de forma ríspida.

Hermione ignorou o loiro fechando a porta. Se ele não iria respondê-la, não seria ela que iria se dar a esse trabalho.

Hermione saiu em direção a escadaria que levaria aos dormitórios da Grifinória, e só então se deu conta de que não conhecia a senha. Consultou o relógio de pulso. Os alunos não demorariam a subir, e Hermione, cansada, ao se ver de frente com o retrato da mulher gorda, se sentou na beira da parede, encostada nela.

Ela não soube ao certo quanto tempo passara ali, mas o cansaço da viagem mais o estresse do dia a fez cochilar rapidamente. Recebeu então um cutucão no ombro, e pulou assustava ao ver os olhos verdes de Lily a encarando com preocupação. Uma porção de crianças de mais ou menos uns onze anos, riu ao vê-la pular como um ratinho assustado, e Hermione, quase instantaneamente, ficou rubra.

—Hermione, você está bem? — perguntou Lily, o tom de preocupação evidente na ponta da língua.

— Ah, Lily — Hermione bocejou — Me desculpe por isso, eu.. — ela levantou-se ainda grogue pelo sono— A professora Mcgonagall não me disse a senha.

— Ela deve ter imaginado que você chegaria no mesmo horário que os demais. De qualquer maneira, é Patrono.

— Vamos? James já abriu a porta.

Hermione riu.

— Claro, como ele está? — ela indagou com curiosidade — Vocês se falaram depois daquele.. — ela tapou a boca para controlar o riso — episódio?

—Infelizmente sim, e infelizmente James Potter continua a se comportar como... James Potter.

— Ah Lily, ele não é tão ruim

Elas caminharam pelo salão comunal da Gryffindor com lentidão, esperando os alunos do primeiro ano se agruparem.

— Só me diz que você não se tornará mais uma alienada fã dos Marotos. Não nego que eles são divertidos, mas eles se limitam a apenas isso... — Lily suspirou. — Vamos entrar, qual quarto você vai ficar?

— Pode acreditar que não me torno fã de alguém fácil — ela riu — De qualquer forma, estou no dormitório 37. — ela completou dando de ombros

— Vai ficar comigo, Mary e Dorcas.

Hermione deu um sorriso completamente verdadeiro e largo.

— Jura? Que maravilha! —Ela ria feliz

— Meninas! — ela muda o tom, dessa vez conversando com a criancinhas, paradas e as olhando com expectativa. Subam as escadas a esquerda... Há feitiços de identificação nas portas que não as deixará entrar no quarto alheio. Suas malas já estão nos seus dormitórios. Qualquer menino é terminantemente proibido, mesmo que seja coleguinha de vocês. Qualquer duvida estou no quarto 37.

Quando as dez meninas subiram as escadas, Lily sussurrou para Hermione:

—Não é normal termos apenas três pessoas no quarto. Duas das nossas, Paige e Maggie, desapareceram no verão. Algumas pessoas dizem que elas foram mortas, outras arriscam que se juntaram ao... Você-sabe-quem. Não queria comentar isso na frente das meninas.

Hermione arregalou os olhos.

— Elas sumiram, você quer dizer, do nada? — ela sussurrou — Por Merlin, e seus pais? Fizeram algum depoimento a escola ou ao Ministério? — Hermione coçou a cabeça com preocupação.

— Quando pessoas somem, ultimamente, ninguém faz mais nada. Não á o que fazer quando o medo já tomou conta. Paige era nascida-trouxa como eu, você e Mary. É irrelevante procurá-las quando se sabe que "ele" é o principal responsável.

Hermione fechou os olhos com força, não gostava das lembranças que a guerra trouxera para sua memória.

—Não sei a quantas anda na Austrália, mas aqui está muito feio. O profeta Diário diz que já são 250 desaparecidos, mas ninguém acredita nisso. Há mais, muito mais.

—Ela pode estar viva, sabe? — Hermione tentou argumentar — Uma das minhas colegas era nascida-trouxa como nós, ela foi torturada por uma comensal e a encontramos viva — ela sentiu seu corpo se eriçar com a lembrança da marca Mudblood, escondida com magia , em seu braço direito, marcando-a como um animal, para lembrá-la para sempre o que ela realmente era naquele mundo. Nada.

—Ela deve ser uma em um milhão Hermione. Aqui os desaparecidos são contados por lotes. Não há ninguém para nos proteger, o Ministério não faz nada para impedir. Quase todos os desaparecidos são nascidos-trouxas, somos a ralé, ninguém se interessa pelo nosso bem estar. Enquanto você sabe quem se manter longe dos puro-sangues, não há esperança.

Hermione posou sua mão fina e delicada sobre as mangas cumpridas de suas vestes do lado direito, como se tentasse esconder aquela marca para si mesma. Era como se quando ela citasse aquela marca, ela sentisse a maldita pulsando em sua pele, lembrando-a da dor daquele dia.

— Eu sei o que quer dizer, eu realmente sei, Lily — ela sentiu a garganta embargar.

—As vezes eu acho que não mereço esse uniforme. — Diz Lily apontando para o símbolo da coragem. — Eu passo meus dias com medo de não encontrar meus pais quando voltar pra casa. Ou de saber que minha irmã e o marido dela foram atacados enquanto dormiam.

Hermione ainda não estava preparada para viver em uma guerra. Não novamente. Existem feridas que ela sabia que o tempo seria incapaz de curar, ainda mais aquelas.

—Uma de nós saiu da escola, sabe? — Hermione lembrou de si mesma — Ela usou obliviate nos próprios pais para que se esquecessem dela, diminuindo o perigo e a dor se ela falecesse — Hermione sentiu os olhos lacrimejarem

— Ela é corajosa. Mais um ponto para eu me sentir tão inferior. Meus pais são a minha base e eu não suportaria saber que eles não se lembram de mim... Isso é tão egoísta

Eu sou tão egoísta. Eu fico o ano todo na instituição mais bem protegida do mundo, e mesmo assim não sou forte o suficiente para abandoná-los.

Hermione sentiu culpa. Ela sabia do que Lily era capaz de fazer, mas não pôde dizer nada que a confortasse naquele momento. Ela era uma completa inútil.

—Vamos? — Lily forçou um sorriso. — Amanhã temos aula e precisamos acordar cedo, e você deve estar cansada... — Então ela sorriu. — Que bobagem, você está cansada.

—Lily — Hermione suspirou segurando o ombro de Lily com delicadeza — Acredite em mim, nem eu sei como, mas eu acredite em mim quando digo que simplesmente sei de uma coisa: você é forte e decidida, quando achar que precisa fazer algo, você vai fazer. — Ela demorou algum tempo para se recompor. — Essa minha amiga era muito próxima de mim, sabe? Nós tínhamos bastante em comum, ela foi a primeira que fiz amizade naquela escola. O fato é que a vida toda ela me acompanhou na biblioteca, preocupando-se com atividades acadêmicas e ignorando tudo que a vida tinha para oferecer a ela. Ela perdeu muita coisa, mas nunca deixou de acreditar em si mesma, mesmo quando a vida dela era composta por livros e inteligência, mas não por amizade e coragem. Assim como ela, você saberá o que fazer quando chegar a hora certa.

— Eu gosto da sua percepção, e eu já adoro você Hermione. Mas nos conhecemos há poucas horas. Você me conhece a poucas horas. O motivo para eu pertencer a Grifinória é exclusivamente minha resistência. Eu odeio o que eu vou dizer, mas o Potter é corajoso, o Severus , você o conheceu, é corajoso. A Betty perdeu os pais durante as férias de natal e eu não a vi chorar. A avó da Amy foi encontrada morta com picadas de cobra e ela permanece. Eu não sou a heroína que você imagina. Sou só uma garota tentando resistir. Eu só tenho esperança. E enquanto isso permanecer, eu permaneço junto.

Hermione sorriu.

—Lily, ninguém pode te fazer acreditar em si mesma, só você pode fazer isso. Você vai saber o que fazer quando chegar a hora — Hermione falou colocando as mãos sobre o ombro de Lily — Não julgue a si mesma antes da hora. Só você é capaz de definir o que você é, e o que você pode ser. Nunca desista da possibilidade de dar orgulho a si mesma, Merlim sabe que essa é a única maneira de sermos realmente felizes na vida.

Lily sorri agradecida, e passa o braço em torno do pescoço de Hermione, a puxando para um abraço desajeitado.

— Você também. — Ela responde simplesmente.

Hermione sorriu recebendo o abraço de Lily, reconhecendo nela a doçura de Harry. A aparência física do seu melhor amigo, era claramente de James, mas o sorriso meigo e a doçura no olhar, além do fato de se importar com os outros... Tudo pertencia a Lily. Ela abraçou Lily desajeitada, embora estivesse inteiramente feliz por saber que tinha uma amizade nascendo entre as duas.

Hermione acordou na manhã seguinte. Se lembrava de um sonho estranho envolvendo um trem, umas garotas malucas e Draco Malfoy... Deus! Harry precisava saber do seu sonho... Ele iria, ajeitaria os óculos e diria para Mione se distrair, já que seus sonhos estariam sem criatividade o suficiente para chegar ao ponto de se sonhar com um Malfoy.

Ou o oposto.

Ela sorriu... Nem mesmo notou no quarto em que estava. Pulou da cama fofinha e coberta por vermelha, correu descalça até a porta e deu de cara com olhos verdes. Mas não eram os olhos verdes de Harry.

Não foi um sonho. Concluiu ela ao sorrir amarelo para a ruiva impecavelmente engomada dos pés a cabeça.

Ela coçou os olhos com força quando encarou a garota de cabelos bem ruivos. Ah, não.

Do lado do peito, a garota exibia um brasão que reluzia, mostrando a todos que ela era monitora. E pelo jeito que o objeto brilhava, ela sentia bastante orgulho dele.

— Mione. - sorriu Lily ajeitando o rabo de cavalo, embora ele já estivesse perfeito. — Que bom que acordou. Eu já estou indo tomar café.

— Ah, eu… — ela ainda não acreditava que a mãe, ou futura mãe, de seu amigo estava de pé a sua frente —Bem, eu não me arrumei ainda — apontou para o pijama surrado e extremamente confortável no qual ainda estava vestida.

— Eu espero sem problemas. - concluiu Lily - Em quanto tempo se arruma? Tenho transfiguração na primeira aula e a professora McGonagall não gosta de atrasos

Hermione sorriu. A recente amiga era tão parecida com ela.

— Será rápido — ela disse já correndo em direção ao baú que guardava suas vestes — Prometo! — gritou

—Cadê as outras, por falar nisso — Hermione falou ainda em um tom alto esperando a ruiva a ouvisse de onde estava.

—Mary gosta de passar na biiblioteca antes do café. Gosta de pegar livros antes de todo mundo. E Dorcas deve estar no refeitório babando o Sirius.

Hermione se pegou balançando a cabeça. É, até que faz sentido.

— E Amy?— Hermione falou ainda em tom alto.

—Amy e Betty sempre chegam atrasadas. Não espere falar com qualquer uma das duas antes do almoço. Ambas tem um péssimo humor pela manhã.

Hermione riu.

— Não comentei, mas as chamamos de gêmeas. O que uma tem, a outra provavelmente tem igual ou o extremo oposto. Brigam o tempo todo, então se acostume.

Faltava apenas arrumar seus cabelos e pronto, ela falou para si mesma enquanto ajeitava as vestes.

—Não se atreva a prender esses cabelos Mione. Betty provavelmente vai desmanchá-los antes das três.

— Fique tranquila, estou acostumada com pessoas assim — riu ao pensar em Harry e no namorado. — Mas… — Hermione odiava deixar eles soltos. Ela não gostava que vissem sua bucha, quer dizer, cabelo.

— Nada de mas... Estou te poupando pelo menos duas horas de falatório incessante. — Lily murmurou palavras incompreensiveis enquanto tentava ajeitar o próprio cabelo —Está pronta? — Pergunta Lily se levantando afobada com pergaminhos e penas presos no seus braços finos.

—Prontíssima — Hermione pegou os pergaminhos com rapidez, indo atrás da amiga.

—Vamos? - perguntou Lily com o queixo sujo de tinta preta, por causa do tinteiro suspenso no alto da sua montanha de livros e pergaminhos. — Eu sinceramente não consigo entender o sucesso das aulas de transfiguração, mas detesto me atrasar. - sorri Lily, porém Hermione a encara em confusão - quero dizer... Uma poção eu posso guardar por até uma década, um feitiço pode me ajudar a me proteger... mas transfiguração? Digo, onde eu vou achar uma pena de águia, no meio de uma selva para transfigurar em cálice... a menos que eu esteja em uma região montanhosa, ou com objetos de metal a mão... um cálice ou qualquer outra outra é irrelevante, entende? Mas não... Tranfiguração é uma das matérias de mais peso, e a professora é diretora da nossa casa... Mas eu particularmente prefiro poções... Você vai adorar o Slughorn...

— Deixe disso, Lily — Hermione falou a contragosto — Todas as aulas são importantes. — ela deu uma pausa —Menos adivinhação — sussurrou — Mas não devemos deixar que nossos gostos influenciem em nossos aprendizados. Se está na grade, tem que ser ensinado. — voltou ao tom normal —A grade curricular de Hogwarts foi especialmente planejada o NOM e NIEM. Li em Hogwarts, uma história. Uma ótima fonte de curiosidade, por sinal.

—Eu já li - ri Lily — só por diversão. E você tem razão. — conclui ela.— Mas eu gosto de adivinhação... É bem divertida, e professora Lawrence é uma ótima adivinha. Ela ultimamente trabalha para o ministério rastreando você sabe quem

—Não vejo dessa forma — Lamentou Hermione — Adivinhação é uma arte abstrata, não é como os outros ramos da magia. Poucas vezes encontramos verdadeiros profetas, para mim, não passa de — procurou a palavra exata para se referir ao que ela queria naquela década —.. hm, balela ?

— Ah não... A professora Lawrence é sem duvidas uma fonte de pesquisas... Alguns garotos já tentaram apostar contra ela, e ela recebeu alguns ouros por isso. - ela sorriu. — Mas não conte a ninguém sobre isso.

Hermione ainda estava rindo com a amiga quando avistou as mesas no salão culmunal

Elas estavam repletas de alimentos nada saudáveis e um incontável número de alunos estavam presentes em cada uma delas.

Hermione avistou a mesa mais barulhenta, sendo ela, obviamente, a mesa da Gryffinfor.

Ela sorriu para Lily quando deu passadas largas para chegar a mesa longa rapidamente.

Os alunos da casa dos corajosos estavam eufóricos e gritavam uns com os outros. Ela avistou Amy e Betty encenando uma situação quase idêntica, enquanto passavam geleia no pão e bebiam o suco ao mesmo tempo.

Ela sorriu sentindo a normalidade novamente. Em qualquer tempo, os alunos da Gryffindor seriam iguais.

Hermione sentou na mesa ao lado de Betty, e em seguida olhou para trás esperando Lily se sentar.

Ao chegar na aula de poções, Hermione encarou o olhar questionador de seu novo e velho professor Slughorn. Estava com o braço entrelaçado ao de Lily, e viu Slughorn abrir os braços e recepcioná-las de maneira alegre.

— Lily! Meu prodígio! Que bom tê-la de volta as minhas aulas.

— Bom dia professor. — Cumprimenta Lily de maneira agradável. — Essa é Hermione Granger, professor. E minha nova amiga.

— É um prazer conhecê-la senhorita. Se é amiga de Lily, também de bem querida por mim. Gosta de poções? — ele se expressou com incontestável tom de curiosidade

— Boa tarde, professor — Hermione retribuiu a gentileza do professor já conhecido — Gosto muito da matéria, para ser sincera. Era uma das minhas favoritas em minha antiga escola.

— Espero que sim senhorita, espero que sim. A grade para o sétimo ano é bem puxada para poções medicinais... Poções ariscas, se posso dizer, porém muitíssimo delicadas.

Hermione encarou aquilo com um tom de aposta sobre sua capacidade. Óbvio que a sua primeira reação foi baixar o sorriso.

—Tenho certeza que isso não será um problema, senhor. — falou com seriedade

Hermione observou o restante da sala. Quase todos os lugares estão ocupados, e nenhum em dupla. Lily se aproximou de uma garota que ela não reconhecia. Assim, Hermione resolveu procurar por algum lugar perto a um rosto familiar.

No final da sala sentado ao lado de uma cadeira vazia e com o narigão quase tocando as páginas do livros, estava Severus Snape. Quase camuflado na sombra, ela se aproximou relutante com medo de assustá-lo, mas ao parar ao seu lado, Severus levanta a cabeça e a encara com os olhos semi-serrados.

—Posso me sentar? — pergunta ela em duvida.

Ele voltou a encarar seu livro com a mesma atenção de antes, mostrando sua crescente impaciência.

— Faça o que quiser — resmungou

— Tão gentil — retrucou — Obrigada

Ela afastou a cadeira e se sentou ao seu lado. Observando-o de rabo de olho, o viu rabiscando algumas coisas nos cantos das páginas. Os ombros estavam curvados e ele não parecia dar a mínima para ela.

— Então... — Sorriu Hermione — Gosta de poções? — disse querendo quebrar o silêncio.

Uma clara ironia que ela esperava que Severus se lembrasse no futuro. O rabugento professor de poções que traumatizou seu colega de sala, Neville Longbottom, sempre cobiçou o cargo de defesa contra as artes das trevas; seria bom ter uma resposta concreta sobre seu gosto.

Ele ignorou ela mais uma vez, enquanto riscava algo - aparentemente muito importante - no livro preto.

— Espero que não esteja me insultando em palavras. Sua agressividade é impressionante. —Hermione cutucou seu ombro.

— Minha agressividade não é colocada em palavras, acredite em mim — resmungou — eu nunca precisei pronunciar feitiço nenhum — revirou os olhos

—Ouvi dizer uma vez que os mais agressivos são os mais quietos. — ela sorriu de canto e olhava de lado esperando uma resposta.

Severo deixava bem claro o que ele achava dela, ou melhor, o que ele não achava.

—Vamos Severus. Você não foi agradável no trem, mas não foi completamente ignorante. Poderia ao menos se dignar a me cumprimentar. Então... Oi Severus, como você está nesse dia belíssimo de Sol?

Ele simplesmente retirou o rosto de dentro do livro, e encarou ela friamente. Depois, ele simplesmente voltou a olhar para frente.

—Certas vezes eu não compreendo como Crucius se tornou uma maldição imperdoável — ele quase sussurrou para si mesmo

Hermione riu do rapaz rabugento.

—Já que você se mostra tão prestativo... Conheci pessoas novas no trem, uns Grifinórios... Dorcas, Mary, Betty, Amy e Lily... A monitora Evans. — ela observa de canto ao ver Severus enrijecer os ombros e ignorá-la novamente. —Você as conhece? São muito gentis e amigáveis... Conheci uns rapazes também... meio... pavonescos.

Severus deu um longo suspiro.

Ele virou completamente o corpo em direção a Hermione, dessa vez, os olhos deles estavam repletos de frieza.

— Eu não sei qual é sua aparente diversão, sangue-ruim. Mas agradeço se não atrapalhar minha caminhada acadêmica com assuntos que a senhorita obviamente já percebeu que são de extrema falta de tato quando levantados. Além disso, acho que já deixei bem claro que não gostaria de ser interrompido. Suas amiguinhas idiotas e suas amizades só dizem respeito a você.

—Calma lá rapaz — sorriu Hermione — sua frieza não me assusta ou me afasta. Sangue-ruim, sinceramente, já é tão ultrapassado que nem me afeta mais, embora sua raiva possa indicia-lo a gritar tal xingamento a plenos pulmões. E embora você não seja das mais agradáveis companhias, gosto de você. Você é rabugento e mal interpretado, fica quieto e cria uma barreira na esperança das pessoas se manterem longe. Mas quero que fique claro, isso não funciona comigo.

Severo em um impulso fechou o livro com força enquanto rangia os dentes.

—Pois saiba que você é decididamente a sangue-ruim mais irritante que conheci. Malfoy estava certo sobre sua mania de achar que está certa sobre tudo — ele resmungou — no final das contas, a senhorita se mete em lugares onde obviamente não é chamada.

Em um ato extremamente infantil, Severus colocou uma das mãos tampando o ouvido enquanto apoiava a cabeça nesta. Encarou a frente da sala com concentração, evitando se deixar levar pela raiva com a morena irritante que estava ao seu lado.

—Deveria parar de ligar para o que Malfoy tagarela Severus. Malfoy nem sempre é são das ideias quando se refere a mim, e você a de perceber. E quando ao não ser chamada, você meu caro, não deveria a princípio ter me convidado a me sentar ao seu lado. Eu nem mesmo teria notado sua presença sem sua obvia gentileza como a primeira pessoa sã que conheci nessa nova escola.

Ele fazia um leve bico, quase inexistente, buscando se concentrar para não revidar, e assim, ignorá-la completamente.

Hermione riu.

— Sinceramente Severus... — Então abriu seu livro de poções curativas

Hermione apoiou o queixo no livro e levantou o olhar. Viu Lily na primeira fileira ao lado da menina que ela não conhecia, encarando o gordo e gentil Slughorn, enquanto ele lhe contava alguma curiosidade sobre madragoras. Ela abriu seu livro de poções curativas sem deixar de encarar Slughorn por um único segundo.

O professor limpou a garganta e se posicionou na frente da sala. A cadeira ao lado de Hermione se mexeu e ela viu Severus Snape se apoiar nos cotovelos, o corpo levemente inclinado e os olhos em expectativa. Na primeira fila, uma garota de cabelos flamejantes imitava a cena e olhava atenta para o professor.

—Bom dia classe, espero que estejam ansiosos para o início das nossas aulas. Gostaria de salientar que este ano letivo será regado de poções consumíveis interna e externamente, direcionadas a finalidade curativa. Uma poção curativa, quando bem preparada, pode corrigir até o mais drástico dos acidentes, porém, quando mal preparada pode render efeitos colaterais.

Ele deu um longo suspiro antes de continuar.

—É uma poção a base de Mandrágora e Hortelã. Abram na página 241 de seu livro padrão de poções avançadas e recolham os materiais necessários comigo. Leiam com atenção e preparem essa poção que fica pronta, em média, em quinze minutos. Embora seja uma poção relativamente fácil, ela se torna imensamente tóxica quando mais preparada.

Hermione folheia seu livro e observa claramente a listagem de ingredientes. Com a ponta dos dedos ela lê delicadamente o necessário:

Ingredientes:

60ml de suco de mandrágora fresca;

2 unid de pó de chifre de unicórnio;

3 medidas de salsa salgada da cornualha;

2 lágrimas de gigante do norte;

3 folhas de hortelã para dar sabor (opcional)

Modo de preparo:

Comece misturando o suco de madrágora, as lágrimas do gigante em fogo baixo por cinco minutos até atingir fervura, adicione os ingredientes secos (misturados separadamente) e mexa em fogo médio até atingir uma coloração rosa claro. Espere esfriar e transfira para um recipiente de vidro transparente. Conservar em local fresco e longe da luz do Sol por até 765 dias.

Hermione deixou os livros ao lado, vasculhou sua bolsa e transferiu para a mesa seu caldeirão de estanho médio, uma colher e manteve a pena e o pergaminho para anotações. Se levanta e anda calmamente até o professor gorducho e sorridente que dá a cada aluno um quite com dois frascos e saquinhos pequenos dentro de uma sacola.

Hermione agradece e ao olhar em direção a mesa que divide com Snape observa seu futuro professor atento adicionando os ingredientes com uma vivacidade incrível. Ele quase parece feliz — observa ela. Hermione se aproxima e despeja suas coisas na mesa, mantendo o livro aberto ao seu lado, olhando de rabo de olho para o caldeirão espumante de Snape. Ela liga o fogo e adiciona os ingredientes, mexe em fogo médio e adiciona o restante. Porém, sua poção nunca atinge a coloração clara que o livro explica. "O que pode estar errado?" pensa ela. É então que ela observa uma mão magra e cumprida, quase cinza, lhe esticando uma porção de sementes moídas.

— O que é isso? — pergunta ela a Snape. — Isso não está no livro.

— São castanhas — responde ele quase sussurrando. — Você quer fazer a poção dar certo ou não quer?

Ela olha para ele, e observa sua feição rabugenta, as sobrancelhas franzidas e a mão cinzenta ainda esticada. Ela então toma as sementes de sua mão e o observa.

— O que devo fazer com isso? Jogar e voltar a mexer em sentido horário? — perguntou ríspida. Nunca precisara de ajuda, pelo contrário, ela era a única que ajudava aos outros. A única que tinha competência para fazer isso. Mas as coisas pareciam ter mudado.

— 2 anti-horário e um horário. — Snape respondeu baixo, buscando não chamar a atenção do professor — Mexa bem e se sua cabecinha de sangue-ruim não for completamente arruinada, vai conseguir. — E então a ignora.

Hermione joga as castanhas e faz o que o rapaz ao lado oferece, e aos poucos observa o óleo da castanha se misturando a poção e ela, aos poucos, atinge a coloração desejada

— Como você sabia disso? — pergunta ela ao desligar o fogo. Severus dá de ombros e a ignora. — Como você sabia que deveria ignorar as medidas e adicionar isso?

— O que temos aqui? — pergunta o gordo e amigável Slughorn se aproximando de ambos e os cumprimentando com um aceno alegre. — Duas poções de qualidade. Oh sim, com certeza. — Ele mexe o líquido do caldeirão de Hermione — Sim, de fato. Bela consistência, cor exata e o cheiro... Perfeito, senhorita. E a sua, senhor, perfeita. Maravilhoso, maravilhoso.

— Fico encantado em saber que terei mais uma exemplar aluna em minha sala. Senhorita, meus parabéns. — Slughorn saiu da frente dos dois e foi verificar a de James e Sirius, ambos que Hermione ainda nem havia cogitado a presença.

James estava com as pontas dos cabelos grudadas por um grude escuro, e Sirius ria descontrolado com a cara coberta por fuligem. Ambos receberam um olhar de desagrado do professor. James fingiu uma falsa vergonha, e Sirius sorriu de canto e bateu uma leve continência. Hermione achou aquilo uma falta de respeito sem tamanho, e quando o professor deu as costas, ela encarou ambos da mesma maneira que encarava seus amigos. E embora soubesse que "o olhar" não surgiria o mesmo efeito em dois conhecidos, ela se sentiu melhor.

Quando a aula acabou, Hermione recolheu seus pertences dentro de sua bolsinha e se sentou esperando o professor dispensar a todos. Olhou então novamente para o rapaz o lado, e ele ignorava o mundo.

— Obrigada — sussurrou ela — Foi muito gentil da sua parte me ajudar. — agradeceu.

Snape ergueu o olhar e atingiu Hermione com um certo desprezo. Deu de ombros e se manteve quieto.

— Talvez as pessoas gostassem mais de você se você falasse mais Severus.

—Talvez as pessoas gostassem mais de você se você calasse a boca Hermione. — retrucou com a língua afiada

Hermione se aproximou e socou seu ombro devagarinho. Snape a olhou incrédulo e quase escandalizado com o ato íntimo não permitido, e Hermione quase se arrepende. Quase.

—Você me chamou de Hermione. — diz ela sorrindo. — Isso deve dizer que você não me odeia, ou deseja me matar.

— Eu não teria tanta certeza — respondeu com a voz arrastada.

Hermione riu.

— Uma hora você vai ceder, Sev. — falou o apelido com gosto — Sei que vai.