"Brennan em apuros..."

Naquela semana eles praticamente mal se viram, Booth trabalhava quase o tempo todo internamente no escritório e depois do expediente ajudava Ângela a preparar a festa surpresa da Brennan. Essa, por sua vez, o evitava ao máximo, e parecia só estar preocupada em ter um Natal perfeito em família, mesmo que na prisão. Comprou brinquedos de uma loja famosa para as duas sobrinhas, uma linda blusa de lã para a cunhada, um relógio novo para o irmão e um livro de mistério para o pai. Comprou até presentes para o pessoal do Jeffersonian, só não sabia ainda o que comprar de presente para o Booth. Já tinha rodado metade da cidade atrás de alguma coisa especial, mas nada tinha chamado sua atenção.

Estava quase desistindo e voltando para casa quando algo colorido em uma vitrine chamou sua atenção, eram vários CDs, na verdade uma coletânea completa do bom e velho Rock, exatamente o tipo de música que Booth gostava. Temperance entrou na loja decidida e mandou que embrulhassem para presente, foi informada pela balconista de que era a última disponível, e saiu da loja toda feliz com sua sacola. Ele ia adorar!

Temperance chegou em casa exausta. Tinha andado por toda a cidade comprando presentes. Entrou no apartamento, colocou as sacolas na mesinha de centro e foi pegar uma cerveja na geladeira. Quando voltou para a sala notou a luz da secretária eletrônica piscando. Apertou o botão e sentou-se para ouvir os recados. O primeiro era de Caroline dizendo que ela poderia ficar com sua família das 19:30 até as 22:00 horas, depois disso o horário de visitas terminaria e todos teriam que ir para casa. "Tudo bem, é pouco tempo mas é melhor que nada..." pensou ela. Depois disso voltaria para casa e iria dormir, afinal estava acostumada a ficar sozinha. O próximo recado era de Booth, e ela ficou atenta a voz sexy dele:

"_ Bones, tentei te ligar o dia todo e não consegui falar com você...parece que você esteve bem ocupada... – ele fez uma pausa - Bom, eu só queria te ver amanhã a noite, sabe, depois que você voltar da prisão. Eu...preciso te entregar seu presente. Vou estar em casa, o Parker está viajando..., me liga, tá? Tchau."

Temperance sorriu, adorava ouvir a voz dele. Aliás, adorava tudo nele, sua dedicação ao trabalho, sua lealdade com os amigos, sua fé, seu amor incondicional pelo filho, seu humor, seu sorriso charmoso que derretia corações, inclusive o dela, até mesmo seus acessos de raiva quando ela o provocava, enfim tudo. Temperance ainda pensava nele quando foi tomar um banho. O dia seguinte prometia...

No dia seguinte pela manhã Temperance estava no estacionamento do prédio carregando o porta-malas do carro com os presentes. Ela teria que ir até o Jeffersonian examinar uns ossos, e por isso depois teria que ir direto até a prisão, para a festa com a sua família sem passar em casa antes. Estava tão concentrada para não esquecer nada que não notou um estranho se aproximando por trás dela. O estranho a golpeou na nuca e Temperance perdeu os sentidos. Ele a pegou no colo e jogou no porta-malas de outro carro que os aguardava ao lado, entrou no carro e eles saíram apressados do estacionamento. O porteiro não desconfiou de nada, afinal o carro pertencia a um morador do prédio.

Temperance começou a recobrar a consciência e se viu no escuro, deitada de lado, e em movimento. Não demorou muito para que ela percebesse que se encontrava no porta-malas de um carro. Ela tentou se mexer um pouco e sentiu uma dor aguda na nuca e, ao tocá-la com os dedos, sentiu vestígios de sangue. "Era só o que me faltava!" ela pensou. "Ser seqüestrada na véspera de Natal !" De repente ela se lembrou do celular. Tateou os bolsos a procura dele. "Preciso ligar para o Booth." Ela encontrou o que procurava e suspirou de alívio. Ela nunca colocava o celular no bolso, sempre o carregava na bolsa, mas como tinha ido ao estacionamento apenas para carregar o carro, tinha deixado a bolsa no sofá da sala e colocado o celular no bolso traseiro da calça. Ela discou rapidamente o número do celular dele. Era cedo, provavelmente ele ainda estava em casa, mas nem queria arriscar, por isso ligou direto para o celular. O celular tocava e tocava e nada dele atender. "Atende Booth, por favor!" ela fechava os olhos e sussurrava baixinho.

_ Alô...- ele atendeu com a voz pastosa de sono.

_ Booth, sou eu – ela falava baixinho com medo de alertar os seqüestradores – Fui seqüestrada, me ajuda!

Ele despertou completamente:

_ Você foi o que?! Onde você está? – ele se levantou rapidamente e foi pondo uma camisa enquanto falava com ela. – Consegue me dizer onde está?

_ Não, eu não sei. Eu só sei que estou dentro do porta-malas de um carro em movimento. Não sei dizer nem há quanto tempo estou aqui... – ela parecia nervosa. – Me ajuda!

_ Calma, Bones! Eu vou te achar. Vou mandar rastrear a ligação, tudo o que você precisa fazer é se acalmar e não desligar o telefone, ok? Consegue fazer isso pra mim?

_ S...sim. Pode deixar. – ela respirou fundo – Booth, por favor, me ajuda!

_ Eu estou chegando, fica calma! Eu estarei com você o mais rápido possível! – ele vestiu um jeans, pegou uma jaqueta e foi até a sala ligar para o FBI e pedir o rastreamento da ligação feita para o seu celular.

Como não conseguiria ficar em casa aguardando ele foi até o carro, pedindo para ser avisado pelo rádio. Saiu apressado do prédio.

_ Bones, você ainda está aí, certo?

_ Estou...estou sim.

_ Bom, já estão rastreando a ligação, eu vou te achar daqui a pouco, ok?

De repente Temperance percebeu que o carro em que estava parou.

_ Booth, eles pararam, eles pararam! O que eu faço? – ela sussurrava desesperada.

_ Calma, Bones! Eu vou ficar em silêncio e só vou ouvir, enfia o celular no bolso sem desligar e aguarda, ok? Finja que ainda está desmaiada que acho que vai ser melhor, consegue fazer isso?

_ Acho que ...sim.

_Tenta, por favor. Até daqui a pouco.

_Tá. – Temperance apertou o viva voz do celular e enfiou-o no bolso da jaqueta.

Booth ficou aguardando, rezando para que rastreassem logo a ligação.

...continua...

Fernanda