CASELLA DI ISABELLA (A CAIXA DE ISABELLA)
Capítulo 3
AUTORA: Lady K
DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Bones" são propriedade de HH e Fox (não venham me pentelhar), mas nada me impede de pegá-los emprestado só um pouquinho.
GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe? Depende do meu humor). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não me responsabilizo por qualquer dano psicológico ou moral...
COMMENTS: Capítulo VERY HOT, então, pessoas cardíacas, assexuadas, à perigo, diabéticas, anti-shipper... CUIDADO! Se continuarem, que seja por sua conta e risco.
Obrigada pelos comentários, vcs são a inspiração ;)
Seus lábios se entreabriram, mas ela foi incapaz de falar. O que poderia, afinal, dizer a esse desconhecido Booth?
Devagar, ele aproximou-se de Temperance. Com os olhos fixos nos dela, começou a soltar seus dedos da cortina, um a um. Só então o olhar dele percorreu o corpo dela.
Os laços desfeitos no decote da camisola deixavam ver a curva dos seios generosos. Enquanto a fitava, viu a pele macia estremecer no compasso acelerado da respiração de Temperance. Seu próprio corpo, em contrapartida, pulsou de desejo.
Com as mãos pousadas nos ombros dela, puxou-a para si. Ela não resistiu. Mas não escapou a Booth seu nervosismo.
Os dois ficaram a apenas alguns centímetros um do outro. Ela forçou-se a ficar ali, sem recuar. Quando Booth segurara-lhe os dedos para fazê-la soltar a cortina do dossel, ela experimentara um lampejo de pânico. Não!, ela protestou mentalmente. Mas não foi capaz de dizer nada, pois, naquele momento, seus olhos encontraram os de Booth. Os olhos dele eram negros como a noite e, ainda assim, exibiam um brilho irresistível. A luz daqueles olhos deixaram-na completamente sem defesa.
Sentindo-se sem ação, continuava com os olhos presos aos dele. Ao perceber as intenções dele, seu coração disparou novamente. Em sua boca, ela provou o gosto do medo. Mas não era somente o medo que lhe acelerava o pulso e lhe causava vertigem. Não. Uma estranha sensação, que lhe era desconhecida, acabou sobrepujando o medo. Agora seu corpo inteiro vibrava ao suave toque de Booth.
Tinha que tentar retomar o autocontrole, disse a si mesma. Não podia permitir que ele se aproximasse mais. Oh, por Deus, precisava encontrar as palavras certas para esclarecer-lhe que não era...
E, no entanto, estava sem fala diante daqueles olhos luminosos que a encaravam, numa invencível mescla de ternura e desejo.
Ela espalmou as mãos no peito dele.
"Booth, eu quero..."
"O quê? O que quer me pedir?" - ele murmurou.
Perdida, ela não soube o que dizer. Balançou a cabeça, cheia de pesar e aflição.
Sem aviso, Booth aprisionou-a em seus braços.
"Que tipo de armadilha está me preparando? Diga-me?"
Mais uma vez, ela quis confessar-lhe a verdade. E, mais uma vez, conservou-se muda. Ao cabo de alguns segundos, ela tomou uma resolução. SE estava apenas sonhando ou alucinando, que mal haveria em entregar-se? Ao acordar, nada restaria.
Ele, por sua vez, pensava em resguardar seu espírito e seu coração, pois nenhum membro da família dela era digno de confiança. Isso, porém, não o impediria de possuir o corpo de Temperance e dar prazer a ambos...
Mal sabia ele que, ao mesmo tempo, ela se via numa cilada que procurava evitar há longos cinco anos. Felizmente, pensava ela, Booth havia imposto uma linha imaginária e ela não precisava se preocupar: seu relacionamento jamais passaria de uma amizade. Os sentimentos que alimentava por ele eram devidamente racionalizados e compartimentalizados, até porque, ela estava segura, ele não lhe correspondia. Mas agora, este homem que era e não era Booth estava ali, a centímetros de fazer o que o seu Booth nunca faria, a não ser em seus sonhos mais secretos.
Booth correu os dedos pelo colo alvo dela, acariciando-lhe a nuca. Inclinou-se ligeiramente, e seus rostos ficaram muito próximos. Ela estremeceu.
No momento seguinte, seus lábios se uniram. Na boca de Booth, Temperance sentiu o gosto de vinho frutado e amêndoas. E, ainda, outro sabor mais sutil, difícil de definir: o gosto da paixão. Uma paixão que se intensificava perigosamente e beirava a selvageria. Ela deixou escapar um gemido de protesto e ficou rígida. Booth reagiu automaticamente, desacelerando o compasso de seus próprios instintos para beijá-la com uma lentidão enlouquecedora. Brennan fechou os olhos, acreditando que estava prestes a desfalecer.
Os lábios dele deslizaram por sua face, depois a língua. Ele inspirou o perfume de sua pele e mordiscou-lhe o lóbulo da orelha, semicerrou as pálpebras, sentindo-se cada vez mais embriagado com a fragrância de rosas que atordoava seus sentidos.
O corpo flexível de Brennan fundira-se ao de Booth, suas curvas suaves moldando-se à parede de músculos, suas mãos descansando na cintura estreita dele. Por um momento, interrompeu o beijo para fitá-la. Ela abriu os olhos, que estavam enevoados pela paixão. Ele sorriu. Temperance podia ser boa atriz, mas agora era certo que não fingia. Booth conhecera muitas mulheres e sabia detectar os indícios do desejo feminino.
As mãos dele escorregaram do pescoço para os ombros de Temperance. Puxaram suavemente o tecido da camisola, que ficou deslizando pelos braços dela até revelar os seios nus. Booth afastou as mãos dela de seus quadris. A camisola deslizou para o chão.
Ela não teve tempo de raciocinar. Booth tomou-a nos braços e carregou-a até o leito, onde permaneceu imóvel por um longo minuto, entorpecida. Observou-o mover-se pelo quarto com a graça de um felino. Ele atirou a corrente de ouro que usava sobre uma mesa. Enquanto desabotoava a jaqueta com fechos de rubi, apanhou um jarro de vinho, encheu uma taça de ouro e deixou-a displicentemente sobre a mesa.
À visão de sua esplêndida nudez, que ele exibia com casualidade e sem a menor modéstia, ela afinal caiu e si e deu-se conta de sua situação: estava deitada no leito núpcias, nua, e dentro de instantes, ele se apossaria de seu corpo. Sentou-se e cobriu-se com a colcha de seda. Quando Booth virou-se para ela, Temperance ficou sem fôlego. Seu primeiro impulso foi baixar o rosto, mas não resistiu e o fitou. Ele apanhou uma maçã, enquanto com a mão livre segurou uma adaga, e acercou-se da cama.
Com o coração aos saltos, Temperance o acompanhou com o olhar.
Inconscientemente, apertou a colcha contra os seios. A alguns passos da cama, Booth se deteve. Mordeu a maçã, mastigou devagar, seu olhar percorrendo as formas dela com fria insolência. Ela enrubesceu, de raiva de si mesma por, simplesmente, não conseguir se conter.
De repente, com um movimento inesperado, ele atirou-lhe a maçã. Automaticamente, ela soltou a colcha e estendeu as mãos para apanhá-la. A colcha escorregou para sua cintura, desnudando-lhe os seios. Tarde demais, Brennan percebeu que essa fora exatamente a intenção de Booth. Indignada, arremessou-lhe de volta a maçã. Por pouco não o acertou no ombro.
Ele atirou a cabeça para trás e riu. Sempre sorrindo, Booth avançou e sentou-se à beira da cama.
"Deus seja louvado. Por um momento, eu temi haver desposado um ratinho assustado."
"Como ousa..." - Brennan começou, mas de imediato se calou, sentindo a lâmina da adaga contra seu seio esquerdo.
"Posso ousar o que bem entender." - Disse sorrindo. Seus olhos, porém, cintilavam com um brilho frio. - "Eu a aconselho a não se esquecer disso. Seu dever é aquecer meu leito e dar-me muitos filhos."
Assim dizendo, tornou a embainhar a adaga com desenvoltura e curvou-se para colocá-la debaixo do travesseiro.
"Acaso está me ameaçando?"
"Eu, ameaçá-la? Por quem me toma? Por um bárbaro?" - Ele segurou-lhe o queixo com infinita gentileza. "Não, Madonna. Não se trata de uma ameaça. É apenas um conselho amistoso."
Esqueceu-se de que aquele não era seu lugar no tempo e no espaço. Dominada pela raiva, afastou a mão dele de seu rosto com um gesto abrupto. Mais que depressa, ele agarrou-lhe o pulso.
Encarou-a, furioso, é verdade, mas incapaz de esconder sua admiração. Aquela mulher era um mosaico de contradições. Decerto primava mais pela coragem do que pela sabedoria. Mesmo agora, quando seus dedos enterravam-se na carne dela com força suficiente para deixar marcas, a ira de Temperance não cedia lugar ao medo.
Booth afrouxou a pressão dos dedos, mas não a soltou. Com o polegar, começou a acariciar a parte interna de seu pulso.
"Calma" - sussurrou-lhe, como se estivesse diante de uma fera prestes a ser domada.
Levou a mão de Temperance aos lábios e cobriu-lhe a palma com beijos. Voltou ao pulso, onde seu polegar estivera, e mordiscou a pele sensível. Com o braço livre, circundou-lhe a cintura e trouxe-a para junto de si. Os seios de Temperance comprimiram-se contra o tórax musculoso. Booth notou-lhe a respiração errática, o tremor que a arrebatava e, inclinando-se, imprimiu uma trilha de beijos em seu pescoço.
Ele inclinou-se mais um pouco, forçou-a a estirar-se no colchão macio, imobilizou-a com o peso de seu corpo. Aí suas mãos, seus lábios, sua língua, começaram a explorar todos os segredos dela.
A pulsação de Booth se acelerou, mais rápido do que ele teria desejado, e os caprichos de seu corpo jovem roubaram-lhe todo o autocontrole. Inspirou profundamente e se forçou a controlar os instintos que ameaçavam dominá-lo. Apoiou-se no cotovelo e fitou Temperance. Inadvertidamente, seu olhar pousou no vale oculto entre as coxas dela, reacendendo-lhe o desejo. Os seios dela moviam-se na cadência de sua respiração, os lábios entreabertos pareciam um convite a beijos intermináveis.
Seu corpo inteiro, enfim, incitava aos maiores desatinos de que um homem seria capaz...
Temperance tinha a sensação de estar flutuando. Ela abriu os olhos e se deparou com Booth fitando-a. Os olhos dele ardiam de volúpia, seu rosto estava transfigurado de excitação.
"Booth?"
"O que é?"
"Poderia esperar um pouco?"
Ele franziu o cenho. - "Esperar? O que está dizendo?"
Temperance tomou fôlego e falou o que lhe pareceu mais racional no momento: - "Sim. Esperar para ter relações sexuais comigo. Até que não sejamos mais estranhos um para o outro."
Booth permaneceu estático.
"Vejo que está falando sério." — constatou, proferindo cada palavra devagar.
Ela guardou silêncio.
Booth sentiu uma onda de cólera.
Cólera alimentada pela fúria de seu desejo, pela impossibilidade do pedido de Temperance.
"Mas será que não compreende? Nosso casamento deveria ter sido consumado perante testemunhas!"
Ela continuou a encará-lo.
"O que me diz disto? Responda! E o que me diz das testemunhas que virão amanhã para examinar nossos lençóis? É óbvio que farão um exame minucioso depois da pequena cena que promoveu esta noite!" — Booth fechou cerrou os punhos, lutando para não se descontrolar. "Acha que admitirei ser motivo de piada na cidade quando não encontrarem vestígios de seu sangue nestes lençóis?"
Outra preocupação para ela: deveria se passar por uma virgem, quando ela tinha a certeza absoluta de não o ser? Pelo contrário...
"Ou será que está tentando me evitar porque seu sangue virginal há muito já foi derramado?" — Puxando-a pelos cabelos, trouxe-a para mais perto. "O que tem a dizer?"
"Só vou avisá-lo uma vez, me solte, Booth."
Mas, em vez de soltá-la, ele segurou-lhe os cabelos com mais força.
"Responda!"
Como ele realmente não contava com essa reação, foi totalmente pego de surpresa quando ela torceu seu braço e o jogou para fora da cama, lançando-o ao chão. Passaram-se alguns segundos até que ele compreendesse o que ocorreu.
"Booth, não está sendo racional. Você... você tem que confiar em mim e tudo irá se esclarecer, eu prometo".
Pensativo, estudou aquela mulher que agora era sua esposa. Estava completamente louco, censurou-se. Devia tê-la possuído logo, sem preliminares, sem dar-lhe tempo para comovê-lo com suas palavras e seus olhos da cor do céu. Agindo como agia, ele se tornava vulnerável à zombaria, à vergonha pública, à chantagem. Entretanto, mesmo enquanto assim refletia, Booth sabia que Temperance o havia derrotado.
Brennan acompanhou seus movimentos quando, sem dizer nenhuma palavra, ele apanhou a adaga sob o travesseiro. Firmando as mãos, ele passou a lâmina no próprio pulso. Calmamente, observou seu sangue gotejar no lençol e tingi-lo de vermelho.
"Para o seu bem, espero não me arrepender. Agora cubra-se antes que eu mude de idéia" — Booth acrescentou bruscamente.
Ela deitou-se, puxando a colcha até o pescoço. Booth deu-lhe as costas e estirou-se sobre o leito. Ela ficou contemplando-o, admirando seu torso bem torneado. E, embora não ignorasse que estava brincando com fogo, estendeu a mão para tocá-lo no ombro. Ele se retesou, mas não a repeliu.
"Booth?"
"O que é agora?!"
"Boa noite."
Dito isso, Temperance sorriu e acariciou-o de leve. Ele virou a cabeça ligeiramente.
"Não me toque, Temperance, a menos que queira me fazer um convite."
"Oh o toque estimula suas terminações nervosas subcutâneas, induzindo-o à excitação sexual. Obviamente, como macho alfa, é muito difícil para você se controlar. Ok, posso lidar com isso. Desculpe."
Ele começou a rir.
"De que diabos está falando? Não, não, melhor que nem explique." - A admiração e o bom humor varreram o que restava de sua raiva e sua frustração.
Pouco depois, Booth ouviu a respiração lenta e ritmada dela. Virou-se e estudou a mulher adormecida a seu lado. Com os cabelos esparramados sobre o travesseiro e os lábios entreabertos, Temperance mais parecia uma criança. Sua pele, branca como o alabastro, tinha um brilho translúcido que contrastava com a colcha. E, sob as delicadas dobras da seda púrpura, os contornos de seu corpo eram como as colinas e planícies de um território de delícias.
A urgência que tomou conta dele era tamanha, que quase quebrou a promessa que fizera a Temperance. Recostou-se à cabeceira, arrependendo-se de sua estupidez e seu tolo sentimentalismo. Contudo, fizera uma promessa. Selada com seu próprio sangue. Embora nunca fosse admiti-lo publicamente, seu senso de honra nivelava a promessa feita a uma mulher com o juramento de fidelidade feito a um aliado de guerra. Não podia voltar atrás.
Brennan emergiu do sono assaltada por sensações pouco familiares. Abriu os olhos e notou que estava impossibilitada de se mover. A mão possessiva de um homem descansava sobre sua cintura. As pernas dele entrelaçavam-se às suas, num contato bastante íntimo. Ela levantou a cabeça, apoiada no braço dele. Ao reconhecer Booth e o quarto, experimentou um momentâneo alívio. Logo a seguir, seu coração disparou. Deixou a cabeça cair outra vez e fechou os olhos. Então a noite passada não fora um sonho.
As cenas desenrolaram-se diante dela com inegável veracidade. Não, não fora um sonho.
E agora? O que fazer? O que fazer...? Como fora parar ali, num tempo passado, com aquelas pessoas que lhe eram familiares e estranhas ao mesmo tempo? Tudo que se lembrava era que examinava os restos da mulher italiana, Isabella, até que, então viera parar nessa estranha realidade.
A idéia do dever não lhe saía da mente. O que fariam, no Jeffersonian, quando dessem sua falta? E o trabalho que a esperava?
Brennan começou a se debater, lutando para se desvencilhar dos braços de Booth. Ele murmurou algo ininteligível e estreitou o abraço, tocando suas costas. Brennan ficou petrificada, enquanto sucessivas ondas de desejo tomavam conta de seu corpo.
Fitou-o. Ele exibia uma fisionomia relaxada, tranquila. Queria tocá-lo, mas lembrou-se que ele lhe dissera para não o fazer, a menos que fosse um convite... Ela recolheu a mão. Mas continuou a olhá-lo.
Forçando-se a desviar o olhar dele, examinou o quarto. Se ao menos conseguisse encontrar uma pista de como chegara até ali, talvez descobrisse um modo de voltar...
Mais inquieta do que nunca, lutou para se desembaraçar de Booth. Novamente, ele murmurou algo e não acordou. Temperance deslizou para fora da cama e abriu um pedaço da cortina, olhando lá fora. Foi até uma das gavetas e encontrou uma camisola, vestindo-a em seguida.
"Temperance..."
Horrorizada, ouviu a voz sonolenta dele, espreguiçando-se.
"Temperance!" - falou mais alto ao perceber sua ausência.
Com o coração batendo descompassado, deitou-se ao lado de Booth e o abraçou.
"Booth" — murmurou, espalmando a mão no peito dele.
"Lembra-se do que eu lhe disse, Temperance?"
Ela balançou a cabeça, em afirmação, sentindo as batidas do coração dele sob a palma de sua mão.
"Isso é um convite?" - ele perguntou inseguro.
"Sim." - ela sorriu.
CONTINUA...
