Oi, oi gente! Bora ver como será essa conversa?
Countess of Slytherin: Rsrsrs o Morcegão sempre gostou de entradas dramáticas. Estou mentindo?
Daniela Snape: Aproveite o capítulo flor.
Lembre-se, comentar nunca é demais!
Bjs e uma boa leitura!
— Srta. Granger.
Hermione correspondeu ao cumprimento, mas manteve distancia dele. Fitou o rosto impassível onde olhos frios e negros a examinavam sem emoção. O conde não sorria e seus cabelos, que na juventude tinham sido negros como carvão, estavam raiados de branco.
A castanha engoliu em seco, tentando encontrar algo para dizer.
Passos e vozes alarmadas soaram no corredor.
— Srta. Hermione? Está tudo bem?
— O que está acontecendo aqui? — bradou o tio, enfiando a cabeça pela porta — Oh! Caldbeck! Você encontrou minha sobrinha. Avisei que ela não é uma pessoa dócil, mas será que não podia ter entrado sem quebrar a porta do quarto?
Snape relanceou-lhe um olhar frio.
— Penso que a porta é minha propriedade agora, Granger. — Walther enrubesceu.
— Sim, é claro. Muito bem, deixaremos que visite sua noiva em paz. Sem dúvida, o senhor não perde tempo!
O senhor lançou um olhar para o criado que vinha logo atrás, e ambos se retiraram sorrindo de modo disfarçado.
Snape colocou uma cadeira de encontro à porta e virou-se para Hermione que, de repente, deu-se conta de que estava apenas usando a roupa de baixo! Um calor intenso percorreu-lhe o corpo e tingiu seu rosto. Como pudera se esquecer de tal coisa?
Por certo, de costas para a luz que filtrava da janela, lorde Caldbeck devia estar tendo uma bela visão de transparência inesperada. O que pensaria dela?
A castanha tratou de se cobrir com as mãos, mas logo percebeu que era um esforço inútil.
— Não tem importância, srta. Granger.
A voz do conde a fez enrubescer ainda mais, pois ele lera seus pensamentos. Ela daria tudo para saber o que o lorde pensava naquele momento, porém o rosto de pedra continuava impassível, sem demonstrar o menor sentimento, os olhos negros parecendo dois blocos de gelo.
Desejava dar meia-volta e sair correndo, mas o orgulho a impediu. Decidida, resolveu manter a dignidade e ergueu o queixo.
— Muito bem, milorde. O que deseja conversar comigo?
— Quero falar sobre as condições do nosso casamento.
— Pensei que já tivesse resolvido isso com meu tio — replicou com voz ácida — Ambos
fecharam o acordo da venda.
Snape arqueou as sobrancelhas.
— Lamento que encare minha proposta dessa maneira — permaneceu em silêncio, enquanto Hermione passava ao seu lado e ia prostrar-se no outro canto do quarto.
— Como posso encarar isso? Não sei como meu tio achou que eu concordaria com esse... negócio. Temo que tenha gasto dinheiro por nada, meu senhor.
— Verdade?
A passividade do conde a enfurecia. Ele não era como os outros homens que conhecia, refletiu. Limpou a garganta e continuou:
— É óbvio, milorde, que não posso desposá-lo. Mal o conheço.
— Creio que um enlace entre nós não será de todo desagradável.
A castanha estudou a expressão do rosto frio, buscado um leve traço de emoção ou ironia, mas nada encontrou.
— Milorde, isso é loucura! Não dará certo.
— Ao contrário, srta. Granger. Creio que iremos nos dar muito bem.
— Não deve estar falando sério! É impossível que duas pessoas tão diferentes como nós possam combinar.
Ignorando o que a castanha acabou de falar, Snape continua com seu discurso de forma ardilosa.
— Viveremos em harmonia. Cada um de nós tem algo de que o outro necessita.
Hermione ficou intrigada.
— E o que seria?
— Acho que ambos concordamos que a senhorita precisa muito de dinheiro neste momento. Seu tio a deixou em situação bastante desagradável. — o tom de voz tornou-se ligeiramente desdenhoso ao mencionar Walther — Precisa de meios para sobreviver, e isso não me falta.
A castanha sentiu que o sangue abandonava seu rosto, e murmurou:
— Não sou mercenária.
— Concordo, mas está... digamos, desesperada.
Ele esperou com paciência por uma resposta, enquanto Hermione lutava contra as emoções. Sim, era verdade. Sua situação era desesperadora. Entretanto continuava a refutar a imposição de um casamento arranjado com um quase desconhecido. E também não sabia por que ele a desejava como esposa.
Decidiu deixar a raiva se manifestar.
— E o senhor quer se aproveitar da minha situação!
— Só desejo um acordo que beneficie nós dois — argumentou de forma impassível.
— E o que espera ganhar?
— Sua beleza, energia e elegância. A senhorita... aquece meu coração — apesar das palavras gentis, a expressão do rosto continuava distante e fria. — Também admiro sua compaixão pelos menos afortunados. É algo raro hoje em dia. Por outro lado, preciso de alguém que me ajude a dividir as responsabilidades sociais.
Durante anos ela só ouvira palavras de zombaria e desdém a respeito de suas obras de caridade. Atônita, murmurou:
— O senhor... me admira?
— Sim, e estou preparado para ajudá-la. A maioria das minhas propriedades e terras fica em Yorkshire. Inumeráveis crianças vivem abandonadas nessa área, nas minas, moinhos e fundições. O distrito é um enorme campo para as suas obras e o meu auxílio financeiro.
Hermione semicerrou os olhos.
— Sim, ouvi histórias terríveis sobre as crianças das minas e moinhos. Mas, e o meu trabalho aqui em Londres? Acabei de arranjar doadores para o hospital de indigentes, e tento fazer o mesmo com o orfanato de meninos.
— Não faço objeções a viagens ocasionais à capital, embora prefira morar em minhas propriedades. Porém, poderá fazer muito por Londres mesmo vivendo a uma certa distância. Aos poucos contribuirá também com as obras de Yorkshire.
A castanha voltou a olhar pela janela, sem nada ver, enquanto Snape esperava uma resposta com sua característica paciência.
A oferta era tentadora, refletiu ela. O conde tinha condições de ajudá-la de várias maneiras, e isso seria um alívio. Virou-se de modo abrupto.
— Falaria no Parlamento em defesa das leis para as crianças que trabalham?
O moreno pareceu pensar, e ela bateu com o pé no chão, sem esconder a impaciência. Por fim o lorde concordou.
— Sim, de vez em quando, se me der as informações necessárias. Raramente discurso no Parlamento, mas farei isso. Não pretendo me envolver o tempo todo em seus projetos, pois tenho meus próprios negócios.
Hermione voltou a se concentrar na visão da rua. Ele estaria sendo sincero ou queria apenas induzi-la a fazer o que queria? Quanto tempo levaria para perder o interesse pelas causas sociais? Só saberia mais tarde, refletiu. Ainda não entendia o motivo real para o lorde desejar desposá-la. Moças bonitas, educadas e caridosas não faltavam na Inglaterra.
Aquece meu coração... Será que Caldbeck possuía um? Talvez só desejasse uma mulher alta, bem vestida, que fosse um ornamento ao seu lado e que fizesse as obrigações de condessa. Talvez nem exigisse seus direitos na cama, e isso seria um alívio, mas... e os filhos que ela desejava ter?
Ela sentiu o rubor aquecer-lhe o rosto e tratou de continuar voltada para a janela. Sabia que era uma mulher de sangue quente e já percebera que a presença de Snape a perturbava. Precisava tomar uma decisão de cabeça fria, sem permitir que as sensações físicas ditassem suas palavras.
Ora! Só porque o conde tinha ombros largos e pernas bem torneadas, não era motivo para se sentir desse jeito! Então um pensamento a perturbou. Que tristeza viver ao lado de um homem que lhe inspirava tanto desejo e que, provavelmente, nem se importaria com seus sentimentos.
A castanha ansiava por conhecer os segredos que se encerravam em um quarto matrimonial, mas afora alguns beijos concedidos ao acaso, nada conhecia sobre sexo. Porém tinha certeza de que uma mulher podia ser obrigada a pagar por seus erros, se desse um passo em falso, e não desejava se arriscar.
Virou-se e fitou Caldbeck.
— Senhor, agradeço sua oferta, mas vamos falar com franqueza. Não entendi muito bem o que deseja em troca casando-se comigo.
O silêncio se prolongou por tanto tempo que ela achou que não receberia uma resposta. Então Snape disse:
— Desejo a senhorita. Pensou que não iria querê-la em minha cama?
Uma resposta e tanto! Hermione lutou para manter o sangue frio. O conde não poderia ter sido mais direto e franco.
—Tudo bem... Agora ficou claro — ela tentou manter a voz neutra.
A riqueza do nobre em troca de seu corpo, refletiu. Não gostava dessa ideia, entretanto muitos casamentos se baseavam nisso. Caldbeck era realista. Ela teria de se casar com alguém em breve por causa de sua situação financeira e, para ser sincera consigo mesma, o conde não estava pedindo nada que ela não desejasse lhe conceder, porque se sentia muito atraída por ele.
— Muito bem, milorde. Temo que estejamos cometendo uma grande loucura, mas já me decidi. Aceito sua proposta de casamento.
