Era dourada
Aiko Hosokawa
O que estiver em itálico é conversa mental
CAP-3 Presságio de guerra: último anoitecer de paz
"Como todos sabem, o motivo pelo qual essa reunião foi convocada é a denúncia, por parte dos humanos, que alguns deles estariam sendo assassinados pelos nossos...". Shion estava sentado em seu trono e nesse momento levantou-se. "... Como prova desse ocorrido, Kamus, o general do exército de Athlantis, trouxe-nos esta flecha". Pegou o objeto que estava nas mãos de Hilda, caminhou até a mesa, e lá o colocou. "Creio que sabem o que significa isso".
Uma inquietação tomou conta do elfos, não sabiam o que dizer, os corações palpitavam em ritmo acelerado, pois era a chegada a hora de tomar uma decisão!
"O que afinal essa flecha tem de diferente?". Kamus perguntou quebrando o silêncio.
"Essa, meu caro, não é uma flecha elfíca qualquer...". Hilda pronunciou-se. "Vê que ela tem a ponta preta?".
Kamus só então reparou que, por baixo do sangue já seco, a ponta, a parte afiada da flecha era completamente preta.
"Pois bem. Esse é o símbolo de uma ordem de elfos que deseja a purificação da Terra Média".
"Como assim purificação?". Ainda não havia entendido bem, e temia que o que se passasse em sua mente fosse a verdade.
"Eles desejam o extermínio de todos os não-elfos!". Carlo falou sêco e grosso.
Kamus, Shiryu e Ikki ficaram atônitos, não esperavam que existissem elfos tão radicais.
"Mas isso é um absurdo!". Ikki ficou revoltado e não conseguiu se conter. "Shaka, me diz: eles têm força para fazê-lo?". Disse, aproximando-se do loiro e obrigando-o a olhar nos seus olhos.
Shaka não sabia o que dizer sentiu uma enorme tristeza invadir seu coração ao ver o desespero naqueles olhos brilhantes. "Sinto muito, Ikki...".
"Pelos deuses, temos que voltar a Athlantis para preparar o exército". Disse já virando de costas para sair, mas foi impedido por Shiryu.
"Calmo, é melhor ficar até o fim".
"O meu irmão está l�! Tenho que protegê-lo!". Mais um pouco e o cavaleiro iria passar por cima do amigo.
"Acalme-se, Ikki!". Uma voz forte e imponente falou, o jovem ficou surpreso; esperava uma reação dessas de seu general, mas foi Shaka que falou, levantando-se.
"Com quem pensa que está falando?". Disse entre os dentes, tentando conter sua fúria.
"Será que ainda não percebeu? Abra os olhos rapaz!...".
Ikki fez uma expressão de quem realmente não tinha entendido.
"Por que acha que essa reunião foi convocada? Vocês humanos não têm chances contra esse exército! E o nosso objetivo aqui hoje é decidir se entraremos nessa guerra a favor da Humanidade e dos outros seres desse mundo".
Ikki não sabia o que dizer; sentia-se perdido, não conseguindo realmente acreditar no que ouvia.
"Confie em mim". Por fim, pode ouvir a voz do loiro em sua mente e começou a sentir-se mais aliviado.
Shaka sentou-se novamente sob os olhares curiosos de seus companheiros, a essa altura todos já sabiam a opinião do loiro quanto a entrar ou não na batalha.
Kamus lançou um olhar para Milo e percebeu que esse o encarava com um sorriso libidinoso nos lábios; sentiu algo estranho estremecendo por dentro.
"Uma coisa ainda não entendi...". Disse o general, chamando as atenções para si. "... Por que nós, humanos, não somos capazes de enfrentar nosso inimigo?".
"Simples...". Disse Mú. "... Assim com nós, os elfos dourados, há entre eles seres capazes de manipular de maneira ofensiva a energia que há dentro deles. Em nossas antigas batalhas, como a que aconteceu 220 anos atrás, elfo algum usou esses poderes por ser considerado um ato de covardia e desonra usá-los contra seres que não podem se defender. Pela primeira vez na história dessa terra haverá o confronto de todos os seres contra o verdadeiro poder élfico".
"Pelos deuses...". Murmurou Shiryu ao lembrar das palavras de Marin.
"E o quê vocês farão, afinal?". Ikki perguntou impaciente.
"Meu voto é para entrarmos na luta". Disse Aldebaran.
"Você não conta! Sempre ajuda todo mundo!...". Disse MDM. "Eu não quero arriscar o meu pescoço por seres que na primeira oportunidade enfiarão uma espada em meu coração!".
"Não seja radical, Carlo!". Aiolos finalmente falou. "Acho que temos que ajudar".
"Sinto muito, mas eu discordo de você. Não há real motivo que nos envolva nisso".
"Até você, Shura!". Aiolos disse inconformado.
"Também não acho uma boa idéia. Será que eles merecem?". Afrodite ficou em dúvidas.
"Não creio que estou ouvindo isso. Temos que ajudar!". Afirmou Shaka.
"Você é outro que não conta! Está se agarrando com um humano". Bufou MDM.
"Isso não vem ao caso". Respondeu um pouco constrangido.
"Ajudaremos!". Saga falou.
"Não!". Foi a vez de Kanon.
Shion observava calado. Se até os gêmeos não entravam em consenso, seria difícil todo o grupo se acertar.
"Pelos deuses, ajudaremos!". Afirmou Mú.
"Eu não tenho certeza". Aiolia disse meio confuso.
"Faremos o que é certo!". Sentenciou Dohko.
Kamus olhou mais um vez para Milo, este observava calado toda a confusão.
"Por favor, ajudem o nosso povo. Há pessoas boas e inocentes que morrerão sem motivo algum". Kamus falou silenciando todos.
"Tudo bem, humano...". MDM falou com sarcasmo, deixando-se encostar displicentemente à cadeira. "Se fosse o contrário, seu povo ajudaria o meu?". O general silenciou perante a indagação, pois sabia a resposta: nunca!
Todos se sentaram novamente, encarando-se mutuamente ainda confusos.
"...".
Seguiu-se um breve e angustiante silêncio.
"O que você acha, Milo?". Por alguma estranha razão, Kamus resolveu perguntar.
Todo o grupo olhou para o jovem loiro que só agora percebiam estar calado desde o início.
"Kamus é muito esperto!". Pensou Shion trocando olhares com Hilda que percebeu o intuito do jovem general.
"Ainda não sei por que estamos perdendo tempo com isso...".
"Sabia que você ia concordar comigo!". Carlo falou satisfeito. Kamus sentiu uma pontada de decepção, mas voltou a ter esperanças quando o loiro fez menção de continuar.
"... Não sei por quê perdemos um tempo que deveria ser gasto com os preparativos para a batalha!".
"O que você está dizendo, seu louco?". Carlo sentiu vontade de enforcar Milo.
"Você é um dos que mais motivos têm para entrar nessa batalha! Lembre-se! Quem nós somos?". Milo falou olhando nos olhos do amigo, enquanto os outros observavam o desfecho já conhecido do diálogo.
"Somos os dourados...". Falou olhando para o outro.
"E qual a nossa missão nesse mundo?".
"Proteger... a vida". Carlo baixou a cabeça, conformado.
"Sábia decisão tomaram. Pensem: se essa ambição for concretizada, sobre quem irá recair o olhar dele? Temos que vencê-lo antes que ele tenha força suficiente para acabar com todos nós". Hilda enfim se levantou, caminhando enquanto falava, o longo vestido azul piscina que usava era moldado pelos movimentos suaves da senhora, o corpo bem delineado pelas belas curvas aproximava-se de seus amados gêmeos, parando por fim atrás deles. "Venceremos essa luta e entraremos em período de paz".
"Está decidido: atacaremos! Preparem tudo o mais rápido possível". Shion falou, chegando perto de Hilda, estendendo a mão e guiando-a até o trono onde ambos sentaram-se, dando fim à reunião.
Em silêncio mórbido, o grupo saiu, deixando os lideres novamente sós.
"Eu vi, Shion: o fim...". Hilda falou cabisbaixa.
"Eu sei, também vi. Mas o futuro é terreno incerto. Um mero gesto pode mudar completamente a história, e o que vimos é só um possível desfecho desse combate". Shion disse olhando ternamente para o jovem.
"Mas essa é a mais forte possibilidade. Se somente um deles cair, todos os outros cairão também. Não quero perder os meus gêmeos. Pode ser melhor irmos para Eldamar levando o nosso povo para esse lugar sagrado e seguro".
"Você é jovem, não viu tudo o que vi e não sabe tudo o que há para saber. Também estou mandando o meu coração para a guerra. Fugir não é a solução, todos eles são guerreiros e sabem como defender-se. Lutarão contra o mal... e voltarão para os nossos braços!". Enquanto falava, acariciava o rosto da jovem secando as lágrimas que insistiam em correr pela face alva.
"Que Gaia te ouça...".
Do lado de fora do templo...
"Hora de preparar tudo". Shura falou, perdido em seus pensamentos.
"Creio que podemos ter essa noite para o nosso descanso. Amanhã pela manhã começaremos os preparativos". Saga tocou no ombro do companheiro, fazendo-o voltar a si.
"É uma boa idéia". Sorriu, virando-se e encontrando os verdes que mais gostava de ver. Os belos olhos de Aiolos diziam tudo o que as palavras não ditas significariam, e juntos foram para o templo de Shagytárié.
"É a coisa certa...". Afrodite murmurou no ouvido de Carlo.
"Eu sei... vamos sair daqui". Juntos formam para o templo de Cânceryus.
Saga e Kanon saíram calados para a mansão de Ghêminus onde, sabiam, Hilda logo estaria.
Mú olhou para Shiryu, ambos confusos, sem saber exatamente o que dizer ou fazer.
"Há algum lugar onde possamos conversar em particular?". Finalmente o moreno criou coragem de aproximar-se e falar.
"Claro, vamos para minha casa". Apontou uma das construções e seguiram calados.
Shaka aproximou-se do impulsivo rapaz. "Está mais calmo agora?".
"Não! Detesto ficar parado! Odeio sentir-me inútil! E não quero falar com você agora". Ikki falou ríspido.
O loiro chegou mais perto, quase unindo os corpos. "Você tem certeza? Não confia em mim?". O olhar era cálido e transbordante de emoção, sentimento que Shaka só percebia agora ter nascido em seu coração no momento em que viu o moreno entrando na floresta: estava amando, sentindo esse fogo arder em seu peito de maneira arrebatadora.
Ikki ficou confuso, sua razão e sua emoção travavam uma árdua batalha; enquanto uma dizia para resistir a outra exigia a entrega. "Shaka, eu não... eu não, não sei o que fazer".
"Então fique comigo!". Enlaçou a cintura do moreno, que se aconchegou ao gostoso contato e ali se perdeu por longos instantes.
"Vamos andar um pouco? A cidade é ainda mais linda à luz do luar". Shaka convidou, falando suavemente, acariciando as costas de Ikki, aliciando-o.
"Vamos...".
Assim que saiu do templo, Aiolia andou apressado em direção a onde sentia a presença de Marin, ela ainda estava em Lyon!
Dohko olhou para os lados, vendo cada um seguindo uma direção. "A noite vai ser longa...". Sorriu malicioso com o pensamento, e voltou para dentro do Grande Salão.
Milo resolveu andar pela cidade. Já fazia cinco anos desde sua mais recente visita ao local. Por alguma estranha razão, Kamus resolveu segui-lo sorrateiramente.
Aldebaran olhou para os lados, viu-se sozinho. "Eu é que não vou passar essa noite sozinho!". Disse para si mesmo, pensando na bela elfa que o aguardava em um das casas da cidade.
Kamus caminhava pela cidade, já não conseguia ver o loiro.
"Droga!". Resmungou sozinho. "O quê estou fazendo?". Perguntava-se se sentindo um idiota por estar indo atrás de um ser que acabara de conhecer, em uma cidade estranha.
Todas as dúvidas desapareceram ao ver a mais bela cena que seus olhos já haviam vislumbrado: no alto de uma colina existia uma pequena construção, um domo do mais transparente cristal; ao redor desse, um pequena varanda prateada com um parapeito, onde Milo estava debruçado contemplando as estrelas. O brilho da lua iluminava de maneira espetacular o contorno das belas formas do elfo, o ser parecia ter luz própria mais forte e mais bela do que todas as constelações.
"Gaia!...". Kamus não conseguiu conter a expressão de espanto, emitindo um som quase inaudível, mas o suficiente para um elfo ouvir.
"Quem está aí?". Milo virou-se rápido, estreitando os olhos procurando. "Sei que é você, general. Apareça!".
Kamus pensou em sair correndo, chegou a dar um passo para trás. "O que estou fazendo? Ele já me viu". Repreendeu-se em pensamento.
"Ol�, me desculpe não queria te incomodar. Estava passando por aqui e...".
"Mentira! Você me segue desde que saí do templo". Fez cara de 'pensa que eu sou bobo? Eu vi!', gabando-se de ter percebido a presença do humano.
"Só te segui por que você permitiu!". Agora, Kamus fez a mesma cara que estava na face do outro.
"Hunn... É verdade...". Milo falou, apoiando-se novamente no parapeito, só que agora de costas para este colocando os cotovelos no lugar, para dar apoio.
Kamus olhou a cena: o corpo displicentemente largado, o sorriso maroto, os azuis brilhantes, a aura que insistia em brilhar ao redor do elfo, os fartos cachos loiros emoldurando a bela face... "Vou acabar fazendo besteira! Kamus, é melhor ir embora!". Dizia para si em pensamento.
"Fala...". Milo pronunciou-se, impedindo o outro de raciocinar, já que para Kamus aquela voz parecia o canto de uma sereia a lhe aliciar.
"Falar o quê?".
"Ora, o motivo pelo qual veio aqui!". Um belo sorriso se formou no rosto do jovem.
Kamus ainda estava a alguns passos do elfo.
"Ah sim! Vim agradecer!".
Milo fez cara de quem não entendeu.
"Agradecer por ter convencido o seu amigo".
"Isso não é motivo. Carlo parece durão, mas possui um bom coração. Apenas sofreu demais e tem dificuldade em confiar nas pessoas. Chega mais perto, não vou te morder...". Brincou, vendo um sorriso sem graça no outro. Podia jurar que o vira corar.
Timidamente, Kamus aproximou-se e apoiou-se como anteriormente o loiro estava. Olhando para o horizonte, surpreendeu-se ao ver um precipício de mais de trinta metros e, lá embaixo, a densa floresta negra pela ausência do sol.
Milo contemplava a fisionomia do ruivo, reparando no desenho perfeito do rosto, contemplando a forma esguia, reparando no vermelho dos olhos e no mesmo tom dos cabelos lisos; a roupa, típica dos guerreiros, totalmente em tom de couro virgem. Em um impulso, o dourado levou uma das mãos ao rosto de Kamus, que desviou rápido não possibilitando o contato.
"O que pensa que está fazendo?". Assustou-se e falou irritado.
"Credo! Eu só ia dizer para você soltar os cabelos". Milo ficou irritado com a atitude do outro, sentou-se onde estava apoiado.
"Era isso...". O tom do general misturava decepção e incredulidade. Novamente chegou perto do elfo ficando ao lado desse.
"Desculpe-me, não queria ter te ofendido".
"Deixa como está". Milo falou, virando as pernas para o outro lado da mureta em um gesto rápido e impaciente. "Quem esse humano pensa que eu sou? Pensou que eu ia agarrá-lo!". Viajava em seus devaneios, ainda furioso.
"Vocês são realmente orgulhosos...". Comentou Kamus, vendo a cara do outro.
"Não gostei de conversar com você! Boa noite!". Kamus olhou assustado: Milo pulou de uma altura de mais de trinta metros, precipício abaixo.
Recuou alguns passos andando de costas, respirando fundo. Um estranho instinto invadiu o corpo e a mente do ruivo. Mais uma vez respirou fundo, deixando o ar sair pela boca, correu subindo na mureta, pulando de cabeça e em meio à queda rodopiou o corpo chegando ao solo com um dos joelhos flexionado quase tocando o chão e o outro próximo ao peito, as mãos tocaram o solo, a cabeça baixa e os cabelos revoltos. Ergueu-se olhando para os lados, olhou o próprio corpo deixou escapar um pequeno sorriso de satisfação, e decidiu-se em seguir pela esquerda.
Andava felinamente, estreitando-se me meio à mata. O lugar era de aparência peculiar: muitas árvores e arbustos, via-se ora ou outra algumas aves dormindo nos altos galhos. Começou a andar mais devagar, pois sentia a presença do elfo muito próxima. Finalmente chegou onde ele estava. Escondeu-se atrás de uma árvore, espionando o loiro. Chegou a engasgar com a beleza da cena, era ainda mais linda do que a que vira alguns minutos atrás: era uma cachoeira, a água parecia brotar do paredão de rochas cinzas, era um rio subterrâneo que emergia à terra naquele ponto e a lua iluminava todo o local. Na margem do rio, lá estava Milo parado em pé, sentindo a brisa da noite que lhe agitava os cachos loiros e brincava com a roupa preta e larga. O coração de Kamus acelerou ainda mais quando viu o loiro tirar a camisa, deixando o belo peitoral a mostra, mas de onde estava via apenas as costas trabalhadas. Engoliu seco vendo os músculos que se moviam com graciosidade, viu Milo tirar as botas. Ficou ansioso quanto ao que se seguiria, e na ânsia de ter uma melhor visão, moveu-se para o lado... Pisou em um graveto fazendo um pequeno barulho, mas sabia ser audível a um elfo.
"É você de novo! Não adianta ficar escondido, já senti sua presença, Kamus!".
"Droga!". Reclamou em pensamento. Não teve escolha, saiu de onde estava ficando de frente para o loiro. Agora via o corpo de frente, a calça era baixa pouco acima do início da virilha. Viajou no músculo do peito grande, mas não exagerado, nos do abdômen, os quadradinhos... Enfim, seguiu o caminho do rochester aquele bendito músculo que começa abaixo do abdômen (dos lados) e segue formando a virilha estremeceu ao imaginar onde ele termina '.
"Como chegou aqui?". Milo ficou irritado, não sabia o motivo, mas aquele homem o deixava inquieto e por isso muito irritado. Sentia que Kamus podia ver sua alma com aqueles olhos vermelhos, e isso o irritava ainda mais!
"Não sei bem o que fiz para te deixar tão bravo, por isso quis me desculpar...".
"Eu não perguntei o motivo. Quero saber como veio até mim!".
"Sou o general do mais forte exército humano...".
"T�, sei... Como se todo general humano fosse capaz de pular aquela altura e sobreviver".
"Você pulou...".
"Sou um elfo. Apesar de termos, aparentemente, a mesma estrutura corporal, eu sou mais forte e mais ágil. Gaia nos fez assim".
"É verdade. Seres imortais, mas que podem ser feridos pelo fogo ou pela guerra. Por que Ela não deu a vocês a real imortalidade".
"Esse é um dom divino, e nós somos o mais próximo disso nesse mundo, somente um grande mal pode acabar com a nossa bela existência e também...". Milo parou de falar, sentou-se no chão com as pernas flexionadas próximas ao peito a mão apoiada no chão e olhando para o rio, adotou também uma expressão triste.
Kamus sentiu uma vontade louca de consolá-lo, mesmo sem saber o motivo daquele triste olhar, sentou-se ao lado do elfo.
"E também...".
"Um elfo pode morrer de grande aflição".
"Uma grande aflição?".
"Sim, como, por exemplo, a perda de um grande amor".
Kamus encarava o outro enquanto este ainda olhava o horizonte. "Por que ficou tão triste?". Kamus falou com calidez.
"Foi assim que minha mãe morreu...". Milo ficou confuso; aquele homem mexia de um jeito estranho com seus sentimentos. Sempre soube controlar perfeitamente o que sentia, como agia e o que dizia. Muitos diziam que não, que ele, Milo, era muito impulsivo e um ser aberto às emoções, mas a verdade é que essa aparente 'liberdade' não passava de uma forma de autodefesa. Não queria sofrer, muito menos deixar alguém entrar em seu coração, sempre conquistou, mas nunca foi conquistado.
"Seu pai foi um dos que morreram na última guerra contra os humanos?". A vontade que o ruivo sentia era de conhecer o máximo possível aquele ser.
"Quanta pretensão! Quando um simples humano poderia matar um elfo dourado? Acontece que naquele período ele se rebelou e ouve uma guerra interna em nosso povo; os dourados morreram nessa batalha, somente Dohko e Shion viveram. E minha mãe morreu um mês depois, por ter perdido o amor de sua vida, e me deixando sozinho ainda bebê".
"Sinto muito...". O ruivo não segurou o impulso e acariciou a face do loiro, sentido a maciez aveludada da cutes.
Milo repeliu o contato com a mão e afastou-se sem levantar. "Não gosto que me toquem, muito menos que tenham pena de mim!". O elfo ficou arredio e rapidamente levantou-se.
"Por que foge de mim?". Kamus perguntou, levantando-se também.
"Não vem com essa! Eu ia tocar em você lá em cima e você deu um ataque! Eu nunca fugi de alguém e agora não será a primeira vez, não gosto de você e não quero ficar na sua presença!". Milo ficou furioso, o general havia atacado logo o seu orgulho, seu grande orgulho de elfo. Já estava a alguns metros do outro por isso quase gritava.
"Não gosta de mim porquê eu vejo como você é! Nunca houve alguém que o viu assim, não é mesmo? Eu vejo a angustia atrás de seu belo sorriso, eu vejo a solidão na qual sua alma está mergulhada, vejo o quão frágil você pode ser. Está acostumado a ter o controle do jogo, mas comigo não funciona; isso o força a se mostrar de verdade! É por isso que eu te incomodo tanto?". Kamus não deixou por menos, falando no mesmo tom que o elfo usava.
Milo ficou ainda mais furioso caminhou de encontro ao ruivo com passos largos e pesados pela fúria. "Seu pretensioso...". Quando enfim chegou perto do general, sentia que poderia aperta-lhe o pescoço!
Não pôde fazê-lo, pois a aproximação dos corpos causou uma estranha sensação: era possível sentir a respiração mútua e sentir a fragrância dos corpos. Kamus chegou ainda mais perto e não pensou duas vezes: abraçou Milo pela cintura unindo os lábios; o elfo tentou sair, mas rapidamente o general o segurou pela nuca, abraçando-o ainda mais forte.
Na mente de Milo as sensações se misturavam, o contato ainda era superficial, mas sentia a necessidade de aprofundar o ósculo, as mãos que estavam no peito do ruivo, tentando empurrar, começaram lentamente a acariciar, e os lábios foram se abrindo para que Kamus pudesse explorá-los com desejo. Para a surpresa do ruivo, Milo o abraçou com fervor e começou a retribuir o beijo da forma mais calorosa possível. As mãos fortes do loiro agora apertavam o corpo menor, deliciando-se com as formas, acariciando as costas, a cintura, o abdômen... por fim percorrendo o peito, chegando ao pescoço e puxando o outro para ainda mais perto. O general já havia perdido o controle de suas emoções; passou de dominador a dominado em questão de segundos, bastou o elfo querer para conseguir a completa entrega do ruivo.
Enfim o beijo cessou, e ainda abraçados encaravam-se com volúpia no olhar.
"O quê você quer de mim afinal?". Milo perguntou, sem quebrar o contato.
"Eu não sei, mas desde que te vi chegar à cidade senti algo arrebatar o meu coração como se estivéssemos destinados um ao outro desde que Gaia nos despertou". Novamente Kamus uniu os lábios e desta vez começou a dirigir o próprio corpo para o chão levando Milo consigo. Logo já estava deitado, com o corpo do elfo por cima do seu. Os toques começavam a ficar mais íntimos, e os corpos reagiam a eles. Kamus deslizou a mão para o abdômen do loiro, acariciando os músculos do lugar, e lentamente desceu a mão para dentro da calça do outro.
Ao sentir aqueles dedos frios tocando-lhe tão intimamente, um turbilhão de emoções assolou o coração do elfo e em movimento rápido levantou-se deixando no chão um confuso cavaleiro.
"O que aconteceu? Não quer?". Kamus perguntou ainda confuso levantando-se e encarando o outro.
"Eu quero, esse é o problema!". Milo estava desnorteado e com os olhos já cheios de lágrimas.
"Não estou entendendo...".
"Pense, Kamus! Pense!...". Kamus ainda não entendia a reação do outro. "... Você é um humano, eu um elfo; o que para você é uma vida inteira para mim não passa de um piscar de olhos! Não quero me entregar e ter que ver você morrer. Isso supondo que sobreviveremos a essa guerra. Pense bem, não é justo comigo, não quero virar uma sombra. Quando eu te vi senti que você mudaria minha vida, mas essaé uma péssima idéia! Esqueça o que aconteceu aqui e eu também esquecerei!". As lágrimas do elfo já rolavam, e Kamus não sabia o que dizer, apenas fez: rapidamente chegou perto do outro e novamente uniu os lábios, e um arrebatador beijo começou, ao qual a água salgada que saia dos olhos de Milo se misturava.
"Não faz isso comigo...". Milo murmurou, deixando a cabeça descansar no ombro de Kamus.
"Não faz isso com a gente!...". Kamus acariciava as costas do elfo, levou uma das mãos até o rosto do loiro entrelaçando os dedos nos cachos dourados, gentilmente forçando-o a lhe encarar. "... Nós podemos ser eternamente felizes juntos". A voz era doce e calma, mas não foi o suficiente. Milo se afastou rápido.
"Não existe 'nós'!". E saiu correndo em meio à floresta.
"Droga!". Bufou o general, já correndo atrás. Kamus tentava em vão encontrar o seu amado, mas não conseguia, tinha que admitir: um elfo, quando quer, é impossível de ser encontrado.
"Como eu fui me apaixonar assim? Nem o conheço direito! O que ele tem de tão especial para mexer assim com o meu coração? Fiz coisas estranhas a minha personalidade e agora estou aqui no meio de uma floresta escura, e sozinho! Tudo porquê me apaixonei platonicamente por um elfo!...". Falava em voz alta para sim mesmo. "EU TE AMO, OUVIU? EU TE AMO, SEU IDIOTA!". Gritou aos quatro ventos, vendo nada a sua volta. Decidiu-se por voltar para a cidade e dormir; de um jeito ou de outro, ainda ia ver o loiro. Enquanto isso, Milo observava, camuflado no topo de uma gigantesca árvore, com os olhos cheios de lágrimas. Na mente as mesmas perguntas que o outro tinha. "Como havia se deixado levar tão facilmente?". Quando Kamus já estava longe pulou e ficou a olhar a direção que o ruivo tomou.
"Eu também te amo". Sussurrou, baixando a cabeça, e usando outro caminho, voltou para Rhovanion.
Ikki e Shaka caminhavam abraçados e calados. Inconscientemente caminharam até as árvores gêmeas.
"Parece que vai ser sempre para cá que voltaremos". Comentou o moreno, olhando para a copa das árvores.
"Era o meu lugar, agora é o nosso".
"Perfeito..." Ikki abraçou o loiro com força e uniu os lábios em um beijo de puro amor e desejo. Com o próprio corpo, fez com que o loiro se deitasse por sob a relva, colocando-se por cima, levantando suavemente a camisa do outro e acariciando a pele alva, deixando algumas marcas vermelhas. Começou a descer pelo pescoço, depositando beijos e suaves mordidas.
"Perfeito para quê?". Shaka perguntou com voz rouca já delirante com as carícias.
"Para a nossa primeira vez". Ikki murmurou junto ao ouvido de Shaka, dando uma leve mordiscada no lóbulo da orelha direita. Shaka arqueou ligeiramente o corpo, já imaginando o prazer que sentiria. Delirou ainda mais ao sentir a parte superior de sua roupa ser arrancada, e não tardou em sentir-se nu. O loiro acariciava as costas e os cabelos do outro, enquanto sentia o seu mamilo ser vorazmente atacado. Não mais suportando a roupa de Ikki, Shaka a tirou rapidamente e ali mesmo com o testemunho das estrelas e da lua selaram a união de seres tão distintos...
Hilda enfim saiu do templo do Grande Mestre, e começou a caminhar para o templo de Ghêminus, onde Saga e Kanon já estavam, isso ela podia sentir. Andando com passos suaves e leves ela entrou na mansão, esperando não ser vista; queria chegar de surpresa. Subiu para o segundo pavimento e, entrando no quarto, encontrou-o vazio, e caminhou até a cama contemplando-a também vazia. "Onde estão eles?". Perguntava-se em pensamento.
Foi nesse instante que se sentiu sendo abraçada por trás. Tentou virar, mas os braços fortes em sua cintura impediam; virou a cabeça para trás, vendo Kanon com um sorriso malicioso nos lábios e um beijo ardente começou. Enquanto ainda era beijada se sentiu sendo novamente abraçada, agora pela frente, e teve o pescoço atacado pelos lábios famintos do outro gêmeo. Saga acariciava-lhe, ainda por cima do vestido, o seio direito, e o gemido que soltou foi abafado pela boca de Kanon. Percorreu com as mãos o corpo do elfo a sua frente e notou que ele já estava totalmente desprovido de vestes; voltando a atenção para o outro, percebeu que ele estava da mesma forma. Delirou ainda mais quando sentiu Kanon descer para o outro lado de seu pescoço. Hilda continuava com os olhos fechados, perdida no mar de sensações no qual seu corpo e seu coração novamente mergulhavam. Agora foi a vez de Saga invadir com paixão a boca de sua amada elfa. Enquanto Kanon puxava com os dentes um das alças do vestido azul e longo, a outra foi retirada suavemente pela mão direita de Saga, e logo a representante da Deusa já estava nua, entregando-se aos prazeres da carne, sendo levada à cama e possuída pelos gêmeos, até que os corpos suados e vencidos pelo cansaço deixaram-se levar até o reino dos sonhos.
Mú e Shiryu haviam acabado de entrar na casa de Háryes, ambos continuavam sem coragem para começar a conversa.
"Mú, eu...". Shiryu tentou começar, mas parou.
"Diga!". O elfo incentivou.
"Não sei bem como dizer isso, mas é que... quando eu te vi pela primeira vez não foi como 'a primeira vez' entende? Parecia que eu já te conhecia há séculos. E eu senti algo; além disso, meu coração acelerou, parecendo que queria sair do meu peito. Tenho medo que isso seja apenas algo temporário e que esse sentimento desapareça, mas ele é tão forte que é impossível resistir. Não quero que seja como os outros, quero que seja real e ao mesmo tempo mágico e quando olho nos seus olhos tenho a certeza que esse meu desejo pode se realizar...". Parou de falar, pois as palavras lhe faltavam naquele momento. Tinha muito a dizer, mas não sabia como.
"Está dizendo que está apaixonado por mim?". Mú falou um pouco incrédulo, já havia ouvido muitas declarações de amor, mas no fim tudo era falso.
"Isso! É isso mesmo: eu te amo! Essas palavras resumem tudo o que eu quero dizer".
Aquelas palavras e aquele olhar tocaram fundo o coração do elfo, arrebatando-lhe a alma e os sentimentos; caminhou ficando bem próximo do outro. A dúvida ainda pairava nas mentes que haviam acabado de se conhecer, aquilo era estranho demais, porém ainda mais forte e impossível resistir. Mú tocou, timidamente, a face do moreno que fechou os olhos sentindo a toque e colocando a própria mão por cima da do elfo e por fim beijou a mão passando depois para o pulso. Puxou Mú para mais perto, unindo os corpos em um beijo afoito, sentindo-se ser abraçado por cima dos ombros por um dos braços do elfos enquanto a outra mão segurava a cintura. Para o elfo aquilo parecia uma loucura: estava com um humano que mal conhecia em sua própria casa! Nunca havia levando qualquer um de seus amantes para o seu lugar de descanso, mas com aquele homem era diferente: conseguia confiar em Shiryu como nunca antes confiou em alguém, e a cada segundo que a carícia persistia, desejava mais e mais intimamente. O elfo deslizou a mão direita para dentro da camisa do moreno começando a acariciar os mamilos, os gemidos de Shiryu eram abafados pelo beijo que persistia. Quando os lábios deixaram de se tocar, o jovem humano passou a acariciar a pele alva do pescoço do elfo com beijos, sensuais lambidas e leves mordidas fazendo o elfo soltar roucos gemidos.
"Vamos subir...". Murmurou sensualmente o elfo.
Shiryu não escondeu a expressão de surpresa e de satisfação com o convite, as palavras não conseguiu articular, por isso apenas consentiu com a cabeça. Foi abraçado e novamente beijado sem notar foi conduzido até o quarto na parte superior da mansão, quando por fim notou onde estava já estava sendo guiado para a cama sentindo o peso do corpo do elfo sobre o seu. Mú segurou a perna esquerda do outro acariciando-lhe a coxa e encaixando-se entre as pernas do moreno, as roupas incômodas logo foram retiradas, e pela primeira vez em sua vida, Shiryu sentiu-se ser possuído. Também, em sua longa vida, foi a primeira vez em que Mú realmente se sentiu amando e sendo amado com sinceridade. A nova experiência culminou levando ambos a conhecer os prazeres do verdadeiro amor e em pouco tempo Hyphos os levou para seu mundo.
Em Cânceryus...
Carlo chegou já subindo para o quarto, estava irritado. "Por que Milo tinha que usar logo aquelas palavras?". Perguntava-se em pensamento ainda confuso quanto a decisão que todos haviam tomado. Nem percebeu que Afrodite ficara no andar de baixo sem saber o que fazer.
Ainda parado em frente a escadaria que subia para o segundo andar, o jovem elfo de magnífica beleza, com seus belos cabelos azuis piscina, olhava para cima indeciso; os olhos de mesmo tom do cabelo estavam repletos de incertezas "Devo ou não subir?". Sabia como Carlo ficava quando era forçado a ter certas lembranças, e o fato do relacionamento ser recente o deixava ainda mais inseguro. Há muito tempo se vira apaixonado pelo amigo, mas nunca teve coragem de se aproximar. Sorte ter Milo para conversar e para chorar em seu ombro, já que esse era o único que sabia desses sentimentos. Por fim resolveu subir, caminhando lentamente ainda temeroso, entrou no quarto vendo seu amado sentado na cama com os braços apoiados nos joelhos e a cabeça baixa.
"Pensei que você ia me deixar sozinho". Carlo falou olhando para o outro.
Afrodite caminhou até seu amado e se ajoelhou a sua frente, encarando o belo olhar azul escuro que tanto amava. "Nunca, meu amor, eu nunca te deixarei sozinho".
"Por que Milo tinha que dizer aquilo?".
"Se ele não te lembrasse, você aceitaria entrar na batalha?".
Carlo baixou a cabeça, entristecido. " 'Nós somos elfos dourados dotados de força suprema incumbidos pela própria Deusa de proteger a vida'. Meu pai sempre falava isso, ficou conhecido por sua nobre alma e seu grande coração, por isso muitos de seus ensinamentos ultrapassaram os séculos e perduram até hoje. Queria eu que ele estivesse aqui, com certeza saberia o que fazer e nunca duvidaria".
"Você também sabe o que fazer, e a dúvida é algo impossível de conter, mas não vacilaremos por causa dela! Enfrentaremos nosso inimigo, venceremos e tudo voltará como era antes". Afrodite beija os lábios que tanto amava jogando o seu corpo para cima do outro, deitando-se na cama por cima dele. Carlo inverteu as posições, já começando a acariciar de forma libidinosa o belo corpo do de seu amado elfo, e sem presa começou a despi-lo. Do mesmo modo, suas roupas começaram a ser retiradas, e mais uma vez provavam o doce sabor da luxúria até que os corpos já não mais conseguiam sequer sair do lugar. Assim, Afrodite ficou aninhado no peito forte de seu amado amante e adormeceu rapidamente.
"Nada será como era antes, meu amor. Uma guerra muda tudo o que toca, você verá isso. Pelo menos terei a oportunidade de me vingar pela minha família...". Sussurrou Carlo para si, sentindo o sangue começar a ferver só com a recordação da crueldade cometida contra aqueles que mais amava. Não dormiria essa noite, pois o sono não vinha. Se contentou em contemplar as belas feições de seu amado.
Aiolos lançava um olhar reprovador para o outro.
"Não me olha com essa cara!". Shura falou, abraçando seu elfo.
"Sem essa! Não dá para acreditar que você queria renegar a batalha!". Disse saindo do abraço.
"Ah... não faz isso comigo! Já mudei de opinião. Você vai me deixar sozinho na última noite de paz que teremos por um longo tempo?". Shura fez cara de 'menor abandonado'.
"Não adianta...". Aiolos ia xingar, mas ao ver aqueles olhos brilhantes. 'Tá bom, adianta sim'. Assumiu em pensamento. "É claro que não vou te deixar, mas fiquei decepcionado com sua atitude. Logo você!". Usou toda a sua força para não se deixar levar por aquele olhar.
"Acho que eu sei como me redimir...". O elfo novamente abraçou o outro, agora beijando-lhe o pescoço.
"Shura, a gente tá conversando...". Aiolos ainda tentou resistir.
"Temos a eternidade para conversar, mas agora tenho outros planos". Falou calando com os próprios lábios a última tentativa do outro de resistir.
Shura encostou o outro na parede beijando o pescoço com volúpia.
"Hun...". Murmurou Aiolos ao sentir o outro esfregando o próprio sexo contra o seu. Em seguida sentiu a perna direita ser erguida pela mão esquerda do elfo possibilitando um contato ainda maior entre os desejos que já se manifestavam com fervor. Shura foi abraçado pelas pernas de seu amado, e nessa posição o levou para a aconchegante cama no andar superior, onde se amaram, mais uma vez, até a completa exaustão.
Aiolia entrou apressado em seu templo já subindo para o segundo andar e entrou no quarto. O lugar estava na penumbra: apenas a luz da lua dava alguma claridade no local, mas reconheceu rápido sua amada parada a frente de uma janela com o olhar perdido no horizonte. Tinha muito a dizer, mas não sabia por onde começar.
"Quando é a partida?". Marin perguntou ainda olhando para fora.
"Marin, olha... eu...".
"Eu já sabia que vocês iam entrar na batalha, vi isso no momento em que vi Kamus pela primeira vez, por isso não há a necessidade de me esconder nada. Só quero saber quando começa". Finalmente ela olhou para ele revelando os olhos cheios de lágrimas.
Aiolia baixou a cabeça, entristecido. "Amanhã arrumaremos tudo...". Caminhou até a sua amada ruiva abraçando-a com amor e oferecendo seu ombro para o conforto dela. E assim ela o fez: chorou pelas incertezas que uma guerra gera, poderia perder o amor de sua vida e essa possibilidade dilacerava-lhe a alma.
"Eu vou voltar!". Ele afirmou.
"Jura?".
"Sim, eu nunca te deixaria sozinha". Agora Aiolia tomou-lhe os lábios em apaixonado beijo apertando ainda mais o abraço com vontade louca de nunca mais liberá-la dali.
Suavemente a ruiva sentiu-se ser guiada para a cama e logo se viu novamente nua e com o corpo nu de seu amado por cima do seu a possuindo como se fosse a primeira vez, tão sublime era o momento. Algumas lágrimas ainda brilhavam nos olhos de ambos até o auge quando, já muito cansado Aiolia deitou-se sobre o peito da ruiva e ali mesmo dormiu sendo afagado nos cabelos, logo depois Marin também adormeceu deixando uma última lágrima escorrer no momento em que enfim fechou aos olhos se entregando ao sono.
Dohko havia acabado de entrar no quarto do Grande Mestre, encontrando Shion de costas para ele olhando por uma janela.
"Estive pensando: não é justo eu pedir que vocês se sacrifiquem sozinhos, também sou um guerreiro e irei para a batalha". Afirmou Shion virando-se para olhar seu amado.
"Não mesmo! Sua missão para com o nosso povo já deixou de ser essa há muito tempo! Você tem que guiar nosso povo, e se algo der errado os leve para Eldamar, que é um lugar seguro". Dohko nunca permitiria uma insanidade dessas!
"Está decidido! Não te deixarei sozinho!".
"Pense bem, está sendo egoísta! Eu nasci para lutar, e você para liderar! Não pode abandonar os outros por causa do nosso amor!". O moreno falou, aproximando-se do outro e finalmente notando as lágrimas em seu olhar; e isso foi como sentir uma lâmina afiada atingir seu coração.
Shion abraçou o outro deixando sua cabeça repousar no ombro de seu amado. "Minha cabeça sabe, mas meu coração insiste em ir com você". Disse chorando.
"Sobrevivi uma vez, farei outra!". Dohko afirmou, acariciando suavemente as costas de seu amado elfo.
Shion levantou o olhar acariciando o rosto que tanto amava. "Eu te espero, então". Disse, começando a beijar os lábios tenros.
Os corpos logo começavam a reagir pela proximidade, e Dohko já retirava a longa túnica de seu amado Grande Mestre.
"Eu te amo". Murmurou Dohko dando uma leve mordida no lóbulo da orelha esquerda de Shion.
"Então me mostra...". Provocou Shion.
"Se você quer!".
Dohko 'jogou' o outro na cama, ficando por cima e começando a beijar e a morder os mamilos, passando a língua pelos quadradinhos do abdômen e levando Shion ao paraíso. A doce tortura já não podia ser suportada pelos corpos que clamavam por mais e Dohko não negou o pedido dos corpos possuindo o seu amado elfo com intensidade e luxúria. Juntos chegaram ao auge, e também juntos adormeceram abraçados um ao outro.
Na manhã seguinte, todos acordaram com a estranha certeza de que suas vidas nunca mais seriam as mesmas após aquela noite.
Logo cedo, Hilda e Shion se reuniram a portas fechadas. E os outros começaram os preparativos para a batalha: cavalos, armaduras, suprimentos para a viagem, tudo!
Kamus olhava para os lados, mas nada de ver o loiro. "Ele tá fugindo de mim!". Concluiu em pensamento.
"Alguém viu o Milo?".
"Tô aqui, Deba". Milo apareceu vestido com uma calça branca e larga, somente. Os cabelos presos em um 'rabo' alto com a franja e alguns fios lhe caindo no rosto.
Os olhos de Kamus chegam a brilhar ao ver a beleza do elfo e o olhar trocado por ambos foi notado por todos. Milo finalmente olhou para outro lado, indo até Afrodite e Carlo e ajudando-os a pegar alguns objetos. Kamus não suportou só olhar e chegou perto.
"Não adianta fugir de mim. Vamos ficar um bom tempo juntos, caso ainda não tenha percebido".
Carlo e Afrodite não entenderam nada: olhavam para o loiro, depois para o ruivo, se olharam mutuamente com interrogações na face.
"Eu nunca fugi! Não quero você perto de mim vê se enxerga, humano!". Milo falou sem olhar nos olhos do outro.
"Fala isso olhando para mim que eu nunca mais chego perto de você!".
Milo o encarou, pronto para repetir as palavras, mas estremeceu ao ver os olhos vermelhos e as palavras ficaram presas em sua garganta, formando um nó.
"Guerreiros...".
"Salvo pelo Grande Mestre!". Pensou Milo, já que Shion apareceu bem na hora que ele precisava.
"... Em nossa reunião, eu e Hilda decidimos que todos os reinos humanos têm que ser avisados. Eles não podem ficar fora dessa luta! Alguns de vocês terão que ir aos cinco reinos". Shion falou em meio ao grupo.
"Somos poucos, se nos dividirmos não teremos chances!". Protestou Shura.
"Nisso tenho que concordar". Falou Aiolos
"Nós podemos ir!". Marin falou, se aproximando do grupo. A mestiça não mais usava um vestido e sim uma calça azul apertada nos quadris e coxa, larga no resto da perna e a parte de cima era uma blusa justa em sombra natural mesma cor da calça (N/A: essa cor parece azul misturado com cinza; parece o olho do Shiryu, só que mais escuro).
"Não mesmo! Você fica aqui!". Protestou Aiolia.
"Nós iremos!". Um elfa de cabelos um pouco abaixo do ombro, repicados e verdes, vestida como a outra, só que completamente de preto, surgiu apoiando a ruiva.
"Também acho que somos a melhor opção". Agora foi a vez de uma loira de cabelos muito longos e lisos, e um belo par de olhos azuis falar.
"Não há o que discutir...". Uma jovem elfa de belas e longas madeixas negras falou.
"... Iremos!". Completou outra loira, essa tinha os cabelos repicados indo até o meio das costas e estava vestida de amarelo claro com uma calça e um blusa do mesmo estilo que as outras.
"Está decidido: Marin, Shina, Jisty, June e Thetis irão para os cinco reinos humanos". Sentenciou Shion, retirando-se do local.
"Não acredito que você fez isso". Praguejou Aiolia inconformado.
"Por favor, entenda. Sou uma guerreira de segunda ordem e não poderia ficar parada vendo o meu povo partir para a batalha". Afirmou ela.
"E para onde você vai?".
"Esparta...".
"ESPARTA NÃO!". Ele gritou, justo o lugar mais perigoso!
"Eu vou para Esparta...". Shina interviu. "... Sou a mais forte, é a escolha mais coerente. Marin você irá para Háthyas, June para Athlantis, Jisty vai para Luaryon e Thetis para Solaryus".
Aiolia não teve escolha, teve que aceitar a decisão. Pelo menos Saori era uma rainha pacífica e justa "Melhor do que ir encarar Ares" ele admitiu em pensamento.
Ao fim da tarde, as elfas já estavam prontas.
"Toma cuidado, meu amor". Aiolia disse com ternura, dando um suave beijo nos lábios de sua amada.
"Se cuida também". Ela falou.
"Com licença". Shiryu chegou perto de June.
"Diga".
"Minha irmã Shunrei está em Athlantis, poderia avisar a ela que estou bem?".
"Com prazer...". Ela sorriu lindamente. "... E você, quer que eu diga algo a alguém?". Ela se dirigiu a Ikki, que a olhava com cara de quem queria falar mas não tinha coragem.
"Sim!...". Ele sorriu aliviado. "... Diga a meu irmão Shun para ser forte e que logo estaremos juntos".
Ambos os cavaleiros descreveram rapidamente seus irmãos.
Shina chegou perto de Jisty enlaçando sua cintura e dando um beijo leve em seus lábios.
"Toma cuidado. Ártemis é boa rainha, mas pode ser muito cruel quando quer".
"Eu sei, ficarei bem. Quem tem que tomar cuidado é você, Esparta é um lugar muito perigoso".
"Ficarei bem, logo a gente se encontra". Shina falou e depois beijou-a novamente só que agora mais profundamente.
"Estarei te esperando". Um magnífico elfo de cabelos lisos com duas mechas maiores na frente, olhos azuis e brilhantes, vestido com uma túnica cinza falou, segurando as mãos da elfa.
"Fica tranqüilo, Hagen, ficarei bem! Abel é um rei muito sábio, não correrei perigo".
"Lá eu sei que não, mas a viajem é perigosa e eu não sou bobo, sei que você e as outras pretendem enfrentar o inimigo".
Thetis repousou um dos dedos sobre os lábios de seu amado. "Eu prometo voltar para você, meu amado".
"Que bom". Disse ele abraçando-a ternamente e beijando os tenros lábios.
As cincos elfas se uniram em um círculo, olhando-se mutuamente.
"Vamos mostrar do que somos capazes, e ajudaremos a vencer essa guerra!". Afirmou Shina com vigor.
Todas concordaram e montaram em seus animais, saindo em marcha acelerada por Rhovanion.
"Ela ficará bem!". Aiolos disse para o irmão.
"Nem tanto. Tenho certeza que elas planejam ir para o campo de batalhar lutar ao nosso lado".
"Elas não fariam isso!". Disse Aldebaran incrédulo.
"É obvio que farão! Do contrári,o para que levariam as armaduras?". Kamus interviu na conversa.
"O quê? Ela levou a armadura!". Aiolia surpreendeu-se, e já estava pronto para ir atrás da ruiva quando foi atingido no rosto por um forte tapa desferido por Shaka.
"Contenha-se! Por que ela não pode lutar? Por que ela tem que esperar por você? Marin é uma guerreira desde antes do início do seu relacionamento, aprenda a conviver com isso!". O loiro falou do auge de sua imponente figura e o outro apenas baixou a cabeça.
Kamus olhou para Milo, e por breves momentos os olhares ficaram fixados um no outro, até o loiro sair do local. Kamus sentiu vontade de ir atrás, mas achou melhor esperar pela viagem que se iniciaria na madrugada dessa noite.
"Por que à noite?". Perguntou Shiryu a Mú.
"Passaremos por parte da floresta pela qual é mais seguro passar à noite, quando seus moradores estão dormindo".
A noite transcorreu calma, mas nenhum dos guerreiros conseguiu dormir ou pensar em algo além da batalha que se iniciaria. Cada olhar, cada coração carregava as incertezas, alguns sozinhos outros acompanhados, mas a verdade é que dali para frente a única coisa que importava era vencer!
"Vamos!". Saga chamou pelo grupo, e todos entraram na parte negra da floresta...
Continua...
N/A: Mais uma vez empurrei o yuri para o próximo capítulo. Na realidade, fiquei em dúvidas quanto à situação, mas agora a idéia já surgiu.
TEELLA! Agora tá certo! Foi mal ter escrito seu nick errado. Assim como os outros, você deve ter ficado decepcionada com as cenas dos casais, mas eu não quero colocar lemons explícitas na fic; era só para dar uma idéia, pois apesar do capítulo 'meloso' a fic terá mais aventura (mistura com romance, que não sou de ferro ")
Camila, a Saori aparece no próximo capítulo, quando as elfas percorrem todos os reinos.
Perceberam que as paixões nessa fic tendem para o platonismo, sempre à primeira vista? É que não dava para colocar amores surgindo lentamente, não ia dar tempo.
Ainda não expliquei quem é o inimigo, mas vou falar, tenham paciência com essa mente limitada aqui, ok?
Obrigada por ler!
