Dia longo
Quando eu era pequena, e ainda estava na escola trouxa, eu tive uma professora muita exagerada. Ela começava a falar de verbos e acabava no feminismo (Não entendi. Nunca vou. E provavelmente ninguém irá). Vendo agora, o professor Binns se parece absurdamente com ela; a mesma aula monótona, os alunos fazendo qualquer coisa menos prestar atenção, e bilhetes correndo soltos. Claro, que tem sempre um pra fazer diferença. Sabe aquele que se mete a saber tudo? Então. No caso, era ela.
Jéssica Manfleck. Com o perdão da palavra, a única coisa em que a descreveria, seria vaca. Não querendo generalizar, mas por ser grifinória, creio que a única explicação plausível seja o fato dela ser sonserina. Após sete anos de infeliz convivência, posso até apontar fatores. Nunca me incomodei com ela, até ela começar a se incomodar comigo. Ah! Chegou à hora de falar dos ex-namorados.
No meu quinto, começo de sexto ano, eu saia com Derick Brooks. Nunca foi o mais cobiçado, como Potter e Black, mas tinha lá seu bem charme. Não cheguei a gostar dele de verdade, era mais um amigo...com benefícios. Ele era inteligente (corvinal), fofo, gentil, e infantil. Muito infantil. Obviamente, eu não sabia disso quando comecei a sair com ele, e nem Jéssica sabia quando começou a brigar comigo por causa dele. Aham, isso mesmo. Eu terminei com ele, para a felicidade dela. Ou infelicidade. O fato foi que ele não a queria, só cedeu no final do sexto ano dela, e sétimo dele. Ou seja, bye bye, time is over. Resumindo, ela me odeia por ter atrasado o tempo dos dois, e eu a odeio porque ela me odeia. Simples assim.
Voltando aqui na aula, - enquanto Jéssica presta atenção, eu escrevo, e o resto dorme – eu decidi ser mais introspectiva. Olhar as coisas de maneira mais profunda, não fazer tempestade em copo d'água. Ver a raiz da coisa. Opa, peraí.
"Como você consegue ficar assim?" Potter, que havia acordado, resolveu me perturbar.
"Assim como, Potter?" Falei impaciente.
"Acordada!" Ele falou como se fosse óbvio. Não era nada óbvio Potter. Acho que ele ainda estava meio dormindo.
"Ah, bom, eu me distraio escrevendo." E mostrei a capa do diário.
"Oh! Você tem um diário?" De repente, ele pareceu muito animado pro meu gosto. "Isso é interessante." E de repente, eu percebi que foi um erro falar.
"Interessante, mas meu." Falei entre dentes.
"Eu sei, por isso que é interessante." Merlim! Ele piscou pra mim! Que audácia! Realmente o garoto não tem medo da morte! Enfim, após me deixar atônita, ele virou pra frente. Amém.
"Droga Lily! Vocês não podiam falar mais baixo, não?" Michele, acordou como um zumbi irritado. Bela monitora.
"Michele! Você devia tá acordada! E agora? Com quem eu vou pegar as anotações?" Falei choramingando.
"Ué, você não estava escrevendo?"
"Estava, mas no meu diário."
"Se eu soubesse que você trocaria as aulas pra ficar escrevendo nele, nunca te daria." Como se ela fosse um exemplo. Bom, talvez sim, afinal ela era monitora.
"Michele." Me lembrei do que estava pra falar com ela hoje de manhã. "Sabe o que eu acho?"
"Não". Ela disse desapontada, porque eu não a deixaria mais dormir.
"Eu devo ser mais introspectiva." Agora ela olhava preocupada.
"Bom, eu acho que você deve dormir, Lily. Anda, abaixa a cabeça e pára de pensar besteira." Oras! Não era besteira! Grande amiga eu fui arranjar!
"Não Michele. Escuta." Falei mais baixo para Potter não ouvir. Embora, ele parecesse estar no décimo quinto sono. "Tentar ser mais legal com as pessoas. Talvez...talvez as pessoas que eu penso que não são legais, sejam, entende?"
"E de quem exatamente você está falando?" Ela esboçava um sorriso satisfeito no rosto, ela sabia de quem eu estava falando.
"Ah, você sabe, todo mundo."
"Não, não todo mundo , Lily, pessoas específicas." Odeio quando ela faz isso!
"Bem...Potter, eu acho." Ela sorria mais que satisfeita gora.
"É, Lil. Ele é legal sim, você não vai se arrepender." Arrepender de que?
"Não há nada para arrepender Michele." Falei cautelosamente. Será que a gente tava falando a mesma coisa?
"Sim, eu sei." Agora, ela refletia. "Mas quando você conhecer ele melhor, você não vai se arrepender."
"Isso não vai acontecer Mi." Como ela conseguiu ir tão longe? "Eu não vou conhecê-lo melhor. Eu só disse que talvez, bem remotamente, lá no fundo, ele não seja tão chato assim.
"Então, você não quer ver se está certa? Não quer ver para crer?" Primeiro, a ficha demorou, mas caiu. Segundo, ela não podia usar essa frase contra mim! Fui eu que ensinei!
"Não!" Falei indignada. Indignada e alto. As pessoas de perto acordaram.
"Ok." Michele falou num sussurro e sorriu amarelo para outros zumbis irritados. Minha sala só tem imprestáveis, credo! "Mas essa conversa não acaba aqui, Lily Evans!" Tá bom, mãe!
Às vezes eu penso como são as circunstâncias que fazem nossa vida. Olha só; se no primeiro dia de aula, do nosso primeiro ano, na nossa primeira aula de poções, eu não tivesse feito dupla com Michele, e jogado uma erva a mais no caldeirão de Jessica Manfleck e Keyla Sundenville porque elas disseram que o cabelo de Michele era engraçado, e feito o caldeirão ficar vermelho ao invés de azul, nós nunca teríamos nos tornado tão amigas. Acho que desde esse primeiro momento eu já não gostei da Manfleck. E o cabelo de Michele não é engraçado, é castanho claro e normal. Não é que nem o meu que é ruivo, porque isso sim é engraçado.
Após essa aula, nos sentamos no lugar de sempre para o almoço. Eu olhava distraidamente o céu. Estava um céu azul claro (jura, Lily?), muito azul claro quero dizer. Bem bonito. Mas quando lembrei que era artificial, isso desiludiu minha vida.
"Lil." Michele me chamou uma vez. Eu, que no momento estava olhando para o nada e pensando no por que daquele céu ser artificial, não ouvi. "Lily!" Ela chamou de novo. Não ouvi de novo. Nessa hora eu estava pensando irritada no por que deles não deixarem o céu normal, ao invés de ficar iludindo a gente. "Lily Evans!" Ela quase gritou dessa vez, me tirando dos meus pensamentos. Ela murmurou um 'brigado sarcástico. "Por que você está feliz hoje?"
Qual era o problema daquela garota? Eu lá, viajando, e ela vem e me pergunta algo completamente se fundamento.
"Quê?"
"Você está de tranças hoje." Ah sim, tudo fez sentido. Sempre que eu colocava tranças, Michele dizia que era porque eu estava feliz. Não sei da onde ela tirou isso.
"Michele, quantas vezes eu vou ter que tranças não tem absolutamente nada a ver com o meu estado mental?"
Agora ela vai me dar provas disso.
"Pra começar, você usou trança no primeiro dia de aula, onde estávamos todos felizes." Não disse? "Depois, quando você descobriu que Edward também gostava de você. Depois, quando..." Fechei meus olhos, a lista era longa. Só pra constar, Edward foi o meu primeiro 'namorado.' Não que tenham tido muitos, mas enfim! E para terminar... "Viu só? Tem mais um monte de vezes que eu não me lembro agora."
"Você está falando das outras mil vezes que eu usei tranças e que não possuem motivos nenhum?" Falei com certo desprezo, como se tentasse mostrar a uma criança que um mais um são dois. "Embora, eu tenha que admitir que sua memória seja muito boa." Ela concordou emburrada. Ela acha que eu não sei, mas essa história das tranças é porque acontece com as personagens do filme preferido dela, o qual ela acha que eu também não assisti.
Enquanto Michele colocava mais batatas no prato (nunca vi alguém gostar tanto de batatas! É sério, se um dia as batatas acabarem, será culpa de dela), eu olhei pro meio da mesa. Céus! Como duas pessoas conseguem ser tão felizes! Nada contra quem é feliz, eu, por exemplo, adoro ser feliz, mas é que eles são exageradamente felizes! É como eu digo, Potter e Black fazem algum comentário ou brincadeira, os dois riem escandalosamente, Rem ri discretamente, e Peter engasga. Cara! Eu não posso com Peter e as engasgadas dele! Comecei a rir e cutuquei Michele. Ela olhou pra onde eu apontava e começou a rir também. Rir, tossir, ficar pálida. Engasgar! Ah não! Eu vou totalmente cortar as batatas do cardápio escolar!
"Michele! MICHELE!"
Apesar das incontroláveis tentativas do pessoal lá de cima, pra me fazer errar na vida, uma coisa eu acertei. Quando, desde sempre, eu e Michele sentamos no final da mesa, a um metro praticamente da porta principal. Não foi como se ninguém tivesse me ouvido gritar e visto Michele desmaiar, mas estando mais perto da porta, pude levá-la (por mágica) até a enfermaria o mais rápido possível.
"Madam Pomfrey!" Cheguei esganiçada, quase tão branca quanto Michele, que já estava acordada. "Ela engasgou e não consegue RESPIRAR!" Ok, eu exagerei um pouco. Talvez bastante, porque a enfermeira me olhou estranhamente, como se a doente fosse eu.
"Deite aqui, srta. McAllister." Michele deitou enquanto ela ia pegar umas poções. Eu sentei em uma cadeira que estava por perto e pensei comigo mesma que aquele deveria ser o caso mais banal que Madam Pomfrey já atendeu em toda vida. "Tome isso e descanse."
"Eca! Isso é horrível!" Michele reclamou e fez uma careta quando a enfermeira foi fazer qualquer outra coisa. "Se bem eu que já estou me sentindo melhor, eu acho. Ou pode ser psicológico, sei lá."
"Michele!" De repente, me lembrei do por que de tudo aquilo. "Você é retardada! Engasgar com comida! Isso é completamente coisa de Peter's!"
"Eu sei, foi ridículo. Além de toda atenção que eu causei, o resto da semana o assunto vai ser este. Mas isso pode ter sido uma lição..." Ela disse filosofando. Tudo pra ela é motivo pra virar lição, nunca vi!
"Ah é? E que lição seria essa, McAllister?" Que susto eu levei! Até Michele pulou da cama. Eu podia jurar que eles tinham aparecido do nada!
Sirius, que tinha acabado de falar, estava do lado de Remus. Tadinho! Ele estava com uma cara tão preocupada. Remus, não Sirius. Foi muito fofo, ele (Remus, não Sirius), parou bem ao lado da cama de Michele, entrelaçou as mãos na dela e perguntou todo tímido:
"Você tá bem?" Eu, que estava no meio dois, percebi que tinha sobrado e fui para perto de Sirius.
"Aham." Ela respondeu toda meiga. Eu olhei para Sirius, já rindo dos dois, quando levei outro susto. Potter estava do lado de Sirius. Mas ele não estava lá antes! Como eles faziam aquilo? Bom, pelo menos Peter não apareceu. Imagina só se ele me ouve falando das engasgadas dele! Eu ia morrer de vergonha.
"Hey," Potter falou baixinho pra mim e Sirius. "Acho melhor a gente deixar os dois sozinhos." Nisso ele tinha razão. Despedi-me de Michele e nós fomos.
Indo para algum lugar que eu não estava reconhecendo o caminho, claro, já que eles só iam por passagens secretas, – como eles conseguiam lembrar dos lugares afinal? Eu já estava completamente perdida. – Potter resolveu puxar assunto:
"Será que eles se resolvem agora?"
"Claro que sim"! Sirius.
"Claro que não!" Eu.
Eles me olharam como se eu fosse louca. Mas eu realmente achava que não. "Eles dois são muito tímidos pra tentar qualquer coisa!"
Eles fizeram um 'Ah' de entendimento, depois se entreolharam e riram.
"Bom," Potter disse. "Eu não acho que isso será mais um problema, Lil."
"Definitivamente não será um problema." Sirius concordou.
"Como assim?" Eu estava, em todos os sentidos, perdida.
"Só digamos que..." Potter parou para pensar no melhor jeito de continuar a frase, mas Sirius completou. "Digamos que nós demos um jeito nele."
"Oh! Isso não é bom!" Falei mais pra mim do que pra eles, qualquer ensinamento passado por Potter e Black não podia ser bom. Eles riram.
Estava subindo uma escadaria quando me lembrei que tinha aula. Adivinhação. Fiquei tão preocupada com Michele que nem lembrei que tinha aula alguma. Como pude esquecer da matéria mais inútil que jamais existiu? Embora, no sexto ano, quando tivemos a opção de sair, nós não saímos. Por mais que fosse chato, era uma aula pra descontrair. No meio de tanto estudo, você podia dormir, conversar e principalmente rir. Não tinha como não rir. Não rir daquela professora ridícula, não rir das profecias estúpidas e das visões inventadas. Ah! Essas eram as melhores em minha opinião. Eu sempre morria, desde o meu terceiro ano, eu sempre morria. Assim como Michele sempre tinha uma surpresa desagradável. Enfim.
Chegando à sala com cheiro de incenso (Com Potter e Black brincando atrás de mim), fui sentar em uma almofada afastada da professora, aquela inapta, parecia que a diversão da vida dela era me irritar. Sentei. Alguém sentou do meu lado.
"O que está fazendo aqui?" Revirei os olhos. Que garoto petulante!
"Eu não ia te deixar sozinha." Revirou os olhos, me imitando.
"Pois vá sentar com Black, senão ele vai ficar sozinho!"
"Pads está com Peter." Pads? Fala minha língua Potter! Provavelmente ele percebeu isso. "Sirius."
"Sabe, se você quer ficar, então você vai ficar. Mas vai ficar de boca fechada!" Depois disse, cruzei meus braços. Ele riu da minha crise. Admito que é meio infantil, mas é o único jeito dele não me irritar. Faz bem pra mim, faz bem pra ele.
"Olha quem chegou." Potter falou devagar e malvadamente. Como num sussurro para não espantar sua presa. Sirius, que estava duas "carteiras" abaixo, olhou para o outro com o mesmo sorriso maldoso. Coitada dela, toda aula eles aprontavam alguma, e a tola, pensava que era o "destino".
"Potter, não faça nada." Pedi manhosamente. "Ela é só uma professora velha, fingida e besta." Só?
"Lily, não me peça desse jeito." Não entendi. Ia perguntar o porquê, quando aquela maluca começou a falar.
"Boa tarde meus queridos! Hoje, nós vamos estudar as cartas. OH! As cartas são magníficas..." Ela continuou a falar, até que eu decidi que encostar minha cabeça na parede e pensar no nada era mais produtivo. Quinze minutos depois... Eu e Potter estávamos com as cartas na nossa frente.
"Primeiro você." Eu disse a ele.
"Deseje-me sorte." Ele disse maroto.
"Eu desejo que você tire a morte." Ele riu. "Ah não!" Após ver a carta ele reclamou. Já estava me matando de curiosidade, e ele sabendo disso, não falou nada.
"O que é!" Quase gritei. Ele riu (Ele só ri, por sinal).
"O sol."
"O sol? Mas isso é tão sem-graça!" Eu, esperando a morte pro garoto, e vem o sol? Que injustiça!
"Pra sua felicidade, Lily Evans, o sol não é uma coisa boa." Fiz uma cara tosca de esperança. Ele riu. Eu juro que se ele rir de mim mais uma vez, eu mato ele. Com o sol ou sem o sol. "Segundo o livro... cadê? Ah, olha só: significa que quanto mais iluminado você está, mais suscetível a cair estará. Uau! E eu que pensava que tarô fosse interessante!" Ele disse sarcástico.
"Eu achei interessante." Na realidade, foi uma das coisas mais estúpidas que eu já tinha escutado em toda minha vida, mas discutir com ele, é sempre mais legal. "Ok! Minha vez!" Não posso dizer que não estava ansiosa. Potter, que estava com uma cara de desprezo por causa de minha opinião anterior, mudou a afeição para algo mais desprezível ainda. Agora eu entendo porque minha mãe diz que os homens são todos rudes.
Amor! Uma carta do amor? O que aquilo significava?Se eu pudesse, eu teria pegado o livro do Potter antes dele ver, mas ele já estava perguntando qual carta eu tirara.
"Ahn... amor"
"Amor?" Ele riu, e sabe-se lá por que, deu um sorriso satisfeito antes de olhar no livro. "Se você prestar atenção ao seu redor, verá que o amor está ao seu lado. Amará e será amado." Ele terminou de falar com um sorriso mais satisfeito que antes.
"Hum... não. Esse não foi interessante." Pra mim não foi mesmo, não havia ninguém no meu redor para reparar!
"Eu achei." Ele disse. Mas ninguém perguntou. Tudo bem.
Pensando agora, o resto da aula foi divertido. Nós tiramos cartas realmente estranhas com os significados mais mirabolantes possíveis. Ri bastante com a paisagem que parecia uma nave alienígena, e ri mais ainda quando Potter não conseguia entender o que era. Fiz pra ele um desenho super complexo, com E.T.s e tudo o mais, foi a vez dele rir. "Esse desenho vai ficar pra posteridade, Lil." Também não ajudo mais! Quando a aula acabou, fui visitar Michele.
"Oi!" Ela disse animada quando me viu.
"Oi." Eu falei assustada, quero dizer, ele estava realmente animada.
"Você nem sabe o que aconteceu!"
"Nem imagino." Disse revirando os olhos. "Então, vocês tão namorando ou o que?"
"Como você descobriu?" Ela falou indignada.
"Michele, como eu não iria descobrir?" Eles estavam quase fazendo juras de amor quando eu havia saído antes.
"Ele acabou de sair." Ela disse sorridente, depois ficou brava e disse que era porque Madam Pomfrey havia expulsado Remus de lá.
Após uma história de meia hora (a enfermeira me expulsou de lá também. Mas eu não estava agarrando Michele), eu prometi a Michele que voltaria mais a noite. Se ela já não tivesse saído de lá.
Chegando ao salão comunal, vi os marotos bombardeando Remus de perguntas, e rindo. Realmente, o conselho de Potter e Black parecia ter dado certo, segundo Michele. Eu subi para logo mais descer e ir jantar. Que dia longo! O jantar foi meio solitário, me sentei com Amy e Elle, minhas companheiras de dormitório. Acabei rápido, e fui esperar dar a hora de ir visitar Michele. Era interessante ver como o salão ficava depois do jantar. Sem nenhum professor, e os habituais alunos que ficavam para comer a sobremesa pela décima vez. O que eu estava fazendo ali? O que Michele não me fazia passar. Os marotos também ficavam por último, por causa de Peter. Eu quis muito, mas dessa vez não ri das engasgadas dele, vai que se voltava contra mim, que nem aconteceu com Michele!
"O que você está fazendo aqui até essa hora?" Já reconhecia a voz de Potter. Ultimamente nem precisava me virar pra ver quem era.
"Esperando o horário para ver Michele." Pensando bem, eu podia ir à hora que eu quisesse, não havia nenhuma regra de horário de visitação. "Mas acho que já está na hora."
"Ok, então vamos?" Ele perguntou.
"Vamos...aonde?" Eu perguntei.
"Ver a Michele!" Ele falou obviamente.
"Potter, eu vou ver a Michele. Não você."
"Eu não vi ela essa tarde, e eu quero vê-la agora. Podemos ir?" Ele falou impaciente. Nós fomos. Eu estava perplexa no caminho, primeiro pelo tanto de passagens secretas que nós estávamos passando, e segundo que essa preocupação com Michele nunca existiu para ele.
"Ela não está aqui." Conclui após cinco minutos olhando todas as camas da enfermaria. "Já deve ter saído."
"Oh, jura?" Potter, que estava irritado porque eu havia procurado ela mesmo com os avisos dele de que ela já tinha saído, cruzava os braços me encarando.
"Então, vamos voltar." Eu sugeri, ao que ele simplesmente virou e saiu andando. Tive que correr para alcançá-lo. De repente, uma coisa me veio á cabeça.
"Ei, Potter." Ele virou pra mim. "Se você sabia que Michele não estava lá, por que quis vim? E por que não me avisou?"
"Eu não sabia que Michele não estava lá."
"Então por que quando nós chegamos você disse que ela não estava lá?"
"Porque eu vi que ela não estava lá." Ai, realmente. Que conversa de tartaruga!
"Oh, ok." É, ele não tem culpa por eu ser desconfiada.
Andamos por tantas passagens que eu nem sabia mais onde estávamos indo. Isso estava se tornando rotina. Num lugar totalmente estranho pra mim, ele parou e disse:
"É aqui."
"Não sei que tipo de remédio você toma Potter, mas isso não é a entrado do salão comunal." Eu disse preocupada. Aquele garoto precisa urgente de um óculos.
"Claro que não." Ele disse tocando a parede de pedra. "Isso é um lugar diferente."
"Na boa," Eu estava muito confusa! "Isso não é um lugar. É uma parede, que não tem nenhuma porta. Portanto, não é absolutamente nenhum lugar."
"Isso é um lugar." Ele disse enquanto olhava concentrado pra parede, tateando todos os lados. "É só que poucas pessoas conhecem."
"Por que poucas pessoas conhecem?" Aprenda uma coisa, quando você está com ele, todas as precauções são necessárias.
"Porque...sei lá, Lily!"
"Potter." Eu comecei com medo da resposta de que alguma maneira eu já sabia qual era. "Isso é algum lugar proibido?"
"Não." Ele parou de analisar a parede e olhou pra mim agora.
"Então, você tem permissão pra entrar aí nesse... lugar?"
"Não exatamente." Ele respondeu pensativo.
"Potter!" Gritei. "Você está me levando pra um lugar proibido?"
"Não!" Ele respondeu desesperado com a minha gritaria.
"Então você tem permissão!"
"Não."
"Então como isso não é proibido!" Dessa vez, eu berrei.
"Venha." Ele falou baixinho com medo de mais um ataque. "Só venha, ok?" Antes que eu pudesse concordar, ele falou algum feitiço que fez a parede abrir, e nós entramos em um... Lugar.
Um lugar lindo. Era uma sala, não muito grande, mas com uma decoração maravilhosa. Era como se fosse um jardim de uma mansão, daqueles que você só vê em filmes. Tinha umas redes, umas cadeiras de sol, umas poltronas extremamente aconchegantes.
"Você ainda quer permissão pra entrar aqui?" Potter me perguntou maroto, sentando e uma das poltronas.
"Bom," Orgulho próprio é única coisa que nos resta, certo? "Não seria de todo mal." Sentei na poltrona do lado. "Eu poderia dormir aqui."
"Eu já dormi aqui." Ele disse.
"Sozinho?" Eu disse risonha, pra descontrair. Ele só me olhou e não respondeu nada. Pensando bem, era melhor que não respondesse nada mesmo. Ei, espera aí! "Potter, alguma garota já esteve aqui? Aqui? Nesse lugar onde eu estou agora?" Não quero nem pensar no que estou sentada em cima!
"Lily," Ele sentou e olhou pra mim. "Calma, nós não trazemos garotas aqui." Obrigado! Que susto eu levei agora. Opa, espera aí!
"Então, eu sou o que Potter?"
"Você é uma garota." Ele respondeu, e disse que era pra deixar pra lá. "Você não vai entender mesmo." Não mesmo. No meio de tantas contradições.
Ficamos assim, às vezes pensando na vida, às vezes falando besteira, outras vezes só conversando.
"Desde quando vocês conhecem esse lugar?" Perguntei.
"Desde o primeiro ano acho." Era tão estranho, eles conheciam tudo desde sempre.
"Como vocês conhecem esses lugares?" Eu bem queria conhecer lugares assim.
"Ah, depois de tanto tempo saindo quase todas as noites no castelo, você conhece algumas coisas." Era legal o ver falando sobre isso, não sei por que, mas era legal escutar.
"Eu queria conhecer mais coisas." Disse lamentando.
"Pois então saia e conheça!" Ele fala como se fosse simples.
"Potter, nem todo mundo tem uma capa de invisibilidade para escapar de detenções." Ele riu.
"Então saia comigo." Eu olhei pra ele. Ele corrigiu preocupado. "Não, não sair de encontro. Sair à noite pra te mostrar mais lugares." Eu ri.
"Eu entendi Potter." Ele sorriu. Eu devolvi o sorriso.
"Boa noite." Ele disse. Há! De jeito algum nós íamos dormir ali!
"Não, vamos voltar. Você me trouxe aqui, você vai me levar de voltar para que todos nós possamos dormir em nossas camas." Ele me olhou com uma cara de 'eu-vou-te-matar-sua-fresca-me-deixe-dormir' mas mesmo assim, ele se levantou e nós fomos.
Não tinha quase ninguém no salão comunal àquela hora, mas as pessoas que nos viram chegar juntos olharam desconfiadas. Céus! Todo mundo cuida da vida dos outros!
"Boa noite." Eu disse a ele no pé da escada.
"Boa noite." Ele me disse me dando um beijo na bochecha, e subindo.
Que dia longo! Minha ideologia? Nunca dê qualquer tipo de abertura ao Potter, porque senão ele vai pensar que pode sair te dando beijos na bochecha.
N/A: Ah! Me desculpa a suuuuper demora! Mas eu tow em semana de prova! E muito obrigado mesmo pelas reviews! E obrigado tbm a todos q lêem e não deixam reviews. Perdoem os erros de português! ;p
Espero que gostem, trabalhei um tempo considerável nesse capítulo.
beeejos
