CAPÍTULO 3: (IN) SANIDADE.
POV: HERMIONE GRANGER
Antes:
A escuridão lentamente recuava acolhendo o nascer do dia; uma brisa fresca revolvia as folhas pelo chão do pátio, indiferente aos destroços que o rodeava.
Outrora, aquele pátio abrigara esperança, e sonho, e intelecto, e inocência, e risos, e casa, e paz, mas agora, era apenas uma amostra da destruição que assolava a construção a qual ele pertencia.
Para além do pátio, o Castelo era apenas um amontoado de pedras destruídas, aqui e ali, as paredes que ainda restavam, expunham buracos e queimaduras como feridas abertas.
O Castelo, que antes havia pulsado como um organismo vivo, estava morrendo; olhar para ele, era como ver um coração exposto que aos poucos ia parando de bater.
Ao longe, na Floresta que circundava a propriedade, era possível ouvir gritos de jubilo, e para o céu, subiam explosões de luzes vermelhas e prata, lançadas tão altas, que iluminavam as ruínas de Hogwarts.
E então ela soube. Hermione Granger soube, que Harry Potter, o Eleito, o Menino que Sobreviveu, cumprira sua parte da profecia, e agora finalmente descansava em paz junto aos seus.
A sensação que a acometeu foi de irrealidade, como olhar o mundo através de um fino véu, mas não fazer parte dele.
Ela correu porta afora do Castelo, em direção ao pátio, por que sabia que era ali, que o veria uma última vez.
Tudo estava diferente ao seu redor; ela via pessoas assustadas se aglomerarem no pátio, e via os destroços em seu caminho, e via o dia que nascia claro e limpo, como não tinha o direito de ser, mas era como se não visse essas coisas realmente, era como se nada daquilo fosse real, como se estivesse pressa em um pesadelo.
Quando chegou ao pátio, sabia que Rony Weasley estava ao seu lado, mas não tinha coragem de tocá-lo, porque tinha medo que ele também não fosse real, e que se o tocasse não sentiria nada, e não queria não sentir nada; precisava sentir aquela dor, por que a dor era real, e ela tinha que saber que alguma coisa era real.
Pela ponte, uma procissão se aproximava do pátio; e antes de ver os Comensais da Morte, antes de ver os Gigantes, antes de ver Voldemort ou Nagini que rastejava ao lado de seu Mestre, Hermione viu um pequeno embrulho nos braços de Hagrid.
Pareceu a ela, que Harry havia encolhido; seu corpo tão pequenino, que cabia dentro dos braços do meio gigante, quase como se ele fosse apenas um garotinho.
Havia algo errado, mas à distancia ela não tinha certeza do que era.
Porém, era certo que o corpo de Harry Potter, jazia sem vida. O braço dele estava pendendo para fora do aconchego dos braços de Hagrid, sacudindo de acordo com o balançar hesitante do meio gigante.
Pareceu que o cortejo demorou horas para fazer o caminho da ponte até o pátio, mas ao mesmo tempo, pareceu segundos e nesse tempo, Hermione não foi capaz deixar seus olhos saírem de Harry; Sentia que se desviasse o olhar estaria abandonando-o.
Devia ter caído, não sabia ao certo, só se deu conta de que estava no chão, quando Rony se esforçou para colá-la de pé; ele falava com ela, mas ela não o ouvia, ele a tocava, mas ela não o sentia.
Voldemort se adiantou a frente do grupo em vários passos, e colocou a varinha na garganta para amplificar a voz, ele queria ser ouvido por todos no Castelo, mas os aliados de Harry eram tão poucos e o silêncio que os rodeava tão opressor, que se tivesse sussurrado, o efeito teria sido o mesmo.
Para Hermione, era como se ele falasse através de um túnel; a voz do Monstro não chegava inteira em seus ouvidos.
- Harry Potter está morto. Foi morto quando fugia, tentando se salvar enquanto vocês sacrificavam suas vidas por ele. Trouxemos o corpo como prova de que seu herói se foi. A batalha foi vencida. Vocês perderam metade de seus combatentes. Meus Comensais da Morte excedem o número de vocês, e o Menino que Sobreviveu está destruído. Não deve haver mais guerra. Qualquer um que continue a resistir, homem, mulher ou criança, será abatido, assim como todos os membros de sua família. Saiam do castelo agora, ajoelhem-se diante de mim, e serão poupados. Seus pais e filhos, seus irmãos e irmãs viverão e serão perdoados, e vocês se unirão a mim no novo mundo que construiremos juntos.
Hermione fechou os olhos diante daquelas palavras, finalmente conseguindo deixar de olhar para Harry só por um segundo; nunca em toda a sua vida, ela desejou a morte como naquele instante, mas se era a dela ou a de Voldemort ela não conseguia dizer.
Abriu os olhos apressadamente, não se atrevia e deixar Harry sozinho por tanto tempo, mas Rony estava em sua frente, usando o corpo para encobrir a visão.
- Não olhe. Não olhe Hermione – Dizia Rony aos sussurros, tentando tocá-la.
Hermione empurrou as mãos dele para longe, e talvez tenha empurrado ele também, havia coisas que ela não se lembrava de ter feito, e, no entanto, fizera.
Teve raiva de Rony, por tentar impedi-la de olhar para Harry. Ele não via que Harry não deveria ficar sozinho por tanto tempo?
Ela conseguiu se libertar de seu amigo, e sem esforço, Hagrid entrou em seu campo de visão; ele estava sendo conduzido aos tropeços para o lado de Voldemort para que o corpo de Harry pudesse ficar ainda mais em evidencia; foi só então, que Hermione viu o que antes não estava claro.
- NÃO!
Não sabia se o grito fora dela ou de outra pessoa, mas então, se deu conta de que o seu grito ainda estava preso na garganta.
O rugido tinha vindo de muito longe, vinha de McGonagall e havia sido ainda mais terrível porque ela nunca esperara ou sonhara que a Professora pudesse produzir tal som; Bellatrix riu historicamente, em regozijo pelo desespero da Professora.
Harry jazia nos braços de Hagrid, Harry jazia nos braços de Hagrid decapitado, mutilado; a cabeça dele havia sido equilibrada em cima de seu tórax.
Pela segunda vez, Hermione vacilou sob os pés. Finalmente a sensação de irrealidade a abandonou por completo; os sons ao seu redor se amplificaram ao máximo, como se antes ela estivesse ouvindo tudo por detrás de uma cachoeira, voltou a sentir seu corpo, e o frio que a acometera, sentiu as mãos de Rony firmes nela para que não caísse e ouviu os gritos, gritos dolorosos e profundos, e agora tão altos, que ela os sentia pulsar dentro de si.
E então, ela sentiu seu próprio grito finalmente deixar sua garganta, e se juntou a ele os gritos de Rony e Gina, e soaram ainda piores do que o de McGonagall.
- Não!
- Não!
- Harry! HARRY!
Os gritos deles funcionaram como um gatilho; a pequena multidão de sobreviventes se juntou a eles, gritando e berrando insultos para os Comensais da Morte, até que...
- SILÊNCIO! – Voldemort gritou – Está acabado! Coloque-o no chão, Hagrid, aos meus pés, onde é o seu lugar! Vocês vêem? Harry Potter está morto! Vocês entendem agora, seus iludidos? Ele nunca foi nada, exceto um garoto que contava com outros para se sacrificarem no lugar dele!
- Ele venceu você! – Rony gritou.
- Ele foi morto enquanto tentava escapar dos terrenos do castelo – Voldemort declarou, ignorando Rony, com satisfação na voz pela mentira que contava – Morto enquanto tentava se salvar...
- Mentiroso – Hermione gritou em resposta. O ódio tomando o lugar do desespero, a raiva envenenando seu coração.
- Cale a boca, sangue ruim. Não há lugar para coisas como você no novo mundo...
Mas Voldemort se interrompeu. Um tumulto irrompeu da multidão.
Neville se adiantou à frente dos amigos, e se aproximou de Voldemort.
- E quem é esse? – O Lorde das Trevas perguntou em um suave sibilo de cobra. – Quem se voluntariou para demonstrar o que acontece àqueles que continuam lutando quando a batalha está perdida?
Bellatrix deu uma risada deliciada.
- É Neville Longbottom, senhor! O rapaz que estava criando tantos problemas para os Carrows! O filho dos Aurores, lembra?
- Ah, sim, me lembro – respondeu Voldemort, baixando os olhos para Neville, que estava se esforçando para ficar de pé, desarmado e desprotegido, na terra de ninguém entre os sobreviventes e os Comensais da Morte. – Mas você é um puro-sangue, não é, meu bravo rapaz? – Voldemort perguntou a Neville, que continuava a encará-lo.
- E daí se eu for? – Neville replicou em voz alta.
- Você demonstra entusiasmo e bravura e vem de origem nobre. Você se tornará um Comensal da Morte muito valioso. Precisamos do seu tipo, Neville Longbottom.
- Eu me juntarei a vocês quando o inferno congelar – Neville respondeu. – Armada de Dumbledore! – gritou, e houve uma saudação da multidão; Hermione gritou em resposta com tanta força que sentiu a garganta queimar.
- Muito bem – disse o bruxo. Havia mais perigo na suavidade de sua voz do que na sua mais poderosa maldição. – Se é essa a sua escolha, Longbottom, voltamos ao plano original.
Voldemort não viu a principio, talvez, ninguém a não ser Hermione tenha realmente notado, que Neville segurava o Chapéu Seletor nas mãos.
- Você está errado – Neville disse. Sua voz estava forte e firme o suficiente para que ele se fizesse ouvir por todos no pátio – O coração de Harry batia por nós, por todos nós. Está errado se acha que isso acabou.
Neville puxou de dentro do Chapéu Seletor a Espada de Godric Gryffindor, ela brilhou a luz do sol, como se sorvesse o calor e se fortificasse com ele.
Sem aviso, Neville partiu para cima de Nagini, atacando de tal modo que até mesmo Voldemort ficou surpreso.
A Armada de Dumbledore e a Ordem da Fênix reagiram, partindo para cima dos Comensais da Morte em um último assalto desesperado; era loucura completa, eles eram todos juntos, um grupo muito, muito menor do que o grupo inimigo, mas ninguém pareceu se importar com isso.
Hermione avançou, desejando mais que tudo chegar a Voldemort, mas foi detida por Rony.
- Nós precisamos ir. Precisamos sair daqui – Ele puxava Hermione pelo braço para longe da batalha.
- Não podemos abandonar Harry agora – Hermione disse teimosamente.
- É justamente por ele. Ele nos deixou uma missão e precisamos terminar – Rony estava ansioso. Cada linha de expressão em seu rosto denunciava que ele também queria ficar, mas se esforçava para ser a voz da razão.
- Não Rony. Nossa missão é salvar Harry – Hermione disse com lagrimas preenchendo seus olhos e impedindo-a de ver seu amigo ruivo.
A volta deles a batalha estava feroz, Kingsley Shacklebolt estava liderando o grupo para dentro do Castelo com a Professora Minerva reorganizando as forças.
- Harry está morto, Hermione. Está além de nosso alcance salva-lo agora – Rony chacoalhou Hermione pelos ombros levemente.
- Não – ela insistiu, horrorizada com a facilidade com que Rony dizia aquilo.
- Neville tem razão, Harry se foi; mas nós ainda temos que vencer essa guerra. Precisamos partir, precisamos terminar o que começamos.
- Mas Nagini está aqui – Hermione tentou argumentar.
- Nagini estará sempre ao lado de Voldemort, mas ainda precisamos encontrar a ultima horcrux, a Diadema perdida de Rowena Ravenclaw. Hoje não teremos êxito, precisamos recuar.
Hermione sabia que havia verdade no que ele dizia, seu subconsciente entendia a lógica disso, mas ela não podia abandoná-lo, caído lá, sozinho, mutilado, em meio aos pés dos combatentes.
De repente, um guincho horrível preencheu o ar. Quase todos haviam recuado para dentro do Salão Principal e era lá que se dava a luta, mas no pátio, ainda havia algumas poucas duplas duelando, e o impossível estava acontecendo.
Neville cortara a cabeça de Nagini com a Espada de Gryffindor; a cabeça da cobra rodopiou alto no ar, e uma fumaça negra subiu de seu corpo, escurecendo o pátio, como se a noite tivesse chegado mais cedo; a cauda do bicho ainda se debatia freneticamente.
Ela ficou em choque, mas o pesar era uma barreira que impedia Hermione de processar totalmente o significado da ação de Neville, e por um momento, Rony e ela, só ficaram lá, olhando para corpo da cobra que ainda se revirava no chão, muito próximo do corpo de Harry.
Porém, não havia ninguém mais que entendesse aquilo, pelo que realmente era. Voldemort não estava a vista e seus poucos seguidores no pátio, estavam absurdos em seus próprios combates para prestarem atenção, no que eles supunham ser somente o animal de estimação de seu Mestre; até mesmo Nivelle, totalmente inconsciente para o grande feito que conquistara, já tinha substituído a espada pela varinha e partia para enfrentar outro Comensal.
- Se morrermos hoje, ele vence! Se morrermos nessa batalha, o segredo dele estará para sempre perdido – Rony parecia ter se recuperado muito mais rápido do choque, e apertava os ombros de Hermione com força.
Hermione deu uma última olhada para o corpo maculado de Harry, esquecido em meio à luta; ela queria chorar por ele, queria enterrá-lo e honrá-lo, mas então, ela entendeu que ainda não havia chegado à hora.
Ela tateou seu corpo a procura da bolsa de contas, para se certificar que ainda tinha tudo o que precisava junto de si, e especialmente para se assegurar, de que o embrulho que Harry lhe dera antes de partir para a floresta, ainda estava com ela.
Finalmente ela encontrou os olhos de Rony, e balançou a cabeça em concordância e Rony os aparatou dali; enquanto girava para embarcar na escuridão, Hermione viu Harry Potter pela última vez!
Agora:
Enquanto lá fora, o mar fazia sua eterna dança sobre a areia da praia, e a escuridão da noite recuava lentamente para permitir que um tom bonito de laranja manchasse o céu, dentro do Castelo, ainda estava consideravelmente escuro e silencioso.
Mas ela tinha uma intuição de que os Winchester, tal como ela, estariam despertos, por isso, saiu porta afora do quarto para encontrá-los, e foi sem surpresa, que encontrou os corredores abarrotados de guardas fazendo vigia.
Ela se esforçou para conter o sorriso, achando graça na precaução pouco produtiva de seus anfitriões, não que ela fosse contar isso a Rainha, de qualquer modo.
Enquanto caminhava pelo longo corredor, iluminado por tochas que ardiam solitariamente no escuro, à mão livre tocava as paredes por onde passava; a sensação áspera da pedra e argamassa tinha um efeito nostálgico.
Já fazia muito tempo que ela não caminhava por entre as pedras de um Castelo, e embora esse, fosse muito diferente daquele, do qual ela tinha saudade, ainda assim, era bonito o suficiente para ser admirado
Bonito de um jeito distinto, aquele era extraordinário, e trazia riso, conhecimento, juventude e amizade, uma vida diferente para uma garota diferente; este era esplêndido, mas também era sombrio, com suas gárgulas servindo como ameias sobre as muralhas, e torres esculpidas em forma de dragões, e cantos mal iluminados e rostos que nunca sorriam.
Mesmo assim ela não se queixaria, depois de tudo, era surpreendente que tivesse conseguido chegar até Westeros.
Agora, enquanto tocava as pedras com uma mão e carregando três bolsas muito passadas com a outra, Hermione calculava mentalmente qual Winchester teria menor propensão em matá-la, e deliberadamente escolheu o irmão mais alto.
Estava à procura dele para devolver-lhe seus pertencer.
Dessa ultima vez, Hermione não sabia dizer, quanto tempo ficara presa na Mansão dos Malfoy; o tempo em uma masmorra de tortura é indecifrável.
Depois de Bellatrix usar a Cruciatus até se fartar, e não obter os resultados desejados, ela havia lançado mão de outros recursos, entre eles Ferrys Greyback, que alcançara com Hermione, os mesmos resultados pífios da Bruxa.
Dia após dia de fracasso, na tentativa de fazer Hermione revelar informações sobre a Resistência, obrigou a Comensal a pedir ajuda do melhor entre os melhores na arte de fazer falar, Severo Snape.
Hermione nunca tinha sido tão grata pela visão de seu antigo Mestre de Poções; assim que ele entrou na sala e a viu, ela percebeu o pânico nos olhos dele.
A recente parceria funcionava muito bem para os dois, e Severo órfão de seu único objetivo em toda a vida, se agarrava a oportunidade de confiança que Hermione lhe dera, para cumprir com sua promessa. Agora, ele era mais que seu aliado era também seu amigo.
Ao vê-la, ele lutou com Bellatrix usando seus melhores truques de persuasão, para ficar sozinho com ela, e quando conseguiu, engendrou um plano simples onde ela de algum modo, teria conseguido subjugá-lo durante sua sessão de tortura, roubando a varinha dele, antes de fugir.
Eles teriam que encenar a coisa toda, pois Voldemort usaria legilimência em seus asseclas, para saber o que tinha acontecido, caso a situação chegasse até ele. Até ali o Lorde das Trevas estava completamente alheio a existência de Hermione na masmorra de um de seus seguidores, pois Bellatrix queria apresentar as informações que conseguisse com Hermione sobre a Resistência, como um presente ao Lorde, numa tentativa de restaurar seus dias de gloria como fiel seguidora.
Mas, antes que pudessem começar com o teatro, Severo foi chamado para supervisionar outra sessão, com alguém muito importante que tinha acabado de ser capturado.
Os dois sentiram os ânimos despencarem, só podia ser alguém da Ordem da Fênix, Hermione foi deixada para trás, com o coração na garganta.
Quando Severo voltou, ele explicou que se tratava de dois trouxas, e eles foram obrigados a reajustar os planos, para que Hermione pudesse tirar os trouxas dali, em sua própria missão de resgate.
As coisas foram um pouco caóticas, mas Snape havia conseguido resgatar os pertences da bruxa e dos trouxas e deixara tudo na bolsa de contas de Hermione, que depois fora colocada por ele, na cela dos Winchester, depois disso, ele diminui as proteções mágicas ao entorno da propriedade, facilitando a fuga dela. Hermione tinha muito que agradecer a Severo Snape.
De certa forma, ela sentia-se responsável pela segurança das pessoas em Westeros, que ficariam expostas aos Caçadores e por isso, jogou para o alto, qualquer idealismo romântico sobre valores, e vasculhou os pertences dos irmãos, regatados do fundo de sua muito surrada bolsa de contas.
Esperava que não houvesse nas três bolsas, nenhum objeto muito insano, e ao revirar o conteúdo de roupas, livros, recortes de jornais, um diário muito surrado que descrevia detalhadamente os muitos monstros que existiam, e as diversas maneiras de matá-los, além de armas, muitas armas, ela chegou à triste conclusão de que eles eram um risco até para eles mesmos; tinha muito xadrez naquelas roupas, para que eles fossem considerados mentalmente sãos.
Internamente ela considerava, em que momento suas definições de sanidade, tinham se alterado para achar, que frascos de óleo bento, cartuchos de balas com sal grosso, água benta e potes de sangue, eram itens salutares para se carregar por ai.
Depois de concluir que sua própria bolsa tinha um conteúdo muito mais eclético, por assim dizer, e bem menos saudável, ela decidiu devolver as malas dos rapazes.
Ela chegou em frente a porta do quarto que achava ser de Sam Winchester e bateu na madeira com os nós dos dedos.
O universo queria que ela se lembrasse que a sorte não a favorecia, porque foi Dean Winchester quem atendeu ao chamado.
Ele apareceu emoldurado pelo batente da porta, usando ainda suas roupas maltratadas, sujas e rasgadas do dia anterior, e com os olhos queimando em um verde tão intenso que, por um momento, Hermione vacilou lembrando-se de outros olhos verdes que outrora ela amara.
Dean piscou em sua direção, e um brilho de reconhecimento abrandou a chama nos olhos dele por um instante, mas então, com uma rapidez que a confundiu, ele mudou sua expressão de surpresa para aborrecimento.
- O que quer tão cedo? – Ele perguntou a guisa do cumprimento, encostando-se ao batente da porta e cruzando os poderosos braços sobre o peito.
- Bom dia para você também. – Ela devolveu com o melhor sorriso falsamente doce que conseguiu encontrar, a cinco da hora da manhã.
Hermione não esperou pela resposta, apenas se espremeu para passar entre ele e o batente; ele levantou as mãos para cima num gesto irritado às costas dela, e ela fingiu não ver, não queria despejar no corredor cheio de guardas que os observavam atentamente, o conteúdo de um verdadeiro arsenal de guerra.
- Eu trouxe suas coisas – Ela informou, depositando em cima da cama desfeita, as bolsas que carregava um pouco desajeitamento por causa do peso.
Foi só então, que viu Sam, sentando na cadeira de uma mesa idêntica aquela que havia no quarto de Hermione.
- Como você conseguiu isso? – Sam perguntou atordoado, indo abrir as mochilas.
- Acho que a pergunta correta é: onde estava escondendo isso? – Dean reformulou, com a testa enrugada, finalmente fechando a porta e se juntando ao irmão no exame da bagagem.
Enquanto Sam procurava roupas e produtos de higiene pessoal, Dean conferia as armas.
- Magia – Ela respondeu simplesmente, nem um pouco disposta a explicar sua bolsa de contas e seu envolvimento com o Espião e Mestre de Poções mais respeitado do circulo de Voldemort - Espero que esteja tudo ai.
- É tudo o que tínhamos no motel quando fomos seqüestrados pelos Comedores da Morte – Dean respondeu, largando a bolsa de armas para vasculhas a segunda sacola.
- Comensais da Morte – Hermione o corrigiu, mas ele não prestou atenção, estava tirando da mochila mais uma faca, essa com uma lâmina serrilhada com gravações rúnicas antigas na superfície. Dean sorria para a faca como se fosse um parente a muito perdido.
- Obrigada – Sam agradeceu com sinceridade – Estávamos preocupados com o que iríamos vestir.
Sam não parecia realmente preocupado, apenas relaxado e tranqüilo com aquela situação toda, como se sua vida fosse viajar com Bruxas para sociedade medievais de outros universos.
- Eu não estava preocupado – Disse Dean, finalmente deixando as armas de lado. Ele levantou a cabeça para encará-la com um sorriso travesso brincando em seus lábios carnudos – Eu ficaria incrível em uma armadura.
- Eu duvido disso – Hermione disse, apenas para provocá-lo.
Sam deu uma risadinha que tentou esconder abaixando a cabeça para o conteúdo de sua mochila, Dean voltou a por a carranca desagradável no rosto.
- Porque esta devolvendo nossas armas? – Ele perguntou suspeitoso.
- Apenas um voto de confiança – Hermione respondeu indiferente.
Se Dean se espantou com a resposta dela, não deixou que isso abalasse seu entusiasmo em odiá-la.
- Agradecemos a bondade de seu coração – Ele disse insincero – Mas a menos que você queira um strip-tease particular, coisa que lhe custaria muita grana, afinal o produto é de alta qualidade, sugiro que de o fora para que a gente possa trocar de roupa.
- Dean! – Sam repreendeu o irmão.
- Que? Quero descer logo par tomar café, estou faminto. – Dean respondeu dando de ombros.
- Merlin não permita que eu queime minha retina vendo você pelado – Hermione simplesmente se via incapaz de não respondeu a suas provocações. - Encontro vocês no café da manhã.
Ela se despediu saindo do quarto em seguida.
Encontrar salões em Castelos, era quase uma segunda natureza de Hermione, ainda mais quando se estava motivada pelo estomago que roncava descaradamente, por isso, ela não se intimidou em vagar pelos corredores de Pedra do Dragão;
Mas antes que Hermione tivesse a chance de encontrar o abençoado salão, a mulher morena e incrivelmente bonita, que enunciara os milhares de títulos da Rainha na noite anterior, veio ao encontro dela em um dos corredores.
- A Rainha convoca sua presença na reunião que ocorrera na Sala da Mesa Pintada – Ela disse educadamente, mas de maneira distante.
Intimamente Hermione suspirou, e seu estomago concordando vigorosamente em protesto, mas ela sorriu e seguiu a morena de perto; no caminho encontrou os irmãos Winchester escoltados por outros dois servos, indo na mesma direção.
Hermione supôs que a Câmera da Mesa Pintada, devia seu o nome ao único móvel que a decorava.
A sala arredondada com paredes de pedras negras e nuas e janelas altas que se abriam para o oeste da ilha, possuía em seu centro, uma enorme mesa com mais de quinze metros de cumprimento; a mesa era esculpida na forma de um mapa, que devia ser de Westeros, cada baía e península tinham sido serradas até que nenhuma parte estivesse reta; na sua superfície, escurecida pelo verniz, estavam pintados rios, montanhas, castelos e cidades, lagos e florestas.
Das janelas abertas, soprava um vendo gelado de inicio da manhã, de costas para as janelas, havia a única cadeira do cômodo, posicionada na cabeceira da mesa, e ocupada pela Rainha Platinada.
No extremo oposto da mesa, de pé, estava Lorde Jon Snow, atrás dele uma lareira ardia reconfortantemente.
Os mesmos rostos da noite anterior já estavam presentes na sala. Havia o Senhor careca e ligeiramente gordinho, usando seus roupões e pantufas, e com uma expressão de desagrado exclusivamente reservada para Hermione; estava presente também, o Senhor de meia idade, alto e moreno, perdendo os cabelos, e usando um conjunto completo de armadura e espada presa à cintura; ao lado de Jon, estava o Senhor pequeno e de rosto comum, com os cabelos e barba salpicados de cinza, e as primeiras falanges da mão esquerda, cortadas; e Lorde Tyrion Lannister que ocupava seu lugar ao lado Rainha;
Havia mais guardas nesta sala, do que nos corredores por onde ela passara aquela manhã, eles vestiam uniformes de couro negro e estavam fortemente armados.
Hermione se perguntou, não pela primeira vez, se em Westeros as pessoas eram capazes de sorrir.
Quando Hermione e os Winchester entraram na Câmera, o fluxo de conversas foi interrompido e os presentes olharam para ela com expressões estranhas, como se nunca a tivessem visto antes.
- Vejo que a Senhora se recuperou extraordinariamente rápido de seus ferimentos? – Foi Lord Tyrion quem questionou, e Hermione compreendeu os olhares estranhos em sua direção.
Pela maneira como olhavam para ela agora, só pode supor que estivera em péssimo estado na noite anterior.
Ela fez uma anotação mental de "agradecer" a Fenrir Greyback por isso. Bellatrix e os Malfoy gostavam muito dos serviços prestados por Fenrir; O Lobisomem era avesso ao requinte das torturas bruxas, e um amante dos métodos "tradicionais"; gostava da cor do sangue escorrendo pela pele, e do som dos ossos quebrando sob seus dedos, e das cicatrizes que deixava. Quando os Bruxos não conseguiam o que desejavam pelos meios convencionais, era a ele que eles chamavam.
Ainda nas masmorras de Daenerys, fora-lhe enviado um Curandeiro para tratar de seus ferimentos, mas o que ele fora capaz de fazer por ela, era quase nada.
Ela supunha, que poderia agradecer pelo tempo curto que passou a sós com Greyback, pois sozinha ela mesma foi capaz de dar conta de seus ferimentos na noite passada, dessa vez, tivera sorte.
- Oh sim. A magia tem seus benefícios. – Hermione respondeu.
- Isso parece formidável. Gostaria de ter tido essa opção quando me fizeram isso – Tyrion apontou para uma cicatriz muito fina e levemente avermelhada, que cortava seu rosto transversalmente.
Hermione nem a teria notado se ele não a tivesse apontado, cicatrizes eram terrivelmente familiares para ela, tão naturais como qualquer outra parte do corpo.
- Teria sido útil eu suponho – A bruxa não pode evitar que um sorriso de simpatia pelo anão, surgisse em seus lábios.
Embora cético do princípio ao fim, com todas as palavras de Hermione, até ali, Lorde Tyrion havia sido o único vagamente gentil com ela. Na noite anterior, depois do escrutínio pelo qual ela passara no interrogatório da Rainha, ele amavelmente, havia oferecido bons quartos para ela e os Caçadores, além de comida e um banho quente. O quarto que Hermione ocupara era rústico e simples sob qualquer padrão de Hogwarts, mas um verdadeiro Oasis se comparado com os últimos lugares em que ela dormira.
Enquanto respondia as perguntas de Tyrion, Hermione podia sentir os olhos de Jon Snow postos nela com firmeza, todos a olhavam era verdade, mas eram os olhos dele que queimavam mais.
A Rainha Daenerys levantou-se de seu lugar, pondo fim a conversa entre Hermione e o Lannister.
- É certo presumir, que vocês têm a intenção de nos ajudar? – A Rainha perguntou indo direto ao ponto.
- Contra o Rei da Noite, sim. Mas não posso falar pelos Winchester. – Hermione respondeu à Rainha em tom formal.
Hermione se voltou para os irmãos que estavam ao seu lado, Dean trocou um olhar cheio de significados com Sam.
- Ainda não tomamos nossa decisão – Dean respondeu para a Rainha, desviando sua atenção para Hermione em seguida – Mas podemos ajudar enquanto decidimos.
Hermione sentiu que havia algo a mais na resposta dele, mas ela não foi capaz de identificar o que era, no entanto, respirou aliviada mesmo assim. Ela não sabia ainda o que Voldemort queria com os dois irmãos, e na noite da fuga, não havia tido tempo de descobrir o que Severo sabia sobre isso, mas ela supunha que não podia ser nada de bom. Se eles ficassem ela teria a chance de colocar uma boa distancia entre Voldemort e qualquer outro plano maluco que ele tivesse para os Winchester. Ela poderia mantê-los seguros, "ou pelo menos, o máximo que poderiam ficar, estando longe do Lorde das Trevas".
- Então, acho que devo compartilhar as noticias que recebi do Norte essa manhã – Jon Snow falou, chamando a atenção de todos para si.
Daenerys voltou a se sentar, os demais permaneceram de pé em volta da mesa.
- Meu irmão Bran, viu o exército do Rei da Noite marchando para Atalaialeste – Jon continuou com uma expressão de preocupação profunda nos olhos cinzentos. Ele fez uma pausa voltando sua atenção para a Rainha – Preciso ir para casa.
- Não lhe dei permissão para partir – Daenerys respondeu intransigentemente, com um toque de ansiedade na voz.
Hermione notou como os olhos da Rainha brilhavam diferentes para Jon Snow, mas não estava certa se ele correspondia.
- Com todo o respeito Majestade, não preciso de permissão. Eu sou um Rei. Eu vim até aqui, sabendo que você poderia me decapitar e seus Dragões poderiam me queimar vivo. Eu confiei na Senhora, uma estanha, porque sabia que era a melhor chance para o meu povo, para todo o nosso povo. Agora estou pedindo que confie em um estranho, porque é nossa melhor chance – Jon disse firmemente.
- Supondo que esse Rei da Noite realmente exista, qualquer esforço que você possa empregar no Norte será inútil. Você mesmo disse que não sabe como matá-los – Disse o Senhor de meia idade ao lado de Daenerys. – Você seria mais útil ao lado da Rainha, lutando contra Cersei.
- Desculpe Sor Jorah, mas vocês ainda não entenderam a gravidade da situação – Respondeu Jon frustrado – Não haverá Trono de Ferro para conquistar se o Rei da Noite atravessar a Muralha.
- Mas Sor Jorah, tem um ponto – Sam falou pela primeira vez – Se vocês não sabem como matá-los, um confronto sem essa informação seria suicídio.
- E o que o Senhor sugere? – Perguntou Lorde Tyrion, trocando um olhar com a Rainha. Hermione percebeu a descrença ainda brilhar nos olhos dos dois.
- Eu? – Sam perguntou. Espantado por pedirem sua opinião.
Era evidente que os Winchester não eram do tipo, que se reuniam em volta de mesas para discutir estratégias, estavam mais para correr para o perigo primeiro e lidar com as conseqüências depois.
- Sim, seria excelente ouvir a opinião de especialistas – O Senhor de pantufas e roupão disse em tom de desdém.
Dean o encarou com uma sobrancelha levantada.
- Não sabemos exatamente que coisas são essas – Sam respondeu, ignorando o tom do outro.
- São mortos vivos – Jon interrompeu com a paciência curta.
- Desculpe, mas temo que não seja tão simples assim – Hermione disse. – Sim eles são corpos mortos que voltam à vida, mas pode haver diferenças. Há mais de um tipo de ritual que pode recriar esse tipo de semi-vida, eu suponho que para cada ritual, haja características diferentes nessas criaturas, não?
Sam e Dean trocaram um olhar entre si obviamente surpresos por Hermione saber essas coisas.
- Sim – Sam confirmou – Os mortos vivos criados por rituais gregos, por exemplo, não podem ser mortos, mas podem ser detidos, sendo pregados em seus caixões com estacas de prata gravadas no peito. Já aqueles infectados com o vírus demoníaco Croatoan, podem ser mortos se seus cérebros forem atingidos fatalmente. Cada ritual de ressuscitarão requer um método diferente para matá-los.
Sam falou com tanta segurança e seriedade, que levou todos a olharem para ele com olhos arregalados, se com incredulidade ou espanto, Hermione ainda não conseguia definir, mas ninguém o olhava com mais choque do que Jon, ele parecia abalado e empalideceu um pouco.
- O que vocês fariam se estivessem caçando essas coisas? – Lorde Tyrion perguntou, parecia considerar lentamente se levava a sério tudo aquilo ou não.
- O primeiro passo seria a investigação. Conhecer o inimigo e seu território. Precisamos ver com o que estamos lidando – Foi Dean que respondeu dessa vez, em tom prático; o caçador assumindo o comando da sala de guerra.
- Jon já os viu de perto, ele pode descrevê-los para você – Disse o Senhor com a mão sem falanges.
- Não quero ofender, mas acho que prefiro ver os monstros com meus próprios olhos – Dean respondeu. - É preciso saber para onde olhar, é preciso ter olhos treinados para identificar o que é importante e o que é descartável, só assim você consegue decifrar as pistas.
- Decifrar as pistas? – Hermione perguntou sempre ávida por mais conhecimento.
- Algumas vezes, as criaturas indicam suas fraquezas através de seus hábitos ou de seu habitat. Quando você não conhece o que caça, observação pode ser um bom método de pesquisa – Sam esclareceu.
- O que vocês estão sugerindo, é uma expedição ao norte para reconhecimento? – Perguntou Jon com a testa franzida
- Se eles só podem ser encontrados ao norte, então sim – Dean disse isso como se fosse só mais um dia no escritório.
- Isso é uma insanidade completa – Disse Tyrion – Mas, pode ser útil em mais de uma maneira.
- Como assim? – A Rainha questionou, olhando para o homem como se ele tivesse perdido o juízo.
- Jon não tem os homens suficientes para enfrentar a guerra sozinho – Tyrion respondeu, olhando Jon com um pedido de desculpas nos olhos desiguais.
- Lutaremos com os que tivermos – respondeu o Rei simplesmente.
- Mas não precisa ser assim. Não podemos ir ao Norte estando em guerra com Cersei. Ela reconquistara o restante do território assim que virarmos as costas. Cersei acha que o exército dos mortos é só uma história para assustar crianças. E se provarmos que está errada? - Perguntou Tyrion para ninguém em particular.
- Acha que ela faria uma trégua? Que essa tal de Cersei, poderia se unir a nós na luta contra o Rei da Noite? - Perguntou Hermione.
Tyrion lançou um olhar de aprovação para ela.
- Sim, acredito. E essa tal de Cersei é minha irmã – Respondeu ele. – Mas ela não é uma boa Rainha. Só se importa com o poder.
- Não acho que Cersei aceitaria um convite para ir vê-los – Daenerys considerou com ironia.
- Então, traga os mortos até ela – Tyrion respondeu com excitação.
- Pensei que fosse o que quiséssemos evitar? – Perguntou Dean.
- Não precisamos trazer todos eles, só um soldado. – Tyrion elaborou melhor - Traga um deles até Porto Real. Mostre a verdade ao reino. Todos têm o direito de saber.
Hermione não tivera tempo de entender Westeros ainda, mas ela pode compreender que eles estavam em guerra, uma disputa que acontecia entre Cersei e Daenerys, mas a verdade, é que nenhumas dessas questões importavam para ela, somente deter o Rei da Noite, porém, ela sabia que para isso precisariam de soltados; se as forças do país estivessem preocupadas em lutar entre si, eles não teriam a menor chance.
- O que quer que tragam será inútil se Cersei não aceitar um encontro e não estiver convencida de nos matar assim que pisarmos na Capital – O Senhor careca e de pantufas apontou um problema no plano de Tyrion.
- Já considerei isso Lorde Varys. – Tyrion o respondeu - A única pessoa a quem ela ouvirá é Jaime, e ele ouvirá a mim.
- Isso parece ser muito bom, mas me perguntou se é possível – Questionou o Senhor sem falanges.
- O primeiro deles que eu vi foi trazido para o Castelo Black de além da muralha, então eu suponho que sim – Disse Jon – Mas vocês precisarão de ajuda para encontrá-los. O Norte da Muralha é grande e desolado, território inabitável.
- Com a permissão da Rainha eu posso ajudar. – Começou Sor Jorah, ganhando um olhar angustiado de Daenerys – Permita-me fazer isso e deixe-me servi-la como um representante.
- O povo livre vai nos ajudar. Eles conhecem o Norte mais do que ninguém – Disse Jon.
- Eles não vão seguir Sor Jorah – Lembrou o Senhor com a mão mutilada.
- Eles não vão precisar, Sor Davos – Disse Jon, com os olhos postos em Daenerys, ela ficou surpresa com a implicação das palavras dele.
- Não pode liderar um grupo além da muralha, você não é mais um membro da Patrulha da Noite é o Rei do Norte. – Sor Davos parecia apreensivo com a perspectiva.
- Sou o único aqui que lutou conta eles. O único que os conhece – Respondeu Jon com energia.
Hermione notou que Dean revirou os olhos impaciente, mas teve o bom senso de não abriu a boca.
- Então temos uma expedição? – Perguntou Sam indecentemente animado.
Hermione se questionou se o menino tinha o juízo perfeito.
