Ela sabia exatamente quais seriam as consequências de se casar com aquele homem. Hermione tinha tomado uma decisão. Mas antes de qualquer coisa, ela teria que se despedir de seus amigos.

Então, lá estava Hermione Granger na sala dos Potter's. Era a primeira vez que ela via o bebê James. A criança era adorável. Para um bebê tão pequeno, ele estava chutando forte contra seus braços.

Enquanto Ginny preparava o chá e Harry preparava os biscoitos na bandeja, ela aproveitou o momento com o pequeno bebê.

- Olá, James. Eu sou a tia Hermione. Gostaria muito de poder vê-lo crescer. Mas, infelizmente, não terei a chance. Também não poderei te presentear com primos. – Ela tinha lágrimas nos olhos. - Você irá me perdoar, não irá? – Depois de um longo suspiro, ela continuou. – Te desejo um futuro brilhante ela frente, meu amor.

- Mione, você está bem? – Ginny perguntou enquanto observava a interação da amiga com o pequeno bebê em seus braços.

- Estou bem, Gin. Eu só precisava ver esse pequeno rapaz. Esperar até sábado me pareceu estranho. Além disso, eu acordei tão disposta hoje. Achei que seria bom aproveitar o lindo dia. – Sorriu para amiga tentando passar segurança.

- Você está certa. Hermione, você é mais do que bem vinda. E então, já recebeu a carta do Ministério da Magia?

- Ainda não, Ginny. – Mentiu.

- Sabe, eu ainda acho que você deveria aceitar a nossa ajuda.

- E me casar com Percy? – Perguntou brincalhona. – Não seria diferente de me casar com um parente. Ele é praticamente da minha família.

Hermione levantou-se e pegou as mãos de Ginny. Dando um pequeno aperto.

- Bem, eu ainda acho que você deveria propor a Snape. – Disse Harry entrando na sala.

- Ele está noivo, Harry. – Exclamou triste. - Eu acho que é hora de eu ir, Ginny. - Ela deu um ultimo beijo na amiga e no bebê. – Adeus, Harry.

- Hermione, prometo que irei te visitar. – Falou seu amigo. – E talvez eu ainda consiga te convencer a encontrar um marido para você.

- Harry, você mal tem tempo suficiente para respirar. – Disse sorrindo. – Imagine só para encontrar um marido para mim. Eu nem consigo imaginar você coagindo alguém para se casar comigo. - Hermione riu. - Ah! - Ela colocou as mãos no bolso e tirou um pequeno embrulho. – Isso é para James. Tenho certeza que ficará adorável. Ele é um lindo bebê, parabéns.

(...)

Narcisa olhou para a porta de carvalho e pensou sobre como as coisas tinham mudado nas últimas semanas. Snape de alguma forma havia conseguido provar que Lucius nunca havia tido nada com aquela mulher e que o único objetivo dela era arrancar seu dinheiro.

Fazia um pouco mais de um ano que Lucius tinha falecido e agora lá estava ela prestes a entrar em outro casamento. Agora que ela tinha tido a chance de pensar sobre tudo, parou para pensar se realmente valia a pena.

Tudo o que estava no seu caminho agora estava fazendo com que pensasse a respeito desse novo desenvolvimento. Ela havia topado tal arranjo por estar magoada com seu falecido marido. Ela realmente estava convencida que ele a traia. Mas agora que o mal entendido estava resolvido, agora não tinha tanta certeza. Agora, parecia que quem estava traindo era ela.

- Entre. - Falou a voz que ela tanto conhecia.

Ela tinha muita experiência com o homem para saber que ele não era um homem da manhã, mas o observando de perto, seu estado era deplorável. Fazia anos que não o via assim, tão desleixado, entretanto, agora parecia rotina.

- Bom dia, Severus. - Disse ela cordialmente.

- Bom dia. Eu vejo que você ainda é tão pontual quanto antes. – Disse sem olhar para cima. - Só vou demorar apenas um segundo e você pode se sentar, Cissa.

- Por que tudo tão verde e prata? – Ela perguntou de repente. – Você sabe, não são as melhores cores para um escritório.

Então, ele lentamente se virou para encará-la.

- Você está zombando abertamente de sua própria casa? - Ele perguntou sorrindo.

- Não. Só não acho que seja apropriado para alguém da sua idade.

- Você é mais velha do que eu. – Apontou prontamente.

- Agora você está sendo cruel.

Os olhos dele brilhavam e ele sorriu.

- Tenho certeza que você poderá cuidar disso futuramente. - Snape murmurou, mas não tão baixo que ela não pudesse ouvir. – Pronto, agora estou livre.

- O que você deseja fazer?

- Faz anos que não ando por este castelo. Eu gostaria disso.

- Andar? – Perguntou arqueando a sobrancelha.

- Sim, apenas andar.

Ele apenas assentiu.

(...)

Quando Hermione voltou a Hogwarts, ela não se surpreendeu ao encontrar Draco. Devido ao novo relacionamento de sua mãe, ela considerou que não seria difícil encontrá-lo futuramente no castelo.

Draco e Hermione não poderiam ser considerados inimigos nos dias de hoje, mas eles também não poderiam ser considerados amigos. Talvez colegas.

- Granger. - Ele disse reconhecendo sua presença.

- Furão. - Ela disse em troca um pouco mais grossa que gostaria o que fez com que Draco rolasse os olhos.

- Vejo que está seu mau humor está pior que o normal. - Ele disse, enquanto andava na mesma direção que ela.

- Sinto muito, Draco. Não foi o meu melhor dia. - A bruxa bufou e caiu e deixou que seus ombros caíssem. – Na verdade, não foi uma semana muito animadora.

- Tudo certo, Granger. Sem grandes consequências. – Disse com seu sorriso mais galanteador.

- E como vai sua esposa? – Ela questionou.

- Foi às compras. Ela disse algo sobre comprar coisas que precisávamos para a casa. Mas não duvido que ela esteja na Madame Malkin comprando novas vestes. Daqui uns dias não terá mais espaço para mim naquela casa.

Hermione revirou os olhos. Ela não esperava nada menos da esposa de Draco Malfoy.

- Mas e você Granger? Preparada para se casar? Creio que já tenha conseguido um noivo adequado?

- Essa lei estúpida foi tão repentina e inesperada. - Hermione soltou um suspiro exasperado.

- E. . . ? - Draco perguntou com expectativa.

- Estou esperando que o Ministério escolha por mim. – Mentiu ela, lembrando-se que o Ministério já havia escolhido seu noivo.

- Granger, eu achei que você fosse mais inteligente do que isso. Esperar que o Ministério escolha, não foi sua melhor decisão. – Disse sério.

Depois de um suspiro ela assentiu.

- Há algum motivo para estar aqui Draco? – Hermione perguntou, mas, infelizmente, já sabia a resposta.

- Eu estava procurando minha mãe. – Respondeu educadamente. – Ela disse que estaria aqui. Bem, parece que já encontrei. - Ele disse olhando para seu padrinho e sua mãe se aproximando.

Hermione olhou para Severus e esperou uma reação.

- Professora Granger. - Ele com pouca emoção.

Snape ainda estava ressentido por ela não tê-lo recebido depois daquele infeliz jantar. Ele não queria que tudo ficasse daquela forma. Ele realmente gostava dela e a queria pelo menos próxima a ele.

- Professor Snape. – Disse o encarando e virando-se para a mulher ao seu lado, ela completou, - Senhora Malfoy.

Narcisa assentiu em troca.

- Padrinho, eu preciso falar com você. – Snape o seguiu e os dois homens se distanciaram.

Hermione o observou se afastar, como sempre, sua capa fluía atrás dele como se tivesse vida própria. Ela suspirou, se encontrar com eles era tudo que ela não precisava. Se encontrar com a futura esposa do homem que ela tanto amava não era algo que considerava agradável.

- Parabéns pelo noivado. - Ela começou, sem jeito.

Hermione realmente esperava que sua voz e suas expressões não a traíssem.

- Obrigada. – Respondeu a senhora Malfoy em troca.

- Certamente já começaram os preparativos. – Falou mais por educação do que por interesse.

– Será uma cerimônia bem simples. Sim, de fato já começamos os preparativos. Existem alguns itens que eu acho que deveriam ser incluídos. – Disse a mulher divagando. - Espero que você esteja presente. - Ela sorriu. – Já que você é uma das poucas amigas de Severus.

- Temo que não será possível. – Disse e pôde sentir a garganta se fechando. - Bem, eu deveria ir. Estou com um pouco de pressa. Adeus, Senhora Malfoy. – Disse praticamente correndo pelo corredor.

Hermione estava desconfortável pelo que Narcisa pôde perceber. O olhar que ela recebeu quando se aproximou não era um dos mais agradáveis.

Quando Hermione não pôde mais ser vista, ela olhou para Severo que estava conversando com Draco. Sua expressão após ver a menina Granger não era uma das melhores. Certamente tinha algo errado entre os dois, talvez não faria mal descobrir.

(...)

Hermione não achava que tinha outra escolha. Seus amigos ficariam horrorizados ao descobrir o que tinha feito. E Severus certamente a chamaria de cabeça oca quando descobrisse, mas mesmo ela não ligava. De com as novas circunstâncias, ela não tinha outra saída.

Ela não podia se casar, não com aquele homem. Só de pensar, estremeceu.

Depois de um último suspiro, olhando para seus aposentos pela última vez, ela decidiu que era hora de ir.

Hermione deu uma última olhada pela janela e viu que um tempo ruim iria se formar. Ela amava aquele cheiro que avisava que a chuva estava próxima. Ela sentiu que as lágrimas iam cair novamente. Ela inalou aquele ar profundamente. Ela não queria chorar. Mas a tensão daquele dia tinha sido suficiente para drenar as suas forças. Ela se sentia tão horrível.

Depois de uma última respirada, ele decidiu que era hora de ir.

(...)

- Professor Snape. – Disse um Neville sorridente.

- Professor Longbottom. – Respondeu em troca.

- Olá, Senhora Molfoy. – Disse em reconhecimento, mas logo se virou para o homem mais velho. – Então, professor. Os ingredientes chegaram a tempo? Foi realmente complicado adiantar o processo de maturação daquelas plantas nesse clima tão instável dessa semana.

- O quê? – Perguntou Snape sem entender nada.

- Os ingredientes que você e Hermione precisavam para o experimento. O Acônito Licoctono, os Hemeróbios e a Valeriana. Eu perguntaria a Hermione, mas ela saiu tão de pressa. Eu só conseguir ouvir que ela precisava chegar em casa. O que é estranho já ela quase não vai até lá e não chegamos no final de semana. Parecia ter visto um fantasma.

Snape considerava as palavras de Neville com cautela. De repente, a ficha caiu. Todos os ingredientes listados por ele eram extremamente venenosos e as pessoas que buscavam por eles só tinha um objetivo. A morte.

O Acônito Licoctono era uma flor amarelada extremamente venenosa. Bastava mastigar uma de suas folhas para ter um efeito imediato.

Foi um veneno potente.

Por um momento, ele parou para pensar se ela seria capaz de tal ato. Mas diante de últimos acontecimentos, ele achou que não deveria esperar para ver.

- Eu não sei de tal experimento, Longbottom, mas nesse exato momento, Hermione pode está tentando tirar a própria vida.

Sem pensar duas vezes, ele saiu correndo para os portões. Ele mal percebeu que Narcisa o seguia.